Reestruturação da BM é aprovada na última sessão de 2025 na Assembleia do RS

As propostas mais discutidas versam sobre segurança pública e ficaram para o início e o fim da sessão, que encerra os trabalhos Legislativos no ano

Flávia Simões Correio do Povo

Na última sessão do ano, nesta terça-feira, a Assembleia Legislativa aprovou uma leva de projetos do Executivo. Os textos instituem programas sociais, definem diretrizes para o transporte metropolitano e alteram o destino de recursos para beneficiar políticas específicas.

As propostas mais discutidas – que versam sobre segurança pública – ficaram para o início e o fim da sessão. Pela manhã, os deputados aprovaram o texto que regulamentou a Polícia Penal no RS. E, no fim do dia, a proposta que reestruturou a Brigada Militar (BM).

Neste último caso, representantes da categoria marcaram presença nas galerias. O comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, acompanhou a discussão e comemorou a aprovação, que recebeu 49 favoráveis e dois contrários. O texto foi articulado dentro da Instituição e prevê a atualização das estruturas da Brigada.

“Nós temos, por exemplo, a criação da base aeropolicial de Santa Maria, que vai poder atender a região norte e a região oeste do estado com os helicópteros novos que foram adquiridos. Nós temos cinco novos helicópteros que devem chegar ao longo do ano de 2026 e 2027. Tem também a criação do Comando de Aviação, já que nós temos, além desta base de Santa Maria, as já existentes em Porto Alegre, Capão da Canoa e Caxias do Sul. 
Também criamos o Departamento de Inteligência na simetria do que existe na Polícia Civil facilitando a integração e a troca de informações”, explicou.

Um dos pontos de protesto no texto era o que previa a extinção da Escola de Formação e Especialização de Soldados de Montenegro. Apesar disso, Feoli alegou que a escola será substituída por um Centro de Treinamento e Especialização.

“Significa que, além das formações que já são realizadas, nós iremos concentrar o treinamento, a especialização da tropa. E a especialização em treinamento é anual. As formações são de acordo com a liberação governamental. Esperamos que tenhamos no futuro, mais movimento de policiais militares naquela escola, sobretudo nos cursos de especialização”, finalizou.

Deputados estaduais aprovam regulamentação da Polícia Penal no Rio Grande do Sul

Projeto enviado pelo governador Eduardo Leite recebeu 34 votos favoráveis e 17 contrários

Paulo Egídio GZH

A Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira (16) o projeto de lei complementar que regulamenta a Polícia Penal, instituição que substitui a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). A proposta recebeu 34 votos favoráveis e 17 contrários.

O texto encaminhado pelo governador Eduardo Leite cria o estatuto da Polícia Penal e detalha as atividades que serão prestadas pelos funcionários da instituição. De acordo com o governo, 1,2 mil novos agentes aprovados em concurso público serão nomeados a partir da sanção da proposta.

A Polícia Penal foi criada oficialmente em 2022, com aprovação de emenda à Constituição Estadual. Desde então, a categoria aguardava regulamentação.

O governo havia protocolado uma primeira versão da proposta em junho. Depois, enviou novo projeto em novembro, que acabou aprovado na sessão desta terça.

O impacto financeiro estimado da proposta é de R$ 469 milhões.

Sem emendas

O projeto recebeu sete emendas de deputados, mas nenhuma delas chegou a ser apreciada, em razão da aprovação de requerimento de preferência articulado pelo líder do governo, Frederico Antunes (PP).

A proposta define que serão considerados policiais penais os atuais agentes penitenciários (APs), que atuam diretamente na custódia e segurança dos presos. 

Já os agentes penitenciários administrativos (APAs) e os técnicos superiores penitenciários (TSPs) serão reclassificados, respectivamente, como técnicos administrativos e analistas. Esses profissionais exercem atividades complementares, como atendimento psicológico e serviços administrativos.

Esse enquadramento é contestado pelos APAs e TSPs, que também pleiteiam a classificação como policiais. Uma das vantagens desse enquadramento seria a garantia de aposentadoria especial, aos 55 anos.

Outro pleito que deixou de ser atendido foi a garantia de porte de arma para os agentes após a aposentadoria.

A norma aprovada cria um quadro de 12,7 mil policiais penais, 956 analistas e 750 técnicos administrativos. Atualmente, a estrutura da Susepe tem 7.467 postos, sendo que 6.809 estão providos.

Projetos da Segurança Pública concentram os debates em última sessão do ano na ALRS

Textos que tratam da Polícia Penal e da Brigada Militar serão o centro das discussões em sessão com 31 matérias antes do recesso

Flávia Simões Correio do Povo

Com 31 projetos na ordem do dia da Assembleia Legislativa, os deputados terão uma longa sessão de votações nesta terça-feira. A tendência, porém, é de que dois projetos do Executivo, que tratam da segurança pública, concentrem os debates. São eles: o PLC 465/2025, que regulamenta a Polícia Penal; e o PLC 497/2025, que altera a estrutura da Brigada Militar.

No primeiro caso, o projeto oficializa a transformação da Susepe (Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo) em Polícia Penal, incorporando sua estrutura e prevendo a ampliação do número de servidores, três anos após a Assembleia aprovar a PEC que criou a instituição.

A proposta vem sendo alvo de críticas por parte da categoria, em especial por não incluir os servidores administrativos na classe dos policiais penais. O texto, que tramita em regime de urgência, foi reapresentado pelo governo após receber um parecer negativo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), relatado pelo deputado Jeferson Fernandes (PT).

Já o projeto que trata da Brigada Militar prevê uma reestruturação na instituição. As mudanças vão desde alterações nas atribuições da BM até a exigência de que a criação de novos Órgãos de Polícia Militar (OPM) seja precedida de um estudo técnico.

Entre as medidas previstas que podem resultar em maior discussão está a extinção da Escola de Formação e Especialização de Soldados de Montenegro e o remanejamento das suas vagas para uma escola em Porto Alegre. Com o prazo fatal para fevereiro, a votação da proposta está sendo antecipada.

Além desses, outros 14 projetos do governo estão na pauta, como mudanças no quadro de carreira da Polícia Civil e a instituição de programas sociais, a exemplo do TEAcolhe e da Rede Bem Cuidar, ambos da Secretaria da Saúde. As outras 15 propostas são de origem parlamentar.

As votações estão previstas para iniciar às 10h, em sessão extraordinária, e devem seguir à tarde, a partir das 14h, em sessão ordinária. O objetivo é vencer a pauta de votações antes do recesso parlamentar, que tem início na próxima terça-feira, 23.

Já no final do dia, a partir das 18h, está prevista a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar os processos de concessão dos blocos 1, 2 e 3 de rodovias.

PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA- Episódio 2 – fragmentação, diversionismo e o risco de centralização do poder na segurança pública brasileira

Marco Antônio Moura dos Santos

Vivemos em uma era de apelo por paz, segurança, prosperidade e estabilidade, assim o debate sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 18/2024 poderia ser uma oportunidade importante para redefinir o sistema de segurança pública do Brasil. Mas precisamos interrogar o que realmente pode estar em jogo. A PEC corrige problemas estruturais, melhora a coordenação entre os entes federativos, aborda o crime organizado e fortalece os esforços preventivos? Ou não alcança esses objetivos?

A proposta é rotulada como modernização, mas essa mudança representa uma evolução real? Ou apenas revela o anseio por alterações, com a fragmentação e dispersão que pode colocar em risco o que já está, mesmo que imperfeitamente, em vigor? Precisamos ver o momento como uma oportunidade para elevar as vozes e trabalhar por um futuro mais seguro para todos.

Ao adotar a PEC 18, estamos de fato construindo uma multiplicidade caótica de organizações que podem levar a uma maior desorganização e a um caos por falta de governança adequada. Precisamos de unidade que incentive a colaboração entre diferentes esferas públicas e que reforce o papel fundamental da ordem pública.

De forma proposital é apresentada uma confusão conceitual e doutrinária entre “polícia ostensiva” e “policiamento ostensivo”.  A Constituição Federal é clara ao afirmar, no art. 144, §5º, que às Polícias Militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. A escolha do constituinte não foi semântica, mas estrutural: “polícia ostensiva” é função típica de Estado, que envolve o exercício pleno do poder de polícia em sua dimensão preventiva. Já “policiamento ostensivo” é apenas uma atividade, é uma forma de atuação, uma técnica, não uma missão constitucional.

A PEC 18 “ignora” deliberadamente essa distinção. No substitutivo multiplica-se o termo “policiamento ostensivo” para justificar a atuação de diversos órgãos, como: a nova polícia viária federal, agora multimodal, e as chamadas “polícias municipais comunitárias”, inseridas no corpo do art. 144 como um novo “órgão de segurança pública”. Em vez de dispersar esforços, devemos canalizar energias e recursos no fortalecimento da gestão entre as esferas governamentais, integrando inteligência e inovação nas estratégias de enfrentamento ao crime organizado. O país enfrenta desafios profundos, e é fundamental que nossa abordagem seja igualmente robusta e estruturada.

Se tivermos milhares de doutrinas policiais em um país, você pode realmente imaginar o risco de fragmentação!? Ao permitir que municípios com mais de 100.000 habitantes estabeleçam uma “polícia municipal armada”, que pode executar o “policiamento ostensivo”, a PEC abre caminho para uma heterogeneidade institucional. Hoje, existem 5.570 municípios no Brasil. Mesmo que apenas uma fração constitua “sua polícia municipal”, teremos dezenas, talvez centenas, de corporações com diferentes padrões de organização, diretrizes diferentes, doutrinas concorrentes, dispositivos de controle fracos e extrema dependência política dos prefeitos, entre outros resultados ou cenários.

Em vez de dispensar energias e recursos, deve-se investir na gestão de governo para que seja possível levar inteligência e inovação as estratégias de enfrentamento ao crime organizado. Não basta apenas ter uma resposta, ela precisa ser forte e organizada.

É hora de estar vigilante,  a PEC 18 não vai produzir soluções reais, precisamos nos unir e insistir no que é necessário para garantir a segurança pública. Aproveitar esta oportunidade para desenhar um sistema que não só fortaleça a autonomia, mas também salvaguarde a independência dos Estados e a solidez das instituições democráticas.

Embora o país esteja vivenciando a ampliação do conjunto de facções, a explosão dos crimes cibernéticos, a força financeira do narcotráfico, o contrabando de armas, as fronteiras porosas e um sistema prisional orientado para o crime, a PEC 18 não resolve esses problemas, que são constitucionalmente responsabilidade da União; nem ao menos aparenta ter esse foco.

Em vez disso, inventam “polícias municipais comunitárias”, como se esse fosse o eixo principal da mudança da segurança pública brasileira, que é necessário. É um discurso “tão moderno”, mas amplamente superficial e, em última análise, ineficaz.

Este é o coração do diversionismo institucional: criar uma sensação de reforma enquanto não reforma nada que o faça; mudar nomes, desenhar organogramas, multiplicar entidades, sem mudanças no verdadeiro eixo da violência e do crime organizado. Esta lógica aparentemente não está tão oculta; desorganizar agora para centralizar depois.  O ponto mais sensível e menos discutido é que a fragmentação criada pela PEC 18 será, inevitavelmente, usada como argumento para centralizar a segurança pública na União.

O ponto mais saliente e menos discutido é que a fragmentação gerada pela PEC 18 inevitavelmente evoluirá para uma justificativa para centralizar a segurança pública na União. Fortalecer estruturas frágeis e distintas acelerará a tendência para a ineficácia, desigualdade, desvio de competências, incompetência operacional, jurisdição desigual e graves  crises de responsabilidade. Em resposta ao cenário caótico que poderá ser criado pela própria PEC, a União terá legitimidade para dizer: “É necessário centralizar, padronizar e possivelmente unificar a polícia brasileira sob comando federal.” Em outras palavras, a PEC 18 cria o problema e depois entrega a solução “federalizante”.

Esta é uma ameaça poderosa ao próprio pacto federativo, à independência de todos os Estados e ao equilíbrio de poderes de que a democracia brasileira depende. A PEC 18 não melhora a segurança pública. Pelo contrário, esvazia funções constitucionais, desestabiliza estruturas integradas, politiza instituições locais, gera duplicidades, provoca conflitos operacionais, desorganiza o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e prepara a base da centralização autoritária.

O Brasil merece uma reforma profunda e abrangente, não um sistema experimental e frágil. Como cidadãos, temos a responsabilidade de defender uma mudança que realmente fortaleça a segurança pública no Brasil, uma que inspire confiança e esperança em todos os brasileiros. Não seria preciso nada além de colaboração, integração de capacidades para unir as forças e construir um futuro em que todos possam se sentir seguros e dignos de pertencimento.

Nada disso está na PEC 18. Portanto, a PEC 18 não é reforma, mas risco. E suas consequências podem ser irreversivelmente permanentes. Tudo isso com a aura de “modernização” que não é empírica, técnica ou doutrinariamente viável.  O Brasil merece uma revisão fundamental e estamos produzindo apenas narrativas. Se o propósito fosse melhorar a segurança pública, o Executivo e o Legislativo deveriam implementar normas e políticas públicas para fortalecer a União e os Estados no enfrentamento ao crime organizado e a violência.

Este é um momento para olharmos além do que nos é apresentado.

Plano IBCM Saúde é o mais novo filiado da UNIDAS e impulsiona governança e melhores práticas

O Plano IBCM Saúde celebra um marco estratégico em sua jornada: a formalização de sua filiação à UNIDAS (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde). O acordo foi selado em um encontro realizado na manhã desta sexta-feira, 12 de dezembro, em Porto Alegre, que reuniu lideranças do Plano IBCM, representantes da UNIDAS e de outros planos de saúde de autogestão do Rio Grande do Sul.

Durante o evento, a UNIDAS apresentou em detalhes o escopo de seu trabalho, o vasto alcance da União e, principalmente, as comissões temáticas e serviços disponibilizados às suas filiadas.

Oportunidades e fortalecimento do negócio

Com a filiação, o Plano IBCM Saúde passa a contar com um conjunto robusto de benefícios que visam o fortalecimento do negócio e a excelência na autogestão:

  • Acesso a Expertise: Contato direto com a expertise de mercado da UNIDAS, garantindo insights atualizados para a tomada de decisões.
  • Networking qualificado: Oportunidade de realizar networking constante e produtivo com outras operadoras de autogestão do país.
  • Apoio à governança: Recursos de estudos para o desenvolvimento das lideranças, além de ferramentas essenciais para auxiliar no planejamento estratégico e na tomada de decisões.
  • Melhores práticas: Acesso privilegiado às melhores práticas para autogestão tanto por meio da consultoria da UNIDAS quanto pela troca contínua com os demais filiados.

IBCM Participará ativamente das comissões

Demonstrando seu compromisso com a integração e o aprendizado, o Plano IBCM Saúde já selecionou lideranças que farão parte das 17 comissões mantidas pela UNIDAS. Essas comissões integram grupos de trabalho com temáticas importantes e contam com a participação de colaboradores de diversas filiadas. Dessa forma, o Plano IBCM poderá:

  • Promover a troca próxima: Estar em contato direto com experiências e soluções de outros planos.
  • Desenvolver aprendizado: Absorver e trazer para dentro do negócio as melhores estratégias e conhecimentos.
  • Fortalecer resultados: Aprimorar continuamente seus processos, visando sempre os melhores resultados para os beneficiários.

A filiação à UNIDAS é um passo decisivo para o Plano IBCM Saúde, reforçando seu compromisso com a qualidade, a sustentabilidade e a constante inovação em benefício de seus beneficiários. A parceria estratégica com a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde garante acesso a expertise de mercado, networking e ferramentas avançadas para aprimorar a gestão e os resultados.

Operação Verão mobiliza 3,3 mil servidores da segurança no Rio Grande do Sul

O Corpo de Bombeiros é responsável por coordenar o trabalho dos 930 guarda-vidas que estarão distribuídos em praias marítimas e em balneários de água doce

Airton Lemos GZH

Quase 3,3 mil servidores da segurança pública do Estado vão trabalhar na Operação Verão Total que começa no próximo sábado (13). A operação envolve o policiamento e o atendimento no Litoral e em outras regiões turísticas do Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito pelo governo do Estado nesta quinta-feira (11).

O reforço envolve Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Instituto-Geral de Perícias e Detran, além de mais de 500 viaturas e helicópteros para apoio aéreo. Esse efetivo se soma ao que já atua nos litorais Norte e Sul, mas a operação também chega à Serra, à Costa Doce e à Fronteira, onde o movimento cresce com a temporada.

O Corpo de Bombeiros é responsável por coordenar o trabalho dos 930 guarda-vidas que estarão distribuídos em 264 guaritas, tanto em praias marítimas quanto em balneários de água doce. São 638 militares — entre bombeiros e policiais — e 282 civis temporários contratados para o período.

Para agilizar atendimentos e salvamentos, o patrulhamento conta com 18 quadriciclos e 18 motos aquáticas, que dão mais velocidade aos deslocamentos ao longo da orla. A corporação reforça que os banhistas devem buscar áreas próximas às guaritas, respeitar as bandeiras de risco e evitar locais sem cobertura.

A Operação Verão Total segue até o fim de março, acompanhando o aumento no fluxo de turistas e moradores nas regiões de praia e lazer.

Reforma na Previdência Estadual, sem reajustes e sem concursos. Veja quais as contrapartidas do RS ao aderir ao Propag

Contrapartidas: Para aderir ao RRF, o Estado precisou apresentar um plano que incluía privatizações, reforma da previdência estadual, teto de gastos e redução de benefícios fiscais, além de se comprometer a não realizar concursos públicos, reajustes de salários e redução de alíquotas de impostos. 

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou na terça-feira (9) projeto que autoriza o Executivo a aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), nova negociação da dívida do Estado com a União. Criado neste ano pelo Governo Federal, o Propag irá substituir o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), estabelecido pelo então presidente Michel Temer, em 2017, programa ao qual o Estado aderiu em 2022. 

Foto: Diogo Zacarias/MF

Após a aprovação pelo Parlamento gaúcho, o Rio Grande do Sul precisa formalizar sua adesão ao Propag até o dia 31 de dezembro deste ano. Os pagamentos da dívida seguirão suspensos até 2027, devido à enchente de maio de 2024. 

Entre as principais mudanças do Propag em relação ao RRF estão os encargos da dívida e as contrapartidas que o Estado deverá fazer. Confira o que muda e o que permanece: 

Taxa de Juros – pelo Propag a taxa fica entre 0% e 2% ao ano, dependendo das condições a serem escolhidas pelo Estado. No RRF, a taxa era de 4% ao ano. 

Correção do saldo devedor – a correção se dará pelo Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA), que está em cerca de 4,7%, atualmente. O RRF era atualizado pelo Coeficiente de Atualização Monetária (CAM), que, segundo o Governo do Estado, tem ficado em patamar próximo à taxa Selic, hoje em 15%.

Prazo – Os dois programas fixam em 30 anos o prazo para pagamento da dívida. 

BM vai ampliar capacidade de treinamento e mantém Montenegro como referência na formação policial

Em janeiro de 2026, 300 novos soldados vão realizar o Curso Básico de Formação Policial Militar no município

Fernanda Bassôa Correio do Povo

A proposta de transformar a Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) de Montenegro em Centro de Treinamento não traz qualquer prejuízo à segurança pública do município, garante a Brigada Militar. Na prática, trata-se apenas de uma reorganização administrativa, convertendo a antiga escola em um Centro de Treinamento Policial. Segundo a corporação, essa mudança representa diversos avanços. Não se trata de encerramento das atividades, mas de uma modernização que ampliará a capacidade de treinamento da BM e manterá Montenegro como referência em formação policial. Inclusive, a partir de janeiro de 2026, 300 novos soldados vão realizar o Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM) na EsFES Montenegro.

No início desta semana, uma grande mobilização em favor da manutenção da EsFES da Brigada Militar, na cidade de Montenegro, reuniu autoridades locais, lideranças, representantes da segurança pública e entidades, em frente ao prédio da corporação, no Passo do Manduca. O grupo, que reuniu mais de 100 pessoas, realizou um abraço simbólico à escola, em um gesto de união contra a extinção das atividades no local.

A Brigada Militar assegura que o local da EsFES continuará ativo, funcionando como espaço oficial de capacitação da corporação. O novo Centro permitirá mais cursos, mais treinamentos e atividades mais frequentes. Isso ampliará a presença de policiais militares em formação e aperfeiçoamento na cidade, de forma contínua, informa a Comunicação Social da Brigada Militar. Essa dinâmica fortalece o preparo dos efetivos e reflete diretamente na melhoria da segurança pública em toda a região, além de gerar um fluxo permanente de policiais militares treinando em Montenegro.

Diversas razões técnicas orientam a melhoria da formação e a otimização do espaço, com cursos de curta duração, de forma contínua. A destinação principal da atual estrutura passará a ser compatível com um Centro de Treinamento e não mais limitada a uma escola de formação. Outro ponto está na metodologia utilizada atualmente em cursos de longa duração, que conduz as turmas de maneira sincronizada, buscando isonomia de avaliação. Segundo a Brigada Militar, esse modelo obriga o cumprimento simultâneo do calendário em diferentes escolas que iniciaram turmas ao mesmo tempo.

A atual escola de Montenegro já sofreu constantes inundações, o que força as demais unidades a interromper seus calendários, atrasando formaturas e a disponibilidade de novos PMs para o atendimento à sociedade. Mesmo com o apoio de diversos órgãos para reerguer a estrutura a cada vez que a escola é atingida pelas cheias, a recuperação torna-se cada vez mais dispendiosa, em razão dos danos que se acumulam a cada nova inundação. O que também reforça a importância de se tornar um centro de treinamento policial.

Corrupção e impunidade no Brasil: um ciclo de omissões, privilégios e fragilidade democrática

Neste Dia Nacional de Combate à Corrupção, o Brasil enfrenta novamente o desafio de olhar para si mesmo, estruturas, hábitos políticos e, sobretudo, para sua incapacidade de romper com o que Faoro chamou de “patrimonialismo persistente”[1].  Embora frequentemente tratada como um problema moral ou uma disputa partidária, a corrupção é, na verdade, um fenômeno estrutural, historicamente enraizado e institucionalmente tolerado. E seus efeitos não são meras abstrações, elas corroem o desenvolvimento, ampliam desigualdades e fragilizam a democracia.

Apesar de avanços pontuais, com marcos legais modernos e operações de grande repercussão, a corrupção depende da fragilidade das instituições, da lentidão do Judiciário, da opacidade do orçamento público e da captura política dos mecanismos de controle.

Para Dworkin, “o governo perde sua autoridade moral quando deixa de tratar seus cidadãos com igual respeito.”[2] A corrupção é precisamente a ruptura do respeito, ela privilegia poucos enquanto sacrifica muitos, especialmente os que dependem do Estado para exercer seus direitos básicos.

O Brasil ocupa posição vergonhosa nos rankings globais de integridade[3]. A sensação de que “nada muda” não é mero pessimismo social: é um reflexo de décadas de omissão institucional. Crimes financeiros complexos prescrevem; autoridades com foro privilegiado raramente são condenadas; decisões judiciais contraditórias anulam processos inteiros; investigações promissoras são enfraquecidas por disputas políticas internas. Isso não é acaso, é sistema. reforçando uma percepção de impunidade seletiva.

Da colonização ao “orçamento secreto”, passando por episódios como o Mensalão e a Operação Lava Jato, há um padrão evidente: os mecanismos de controle se movem entre avanços pontuais e retrocessos cíclicos, com forte influência das disputas políticas.

Para Ferrajoli, um Estado de Direito só existe quando o poder é limitado por normas que garantem controle efetivo[4]⁴. No Brasil, frequentemente, o que se vê é o contrário: o direito é moldado para acomodar o poder, em vez de contê-lo.

A corrupção prospera onde há ambiguidade, silêncio, brechas legais e onde o Estado se rende ao fisiologismo. E prospera, sobretudo, onde a sociedade reage apenas a escândalos, mas não exige, como deveria, reformas profundas e permanentes. 

A corrupção não é apenas um delito administrativo ou penal: é a ruptura do pacto ético que sustenta o Estado Democrático de Direito. Para Alexy, o Direito deve expressar “a pretensão de correção”[5]. Um sistema que normaliza desvios e tolera privilégios perde a capacidade de se apresentar como moralmente legítimo.

Executivo, Legislativo e Judiciário participam, por omissão ou ação, da manutenção desse ciclo histórico. Waldron alerta que privilégios incompatíveis com a igualdade jurídica violam a base do Estado de Direito.[6] Os três poderes compartilham responsabilidades. No Executivo, a interferência política na gestão pública cria ciclos de aparelhamento. No Legislativo, o orçamento é frequentemente transformado em moeda de troca, reforçando práticas clientelistas. No Judiciário, a morosidade, o foro privilegiado, “uma possível parcialidade” e a ausência de responsabilização interna alimentam a sensação de que o combate ao crime de “colarinho branco” depende mais de sorte do que de justiça.

Instituições essenciais como o Ministério Público Federal, Controladoria Geral da União, Polícia Federal,  Tribunal de Contas da União e Ordem dos Advogados do Brasil, oscilam entre avanços e retrações. Ora atuam com autonomia exemplar; ora sofrem pressões externas e internas que limitam sua eficiência. Bobbio[7] já ensina que “a democracia se mede pela visibilidade do poder”⁷. Quando a fiscalização recua, vigora uma democracia opaca.

 É impossível falar em corrupção sem reconhecer o papel da sociedade. A indignação é intensa, mas passageira, diante de cada escândalo, mas não mantemos a devida vigilância constante. A avaliação sempre é parcial e depende se os autores são “nossos ou deles”. A educação para a integridade, o controle social e a transparência ativa ainda são insuficientes.

A imprensa, peça fundamental para a democracia, também enfrenta crises de credibilidade e politização. Ponto básico para que tenhamos controle social eficaz, imparcial e amplo.

A corrupção não é um fenômeno inevitável. É resultado de escolhas,  das instituições, dos agentes públicos e da sociedade. E escolhê-la é permitir que a desigualdade, a injustiça e o descrédito democrático continuem vencendo.

É por isso que o combate à corrupção exige mais do que investigações espetaculares. Exige políticas públicas de Estado, e não de governo. Exige sistemas de rastreabilidade digital, inteligência, transparência ativa e integração entre bancos de dados.  Exige educação ética, proteção real a denunciantes e reformas estruturais que enfrentem os privilégios que sustentam a impunidade; como defende Habermas, para quem a democracia só será sustentada sobre uma esfera pública racional e crítica[8].

A corrupção não é apenas um desvio individual é a falência da integridade pública.E cada omissão estatal, cada decisão tardia, cada brecha legal e cada silêncio social aproxima o país de uma erosão democrática irreversível.

Para Dworkin, “a integridade é o valor que conecta o direito com a justiça”[9]. Quando a integridade pública se rompe, o direito deixa de servir ao bem comum e passa a servir a interesses particulares. Cada omissão estatal, cada brecha legal, cada decisão tardia aproxima o país de uma erosão democrática irreversível.

Neste dia 9 de dezembro, é preciso reafirmar que combater a corrupção não é bandeira ideológica: é a defesa mais básica da República. É a garantia de que o Estado existe para servir ao povo, e não aos seus próprios operadores. Mas é isso que queremos?!?

 Escolher a transformação é optar pela justiça, pela igualdade e pela liberdade. Neste momento de reflexão, que cada um de nós decida se o Brasil que queremos é um cenário de inação ou um palco de esperança e mudança. Inspiremo-nos a iniciar esta jornada não apenas como indivíduos, mas como uma sociedade unida, comprometida com a construção de um futuro mais justo e íntegro. Juntos, podemos quebrar o ciclo da impunidade e transformar nossa realidade.


[1] FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder. São Paulo: Globo, 2001

[2] DWORKIN, Ronald. Justice for Hedgehogs. Harvard University Press, 2011.

[3] De acordo com a Transparência Internacional (2024), o Brasil ocupa posição alarmante no Índice de Percepção da Corrupção, com apenas 34 pontosem 100. In TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL. Corruption Perceptions Index 2024

[4] FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

[5] ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. São Paulo: Malheiros, 2008.

[6] WALDRON, Jeremy. Law and Disagreement. Oxford University Press, 1999

[7] BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

[8] HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.

[9] DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Em um “abraço” simbólico, lideranças se mobilizam contra extinção da Escola de Formação da BM em Montenegro

Para 2026, a previsão era do ingresso de mais 300 alunos soldados, o que reforça a importância da manutenção da estrutura no município

Fernanda Bassôa Correio do Povo

Uma grande mobilização contra a extinção da Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) da Brigada Militar, na cidade de Montenegro, reuniu autoridades locais, lideranças, representantes da segurança pública e entidades, em frente ao prédio da corporação, no Passo do Manduca. O grupo realizou um abraço simbólico à escola, em um gesto de união pela manutenção da estrutura no Município. Para 2026, a previsão era do ingresso de mais 300 alunos soldados, o que reforça a importância da manutenção da estrutura no município.

A mobilização, que reuniu mais de 100 pessoas, ocorre após o Governo do Estado protocolar junto à Assembleia Legislativa um projeto que pretende transformar a EsFES em um centro de treinamento policial e transferir as vagas para Porto Alegre, além de propor a mudança do 27º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de São Sebastião do Caí, para 5ª Companhia Independente.

Durante o pronunciamento, o prefeito de Montenegro, Gustavo Zanatta reforçou que esteve por dois dias consecutivos na Assembleia Legislativa, articulando com deputados e autoridades do Estado a permanência das atividades. Ele também destacou que já está em contato com membros da Associação dos Municípios do Vale do Caí (AMVARC), buscando apoio regional para fortalecer a defesa da escola.

Para Zanatta, a medida traz impactos diretos não só para a cidade, mas para todo o Vale do Caí pois a Escola da Brigada é estratégica para a segurança pública e para o desenvolvimento regional. Segundo ele, o encerramento das atividades seria “extremamente prejudicial”, pois a EsFES movimenta a economia local, beneficiando comércio, setor imobiliário, supermercados e serviços.

A vereadora Josi Paz anunciou que haverá, nesta quinta-feira, uma mobilização conjunta durante a sessão da Assembleia Legislativa, com a presença de diversas lideranças de Montenegro. Os participantes vão reivindicar que o município mantenha o direito de sediar a EsFES. O ex-comandante da unidade, Oscar Bessi Filho, também manifestou apoio à causa.

A proposta de extinção tem gerado preocupação entre moradores, lideranças comunitárias e representantes da segurança pública, que destacam a importância da EsFES para a formação de soldados, para a sensação de segurança entre os munícipes e para o fortalecimento regional da Brigada Militar, além da movimentação econômica no município.

Na semana passada, instituições contrárias ao projeto proposto pelo Governo do Estado – Associação Comercial e Industrial (ACI), Sindilojas, Ordem dos Advogados (OAB), Câmara de vereadores e o Consepro – solicitaram esclarecimentos sobre os critérios técnicos que justificam fechar uma estrutura moderna, completa, com capacidade para 400 alunos, quatro linhas de tiro e quase 30 hectares diária, enquanto outras unidades menores seguem ativas.