Um belo artigo de Fabricio Carpinejar sobre a Brigada Militar

Fabrício Carpinejar

FABRÍCIO CARPINEJAR

Você cumprimenta os homens e mulheres de farda da Brigada Militar quando passa por eles? Ou finge que eles são postes da lei?

Os brigadianos vivem uma insalubridade psíquica. Só são chamados ou notados no perigo, no desespero. Não são vistos no instante solar da gentileza e da cordialidade.

Não obtêm reconhecimento social apesar de colocar a sua própria vida em risco para nos proteger, muito menos têm compensações financeiras por lidar com um submundo perverso.

Eventuais desmandos e truculência abusiva não espelham o todo da corporação.

Os servidores na ativa são exigidos no cumprimento do dever. Parece que tudo o que fazem de bom e correto é obrigação. Não recebem nenhum gesto de gratidão de nossa parte.

Não têm direito a uma capacitação mais sensível e motivacional, com palestras e simpósios, com treinamento e amparo psicológico a familiares, o que poderia elevar o seu ânimo. Suas promoções na carreira apenas aumentam a responsabilidade e sua exposição pública.

Não são acolhidos em vários lugares, especialmente quando respondem a alguma ocorrência.

Têm os dias ocupados integralmente por tarefas inóspitas, antipáticas, de manutenção da ordem. Reviram a lata de lixo da humanidade em meio a gritos, ameaças, tiros e fugas de criminosos.

Não conhecem a paz de um emprego com uma janela, um computador e um porta-retratos. Atividades administrativas, quando surgem, são temporárias.

Como ser otimista enfrentando a violência ininterruptamente, convivendo com o fracasso, com a estupidez, com a transgressão sem trégua?

Não encontram respiro na realidade, intoxicados pelo pior que há no cotidiano.

É de se esperar que o ostracismo na loucura dos outros, longe da reverência e do aplauso, traga isolamento e depressão.

É de se esperar que o ostracismo na loucura dos outros, longe da reverência e do aplauso, traga isolamento e depressão.

Tanto que o suicídio foi a principal causa de mortes de brigadianos em quatro dos últimos cinco anos. O que é um alerta do quanto eles estão precisando do apoio, do conforto e do colo da população.

Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a deputada Luciana Genro (PSOL) desencavou essa verdade das sombras urbanas e instaurou a Frente Parlamentar em Defesa dos Brigadianos de Nível Médio.

Dados oficiais revelam que, entre o início de 2018 e o final de fevereiro de 2023, houve o registro de 45 suicídios dentro da corporação, o que representa mais da metade das 89 mortes de policiais militares no período. No mesmo espaço de tempo, quinze policiais militares tombaram em confrontos durante o serviço. Os brigadianos estão morrendo três vezes mais de solidão e desgosto do que em atividade.

Nesta quinta-feira, estarei distribuindo rosas brancas para todo brigadiano que encontrar na rua. Como um símbolo de agradecimento. Para mostrar que cada um deles tem raízes no meu mais profundo respeito.

Assim como já telefonamos tanto para o 190 e fomos prontamente socorridos, agora é a hora de atender a Brigada. O coração da Polícia Militar está nos chamando.

Criada a Frente Parlamentar de Vereadores Policiais e Bombeiros Militares do RS

A Frente Parlamentar dos Vereadores Policiais e Bombeiros Militares do Rio Grande do Sul, é composta por 28 parlamentares das diversas Câmaras de Vereadores do Rio Grande do Sul e teve sua constituição no final do mês de abril, com a finalidade de defender os interesses dos militares estaduais.

Ilustração recebida da organização

A PRIMEIRA REUNIÃO

A primeira reunião ocorreu nesta quarta-feira (03) na Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, com parte dos integrantes presencialmente e outra de forma virtual. A reunião tratou sobre a situação do IPE Saúde e a proposta do Governo do Estado de aumentar a contribuição por parte do servidores estaduais.

Os integrantes criticaram o descumprimento reiterado dos percentuais de reposição inflacionária, onde as perdas superam 60%. Quanto ao IPE Saúde, alertam que o maior devedor é o próprio Governo do Estado, que deve mais de R$ 880 milhões ao Instituto.

A Frente Parlamentar formada mobilizará esforços através de encaminhamentos junto ao Ministério Público Estadual, ao Ministério Público de Contas e ao Tribunal de Contas do Estado e, ainda, à Assembleia Legislativa do Estado, solicitação de transparência da gestão do IPE. Nos próximos dias realizarão movimento em Porto Alegre.

1ª Reunião – Foto divulgação

Governo não vê possibilidade de atender as pautas dos militares estaduais.

No início da noite da terça-feira (02) o Correio Brigadiano acompanhou a reunião que as entidades de classe tiveram com o Secretário-chefe da Casa Civil Artur Lemos, a Secretária de Planejamento, Governança e Gestão Daniele Calazans, o Secretário de Segurança Sandro Caron, o Diretor Presidente do IPE Saúde Bruno Jatene, além dos Comandantes-gerais da BM e CBM, Cel Feoli e Cel Estêvan.

Reunião da Casa Civil com as entidades

A pauta principal era o IPE Saúde, mas como as entidades tinham outras pautas represadas e sem respostas por parte do governo, seria de imaginar que também seriam levantadas, entre elas as promoções, e mudança na carreira no que se refere aos níveis de soldados e antecipação do ingresso com nível superior, o que as entidades entendem ser necessário para a busca de isonomia com as demais carreiras da Segurança Pública, além da sempre citada alíquotas previdenciárias, definidas pela lei de proteção social dos militares e não cumprida no Estado.

As respostas para essas demandas foi o que todos já esperavam, mas que precisavam ouvir a posição do governo.

Quanto as promoções, não há previsão para que aconteçam, pois o argumento alegado pelas entidades de que não acarretariam custos, foi rebatido pelo governo, afirmando que não é apenas isso, que há questões de legais impostas pelo regime de recuperação fiscal que impedem essa demanda, tudo depende do fluxo financeiro do Estado.

Mudanças na carreira, algo totalmente descartado pelo governo, o qual aprovou recentemente esta reestruturação e não pretende fazer nenhuma alteração, pois entende ser este o modelo ideal. Sobre a questão do nível superior, ressalta que não é algo que possibilite a isonomia de carreiras, não faria diferença, que o governo foi contra a situação, por ser fator limitador aos interessados por vocação para entrar nas fileiras da Brigada Militar e Bombeiros Militares.

Alíquotas previdenciárias, alteração totalmente descartada pelo governo, o qual entende que, além de ser sua competência essa definição e por isso ingressou com ação no STF, as alíquotas progressivas são necessárias e traz isonomia entre todos os servidores do estado.

Superadas as pautas represadas com a definição por parte do governo, entrou-se na questão do IPE saúde. As entidades em comum acordo, criaram uma proposta de sistema de saúde próprio, aos moldes das forças armadas (FUSEX), a qual tem previsão legal na lei de proteção social dos militares.

A Proposta foi descartada pelo governo, o qual afirma que dividir o sistema, criando outros mecanismos só agravaria a situação. Que o estado tem por obrigação constitucional ofertar um sistema de saúde aos seus servidores, e o IPE saúde é a única forma aceita.

O jornal Correio Brigadiano, após ouvir as alegações dos dois lados (governo e entidades) entende que a situação do IPE Saúde é uma balança que deve ser muito precisa para que se mantenha em equilíbrio, veja as comparações abaixo:

DESEQUILIBRIO I

Se a carga de desconto pesar muito aos mais jovens, os quais pouco ou quase na usam do plano, estes acabarão não vendo vantagem na permanência e acabariam saindo, fato que seria desastroso, pois em todo o sistema de saúde solidário, precisa-se de mais pagantes que não utilizam, para bancar o uso dos mais velhos que naturalmente precisam mais do sistema.

DESEQUILIBRIO II

Se a carga de desconto pesar muito aos mais velhos, ou aos salários medianos, que são os Sargentos e Tenentes, estes arcariam com um valor muito alto, que impactaria no seu orçamento, levando muitos a abandonarem o sistema e ingressar no já sobrecarregado SUS.

DESEQUILIBRIO III

Se a arrecadação não for o suficiente para pagar um valor razoável aos prestadores de serviço (médicos, laboratórios e hospitais) estes irão se descredenciar, o que já vem acontecendo em massa. E um plano em que não tenha profissionais disponível e a espera por atendimento se equipara a espera do SUS, não é viável para nenhuma das partes.

EQUILÍBRIO

Só teremos equilíbrio no sistema, se o valor for justo para todos, tanto para os segurados como o repasse aos profissionais e sistemas hospitalares.

Governo do RS pode enviar PL do IPE Saúde nesta semana à Assembleia

Casa Civil encerrará ciclo de encontros com bancadas e, após, sugestões serão discutidas com Leite, que dará o aval final

Governo do RS pode enviar PL do IPE Saúde nesta semana à Assembleia | Foto: Mauro Schaefer

Felipe Nabinger Correio do Povo

O governo do Rio Grande do Sul encerra nesta semana o ciclo de reuniões com as bancadas da Assembleia Legislativa antes do envio do projeto de reformulação do IPE Saúde. Nesta terça-feira, quatro bancadas serão recebidas pelo secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e pelo diretor-presidente do instituto, Bruno Jatene, a exemplo do que ocorreu na semana passada com outras siglas. Deputados do MDB, PSB, PSDB e União Brasil terão a possibilidade de apresentar sugestões e solicitar detalhes sobre o primeiro esboço da proposta do Executivo.

Na semana passada, nove legendas estiveram no Palácio Piratini, assim como representantes de sindicatos de servidores e associações médicas. “A gente avalia como positivo porque tivemos a condição de, primeiro, sentir quais são as posições das múltiplas frentes desde os servidores, que são usuários, passando pelos prestadores e pelos parlamentares, que representam a sociedade”, afirma Lemos, sobre a série de encontros.

Conforme o chefe da Casa Civil do Estado, houve vários perfis nas reuniões, sendo que alguns fizeram mais indagações e outros foram mais propositivos. Lemos exemplifica que os sindicatos, por exemplo, mais questionaram e ouviram e, por isso, terão novo encontro com Jatene na quarta-feira, a fim de apresentarem sugestões. “É complexo trabalhar por um denominador comum de um desafio onde se tem um IPE Saúde desequilibrado, onde a grande massa não está nos altos salários”, analisa Artur Lemos, que ressalta a dificuldade em buscar não penalizar em demasia o servidor, mas manter a sustentabilidade do plano.

Dependente é questão de impasse

Para o secretário, a volta da alíquota descontada dos titulares de 3,1% para 3,6%, a exemplo do que ocorria até 2004, foi compreendida, restando a questão dos dependentes como principal foco das discussões. “Há uma clareza que o grande desafio está na prestação para os dependentes.” Lemos defende que, mesmo com cobrança para os que hoje são isentos, os valores da Tabela de Referência de Mensalidades (TRM) apresentados ficam abaixo dos planos de mercado.

Das 14 bancadas do Legislativo, só a da federação que conta com PT e PCdoB não havia agendado ainda encontro com o governo do Estado. Com a conclusão das reuniões, chefe da Casa Civil não descarta a manutenção do protocolo do texto do projeto ainda nesta semana, mas salienta a necessidade de levar as ponderações dos encontros para o governador Eduardo Leite (PSDB), antes da redação definitiva. 

O que sugerem as bancadas

  • Novo – o projeto torna plano atrativo para servidores de maiores salários e menor sinistralidade. Sugeriu que tabela de dependentes leve em conta histórico de saúde.
  • PDT – sugeriu duas faixas com limitador de até 10% e 15% do valor dos menores salários do funcionalismo para dependentes e isenção de dependentes com deficiência física.
  • PL – conceito do projeto foi descrito como “relevante”. Bancada pediu os dados referentes a servidores com menores salários para entender os cálculos do governo e, se necessário, propor emendas.
  • Podemos – propôs que dependentes abaixo dos 18 anos passem de R$ 49,28, propostos pelo governo, para R$ 87,60, invertendo a lógica atual e reduzindo mensalidade dos mais velhos.
  • PP – propôs coparticipação de 50% da mensalidade dos menores de 18 anos e de 24 (estudantes) por parte do Estado e autonomia do Conselho de Administração em futuros reajustes.
  • PSD e PTB – Deputados participaram da rodada de encontros de forma remota.
  • PSol – contestou dívidas de Poderes e órgãos públicos estaduais com o plano, pediu detalhamento de questões referentes a cálculos e cobrou reajuste salarial para servidores. 
  • Republicanos – deputados entendem que o projeto vai na linha do que pensa a bancada e propostas foram quanto à fiscalização para coibir fraudes e ao excesso do uso de diárias de internações.

PMs realizam trabalho de parto em Butiá: ‘nunca imaginei passar por uma experiência tão emocionante’

Caso inusitado ocorreu na manhã desta segunda-feira (1º). Policiais do 28º Batalhão de Polícia Militar (BPM) responderam a chamado feito via 190 por homem que pedia auxílio à esposa.

Rodrigo nasceu com 3,4 quilos em uma residência de Butiá nesta segunda-feira (1º) — Foto: Comunicação 28º BPM / Divulgação

Por g1 RS

Dois soldados da Brigada Militar (BM) realizaram o trabalho de parto de uma gestante em uma residência em Butiá, município a cerca de 70 km de Porto Alegre. O caso aconteceu na manhã desta segunda-feira (1º).

Os PMs do 28º Batalhão de Polícia Militar (BPM) responderam a um chamado feito via 190 por um homem que pedia auxílio à esposa, que estava entrando em trabalho de parto dentro da própria casa.

“Nunca imaginei passar por uma experiência tão emocionante, pois acolher o bebê relembrou o nascimento dos meus filhos”, comentou a soldado Luciana Gonçalves, que tem dois filhos.

Ao chegarem ao local, os soldados Luciana e Isaías Franco encontraram a gestante já em estágio avançado de trabalho de parto, não sendo possível o deslocamento a um hospital. Os PMs, então, procuraram acalmar a mãe e começaram a auxiliar no nascimento do bebê.

O menino, que se chamará Rodrigonasceu pesando 3,4 quilos e medindo 48 centímetros. A mãe do bebê relatou aos policiais que se surpreendeu ao entrar em trabalho de parto nesta segunda, já que estava com aproximadamente 38 semanas de gestação. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a data provável do parto é calculada para 40 semanas de gestação.

Comovidos, os PMs presentearam a família com itens de higiene, roupas e cobertores. O recém-nascido e a mãe foram encaminhados a atendimento hospitalar para avaliação obstétrica e pediátrica tão logo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local.

Menino admirador da Brigada Militar visita quartel em São Lourenço do Sul

Na manhã deste sábado (29/04), no quartel da Brigada Militar em São Lourenço do Sul, os policiais militares receberam a visita do menino Bernardo, de 5 anos.

O menino Bernardo é um admirador da Brigada Militar e pediu para o seu pai Diego para conhecer o quartel da Brigada Militar.

Os policiais militares apresentaram as dependências do quartel, a viatura e conversaram sobre o dia a dia do policial militar nas ruas do município.

Comunicação Social do 30° BPM – São Lourenço do Sul

Texto e imagem: 30°BPM

BM Comando Regional de Polícia Ostensiva Sul

Atenção candidato: publicado edital de nova chamada do processo seletivo para Soldado Bombeiro Militar

O Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio Grande do Sul, no uso de suas atribuições legais, publicou dois novos editais do Concurso Público para o cargo de Militar Estadual, na graduação de Soldado de Primeira Classe QPBM (Bombeiro Militar). Os editais de convocação e retificação de chamada já estão no site do CBMRS, na aba de Processos Seletivos.

 EDITAL DA DRH SRS nº SD B 96 2018 CONVOCACAO NOVA JUNTA SAUDE 6 CHAMADA CBFBM17 (.pdf 126,26 KBytes)

 EDITAL DA/DRH/SRS nº 97/2018 – RETIFICA EDITAL – 6ª CHAMADA (CBFBM17) (.pdf 59,63 KBytes)

CBMRS

Assalto à Proforte: 17 anos de saudades de um herói da Brigada Militar

Maria Cristina da Silveira Santos, viúva do capitão André Sebastião Santos dos Santos, que foi morto em combate em abril de 2006, revelou detalhes daquele momento doloroso; o filho do PM, pela primeira vez, concedeu entrevista

Sob forte comoção, familiares, amigos e colegas da BM participaram de enterro do policial em Santa Maria | Foto: Paulo Pires/A Razão

Por CRISTIANO SILVA Portal GAZ

Já era noite em 10 de abril de 2006. A policial militar Maria Cristina da Silveira Santos, de 38 anos, havia chegado em casa, no Bairro Perpétuo Socorro, em Santa Maria, depois da aula na Faculdade de Direito de Santa Maria (Fadisma). Preparava-se para dar mamadeira ao filho Guilherme, de 1 ano e 3 meses, quando a campainha tocou. Eram a irmã e o cunhado. Com cara de espanto, ambos disseram que havia acontecido algo com André. Inicialmente, Maria pensou que seria com o filho do casal que bateu à sua porta, pois tinha o mesmo nome. Depois deu-se conta de que se tratava do companheiro, o capitão da Brigada Militar (BM) André Sebastião Santos dos Santos, de 34 anos. Um assalto havia ocorrido a 140 quilômetros dali, em Santa Cruz do Sul, onde o marido trabalhava, e ele teria ficado ferido em confronto com bandidos.

André e Maria Cristina eram membros da Brigada Militar | Foto: Arquivo Pessoal

Rapidamente, a esposa do PM ligou para o 190 da Brigada de Santa Maria. Um sargento que estava de serviço lhe contou que André havia sido assassinado durante troca de tiros. A mulher, que trabalhava na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos (EsFAS) da BM, ficou em estado de choque. “Como policial, estamos acostumados a fornecer essas notícias traumáticas para outras pessoas, mas não estamos preparados para ouvi-las.” A nona reportagem da série Casos do Arquivo entrevistou a viúva do policial que dá nome ao batalhão de Santa Cruz. Pela primeira vez, em 17 anos, Maria Cristina revela detalhes de como acompanhou o doloroso momento. O filho do casal, hoje com 18 anos, também contou como o fato impactou sua vida.

A viagem mais longa da vida

Por volta de 22h30 de 10 de abril de 2006, o então criminoso mais procurado do Rio Grande do Sul realizou aquele que é considerado um dos assaltos mais ousados da crônica policial gaúcha. José Carlos dos Santos, o Seco, candelariense então com 26 anos, conhecido pelas ações envolvendo explosivos e armamento pesado, tinha como alvo preferido os carros-fortes.

Naquela noite, acompanhado de seu bando, ele arremessou um caminhão-guincho roubado do pátio da Santa Cruz Rodovias contra o prédio da Proforte, em Santa Cruz do Sul. O impacto abriu um buraco na parede. Os criminosos roubaram R$ 3,9 milhões, mas não sem antes aterrorizar os funcionários e abrir fogo contra os policiais que foram ao local. O capitão André Sebastião Santos dos Santos foi o primeiro a chegar na cena do crime. Tiros de bala traçante iluminaram a Rua Júlio de Castilhos, que parecia um campo de guerra. Um disparo de fuzil 762 acertou a cabeça do capitão Sebastião, que morreu na hora.

Capa da Gazeta do Sul de 11 de abril de 2006 estampou o aterrorizante assalto ocorrido na sede da Proforte, na Rua Júlio de Castilhos, em Santa Cruz do Sul

“Naquela segunda-feira, véspera de Páscoa, larguei ele de manhã na rodoviária. Nos despedimos sabendo que a semana seria curta por causa do feriado, que quarta-feira ele estaria de volta a Santa Maria. Jamais eu poderia imaginar, no pior dos meus pesadelos, que à noite eu estaria em Santa Cruz e retornaria para casa com ele dentro de um caixão”, disse Maria Cristina, hoje com 55 anos.

“A ida de Santa Maria a Santa Cruz foi a viagem mais longa da minha vida. Muito pela angústia, mas também pelo fato de que de trecho em trecho havia barreiras da Brigada que revistavam os carros, devido à possibilidade de os criminosos estarem trafegando pela rodovia”, afirmou a primeiro-tenente da reserva remunerada da BM.

Ela conta que quando chegou ao 23º BPM, a movimentação de pessoas era muito grande. “Quando desci do carro, foi um silêncio, e nesse momento caiu a ficha. Fiquei muito emocionada. Até hoje é difícil relembrar. Nesse momento meu chão se abriu, o mundo caiu e consegui aterrissar e ver a dimensão do que estava se passando.”

O assalto cinematográfico, aliado ao assassinato do PM, desencadeou a histórica Operação Lince, deflagrada em 13 de abril de 2006, quando Seco foi preso no Posto do Rosinha, à margem da BR-386, em Paverama, pela Delegacia de Capturas (Decap) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), de Porto Alegre.

Família nunca foi procurada pela Proforte

Natural de Passo Fundo, André Sebastião Santos dos Santos não estava escalado para o serviço na fatídica noite, mas mesmo assim foi atender a ocorrência na Proforte. Na época, estava na BM de Santa Cruz havia cerca de um ano. No decorrer de 16 anos de serviço, não cometeu nenhum ato que levasse a algum tipo de punição.

“Ele ia na segunda-feira para Santa Cruz e retornava no fim de semana a Santa Maria, ou eu e o nosso filho Guilherme íamos para Santa Cruz. Nossos planos, após eu me formar em Direito, eram de fixar residência em Santa Cruz”, comentou Cristina. “O André era um marido e pai amoroso, dedicado e preocupado em sempre proporcionar o melhor para a família. Não media esforços para que estivéssemos sempre bem.”

Fotos: Arquivo Pessoal

Morto em combate, em defesa da comunidade, durante um dos períodos mais sangrentos da história recente da segurança pública do Estado, André Sebastião Santos dos Santos foi promovido a major após a morte e recebeu uma das principais honrarias da Brigada Militar. No dia 29 de julho de 2020, ele foi homenageado oficialmente como patrono de um Batalhão de Polícia Militar (BPM), o 23º, sediado em Santa Cruz do Sul, para o qual prestava serviço.

O reconhecimento foi confirmado por meio do decreto 55.387, publicado no Diário Oficial do Estado. Segundo a BM, o nome do major Sebastião foi escolhido pelo fato de o policial ter tombado em combate, no exercício das funções. Dessa maneira, ele deixou um legado de admiração e respeito por parte dos policiais militares do 23º BPM e da comunidade santa-cruzense.

Decorrido o prazo legal de pelo menos dez anos desde a morte, em 2018 iniciou-se a tramitação da proposta de designação do policial como patrono. A partir daquele momento, seu nome passou a preencher os requisitos estabelecidos pela legislação para receber a honraria. “Foram várias as homenagens que o André recebeu em Santa Cruz, tanto da Brigada Militar quanto do Município. Ele também foi homenageado em outras cidades. De tempos em tempos, alguém lembra e presta algum tipo de homenagem.”

Ela revelou que não foi convidada pelo comando da BM para acompanhar o simulado de ataque a banco que ocorreu em 12 de setembro do ano passado, em Santa Cruz, junto às sedes do Banco do Brasil e da Protege Transporte de Valores (antiga Proforte), mas disse que teria comparecido, se tivesse sido chamada. Revelou ainda que nunca recebeu qualquer palavra dos proprietários e gerentes da empresa que foi alvo da ação criminosa em 2006. “Pela Proforte eu nunca fui procurada, nem para desejar pêsames ou alguma consideração pelo fato de o Sebastião ter dado a vida dele para defender a empresa.”

Filho seguirá carreira militar no Exército

Maria Cristina afirma que não houve justiça com a captura de Seco. “O bando está preso, foram condenados pelos crimes, mas eu ainda não sinto que a justiça foi feita. O Seco tem em torno de 300 anos de condenação pelos crimes cometidos, porém nossa legislação não permite mais de 30 anos preso. Do assassinato do Sebastião passaram-se 17 anos, então em 13 estará solto, livre para continuar cometendo crimes. Isso pra mim não é justiça.”

Maria Cristina acompanha os passos do filho Guilherme Santos | Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ela, a família ficou arrasada. “Nosso filho, que tinha 1 ano e 3 meses, me dava o suporte para seguir em frente. Os anos passaram, mas foi um período muito complicado pra mim. Meu filho sente a ausência do pai, por mais que sempre tivéssemos uma estrutura familiar boa.” Guilherme da Silveira Santos, de 18 anos, quer seguir a carreira militar no Exército. Está no Ensino Médio no Colégio Tiradentes da Brigada Militar e faz cursinho para ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx).

Pela primeira vez, ele concedeu entrevista e falou sobre o sentimento em relação ao pai. “Na minha infância, enfrentei grandes desafios pela falta de uma presença paterna. Alguém que me aconselhasse, de pai para filho, sair pra pescar, jogar uma bola. Não soube o que é isso”, disse o jovem. “Via a cena dos meus amigos brincando no Dia dos Pais e eu não tinha ninguém. Ficava me perguntando por que isso tinha acontecido comigo e o que eu tinha feito para merecer isso. Já chorei muito antes de dormir. Com o tempo, vamos amadurecendo. A dor e a saudade nunca passam, mas a imagem que fica é a do herói que meu pai foi. Me criei dentro da Brigada, na ponta da lança, e quero seguir os caminhos dele.”

Juíza libera criminoso e após 48h ele assalta o mesmo estabelecimento em Bento Gonçalves

O mesmo havia sido preso no dia 25 no Bairro Botafogo.

Portal Leouve

Um jovem de 20 anos foi preso na manhã desta quinta-feira (27), após assaltar um estabelecimento no bairro Botafogo em Bento Gonçalves.

O fato mais intrigante em relação a prisão deste jovem é que ainda na segunda-feira (24) o mesmo havia sido preso após assaltar o mesmo estabelecimento com uma réplica de arma de fogo, levando na ocasião uma quantia em dinheiro e maços de cigarro. Preso no dia 24/04 o assaltante teve sua soltura realizada na terça-feira (25), o voltou a cometer o crime no mesmo estabelecimento.

Na audiência de custodia realizada ainda na terça-feira (25), o Ministério Público e a Polícia Civil pediram a prisão do indivíduo, o que acabou sendo negado pela Juíza Fernanda Ghiringhelli Azevedo, que acabou determinando a liberação do mesmo. 

Após a liberação do criminoso, em menos de 48h ele voltou ao mesmo estabelecimento que havia assaltado na segunda-feira(24) e tentou praticar o mesmo crime novamente, mas desta vez, o proprietário do estabelecimento acabou reagindo e junto a ajuda de populares conteve o assaltante. 

A Brigada Militar foi acionada e teve que encaminhar o criminoso para atendimento na UPA 24, devido agressões sofridas por ele quando foi contido pelos populares.

Brigada Militar e Faders celebram primeiro ano de parceria em projeto-piloto de equoterapia

Brigada Militar e Faders celebram primeiro ano de parceria em projeto-piloto de equoterapia Crédito: Divulgação FADERS e 4ºRPMon

A manhã desta quarta-feira (26/4) foi marcada por emoção e orgulho para os servidores e familiares dos pacientes do projeto-piloto de equoterapia, que completou seu primeiro ano de atividades. A iniciativa é um convênio entre a Brigada Militar e a Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiências e para Pessoas com Altas Habilidades do Rio Grande do Sul (FADERS).

Durante o evento, foram apresentados os avanços do projeto que, até agora, realizou 162 sessões terapêuticas, envolvendo 10 famílias. Além disso, os pequenos praticantes foram agraciados com uma “medalha de coragem” para incentivar ainda mais o processo de evolução na equoterapia.

O presidente da Faders, Marco Antônio Lang expressou a esperança que a iniciativa inspire outros órgãos e municípios. “Essa é uma semente muito importante que beneficia algumas famílias, mas ainda com pouco alcance. Precisamos dar o exemplo para que esse projeto se espalhe”, almejou.

A tenente Sabrina Ribas é mãe do Victor, de 5 anos, diagnosticado com Espectro Autista. O pequeno é o paciente pioneiro do projeto. Durante o evento, Sabrina agradeceu, em nome de todos os familiares dos pacientes, a equipe que auxilia o filho. “A nossa caminhada nesse longo e, por vezes, infinito caminho das terapias, é mais leve porque os senhores e senhoras se importaram e fizeram a diferença. Recebam a nossa gratidão!”, emocionou-se.

O comandante do 4ºRPMon, tenente-coronel Ives Cláudio Pacheco destacou o orgulho de fazer parte desta face da BM, que dentre tantas, “é a face que sorri, que acolhe, que faz a diferença na vida das pessoas”.

O comandante do Comando de Polícia de Choque, coronel Cláudio de Azevedo Goggia enfatizou a importância e os resultados significativos da ação transversal entre os dois órgãos. “Estamos muito felizes por essa parceria que envolve profissionais altamente qualificados e experientes. Que possamos dar continuidade a este trabalho tão bonito e abarcar cada vez mais famílias”, finalizou.

O que é

A equoterapia é um método terapêutico, que utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar, realizada por profissionais habilitados nas áreas da saúde, educação e equitação, a fim de promover o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência. O animal tem a função de instrumento cinesioterapêutico. O movimento tridimensional, variável, rítmico e repetitivo difere apenas 5% da marcha humana, fazendo com que o praticante receba informações somatossensoriais, proprioceptivas e vestibulares, buscando respostas adaptativas apropriadas ao estímulo. A marcha do cavalo emite para o cérebro do praticante diversos estímulos. Após trinta minutos de exercício, são executados de 1,8 mil a 2,2 mil deslocamentos que atuam diretamente sobre o sistema nervoso profundo, responsável pela noção de lateralidade, equilíbrio e distância.

A iniciativa

O projeto nasceu durante a pandemia da Covid19, quando todos os atendimentos de pessoas com deficiência da Faders foram suspensos em função de serem grupo de risco. Na busca por alternativas para não prejudicar o desenvolvimento destes pacientes, encontrou-se na equoterapia a solução, por possibilitar o atendimento ao ar livre.

A Fundação buscou a parceria com a Brigada Militar e iniciou-se as tratativas para o implemento do convênio. Desde então, foram realizadas as capacitações para os servidores e as adaptações estruturais necessárias. No dia 20 de abril de 2022 aconteceu o primeiro atendimento.

Para a execução das atividades do projeto, a BM cede o espaço físico do 4º Regimento de Polícia Montada, assim como os cavalos e um militar para acompanhar os atendimentos. Em contrapartida, a Fundação disponibiliza o trabalho das servidoras de capacitação e de acompanhamento.

O benefício

O serviço, oferecido gratuitamente, é destinado como terapia complementar para pacientes que já fazem parte da Faders e utilizam outros serviços e conta com reserva de vagas para policiais militares e seus dependentes. Os atendimentos são realizados três vezes por semana. O interessado deve procurar a Fundação para realizar a inscrição e passar, posteriormente, por um processo avaliativo da equipe multidisciplinar. Atualmente, o projeto conta com fila de espera e o cadastro só é feito mediante encaminhamento médico.

Policiais militares interessados em mais informações sobre a equoterapia, podem entrar em contato por meio do telefone funcional do 4º RPMon (51) 98514-4866. Da mesma forma, os a comunidade em geral interessada nos serviços da Faders, obter informações através do (51) 3287-6500 ou pelo e-mail acolhimento@faders.rs.gov.br.

Texto: Sd Cecilia Ferreira – Jornalista

Fonte: FADERS

Brigada Militar