Estava concluindo mais um texto de reflexão a respeito da rotineira afronta, que estamos enfrentando, aos direitos e garantias individuais previstos na Constituição Brasileira, assim como a democracia e ao estado democrático de direito.
Ao fazer a leitura individual e depois socializando com minha esposa para realizar a crítica inicial, com satisfação ouvi, até com surpresa, que o texto estava excelente. No entanto, ela argumentou que seria impublicável no momento, pois poderia ser mal interpretado como muitos estão sendo mundo afora; repercutindo em pessoas sendo indiciadas, outras tantos denunciadas e ou condenadas (logicamente todas essas reações dentro do País). Na realidade a preocupação foi de evitar exposição e comprometimento pessoal, de amigos e leitores.
Ao “sapiar” o controle remoto para verificar as Break News, vi que estava tocando a música METAMORFOSE AMBULANTE, de Raul Seixas; parei para ouvi-la e pensar na mensagem da” metamorfose ambulante”[2], de poder pensar e falar diferente, de expor, enfrentar críticas e rever posições se fosse o caso.
Infelizmente, agora, não há essa perspectiva no radar de muitos no sonho em não ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”. Não por não estarem disponíveis para alterar posturas, mas por estarmos diante de um processo de limitação a liberdade de expressão, mesmo que não de forma explicita.
Como ser a “metamorfose ambulante”, quando não podemos expressar posições, mas tendo que aceitar “o oposto do que os outros disseram antes”; quando isso vale para eles, mas não vale para mim. Quando é permitido que alguns possam “desdizer aquilo tudo que disseram antes”; infelizmente, para muitos outros, não.
Em frente a lareira, observo o fogo e talvez o destino do texto viesse a ser alimentar mais ainda as chamas que aquecem a noite. No entanto, em reação ao CALE-SE SOCIAL, a decisão é de revisar mais uma vez, corrigir gramática e ortografia, fortalecer os pensamentos e deixar mais claro o mérito do texto, pois precisamos avançar na preservação fática de direitos e garantias fundamentais, “protegidos constitucionalmente”.
Eu queria ser uma metamorfose ambulante, que pudesse acreditar que a censura nunca mais iria ocorrer, mas hoje quando em períodos de “defesa da democracia, da soberania, das liberdades”, estamos premidos e com menos segurança em podermos pensar, falar, escrever, divulgar, publicar…pois poderemos sofrer represálias, sem fundamentação, somente por desconsiderarmos ou “criticarmos” pontos de vista de “alguém”.
Como poderemos então alcançar a “Sociedade Alternativa”[3], talvez utópica e indevida, mas entendida hoje, quando vista como um movimento de conscientização que chama a atenção para a possibilidade de vivermos fora do sistema opressor.
Que absurdo, isso já foi pensado, aplaudido e incentivado e, hoje, estamos em momentos de tensão e muita restrição e ou opressão.
E eu querendo ser, assim como milhares e milhares de pessoas, “metamorfoses ambulantes”, do que terem “aquela velha opinião formada sobre tudo.!’
Vamos em frente, conseguiremos!!!!???? Depende de nossa resistência, força de vontade e dedicação permanente.
Quanto ao outro texto, ainda será concluído!!! Aguardem, em revisão: Pilares da Democracia e do Estado Democrático de Direito. JUSTIÇA???? “Ela é cega, mas não é tola”???!!!! ou será?
03 agosto 2025.
[1] CORONEL QOEM Res Brigada Militar/RS e Especialista INTEGRAÇÃO E MERCOSUL/UFRGS
Reinauguração é um marco de resiliência, dedicação e compromisso da BM com a saúde da família brigadiana
A solenidade de reinauguração da Policlínica Odontológica Central (POC) do Centro Médico-Odontológico da Brigada militar (CMOBM), aconteceu na manhã desta segunda-feira (11/08), situada no Centro Histórico de Porto Alegre, com um sentimento de superação ante mais este desafio imposto pela enchente de maio de 2024. A reinauguração da Policlínica foi viabilizada com os esforços de todo o efetivo do Centro Médico-Odontológico da Brigada Militar (CMOBM), do Departamento de Saúde, do Comando Brigada Militar e da Fundação da Brigada Militar. A comunidade em geral, também apoiou a iniciativa por meio da campanha de doação financeira SOS enchentes, que foi organizada pelo Instituto Vakinha.
Os recursos da campanha solidária SOS Enchentes possibilitaram o investimento de R$ 461.305,81 na recuperação predial e R$ 761.854,80 em equipamentos. Além disso, R$ 134 mil foram destinados à reposição de itens de consumo perdidos com a enchente; totalizando o investimento superior a R$ 1 milhão e 300 mil na recuperação da Policlínica.
Durante a solenidade, as autoridades civis e militares que somaram para tornar possível a reinauguração da Policlínica, foram homenageadas com o recebimento da Comenda Joaquim José da Silva Xavier do CMOBM. Segundo a chefe da Policlínica, tenente-coronel Mirta Margareth Samuel, a perda de nove consultórios causada pelo avanço das águas do Guaíba, exigiu uma reorganização ampla e a formação de uma rede de apoios para continuar o atendimento temporário com apenas dois consultórios no espaço do Hospital da Brigada Militar, em pouco mais de um ano, assim como para continuar o estágio dos estudantes de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que puderam concretizar a formatura. Não obstante, só no período entre janeiro e julho de 2025, a produtividade seguiu em alta através das 5.031 consultas, com 25.806 procedimentos odontológicos realizados.
A chefe da Policlínica, tenente-coronel Mirta, destacou em seu discurso, a necessária compreensão sobre a importância da saúde bucal. Explicou que a presença de inflamações gengivais e de cáries estão relacionadas ao risco de desenvolvimento de doenças sistêmicas graves, como diabetes, doenças respiratórias, vasculares e neurodegenerativas. “Pela natureza da atividade policial militar, que exige um condicionamento físico de excelência, a saúde bucal desempenha papel fundamental para assegurar a eficiência do nosso efetivo. Pois, um efetivo saudável, exerce suas atividades laborais com maior produtividade e com redução do absenteísmo,” disse a tenente-coronel Mirta. Em acordo, o comandante-geral coronel Cláudio dos Santos Feoli, acrescentou que, ao proporcionar condições adequadas de cuidado com a saúde bucal ao efetivo, a Brigada Militar viabiliza um cuidado integral e que reverbera em outras áreas, como a da saúde mental.
Relevância estratégica
No primeiro quadrimestre de 2024, a Policlínica Odontológica Central atendeu 3.813 pacientes e realizou 16.263 procedimentos, mas desde a enchente de 2024 e os impactos sofridos, houve a drástica redução no número de atendimentos. A reinauguração vai permitir a retomada dos índices de excelência, como o de 2023, quando foram realizados mais de 48 mil procedimentos odontológicos e mais de 10 mil pacientes foram atendidos. A atuação da Policlínica foca nos procedimentos preventivos e curativos, sendo que apenas 1,1% dos procedimentos foram de extrações dentárias, um índice abaixo do parâmetro do Ministério da Saúde, igual a 2,7%. Estes resultados evidenciam a relevância estratégica da odontologia da Brigada Militar como um importante órgão de apoio à missão constitucional da Instituição e à promoção da saúde integral de policiais militares, servidores civis e os dependentes legais.
Trabalhadores da segurança pública vêm de várias partes do Brasil e carregam a riqueza cultural de suas regiões
PorCristiano Abreu Correio do Povo
Oxe! Trem! Eita! Meu! Tchê! Estas são algumas expressões que refletem a riqueza cultural e linguística do Brasil e que representam a transformação da identidade das forças de segurança do Rio Grande do Sul. Reconhecidas no país por suas estruturas e trabalhos qualificados, Polícia Civil e Brigada Militar atraem cada vez mais homens e mulheres de outros estados em busca de oportunidade de ascensão na carreira.
Nas últimas décadas, as delegacias gaúchas, assim como os batalhões, ganharam sotaques e dialetos de todas as regiões brasileiras. Nas ruas ou em locais de trabalho, a mostra da diversidade está presente nas conversas cotidianas. Do “R” mais carregado, típico do Paraná e do interior do Rio Grande do Sul, ao “S” chiado que se assemelha ao som de “X”, tal como falam os nascidos no Rio de Janeiro, os exemplos se multiplicam a cada novo concurso.
Na 4ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (4ª DIN) do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), em Porto Alegre, a fala tranquila da delegada Ana Flávia de Melo Leite, 37 anos, evidencia a origem mineira. Há cinco anos no Rio Grande do Sul, a policial volta e meia solta um “uai”, para a alegria dos colegas. “Uai é todo dia, eu não posso abrir a boca que eles caçoam”, conta, revelando que se diverte com as situações. “Outra que uso muito é: ‘Não tem base não!’ (significa que algo é absurdo, inacreditável, sem sentido ou que não se justifica). Todo mundo gosta”, garante.
Entre momentos difíceis inerentes ao trabalho na repressão ao tráfico de entorpecentes, a miscigenação de culturas é uma importante válvula de escape, considera a policial.
Delegada mineira Ana Flávia já atua em território gaúcho há cinco anos | Foto: Mauro Schaefer
Nesse intercâmbio entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a delegada entende que absorveu muito do jeito gaúcho de ser, mas sem esquecer a origem. “Eu já solto um ‘bah’!. Trouxe minha mãe e minha irmã para morar aqui, mas meu estado está no coração”, ressalta Ana Flávia, que ameniza a saudade por meio dos pratos típicos da terra natal. “Sinto muita falta do feijão carioquinha, aqui (no Rio Grande do Sul) tem mais do preto. E como a mãe veio para cá, sempre tem pão de queijo. Mas tem que ser o dela, e com queijo de Minas, para ser autêntico”, afirma, indicando que não abre mão da receita original.
A integração gerada pela diversidade linguística também é exaltada pelo titular da 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (3ª DPHPP) de Porto Alegre, Thiago Roberto de Moraes Rego Zaidan, 35 anos. Ele nasceu em Recife (PE) e está no Rio Grande do Sul desde 2020, tempo suficiente, garante, para entender as coisas do Sul, mas também incrementar o vocabulário dos colegas com termos nordestinos. “Tem o ‘pirangueiro’, aquele que é muquirana, não larga o osso. E também o que ‘estila com a brincadeira’, o cabra que brinca com todos, mas não gosta que brinquem com ele”, descreve.
“O gaúcho gosta de explicar tudo muito bem, é detalhista. Esta união de culturas na delegacia me ajudou a entender o comportamento, o jeito de ser do Sul, não só para o dia a dia, mas também para que eu desempenhasse bem o meu trabalho”.
Delegado Thiago é pernambucano e está há cinco anos no Estado | Foto: Mauro Schaefer
Entre as preferências pelos costumes locais, Zaidan destaca o gosto pelo bom assado. “Gosto do churrasco, claro. Aqui (no RS) descobri que existem cortes de costela que jamais imaginaria. Lá (PE), a costela é só uma”, completa.
Histórias que se cruzam
A procura de candidatos de fora do Estado cresce também na Brigada Militar. E a cada novo concurso, aumenta o intercâmbio de costumes e dialetos. O capitão Lucas Destro Nunes Fonseca, 33 anos, ingressou na BM em 2021. Natural de Presidente Prudente, interior de São Paulo, atualmente, está lotado no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), em Porto Alegre. Segundo ele, misturar os dialetos foi essencial para a adaptação no Sul.
“É fundamental para meu trabalho, ainda mais na rua, com a população. Uma expressão que gosto bastante é ‘prende o grito’. Quando cheguei, pensava: pera aí, como vou chamar alguém se prender o grito?”, brinca. “São Paulo não tem tradições tão definidas. Incorporei muitas coisas, acho bonito esse apego dos gaúchos à cultura local, aqui aprendi o hino do RS em uma semana, o de SP não sei até hoje”, revela.
“E sobre os costumes, pela proximidade com o Paraná, eu tomava tererê em São Paulo, então foi fácil gostar do chimarrão. Não preciso nem dizer nada sobre o churrasco. Aliás, no começo achava um absurdo (expressão comum entre os paulistas) que todo lugar aqui tem churrasqueira, em SP só apartamento de alto padrão tem”, comparou.
Mesmo afeito às coisas daqui, o capitão garante que trouxe, além das gírias, o gosto pelas cores do São Paulo Futebol Clube. A paixão é tanta que a esposa, Izabella, 33 anos, está ainda no quarto mês de gestação da primeira filha do casal, mas antes mesmo de escolher o nome – Antônia – o time de futebol já estava definido. “Vai ser uma gauchinha, mas são-paulina, pô!.”
Quando o alagoano Cleisson Cristiano Moura, 27 anos, chegou ao RS, em 2022, junto de muitos temperos do Nordeste na bagagem, trouxe a vocação. Hoje é soldado da Brigada e feliz por ter atingido o objetivo. “Escolhi a Brigada por ser uma das melhores polícias militares do Brasil e fui muito bem acolhido. E sobre o Rio Grande, sempre preferi o inverno ao calor”, assegura o alagoano que atualmente é um dos responsáveis pela comunicação social do 1º Batalhão de Polícia Militar, em Porto Alegre.
“Eu vim preparado para os impactos. O sotaque do Nordeste é forte e tudo aqui é diferente”, comenta. “As culturas vão se cruzando. Eu tô que já troco o ‘ôxe’ pelo ‘bah’! E de vez em quando sai até um ‘tchê’! Quando visito minha família, pegam no meu pé que tô virando gaúcho”, diverte-se.
O soldado Cleisson jura estar por dentro de todas as gírias e expressões gaúchas, mas admite que ainda não acostumou com a comida. “À noite aqui é só lanche, tem xis por tudo. No começo, sentia muita falta de um prato feito (PF)”.
Até hoje ele traz temperos e farinha de milho quando visita os parentes em Arapiraca. “Lá tem o tempero baiano – mistura de cominho, coentro e pimenta-do-reino, tem o flocão de milho – e o cuscuz. O daqui é bom, mas o de lá é melhor. E lá também é mais barato, quase tudo, então trago mais comida do que qualquer outra coisa na mala”, compara.
Além de não ter dúvidas sobre qual farinha faz o melhor cuscuz, Moura também não abre mão de torcer para o Asa de Arapiraca. Contudo, diz ter simpatizado com o Internacional pelo fato de trabalhar com frequência no policiamento de jogos no Beira-Rio.
Estrutura motiva candidatos
O delegado Thiago Roberto Zaidan era oficial de justiça em Recife. Deixou a função para ingressar na Polícia Civil Gaúcha. Ele cita remuneração e questões institucionais para justificar a escolha. “É uma polícia forte, bem estruturada. A qualidade das investigações é reconhecida e o valor do salário é bom na comparação com outros estados”, considera.
Já a delegada Ana Flávia Leite destaca a possibilidade de crescimento na carreira, as atualizações das técnicas de investigação e a integração entre os colegas como razões. “Eu sempre quis ser policial e aqui encontrei as condições que desejava”, resume.
A vontade de fazer parte da Brigada Militar envolve motivações semelhantes. Conforme o Soldado Cleisson, passam pela estabilidade financeira e pelo respeito obtido pela corporação. “Tranquei a faculdade de Engenharia Civil sem pensar. Já estava no 9º período”, detalha.
“Seguramente é uma das três melhores do Brasil. O Rio Grande do Sul foi pioneiro em colocar viaturas semiblindadas. E ainda tem o plano de carreira, o salário e a ‘infra’ do Estado favorece também”, explica o capitão Destro.
Amor pelo Rio Grande
O delegado Fabrício Lima Ferreira, 39 anos, nasceu em Itabuna, no sul da Bahia. Por conta do trabalho do pai, que era bancário, ainda criança deixou a cidade natal, distante 426 quilômetros da capital, Salvador, e conheceu o Brasil. Viveu em Alagoas, no Paraná e em São Paulo antes de realizar o sonho de ingressar na Polícia Civil do Espírito Santo, onde foi escrivão durante oito anos. Na passagem pelo Sudeste, conheceu a capixaba Laysa Ferreira, advogada, que atualmente tem 35 anos.
Casado e já policial, queria ser delegado, assim, em 2022, partiu para o RS. Partiu com a esposa e as malas e aqui encontrou a cuia, literalmente, a Polícia Civil e um Estado para chamar de lar. “A primeira delegacia que assumi foi a de Dom Pedrito (no extremo-sul). Cheguei em agosto de 22 e a temperatura era 0ºC”, conta.
Além do frio jamais experimentado, a cidade proporcionou aprendizados. “Por ser na fronteira com o Uruguai, alguns crimes tinham natureza peculiar, como o abigeato (furto de gado ou outros animais de produção em áreas rurais).”
Recém-chegado e ainda pouco acostumado com o modo de falar característico dos gaúchos, Ferreira viveu algumas situações engraçadas. “A melhor foi quando um agente ligou dizendo que tinha prendido um ‘guri’. Eu já ia chamar o Conselho Tutelar quando ele me disse que se tratava de um rapaz com 19 anos”, revela, às gargalhadas.
Ferreira passou pela delegacia de São Gabriel antes de assumir a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Canoas, na Região Metropolitana, em setembro do ano passado. Prestes a completar três anos no RS, o delegado garante ter dominado o “gauchês”. “O vocabulário vai mudando. Deixei o ‘oxe’ (comum no Nordeste) e assumi o ‘capaz’ e o ‘bah’ também”, admite.
Costumes como chimarrão, churrasco e arroz carreteiro foram adotados pelo policial civil e pela esposa. Mas há 11 meses o casal ganhou outra importante razão para levar o Rio Grande do Sul no coração: foi quando nasceu a primeira filha deles, a Luísa. “Frequentamos CTG, é lindo de ver como valorizam a tradição aqui. O Rio Grande do Sul é nossa casa”, completa.
A impressão da família Ferreira é compartilhada por outros colegas de Polícia, como o delegado Thiago Roberto Zaidan. O policial revela que recentemente foi chamado para assumir como delegado em Pernambuco, mas não aceitou. “Tive a oportunidade, mas não quis, eu gosto da Polícia Civil, do Rio Grande do Sul e quero seguir vivendo aqui. Voltar, só quando me aposentar, aí vou comprar uma casa na praia para passar férias”, planeja.
Motivos de destaques
Atualmente, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul conta com 326 agentes e 68 delegados nascidos em outros estados brasileiros, entre os seus mais de 5 mil servidores. Para o chefe da Polícia Civil, Heraldo Chaves Guerreiro, a estrutura de trabalho oferecida pela corporação resulta em bons resultados no combate à criminalidade e a coloca entre as melhores do país.
“A presença de representantes dos outros Estados contribui de fato para uma nova identidade da Polícia gaúcha. As pessoas vêm, são bem recebidas, se adaptam e nos permitem a troca de experiências, e partilham suas culturas”, pontua o chefe da PC.
Gaúcho e com mais de quatro décadas de carreira, Guerreiro cita o orgulho dele e dos colegas em fazer parte da Polícia Civil Gaúcha.
“Comecei em 1982 como investigador e delegado em diferentes delegacias do RS. Nestes anos, presenciei uma evolução da estrutura que resulta em qualificação do trabalho, comprometimento dos nossos policiais e a imediata segurança da nossa população, como os indicadores refletem.”
O que se fala pelo Brasil
PALAVRAS E EXPRESSÕES NORDESTINAS:
Oxente: interjeição comum em todo o Nordeste, usada para expressar surpresa, espanto, indignação ou dúvida.
Arretado: adjetivo que significa algo muito bom, legal, excelente. Pode ser usado para descrever pessoas, coisas ou situações.
Mangar: ato de zombar, ridicularizar ou fazer graça de alguém ou de algo.
Cabra: termo informal para homem, frequentemente usado como sinônimo de “cara” ou “rapaz”.
Peba/Paia: expressões usadas para descrever algo ruim, de má qualidade ou mal feito.
Aperreado: adjetivo que descreve alguém que está irritado, estressado, ansioso ou preocupado.
Brocado: termo utilizado no Maranhão para descrever alguém com muita fome.
Égua: expressão utilizada no Maranhão para demonstrar surpresa ou espanto.
Triscar: termo utilizado no Maranhão para cutucar alguém ou algo.
Vai pra caixa, prego: expressão utilizada no Maranhão para mandar alguém ir embora ou para um lugar distante.
PALAVRAS E EXPRESSÕES DO ‘MINEIRÊS’:
Uai: uma interjeição que pode expressar surpresa, admiração, dúvida ou indignação, dependendo do contexto e da entonação.
Sô: uma forma abreviada de “senhor”, mas usada de maneira informal e carinhosa para se dirigir a alguém.
Trem: uma palavra versátil que pode substituir qualquer substantivo, objeto ou ideia, dependendo do contexto.
Bão: uma forma abreviada de “bom”, usada para expressar algo de boa qualidade.
Fragar: significa entender, sacar, perceber algo.
Paia: algo ruim, sem graça, sem valor.
Breguete: outra palavra que pode substituir qualquer substantivo, assim como “trem”.
Cata-jeca: um ônibus antigo que faz várias paradas em pequenas localidades do interior de Minas.
Nigucim: uma forma abreviada de “negocinho”, usada para se referir a algo pequeno.
Tiquim: uma forma abreviada de “pouquinho”.
PALAVRAS E EXPRESSÕES DO ‘PAULISTÊS’:
Meu: gíria muito usada para chamar alguém, ou no começo e no final de qualquer frase. É o clássico do paulistano!
Mano: funciona da mesma forma que o “meu”. Às vezes, se torna quase uma vírgula de tanto que se usa.
Mina: o feminino de “mano” é, também, uma gíria paulistana muito usada para se referir as namoradas.
Tá me tirando?: sinônimo para a expressão “tá de sacanagem?”. Usada para tirar satisfação de atitudes de que não se gosta.
Breja: cerveja.
Pistola/Pistolou: alguém que perde a paciência, ato de perder a paciência com algo ou alguém.
Manjar: expressão paulistana para entender ou saber.
Miado: algo que está ruim.
Rolê: é o mesmo que uma festa, passeio, saída. Mas é daquelas gírias de São Paulo com mais de um significado, pois pode ser usada para algo que dá muito trabalho.
PALAVRAS E EXPRESSÕES DO ‘CARIOQUÊS’:
Mermão: contração da expressão “meu irmão”, “mermão” é uma das gírias cariocas mais usadas para se referir a alguém com quem se está conversando. É usada como sinônimo de cara, parceiro, etc.
Caô: se refere a uma mentira contada em tom de brincadeira, para enganar ou conquistar alguém.
Bolado: em vez de ficarem irritados, com raiva ou chateados com alguma coisa, os cariocas ficam “bolados”.
Tirar onda: um dos sentidos é alguém que faz algo para se mostrar, chamar a atenção, com de superioridade. Outro sentido é o de tirar sarro.
Sinistro: pode ter um sentido tanto positivo quanto negativo.
Brotar: aparecer, ir ou chegar a algum lugar.
Amassar: comer muito.
Papo reto: sincero ou direto. É usado para reforçar a seriedade do que está sendo dito.
Parada: muito versátil no vocabulário carioca, usada para se referir a qualquer “coisa”, “situação” ou “evento”; pode substituir várias palavras, dependendo do contexto, funcionando como um termo genérico.
PALAVRAS E EXPRESSÕES DA REGIÃO SUL:
Guri: menino
Guria: menina
Mosquear/moscão: distrair, distraído
Guaipeca: cão pequeno, sem raça definida, vira-lata.
História emocionante de uma família que há mais de 100 anos veste com orgulho a farda da BM
A Brigada Militar é feita de pessoas. De homens e mulheres que dedicam suas vidas à proteção da sociedade. Dentro de cada coração PM são construídas histórias de amor à Brigada. Muitas unem forças de pai para filho. E, entre esses laços de compromisso e vocação, uma se destaca de forma especial neste Dia dos Pais: a trajetória de uma família de Santa Maria, que já conta com cinco gerações de brigadianos.
Uma família que veste com orgulho a farda da BM
Tudo começou com o 1º sargento João Evangelista de Mello, nascido em 1903, que ingressou no 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar como recruta em 1922. A farda, ainda que de tecido grosso e botas de montaria, já carregava o símbolo de uma linhagem que jamais se romperia. Seu filho, o 2º tenente Waldir Evangelista de Mello, também serviu no mesmo regimento, solidificando um caminho que se tornaria parte da identidade familiar.
Emoção de menino
Décadas depois, hoje capitão PM Glênio Grazioli da Silva lembra, com emoção, de quando ainda menino observava os tios e, posteriormente, o sogro fardados, desfilando pelas ruas de Santa Maria. “Desde guri, eu via eles fardados e dizia: um dia eu vou botar essa farda também.” Inspirado por esses exemplos, ingressou na Brigada em 1972, após uma breve passagem pelo Exército, ainda no mesmo ano. No dia 18 de novembro, mesma data em que a BM completava 135 anos, casou-se com Maria Angélica Mello, sua atual esposa, filha do tenente Waldir.
Capitão PM Glênio Grazioli da Silva
Mais do que seguir os passos dos antepassados, Glênio construiu também o próprio legado. Serviu como soldado, cabo, sargento, chegou ao posto de capitão e foi instrutor de cursos de formação. “É o maior orgulho que a gente sente, constituir uma família e vê-los na mesma corporação. Isso emociona. Ver os filhos, e agora a neta também, seguindo o mesmo caminho”, relata, com a voz embargada. Um dos filhos do capitão PM Glênio Grazioli é o atual comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon) de Santa Maria, tenente-coronel Marcus Giovani Mello da Silva.
BM representa para essa família uma herança de honra
Pai e filha
O outro filho de Glênio, o soldado PM Luiz Glênio Mello da Silva, hoje lotado no CRPO Central, também seguiu a vocação com naturalidade. “Desde pequeno, eu morei dentro de quartel. Via meu pai com a farda, os valores que ele representava, e aquilo foi me inspirando.” Das lembranças de infância dentro do batalhão à convivência cotidiana com a caserna, tudo fez parte da construção de sua identidade.
Hoje, pai e filha compartilham o mesmo uniforme e o mesmo amor pela BM. “A minha filha Victória é a primeira mulher brigadiana da família e a quinta geração de brigadianos, tendo tataravô, bisavô, vô e pai da Brigada Militar.”
Primeira mulher
Essa filha é a soldado PM Victória Mello da Silva, a primeira mulher da família a entrar para a Brigada Militar. Ex-aluna do Colégio Tiradentes de Santa Maria, ela hoje atua como policial no mesmo Colégio Tiradentes, em Porto Alegre. “Desde criança, eu brincava com os materiais do meu pai, desfilava com meu avô nas comemorações de Sete de Setembro. Não me imaginava fazendo outra coisa que não fosse seguir a carreira militar”, conta.
Para Victória, a Brigada sempre esteve presente — nos gestos, nas histórias de família, nas conversas à mesa. “O que eu recebi do meu avô e do meu pai foi muito mais que inspiração. Foram valores. Hoje, trabalhar ao lado do meu pai é uma honra. Uma alegria que nem sei mensurar.”
Emocionada, ela lembra também do esforço do avô, que criou sete filhos com dignidade e força, sustentados pelo trabalho na Brigada Militar. “Ele sempre deu conta de tudo. E hoje, quando olho para trás e vejo tudo o que ele e meu pai fizeram pela nossa família, só posso dizer: sou grata. Muito grata.”
Patrimônio de valores
Mais do que uma profissão, a farda da Brigada Militar representa para essa família uma herança de honra, disciplina, coragem e união. São cinco gerações — de tataravô à neta — que mantêm vivo o ideal de servir e proteger.
Em nome da família do capitão RR Glênio, do soldado PM Glênio e da soldado PM Victória, a Brigada Militar saúda a todos os pais brigadianos neste dia especial. Pais que, como eles, deixam legados que não se apagam com o tempo, porque estão cravados na história, nas memórias e nos corações.
Feliz Dia dos Pais!
A todos os que se orgulham de vestir a farda e de ensinar, com ela, o valor de ser exemplo dentro e fora de casa.
SAIBA MAIS As 5 gerações da família de brigadianos: 1ª geração – Tataravô João Evangelista de Mello o Ingressou na Brigada Militar em 1922. o Era 1º sargento no 1º Regimento de Cavalaria. o É o patriarca da linhagem. 2ª geração – Bisavô Waldir Evangelista de Mello o Filho de João. o Foi 2º tenente, também servindo na Brigada Militar. o Pai de Maria Angélica Mello. 3ª geração – Genro do bisavô (casado com a neta de João) Glênio Grazioli da Silva o Capitão RR (reserva remunerada) da BM. o Casou-se com Maria Angélica Mello (filha de Waldir). o Entrou para a BM em 1972. o Embora seja genro de Waldir, é considerado parte da linhagem brigadiana, pois deu continuidade com o filho e neta. 4ª geração – Filho Luiz Glênio Mello da Silva o Filho de Glênio e Maria Angélica. o Soldado PM no CRPO Central. o Cresceu em ambiente militar, influenciado pelo pai e avô. 5ª geração – Neta (filha do 4º) Victória Mello da Silva o Primeira mulher brigadiana da família. o Soldado PM, atua no Colégio Tiradentes de Porto Alegre. o Filha de Luiz Glênio, neta de Glênio, bisneta de Waldir e tataraneta de João.
Texto: jornalista Marcelo Miranda – SC PM5/Brigada Militar
Editada pela Portaria nº 643.A do Estado-Maior da Brigada Militar, inspirada na Lei nº 15.156/18, com o objetivo de lembrar a sociedade gaúcha sobre a importância, coragem, destemor e compromisso que os policiais militares e civis demonstram em sua defesa, mesmo com o risco da própria vida, realizou-se, na data de hoje (08/08/2025), um grande evento no Panteão da Brigada Militar, junto à Academia da Polícia Militar.
O dia, celebrado em homenagem a estes valorosos policiais por iniciativa da Brigada Militar, foi marcado em 08 de agosto em deferência a um dos maiores mártires da violência: o Cabo Valdeci de Abreu Lopes, que, nesta data, no ano de 1990, tombou em serviço na Esquina Democrática, no Centro de Porto Alegre, vitimado por um golpe de foice desferido por um manifestante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
Este legado faz com que, nesta data, todos os policiais tombados em serviço sejam lembrados pela Brigada Militar.
Na manhã desta sexta-feira, 08 de agosto, o Tribunal de Justiça Militar do RS realizou a entrega, ao Comando da Brigada Militar, de volumes referentes ao julgamento da morte do Cabo Valdeci, como representação de um marco histórico em memória de um mártir.
Irmão do cabo Valdecir
Neste ato, foram honrados também os nomes de policiais militares que tombaram em serviço:
2º Sargento Fabiano Oliveira
Soldado Rodrigo Weber Volz
Soldado Everton Raniere Kirsch Junior
Soldado Maximiliano da Silva Argiles
Soldado Anderson de Souza Lourenço
2º Sargento Luiz Fernando de Paula Luzzi
Soldado Lucas Alexandrino Nazario da Silva
Soldado Alberto Luiz Ghisleni Kroth
Cabo Valdeci de Abreu Lopes
O Desembargador do TJM-RS e Ex-Comandante-Geral da Brigada Militar, Cel. Paulo Roberto Mendes, deu abertura à solenidade, acompanhado do Desembargador Amilcar Macedo. Ele agradeceu a todos que se envolveram na elaboração da obra que descreve todo o inquérito da morte do PM Valdeci, ressaltando que se trata de um registro histórico para a Brigada Militar, e convidou os desembargadores responsáveis à época para realizarem a entrega formal ao Comando da Brigada Militar.
O Capelão Honorífico da Brigada Militar, Padre Alexandre Chaves, iniciou sua manifestação dizendo que a data desperta sentimentos e memórias:
“O momento não é para celebrar a morte, mas para celebrar a vida, o dom do amor e o compromisso dos policiais. Os mártires, detentores do mais puro amor, são justamente aqueles que entregam a vida em nossa defesa.
Por vezes, muitos me perguntam, neste momento de perda, onde estava Deus. Eu sinceramente fico sem resposta.
O que posso afirmar é onde Deus não estava: Ele não estava no coração de assassinos que, a qualquer pretexto, mataram irmãos e ceifaram a vida de pessoas que trazem paz, ordem e segurança a todos nós.”
O Comandante-Geral da BM, ao se pronunciar, afirmou que, ao longo dos 365 dias do ano, em todos os municípios do RS, está presente um Policial Militar:
“Estes PMs são vocacionados a proteger e salvaguardar a sociedade diuturnamente.
A grande maioria conclui com êxito sua missão diária, retornando a seus lares para o convívio familiar, podendo abraçar esposas e filhos. Mas nem todos retornam.
Essas perdas se tornam lacunas eternas, impossíveis de serem preenchidas. Resta-nos, anualmente, lembrar insistentemente o valor do policial que entrega a própria vida em defesa de outros, que, na maioria das vezes, sequer conhece.”
Após as manifestações, a Brigada Militar entregou uma honraria a cada familiar dos PMs mortos em serviço e, em seguida, foi realizado o toque de silêncio em respeito aos policiais.
Além de familiares e amigos dos policiais tombados em serviço, diversas autoridades estiveram presentes à solenidade, dentre elas:
Coronel Claudio dos Santos Feoli – Comandante-Geral da BM
Cel. Paulo Roberto Mendes – Desembargador do TJM
Dr. Amilcar Macedo – Desembargador do TJM-RS
Cel. Rodrigo Mhor – Desembargador do TJM-RS
Cel. PM Luigi Gustavo Soares Pereira – Chefe do EMBM
Cel. PM Cilon Freitas da Silva – Chefe de Gabinete do Cmt-G
Cel. PM Jorge Dirceu Abreu Silva Filho – Diretor de Ensino da BM
Cel. PM Fabio da Silva Schmitt – Comandante do CPC
Cel. PM Alvaro Martinelli – Comandante do CPCHQ
Cel. PM Rafael Assis Brasil Ramos Aro – Corregedor-Geral da BM
Desembargador José Carlos Teixeira Giorgis – Diretor do Memorial do Judiciário do RS
TC RR Moacir Simões – Representando a Associação Amigos do Museu da BM
Cel. RR Ataíde Moraes Rodrigues – Comandante da LABM
Sr. Paulo Ricardo da Silva – Presidente da AOFERGS
Era para ser uma ocorrência de rotina no dia 12 de março de 2017, quando a guarnição composta pelo soldado Timóteo Jeremias Cappa Bravo e pelo soldado Eduardo Garcia da Silva foi despachada pela Sala de Operações da Brigada Militar de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, para intervir realizando patrulhamento no bairro Vila da Paz, onde havia denúncias de toque de recolher imposto por criminosos ligados a uma facção criminosa.
Tratava-se de ordens da facção “Os Bala na Cara”, que, entre suas determinações, proibia a entrada da polícia na localidade.
Durante o patrulhamento, a guarnição dos soldados Bravo e Eduardo, do 26º BPM, foi recebida a tiros por integrantes da facção, sendo obrigada a revidar. Na troca de tiros, um dos indivíduos foi morto e outro ficou ferido — este último já possuía condenações por tráfico e roubo, totalizando mais de 38 anos de pena.
A partir da ocorrência, os dois militares passaram a ser indiciados e a responder a ação penal, sendo um acusado de homicídio qualificado e o outro de homicídio simples.
O período entre a ocorrência e o julgamento ultrapassou nove anos. Segundo os militares, foi um tempo de muitas incertezas, inseguranças e perdas. Ambos constituíram advogados na tentativa de comprovar o exercício regular das funções e reverter a grave acusação que recaía sobre os agentes de segurança.
Absolvição pelo Tribunal do Júri
No dia 16 de julho de 2025, sob a presidência do juiz de Direito Dr. Marco Luciano Wachter, tendo como promotor o Dr. Caio Isola Aro e atuando nas defesas os advogados Dr. Márcio de Matos Barcelos, Dr. Nei Juarez Afonso Colombo, Dr. Giliar Hermann Pires e Dra. Ana Carolina Filippon Stein, ocorreu a sessão do Tribunal do Júri da Comarca de Cachoeirinha, sendo proclamada a absolvição dos soldados Timóteo Cappa Bravo e Eduardo Garcia da Silva, com o reconhecimento da legítima defesa — pedido também feito pelo Ministério Público.
Atualmente residindo em Alegrete, pai de dois filhos e atuando na 3ª Cia do 1º Batalhão de Policiamento de Área de Fronteira (1º BPAF), o soldado Cappa Bravo relatou os momentos difíceis vividos até a absolvição, mesmo tendo a certeza de que agiram em defesa da sociedade:
— A todo instante presenciamos ocorrências semelhantes a essa, em que muitos colegas são condenados, perdem a função pública e, mesmo sem antecedentes, acabam presos, deixando esposa e filhos desamparados. — Na época, fomos “massacrados” pela opinião pública, com muitas publicações que não refletiam a verdade. É muito complicada nossa função — relatou Bravo. — Felizmente, no nosso caso, a justiça foi feita.
O soldado Cappa Bravo concluiu o Curso Técnico em Segurança Pública (CTSP) entre 16/12/2024 e 04/07/2025, e aguarda os atos de promoção para iniciar uma nova fase em sua carreira na Brigada Militar.
O soldado Eduardo, pai de um filho, reside em Cachoeirinha e conta com 20 anos de serviço prestado à Brigada Militar.
Ambos passaram metade da carreira aguardando o julgamento de um crime que se comprovou não terem cometido.
A incerteza quanto ao desfecho de uma ocorrência traz enorme tensão aos agentes da segurança pública, pois, além das decisões que precisam ser tomadas em frações de segundo, muitas vezes enfrentam o sensacionalismo de setores da imprensa, da classe política e da própria opinião pública.
Mesmo com a absolvição, em muitos casos as perdas são irreparáveis — e se estendem para além da vida do policial, atingindo diretamente suas famílias. Em alguns processos, os policiais ficam impedidos de progredir na carreira durante o período, sendo vetados em seleções internas ou concursos.
Levantamento foi realizado pelo comando da instituição, ouviu mais de 18 mil brigadianos e teve os resultados divulgados recentemente. Contingente está mais jovem e escolarizado
Carlos Rollsing GZH
O 2º Censo da Brigada Militar (BM), realizado pelo comando da instituição para ampliar o conhecimento sobre a tropa, revelou dois eixos de sensação dos policiais gaúchos, um de insatisfação e outro de satisfação. As entrevistas foram feitas em outubro de 2023 com 18,2 mil integrantes da corporação, mas os resultados foram divulgados recentemente pelo comando.
Os brigadianos estão, em maioria, descontentes com o salário: essa foi a posição de 73,35%. Já o descrédito quanto ao plano de carreira alcançou 85,23%. No mesmo flanco, 61,82% afirmaram não se sentirem valorizados na BM e 38,2% manifestaram pretensão de deixar a corporação para empreender ou buscar outro concurso público.
O lado da satisfação é dominado pela percepção quanto aos instrumentos de trabalho e carga horária. A maioria se declarou contente com o fardamento (67,37%), colete à prova de balas (80,2%), outros equipamentos de proteção individual (67,16%), armamento (87,27%), viaturas (63,4%) e jornada de trabalho (60,07%).
O 2º Censo ainda revelou que a tropa é jovem. Quase metade do efetivo tem entre 28 e 37 anos. Ao mesmo tempo, melhorou a escolaridade, com 46,94% dos membros da BM tendo Ensino Superior completo. A juventude e o melhor nível educacional são apontados como qualificadoras da prestação de serviço.
Outra descoberta foi que 59,94% dos brigadianos fizeram ou fazem tratamento psiquiátrico e psicológico. Entre os 24,88% que afirmaram tomar remédio diariamente, a maior parte disse que é medicação contínua para fins psicológicos e psiquiátricos. Essa detecção do Censo divide opiniões entre membros da corporação ouvidos pela reportagem: parte entende que é sinal positivo porque o policial está cuidando mais da saúde mental, enquanto outra parcela avalia que é reflexo da insatisfação e do estresse do brigadiano de baixa patente, endividado e instado a lidar com o risco à vida.
O 2º Censo foi realizado pelo Departamento Administrativo da BM. A primeira edição teve coleta de dados entre setembro e outubro de 2020.
Questão salarial e promoções são dominantes para carreiras de nível médio
O levantamento revelou que, em outubro de 2023, 41,42% dos servidores da BM tinham remuneração entre R$ 4,9 mil e R$ 7,1 mil. Isso corresponde aos soldados, que, junto com duas classes de sargentos e 1º tenente, formam o quadro de nível médio. Eles também são conhecidos como praças. As reclamações são relacionadas à distância ante os oficiais, cujo primeiro posto, o de capitão, tem atualmente subsídio de R$ 21,5 mil.
— De 2019 para cá, os brigadianos tiveram mais de 60% de perdas inflacionárias. E temos um sistema que propicia morosidade na promoção dos praças. Há casos de pessoas que entram na BM como soldados e vão à reserva (aposentadoria) como soldados — diz Maico Volz, presidente da Abamf, entidade que agrega agentes de nível médio.
Um dado do Censo reforça o problema financeiro dos brigadianos: 77,94% declararam ter empréstimo consignado. Volz afirma que a maioria dos que buscam auxílio jurídico da Abamf está superendividada e deseja mediação judicial com os credores.
— A remuneração é baixa entre servidores de nível médio. Eles ainda se obrigam a ir para o bico. Estamos com elevado índice de pessoal em tratamento psicológico. O policial estressado está sujeito a cometer falhas — afirma Ricardo Agra, diretor de relações institucionais da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da BM (Asstbm).
Para Volz, os níveis de insatisfação com o salário e a carreira foram determinantes para mais de 6,6 mil policiais terem manifestado a pretensão de deixar a BM.
— O curso para a formação de um soldado dura, em média, 11 meses. É caro para a sociedade fazer o investimento e ele permanecer por pouco tempo. Precisamos de valorização — avalia Volz.
Quase metade dos servidores tem Ensino Superior completo.André Ávila / Agencia RBS
Para a Brigada, melhorias recentes devem reduzir insatisfação
O coronel Cléber Rodrigues dos Santos, diretor do Departamento Administrativo da BM, pondera que o resultado do 2º Censo mostra uma radiografia de outubro de 2023, quando a pesquisa foi realizada. Desde 2019 até a aplicação do questionário, os brigadianos haviam recebido apenas uma reposição inflacionária de 6% em 2022, estendida a todo o funcionalismo.
Ele destaca o cenário da época, quando algumas reformas retiraram benefícios. O coronel opina que o período de austeridade permitiu melhorias recentes. Santos cita o aumento do vale-refeição e o reajuste salarial de 12,49% para a segurança pública, com três parcelas incorporadas ao contracheque em janeiro e outubro de 2025 e outubro de 2026. A mesma legislação reduziu as classes de soldados de três para duas, o que garante valorização no piso.
— O salário inicial do soldado vai passar de R$ 4.970 (valor de dezembro de 2024) para R$ 6.429, em outubro de 2026. Um aumento de quase 30%. Acreditamos que, para o próximo Censo, vamos diminuir a insatisfação — diz Santos.
O diretor do Departamento Administrativo da BM também destaca a decisão da polícia de converter 5,2 mil cargos de 3º sargento, em extinção e que estavam vagos, em postos de 2º sargento, 1º sargento e 1º tenente. São funções para as quais os soldados podem ascender, em uma tentativa de atender os anseios por progressão na carreira entre as mais baixas patentes.
O coronel refuta a hipótese de que a elevada insatisfação prejudique a prestação do serviço à comunidade. Para demonstrar isso, menciona que os índices de criminalidade foram reduzidos ao menor patamar da série histórica em 2024. Santos também rebate a crítica de que o cenário revelado possa impulsionar erros ou excesso de força policial.
— Insatisfações e busca por melhor remuneração são naturais do ser humano. A BM atende milhares de ocorrências diariamente. Algum erro que eventualmente ocorra é exceção. A Corregedoria é firme para apurar a verdade e responsabilizar o policial que pode ter atuado equivocadamente — afirma.
Satisfação com equipamentos
Os contentamentos dos brigadianos apurados pelo Censo se referem à jornada de trabalho e aos itens para a atuação cotidiana de segurança pública. Os principais destaques são para o armamento e o colete, ambos com mais de 80% de satisfação.
— Quanto a isso, não há o que reclamar. Sinto melhora depois da aprovação do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg ) — diz Agra, da Asstbm.
A política citada permite que empresas destinem uma parcela de até 5% do ICMS devido para o investimento em segurança pública.
— A satisfação é reflexo do suporte que o comando tem dado para a melhoria das condições de trabalho. Hoje, toda a viatura adquirida para a atividade operacional possui a semiblindagem. O objetivo é proteger quem protege a sociedade — diz o coronel Santos.
O diretor do Departamento Administrativo da BM afirma desconhecer a realização de um Censo por outras polícias militares do Brasil. O oficial definiu o levantamento como “imprescindível para as políticas de recursos humanos”.
O 2º censo da BM entrevistou 18.226 membros da corporação em outubro de 2023. Confira alguns dados:
Gênero
81,69% dos servidores são homens
18,31% são mulheres (aumento de 2,3 pontos em relação ao Censo 2020)
Faixa etária
24,65% têm entre 28 anos e 32 anos
21,31% dos integrantes têm entre 33 anos e 37 anos
21,23% dos membros têm entre 38 anos e 42 anos
24,43% têm mais de 43 anos
8,36% dos servidores têm até 27 anos
Renda bruta mensal
41,42% dos servidores têm renda entre R$ 4.970,61 e R$ 7.102,66
21,03% têm renda entre R$ 7.102,66 e R$ 9.766,16
15,28% têm renda entre R$ 9.766,16 e R$ 13.317,51
11,69% têm renda inferior a R$ 4.970,61
6,43% têm renda entre R$ 13.317,51 e R$ 20.686,00
4,15% têm renda superior a R$ 20.686,00
Escolaridade
46,94% dos servidores têm ensino superior completo (índice era de 25,33% no Censo 2020)
30,50% têm ensino médio completo
19,67% têm ensino superior incompleto
1,82% têm nível técnico
1,08% outros
Usa medicamento diariamente
24,88% sim
75,12% não
O maior contingente, de 1.631 entrevistados, afirmou usar medicação contínua para tratamento psiquiátrico e psicológico. Depois, 1.276 informaram tomar remédio para pressão alta.
Fez ou faz tratamento psiquiátrico e psicológico?
40,06% não
26,71% sim, particular
24,95% sim, na BM
8,28% sim, particular e BM
No total, 59,94% dos integrantes da corporação já fizeram ou fazem tratamento psiquiátrico ou psicológico.
Já se envolveram em conflito armado?
50,89% sim
49,11% não
Já sofreram algum ferimento no atendimento de ocorrência?
57,64% não
42,36% sim
Você se sente valorizado na Brigada Militar?
61,82% não. Essa foi a resposta de 10.687 entrevistados
38,18% sim
Pretende deixar a BM para empreender negócio próprio ou outro concurso público?
38,2% sim. Essa foi a resposta de 6.604 entrevistados
61,8% não
Em relação ao plano de carreira
46,69% muito insatisfeito
38,54% insatisfeito
9,55% satisfeito
3,79% indiferente
1,43% muito satisfeito
Os indicadores de insatisfação com o plano de carreira, somados, alcançam 85,23%.
Em relação ao salário
52,01% insatisfeito
21,34% muito insatisfeito
19,83% satisfeito (no Censo 2020, a satisfação tinha sido de 54,20%)
5,56% indiferente
1,23% muito satisfeito
0,02% não respondeu
Os indicadores de insatisfação, somados, alcançam 73,35% com a remuneração.
A Rede ABC da Segurança, com sua equipe da Rádio Studio 190, está realizando uma série de reportagens para mostrar iniciativas locais que vêm apresentando resultados positivos na área da segurança pública. O primeiro município visitado foi Passo Fundo, que tem se destacado como exemplo de integração, investimento e uso de tecnologias no combate à criminalidade, obtendo excelentes resultados.
CONFIRA A REPORTAGEM EM VÍDEO NO FINAL DA MATÉRIA
Localizada na região norte do Estado, Passo Fundo sempre foi conhecida como uma área sensível à atuação da criminalidade, especialmente por ser uma rota de fuga acessível para várias regiões do Estado e para Santa Catarina.
Nos últimos anos, a cidade — com mais de 215 mil habitantes — tem intensificado as ações de combate ao crime graças à gestão integrada da Prefeitura Municipal com as forças de segurança, como a Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, entre outros órgãos. As ações ocorrem em diversos espaços públicos.
Além das abordagens e fiscalizações, a Prefeitura realizou investimentos significativos em tecnologia, com destaque para o videomonitoramento e o cercamento eletrônico.
São mais de 1.300 equipamentos em operação, somando os utilizados pela Prefeitura Municipal e pela Brigada Militar.
O vice-prefeito da cidade, Coronel Volnei Ceolim — que atuou por mais de 30 anos na Brigada Militar — afirmou em entrevista à Rede ABC da Segurança Pública – Correio Brigadiano que diversas ações de gestões anteriores possibilitaram à administração do Prefeito Pedro Almeida intensificar ainda mais o combate à criminalidade.
— Todos sabemos que uma das piores situações para o criminoso é a sua identificação. Na medida em que ele corre risco de ser identificado e, consequentemente, preso, passa a atuar em outro local.
— Passo Fundo hoje apresenta um ambiente de difícil atuação criminosa, pois são mais de mil câmeras instaladas. Isso se deve ao fato de que a atual administração elegeu a segurança pública como uma de suas principais prioridades — afirmou o vice-prefeito.
Somente no Parque Linear da Avenida Brasil foram instaladas 38 câmeras, cujas imagens são transmitidas simultaneamente ao Centro de Operações do Município.
O Secretário de Segurança Pública, Tadeu Trindade — que também atuou por mais de 30 anos como sargento da Brigada Militar — acrescentou que a administração municipal entende a segurança como resultado de diversos fatores: presença física do agente, operações contínuas, educação, repressão, e, sobretudo, uso de tecnologias.
— Passo Fundo, há alguns anos, vem tratando a segurança pública de forma muito particular, e os resultados positivos estão se confirmando. Dificilmente crimes e ilicitudes são cometidos sem que os autores sejam identificados.
— Nas escolas municipais, por exemplo, temos no mínimo duas câmeras de monitoramento da DGT-Tecnologia, conectadas à nossa central de operações, todas com botão de pânico para pronto atendimento quando acionado por alguém em risco — sejam alunos, professores ou outros membros da comunidade escolar — acrescentou Trindade.
— Nos acessos à zona rural, no interior do município, as câmeras reforçam o cerco juntamente com as entradas principais, dificultando a fuga de criminosos. Parte dessas câmeras conta com sistema OCR, que permite a identificação de veículos envolvidos em ocorrências ou que circulam de forma irregular — explicou.
Além dos investimentos do município, a Brigada Militar, por meio do 3º RPMon, conta com uma central de monitoramento própria, que gerencia suas câmeras e recebe o espelhamento das demais imagens do município, promovendo total integração no compartilhamento de imagens e informações entre os agentes.
O Comandante do 3º RPMon, Tenente-Coronel Marcelo Scapin Rovani, relembra que as primeiras câmeras de monitoramento foram instaladas em 2004.
Segundo ele, a tecnologia tem sido uma grande aliada da segurança pública, facilitando especialmente o trabalho da inteligência policial. O reconhecimento facial, a identificação veicular e outros recursos não só contribuem para a prisão dos criminosos, como também servem como prova em processos judiciais.
Em uma conversa recente, minha esposa e um dos meus filhos sugeriram que eu poderia tentar ser mais direto em algumas análises, especialmente em um momento de incerteza e complexidade generalizadas. Mas como resumir uma situação tão etérea em poucas palavras?
Estamos vivenciando e inseridos em uma crise que muitos preferem ignorar, outros tentam encobrir, e muitos ainda buscam distorcer, minimizando sua gravidade e transformando-a em mera plataforma política; mas cujos sintomas desenfreados não podem mais ser ignorados.
O oceano está agitado, com ondas gigantes, do tipo que você só vê na Praia do Norte em Nazaré, Portugal; o barco está à deriva? Seguro? A tripulação pronta e os ocupantes preservados? O comandante tomando decisões? Decisões acertadas?
Para muitos, as respostas seriam: estamos à deriva, inseguros, tripulação sem rumo e tripulantes em risco grave. Sem decisões ou elas são equivocadas e ineficientes. As decisões que tomadas parecem imprudentes e inadequadas, incapazes de guiar o navio até um porto seguro ou para águas mais tranquilas. Para outros, não há líder, quem está no timão não possui todas as informações e não demonstra ser capaz de resolver a situação. Colocar confiança na tripulação é bastante tênue à luz do cenário atual.
A tripulação está confusa, perplexa, demonstrando não saber o que deveriam fazer, o que deveria ter sido pensado, estudado, mesmo antes de zarpar. Eles deveriam ter avaliado as condições que enfrentariam, as possíveis soluções e seus próprios limites, e, com certeza, que o caminho era perigoso e ameaçador.
A estrutura do navio, embora considerada robusta, apresenta falhas. Problemas antigos, com reparos inadequados, começam a se manifestar como fragilidades, agravando as vulnerabilidades que todos enfrentam e colocando-os em mais risco,. tornando-os mais sensíveis e ampliando a insegurança dos ocupantes até chegarem a um ponto mais seguro, se for possível nas condições atuais.
Em tempos de apreensão, buscamos equipamentos e dispositivos de proteção, mas a realidade é que esses itens são escassos, danificados e mal operados pela tripulação e pelos ocupantes. Não houve planejamento adequado para trazer a bordo os recursos necessários, nem a devida capacitação e treinamento para o enfrentamento da crise.
E, nesse caso, quando nada está de acordo, o comandante “culpa a todos” ou a “alguém em especial”, procurando retirar a sua responsabilidade por toda a navegação, pelos erros, pelos problemas e situações não avaliadas, pela tripulação nem sempre a mais preparada para enfrentar chuvas e trovoadas; que não revisou, e ou fez, a devida manutenção do navio; nos restando um quadro em que pessoas foram colocadas em perigo sem as proteções adequadas em tempo de alta instabilidade.
Portanto o que podemos ainda encontrar de positivo em situações tão adversas? É importante manter a fé de que posteriormente a “tempestade sempre virá a bonança”, assim como sabemos que há pessoas preocupadas em nos ajudar a sair dessa crise, que estão procurando formas de apoiarmos com outros barcos, mais fortes, com tripulação e comando adequado, que tenham melhores condições de efetuarem o devido resgate e trazerem com mais segurança todos até o porto seguro.
Enfim, como ser conciso nesse mar tão revolto!
[1] CORONEL QOEM Res Brigada Militar/RS e Especialista INTEGRAÇÃO E MERCOSUL/UFRGS
Estado tem menor taxa de roubo de celulares do Brasil
Correio do Povo
Ações da Brigada Militar atacam o crime desde a prevenção até o receptador. Como consequência, o Rio Grande do Sul tem a menor taxa de roubo de celulares do Brasil e a segunda menor de furto. Esses dados refletem os investimentos e o planejamento da segurança pública. Para o Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel PM Cláudio dos Santos Feoli, os resultados são fruto de uma atuação que vai além da presença ostensiva nas ruas. “Atacamos receptadores e os locais de revenda. Essa é uma das principais estratégias: sufocar o destino desses aparelhos roubados ou furtados. E a tecnologia é um dos pilares da atuação da Brigada”, explica.
Os dados sobre furtos e roubos de celulares são de 2024 e estão no Anuário Brasileiro da Segurança Pública de 2025. O Estado alcançou o índice de 27,9 casos por 100 mil habitantes – uma queda de 11,5% em relação a 2023. No combate ao furto de celulares, o RS aparece como o segundo Estado com menor taxa, atrás apenas da Paraíba.
“Quanto mais tecnologia a gente agrega, mais eficiente fica o combate. Em Porto Alegre, por exemplo, temos analíticos de inteligência artificial que auxiliam diretamente a atuação do policial militar. Esses dados ajudam a identificar locais e horários com maior incidência, o que orienta o planejamento e a distribuição do efetivo”, ressalta.
A integração com os municípios também é essencial. Ferramentas como o cercamento eletrônico e a troca de informações com os centros de comando municipais e regionais ampliam a capacidade de resposta da Corporação. Além disso, o uso de drones, sistemas de análise criminal e operações específicas – como fiscalizações em pontos de revenda – resultam em flagrantes e prisões de criminosos.
Outro fator importante é a recomposição gradual do efetivo, que aumenta a presença da Brigada nas áreas mais críticas. “Temos operações móveis frequentes, integradas com outras forças de segurança. Quando a ação ostensiva não consegue prevenir, conseguimos prender logo após o crime, com flagrantes que resultam na manutenção do criminoso preso”, afirma o comandante-geral.
O Coronel PM Feoli também alerta sobre a responsabilidade da população na compra de celulares. “Ao adquirir um aparelho por um preço muito baixo, sem origem comprovada, a pessoa acaba alimentando esse ciclo criminoso. É fundamental comprar de empresas e revendas confiáveis.”
Foco e monitoramento
Em relação ao furto de celulares, a queda foi de 14,2% em comparação a 2023. Com 106,2 casos por 100 mil habitantes, o RS ficou atrás apenas da Paraíba (76,6). Já no índice combinado de roubos e furtos, o Estado ocupa a vice-liderança nacional, com taxa de 134,1 – redução de 13,7% em relação ao ano anterior.
A Brigada Militar segue monitorando todo o Estado, com foco nas regiões de maior concentração urbana. “A Região Metropolitana, especialmente cidades como Porto Alegre, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas, entre outras, ainda exigem atenção constante. Gravataí, por exemplo, teve uma redução proporcional de 50% nas ocorrências neste ano”, destaca Feoli.
As dez cidades com maior redução nos roubos e furtos de celulares em 2024:
• Porto Alegre • Caxias do Sul • Gravataí • Novo Hamburgo • Canoas • Pelotas • São Leopoldo • Alvorada • Santa Maria • Cachoeirinha