Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) cabe aos militares estaduais?

Após a entrada em vigor da lei n. 13.964/19, o chamado Pacote Anticrime, o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) passou a ter expressa previsão legal no ordenamento jurídico brasileiro. 

O ANPP é uma medida alternativa prevista no Código de Processo Penal para crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, cuja pena mínima seja inferior a 4 anos.

O objetivo é evitar o processo judicial tradicional, desde que o investigado se comprometa a cumprir certas condições para reparar o dano causado, e assim dar uma resposta mais rápida e efetiva à sociedade.

Para que o acordo seja aplicado, é necessário que o investigado *confesse a prática do crime* e aceite cumprir todas as condições estipuladas pelo Ministério Público, como, por exemplo, prestar serviços à comunidade, pagar indenização ao ofendido ou cumprir outras medidas que promovam a reparação do dano.

O acordo será firmado pelo Ministério Público, investigado e seu defensor e homologado pelo Juiz. Se forem descumpridas quaisquer condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o Ministério Público deverá comunicar a Justiça para rescisão e posterior oferecimento de denúncia.

E NA JUSTIÇA MILITAR?

Recente decisão do Ministro Dias Tóffoli no RHC 268704 / SP (Ver aqui integra da decisão) na  interpretação sistemática dos art. 28-A, § 2º, do CPP e art. 3º do CPPM  o Ministro entende que está autorizada a aplicabilidade do Acordo de Não Persecução Penal no âmbito da Justiça Militar. No Entendimento de Dias Toffoli, a aplicação do art. 28-A do CPP à Justiça Castrense também se coaduna com a jurisprudência da Suprema Corte, que, em recentes julgados, compreendeu pela possibilidade de incidência da legislação comum a processos penais militares se verificada compatibilidade com princípios constitucionais.

Embora haja entendimentos controversos, ele está sendo aplicado, inclusive no âmbito da Justiça Militar do RS já houve a concessão deste dispositivo.

E NO AMBITO ADMINISTRATIVO DAS CORPORAÇÕES?

A principal questão para o PM é que a esfera penal e administrativa é independentes. Mesmo com o ANPP no criminal, a corporação pode instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), Conselho de Disciplina ou Conselho de Justificação. 

  1. Confissão como Prova no PAD: A confissão feita no ANPP para o Ministério Público pode ser utilizada como prova no Processo Administrativo Disciplinar interno da PM.
  2. Possibilidade de Demissão/Exoneração: O ANPP não impede que a PM entenda que a conduta violou o estatuto militar (quebra de hierarquia ou disciplina), resultando em punições disciplinares, incluindo a demissão (para praças) ou exclusão a bem da disciplina (para oficiais).
  3. Abalo à Ordem Administrativa: A celebração do ANPP não apaga o fato de que o comportamento foi considerado crime. Se a conduta for considerada grave para a credibilidade da corporação, a punição administrativa pode ser severa.
  4. Repercussão na Carreira: A depender do caso, a assinatura do acordo pode impedir promoções ou afetar o comportamento do policial dentro da corporação.

Coronel Luigi Pereira toma posse como novo comandante-geral da Brigada Militar

Na cerimônia, governo do Estado também entregou R$ 32 milhões em viaturas e equipamentos para a corporação

O coronel Luigi Gustavo Soares Pereira assumiu, nesta segunda-feira, o comando-geral da Brigada Militar. A cerimônia de posse foi realizada na Academia de Polícia Militar, em Porto Alegre, com a presença do governador Eduardo Leite, do secretário estadual da Segurança Pública, Mário Ikeda, além de autoridades civis e militares. Durante o ato, também foram entregues novas viaturas e equipamentos à corporação, expostos no gramado da Academia.

Em seu pronunciamento, o governador destacou a experiência e a trajetória do novo comandante, manifestando confiança na continuidade das ações voltadas à redução dos índices de criminalidade. Leite ressaltou ainda a consolidação do programa RS Seguro, enfatizando que a política de governança, baseada em dados e integração entre as forças de segurança, assegura estabilidade e continuidade, mesmo com mudanças nas lideranças.

Integrante da Brigada Militar desde 1993, o coronel Luigi, de 51 anos, sucede o coronel Cláudio dos Santos Feoli, que passa à reserva após completar 35 anos de serviço ativo. Antes de assumir o comando-geral, Luigi exercia a função de chefe do Estado-Maior da corporação.

Ao assumir o cargo, o novo comandante afirmou que dará prosseguimento ao trabalho já desenvolvido, reforçando o compromisso com as metas estabelecidas no âmbito do RS Seguro. Segundo ele, o objetivo é manter a redução contínua dos indicadores criminais e ampliar a sensação de segurança da população gaúcha.

Coronel Luigi Gustavo Pereira assume como comandante-geral BM

 Coronel Luigi Gustavo Pereira assume como comandante-geral BM | Foto: Fabiano do Amaral

Luigi também afirmou que um dos objetivos de sua gestão é manter a integração entre as forças de segurança. “Durante todo o tempo deste governo houve uma quantidade significativa de investimentos, o que fez com que conseguíssemos avançar na integração entre as forças de segurança. O grande legado que entendo que ficará é justamente essa integração”, disse.

Na cerimônia, também tomaram posse o coronel Jorge Dirceu Abreu Silva Filho, como subcomandante-geral da instituição, e o coronel Álvaro Martinelli, que exercerá a função de chefe do Estado-Maior.

Chefe do Estado-Maior da BM, coronel Álvaro Martinelli, comandante-geral BM, Coronel Luigi Gustavo Pereira, governador do RS, Eduardo Leite, e subcomandante-geral da BM, coronel Jorge Dirceu Abreu Silva Filho

 Chefe do Estado-Maior da BM, coronel Álvaro Martinelli, comandante-geral BM, Coronel Luigi Gustavo Pereira, governador do RS, Eduardo Leite, e subcomandante-geral da BM, coronel Jorge Dirceu Abreu Silva Filho | Foto: Fabiano do Amaral

Novas viaturas e equipamentos

Durante o evento, o governador também entregou à corporação 104 viaturas policiais e equipamentos, como armas de choque e coletes. A maioria dos veículos é dos modelos Corolla Cross e Hilux, todos semi blindados. De acordo com o governo, o investimento é de mais de R$ 32 milhões, com recursos do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg), do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), do Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp), do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), do Convênio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e do Convênio Carnaval 243/2023. As viaturas e equipamentos devem reforçar o trabalho da Brigada Militar em 148 municípios gaúchos.

Segundo o governador Eduardo Leite, a entrega das novas viaturas representa a maior renovação de frota já promovida pelo Estado. “O nosso esforço é para dar melhores condições de trabalho. Elas serão distribuídas nos diversos municípios. Não há um foco específico, mas uma estratégia de distribuição que olha para aqueles municípios que estão com as maiores necessidades no Estado”, explicou.

Déficit na Polícia Civil: efetivo inferior a 5,5 mil agentes no Rio Grande do Sul

Sindicato aponta necessidade de dobrar efetivo; Polícia Civil garante aumento e recomposição de quadros

Marcel Horowitz Correio do Povo

A Polícia Civil tem pouco mais de 5,4 mil agentes em atuação no Rio Grande do Sul. O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadore s (Ugeirm) aponta que essa realidade é deficitária, estimando necessidade de aproximadamente 9,5 mil profissionais como garantia de segurança aos gaúchos, quase o dobro das equipes em atividade. Já a instituição, em nota, confirma o número do efetivo atual, mas enfatiza trabalhar na recomposição dos quadros e que suas fileiras permanecem em expansão desde 2019.

Para o vice-presidente do Ugeirm, Fábio Nunes Castro, as 360 vagas do concurso de janeiro são insuficientes, sendo o aumento de convocações uma forma de mitigar a falta de efetivo.

“Aumentar o número de convocados não geraria custo imediato ao Estado. Além disso, com um cadastro mais amplo de aprovados, facilitaria nomeações, aumentando a quantidade de policiais civis em serviço”, avalia Fábio Castro.

Castro adiciona que o déficit é agravado por vacância de 1,3 mil vagas na Polícia Civil, registrada entre 2019 e o ano passado. Tal êxodo seria consequência de aposentadorias e exonerações, impactando o trabalho investigativo em território gaúcho, segundo o vice-presidente do Ugeirm.

“Mais de 80 municípios no RS contam com apenas um servidor da Polícia Civil. São cidades onde a delegacia precisa ser fechada temporariamente quando o policial está em diligências. Isto interrompe o atendimento ao público e prejudica investigações”, lamenta Castro.

Ainda conforme o vice-presidente do Ugeirm, mais de 60% dos alunos no curso de formação da Polícia Civil não são nomeados aos cargos, por conta de desistências, reprovações e da migração de candidatos a outros estados. “As pessoas buscam concursos mais atrativos, como em Santa Catarina, onde há convocação de maior número de inscritos, ampliando a possibilidade de reposição de efetivo ao longo do certame”, pontua.

Castro também alerta que a falta de policiais civis dificulta o combate aos feminicídios. “Apenas 22 dos 497 municípios gaúchos possuem delegacias especializadas no atendimento às mulheres”, diz ele.

A Secretaria da Segurança Pública foi contatada na última sexta-feira, pelas 11h05min, quando informou que avaliaria o envio de comunicado sobre o assunto. O espaço permanece aberto para manifestações da pasta. Em nota, a Polícia Civil destacou que há previsão de mais 720 vagas de escrivão e inspetor, além de outras 30 para delegados, nos concursos em andamento.

O que diz a Polícia Civil

A Polícia Civil segue trabalhando para a permanente recomposição do efetivo. Em 2018 o efetivo era de 4.976 e em janeiro de 2026 era 5.450. Neste governo, desde o ano de 2019, houve o ingresso de 1.890 policiais, entre delegados e agentes. Ainda, estão em andamento concursos públicos, um com previsão de 720 vagas, inicialmente, para os cargos de escrivão e inspetor de polícia, e outro para o cargo de delegado de polícia, com 30 vagas imediatas, pelo menos.

Academia de Polícia Militar da Brigada Militar do Rio Grande do Sul: ali o sonho torna-se vocação e essa se transforma em missão.

Marco Antônio Moura dos Santos[1]

Hoje, 1º de março, não celebramos apenas mais um aniversário institucional. Celebramos uma história de mais de um século dedicada à formação de líderes, à construção de caráter e à consolidação dos valores que sustentam a nossa Brigada Militar: hierarquia, disciplina, honra, lealdade, coragem e compromisso inabalável com a sociedade gaúcha.

Desde 1916, a Academia de Polícia Militar (APM) é o berço onde se forjam oficiais que aprendem, antes de tudo, que comandar é servir.

Em nossa Escola, cada cadete, internaliza que o fardamento é mais do que apenas um símbolo de autoridade, ele expressa a responsabilidade; assim como a espada não será representação de poder, mas de dever; bem como que a liderança nasce do exemplo e da retidão moral.

Além de consolidar princípios, em sua história, a APM acompanhou a evolução pedagógica e da segurança pública, sendo protagonista na construção de um modelo profissional técnico e ético de atuação policial. Formando oficiais que atuam no Rio Grande do Sul, no Brasil e até em outros países, que levam consigo a marca da excelência acadêmica e do compromisso com os direitos fundamentais e com a ordem pública.

O aniversário da APM tem um significado muito especial, pois uma parcela de minha vida profissional foi vinculada a sua história, quer tenha sido como aluno-a-oficial, internalizando conhecimentos, valores e tendo a honra de conduzir seu Estandarte histórico. 

Ao compor seu quadro discente, compartilhando experiências em diversas disciplinas e cursos, contribuímos para a formação de novas gerações. Ao atuar como gestor em áreas administrativas, enfrentamos os desafios silenciosos que sustentam a estrutura e garantem que a missão formativa nunca se interrompa.

Nessa Escola, não apenas moldei minha trajetória como oficial; fortaleci meu caráter e identidade funcional e, principalmente, reforcei a convicção de que a educação é o alicerce mais sólido da segurança pública.

Orgulho de ter sido aluno. Honra de ter sido instrutor. Responsabilidade de ter sido gestor. E, acima de tudo, gratidão por fazer parte desta história.

Neste 1º de março, minha reverência é sincera e pessoal. Cumprimento a cada comandante que passou por seus corredores, cada instrutor que dedicou horas ao preparo das aulas, cada servidor que garantiu o funcionamento da instituição e a cada cadete que cruzou seus portões carregando sonhos e assumindo compromissos.

A APM é mais do que uma Escola militar, uma instituição de ensino, uma academia, ela é a verdadeira demonstração de pertencimento e continuidade, de tradição e de renovação permanente. É o pulsar da Instituição quase bicentenária, de nossa Brigada Militar, ali o sonho torna-se vocação e essa se transforma em missão.

Que esta data renove em todos nós o compromisso com os princípios que nos sustentam. Que inspire as novas gerações a honrarem a farda, respeitarem a hierarquia, cultivarem a disciplina e, sobretudo, servirem à sociedade com dignidade e coragem.

Parabéns, Academia de Polícia Militar.


[1] Coronel da reserva da Brigada Militar

Hugo Motta avisa que votará PEC da Segurança na próxima semana. Vídeo

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), falou ao Metrópoles sobre agenda da Casa e sobre as eleições de 2026

Igor Gadelha Metrópoles

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), falou em, entrevista ao vivo ao Metrópoles, nesta quinta-feira (26/2), sobre seus planos para a PEC da Segurança, uma das prioridades do governo Lula.

Na entrevista, o presidente da Casa avisou que colocará a proposta na pauta do plenário da Casa na próxima semana. A PEC será votada na comissão especial, que discute o mérito do texto, na terça-feira (3/3) e irá ao plenário na quarta-feira (4/3).

“A PEC da Segurança, que é também uma medida estruturante, deverá estar indo a pauta na próxima semana. A comissão especial deve concluir a votação na terça e queremos na quarta levar oa plenário essa matéria que com certeza fará um enfrentamento do crime organizado no nosso país”, afirmou.

Veja a íntegra da entrevista:

Matou policial e quer indenização

Defesa do acusado de atirar e ferir mortalmente o escrivão da Polícia Civil pede 45 salários mínimos como compensação por agressões que o autor do homicídio teria sofrido ao ser preso

Humberto Trezzi GZH

A Justiça do Rio Grande do Sul está diante de um daqueles casos que geram polêmica instantânea. A defesa do jovem que matou o escrivão da Polícia Civil Daniel Abreu Mendes, 40 anos, em janeiro de 2025, ingressou com petição para que o autor do homicídio seja indenizado em 45 salários mínimos (cerca de R$ 68 mil) por ferimentos que teriam sido causados pelos policiais ao prendê-lo.

Antes de mais nada, é preciso recordar o episódio. Policiais civis cumpriam mandado de busca contra suspeitos de tráfico em Butiá (Região Carbonífera) foram recebidos a tiros dentro de uma casa. Um morador da residência, adolescente com 17 anos na época e com antecedentes criminais por tráfico e homicídio, disparou contra os agentes. Daniel Mendes morreu com tiros na região do pescoço e lateral do corpo, não protegidas pelo colete à prova de balas. 

O defensor público que ingressou com a ação por danos morais na comarca de Butiá (Região Carbonífera) alega que o rapaz, ao ser preso, foi agredido com pontapés, socos e até com um pé de cabra. Ele alega que o jovem sofre com dores ao subir e descer escadas.

O advogado não nega que o jovem é autor dos disparos que mataram o policial e diz que ele atirou porque pensava estar sendo atacado pelos inimigos, “dado seu histórico de envolvimento pretérito com a facção denominada “Balas na Cara” e recentes ameaças sofridas”. As palavras em aspas são do próprio defensor do adolescente, admitindo que o rapaz é envolvido com uma das maiores organizações criminosas gaúchas.

Após matar o policial, o jovem foi sentenciado por ato infracional análogo a homicídio e cumpre medida socioeducativa de internação, de três anos, sem atividades externas. 

O pedido de indenização deixou os colegas do escrivão Daniel em choque. A delegada Karoline Calegari, que chefiava o policial civil morto em ação, escreveu um manifesto que circula nos grupos da Polícia Civil. Um trecho:

“Os colegas viram Daniel coberto de sangue. Tentaram salvá-lo, mas a arma usada pelo adolescente infrator, uma pistola adaptada para efetuar  tiros em rajada, fez um grande estrago. Lendo o laudo pericial do adolescente, encontram-se descritas duas lesões, sendo a maior: uma escoriação  medindo 12 milímetros no joelho. Onde as coisas vão parar? Como um guri com antecedentes por homicídio e tráfico de drogas, que assassinou um policial, se arvora no direito de pedir ao estado indenização por danos morais? A que indenização a família do policial faz jus, então?”

Agora é esperar para ver que destino a Justiça dará a esse caso.

Comissão pede piso nacional para PMs

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados criou uma agenda de diálogo permanente com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ministro Wellington César Lima e Silva esteve pela primeira vez na comissão, nesta terça-feira (24), acompanhado do secretário de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Velos, e do secretário de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia.

Ao fim da reunião, o ministro não quis dar entrevistas. O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, deputado Coronel Meira (PL-PE), falou sobre a parceria inédita.

“Para ter resultados, a gente entende que tem que ter apoio. A Câmara sozinha não tem poder. Então temos que ter apoio do governo federal, dos governos estaduais e dos governos municipais. Então a gente inicia com o ministro da Justiça, que, diga-se de passagem, é técnico, graças a Deus”, observou Meira.

O encontro teve a presença da maioria dos deputados da comissão. “Alinhamos uma pauta e vamos entregar o mais rápido possível o que se pode entregar hoje”, completou Meira.

Piso salarial e PEC da Segurança
Entre as propostas prioritárias para a Comissão de Segurança, segundo Meira, está a criação de um piso salarial para todas as polícias do Brasil. A proposta de emenda à Constituição que cria um piso salarial para policiais civis e militares e bombeiros militares (PEC 17/25) aguarda despacho do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para ter a análise iniciada.

Outras pautas acompanhadas de perto pela Comissão de Segurança Pública são a chamada PEC da Segurança Pública (PEC 18/25) e o projeto de lei antifacção (PL 5582/25).

A PEC da Segurança Pública aguarda votação na comissão especial, para então ir ao Plenário. Quanto ao projeto antifacção, depois de aprovado pela Câmara e sofrido modificações pelo Senado, retornou para nova análise pelo Plenário da Câmara.

Segundo o deputado Coronel Meira, toda semana o colegiado vai se reunir com representantes enviados pelo Ministério da Justiça sobre a pauta de votações.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Carnaval 2026: entre a cultura, a sátira, o palanque disfarçado, instrumentalização política e a seletividade estrutural.

Marco Antônio Moura dos Santos[1]

O Carnaval sempre foi vendido ao Brasil, e ao mundo, como a grande expressão cultural da alma nacional. A festa da liberdade, da crítica irreverente, da inversão simbólica onde o povo fala, ri, denuncia e expõe seus próprios dilemas. Da leitura de Roberto DaMatta[2] pode-se entender que o carnaval é um reflexo ritualizado do país, com seus mitos, virtudes, tensões e contradições.

Mas há um ponto em que o espelho pode deixar de refletir e passar a distorcer.  Quando alegorias deixam de satirizar o poder em sentido amplo e passam a operar como recortes ideológicos direcionados, exaltando uns, demonizando outros, caricaturando segmentos sociais específicos, o que se vê já não é apenas arte, nem apenas crítica cultural. É discurso político travestido de manifestação popular, afrontando valores, pessoas, partidos políticos e credos, entre outros.

E aqui reside o desconforto crescente de parcela significativa da sociedade. Na realidade, deveria gerar insatisfação ainda maior.  Não se trata de defender censura, nem de negar a liberdade de expressão, cláusula pétrea da democracia, ou mesmo liberdade artística[3].  Trata-se de questionar a seletividade com que certos espaços são blindados de qualquer escrutínio, enquanto outros são minuciosamente vigiados pelo aparato institucional. DaMatta mostra diversos momentos nos quais a lei impessoal é confundida com o tratamento pessoal.[4] . Esse raciocínio é muito bem resumido pela famosa frase: “Aos inimigos, a lei; aos amigos, tudo

Quando autoridades comparecem a atos cívicos formais, discute-se propaganda antecipada, uso indevido de imagem, abuso simbólico da máquina pública.[5] Quando, porém, lideranças políticas são exaltadas ou adversários ridicularizados em desfiles financiados direta ou indiretamente por recursos públicos e patrocinadores estatais, instala-se um silêncio constrangedor. Dois pesos. Duas medidas!?

A pergunta que ecoa é inevitável: por que em alguns casos o rigor jurídico atua preventivamente, enquanto em outros reina a permissividade sob o rótulo genérico de “expressão cultural”? A resposta não é simples, mas passa por três fatores evidentes: econômico, midiático e ideológico.  Econômico, pois ao criticar o conteúdo político de desfiles significa tensionar interesses comerciais robustos.  Midiático, pois a cobertura dominante trata a festa como espetáculo, não como discurso. A crítica é diluída na estética, na fantasia, na bateria, na emoção da avenida. E ideológico, quando uma parte da imprensa seleciona o que amplifica e o que silencia conforme alinhamentos editoriais, explícitos ou implícitos. O resultado é uma blindagem narrativa que protege determinados enredos da crítica pública mais incisiva.

O problema não é o carnaval criticar o poder. Isso sempre fez parte de sua essência. O problema surge quando a crítica deixa de ser horizontal, contra as estruturas, desigualdades, injustiças e passa a ser direcionada, funcionando como instrumento de legitimação de um campo político específico. Nesse ponto, a festa deixa de ser apenas cultural e passa a operar como palanque político e eleitoral.

E o mais inquietante: sem qualquer mecanismo claro de responsabilização ou equilíbrio narrativo.  O Carnaval, na tradição antropológica, sempre “mostrou tudo”, expondo mazelas sociais, ridicularizando elites, dramatizando conflitos. Mas também sempre “escondeu tudo”, porque, encerrado o desfile, a crítica se dissolvia na quarta-feira de cinzas, sem consequência institucional, sem debate estrutural, sem transformação efetiva.

Não se trata aqui de afirmar ilegalidade. Trata-se de apontar um fenômeno político concreto: a percepção social de seletividade. Em democracias maduras, a legitimidade institucional não depende apenas da legalidade formal das decisões. Depende da coerência, da previsibilidade e da uniformidade dos critérios aplicados. Quando a sociedade percebe que há pesos distintos para situações semelhantes, a confiança começa a se deteriorar.

Era catarse. Não era política formal.  Hoje, porém, a fronteira se embaralha. A sátira permanece protegida, e deve permanecer. Mas quando ela se converte em propaganda estética sistemática, financiada, televisionada e politicamente direcionada, a sociedade tem o direito de questionar.  Questionar não é censurar.  Debater não é proibir. Criticar não é atacar a cultura popular.

É, ao contrário, reconhecer que a cultura também é espaço de poder, e que todo espaço de poder precisa ser analisado com isenção, pluralidade e responsabilidade.

O Brasil não precisa de um carnaval silencioso. Precisa de um carnaval livre, inclusive para ser criticado.  Porque quando a festa só pode falar… e nunca pode ser questionada… ela deixa de ser espelho da sociedade e passa a ser vitrine de conveniências. 

E nenhuma democracia deveria se sentir confortável com isso, como infelizmente está ocorrendo nesse momento. Como lembra Roberto DaMatta ao refletir sobre privilégios sociais: “Tem tudo a ver com uma sociedade que jamais discutiu privilégio e limite de privilégio. Privilégio é exatamente a liberdade de poder fazer tudo”.[6]

Perguntas permanecem: é isso que queremos? É esse o modelo de sociedade que desejamos?  Uma sociedade submetida a grupos de privilégio, ao poder sem limites, à ausência de contraponto, quiçá sem salvaguardas institucionais capazes de equilibrar a própria democracia?


[1] Coronel da Reserva da Brigada Militar, Especialista em Segurança Pública (PUCRS)

[2] DaMatta, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro. [S.l.]: Editora Rocco

[3] prevista na Constituição brasileira em seus artigos 5º e 220:

[4] https://www.velhaeconomia.com.br/2021/02/resenha-carnavais-malandros-e-herois.html

[5] O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Benedito Gonçalves proibiu no sábado (10) que o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o candidato a vice na campanha bolsonarista, Braga Netto (PL), usem nas propagandas eleitorais, em todos os meios, as imagens capturadas durante os eventos oficiais no feriado de 7 de setembro, que comemorou o bicentenário da Independência do Brasil. A decisão acolheu pedidos das campanhas dos candidatos Soraya Thronicke (União Brasil) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nas representações independentes, as chapas afirmam que Bolsonaro cometeu prática de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. In: ; e TSE multa Jair Bolsonaro, candidato à reeleição à Presidência, por propaganda antecipada, In: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Setembro/tse-multa-jair-bolsonaro-candidato-a-reeleicao-a-presidencia-por-propaganda-antecipada

[6] https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/07/20/por-que-o-voce-sabe-com-quem-esta-falando-marca-tanto-o-brasil-antropologo-e-historiadora-comentam-casos-recentes.ghtml

Novo comandante-geral da BM dá início ao processo de alinhamento institucional

Primeira reunião entre o comando-geral e comandos regionais ocorreu na segunda-feira

Correio do Povo

Dando início ao processo de alinhamento institucional da nova gestão da Brigada Militar (BM), a manhã de segunda-feira marcou a primeira reunião entre o comando-geral e comandos regionais. O encontro foi o começo de um ciclo de ajustes das diretrizes estratégicas, voltadas ao fortalecimento da atuação operacional e administrativa da corporação.

Como parte desse processo, todos os comandantes regionais serão recebidos, em agendas específicas, para a apresentação do novo Caderno de Comando, visando o alinhamento das próximas prioridades.

De forma bilateral, além da exposição das novas diretrizes por parte do comando-geral, os encontros também constituem um espaço de escuta ativa, possibilitando que os comandantes regionais apresentem suas demandas e sugestões para o fortalecimento contínuo dos resultados da corporação.

As reuniões estão sendo conduzidas de forma descentralizada, com os primeiros encontros ocorrendo no Litoral Norte, na sede da 2ª Companhia de Polícia Ambiental, reforçando a proposta de integração direta com as estruturas operacionais.

As reuniões seguem nos próximos dias, dentro da rotina permanente de trabalho da Brigada Militar, mantendo a continuidade das atividades em todo o Estado.

Governador anuncia os Comandantes da BM e CBM

O governador Eduardo Leite anunciou, nesta quinta-feira (12/2), mudanças no comando da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul. Assumem como comandantes-gerais o coronel Luigi Gustavo Soares Pereira, na BM, e o coronel Ricardo Mattei Santos, no CBMRS, em razão da ida para a reserva dos atuais comandantes após o tempo máximo de serviço.

Na Brigada Militar, o coronel Álvaro Martinelli passa a chefiar o Estado-Maior, e o coronel Jorge Dirceu Abreu Silva Filho assume a subcomandância-geral. No CBMRS, o novo subcomandante-geral será o coronel Alexandre Sorio Nunes.

Os oficiais que deixam e os que assumem os cargos foram recebidos pelo governador no Palácio Piratini, antes da reunião de avaliação dos indicadores do programa RS Seguro. Leite agradeceu aos comandantes que se despedem e destacou que a transição ocorre em um momento de consolidação dos avanços na segurança pública, com queda dos índices criminais, fortalecimento da inteligência policial e manutenção das estratégias de gestão e monitoramento de resultados.