Presos incendeiam colchões, quebram porta e ferem policial penal na Cadeia Pública de Porto Alegre

Servidora teve lesão no braço após tumulto no antigo Presídio Central

Marcel Horowitz Correio do Povo

Um princípio de incêndio atingiu a Cadeia Pública de Porto Alegre, o antigo Presídio Central, na noite desse domingo. O fogo foi provocado por detentos, que também quebraram a porta de uma das celas. Uma policial penal ficou ferida.

O caso ocorreu por volta das 22h, no módulo 3, que é reservado à facção V7. De acordo com agentes penais, os presos atearam fogo em roupas e pedaços de colchão. Depois, através de janelas, arremessaram as peças em chamas no pátio externo do local.

Atritos precederam o tumulto. Ainda segundo os servidores, no turno das visitas, o veto de potes com comida gerou indignação entre apenados. Somado a isso, uma revista geral havia acontecido dias antes, o que também foi motivo de revolta na galeria.

A equipe da unidade conseguiu controlar o fogo. Houve presidiários que tentaram agarrar as mangueiras na ação e que, por isso, foram alvejados com munição antimotim. Um deles chegou a dar um puxão no cabo e acabou lesionando o braço de uma policial penal. Ela passa bem.

Os presos ainda conseguiram arrancar a porta de uma cela. Alguns receberam atendimento médico, mas foram liberados. Mesmo após o fim da confusão, eles insistiram em batucar nas grades e fazer barulho ao longo da madrugada.

A reportagem contatou o diretor da CPPA, Renato Penna de Moraes, mas ele não havia dado retorno até o momento desta publicação. O espaço permanece aberto.

Em nota, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) disse que ninguém inalou fumaça. Também garantiu que os trabalhos na CPPA seguem em andamento, com rigor e disciplina.

Leia a nota da SSPS e Polícia Penal

A Polícia Penal informa que, no fim do último domingo (19/10), presos de uma das galerias da Cadeia Pública de Porto Alegre colocaram fogo em alguns colchões ocasionando um princípio de incêndio no lado externo das celas, próximo às janelas, que foi rapidamente controlado pelos servidores em serviço na unidade prisional.

Salienta-se ainda que, apesar do princípio de tumulto, os próprios servidores da unidade controlaram a situação. Após o fato, o Grupo de Ações Especiais foi acionado e uma revista geral foi realizada na unidade.

Internos foram levados para atendimento médico e já foram liberados. Não foi constatado nenhum atingido pela inalação da fumaça.

O Estado garante o funcionamento nova Cadeia Pública de Porto Alegre, com rigor e disciplina no cumprimento da pena.

Presos abriram cadeados na CPPA

No início deste mês, detentos retiraram os cadeados das celas em outro módulo da CPPA. De acordo com a SSPS, o episódio somou 109 apenados, e não 228, conforme havia sido estimado por agentes penais. A pasta negou que o espaço tenha sido “tomado de assalto” por apenados.

O fato ocorreu no dia 1º de outubro, na galeria 4, onde estão os presos da facção Os Manos. Ali, enquanto panelas eram recolhidas ao final da refeição, eles subiram na portinhola das celas e destrancaram as travas na parte superior das portas. Isso levou cerca de 45 minutos, tempo em que a área ficou sem vigilância.

Além disso, os cadeados tinham sido posicionados em trancas inferiores e não estavam completamente selados, o que facilitou a ação. Como se não bastasse, o ato passou batido no monitoramento das câmeras.

Os presidiários ficaram soltos no recinto, só não atravessaram o último portão de acesso. Eles ainda colocaram os cadeados dentro de uma fronha, que teria sido entregue aos agentes junto a uma lista de reivindicações. A SSPS garantiu que nenhuma demanda foi atendida.

Após o descuido, o supervisor do dia foi afastado. Porém, na visão de parte da categoria, houve falta de orientações técnicas e a medida isentou a gestão da cadeia de assumir possíveis responsabilidades. A reportagem contatou o diretor Renato Penna de Moraes, que novamente não quis fazer comentários.

Conforme a SSPS, o retorno dos presos às celas aconteceu sem uso de força. Ainda segundo a versão oficial, tudo começou a partir da insistência de alguns detentos em permanecerem no corredor da galeria após a refeição.

Centenário do Falecimento do Cel Afonso Emílio Massot

Esta terça-feira, 21 de outubro, marca o centenário de falecimento do Patrono da Brigada Militar, Cel. Massot. Ao longo da semana, serão realizados diversos atos em homenagem a essa data simbólica. No entanto, mais importante que as solenidades, é conhecer a história e o legado deixados por aquele que inspira gerações de brigadianos.

O Jornal Correio Brigadiano reproduz o brilhante discurso que resgata a trajetória do Cel. Massot, proferido pelo Desembargador Militar do TJMRS, Cel. Sérgio Brum, decano da Corte, que gentilmente autorizou sua publicação.

Senhoras e senhores,

É com sincera emoção que abrimos este Ato de Homenagem ao Coronel Afonso Emílio Massot, exatamente cem anos após a sua morte. Um século se passou, mas sua memória permanece viva na Brigada Militar e na Justiça Militar do Rio Grande do Sul.

Quero, antes de tudo, saudar com respeito à família Massot. Hoje, vocês não apenas representam o sangue e o nome de Afonso Emílio. Representam a ponte entre o passado e o futuro. Cumprimento também às autoridades civis e militares, colegas magistrados, servidores e todos que se uniram neste tributo.

1. A vida e a trajetória do Coronel Massot Origens e formação

Afonso Emílio Massot nasceu em Pelotas, em 16 de outubro de 1865. Filho de Alphonse Théodore Émile Massot de Messimy, francês, e de Cesária Amélia Berny de Laquintinie Massot, herdou da família o gosto  pela  disciplina  e  pela  cultura. Cresceu num ambiente intelectual e ético. Ainda jovem, auxiliou na formação dos irmãos mais novos e fundou, com o irmão Luiz Carlos, o Colégio Evolução, onde lecionava francês, geografia e moral. Era, antes de tudo, educador.

Vida pessoal e legado humano

 Em 1902, casou-se com Maria Eduarda de Alencastro, com quem teve cinco filhos: Eurico, Eleonora, Sara, Maria Regina e João Batista – todos herdeiros de sua vocação pelo serviço e pelo estudo. Era também maçom, chegando a Venerável Mestre da Loja Rio Branco, onde pregava à ética, o civismo e a instrução. Faleceu em Porto Alegre, em 21 de outubro de 1925, aos 60 anos. Logo após, esta Corte registrou voto de pesar, reconhecendo a perda de um de seus fundadores.

Em 1953, foi oficialmente declarado Patrono da Brigada Militar, título que simboliza sua eternidade institucional, proposta do Comandante-Geral Venâncio Batista oficializada pelo Governador gaucho Ernesto Dornelles..

O ingresso na carreira militar e a ascensão ao Comando-Geral da Brigada

 Em 1892, ano da criação da Brigada Militar, Massot ingressou como capitão comandante do 1.º Batalhão de Infantaria da Reserva, em Pelotas, trocando a profissão de professor pela de militar.

Em 1893, teve seu batismo de fogo no Combate do Salsinho (11 de fevereiro), enfrentando as tropas de Gumercindo Saraiva em Carpinteria. Ainda nesse ano, participou dos combates de Upamaroti (12 de maio), Arroio Piraí (20 de junho), onde comandou uma carga de baionetas, e Serrilhada (23 de junho), contra forças rebeldes de cavalaria.

Promovido a major em novembro, assumiu o comando do 2º Batalhão da Reserva e, logo depois, participou da resistência ao Sítio de Bagé (novembro de 1893 a janeiro de 1894), sendo ferido no peito.

Em reconhecimento, o Coronel Carlos Teles propôs que recebesse as honras de coronel do Exército — que Massot recusou por humildade, aceitando apenas, mais tarde, as de tenente- coronel, por decreto de Floriano Peixoto.

Restabelecido, voltou à ação em abril de 1894, integrando a Brigada Teles e participando do Combate da Estação da Quinta, onde impediu a invasão de Rio Grande. Nesse mesmo mês, recebeu as insígnias de Tenente-Coronel e passou a integrar definitivamente

os quadros efetivos da Brigada Militar, sob o comando do Coronel Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz.

Em 1895, combateu em Cacimbinhas, Ponche Verde e Dom Pedrito, em perseguição às forças de Aparício Saraiva – seu último combate na Revolução Federalista.

Após a paz firmada em Pelotas, Massot, aos 30 anos, solicitou demissão para retornar à vida civil. O pedido foi indeferido por Júlio de Castilhos, que o chamou pessoalmente ao Palácio e pediu que permanecesse em serviço ativo. Massot aceitou e continuou servindo.

Em 1915, foi designado Comandante Interino da Brigada Militar, sendo efetivado em 1917 como Coronel Comandante- Geral – o primeiro oriundo das fileiras da própria corporação, e não do Exército.

O modernizador e educador da Brigada Militar

 A partir daí iniciou-se o período de ouro da Brigada Militar, com avanços administrativos, técnicos, táticos e culturais sob sua liderança.

Massot reformou a estrutura da corporação, ampliando o ensino e a formação técnica:

  • Instituiu o Curso de Formação de Oficiais e o Curso de Ensino Complementar, embriões da atual Academia de Polícia Militar;
  • Criou a Escola de Ginástica, Esgrima e Equitação, inspirada nos métodos franceses;
  • Fundou a Escola de Aviação e a Escolta Presidencial, e criou cursos de enfermeiros e padioleiros;
  • Organizou o Estado-Maior da Brigada e revisou regulamentos e manuais, modernizando o ensino militar;
  • Reestruturou o efetivo, criou uniformes padronizados, construiu e reformou quartéis e batalhões;
  • Incentivou o intercâmbio técnico internacional, recebendo em 1923 a Missão Militar Francesa, sob o General Gamelin.

Massot foi um modernizador sereno, que transformou a Brigada sem quebrar suas tradições. Creditava que a força da Brigada estava no conhecimento, na disciplina e na cultura – virtudes que, em suas palavras, “pavimentariam com rara luz o caminho da corporação”.

A origem do Conselho de Apelação

 O legado de Massot ultrapassa a esfera militar.

A Lei Federal de 3 de outubro de 1917, que levou o nº de 3.351, abriu o caminho para as forças estaduais julgarem Oficiais e Praças nos crimes propriamente militares.

Faço aqui uma breve homenagem aos Deputados Federais do RS da 30º legislatura (1915-1917) que são entre outros: Augusto Pestana, João Benicio da Silva, Alvaro Batista, Joaquim Luis Ososrio, Evaristo Teixeira do Amaral Junior, Gomercindo Taborda Ribas e Francisco Antunes Maciel Junior, os quais defenderam a aprovação da lei.

Massot foi um dos principais artífices da criação do Conselho de Apelação da Brigada Militar, depois Corte de Apelação, Tribunal Militar do Estado, e hoje Tribunal de Justiça Militar do Estado. Sob sua inspiração e liderança, nasceu a primeira estrutura jurisdicional da Justiça Militar gaúcha, resultado de sua visão institucional e de sua crença na necessidade de unir disciplina e legalidade. Visionário, desempenhou papel decisivo na consolidação desse Conselho, embrião do que hoje conhecemos como o Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul.

Foi o primeiro presidente do Conselho de Apelação da Brigada Militar, criado pelo Decreto nº 2.347-A, de 28 de maio de 1918,promulgado pelo Governador Gaúcho Antônio Augusto Borges de Medeiros, embrião do atual Tribunal de Justiça Militar do Estado do Rio Grande do Sul.

Aproveito a oportunidade para tirar a poeira do tempo do vestuto Decreto 2.347-A e agregar outro importante Instituto criado pela Brigada Militar, pois no seu art. 142, institui a Polícia Judiciária Militar e no seu art. 143 “ao Comandante da Brigada, aos Comandantes de Corpos, Unidades e Chefes de Estabelecimentos Militares, exercendo a policia militar, em nome do Presidente do Estado compete: investigações a apuração de crime e ordenar prisão“.

Louros ao visionário Massot pela criação da polícia judiciária militar.

A primeira sessão foi realizada em 10 de julho de 1918, presidida por ele e composta por quatro juízes militares e um juiz togado civil, foram julgados os Alfares Felipe Alves de Souza, o Capitão Mirandolino Machado, o Sargento-mestre Antônio Ferreira da Costa e o Soldado Recruta Angelo Zanetini.

Sob sua direção, a Corte passou a:

  • Julgar recursos e revisões disciplinares de oficiais e praças, consolidando o controle jurisdicional dentro da legalidade;
  • Fixar       precedentes           e      práticas         processuais,           garantindo isonomia e coerência nas decisões;
  • Registrar e publicar seus julgados, criando o primeiro acervo jurisprudencial da Justiça Militar Estadual;
  • Definir princípios de hierarquia, disciplina e devido processo, que inspirariam as legislações especiais e as futuras Justiças Militares do país.

Massot também rubricou pessoalmente todas as páginas do primeiro livro de atas da Corte, garantindo publicidade e autenticidade aos atos.

Sob sua presidência, a Justiça Militar já aplicava o instituto do impedimento de magistrado, demonstrando ética e respeito às garantias processuais, Amadeu Massot Oficial da Brigada Militar irmão de Massot sempre levantava seu impedimento quando Massot presidia as sessões de julgamento. Como resgate histórico Amadeu Massot por um período  breve de tempo comandou a Polícia Militar de Santa Catarina.

Ainda a historia fala o filho de Massot Eurico Massot, advogado, há época com escritorio na Rua da Praia, em várias oportunidades foi secretário de plenário redigindo inumeras Atas de Julgamento.

Durante a Revolução de 1923, suspendeu temporariamente as sessões do Conselho, mas manteve a integridade da instituição e, ao lado das forças legalistas de Borges de Medeiros, foi o grande estrategista militar que garantiu a estabilidade da Brigada e da própria Justiça Militar.

Massot compreendia que a força pública precisava também de um freio jurídico.

Acreditava que a disciplina só se sustenta com justiça, e que o poder de comando deve caminhar ao lado da legalidade – uma visão rara e avançada para o início do século XX.

II.  A Brigada Militar e sua importância histórica

A Brigada Militar é, há mais de um século, símbolo da identidade e da segurança do povo gaúcho.

Nascida em tempos de instabilidade, consolidou-se como força do Estado, guardiã da ordem e da lei. Muito além de um corpo armado, é uma instituição de valores: lealdade, disciplina, coragem e serviço público. Esteve presente em guerras, revoluções, operações de paz e na vida cotidiana de todos nós. Massot ajudou a moldar essa alma coletiva. Entendeu que a grandeza da Brigada não estava apenas em sua capacidade de combate, mas em sua capacidade de formar cidadãos e construir instituições.

Sob seu comando, a Brigada tornou-se escola de civismo, disciplina e cidadania – valores que ainda hoje sustentam o respeito da sociedade gaúcha por sua força policial.

III.  A memória em tempos de revolução da comunicação A memória em tempos de revolução da comunicação

Vivemos uma era tecnológica. Uma era de revolução na comunicação, em que tudo se torna visível, imediato e, muitas vezes, fugaz. As notícias surgem e desaparecem em segundos. As relações se constroem e se desfazem com a mesma velocidade. Tudo é rápido, dinâmico, superficial.

Vivemos tempos de instabilidade e de excessos. Egos aflorados, disputas silenciosas, métricas e metas substituindo, por vezes, o sentido e a missão. O ritmo acelerado da comunicação e das redes transforma o diálogo em disputa, a troca em exposição, e a reflexão em urgência.

O risco é perdermos a continuidade — o fio que une passado, presente e futuro. Por isso, resgatar a memória é   essencial. Não para viver do passado, mas para dar profundidade ao presente e direção ao futuro. A memória ancora. Conserva valores. Dá sentido às instituições. Mas lembrar não basta: é preciso transformar lembrança em aprendizado. O desafio do nosso tempo é conciliar tradição e inovação, permanência e mudança — sem perder a essência.

E é justamente aí que a figura de Massot se impõe. Ele viveu tempos de transição, de instabilidade, de disputas. Mas nunca perdeu o centro. Modernizou a Brigada sem trair seus fundamentos. Criou uma Justiça Militar que equilibrava comando e legalidade. Soube harmonizar autoridade e diálogo, convicção e prudência.

Foi contemporâneo do seu tempo — e, ao mesmo tempo, visionário do nosso. Sua vida ensina que memória e inovação não se opõem. A memória dá raízes.

A inovação dá asas. Juntas, garantem permanência, equilíbrio e evolução.

IV – ENCERRAMENTO

Este Ato Solene de Homenagem é um gesto de gratidão.

À família Massot, que mantém viva essa herança. À Brigada Militar, instituição centenária que segue servindo o Estado com honra. Aos irmãos Brigadianos, aos colegas e servidores da Justiça Militar, que compreendem que lembrar é também projetar o futuro.

Ao chegarmos a este momento de homenagem, é inevitável reconhecer que a história de Massot se confunde com a própria história desta Corte e também da Brigada Militar. Sua trajetória reafirma a força das instituições, a dignidade da farda e da toga, e o dever de cada geração em preservar e aperfeiçoar o legado recebido. Mais do que um tributo histórico, este encontro carrega também um significado simbólico.

Vivemos tempos de transformação e, às vezes, de desencontro. Mas é justamente nessas horas que o exemplo de Massot se torna mais atual: ele foi um agregador, um líder que soube reunir forças distintas em torno de um propósito comum.

Com serenidade e firmeza, colocava o dever acima do ego, a missão acima das diferenças, o coletivo acima do individual. Que este momento sirva, portanto, como ponto de inflexão –um reencontro da instituição consigo mesma.

Que dele renasça o espírito de cooperação, de respeito e de grandeza que sempre marcou esta Justiça Militar.

A união de esforços e de propósitos é o que nos permitirá enfrentar os desafios que se impõem de fora — desafios que, por vezes, colocam em risco a própria existência da instituição, testando sua coesão e sua razão de ser.

Massot nos ensinou que nenhuma instituição sobrevive dividida, e que a verdadeira força está na capacidade de resistir unida, fiel à sua missão e aos seus valores.

E deixou, também, uma lição de humildade.

Mesmo tendo sido comandante, educador e presidente de uma Corte, soube reconhecer seus limites, ouvir, aprender e servir com simplicidade.

Recusou honrarias que o colocariam acima dos seus pares – gesto que revela mais do que modéstia: revela grandeza moral. Em tempos em que o brilho muitas vezes se confunde com a essência, o exemplo de Massot nos recorda que a verdadeira liderança nasce da humildade, da escuta e do senso de dever.

A vida de Massot nos recorda que a perenidade das instituições depende de homens e mulheres que servem com integridade e consciência de missão.

E que as instituições permanecem quando seus valores são cultivados por cada geração, com respeito, justiça e propósito.

Que a memória de Afonso Emílio Massot continue a nos inspirar. Que o exemplo de sua vida siga iluminando o caminho da Brigada Militar e da Justiça Militar do Rio Grande do Sul.

E que jamais percamos a capacidade de equilibrar tradição e futuro, firmeza e sensibilidade, memória e transformação.

Muito obrigado.


Des. Mil. Sergio Brum

Vice-Presidente do TJMRS

“As Vespas” e o vício de julgar: uma lição antiga sobre Justiça e vaidade

Por mais que tenham se passado quase 2.500 anos desde a estreia da comédia “As Vespas”, de Aristófanes, a peça grega ainda provoca um riso incômodo, desses que nascem não da bobagem, mas da verdade dita de forma impiedosa. Encenada em 422 a.C., em plena Atenas democrática, a obra satiriza o sistema judiciário da época e expõe, com um humor ferino, os perigos da manipulação política da Justiça e da vaidade de quem julga.

O protagonista é Filocleon, um velho cidadão obcecado pelos tribunais. Sua vida gira em torno de participar como juiz nas cortes populares. O nome já entrega: ele é um “admirador de Cléon”, político populista da época. Em oposição, seu filho, Bdelecleon, literalmente, “inimigo de Cléon”, tenta libertá-lo desse vício. Tranca o pai em casa para evitar que vá aos julgamentos e monta um tribunal improvisado para provar como tudo aquilo é uma farsa. Num dos momentos mais absurdos e hilariantes, o réu é um cachorro acusado de roubar um queijo. Mesmo assim, Filocleon insiste em condená-lo.

Aristófanes pinta o retrato de uma sociedade que se deixou embriagar pelo gosto de julgar. Para ele, os velhos juízes atenienses eram como vespas: prontos para ferroar, não necessariamente para fazer justiça. E o veneno, é claro, servia a propósitos políticos.

A vaidade de julgar, esse traço tão humano, segue viva, mesmo em tempos de currículos técnicos e tribunais recursais. Quando decisões se acumulam mais por convicção pessoal do que por fundamento jurídico, ou quando o Judiciário passa a ocupar o espaço da política e da moral pública, a democracia entra em estado de alerta.

O que Aristófanes já intuía, com ironia impiedosa, é que o problema da Justiça não é apenas estrutural, mas também psicológico e moral. O vício de julgar dá prestígio, alimenta o ego, oferece o doce gosto da punição alheia e, quando associado a interesses políticos, pode corroer o próprio Estado de Direito.

Difícil não enxergar ecos contemporâneos nessa sátira. Ainda hoje, a Justiça corre o risco de se tornar palco de vaidades, arma política ou espetáculo. Embora os tribunais atuais contem com formação técnica e regras mais rígidas, o debate sobre ativismo judicial, decisões monocráticas e a politização do Judiciário continua a incomodar. A obsessão de Filocleon, sob outra roupagem, ainda circula pelos corredores do poder.

O que a peça nos lembra, com graça e ironia, é que o ato de julgar deve ser um exercício de responsabilidade pública, não um vício de ego. Quando a Justiça deixa de ser serviço e se torna instrumento de prestígio ou de perseguição, não estamos muito distantes da Atenas de Aristófanes. E, como naquela época, talvez só o riso reste como última forma de resistência.

As Vespas nos desafia, ainda hoje, a perguntar: a Justiça está sendo feita, ou apenas encenada?

Amilcar Fagundes Freitas Macedo,
Magistrado – Ex-Presidente do TJMRS

Brigada Militar recebe 356 novos soldados em Porto Alegre e Osório

Grupo é composto por 304 homens e 52 mulheres

Marcel Horowitz Correio do Povo

A Brigada Militar formou 356 novos soldados nesta sexta-feira. O grupo é composto por 304 homens e 52 mulheres que concluíram o no Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM). A ocasião contou com duas solenidades, em Porto Alegre e Osório.

Durante a cerimônia na Capital, o governador Eduardo Leite destacou que, com a participação da Brigada Militar, o Rio Grande do Sul atingiu superior a 60 % de homicídios, 80% de roubos à pedestres e mais de 90 % de roubos de veículos. Também ressaltou a compra de novos armamentos e viaturas para uso das forças policiais e o incremento no efetivo.

“Foram milhões em investimento nos aparatos da segurança. O armamento de toda nossa polícia foi renovado e padronizado. Em outros tempos, caso um policial estivesse em uma ação e por ventura faltasse munição, ele não poderia usar a do colega, porque eventualmente poderia ser uma arma diferente da dele. Esse problema foi resolvido. Além disso, investimos em viaturas e incorporamos ainda mais policiais ao efetivo, sempre pagando os salários em dia”, afirmou Eduardo Leite.

Em julho deste ano, a Brigada Militar ganhou o reforço de 539 novos soldados, sendo 466 homens e 66 mulheres. Além disso, de 2019 para cá, o número de policiais que compõem as fileiras da corporação subiu de 15.951 para 17.163. O acréscimo fortalece os compromissos do governo do Estado de manter a reposição contínua do efetivo e garantir a segurança da população gaúcha.

Também em 2025, o governo gaúcho já destinou quase R$ 310 milhões em bens e tecnologia para as forças de segurança. No caso da Brigada Militar, Leite atendeu à demanda de renovação da frota aérea, que agora conta com cinco helicópteros e quatro aviões. Há também mais quatro helicópteros que estão em processo de aquisição. Além disso, o número de embarcações saltou de uma para 19 unidades. Em 2025, a Brigada recebeu também 306 viaturas, 39 motos, 31 micro-ônibus e 17 jet skis.

Ainda em seu pronunciamento, Leite reconheceu o trabalho dos PMs em nome da sociedade gaúcha. “Quem escolhe ser servidor, escolhe uma missão de serviço à sociedade. No caso da Segurança Pública, especialmente em uma instituição que se recorre ao policiamento ostensivo e, em casos muito particulares, ao uso de força do Estado, ainda há fatores de risco da própria vida. Por isso minha palavra, em nome de todo o povo gaúcho, é de gratidão”, disse.

Polícia Civil gaúcha irá adotar uso de câmeras corporais ainda este ano

Testes começam em novembro. Dispositivos são de geração quatro, a mais nova. Uma das novidades é a presença de alto-falantes, permitindo que o centro de comando consiga se comunicar com o policial em tempo real

Paulo Rocha GZH

A Polícia Civil do Rio Grande adquiriu cem câmeras corporais. Os testes começam em novembro. A informação foi confirmada pelo chefe de polícia do Estado, delegado Heraldo Guerreiro.

Segundo Guerreiro, a intenção, superados todos os entraves burocráticos, é começar a operação ainda este ano.

— Nós dividimos as câmeras corporais proporcionalmente entre os departamentos, e os testes são dentro das especificidades de cada órgão — afirmou o chefe de Polícia. 

O pedido foi feito à empresa norte-americana Axon, a mesma que fornece os equipamentos para a Brigada Militar e Polícia Penal. Atualmente, mil equipamentos estão em uso pela Brigada Militar. Outras 32 câmeras são utilizadas pela Polícia Penal desde 2022. 

Assim como a Polícia Civil, a Polícia Penal também realizou a encomenda de mais 500 dispositivos. Ainda não há previsão de início dos testes. Já a Brigada Militar encomendou mais 250 equipamentos, porém, segundo o comando da corporação, a implementação deve ocorrer apenas ano que vem. 

Além do Rio Grande do Sul, a Axon tem entre os clientes no Brasil órgãos de segurança pública nos Estados de São Paulo, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte. Segundo a empresa, a experiência no Rio Grande do Sul é uma das mais positivas. 

— Não existem muitos profissionais no mundo que trabalham com uma vigilância 24 horas, com uma câmera no peito. Em todos os locais que a gente implementa o equipamento ao redor do mundo, é natural haver uma resistência inicial do policial. O que fez a Brigada Militar conseguir passar por esse primeiro ano com bastante sucesso foi o treinamento e uma política firme — avalia Samuel Moraes, gerente de sucesso da Axon no Brasil.

No caso do Rio Grande do Sul, os serviços fornecidos pela Axon envolvem um pacote em comodato que inclui não apenas o hardware (equipamentos), mas também a infraestrutura de suporte, software e treinamento. As câmeras novas que serão disponibilizadas à Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Penal são de geração quatro, a mais nova. Uma das novidades é a presença de alto-falantes, permitindo que o centro de comando consiga se comunicar com o policial em tempo real. A parte de suporte de software abrange links para upload das imagens para a nuvem e armazenamento e gestão de evidências digitais.

“Não temos uma previsão de reajuste”, diz novo secretário de Segurança do RS sobre salários

Coronel Mario Ikeda comentou a futura gestão em entrevista ao “Atualidade”, um dia depois de ser anunciado no cargo

Beatriz Coan GZH

Os trabalhadores da Segurança Pública do Rio Grande do Sul entrarão no ano de 2026 sem perspectiva de reajuste salarial. Segundo o novo secretário estadual, coronel Mario Ikeda, não há previsão de incremento nos vencimentos, que depende de diversos fatores.

Um dia depois de ser anunciado para o cargo, Ikeda destacou em entrevista à Rádio Gaúcha, na manhã desta sexta-feira (17), que o governo está em regime de recuperação fiscal e que reajustes dependem do valor da arrecadação. Ele também comentou que esta demanda é sujeita a negociações com a Secretaria da Fazenda e a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão.

— Acho justo que todos os servidores busquem uma melhoria salarial, mas também as questões de governo devem ser entendidas e são analisadas — explicou Ikeda ao programa Atualidade.

O coronel da Brigada Militar também afirmou que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) está sempre aberta para receber as solicitações das associações e encaminhar as demandas.

Combate ao feminicídio

Ikeda, que já atuava como secretário adjunto, assumiu o comando da pasta na quinta-feira (16), após Sandro Caron entregar o cargo para atuar na iniciativa privada. O coronel foi secretário de Segurança de Porto Alegre entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2023, quando tornou-se secretário adjunto estadual, e deve dar continuidade ao trabalho que já vinha sendo feito desde 2019 por Caron.

Além de reafirmar a intenção de manter a integração entre as forças de segurança, a troca de informações de inteligência, o investimento e a redução dos indicadores, o novo secretário destacou que um dos focos da sua gestão está no combate ao feminicídio.

— Acho que este é um grande desafio, mas estamos trabalhando. Acredito que hoje já temos mais de 500 agressores monitorados e esse monitoramento vem trazendo bastante resultado. Nós já temos mais de cem prisões ao longo deste ano de pessoas que violaram a medida protetiva. São providências que, acredito, atendam as demandas que estão surgindo — comentou Ikeda.

O coronel acrescentou como objetivo a ampliação de espaços para que as vítimas de violência doméstica busquem ajuda. Atualmente, no Estado, é possível fazer registro de ocorrência e pedido de medida protetiva sem sair de casa, por meio da internet.

Ouça a entrevista na íntegra

Eduardo Leite anuncia coronel Mario Ikeda como novo secretário da Segurança Pública

Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

Atual secretário-adjunto da pasta assume no lugar do delegado Sandro Caron, que deixa o governo para atuar na iniciativa privada

O governador Eduardo Leite anunciou, nesta quinta-feira (16/10), o nome do coronel Mario Yukio Ikeda como novo titular da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul. Ikeda, que até então ocupava o cargo de secretário-adjunto da pasta, sucede o delegado da Polícia Federal Sandro Caron, que deixa o governo para iniciar uma nova etapa profissional na iniciativa privada.

No lugar de Ikeda, na secretaria-adjunta, assumirá a delegada Adriana Regina da Costa, que exercia a função de subchefe da Polícia Civil. Ambos assumem os novos postos a partir da próxima segunda-feira (20/10)

Durante o anúncio, o governador destacou o trabalho de excelência desenvolvido por Caron à frente da SSP e os resultados expressivos alcançados pelo Estado na área da segurança pública. “Quero expressar meu profundo agradecimento ao Sandro Caron, que liderou com dedicação, competência e resultados concretos a política de segurança pública do nosso governo. Ele deixa um legado relevante e reconhecido, consolidando uma estrutura mais moderna, integrada e eficaz no combate ao crime”, afirmou Leite.

Ao longo do último ciclo de governo, o Rio Grande do Sul alcançou resultados recordes na redução da criminalidade, impulsionados pelas estratégias do Programa RS Seguro e pelos investimentos históricos nas forças de segurança e no sistema penal. Os últimos dois anos foram, consecutivamente, os mais seguros desde que se têm registros padronizados de ocorrências criminais.

Leite também ressaltou que o desafio do novo titular será dar continuidade e aprofundar ainda mais esses resultados. “O coronel Ikeda tem uma trajetória marcada pela competência, pelo espírito público e pelo comprometimento com a segurança dos gaúchos. Tenho plena confiança de que, ao lado da delegada Adriana, ele dará sequência a esse trabalho com a mesma seriedade e foco em resultados. A segurança continuará sendo prioridade do nosso governo, porque ela é essencial para garantir qualidade de vida às pessoas e criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul”, afirmou o governador.

Coronel Mario Yukio Ikeda

Mario Yukio Ikeda ingressou na Brigada Militar em 1985 e passou por diversas unidades da corporação. Participou da Força Nacional de Segurança Pública que atuou nos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos, no Rio de Janeiro, e integrou a Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos durante a Copa das Confederações, em 2013.

Foi gerente de Operações do Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) do Estado durante a Copa do Mundo de 2014, além de ter comandado o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) e o Comando de Policiamento da Capital (CPC).

Ikeda exerceu os cargos de subcomandante-geral e, posteriormente, de comandante-geral da Brigada Militar, entre 2018 e 2019. Foi também secretário de Segurança de Porto Alegre entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2023, quando assumiu como secretário-adjunto da SSP estadual, função que agora deixa para ocupar o comando da pasta.

Delegada Adriana Regina da Costa

Adriana Regina da Costa, natural de Porto Alegre, ingressou na Polícia Civil como delegada em 1999. Atuou no Centro de Operações de Cruz Alta e no Posto Policial da Mulher antes de assumir a titularidade de delegacias em Canoas e na Capital, onde liderou unidades voltadas à proteção do idoso e ao atendimento à mulher.

Entre 2007 e 2012, comandou a 2ª Delegacia de Polícia da Capital, reconhecida, em 2010, como a segunda melhor delegacia do Brasil em qualidade de serviços. Em 2012, assumiu a 1ª Delegacia Regional Metropolitana e, no mesmo ano, o Departamento Estadual de Proteção à Criança e ao Adolescente (Deca).

Em 2019, foi nomeada diretora do Departamento de Polícia Metropolitana, função que exerceu até ser designada para a subchefia da Polícia Civil. Em junho deste ano, assumiu o cargo de subchefe da Polícia Civil, tornando-se a primeira mulher a ocupar o posto.

Texto: Carlos Ismael Moreira/Secom
Edição: Secom

160 anos de nascimento do Coronel Affonso Emílio Massot – Patrono da Brigada Militar

Marco Antônio Moura dos Santos[1]

Exempla movent magis quem verba”[2]

Ao celebrarmos os 160 anos de nascimento do coronel Affonso Emílio Massot, não estamos apenas relembrando uma data ou revisitando páginas da história — estamos evocando o espírito de um homem que, com sua vida e seu exemplo, deu forma e alma à BRIGADA MILITAR DO RIO GRANDE DO SUL.

Massot nasceu em Pelotas, em 16 de outubro de 1865, e desde jovem compreendeu que a farda não é apenas um uniforme, mas uma missão que se veste com o coração.

Foi oficial, comandante, educador e líder — mas, acima de tudo, foi um servidor do bem comum, movido por valores que transcendem o tempo: fé, honra, coragem e lealdade.

Ao assumir o Comando-Geral da Brigada Militar em 1917, o Coronel Massot viveu uma época de desafios. E como fazem os verdadeiros líderes, não recuou diante das dificuldades. Transformou adversidade em aprendizado, disciplina em virtude, e autoridade em exemplo. Fez da Brigada Militar uma escola de vida, onde cada integrante aprendia não apenas a servir, mas a servir com sentido, com alma e com amor pelo dever.

Em 15 de outubro comemoramos o Dia do Professor, Massot incorporou como poucos essa nobre missão de educar, conduzindo jovens, homens, como verdadeiro comandante e líder. James Hunter[3] ensina que ao servir os outros expressamos amor pelo próximo.

 Registra também que Jesus transmitiu em suas palavras que para influenciar outras pessoas devemos servir, nos sacrificar e procurar o bem maior de seus liderados.  Assim procedeu o Comandante Massot.

Mesmo após 160 anos de seu nascimento, sua presença ainda habita entre nós — em espírito e inspiração.  Habita no olhar firme de cada policial militar que cumpre o seu turno de serviço; no silêncio de quem enfrenta o perigo com serenidade; na confiança de quem sai de casa acreditando que proteger vidas é também um ato de fé e de esperança.

Massot nos ensinou que a verdadeira grandeza não está nos títulos ou nas honras, mas na retidão das ações e na pureza das intenções. Seu legado é espiritual porque ultrapassa o tempo, porque toca o que há de mais nobre em cada um de nós: o desejo de fazer o bem, de servir com dignidade, de lutar pelo justo.

Hoje, diante da memória desse homem, nós precisamos expressar gratidão.


Gratidão pela vida que ele ofereceu à brigada.

Gratidão pelo exemplo que continua a nos guiar.

Gratidão por ter sido um farol de moral, fé e disciplina — virtudes que sustentam o ser brigadiano.

Que os 160 anos do nascimento do Coronel Massot sejam, para todos nós, um convite à reflexão e à renovação. Que seu espírito continue a inspirar nossas decisões, fortalecer nossa fé e alimentar o orgulho de sermos parte desta história mais do que centenária.

Nossa continência, que é símbolo de respeito, hierarquia, disciplina e honra. Mas que também representa tradição e os princípios da gloriosa brigada militar, da qual vós sois, Coronel Massot o ilustre patrono. 

Manifestamos assim, o reconhecimento à sua autoridade, rogando a sua proteção e que deus continue abençoando a todos aqueles que, inspirados por seu exemplo, escolhem diariamente o caminho da honra e do dever em pról da sociedade gaúcha e brasileira.

VIVA AO CORONEL AFFONSO EMÍLIO MASSOT!

VIVA À BRIGADA MILITAR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL!

Muito obrigado!


[1] CORONEL QOEM Res Brigada Militar/RS

[2] Os exemplos movem mais do que as palavras.  Atribuída ao poeta romano Ovídio. Mensagem da Legião Altiva, em homenagem ao CORONEL AFFONSO EMÍLIO MASSOT, em uma placa no jazigo do coronel Massot, no cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre.

[3] HUNTER. J.C. Como se Torna um Líder Servidor. Editora: Sextante Tradução: A. B. Pinheiro de Lemos Ano: 2006 136 páginas.

Corrida de Ferro reúne forças de segurança em homenagem aos 133 anos do 1º BPM

Com percurso de 5 quilômetros entre o Pontal Shopping e a sede do batalhão, evento celebra a história da unidade operacional mais antiga da Brigada Militar

Correio do Povo

A quarta edição da Corrida de Ferro marcou, nesta quarta-feira, 15, as comemorações pelos 133 anos do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) – Batalhão Coronel Aparício Borges. O evento reuniu dezenas de participantes das forças de segurança, que percorreram 5 quilômetros entre o Pontal Shopping, no Cais do Porto, e a sede do batalhão, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.

A prova, realizada com batedores oficiais, sirenes e sinalizadores de fumaça, é considerada pelos organizadores a maior corrida fardada do Brasil, sendo exclusiva para integrantes da Brigada Militar e forças coirmãs de segurança.

As comemorações pelo aniversário de fundação seguem ao longo do mês. No dia 21 de outubro, data oficial da criação do batalhão, ocorrerá a entrega da Comenda do 1º BPM a personalidades e profissionais de diferentes segmentos da Capital, em reconhecimento ao apoio e à parceria com a corporação.

O 1º BPM, também chamado de Batalhão de Ferro, é a unidade operacional mais antiga da Brigada Militar. Criado pelo Decreto nº 384, de 21 de outubro de 1892, inicialmente como 1º Batalhão de Infantaria, o batalhão possui hoje cinco companhias responsáveis pelo policiamento em 23 bairros da zona Sul de Porto Alegre.

A designação “Batalhão de Ferro” surgiu durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a partir de um documento expedido pelo então Tenente-Coronel Argemiro Dornelis, comandante da vanguarda das Forças Ordinárias do Sul.

Presos escapam de celas e tomam galeria após falha na Cadeia Pública de Porto Alegre

Detentos retiraram cadeados; Polícia Penal nega ter cedido às exigências dos apenados

Marcel Horowitz Correio do Povo

Uma galeria foi tomada por detentos na Cadeia Pública de Porto Alegre. Eles conseguiram destrancar cadeados e provocaram tumulto dentro da unidade após falhas de segurança no início do mês. Agentes penais estimaram 228 detentos, mas a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) afirma que foram 109 apenados.

O caso ocorreu em 1º de outubro, na galeria 4, no módulo da facção Os Manos. Ali, enquanto panelas eram recolhidas ao final da refeição, presos subiram na portinhola das celas e destrancaram as travas na parte superior das portas. Isso levou cerca de 45 minutos, tempo em que a área ficou sem vigilância.

Além disso, os cadeados tinham sido posicionados em trancas inferiores e não estavam completamente selados, o que facilitou a ação. Como se já não bastasse, tudo passou batido no monitoramento das câmeras.

Os presidiários acabaram ficando soltos no recinto. Eles só não atravessaram o último portão de acesso. Segundo o relato de agentes penais, os apenados ganharam a regalia de manter “facilitadores” na galeria, ou seja, detentos que podem atuar como intermediários da autoridade penitenciária com a massa prisional. A SSPS nega a concessão de benefícios aos presos.

O supervisor do dia foi afastado de suas funções. Porém, na visão de parte da categoria, houve falta de orientações técnicas aos servidores e a medida isentou a gestão da cadeia de assumir possíveis responsabilidades.

A reportagem contatou o diretor da CPPA, Renato Penna de Moraes, mas ele não quis fazer comentários. Por meio de nota, a SSPS e a Polícia Penal explicaram o fato:

“A Polícia Penal informa que o funcionamento da nova Cadeia Pública de Porto Alegre segue normalmente, com a ocupação gradual das suas galerias e com os procedimentos e protocolos previstos sendo adotados, primando pela segurança dos servidores e pela dignidade no cumprimento da pena.

Em relação ao episódio ocorrido em 1º de outubro, é importante esclarecer que não houve rebelião, fuga ou tomada de galeria. O fato é que, no começo da manhã daquele dia, durante a refeição, presos permaneceram no corredor da galeria, recusando-se a retornarem às celas. Após intervenção, todos retornaram naturalmente para as celas, e o ambiente foi controlado sem necessidade do uso da força. Não houve qualquer concessões aos presos.

Cumpre informar que toda tentativa de subversão da ordem é repelida imediatamente, garantindo o efetivo controle do Estado no sistema prisional. Por fim, salientamos que todos os fatos ocorridos no sistema prisional são passíveis de apuração pela Corregedoria-Geral do Sistema Penitenciário.

O Estado tem aplicado um volume histórico de recursos no sistema prisional. De 2019 até o final deste governo, em 2026, o investimento ultrapassará R$ 1,4 bilhão, com a construção de novas penitenciárias, possibilitando a geração de mais de 12 mil vagas criadas e requalificadas, e a compra de equipamentos.”