DGT lança software com inteligência artificial para apoiar a segurança pública no combate a roubos e furtos de veículos 

A DGT Tecnologia apresenta o Bridgefy Safe Way, um software de monitoramento inteligente de veículos desenvolvido para auxiliar forças policiais no enfrentamento à criminalidade. 

Com uso de inteligência artificial, o sistema identifica rotas suspeitas, cruza dados de placas em tempo real e gera alertas imediatos para apoiar investigações de roubos e furtos. 

O que o software faz:

  • Detecta veículos suspeitos em tempo real; 
  • Permite busca de veículos por placas e características; 
  • Gera alertas automáticos e relatórios de ocorrências; 
  • Integra informações de diferentes bancos de dados; 
  • Oferece mapas interativos e estatísticas de tráfego. 

Recurso adicional: análise preditiva de crimes

Além do monitoramento em tempo real, a DGT também oferece a licença Crime Report, que analisa dados históricos para prever onde e quando crimes podem acontecer. A tecnologia ajuda as autoridades a se anteciparem, direcionando equipes para as áreas de maior risco e reduzindo o tempo de resposta em emergências. 

Por que é inovador

  • Desenvolvido no Brasil, com foco na realidade das cidades brasileiras; 
  • Redução de até 90% em falsos positivos em placas de veículos com alerta de roubo/furto; 
  • Acesso simples e seguro em múltiplas plataformas; 
  • Uso de inteligência artificial para analisar grandes volumes de dados de forma mais eficiente que a vigilância humana. 

A DGT Tecnologia coloca o Bridgefy Safe Way à disposição de órgãos públicos, empresas e parceiros estratégicos, oferecendo demonstrações práticas e consultorias personalizadas.
Mais do que um software, trata-se de uma solução completa para transformar a gestão da segurança, aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos em áreas urbanas.

Honra e glória eterna aos Heróis do Batalhão Suez (1957–1967)

DEFENSORES DA PAZ E DA HUMANIDADE. VOCÊS PERMANECERÃO NA HISTÓRIA DO BRASIL PARA SEMPRE.

Marco Antônio Moura dos Santos[1]                         

“Nosso Senhor diz: Bem-aventurados os que promovem a paz; essa é a missão dos Boinas-Azuis, dos Soldados da Paz – nossa missão coletiva!” (Capelão Coronel Müller)

É com profundo respeito e emoção que nos reunimos hoje para render uma homenagem significativa àqueles que, há mais de cinco décadas, levaram a bandeira do Brasil a um remoto canto do Oriente Médio, como integrantes do que se tornaria o renomado Batalhão Suez[2]. Esses homens, por meio das Nações Unidas (ONU), transportaram uma mensagem de paz em tempos de guerra, incertezas e reconstrução. O dia 24 de outubro é reconhecido como “Dia das Nações Unidas” ou “Dia da ONU”. Comemorado pela primeira vez em 1948, este dia marca anualmente o aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas em 1945[3].

A participação do Brasil em operações de manutenção da paz sob a égide das Nações Unidas, especialmente na região do Canal de Suez, demonstra claramente um compromisso nacional com a cooperação internacional e a estabilidade global. O envio de tropas preparadas reafirma a disposição do país em colaborar na proteção de áreas estrategicamente relevantes para a segurança mundial e reforça sua imagem como defensor das nações que cumprem suas responsabilidades perante a comunidade internacional e os valores universais da humanidade.

Foram anos marcados por sacrifícios, convivência com diversas culturas e superação de barreiras linguísticas e desafios diários. Acima de tudo, esse período foi uma oportunidade para demonstrar a bravura, determinação e disciplina dos soldados brasileiros. Longe de seus lares e famílias, nossos compatriotas ensinaram ao mundo que a força moral é tão essencial para alcançar vitórias quanto a força física e que o verdadeiro propósito das armas é promover a paz.

Aqueles que serviram no Batalhão Suez não apenas cumpriram uma missão militar; eles realizaram uma obrigação humana universal. Foram construtores de relações, disseminadores de esperança e defensores da paz. As ações desses homens ecoam através dos registros da história militar brasileira como um testemunho de amor altruísta. Os integrantes do Batalhão Suez enfrentaram condições adversas enquanto atuavam em um ambiente político e social repleto de tensões e incertezas. Contudo, agindo com coragem, profissionalismo e espírito cívico, tornaram possível nosso anseio coletivo pela segurança entre as nações.

Neste dia especial dedicado ao Batalhão Suez, recordemos o valor dos serviços prestados ao longo do tempo por gerações inteiras cumprindo seu lema de servir à sociedade. Esta homenagem representa nossa gratidão aos que transformaram o uniforme em um símbolo de fraternidade entre os povos e confirmaram seu total comprometimento, mesmo diante do risco às suas vidas. Valorosos soldados do Batalhão Suez, que seus feitos inspirem futuras gerações, a manter viva a chama da paz, justiça e solidariedade humana.


[1] Coronel da Reserva da Brigada Militar e Especialista em Integração e MERCOSUL (UFRGS)

[2] A primeira experiência do Brasil em missões de paz foi com a Força de Emergência das Nações Unidas no Oriente Médio (UNEF I) com o envio de militares integrando o chamado Batalhão Suez, que atuou na região do Canal de Suez por mais de dez anos, de janeiro de 1957 até junho de 1967 com um total de aproximadamente 6.300 homens participaram dessa força.

[3] A Carta da ONU, assinada em 26 de junho de 1945 e em vigor a partir de 24 de outubro de 1945, é o documento fundador das Nações Unidas.

Plano contra violência policial na BA prevê até prêmio em dinheiro para reduzir mortes por PMs

No ano passado, 1.556 pessoas morreram durante operações policiais no território baiano

Estadão Conteúdo

O governo da Bahia, Estado com a polícia mais letal do País, elaborou um plano com metas e ações para reduzir em pelo menos 10% por semestre os índices de pessoas mortas em decorrência de ações das forças de segurança.

A violência é um dos principais gargalos de quase duas décadas de gestões petistas (Jaques Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues), com a ascensão de facções criminosas e falhas na resposta do poder público ao problema, com a intensificação de confrontos sangrentos.

Há dois anos, a alta da letalidade na Bahia fez o governo Luiz Inácio Lula da Silva acelerar o lançamento de um pacote anticrime – a segurança pública é uma das principais insatisfações do eleitor em relação ao poder público federal.

No ano passado, 1.556 pessoas morreram durante operações policiais na Bahia – quatro óbitos por dia, segundo o anuário do Fórum de Segurança Pública. O número supera, sozinho, as mortes em intervenções policiais registradas em dois populosos Estados brasileiros: São Paulo e o Rio de Janeiro, que registraram 1.516 mortes, também conforme o anuário.

As novas diretrizes foram elaboradas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) em parceria com outras pastas estaduais e instituições que integraram o programa “Bahia pela Paz”. Procurada pela reportagem para comentar a iniciativa, a pasta não se manifestou.

O documento, que é público, é guiado por três eixos. O primeiro prevê aperfeiçoar regras e protocolos de atuação, com a padronização de procedimentos operacionais que assegurem o uso proporcional da força e priorizem a preservação da vida.

O segundo eixo revê práticas operacionais em locais e horários sensíveis – como áreas próximas a escolas, hospitais e outros equipamentos públicos. Em 161 dos 200 dias letivos de 2023, alunos assistiram a aulas, em Salvador, cercados por tiroteios nas imediações, segundo o Instituto Fogo Cruzado.

Os policiais que contribuírem para a redução das mortes em operações serão remunerados pelo prêmio por desempenho policial, benefício que já existe. Hoje, esses óbitos não são considerados no cálculo do bônus quando se mede a violência de uma região. O valor atual dos prêmios varia de R$ 371 a R$ 2.476, segundo o Portal do Servidor do governo da Bahia.

Plano prevê mais capacitação, apoio e câmeras corporais

Pela primeira vez, o governo da Bahia reconhece oficialmente, em documento público, o “uso recorrente da força letal” por agentes de segurança, fenômeno que o próprio texto descreve como reflexo da “cultura de confronto”. Segundo o diagnóstico, essa prática alimenta ciclos de violência, desconfiança e hostilidade entre policiais e comunidades.

O plano tem duração até 2027, e fixa metas específicas para cada período. Para este ano, já estão previstas a instituição de protocolo que baseie as ações policiais em critérios técnicos, a inclusão das mortes por agentes do Estado no programa de bônus e a intensificação de operações balizadas pelo setor de inteligência. Mais de 40% dos confrontos armados em 2023 foram em rondas de rotina, calcula a Coordenação de Gestão Estratégica (CogER).

Entre as medidas propostas para 2026, estão capacitar 30% do efetivo em protocolos de prevenção ao uso excessivo da força, ampliar em 30% os registros por câmeras corporais e aumentar a taxa de resolutividade dos Inquéritos Policiais instaurados para 50%. Em 2027, estima o plano, essa resolutividade deve subir para 70%.

Isso representaria elevação de produtividade de quase 50%, em comparação a 2024, quando só 295 dos 1.251 inquéritos para investigar mortes em confrontos foram concluídos.

Entre os principais desafios para cumprir as novas metas, o governo destaca não só dificuldades internas, mas o avanço das facções criminosas em cidades pequenas e zonas rurais. Contra isso, o plano cita a intensificação de investigações que possam estrangular o quebra-cabeça econômico dessas organizações criminosas e melhorias das investigações relacionadas a crimes violentos letais e intencionais e mortes em intervenções legais.

Proposta exige boa gestão, diz pesquisador

A proposta de um plano para reduzir a letalidade policial na Bahia apareceu no radar, publicamente, em outubro de 2023. Naquele mês, o Ministério Público, durante audiência pública, propôs criar um plano para redução de mortes decorrentes de intervenção policial na Bahia, que contasse com a participação da sociedade e de entidades e organizações não governamentais.

“Reconhecer que o problema existe é importante. O que acho, agora, é que se deve ter atenção na implementação e no acompanhamento do plano”, avalia Sandro Cabral, professor de Estratégia e Gestão Pública no Insper e licenciado da Escola de Administração da UFBA.

Autor de pesquisas sobre gestão de desempenho no setor público, Cabral destaca a possível ambiguidade da inclusão da redução das mortes por intervenção policial no programa de premiações, que ele vê com bons olhos.

“Por que é importante? Tem um incentivo para evitar mortes evitáveis. É um argumento econômico. Se ‘dói no bolso’, pode ser objeto de escrutínio da tropa. Isso, somado aos protocolos anunciados, traz situação melhor”, diz.

“Mas isso precisa ser cumprido”, continua o pesquisador, “e quem trabalha com os indicadores precisa de inteligência para saber, por exemplo, se um policial não vai evitar confrontos necessários para bater metas. Com boa gestão, e acompanhando outros indicadores de esforço, como número de apreensão de armas, isso pode ser verificado e coibido.”

Concurso Público para Escrivão e Inspetor de Polícia (2025)

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EDITAL N° 06/2025 – EDITAL DE ABERTURA N° 06/2025 PARA ESCRIVÃO E INSPETOR DE POLÍCIA

Foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira (24) o Edital nº 06/2025, que anuncia a abertura do concurso público para ingresso nas carreiras de Escrivão e Inspetor de Polícia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
O certame prevê o provimento inicial de 720 vagas, sendo 360 para Escrivão de Polícia e 360 para Inspetor de Polícia. O edital também estabelece que outras vagas poderão ser abertas durante o prazo de validade do concurso, conforme autorização do governo estadual.
As inscrições estarão abertas entre 27 de outubro e 26 de novembro de 2025, até as 17h, e devem ser feitas exclusivamente pela internet, no site da Fundatec (www.fundatec.org.br), responsável pela execução do processo seletivo.

A data provável da Aplicação do Exame de Capacitação Intelectual (Provas Teórico-Objetivas e de Redação) será 18 de janeiro de 2026.

Será assegurado o percentual de vagas às pessoas com deficiência, negras, trans e integrantes dos povos indígenas, conforme estabelecido no Decreto Estadual nº 56.229/2021, alterado pelo Decreto Estadual nº 56.921/2023 e regulamentado pelo Edital do concurso.

São requisitos para o ingresso nas carreiras da Polícia Civil, de acordo com a Lei Federal nº 14.735/2023 e com a Lei Estadual nº 12.350/2005:

a) ser brasileiro ou gozar das prerrogativas contidas no art. 12 da Constituição Federal, cujo processo de naturalização tenha sido encerrado dentro do prazo das inscrições;

b) contar com, no mínimo, 18 anos de idade até a data da matrícula no Curso de Formação Profissional;

c) possuir Cédula de Identidade Civil que contenha o número de registro geral (RG), utilizado para cadastramento de pessoas físicas pelo Órgão Estadual da Segurança Pública;

d) estar em dia com as obrigações militares e eleitorais;

e) ter concluído curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação até a data da posse;

f) possuir Carteira Nacional de Habilitação para conduzir veículos automotores, no mínimo da categoria “B”, até a data da posse;

g) possuir CPF válido e situação regularizada perante a Secretaria da Receita Federal;

h) possuir saúde física e psiquiátrica e aptidão psicológica adequadas ao exercício das atividades inerentes à carreira policial e, especialmente, ao cargo;

i) possuir conduta moral, ética, social e profissional compatível com a função policial.

Confira o Edital nº 06/2025 – Edital de Abertura de Concurso Público de Ingresso nas Carreiras de Escrivão de Polícia e de Inspetor de Polícia no link abaixo:

Edital nº 06/2025

Quando o cavalo aponta o caminho da justiça

Reflexões a partir de Tolstói sobre virtudes que ainda faltam a muitos juízes.

Terminei de ler um conto sobre o Juiz Justo, de Tolstói, e fiquei com aquela sensação de que, apesar de o tempo passar, certas perguntas continuam as mesmas. O escritor russo nos convida a refletir sobre o que significa, afinal, fazer justiça. Não se trata apenas de aplicar a lei como quem segue uma fórmula rígida, mas de enxergar o ser humano por trás de cada conflito. O juiz da história não decide pela aparência, pelo título ou pela versão mais conveniente. Tolstói nos lembra que julgar exige coragem e, acima de tudo, humildade: o poder de julgar não transforma ninguém em dono da verdade.

No conto, a trama se inicia com uma disputa pela posse de um cavalo. Um homem afirma que o animal lhe pertence e que o outro o roubou. O acusado, por sua vez, diz que recebeu o cavalo voluntariamente, como pagamento de uma dívida. As duas versões parecem plausíveis, e o caso poderia facilmente pender a favor do mais rico ou influente. Mas o juiz, atento aos detalhes que não cabem nos papéis, observa gestos, reações e, com uma simples prova prática, ver como o animal se comporta diante de cada um, revela a verdade. O cavalo corre ao encontro de seu verdadeiro dono, derrubando a mentira com a força dos fatos. Tolstói mostra que a justiça pode ser simples quando se tem sensibilidade para enxergar o essencial.

Enquanto lia, pensei inevitavelmente no cenário brasileiro atual. Vivemos tempos em que decisões judiciais se tornam manchetes e enfrentam torcidas organizadas nas redes sociais. Há julgamentos que dividem o país, e não faltam certezas antecipadas, formadas antes mesmo de o processo começar. Nesse ambiente de pressão, volta a ser urgente revisitar a justiça que Tolstói defendia: imparcial, serena e resistente às paixões externas.

Nos dias recentes, o Brasil foi sacudido por investigações gravíssimas que dizem respeito justamente à integridade do julgamento, ou à Injustiça. No Estado do Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal investigou um esquema de possível venda de sentenças no Tribunal de Justiça estadual, no qual cinco desembargadores foram afastados por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, por favorecer uma das partes no processo, conforme nos alerta Tolstói em seu Conto. A investigação aponta que decisões teriam sido manipuladas, com advogados e empresários atuando para negociar resultados favoráveis, em afronta direta ao princípio de imparcialidade. Esse caso serve como lembrete doloroso de que, quando a justiça falha internamente, a sociedade perde confiança, e a simples aplicação da lei não basta se os valores que a sustentam são corroídos.

O Juiz Justo de Tolstói tinha algo raro: a capacidade de ouvir de verdade. Duvidava do que parecia óbvio, fazia perguntas incômodas, buscava o que estava escondido. Quando um julgador se acomoda à superfície, o risco é condenar inocentes ou absolver culpados por conveniência. A justiça não pode ser guiada por clamor público nem virar espetáculo.

Outro ponto que o conto valoriza é a igualdade. No Conto, pouco importa se alguém é humilde ou poderoso: todos são tratados do mesmo modo. Essa é uma promessa que nossa democracia ainda se esforça para cumprir. No Brasil, casos recentes mostram que a lei às vezes chega com pesos diferentes e isso mina a confiança da sociedade nas instituições.

Tolstói também alerta contra a vaidade judicial. Há quem transforme o ato de julgar em palco de protagonismo, com decisões que parecem discursos. O juiz justo, ao contrário, age com discrição, consciente de que o foco deve permanecer em quem busca justiça, não em quem a entrega.

Ao final, a mensagem que fica é simples e profunda: a justiça verdadeira depende menos de normas sofisticadas do que de virtudes humanas. Honestidade intelectual, prudência, empatia, coragem moral e estudo constante. Essas qualidades são antigas, mas nunca foram tão necessárias. Se Tolstói observasse o Brasil de hoje, talvez repetisse sua lição: não basta ter tribunais fortes, é preciso ter julgadores verdadeiramente justos.

Democracia afrontada na Câmara de Porto Alegre

A intolerância política e os ataques ao poder legislativo municipal

Marco Antônio Moura dos Santos[i]

O incidente que ocorreu em 15 de outubro de 2025 na Câmara Municipal de Porto Alegre marca mais um episódio alarmante de desintegração democrática. Um plenário, que deveria ser um espaço para o debate construtivo e a deliberação pública, transformou-se em um cenário de agressões físicas, intimidações e imposições pela força — ações perpetradas por grupos que tentaram obstruir, através da violência ou da repressão, o funcionamento regular do Legislativo.

Durante uma sessão marcada por propostas polêmicas — incluindo modificações no papel dos catadores e a concessão do serviço de água — manifestantes tentaram acessar a Casa de forma irregular. Diante da recusa, iniciou-se um confronto. Guardas municipais responderam utilizando gás lacrimogêneo, balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os presentes. Vereadores da oposição foram atingidos, inclusive por estilhaços ou balas de borracha.

Esse evento é, acima de tudo, um indicativo alarmante da fragilidade com que certas instituições públicas são tratadas. A Câmara dos Vereadores deve ser vista como a casa do povo, onde se exerce a soberania popular. Quando se permite que o conflito físico ocorra nesse espaço, bem como a violência ou a obstrução do debate por parte dos manifestantes ou das forças de segurança sem o respeito adequado aos direitos e normas vigentes, abre-se um caminho para tendências autoritárias.

A esquerda, frequentemente posicionada como defensora dos direitos sociais, da participação popular e da justiça social, precisa refletir sobre suas ações quando estas resultam na obstrução do funcionamento parlamentar ou na invasão de espaços institucionais. Proteger direitos não pode ser uma justificativa para atos desordenados ou intimidatórios — tais condutas debilitam a democracia que se busca preservar.

A manifestação pacífica é legítima e desejável; no entanto, invadir o plenário, impedir deliberadamente votações pelos vereadores ou utilizar força para impor uma agenda são práticas contrárias aos princípios do Estado democrático. É necessário reafirmar: manifestar é um direito; agredir ou obstruir as instituições é crime.

Porto Alegre, cidade com uma rica tradição cívica no Rio Grande do Sul, não pode permitir que extremismos, ódio ou intolerância política permeiem sua Casa do Povo. A defesa da democracia requer serenidade e respeito à lei por parte de todos — governo, oposição e sociedade civil — assim como consideração pelas regras do contraditório e pelas instituições representativas.

Aceitar a naturalização da violência no legislativo representa um passo perigoso rumo à erosão das liberdades democráticas.


[i] Coronel da Reserva da Brigada Militar e Especialista em Segurança Pública (PUCRS)

Governo federal anuncia R$ 170 milhões para programa que visa fortalecer guardas municipais

Lançamento da iniciativa foi feita nesta quarta-feira pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski

Agência Brasil

O Ministério da Justiça anunciou mais de R$ 170 milhões em recursos para o Programa Município Mais Seguro, criado para fortalecer a segurança pública nos municípios por meio da valorização de suas guardas municipais enquanto parte integrante do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O programa foi detalhado nesta quarta-feira (22), em Brasília, pelo ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça.

Estão previstos mais de R$ 170 milhões em recursos relacionados ao programa apenas na primeira etapa. A maior parte deles (R$ 100 milhões) terá como destino o Projeto Nacional de Qualificação do Uso da Força, para a disponibilização de “instrumentos de menor potencial ofensivo” como espingardas e armas de incapacitação neuromuscular (que dão choque em seus alvos), espargidores (líquidos como spray de pimenta) e coletes à prova de bala.

Cerca de R$ 65 milhões irão para o Projeto Nacional de Polícia Comunitária. Os recursos serão voltados ao aprimoramento da gestão da segurança pública municipal e ao fortalecimento das guardas municipais ou metropolitanas. Para a capacitação dessas guardas serão investidos cerca de R$ 5,7 milhões.

Atuação global

Durante a cerimônia de lançamento do programa, no Ministério da Justiça, Lewandowski disse que as organizações criminosas estão atuando de forma global, e que isso torna necessário, às forças de segurança, uma atuação “holística, estruturante e inteligente” de abrangência local, nacional e internacional.

Ao mesmo tempo, a atuação dessas forças tem de ir além da força bruta, disse o ministro: 

— A tarefa de atacar o crime é complexa e fica ainda mais complicada quando executada simplesmente mediante a força bruta e mediante ações policiais, ainda que estas sejam claramente necessárias. (…) É preciso aplicar a inteligência a esse combate. É preciso fugir das soluções simples e pontuais, muitas vezes de caráter legislativo, como aumento de penas e endurecimento de regimes prisionais — acrescentou.

Na avaliação do ministro, o programa vem em boa hora, após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter dado uma nova função para as guardas municipais, deixando de ser uma guarda meramente patrimonial, passando a exercer o policiamento urbano e comunitário. 

— Com esse programa, vamos avançar bastante a sensação de segurança para os cidadãos — enfatizou.

Capacitação

Para capacitar os profissionais das guardas estão previstos cursos de formação integrados visando a prevenção da violência e o uso qualificado e diferenciado da força.

Um deles é o de operador de polícia comunitária aplicada, voltado especialmente à atuação preventiva e comunitária em territórios vulneráveis. Um outro curso será o de atuação nas Patrulhas Maria da Penha, voltado a um atendimento mais “capacitado, humanizado e articulado” a mulheres em situação de violência.

Está também previsto um curso nacional para uso diferenciado da força, visando a padronização de práticas operacionais, “conforme diretrizes éticas e legais nacionais e internacionais”.

Editais

Uma chamada pública será feita pelo Ministério da Justiça visando a seleção de projetos municipais. Para tanto, estão previstos dois editais: um para apoiar a estruturação da gestão da segurança pública municipal (R$ 15 milhões); e outro para o fortalecimento das guardas municipais (R$ 50 milhões). Os recursos são do Fundo Nacional de Segurança Pública.

“Os investimentos contemplam projetos nas áreas de gestão, governança, equipamentos, tecnologia, capacitação e valorização profissional”, informou, em nota, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). 

Por fim, está prevista a divulgação de uma pesquisa nacional que servirá de diagnóstico das guardas municipais – uma parceria entre Senasp, Universidade Federal de Viçosa e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com base em mais de 1,2 mil guardas civis.

“Os resultados subsidiarão a formulação de políticas públicas e o fortalecimento da governança e da gestão municipal em segurança pública, fomentando a cooperação entre União, estados e municípios”, informou o Ministério da Justiça.

Câmara aprova pacote de segurança que eleva pena de homicídio contra policiais e pune ‘novo cangaço’

Propostas elevam punições para crimes contra agentes públicos e criam tipo penal específico para o ‘novo cangaço’

Agência o Globo

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira um pacote de três projetos de segurança pública que amplia o rigor da legislação penal e reforça o combate ao crime organizado. As propostas tratam do endurecimento das penas para homicídios de policiais, da criação do crime de “domínio de cidades” – prática conhecida como “novo cangaço” – e do aumento da repressão a facções e organizações criminosas.

A votação faz parte da pauta positiva conduzida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que busca priorizar temas de consenso entre base e oposição. As medidas foram aprovadas por unanimidade e seguem agora para o Senado Federal.

Entre os textos, está o projeto que cria o crime de “domínio de cidades”, de autoria do deputado Coronel Assis (União-MT) e relatado por Capitão Alberto Neto (PL-AM). O novo tipo penal prevê pena de até 30 anos de prisão e define como crime a ação de quadrilhas armadas que bloqueiam vias, cercam municípios, usam explosivos e armas de grosso calibre e atacam agências bancárias, prédios públicos ou forças de segurança.

Hoje, esses ataques são enquadrados em roubo qualificado e porte ilegal de armas, com penas que raramente ultrapassam 12 anos. Com a mudança, o crime passa a ser considerado hediondo, o que impede anistia, graça, indulto e restringe a progressão de regime.

— Não se trata apenas de conter o crime, mas de restabelecer a capacidade constitucional do país. Nenhuma organização criminosa pode se sobrepor à lei — afirmou o relator, Capitão Alberto Neto.

O texto foi motivado por ataques como os registrados em Criciúma (SC), Araçatuba (SP) e Confresa (MT), em que grupos fortemente armados sitiaram cidades e atacaram bancos e forças policiais.


Na mesma sessão, os deputados aprovaram um projeto de autoria do deputado Coronel Ulsses (União-AC), que aumenta as penas para homicídios e agressões cometidos contra policiais, agentes penitenciários, magistrados e membros do Ministério Público. O texto inclui essas condutas na lista de hediondos e eleva a punição para homicídio contra agentes do Estado de 20 a 40 anos de reclusão.


A proposta também amplia as penas para lesão corporal contra esses servidores – que podem variar de 2 a 20 anos, conforme a gravidade -e abrange aposentados e familiares quando o crime estiver relacionado ao exercício da função pública.

Segundo o autor, a medida busca “reconhecer o risco inerente à atividade policial e reforçar a proteção aos profissionais que defendem a sociedade”. Ele citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que registraram 173 policiais assassinados em 2022, a maioria fora do horário de serviço.


O terceiro eixo do pacote é de autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF) e relatoria do Coronel Ulysses, que altera a legislação para aumentar a repressão aos crimes praticados por organizações criminosas. A proposta fortalece a Lei das Organizações Criminosas e busca atacar as estruturas de financiamento e comando das facções, ampliando a responsabilização penal de seus integrantes e apoiadores.

Com esses três projetos, o pacote de segurança aprovado pela Câmara forma um bloco articulado de endurecimento penal e valorização das forças de segurança, usado por Hugo Motta como vitrine de uma agenda de resultados e baixo custo político.

Caso as propostas sejam aprovadas pelo Senado Federal, seguirão para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

TJMRS realiza ciclo de palestras em homenagem ao Coronel Afonso Emílio Massot

O Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul (TJMRS) realizou, nesta terça-feira (21), o Ciclo de Palestras em Homenagem ao Coronel Afonso Emílio Massot, no plenário da instituição. O evento foi promovido pela Comissão de Gestão de Memória, por meio do Projeto Memória.

A programação integrou o calendário de ações voltadas à preservação da história da JME e marcou o centenário de falecimento do Coronel Massot, ex-comandante-geral da BM e primeiro presidente do Conselho de Apelação, embrião do TJMRS.

A abertura oficial foi conduzida pelo Vice-Presidente do TJMRS, Desembargador Militar Sergio Brum, e pelo Subcomandante-Geral da Brigada Militar, Coronel Douglas da Rosa Soares.

No turno da manhã, foram apresentados três painéis:

“A trajetória do Coronel Massot e a formação da Justiça Militar Estadual”, com o Tenente-Coronel Moacir Almeida Simões, sob moderação do Desembargador Militar Rodrigo Mohr;

“O legado institucional do Coronel Massot”, com o Coronel Jerônimo Carlos Santos Braga, sob moderação do Desembargador Militar Amilcar Macedo;

“Memórias de família e herança institucional”, com o Embaixador Affonso Emílio de Alencastro Massot, neto do homenageado, sob moderação da Desembargadora Militar Gabriela John.

Durante o evento, o Tribunal concedeu a Ordem do Mérito Judiciário Militar Estadual – Grau Alta Distinção ao Embaixador Affonso Emílio de Alencastro Massot e a seu filho, Affonso Carlos Arruda Botelho de Alencastro Massot.

No período da tarde, o Desembargador José Carlos Teixeira Giorgis (TJRS) apresentou o painel “Missões e estratégias de preservação da memória”.

O ciclo encerrou com três oficinas temáticas:

“Memória do Desastre Climático de 2024 – Justiça Federal do RS”, ministrada pela Arquivista e Analista Judiciária Tassiara Kich;

“A Representatividade do Museu da BM na Preservação da Memória Institucional”, Museu da BM, conduzida pella Historiadora Sd. Aline Rodrigues, pela Bibliotecária Mariângela Pagliarini e pelo Museólogo Lucas Costa;

“Como fazer sua própria série ‘Registros’ – TRT4”, apresentada pela Curadora e Museóloga Kátia Kneipp.

Fonte Comunicação Social TJMRS

Fotos: Comunicação Social TJMRS

PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA: Episódio 1- Entre a continuidade das ineficiências e o desafio de uma política de Estado

Marco Antônio Moura dos Santos[1]

A segurança pública no Brasil tem sido, há décadas, um dos maiores desafios de governança e gestão. O sentimento de insegurança, somado à escalada da criminalidade, reflete a fragilidade das políticas públicas, a falta de alinhamento e a ausência de continuidade entre governos. A Proposta de Emenda Constitucional da Segurança (PEC 18/2025) surge como mais uma narrativa de oferecer estabilidade jurídica e estrutural ao setor, mas também expõe uma questão central: a repetição de modelos e programas que, ao longo dos anos, não conseguiram romper com a lógica de improvisação, fragmentação e desarticulação federativa.

Desde a Constituição de 1988, o Brasil acumula tentativas de estruturar um sistema nacional de segurança pública. Antes mesmo, no Governo Sarney, houve uma transição determinante para redefinir a segurança pública como direto social e dever do Estado, deslocando-a do campo da doutrina de segurança nacional para o âmbito da cidadania constitucional. Mesmo que incipiente, essa mudança conceitual permitiu a formulação do artigo 144 da Constituição de 1988, fundamento de todas as políticas posteriores. Assim como, posteriormente, no Governo Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso, foram efetivadas as primeiras tentativas de institucionalização, criando-se o Fundo Nacional de Segurança Pública (Lei nº 10.201/2001) e instituindo-se os repasses estruturados a Estados e Municípios.

Nos anos 2000, surgiram programas como o PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania)[i], que prometia integrar ações sociais e policiais. Posteriormente, o PEFRON[ii]e o ENAFRON[iii] buscaram reforçar a presença do Estado em áreas de fronteira, mas sem o apoio logístico e orçamentário necessários. Já o Programa VIGIA[iv], mais atual, em uma tentativa de universalizar o regional (erro frequente no país) enfrentou os mesmos problemas de descontinuidade administrativa e do uso político dos recursos.

As ações durante grandes eventos — como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 — reforçaram a militarização temporária, sem gerar legado de estrutura permanente. A Intervenção Federal no Rio de Janeiro (2018)[v], apesar do impacto midiático, evidenciou a ineficácia de soluções de curto prazo e novamente o uso político da segurança.

E é neste cenário que chega a PEC da Segurança Pública propondo a criação de um arcabouço constitucional para a articulação federativa entre União, estados, municípios e federativos, ao mesmo tempo em que busca racionalizar o uso de recursos financeiros e materiais. Ela busca garantir continuidade orçamentária, padronizar diretrizes e assegurar a profissionalização das forças de segurança. Em tese, o texto da PEC pretende transformar políticas de governo em políticas de Estado. Contudo, há o risco de que ela apenas institucionalize práticas ineficientes, caso não sejam acompanhadas de metas, indicadores e mecanismos de controle social.  Ou seja, poderemos ter um efeito mais relevante simbólico: ela pode consolidar uma visão de segurança baseada em integração, prevenção e tecnologia — quando, ao contrário, irá cristalizar o modelo de repressão imediatista e centralização política, ainda órfã de governança!

O desperdício de recursos e a má aplicação orçamentária são marcas históricas da segurança pública. Relatórios do TCU (Tribunal de Contas da União)[vi] apontam falhas em licitações, desvios e ausência de metas mensuráveis. A falta de financiamento e continuidade faz com que ações locais se percam em meio à priorização de medidas de impacto rápido, mas sem resultados sustentáveis. A lógica política é a mesma e continua sendo a mais adotada! A de que mais vale implementar uma ação superficial, mas com grande repercussão midiática, do que construir ações estruturadas que demorarão anos para surtir resultados duradouros!

É essencial consolidar um Sistema Nacional de Segurança Pública com instâncias deliberativas permanentes entre União, estados e municípios. E a sua governança compartilhada deve incluir o Ministério da Justiça, Conselhos, Governos Estaduais e a sociedade civil.

A inteligência policial e o uso de dados integrados também devem substituir o improviso. Ferramentas como análise preditiva, mapeamento criminal e interoperabilidade de bancos de dados são fundamentais. É indispensável garantir que o uso da tecnologia seja acompanhado de controle ético e transparência pública.  O país apresentou redução gradual nas taxas de homicídio entre 2018 e 2023, mas os níveis continuam altos, com 21,2 por 100 mil habitantes em 2023[2]. E a desigualdade regional permanece marcante, com estados do Norte e Nordeste concentrando as maiores taxas.

A cobertura midiática, em geral, reforça o medo e a necessidade de respostas imediatas, pressionando gestores a adotarem soluções paliativas. A ausência de debate técnico contribui para o fortalecimento de narrativas punitivistas e o enfraquecimento de políticas baseadas em evidências.

Entretanto, tentativas efetivadas, com objetivos puramente midiáticos, políticos, eleitoreiros, fisiológicos e outros tantos não revelados, nos conduzem a pensar de forma não tão otimista e republicana!  A ausência de continuidade plena das ações sociais, realizadas, inclusive por governos de mesma matiz ideológica, demonstram que há dificuldade para que o Estado brasileiro consolide políticas de segurança como políticas de estado, com plena integração de forças e logísticas para a área, quer seja nas capitais, principais cidades, regiões metropolitanas ou áreas de fronteiras e remotas do país. Há dependência excessiva de lideranças políticas consistentes e não momentâneas; há falta de métricas nacionais unificadas; há redundância de programas, sucessivos, sem plena execução, sem avaliações criteriosas, sem transparência pública, social, financeira, orçamentária, operacional e sem visão de futuro.

Precisamos mais do que políticas públicas de “jornal”, de palanques, descontextualizadas da realidade da vida nacional, das Instituições de Segurança Pública, das características das Unidades Federativas e do Distrito Federal. É necessário mais do que sempre é feito, com uma roupagem nova, com centralização de poder na União e com ampliação de poderes às estruturas políticas e operacionais do Governo Federal. Realizadas com justificativas de “organização do sistema, criação de um sistema de segurança pública unificado, mais distribuição de recursos para o Estados e ou Municípios”. Precisamos de recursos vinculados e permanentes.

Necessitamos que a segurança pública seja considerada importante não apenas nos períodos eleitorais (ou pré), pois quando chegamos ao “pós” torna-se esquecida, até que uma crise ou fato “relevante” venha a ocorrer no país.  Precisamos de gestão pública séria para essa área importantíssima à sociedade brasileira e não, como já expressado, com manutenção do status quo que só beneficia ao crime organizado, a criminalidade de massa, urbana e rural, a violência e a desordem pública.  Portanto, precisamos de políticas públicas coerentes para avançarmos como um País mais seguro, justo, solidário, desenvolvido social e economicamente. Mais realidade e prática e menos “discursos fragmentados e populistas”.  Não queremos saber “quem matou Odete Roitman”, mas quem matou o “João, Maria, Pedro e Paulo…” ou quem deu o “golpe no e do INSS”; mas precisamos sim evitar que mais pessoas sejam assassinadas e fraudadas, entre outros crimes. Menos impunidade e mais justiça.


[1] CORONEL QOEM Res Brigada Militar/RS e Especialista em Segurança Pública (PUCRS)

[2] Atlas da Violência 2025. Esse patamar (≈ 21/100 mil) posiciona o Brasil em escala elevada internacionalmente, especialmente considerando seu status de país médio-alto desenvolvimento — poucos países de grande porte têm taxas tão elevadas.


[i] Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010). O PRONASCI (Lei nº 11.530/2007) articulou segurança e cidadania, integrando políticas sociais e de repressão qualificada.

[ii] O PEFRON criado no âmbito da Política Nacional de Fronteiras (Decreto nº 7.496/2011), governo Dilma Rousseff, desdobramento do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF). Seu objetivo central era fortalecer a presença nas faixas de fronteira terrestre (cerca de 16.886 km, abrangendo 588 municípios de 11 estados brasileiros) com ações integradas de segurança, defesa, inteligência e desenvolvimento local

[iii] O ENAFRON instituído em 2011 no Governo Michel Temer, pelo Ministério da Justiça, sob a coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), como parte de uma resposta federal à crescente vulnerabilidade das fronteiras terrestres brasileiras. O objetivo central é de fortalecer a presença do Estado nas fronteiras, articulando ações de segurança, defesa, inteligência e desenvolvimento socioeconômico.

[iv] PROGRAMA VIGIA – VIGILÂNCIA E PROTEÇÃO INTEGRADA DE FRONTEIRAS foi criado em abril de 2019, pela Portaria nº 418/2019 – MJSP do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no Governo Jair Bolsonaro, vinculado ao Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), por meio da Secretaria de Operações Integradas (SEOPI), sucessor direto do ENAFRON e do PEFRON. Seu objetivo é fortalecer o controle, a vigilância e a repressão aos crimes transfronteiriços e ambientais, atuando de forma integrada entre órgãos federais, estaduais e municipais.

[v] A Intervenção Federal no Estado do Rio de Janeiro foi decretada em 16 de fevereiro de 2018, pelo presidente Michel Temer, Decreto nº 9.288/2018, vigorou até 31 de dezembro do mesmo ano. Foi a primeira intervenção federal de natureza militar e ampla em um ente federado desde a Constituição de 1988.A intervenção teve duplo caráter: Operacional – restaurar o controle territorial e reduzir indicadores criminais; Político-midiático – reconstruir a narrativa de autoridade do Estado.

[vi] Tribunal de Contas da União – Acórdão 2.777/2009 – Plenário (PRONASCI); Tribunal de Contas da União – Acórdão 2.837/2016 – Plenário (FNSP/FUNPEN); Tribunal de Contas da União – Acórdão 1.297/2018 – Plenário (Governança da Segurança Pública); Tribunal de Contas da União – Acórdão 2.184/2018 – Plenário (PEFRON); Tribunal de Contas da União – Acórdão 1.744/2020 – Plenário (SUSP); Tribunal de Contas da União – Acórdão 3.024/2021 – Plenário (Efetividade do Gasto Público em Segurança). Todos disponíveis em: https://portal.tcu.gov.br/acordaos/