Diretor Presidente do IPE Previdência publica instrução normativa que regulamenta cadastro de dependente previdenciário
INSTRUÇÃO NORMATIVA IPE PREV Nº 13, DE 18 DE JULHO DE 2023.
Regulamenta o Cadastro de Dependente Previdenciário – CDP, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 15.142, de 5 abril de 2018.
O DIRETOR-PRESIDENTE DO INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – IPE PREV,
no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 48 da Lei Complementar nº 15.142 e pelo inciso VII do art. 14 da Lei Complementar nº 15.143, ambas de 05 de abril de 2018, e considerando a necessidade legal de regulamentar o procedimento administrativo da inscrição, pelos segurados ativos e inativos, civis e militares, de seus dependentes no RPPS/RS,
DETERMINA:
Art. 1º Fica regulamentado o Cadastro de Dependente Previdenciário – CDP, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 15.142, de 5 abril de 2018, cuja inscrição deverá observar o estabelecido nesta Instrução Normativa.
§1º A inscrição no CDP dos dependentes dos segurados, ativos e inativos, civis e militares, vinculados ao RPPS/RS , será realizada no Sistema de Recursos Humanos – RHE e tem como objetivo a centralização das informações acerca dos beneficiários à pensão por morte.
§2º A gestão do CDP será de responsabilidade dos departamentos de recursos humanos.
Art. 2º O s segurados do RPPS/RS que tenham dependentes previdenciários deverão inscrevê-los no módulo CDP, independentemente de já o terem feito em outro módulo de dependência no Sistema RHE.
§1º A inscrição dos dependentes no CDP deverá ser realizada pelos segurados em plataforma “web”, por um dos seguintes meios:
– para os segurados ativos, através da Interface RHE – IF-RHE ou APP Servidor RS; e
– para os segurados inativos, através do APP Servidor RS.
§2º Na hipótese de impossibilidade de realização da inscrição no CDP através do IF-RHE ou do APP Servidor RS, os segurados ativos e inativos deverão efetuá-la junto ao respectivo departamento de recursos humanos.
Art. 3º São dependentes previdenciários, observado o disposto no art. 5º da presente IN:
– o cônjuge;
– o cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato e o ex-companheiro ou a ex-companheira com percepção de pensão alimentícia estabelecida judicial ou extrajudicialmente;
– a companheira ou o companheiro;
– o filho não emancipado, de qualquer condição, que atenda a 1 (um) dos seguintes requisitos:
menor de 21 (vinte e um) anos;
menor de 24 (vinte e quatro) anos, quando solteiros e estudantes de segundo grau e universitários;
inválido;
com deficiência grave, nos termos do regulamento; ou
com deficiência intelectual ou mental, nos termos do regulamento;
– os pais dependentes economicamente; e
– o irmão não emancipado de qualquer condição, dependente economicamente e que atenda a um dos requisitos previstos no inciso IV deste artigo.
§ 1º Equiparam-se a filho, nas condições do inciso IV deste artigo, o enteado e o menor que, por determinação judicial, esteja sob a tutela ou a guarda do segurado e viva sob sua dependência econômica .
§ 2º Os segurados que tenham dependentes previdenciários no grau mencionado no inciso II deverão inscrevê-los no CDP de acordo com o estabelecido no §2º do art. 2º da presente IN.
Art. 4º Os dados informados no CDP são de responsabilidade do segurado e não necessitam ser documentalmente comprovados no momento da inscrição.
§1º A alteração, a inclusão e a exclusão de dados no CDP poderão ser realizadas a qualquer tempo pelo segurado.
§ 2º O óbito de dependente previdenciário deverá ser informado pelo segurado no CDP.
Art. 5º O dependente previdenciário inscrito no CDP somente será beneficiário do RPPS/RS após habilitado ao benefício pensão por morte, em procedimento específico, de acordo com a legislação vigente à data do óbito do segurado.
Parágrafo único. A inscrição no CDP não dispensa a apresentação dos documentos comprobatórios exigidos no momento do requerimento à pensão por morte, conforme disposto nos Anexos da Instrução Normativa IPE Prev nº 10, de 28 de
junho de 2021.
Art. 6º No processo de recadastramento anual será necessária a validação, pelo segurado, dos dependentes inscritos
no CDP.
Art. 7º Os casos omissos serão avaliados pela Diretoria de Benefícios, que encaminhará à Diretora Executiva para deliberação.
Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
JOSÉ GUILHERME KLIEMANN,
Diretor-Presidente.
JOSÉ GUILHERME KLIEMANN
Av. Borges de Medeiros, 1945 Porto Alegre
JOSÉ GUILHERME KLIEMANN
Diretor-Presidente.
Av. Borges de Medeiros, 1945, Bairro Praia de Belas Porto Alegre
O Jornal Correio Brigadiano, na intenção de valorizar a cultura gaúcha, foi ao encontro de uma das organizações que cultuam a tradição gaúcha e encontrou junto a ABAMF dos servidores da BM o CTG Tropeiros da Tradição.
O CTG, carrega inovações e tem conquistado destaques importantes no cenário estadual, começando pela 1ª mulher a dirigir o Departamento de Tradições da entidade, em uma gestão que vai até 2027.
Márcia Cristina Borges da Silva, Diretora do Departamento de Tradições da ABAMF é responsável por coordenar uma Patronagem composta pela maioria do sexo masculino o que em nada interfere na elevação dos bons conceitos da Tradição Gaúcha.
Soldado Marcia Cristina – Departamento de Tradições da ABAMF
Entrevistada pelo Comunicador da Rádio Studio 190, Clésio Gonçalves, a Patroa Márcia é Policial Militar há 23 anos, lotada no DE- Museu da BM, Historiadora e Pedagoga, integrante da Comissão Gaúcha de Folclore do Estado e assumiu o cargo de Conselheira da Fundação Cultural Gaúcha do MTG neste mês de junho de 2023.
Tenho a honra de estar a frente deste departamento que apresenta resultados importantes no cenário estadual graças a dedicação de algumas pessoas, entre elas: Capatazia Cultural. Sra Elir, Capatazia Campeira o Sr Márcio, Capatazia Artística o Sr. Régis e a Sra. Christiane, Capatazia de Bailes o Sr. Damião e a Sra Thais, Capatazia Social o Sr. Alex e a Sra Luciene e as Sota Capatazes Regina e Janaína.
A ABAMF dos Servidores de nível médio da BM, por meio deste importante departamento e na pessoa da Patroa Marcia, tem destacado seus integrantes para dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).
Ana Julia, primeira prenda do RS.
A atual 1°Prenda do Rio Grande do Sul, por exemplo, a senhorita Ana Júlia é filha do capataz campeiro Márcio e Janaína integrantes da Patronagem do CTG Tropeiros da Tradição e teve como uma das suas professoras para a preparação da Ciranda de Prendas a Patroa Márcia.
1ª Prenda Mirim e Primeira Prenda da 1ª Região Tradicionalista
No mês de junho de 2023 as Prendas Valentina e Carolina conquistaram na Ciranda Regional de Prendas o título de 3ª Prenda Mirim e 1° Prenda da 1ª Região Tradicionalista.
O CTG está com uma intensa programação, tendo iniciado no mês de Júlio as Quarta-Feiras, Bailantas do CTG Tropeiros da Tradição, emu ma ambiente que a cada edição agrega cada vez mais admiradores.
O CTG Tropeiros da Tradição está localizado junto a ABAMF dos Servidores de Nível Médio da BM na Avenida Veiga 223, no Bairro Partenon em Porto Alegre e tem como presidente estadual o Soldado Potiguara Galvam.
Ação rápida foi realizada na madrugada desta sexta-feira, em posto de combustível
MATHEUS MORAES GZH
Uma bebê de quatro meses foi salva por policiais do 3º Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) da Brigada Militar, em Erechim, no norte do Estado, na madrugada desta sexta-feira (21).
Os policiais estavam com a viatura em um posto de combustível, localizado às margens da BR-153, quando um veículo chegou e os pais desceram pedindo por socorro, em razão da bebê ter se engasgado com medicamento.
Ao sair do carro, a mãe da bebê entregou a criança aos policiais. O soldado Rodrigo Ferreira realizou a manobra de Hemlich para desobstruir as vias aéreas da bebê. Após reanimar a criança, os pais foram orientados a levar a filha para o atendimento médico, no hospital de Erechim.
De acordo com o soldado Rodrigo Ferreira, foi gratificante ter ajudado a salvar a bebê. Ele relata que os pais fizeram contato, posteriormente, e informaram que a criança está em casa e passa bem.
— Eles chegaram rápido pedindo socorro. Fizemos a manobra e ela (bebê) retornou rapidamente. Uma menina linda, de olho azul, abriu um sorrisão. É muito gratificante, ficamos muito felizes em ajudá-la — declara.
Em uma iniciativa do Comando do 11º BPM, foi entregue na tarde do dia 18/07 uma comenda do batalhão ao Coronel RR Álvaro Raul Cruz Ferreira, que foi Subcomandante da unidade na década de 80.
A homenagem foi entregue pelo atual Comandante do 11º BPM Ten. Coronel Daniel Araújo em uma clínica da Zona Sul da Capital onde o oficial se encontra.
Acompanharam os atos de homenagem alguns oficiais e praças dentre eles:
Coronel Jerônimo Braga, presidente da Associação do Museu da BM,
Coronel Paulo Roberto Mendes – Desembargador da JME
Coronel Marcos Paulo Beck, presidente da ASOFBM,
Coronel Ataíde Moraes Comandante da Legião Altiva
Coronel Estanislau Waldir Wasenkeski e Coronel Aroldo Veriano, da Legião Altiva da BM; dentre outros.
Ainda como representantes dos veteranos do 11º BPM o 1º Ten. Wilson, e Sgt Portela que entregaram uma placa alusiva ao evento realizado em homenagem ao aniversário do Batalhão.
O Comandante Ten. Cel. Daniel Araújo, reputou a visita, como uma homenagem a uma lenda viva da unidade e da Brigada Militar que ainda se emociona com a cançao do 11º BPM.
Após a homenagem, familiares do Coronel Álvaro ofereceram um coquetel aos visitantes.
Exposição “Ninguém fica para trás” reúne 30 imagens captadas pelo fotógrafo Rodrigo Ziebell
JULIANA BUBLITZ GZH
O fogo atingiu grandes proporções
Rodrigo Ziebell / DivulgaçãoNos escombros, objetos pessoais de quem trabalhava no local resistiram às chamas
Rodrigo Ziebell / DivulgaçãoDezenas de homens e mulheres participaram da operação
Rodrigo Ziebell / DivulgaçãoTrabalho exigiu extrema perícia e muito cuidado
Rodrigo Ziebell / DivulgaçãoA montanha de escombros foi o principal desafio nas buscas
Rodrigo Ziebell / DivulgaçãoMomento de força e união entre os bombeiros
Rodrigo Ziebell / Divulgação
Há dois anos, o antigo prédio da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), em Porto Alegre, era consumido pelas chamas, levando dois bombeiros à morte. Os bastidores do trabalho de busca e resgate – que se estendeu por uma semana, de forma ininterrupta e incansável – foram registrados em detalhes pelo fotógrafo Rodrigo Ziebell e deram origem à exposição “Ninguém fica para trás”.
Em 30 fotos impactantes e inéditas, Ziebell, que é soldado da Brigada Militar e, à época, atuava no setor de Comunicação da secretaria, junto do então secretário e vice-governador Ranolfo Vieira Jr, revela a obstinação das equipes do Corpo de Bombeiros em meio aos escombros.
Ele foi testemunha ocular do esforço dos profissionais envolvidos na missão de encontrar os colegas desaparecidos – o sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós, 51 anos, e do tenente Deroci de Almeida da Costa, 46, que foram localizados e receberam as devidas homenagens.
— Não foi fácil. Passei os sete dias lá, registrando tudo. Foi uma das coberturas mais difíceis que já fiz — conta Ziebell, que hoje é fotógrafo do vice-governador, Gabriel Souza.
Com curadoria do jornalista Carlos Ismael Moreira, a mostra está em cartaz até o dia 20 de julho, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, no primeiro andar da nova sede da SSP (Av. Pernambuco, nº 649), no bairro Navegantes, em Porto Alegre. A entrada é franca.
As fotos da exposição fazem parte de um conjunto de centenas de imagens
Quatro duplas formadas por cachorro e adestrador trabalham em operações no RS e outras seis estão em treinamento
LUIZ DIBE GZH
A conexão entre humano e cão é há muito conhecida, a ponto de o animal, muitas vezes, ser chamado de “melhor amigo do homem”. Nas atividades de busca e salvamento, esta ligação tem como designação a palavra binômio: como se cachorro e adestrador fossem um só.
No próximo sábado (15), o êxito desta parceria será celebrado com a passagem dos 20 anos do Canil da Companhia Especial de Busca e Salvamento (CEBS) do Corpo de Bombeiros. Atualmente, o grupamento, que tem sua sede no Cais Mauá, em Porto Alegre, mantém quatro binômios prontos para atuar em operações decorrentes de desastres naturais ou estruturais, além de seis outras duplas em treinamento.
— Havia no passado o entendimento de que se tratava de uma importante ferramenta, mas hoje temos uma visão mais significativa. Trata-se de uma comunhão, uma relação de confiança que se estabelece entre humano e animal sob o propósito especial de preservar e salvar vidas — define o comandante da CEBS, tenente-coronel Ricardo Mattei Santos.
O emprego dos binômios pelo grupamento dos bombeiros teve sua história constituída de uma forma um pouco casual. Em 2003, o sargento Gerson Meireles, que era soldado à época, imergiu no ambiente de criação de cães, motivado pela ideia de incorporar os talentos caninos ao trabalho dos bombeiros militares.
— Não tinha esta determinação oficialmente. Foi tudo por iniciativa de algumas pessoas que acreditavam nesta possibilidade. Eu mesmo fui atrás do primeiro candidato ao treinamento, em canis da Região Metropolitana — conta Meireles.
A primeira busca
Sargento Meireles com o cão Luck, o primeiro “herói” do grupo fundado em 2003, que atuou por 14 anos em salvamentosCorpo de Bombeiros / Divulgação
O escolhido tinha o destino traçado: nasceu num criadouro de labradores no dia 2 de julho, Dia do Bombeiro Brasileiro. Levou o nome de Luck, sorte na língua inglesa.
Nos primeiros meses de vida e treinamento, Luck viajava de ônibus, dentro de uma caixa de papelão ajeitada por seu tutor bombeiro. Chegavam ao quartel e dedicavam as horas livres a testes de habilidades e estudos para aprimoramento dos treinos.
— A vida melhorou um pouco e eu comprei um carrinho. Passamos a vir para o trabalho de Fusca. Depois de um certo tempo, já tínhamos treinado bastante. Havia um desenvolvimento perceptível, mas nunca havia sido colocado em prática — lembra o adestrador.
A oportunidade surgiu naquele mesmo ano. A Polícia Civil fazia buscas em um caso de desaparecimento, que, segundo investigação, tinha características de homicídio com ocultação do cadáver. O caso ocorreu no Morro da Cruz, na Capital.
— Fomos chamados pelo delegado do caso. Chegamos ao local das buscas e havia dezenas de policiais civis e militares trabalhando, veículos de imprensa e gente da comunidade. Quando vi todo aquele pessoal, congelei na viatura. Pensei: “Imagina se falharmos diante de todas estas pessoas. Vamos virar piada e o trabalho todo vai por água abaixo” — recorda o sargento Meireles.
Segundo ele, o responsável pela investigação se aproximou e disparou:
— São vocês que vão encontrar o cadáver pra mim?
Luck entrou em ação ao lado de seu treinador.
— Ele andou no terreno e parou ao lado de uma cocheira. Começou a farejar com mais intensidade. Não tive nem sequer tempo de analisar a situação. Me perguntaram: “É aí? Podemos começar a cavar?” — lembra o bombeiro.
Timidamente, Meireles assentiu, sem falar:
— Sem convicção nenhuma. Mas o que eu poderia dizer?
Minutos se passaram. Os policiais impacientes se entreolhavam, enquanto cavavam o buraco.
— Lá pelas tantas, uma das pás ressonou um barulho diferente, seco, mais audível. Saiu o peso do mundo de cima dos meus ombros. O corpo tinha sido encontrado — diz, em tom que ainda é de comemoração.
No dia seguinte, o comandante da CEBS chamou Meireles e outros para uma reunião. Vieram duas revelações: a primeira era de que os participantes da iniciativa estavam sendo congratulados pelo êxito do trabalho. A segunda era de que a CEBS teria, dali por diante e oficialmente, a tarefa de treinar cães e homens para se tornarem os binômios que hoje prestam relevantes contribuições à sociedade gaúcha.
Para se ter uma ideia, entre 2018 e o primeiro semestre de 2023, as equipes atuaram em 258 ocorrências de busca, salvamento ou encontro de restos biológicos humanos.
Conforme o tenente-coronel Romeu Rodrigues da Cruz Neto, primeiro comandante do Canil da CEBS e atual chefe de Logística do Departamento de Comando e Controle Integrado da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado, a experiência da qual ele fez parte transformou uma cultura.
— A gente havia ficado impressionado com a utilização dos cães nos resgates após a tragédia do World Trade Center, em Nova York, e achou que poderia ser útil para os bombeiros gaúchos também. O tempo nos mostrou algo muito maior: a superação de preconceitos para a criação de uma nova cultura de efetividade no trabalho de segurança, de visão institucional e de reconhecimento pela sociedade. Em um aspecto ainda mais significativo para nós, uma mudança de visão de vida, relação com os animais e com o meio ambiente — define Cruz Neto.
Modelos de treinamento
De acordo com o sargento Alexandre Furtado, as definições técnicas de treinamento aplicadas ao trabalho de segurança pública estão organizadas em três modalidades principais. Entenda abaixo cada uma delas:
Resgate de pessoas vivas
O cão é treinado para encontrar pessoas perdidas em ambiente natural, mesmo sob condições climáticas e terrenos hostis, para localizar vítimas de desastres estruturais, como deslizamentos que atingem moradias ou acidentes em edificações.
Um exemplo desta aptidão é o labrador chocolate Bono. Brincalhão com sua bolinha de tênis sempre na boca, mesmo aos 10 anos e perto da aposentadoria, este inteligente cachorro atuou em diversas ações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, como no caso do escoteiro desaparecido no Cânion da Fortaleza, eintegrou a força-tarefa nas buscas pelos sobreviventes da tragédia envolvendo a ruptura da Barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, em 2019. Trabalhou ao lado de seu adestrador, o sargento Gerson Meireles.
O treinamento consiste em registrar odores humanos em diferentes objetos para que o cachorro aprenda a identificar e rastrear o caminho percorrido pela pessoa perdida e determinar sua localização. São utilizados brinquedos e peças de roupa com cheiro deixado pela transpiração, contato com a pele e resíduos de saliva, que são frequentemente renovados para manter o odor vivo.
São utilizados percursos planejados, veículos de terra, água e ar, diferentes terrenos para que o animal jamais tenha objeção a investigar os potenciais cenários de um salvamento.
Labrador chocolate Bono, alegre e brincalhão, é o vovô da turma atualAndré Ávila / Agencia RBS
Resgate de restos biológicos humanos
Os animais são ensinados, por meio de experiências pelo contato com odores e, sobretudo, gases provenientes da decomposição de tecidos humanos, a localizar e apontar a presença de material biológico sem vida.
A prática é realizada para encontro de cadáveres abandonados ou escondidos por criminosos e também para busca de pessoas falecidas em desastres.
Uma das integrantes da CEBS com tal qualificação é a Guria, uma simpática representante da raça pastor belga malinois. A bichinha é treinada pelo sargento Alexandre Furtado Silveira, que a selecionou em uma ninhada de pastores aos 45 dias de vida e acompanha diariamente seu desenvolvimento até hoje.
Para demonstrar atividades e expressar a relevância da atuação, o tutor da cachorrinha, que está com quatro anos, administra um perfil institucional na rede Instagram, chamado @guriabombeira, onde há fotos e relatos.
Guria, da raça pastor belga malinois, é herdeira do talento exercido por seus antecessoresAndré Ávila / Agencia RBS
Buscas por odor específico
A terceira modalidade de treinamento tático realizada na CEBS é a das buscas pelo odor específico de pessoas, definida quando o alvo da procura é uma pessoa em especial. Tal qualificação se assemelha às representações que são vistas em filmes e séries de ação policial, nas quais o treinador oferece uma peça de roupa da pessoa procurada e o cão parte em busca de sua localização.
Na unidade dos bombeiros da Capital, a pequena Melt, de apenas quatro meses de vida, está em treinamento para adquirir esta habilidade.
Conforme seu adestrador, soldado bombeiro Eugênio Goulart, o treino consiste em determinar um alvo, normalmente designado como “figurante” na ação, o qual geralmente é um outro adestrador que esteja disponível.
Esta pessoa deve se esconder em diferentes cenários, a diversas distâncias e relevos, utilizando artifícios como obstáculos físicos, obstrução do caminho ou do contato visual, para que Melt resolva o enigma e encontre o alvo.
O odor deste figurante é impregnado em algum objeto para ser reconhecido. Ao final, diante do sucesso no encontro do alvo, os bichinhos recebem recompensas, que podem ser carinhos, brinquedos ou guloseimas.
Melt, de apenas quatro meses, está em treinamento para reconhecer odores e localizar alvos específicosAndré Ávila / Agencia RBS
Tempo de trabalho e aposentadoria
De acordo com os treinadores da CEBS, cada animal tem seu tempo de atividade e reconhecimento ao descanso após atingir estágio avançado de maturidade, segundo as próprias características biológicas. Alguns trabalham por cerca de 10 anos, até chegarem a um perceptível declínio de seu vigor físico e sensorial. Após a jornada de serviço prestado à sociedade, invariavelmente os cães permanecem até o final da vida com seus tutores, estabelecendo o fechamento no elo de cumplicidade e amizade criado no início do treinamento.
É o caso do primeiro personagem apresentado na reportagem, precursor da atuação de cães junto aos bombeiros gaúchos, o labrador preto Luck. Quando faleceu, o herói de inúmeros resgates ao lado do sargento Meireles foi cremado.
— Suas cinzas estão em uma urna. Pedi aos meus familiares, pois ninguém vive para sempre, que ao final da vida eu seja cremado. Nossas cinzas sejam unidas e depositadas próximo à Pedra do Segredo, no Cânion da Fortaleza, em Cambará do Sul. Vamos fertilizar juntos nova vida na natureza — aponta o adestrador.
Futuro da Cebs é virar batalhão
Atual comandante do Canil da Companhia Especial de Busca e Salvamento, a capitã Cátia Cilene Gonçalves revela que há esforços para elevar a CEBS ao status de batalhão, o que definirá mais acesso a recursos humanos, animais, materiais e estruturais.
— Estamos prestes a nos tornarmos um batalhão, o que demonstra a importância desta atividade apaixonante à qual nos dedicamos aqui. Há muita alegria por parte de todos ao sabermos como os resultados trazem benefícios e reconhecimento da sociedade — analisa a capitã formada na primeira turma de oficiais do Corpo de Bombeiros Militares do Rio Grande do Sul.
Atualmente, a unidade conta com quatro cães aptos para entrar em ação e outros seis em treinamento
André Ávila / Agencia RBSBinômios: Eugênio e Melt, Furtado e Guria, Meireles e Bono (D). Ao centro, tenente-coronel Romeu e capitã Cátia
André Ávila / Agencia RBSGuria segue as orientações de seu treinador. “Conexão é fundamental”, diz o sargento Alexandre Furtado Silveira
André Ávila / Agencia RBSA transposição de degraus e terrenos irregulares é um dos cenários encontrados nas operações de resgate
André Ávila / Agencia RBSParte do treinamento é praticada indoor, simulando terrenos e cenários possíveis em desastres e acidentes
André Ávila / Agencia RBSPastor belga malinois Guria tem quatro anos e é especialista na localização de restos biológicos humanos
André Ávila / Agencia RBSCompanhia Especial de Busca e Salvamento tem sua sede estabelecida no Cais Mauá, em Porto Alegre
André Ávila / Agencia RBS
Gazeta do Sul conta a história de dois integrantes do 6º BBM e destaca alguns momentos da sua trajetória na corporação, em comemoração à data
Por CLAUDIA PRIEBE PORTAL GAZ
Combate a incêndios foi uma das atividades desenvolvidas no “Bombeiros por um Dia”Foto: Rafaelly Machado
Neste domingo, 2, se comemora o Dia do Bombeiro Brasileiro. A fim de destacar a importância do trabalho desses profissionais para a sociedade, anualmente se realiza uma programação especial para aproximar a comunidade da realidade diária vivida dentro dos Batalhões de Bombeiros Militares. No Rio Grande do Sul são 12 BBMs no total. O instalado em Santa Cruz é o 6º BBM, que conta com nove unidades operacionais – uma está no município e as demais em Cachoeira do Sul, Encantado, Encruzilhada do Sul, Estrela, Lajeado, Venâncio Aires, Vera Cruz e Rio Pardo. Com atuação nos Vales do Rio Pardo e Taquari, abrange uma área de 56 municípios e um contingente de cerca de 850 mil pessoas.
O trabalho é prestado por cerca de 230 militares em toda a região abrangida. Uma prova resumida do que eles enfrentam diariamente foi apresentada a um grupo de 25 pessoas de Santa Cruz, Vera Cruz e Vale do Sol na tarde da última quarta-feira, quando ocorreu mais uma edição do “Bombeiro por um Dia”. Foi a oportunidade de as pessoas participarem de simulações envolvendo ações de resgate, primeiros-socorros e combate a incêndios, entre outras, usando os Equipamentos de Proteção Individual e de Proteção Respiratória.
Conforme o comandante interino do 6º BBM, major Joel Dittberner, a prática é realizada em cada um dos Batalhões do Estado para que as pessoas vejam a realidade enfrentada pela corporação e entendam que, mesmo não sendo uma tarefa fácil, é possível de ser executada. “A comunidade pode ver que o bombeiro faz um trabalho essencial e esse trabalho está inserido no contexto da sociedade e do seu crescimento. Por isso é tão importante promover essa integração”, considerou.
Ele observa que os principais desafios se referem à gestão de recursos humanos e financeiros, pois os Batalhões não têm essa autonomia e dependem do comando-geral da corporação e do Estado, que realiza os concursos públicos para ingresso de novos servidores. No entanto, segundo Dittberner, pelo fato de a região de Santa Cruz do Sul ser acolhedora e próspera, muitos dos aprovados no concurso procuram o 6º BBM para atuar e se estabelecer, motivo pelo qual não há dificuldade quanto ao efetivo. Para valorizar o trabalho de quem dedica sua vida a salvar e proteger as demais, a Gazeta do Sul conta a história de dois integrantes do 6º BBM e destaca alguns momentos da sua trajetória na corporação.
Tenente Angelo Dias Barros, 33 anos de serviço
Promovido a tenente em 2021, Angelo Dias Barros, 52 anos, presta serviço aos Bombeiros Militares há mais de três décadas. Natural de Cachoeira do Sul, já sabia desde a adolescência que dedicaria sua vida para salvar a de outras pessoas. Ele lembra que com 14 anos costumava ir nadar no Rio Jacuí, muitas vezes fugido dos pais, e via os bombeiros trabalhando como salva-vidas. “Eu ficava ali olhando e ajudava a tirar as boias da água. Quando o expediente deles encerrava, eu recolhia tudo e ganhava carona de volta para casa na viatura. Eu sempre dizia que ia ser bombeiro como eles”, detalhou.
Foi com essa motivação que, aos 17 anos, ingressou como voluntário no Exército e, aos 18, prestou concurso para os Bombeiros Militares. Barros iniciou a carreira como soldado em Porto Alegre e na década de 1990 começou a prestar serviço no Batalhão de Santa Cruz, onde permaneceu por sete anos. Depois disso, prestou serviço novamente em Porto Alegre e também em Cachoeira e Rio Pardo. Ao longo de todos esses anos, participou de seleções internas até conquistar o atual cargo.
No ano passado, Barros retornou a Santa Cruz para atuar como comandante do Pelotão local e do Pelotão de Vera Cruz. “Eu tive a satisfação de poder voltar para Santa Cruz. Foi aqui que eu atuei no início da minha carreira e vai ser aqui que vou me aposentar”, contou. Daqui a dois anos ele precisará deixar a corporação, pois terá atingido os 35 anos de serviços ininterruptos.
Angelo Dias Barros tem mais de três décadas de dedicação à corporação | Foto: Rafaelly Machado
Ao fazer uma retrospectiva de tudo que viveu enquanto Bombeiro Militar, Barros diz que teve a oportunidade de salvar mais de mil pessoas. “Desde crianças engasgadas com o leite materno até acidentes de trânsito com vítimas presas em ferragens, amputadas, com múltiplas fraturas ou com parada cardíaca. Também trabalhei como salva-vidas e já fiz o salvamento de três pessoas, com uma única boia, no mar. Atendi incêndios, com e sem vítimas fatais, em casas, prédios, mato. Resgatei aves e animais”, relatou entusiasmado. “Precisamos estar sempre prontos para agir. “Quando saio para atender uma ocorrência, sempre peço para Deus me dar o devido conhecimento técnico profissional, coragem e força para salvar a vida das pessoas, em primeiro lugar, e depois o seu patrimônio”, acrescentou.
Com muita convicção, o tenente Barros diz que “ser bombeiro é fazer o bem sem olhar a quem e salvar o semelhante dando, se preciso, a própria vida”. Ele garante que a vontade de trabalhar que tem hoje, com 33 anos de serviço, é a mesma que tinha no seu primeiro dia como Bombeiro Militar. Como sua aposentadoria será inevitável, ele diz que já tem planos para ocupar o tempo que terá livre: vai comprar um trailer para viajar pelo Brasil afora e aproveitar para visitar os Batalhões de Bombeiros Militares em cada um dos estados.
Soldado Bruna Roberta Toillier, 4 anos de serviço
Bióloga por formação, Bruna Roberta Toillier, 29 anos, de Santa Cruz, é hoje soldado dos Bombeiros Militares. Quando decidiu mudar de profissão e prestar concurso público, ela conta que se identificou com a área da Segurança Pública pelo fato de seu pai sempre ter trabalhado com vigilância e segurança. Ao ser aprovada em três concursos diferentes, o da Susepe, o da Polícia Civil e o dos Bombeiros, assumiu naquele em que foi chamada primeiro. “Fiz o concurso em 2018, mesmo não tendo muita noção do trabalho de bombeiro. A partir de fevereiro de 2019, durante as etapas do curso básico de formação, eu comecei a me encantar, de fato, pela função e percebi que era o que eu realmente queria fazer.”
Após a conclusão do curso, cuja duração foi de cerca de sete meses, Bruna foi atuar no Batalhão de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, porque na região não tinha vaga disponível. “Fiquei em Bento por quatro anos e há dois meses consegui transferência aqui para Santa Cruz. Isso me deixou muito feliz, porque a minha família toda está aqui”, comemorou. Atualmente, ela se reveza em duas frentes de trabalho: na prevenção de incêndios e no socorro. A primeira consiste basicamente em fiscalizações e vistorias de edificações e casas de festas. Embora se identifique mais com os atendimentos pré-hospitalares feitos com a ambulância, a soldado garante que, independentemente do setor, não vai deixar de trabalhar em prol da população.
Bruna Roberta Toillier é bióloga por formação | Foto: Rafaelly Machado
Sobre os desafios do seu trabalho, cita as barreiras que precisa enfrentar pela condição de ser mulher, já que a profissão ainda é ocupada majoritariamente por homens. Ela é uma das dez mulheres que integram o pelotão do 6º BBM. No momento das ocorrências, Bruna conta que “blinda” o emocional para conseguir atender de forma rápida a situação que, naquele momento, precisa ser resolvida. Das ocorrências mais marcantes até então, cita um acidente de carro no qual um bebê de poucos meses ficou órfão de pai e de mãe. Com planos de seguir carreira na corporação, Bruna tenta definir a função de bombeiro com duas palavras: troca e ajuda. “A troca com as pessoas que são auxiliadas e o retorno que a gente recebe depois dos atendimentos é a maior recompensa. É o mais gratificante de tudo”, avaliou.
O 6º BBM
O 6º Batalhão de Bombeiros Militares se divide em duas companhias operacionais. A primeira é responsável por Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, Rio Pardo, Santa Cruz e Vera Cruz. Já a segunda é responsável por Encantado, Estrela, Lajeado e Venâncio Aires. Ao todo, conta com cerca de 230 militares e cem viaturas operacionais.
Como se tornar bombeiro militar?
Para ingressar na corporação, há duas possibilidades. Quem tiver o Ensino Médio completo pode iniciar como soldado e alcançar o posto de tenente. Para tanto, é preciso ter no máximo 25 anos na data da inscrição. O salário-base é de R$ 5 mil. Quem tiver o Ensino Superior completo (bacharel em Direito) pode ingressar como capitão e alcançar o posto de coronel (o cargo máximo da corporação). Nesse caso, é preciso ter no máximo 29 anos na data da inscrição para o concurso. O salário-base é R$ 20 mil.
Trajado de colete preto da polícia, o pet virou sensação
PorFelipe Faleiro Correio do Povo
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, tem um agente muito especial. O golden retriever MacGyver é inspirado no personagem da ficção, um espião altamente inteligente que prefere resolver os conflitos sem violência, derrotando o inimigo com seu vasto conhecimento científico e os recursos à disposição. O cão MacGyver tem inteligência e capacidade de resolução destas situações muito similares, mas sua função é ligeiramente diferente.
O animal, que completa sete anos em agosto, pertence à delegada Priscila Salgado, titular da Deam desde fevereiro deste ano. O local fica no Centro Integrado de Segurança Pública, complexo onde também estão órgãos como a Secretaria Municipal de Segurança Pública (SMSP), a Defesa Civil do município, o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e a Guarda Municipal. Tal qual um vigilante atento, MacGyver circula pelo local demonstrando docilidade, porém, impondo respeito, e não se espanta com o fluxo de pessoas.
A Deam é a delegacia responsável por acolher mulheres vítimas de violência doméstica, bem como suas famílias em estado de vulnerabilidade. Portanto, um trabalho bastante delicado. “Precisamos trabalhar esta confiança e proximidade. Quando uma criança me vê toda vestida de preto, com o uniforme da Polícia Civil, talvez não vai me dar bom dia, mas se eu estiver com um cachorro, ela tem curiosidade, abraça, tem vontade de interagir”, comenta a delegada. Dentro de seu gabinete, está estrategicamente posicionada junto ao chão uma tigela com água, reposta periodicamente para conter a sede do cão, que tem mais de 38 quilos.
As histórias de MacGyver e Priscila se cruzaram por volta de seis anos atrás, quando ele foi adquirido de um canil pela delegada. “Acho que para suprir uma carência familiar”, conta ela. Na época, Priscila era delegada plantonista em Canoas, trabalhando em regime de escala, o que a fazia ter mais tempo livre. Ela reconhece que a aquisição foi algo arriscado, em razão de o animal requerer, no mínimo, muito espaço e, de preferência, companhia constante. A solução encontrada por ela, então, foi levá-lo, ainda filhote, algumas vezes ao trabalho.
Em 2017, Priscila foi lotada na Deam de Gravataí e MacGyver foi junto. O delegado Volnei Fagundes Marcelo, titular regional na ocasião, e também apreciador de cães, aprovou a ideia. A partir daí, o cão passou a frequentar a delegacia diariamente. “Foi o ápice da ‘carreira’ dele. Por coincidência, minha sala ficava em frente ao local de espera das vítimas. Além da violência doméstica, também atendíamos crimes sexuais contra vulneráveis. Havia um fluxo grande de crianças na delegacia, tanto que tínhamos uma sala com brinquedos. Como ele ficava sempre junto a mim, acabava distraindo elas. Foi algo natural, a gente não ensinou. As crianças ficavam mais tranquilas”, comenta a delegada.
PAPEL LÚDICO
Afeito a carícias e passeios, MacGyver logo tornou-se instrumento de ampliação do caráter lúdico desta atividade da Polícia Civil. Assim, passou a frequentar palestras em escolas da Região Metropolitana, acompanhando Priscila onde ela era convidada a falar sobre temas como bullying e crimes sexuais em geral. Trajado de colete preto da polícia, o cão virou sensação e, por onde passava, sempre foi muito tietado. “Ele fazia um ou outro truquezinho, brincava com bola, permanecia no recreio com as crianças. Isto faz com que as pessoas confiem mais na Polícia”, diz a delegada.
Em 2019, uma mudança no comando da Polícia Civil fez com que MacGyver e sua dona fossem deslocados ao serviço administrativo, junto à Divisão de Armas, Munições e Explosivos (Dame), voltada ao público interno. Lá, ela permaneceu até o início de 2023, quando foi novamente realocada, desta vez para a Deam canoense, local que, de acordo com ela, costuma receber mais mães do que crianças.
A sala dela também passou a ficar mais longe do plantão. Não significa, contudo, que o cão deixou de atrair a atenção. Quando cruza a porta da delegacia, MacGyver até pode assustar no início, mas a sensação rapidamente desaparece.
Presença ajuda a “quebrar o gelo”
“Por alguns segundos, você até esquece o que veio fazer na delegacia”, afirma Priscila Salgado. O golden retriever já participou de uma ou duas operações policiais junto com a delegada. No ambiente em questão, atenção e astúcia são itens fundamentais, assim como o grau de estresse é extremo. Só que as experiências em campo não foram das melhores. “Como ele anda sem coleira, caminha para lá e para cá, ofegante. É algo que não é agradável para ele. Você tem de trabalhar de forma rápida, e, na verdade, vimos que ele não contribuía e inclusive atrapalhava. Na realidade, o MacGyver não teve função”, diz ela.
De qualquer forma, este gigante gentil, já não tão jovem, no dia a dia é mais afeito ao sossego do escritório do que ao barulho e à correria das ruas. O lazer, no entanto, ainda faz parte de sua vida. Entre as aventuras pelas quais a dupla passou, MacGyver já correu na neve na Argentina e até já circulou de stand up paddle pelo Guaíba. “Por ser muito grande, ele começa a sentir dores nas costas, perdendo um pouco a curiosidade, mas continua sendo meu parceiro para tudo, até onde é possível”, afirma Priscila.
A delegada diz não se recordar de um depoimento específico de vítima à polícia no qual a presença de MacGyver tenha feito a diferença. Porém, ele ajuda a quebrar o gelo de um local que, dependendo das circunstâncias, pode trazer ainda mais angústias. “Quando a criança sente que este ambiente é lúdico e acolhedor, sem dúvida ajuda”, comenta. Mas qual foi o motivo do nome? “Acho que ele veio primeiro, depois o cachorro. Na série, o personagem era um investigador que não portava arma de fogo, resolvia tudo no diálogo. Portamos porque precisamos, só que preferimos não usar, se possível, especialmente em uma delegacia social, onde buscamos resolver conflitos”, explica.
O titular da SMSP em Canoas, delegado Guilherme Pacífico, afirma que a presença de MacGyver representa integração e união. “Ele é um facilitador deste processo no Centro Integrado de Segurança Pública, onde estão localizados diversos órgãos. É um símbolo deste local, transitando por todos os ambientes. E as pessoas que aqui vêm, conseguem perceber a pureza e a tranquilidade do animal. Ficamos muito felizes de tê-lo e, para nós, é motivo de muito orgulho. Mostra também que somos uma instituição amiga dos animais. Ele não atrapalha em absolutamente nada nossos serviços, pelo contrário, potencializa as ações de segurança”, relata ele.
Em breve, Priscila conta que será novamente deslocada, desta vez à Delegacia de Polícia para o Turista (Dptur), localizada nas dependências do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Até haver a nomeação, ela sente que precisa cumprir seu trabalho na Deam e ainda acompanhar de perto a implantação do sistema de tornozeleiras eletrônicas em agressores, já que Canoas é um dos dois municípios gaúchos onde o projeto está sendo implantado em um primeiro momento – o outro é Porto Alegre. “Já demos início à atividade”, diz ela.
No último dia 6, após decisão da Justiça de Canoas, Polícia Civil e Brigada Militar implantaram o primeiro equipamento. MacGyver está próximo da aposentadoria. Até lá, ele recebe todos os mimos de um bom companheiro, além do carinho dos policiais e demais pessoas que circulam pela área e se impressionam com seu tamanho. O que o cão tem de imponente, tem de carinhoso. Mesmo próximo de pendurar o uniforme que possui, ele segue firme na delegacia. “Ele vai comigo para onde quer que eu vá”, ressalta a delegada.
O sargento Adilson do 1º Regimento de Polícia Montada (1ºRPMon), recebeu na tarde desta quinta-feira (29), data do seu aniversário de 65 anos, homenagens do Fórum da Comarca de Restinga Sêca, Brigada Militar, Comando Rodoviário da Brigada Militar, Delegacia de Polícia e do Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública de Restinga Sêca (Consepro).
A cidade de Restinga Sêca, promoveu o evento para homenagear o sargento que ingressou na reforma militar, após atingir idade limite de permanência no serviço militar. O Sargento já havia se aposentado e retornou para ainda trabalhar por vários anos, prestando excelentes serviços à comunidade.
Sargento Adilson, que é natural de Santa Maria, ingressou na Brigada Militar como soldado no dia 03 de setembro de 1979, quando atuou inicialmente em Osório. Depois, em 1982, foi transferido para o município de Taquara. Por fim, em 1987, passou a integrar o 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), em Santa Maria, quando no início de 2004 passou para a reserva.
A partir deste momento, decidiu continuar atuando como policial militar e solicitou ingresso no “Programa Mais Efetivo” (PME), quando ainda em 2004 começou a trabalhar na segurança do Fórum de Restinga Sêca.
Um dos momentos marcantes das homenagens foi a chegada surpresa do filho do sargento Adilson, o soldado Adilson Júnior, que atualmente desempenha suas atividades no Comando Rodoviário da Brigada Militar.
Fonte : Comunicação Social do 1ºRPMon
Créditos das imagens: Marcelo Rodrigues
NOTA JCB: Parabenizamos o Sargento Adilson pela trajetória dentro da Brigada Militar, que seja fonte de inspiração para os que ora permanecem e aos que virão a incluir. Parabéns e um bom descanso.
Para Theo, era um grande sonho se formar bombeiro já com o nome masculino – Foto: Luís André Pinto/Secom
Com 128 anos de história, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) tem, pela primeira vez, um soldado transexual. Theo entrou na corporação como Bruna, mas hoje é o primeiro homem trans a integrar o efetivo da corporação. Agora, o militar carrega na farda o nome Theo, como sempre sonhou, e é tratado por todos como um soldado do sexo masculino – a identidade de gênero que escolheu.
Tanto a transição de gênero de Theo como a sua formatura como bombeiro são bastante recentes. A mudança ocorreu há aproximadamente três meses, e a solenidade, em 16 de junho deste ano. Para Theo, era um grande sonho poder se formar já ostentando no peito o nome masculino no sutache, uma tarjeta fixada sobre o bolso do uniforme que identifica o militar.
“É a realização de um sonho. É como me identifico e como eu esperava ser chamado desde pequeno. Era o sonho de todos os meus amigos ver o nome com o qual me identifico na minha farda, no meu peito. É muito mais do que eu esperava. É maravilhoso para mim”, descreveu Theo.
Aos 24 anos, o bombeiro alterou o seu nome e sexo no registro civil. Bruna Hevia Caravaca, sexo feminino, deixou de existir nos documentos públicos e deu lugar oficial e juridicamente a Theo Hevia Caravaca, sexo masculino, que teve a sua nova identidade prontamente reconhecida pelo CBMRS.
O jovem ingressou no Corpo de Bombeiros no ano passado, após ser aprovado em concurso público. Quando entrou na instituição, Theo ainda estava registrado como Bruna. No início do curso de formação, que durou quase 11 meses, portava-se como uma aluna do sexo feminino, embora tivesse o desejo de que o cenário pudesse ser diferente.
“Desde criança, já me sentia muito desconfortável com os padrões considerados femininos. Quando entrei no Corpo de Bombeiros, já me identificava como Theo e no gênero masculino, mas, por medo, decidi ingressar com o sexo e o nome feminino, porque eu ainda não havia feito a retificação nos meus documentos. Era como se eu estivesse vivendo uma vida dupla. Aqui dentro, me conheciam por Bruna. Lá fora, minha mãe e meus amigos já me chamavam de Theo. Isso estava me deixando muito mal”, relatou o soldado.
Na metade do curso de formação, em uma conversa com a capitã Paula da Fontoura Acosta, comandante da Academia de Bombeiro Militar (ABM), o soldado manifestou o desejo de realizar a transição de gênero, pretensão que foi bem recebida pela corporação.
“Um dia, ela me chamou para conversar e perguntou como eu me identificava. Não esperava. Achei superlegal, me senti acolhido, porque ela se interessou em saber para que eu me sentisse confortável dentro do meu ambiente de trabalho. Então, vi que posso ser quem eu sou aqui dentro, mesmo sendo um ambiente militar. Foi aí que decidi continuar com o meu processo de transição”, contou.
Processo de transição
Após a conversa com a capitã Paula, que demonstrou sensibilidade e empatia, o jovem sentiu-se pronto e confortável para dar início aos trâmites da transição. Mudou o seu registro civil, recebeu a nova identidade e teve seus documentos retificados pelo Corpo de Bombeiros Milotar. Passou a contar também com apoio na área de saúde mental no Hospital da Brigada Militar.
“Juntei todos os documentos que precisava para levar até o cartório. Assim que consegui trocar os documentos, trouxe para os meus superiores, para que pudesse ser feita a parte burocrática”, explicou Theo.
Dentro do quartel, também houve mudanças, como a transferência do alojamento feminino para o masculino. “Desde os meus colegas até os praças e oficiais do Corpo de Bombeiros, tive muito apoio e acolhimento de todos. Nunca sofri nenhum tipo de preconceito. Isso me surpreendeu bastante. Foi um processo muito leve e acolhedor, tanto que me sinto em casa quando chego aqui”, ressaltou.
Natural de Porto Alegre e estudante de Direito, Theo demonstra estar bastante feliz com a nova fase, comemora o relacionamento amistoso com os colegas do CBMRS e faz planos para o futuro. Ele trabalhará em Porto Alegre e, embora ainda não saiba o setor em que ficará, está ansioso para servir.
“Sempre tive vontade de estar no ambiente militar, de ser militar. Após a transição, me sinto muito mais feliz e preparado para servir à sociedade gaúcha. Corpo de Bombeiros é salvar e proteger. Então, eu estando bem comigo mesmo, amando quem eu sou, posso dar o melhor de mim aqui dentro, que é o que a sociedade gaúcha merece”, pontuou.
A formatura de Theo foi emblemática também por outro motivo: a solenidade ocorreu na manhã de 16 de junho, depois do ciclone extratropical que atingiu o Rio Grande do Sul na noite do dia 15. Naquele dia, logo após a cerimônia, os bombeiros recém-formados embarcaram para várias cidades gaúchas, a fim de auxiliar nas missões de busca e salvamento. Theo foi um deles, tendo sido destacado para atuar em cidades como São Leopoldo, Montenegro e Novo Hamburgo.
Theo utiliza uniformes masculinos e iniciou tratamento hormonal. Não realizou nenhuma intervenção cirúrgica para alterar suas características biológicas. Ele cumpriu todos os requisitos do curso de formação, que inclui provas teóricas e práticas. Além disso, deseja passar por uma nova bateria de testes físicos, desta vez em conformidade com sua identidade de gênero.
Neste 28 de junho, data em que se comemora o Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, o comandante-geral do CBMRS, coronel Eduardo Estêvam Camargo Rodrigues, destacou a importância do respeito às diferenças e à diversidade de gênero.
“O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul é composto por pessoas vocacionadas, as quais respeitamos em suas individualidades, indistintamente. Exigimos apenas, como profissionais de excelência que são, um alto nível técnico de preparação para prestar um serviço público de relevância, qual seja, salvaguardar a vida e o patrimônio de toda a população gaúcha. É isso que a sociedade espera e merece de nós: que todos os militares encontrem o ambiente e o treinamento necessários para cumprirem suas missões e, assim, estarem prontos para atuar em qualquer situação”, afirmou.