Em um “abraço” simbólico, lideranças se mobilizam contra extinção da Escola de Formação da BM em Montenegro

Para 2026, a previsão era do ingresso de mais 300 alunos soldados, o que reforça a importância da manutenção da estrutura no município

Fernanda Bassôa Correio do Povo

Uma grande mobilização contra a extinção da Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) da Brigada Militar, na cidade de Montenegro, reuniu autoridades locais, lideranças, representantes da segurança pública e entidades, em frente ao prédio da corporação, no Passo do Manduca. O grupo realizou um abraço simbólico à escola, em um gesto de união pela manutenção da estrutura no Município. Para 2026, a previsão era do ingresso de mais 300 alunos soldados, o que reforça a importância da manutenção da estrutura no município.

A mobilização, que reuniu mais de 100 pessoas, ocorre após o Governo do Estado protocolar junto à Assembleia Legislativa um projeto que pretende transformar a EsFES em um centro de treinamento policial e transferir as vagas para Porto Alegre, além de propor a mudança do 27º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de São Sebastião do Caí, para 5ª Companhia Independente.

Durante o pronunciamento, o prefeito de Montenegro, Gustavo Zanatta reforçou que esteve por dois dias consecutivos na Assembleia Legislativa, articulando com deputados e autoridades do Estado a permanência das atividades. Ele também destacou que já está em contato com membros da Associação dos Municípios do Vale do Caí (AMVARC), buscando apoio regional para fortalecer a defesa da escola.

Para Zanatta, a medida traz impactos diretos não só para a cidade, mas para todo o Vale do Caí pois a Escola da Brigada é estratégica para a segurança pública e para o desenvolvimento regional. Segundo ele, o encerramento das atividades seria “extremamente prejudicial”, pois a EsFES movimenta a economia local, beneficiando comércio, setor imobiliário, supermercados e serviços.

A vereadora Josi Paz anunciou que haverá, nesta quinta-feira, uma mobilização conjunta durante a sessão da Assembleia Legislativa, com a presença de diversas lideranças de Montenegro. Os participantes vão reivindicar que o município mantenha o direito de sediar a EsFES. O ex-comandante da unidade, Oscar Bessi Filho, também manifestou apoio à causa.

A proposta de extinção tem gerado preocupação entre moradores, lideranças comunitárias e representantes da segurança pública, que destacam a importância da EsFES para a formação de soldados, para a sensação de segurança entre os munícipes e para o fortalecimento regional da Brigada Militar, além da movimentação econômica no município.

Na semana passada, instituições contrárias ao projeto proposto pelo Governo do Estado – Associação Comercial e Industrial (ACI), Sindilojas, Ordem dos Advogados (OAB), Câmara de vereadores e o Consepro – solicitaram esclarecimentos sobre os critérios técnicos que justificam fechar uma estrutura moderna, completa, com capacidade para 400 alunos, quatro linhas de tiro e quase 30 hectares diária, enquanto outras unidades menores seguem ativas.

Do faro ao patrulhamento: como é a formação da tropa canina da Brigada Militar em Passo Fundo

Canil do 3º Batalhão de Polícia de Choque conta com 12 cães que atuam em diferentes ocorrências. Setor existe desde a década de 1980

Tatiana Tramontina GZH

O trabalho policial em Passo Fundo também tem quatro patas, faro apurado e disposição que impressiona até quem vive a rotina da segurança pública. É na sede do 3º Regimento de Polícia Montada (3º RPMon), no bairro Lucas Araújo, que funciona o canil do 3º Batalhão de Polícia de Choque (3º BPChq). 

Ativo desde a década de 1980, hoje o espaço reúne 12 cães treinados para atuar em diferentes ocorrências: do faro de drogas e armas a ações de controle de distúrbios, rebeliões em presídios e patrulhamento tático motorizado. Nas linhas de Controle de Distúrbios Civis (CDC), por exemplo, os cães ficam atrás dos escudos, reforçando a segurança das equipes.

— Os cães são adquiridos pelos próprios militares. Depois de um ano, eles entram no que chamamos de carga da Brigada Militar e, a partir daí, é que fazem parte mesmo do plantel canino — explica o soldado Anderson da Costa, integrante mais antigo do canil.

É o trabalho diário com a tropa canina que forma a parceria com os policiais e vai muito além do trabalho operacional. Cada animal tem nome, ficha veterinária atualizada, rotina rígida de alimentação e treinamento.

Apesar da estrutura de 45 anos, o espaço está em constante reforma. São os próprios policiais que cortam a grama, limpam o pátio, organizam o estoque de ração e realizam pequenos reparos. Os espaços onde os cães dormem são higienizados diariamente, e cada animal recebe duas refeições — somando cerca de 700g de ração por dia.

Todos os dias, no turno da tarde, os cães participam do patrulhamento tático motorizado, reforçando a presença da polícia nas ruas de Passo Fundo. 

Como nasce um cão policial

A especialização dos animais começa cedo: os filhotes chegam ao canil com cerca de 45 dias. Nesse período, passam por uma análise de comportamento, o que vai definir se seguirão carreira e, mais tarde, a qual modalidade de atuação serão direcionados. 

Nem todos avançam. Alguns demonstram medo de barulhos, insegurança com ambientes novos ou dificuldade de socialização. Quando isso acontece, os cães são doados para famílias da comunidade. 

— Vai ter um cão que come mais rápido, outro que briga para comer e come mais. Esses, por exemplo, são cães que já vamos direcionando (para treinamentos), porque são cães mais seguros, com mais personalidade. No caso de adoção dos que não têm aptidão, nós sempre analisamos a família para onde esse animal vai e seguimos acompanhando depois também — afirma o soldado. 

A equipe é composta em sua maioria por cães da raça pastor-belga-malinois, conhecidos no meio policial pela resistência, energia elevada, facilidade de aprendizado e determinação de trabalho: 

— Essa raça é a 01 de cães de polícia. Eles têm mais aptidão, não têm tanta doença e são mais viris. 

Alguns animais se especializam exclusivamente em faro, outros em guarda e proteção, e há ainda os cães de “duplo emprego”, capazes de atuar tanto no policiamento motorizado quanto na busca por armas e drogas, por exemplo. 

Entre os nomes que formam a equipe estão Mago, Thanos, Bonnie, Honey, Laika, Apache, Kratos, Hanna, Athena, Sniper, Lord e Venon. Os mais jovens do grupo são Hanna e Sniper, com sete meses de idade.

Cão de faro é um cão viciado?

Tatiana Tramontina / Agencia RBS
Treinamento de faro é motivado por brincadeira e recompensa.Tatiana Tramontina / Agencia RBS

Os cães são treinados para reconhecer desde drogas sintéticas, como êxtase e cocaína, até substâncias naturais. Segundo Anderson, ao contrário do que muitos imaginam, o cão de faro não é “viciado” na substância que busca, mas sim motivado por brincadeira e recompensa.

O treinamento de faro segue um método simples, mas altamente eficaz. Para treinar os cães, os policiais utilizam uma caixa de madeira com um furo no meio, onde a droga é colocada dentro de um suporte seguro. Antes da busca, o instrutor mostra para o cão a bolinha. 

Guiado pelo cheiro, o animal fareja a caixa e, ao localizar o odor da substância, ele se senta imediatamente. O gesto é um aviso para “alvo encontrado”. A resposta correta garante ao animal a bolinha, sua tão esperada recompensa. 

— Muito pelo contrário do que as pessoas acham, ele não é um cão viciado. Ele é o cão mais feliz do mundo. Apesar de estar trabalhando, para ele, aquilo é uma brincadeira.

Rodrigo Mohr será o novo presidente do Tribunal de Justiça Militar

O decano da Corte, Sergio Brum, será o vice-presidente, e a desembargadora Gabriela John, a corregedora-geral

GZH

O Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul elegeu nesta quinta-feira (27) os integrantes da Administração para o biênio 2026/2027. O  desembargador militar Rodrigo Mohr será o próximo presidente. O decano da Corte, Sergio Brum, será o vice-presidente. A desembargadora Gabriela John foi eleita corregedora-geral.

Também integrarão a nova administração os desembargadores militares Fabio Fernandes (ouvidor), Amilcar Macedo (ouvidor substituto) e Maria Moura (ouvidora da mulher).

A posse da nova Administração ocorrerá no mês de fevereiro de 2026, em data e horário a serem definidos.

Rodrigo Mohr Picon tem 56 anos, é natural de Porto Alegre. Bacharel em Ciências Militares pela Academia de Polícia Militar, também é graduado em Letras e pós-graduado em Gestão da Segurança pela Ulbra.

Ingressou na Brigada Militar em 1987.    Comandou o 9° BPM e o 19° BPM, foi subcomandante do 1° BPM e atuou como diretor-adjunto no Departamento de Ensino da Secretaria da Segurança Pública e no Departamento de Ensino da Brigada Militar.

Foi comandante do Comando de Policiamento da Capital e Comandante-geral da Brigada Militar entre 2019 e 2021, antes de sua indicação ao tribunal pelo governador do Estado,  Eduardo Leite.

No TJM-RS, dirigiu a Escola Judicial Militar no biênio 2022/2023 e foi corregedor da Justiça Militar no biênio 2024/2025.

Brigada Militar celebra 188 anos com investimentos, tecnologia e queda nos indicadores criminais

Aniversário da instituição terá uma série de atividades e entrega das primeiras viaturas totalmente elétricas ao longo da semana

Guilherme Sperafico Correio do Povo

A Brigada Militar (BM) completa nesta terça-feira (18), 188 anos de atuação na preservação da ordem pública no Rio Grande do Sul. Fundada em 1837, a corporação chega ao aniversário em um momento marcado pela modernização, ampliação da presença territorial e redução da criminalidade no Estado. Para celebrar a data, a instituição promove, entre 15 e 23 de novembro, a Semana da Brigada Militar, com eventos esportivos, atividades para crianças, homenagens e a entrega das primeiras viaturas totalmente elétricas da história da corporação.

À frente da Instituição desde 2023, o comandante-geral, coronel Cláudio dos Santos Feoli, destaca que, apesar de quase dois séculos de transformações, a essência da corporação permanece a mesma: “Desde o início, as marcas que nos caracterizam são o compromisso com a sociedade, o espírito de legalidade, a coragem e o espírito público nas nossas fileiras. O que mudou ao longo de tantas décadas foram as funções institucionais. Hoje realizamos o produto policiamento ostensivo, preventivo e repressivo com forte viés comunitário e de prestação de serviço. Mudaram os tempos, mas essa essência se mantém preservada e assim deve ser”, afirma.

Para Feoli, comandar a Brigada Militar significa mais do que gerir estruturas, é assumir uma missão. “É, antes de tudo, uma honra que transcende o exercício de uma função. É ter a responsabilidade de liderar uma instituição que, ao longo de 188 anos, não apenas protegeu o Rio Grande do Sul, mas também moldou a personalidade e o caráter da maioria de seus integrantes. Antes da farda, ela inspira valores”, ressalta.

O comandante destaca que sua missão reconhecer e potencializar a vocação coletiva da BM para o bem público. À frente da instituição, se tem a oportunidade de dotar os policiais de equipamentos modernos e adequados, capazes de proteger suas vidas e de ampliar a eficiência de cada intervenção

Ao mesmo tempo, Feoli lembra que o comando também impõe o dever de realizar a defesa institucional. “Vivemos um cenário em que a atividade policial é, muitas vezes, injustamente atacada, distorcida ou desvalorizada. Cabe a nós reafirmar, com serenidade e firmeza, o papel fundamental da Brigada Militar na preservação da ordem e da vida. Defender a instituição é defender o direito do cidadão a viver em segurança”, acrescenta.

Ampliação do efetivo

Atualmente, a corporação conta com quase 19 mil brigadianos, o que representa um aumento significativo em relação aos cerca de 16 mil policiais que preenchiam o quatro há cinco anos. A recomposição foi resultado da estratégia do Estado de priorizar a segurança pública e ampliar investimentos. “A queda dos indicadores criminais demonstra que essa política foi acertada”, afirma o comandante-geral. Segundo ele, há previsão de novos concursos, mas ainda sem data oficial definida.

Os últimos anos foram marcados por investimentos em tecnologia e infraestrutura. A frota de viaturas foi renovada com veículos semiblindados, houve padronização de armamentos e aquisição de novos fuzis, reforço de armas de menor potencial ofensivo, modernização dos fardamentos e implantação de redes de rádio criptografadas. A corporação também ampliou o uso de drones, sistemas de cercamento eletrônico e câmeras corporais.

Feoli ressalta, porém, que os equipamentos só fazem sentido quando combinados com qualificação. “Costumamos falar na tríade de homem, equipamento e treinamento, e essa última parte é fundamental na operação. Ao longo dos últimos anos, formulamos os maiores calendários de ensino da história da Instituição”, completa.

Para ele, as quedas nos indicadores criminais não são obra do acaso. A BM incorporou, nos últimos anos, um modelo de policiamento baseado em análise de dados, que identifica horários e locais de maior incidência e posiciona o efetivo de forma estratégica, muitas vezes antes da ocorrência do crime.

Outro pilar é a integração com a Polícia Civil. “Hoje operamos de maneira coordenada, unindo investigação, inteligência e presença territorial. Isso gera eficiência e rapidez na resposta ao crime. Também destacam-se as tropas especializadas, que reforçam o policiamento territorial e atuam de forma cirúrgica quando há necessidade de ações repressivas mais complexas”, acrescenta.

Entre janeiro e outubro de 2025, a Brigada Militar realizou 4.310 operações integradas, montou 179 mil barreiras policiais, fiscalizou mais de 2 milhões de veículos e abordou 3,3 milhões de pessoas. O trabalho resultou em 82.956 prisões e 4.313 armas de fogo apreendidas.

Desafios incluem o crime organizado e a legislação

Apesar dos avanços, o crime organizado segue sendo o principal desafio da segurança pública no país, avalia Feoli. “Esses grupos possuem capacidade financeira, logística e armamento muito superior ao que se via anos atrás. Eles se articulam nacionalmente e transnacionalmente, explorando fragilidades estruturais do Brasil”, explica.

Para ele, o combate exige uma política nacional robusta para proteção de fronteiras, com atuação mais efetiva da União “A entrada de armas, drogas e munições no país alimenta diretamente as organizações criminosas que aqui atuam. Sem uma política nacional robusta de fronteiras, todo o esforço que fazemos nos estados acaba sendo um trabalho permanente de contenção”, justifica.

Outro ponto considerado determinante é a legislação penal, que permite, segundo o comandante, a rápida soltura de reincidentes. “A sensação de impunidade fortalece o crime e aumenta a reincidência. Segurança pública eficiente exige leis proporcionais à gravidade dos delitos e que resguardem a sociedade daqueles que reiteradamente atentam contra a vida, o patrimônio e a ordem pública”, completa.

Semana de comemorações

A programação dos 188 anos iniciou no sábado (15), no Parque da Redenção, com o Dia D de Diversão .O evento contou brinquedos infláveis, apresentações com cães e cavalos, exposição de viaturas, distribuição de pipoca e algodão-doce e atividades educativas.

Nesta terça-feira (18), às 10h, ocorre a formatura comemorativa aos 188 anos. A solenidade será na Academia de Polícia Militar, com entrega de viaturas, medalhas e homenagens.

Na quarta-feira (19), às 16h, serão apresentadas as duas primeiras viaturas 100% elétricas da BM. A entrega oficial ds veículos BYD Yuan Pro será realizada no 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Porto Alegre. Os carros foram comprados com recursos da Justiça.

A programação inclui, ainda, a 2ª Rústica da Brigada Militar, na quinta-feira (20), e o tradicional Festival Hípico Noturno, entre quinta e domingo (23), reunindo cavaleiros e amazonas, militares e civis, do Exército Brasileiro, da BM e de outras polícias militares do Brasil e dos países do Cone Sul.

As celebrações terminam com o Remo Comemorativo, no domingo, na Orla do Guaíba. A atividade é simbólica e presta homenagem à Brigada Militar, com participação de equipes do Comando Ambiental e convidados.

“A Brigada Militar é patrimônio do povo gaúcho”

No aniversário, Feoli deixa uma mensagem à tropa e à população:

“A Brigada Militar, ao longo de seus 188 anos, sempre enfrentou com bravura, técnica e espírito público todas as ameaças dirigidas à sociedade gaúcha. Foi assim no passado, é assim hoje, e continuará sendo assim no futuro. Mesmo diante de um cenário em que o enfrentamento à criminalidade se torna cada vez mais complexo, e em que surgem narrativas injustas e antagônicas à atividade policial, nossos profissionais não recuam: seguem firmes, dedicados e comprometidos com os gaúchos.

Aos policiais militares, deixo meu mais profundo reconhecimento. Foi graças ao trabalho incansável de cada um, homens e mulheres que arriscam a própria vida diariamente, que o Rio Grande do Sul alcançou o ano mais seguro desde o início da série histórica. Vocês são a espinha dorsal da segurança pública do Estado, e honram, com cada ação, o legado quase bicentenário desta Instituição.

À população gaúcha, deixo uma mensagem de confiança: contem com a Brigada Militar. Estamos nos aprimorando, investindo em tecnologia, inteligência policial e equipamentos modernos para proteger melhor nossos policiais e servir com ainda mais eficiência. A Brigada Militar é patrimônio do povo gaúcho e trabalha incansavelmente para que o Estado seja cada vez mais seguro, próspero e preparado para as gerações futuras.”

Banda do 3º BPM celebra 130 anos mantendo viva a alma musical da Brigada Militar

Grupo criado em 1895 preserva tradição, aproxima a corporação da comunidade e segue atuando em ações sociais no Vale do Sinos

Guilherme Sperafico Correio do Povo

“Um elo de integração e socialização com as comunidades, desde o seu surgimento”. Foi assim que, há exatos 130 anos, a Brigada Militar (BM) definiu o propósito de uma de suas unidades mais simbólicas: a Banda de Música do Comando Regional de Polícia Ostensiva – Vale do Rio dos Sinos (CRPO-VRS), popularmente conhecida como Banda do 3º BPM, sediada em Novo Hamburgo. Fundado em 15 de novembro de 1895 por decreto do então governador Júlio de Castilhos, o grupo nasceu em Porto Alegre junto ao 3º Batalhão de Infantaria – hoje 3º BPM – transferido para São Leopoldo em 1968 e, dois anos depois, para Novo Hamburgo, onde permanece até hoje.

A relação com o município também se explica por um gesto histórico. Segundo registros da BM, o terreno que abriga o batalhão foi doado pelo então prefeito Alceu Mosmann, desde que a banda também fosse transferida para a cidade, devido ao apreço que ele nutria pela música. Ao longo das décadas, o grupo se consolidou como um forte vínculo de aproximação entre a corporação e a população, participando de eventos sociais, escolares e comunitários. Entre as iniciativas mais reconhecidas está o projeto “Música e Saúde”, que leva apresentações a casas de longa permanência de idosos, além do apoio a ações do Proerd.

Em 2005, a banda passou a integrar oficialmente o CRPO-VRS, mantendo sua atividade. Em 2014, recebeu o reconhecimento como patrimônio histórico-cultural imaterial de Novo Hamburgo. Hoje, ao completar 130 anos, celebra não apenas sua história, mas a permanência de uma tradição que atravessa gerações. Atualmente, a banda tem o sargento e clarinetista Carlos Evandro Pinheiro do Prado como mestre.

O soldado André Ramon da Rosa Meireles, responsável pelo administrativo da banda, ressalta que representar a BM através da música vai além da técnica e da disciplina. É, segundo ele, uma forma de mostrar ao cidadão a dimensão humana do policial. “Significa uma enorme responsabilidade, pois o agir, falar e se portar do policial militar, sendo ele da banda ou não, refletirá na consciência e lembrança da pessoa, por uma vida inteira. Através da música rompemos barreiras que no contexto operacional muitas vezes não se obtém êxito”, afirma.

Ele destaca que o policial militar é um cidadão dedicado, que possui família, valores e sentimentos como qualquer pessoa, mas que muitas vezes abdica de si para cumprir a missão que lhe foi dada pelo Estado. “Esse conceito mais humano do policial é o que repassamos através da música, da cultura e das ações sociais que participamos nas comunidades. Fazemos parte da sociedade e somos, antes de policiais militares, humanos, pais, mães, filhos, filhas de alguém, sofremos as mesmas dificuldades e questões sociais”, ressalta.

Manter viva uma tradição centenária

Segundo Meireles, manter ativa uma banda com 130 anos de história exige dedicação diária, união do efetivo e apoio institucional. “São horas, dias, meses e anos dedicados a manter viva a chama cultural, tão difícil atualmente, mas possível pela união de todos, em prol de um objetivo comum” explica.

Ele ressalta que, sem o reconhecimento e sem o apoio do comando da corporação, dificilmente a banda chegaria ao aniversário atual. “O comando entende a importância desta atividade, mantendo a viabilidade e nos apoiando de todas as formas. Também alcancançamos o objetivo através do apoio da sociedade civil que reconhece nossa importância, como demostra o tombamento das bandas de música da Brigada Militar como patrimônio imaterial e cultural do Estado e, em particular essa banda, tombada pelo município de Novo Hamburgo”, pontua..

O ingresso de novos integrantes depende de aptidão musical e da aprovação em provas técnicas. “A seleção se dá através da identificação, na tropa, de militares que possuam conhecimento necessário, aptidão e que desejem fazer parte da banda. O policial precisa ter, no mínimo, comportamento bom e ser aprovado em prova escrita e prática”, detalha Meireles.

Há ainda um estágio de três meses, no qual o militar é acompanhado pelo integrante mais antigo. “O militar que estiver em estágio na Banda de Música poderá ser desligado a qualquer momento, se apresentar conduta incompatível com a de músico. Será considerado especialista músico apenas enquanto permanecer no exercício das funções”, explica.

“Antes de tudo, somos policiais”

Meireles destaca que, independente da especialização, todos os integrantes continuam sendo policiais. “Antes de tudo, somos policiais militares, com formação policial e com experiência de muitos anos na atividade, sendo regulados por legislação e normas interna. Nos trabalhos externos, sempre fardados ostensivamente para levar a imagem e presença da Brigada Militar em todos os deslocamentos e locais onde nos apresentamos”, afirma.

Além disso, os integrantes da banda realizam atividades operacionais sempre que o comando entende que é necessário, em circunstâncias extraordinárias, como ocorreu na pandemia e nas enchentes.

A rotina dos músicos inclui ensaios, estudos individuais, manutenção dos instrumentos, atividades administrativas e as apresentações externas. O repertório varia conforme o público e vai de músicas populares e infantis, a hinos e dobrados militares. Em alguns casos, a banda recebe desafios inesperados — como executar o hino de um país para recepcionar um embaixador, com a partitura chegando no dia anterior.

Entre tantas apresentações, as que mais ficaram marcadas na memória de Meireles aconteceram em uma casa voltada ao atendimento de crianças excepcionais, em Porto Alegre. “A gente sente a felicidade e alegria no rosto de cada criança, mesmo com todas as limitações que a vida lhe impôs, na simplicidade de uma música e no carinho dispensado a elas. Muitas vezes elas estão presas fisicamente a uma cama, mas tem seu dia transformado, colorido e alegrado por um simples gesto. É emocionante”, conclui.

Brigada Militar adquire primeiras viaturas 100% elétricas da corporação

Um dos veículos já está em circulação pelas ruas de Porto Alegre; o segundo deve chegar na próxima semana

Ian Tâmbara GZH

A Brigada Militar adquiriu, neste mês, as duas primeiras viaturas 100% elétricas da corporação. Uma delas, inclusive, já está circulando pelas ruas de Porto Alegre nos últimos dias. O veículo, um BYD Yuan Pro, foi comprado com recursos oriundos da Justiça Estadual e está sendo utilizado pelo 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

Além disso, uma segunda viatura do mesmo modelo deve chegar na semana que vem, adquirida com verba da Justiça Federal. Uma solenidade deve ocorrer ainda no mês de novembro para oficializar a entrega das viaturas.

Duas estações de carregamento foram instaladas na sede do batalhão. Segundo o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Hermes Völker, ambos os veículos têm autonomia de até 380 quilômetros, e a ideia é empregá-los em atividades gerais de patrulhamento:

— Hoje, indico para atividade como patrulha comercial, (ocorrências de) Maria da Penha, monitoramento escolar, Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), enfim, para atividades que vão durar no máximo 12 horas, para poder carregar à noite — explica Völker.

No ano passado, a Brigada Militar já havia adquirido uma viatura híbrida, modelo BYD Song Pro. Na ocasião, a compra do veículo ocorreu através de verba oriunda da Justiça Federal. Na época, foi comprado pelo 21º batalhão, localizado no bairro Restinga, na zona sul da Capital, que era comandado por Völker naquela oportunidade.

Na disputa por investimentos

Além da entrega oficial dos novos veículos, o mês de novembro também será marcado para o 9º BPM pela disputa de um edital para um projeto de eficiência energética, que destina recursos para investimentos nessa área. Ao todo, a proposta vencedora receberá cerca de R$ 2 milhões.

O projeto da Brigada compreende a destinação de placas solares para o 9º BPM. São 350 placas que dariam conta de 85% da energia gasta atualmente na sede do batalhão. 

A ideia também prevê a substituição de todos os 33 equipamentos de ar-condicionado que dão conta de mais 15% da energia consumida no local. O resultado do edital deve ser revelado no dia 17 de novembro.

Corrida de Ferro reúne forças de segurança em homenagem aos 133 anos do 1º BPM

Com percurso de 5 quilômetros entre o Pontal Shopping e a sede do batalhão, evento celebra a história da unidade operacional mais antiga da Brigada Militar

Correio do Povo

A quarta edição da Corrida de Ferro marcou, nesta quarta-feira, 15, as comemorações pelos 133 anos do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) – Batalhão Coronel Aparício Borges. O evento reuniu dezenas de participantes das forças de segurança, que percorreram 5 quilômetros entre o Pontal Shopping, no Cais do Porto, e a sede do batalhão, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.

A prova, realizada com batedores oficiais, sirenes e sinalizadores de fumaça, é considerada pelos organizadores a maior corrida fardada do Brasil, sendo exclusiva para integrantes da Brigada Militar e forças coirmãs de segurança.

As comemorações pelo aniversário de fundação seguem ao longo do mês. No dia 21 de outubro, data oficial da criação do batalhão, ocorrerá a entrega da Comenda do 1º BPM a personalidades e profissionais de diferentes segmentos da Capital, em reconhecimento ao apoio e à parceria com a corporação.

O 1º BPM, também chamado de Batalhão de Ferro, é a unidade operacional mais antiga da Brigada Militar. Criado pelo Decreto nº 384, de 21 de outubro de 1892, inicialmente como 1º Batalhão de Infantaria, o batalhão possui hoje cinco companhias responsáveis pelo policiamento em 23 bairros da zona Sul de Porto Alegre.

A designação “Batalhão de Ferro” surgiu durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a partir de um documento expedido pelo então Tenente-Coronel Argemiro Dornelis, comandante da vanguarda das Forças Ordinárias do Sul.

Governo antecipará parte do 13º dos servidores

Conforme o Decreto 58.379 de 30 de set-25 a gratificação será paga em duas parecê-las sendo assim definida:

90% do valor – pago dia 03 de novembro

10% restante – pago até 19 de dez

DECRETO Nº 58.379, DE 30 DE SETEMBRO DE 2025.

Dispõe sobre o pagamento da gratificação natalina relativa ao exercício de 2025 aos servidores do Poder Executivo do Estado.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL , no uso das atribuições que lhe confere o art. 82, incisos II, V e VII, da Constituição do Estado,

DECRETA :

Art. 1º A gratificação natalina de que trata o art. 104 da Lei Complementar nº 10.098, de 3 de fevereiro de 1994, relativa ao exercício de 2025, será paga conforme segue:

  1. – noventa por cento do valor correspondente à sua gratificação natalina projetada líquida, em 3 de novembro de

2025; e

  1. – o saldo relativo à diferença entre o valor pago nos termos do inciso I deste artigo e o disposto no “caput” do

art. 104 da Lei Complementar nº 10.098/94, até 19 de dezembro de 2025.

Art. 2° Aplica-se ao estabelecido no art. 1º deste Decreto, no que couber, o disposto no § 1º do art. 104 da Lei Complementar nº 10.098/94.

Art. 3º O disposto neste Decreto estende-se ao pagamento dos inativos, pensionistas e servidores vinculados a estatutos próprios, bem como ao pagamento dos servidores públicos vinculados à administração pública estadual direta, autárquica e fundacional.

Art. 4° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO PIRATINI , em Porto Alegre, 30 de setembro de 2025.

EDUARDO LEITE,

Governador do Estado.

Palácio da Polícia alaga por conta da chuva e delegacias são interditadas

Último andar do prédio está a céu aberto; água deixou fora do ar sistema de monitoramento de chamadas grampeadas

GZH

Para alguns funcionários do Palácio da Polícia de Porto Alegre, a manhã desta segunda-feira (22) foi dedicada à limpeza da água que alagava o prédio. Desde o terceiro andar, servidores empurravam o resto de chuva da última madrugada escada abaixo com rodos e vassouras. 

A água entrou depois que o telhado do palácio foi retirado no fim da última semana, como parte das obras que interditam o terceiro piso para reforma desde abril de 2024. Na manhã desta segunda, as nuvens podem ser vistas de dentro do prédio, que está a céu aberto no andar superior — local por onde a chuva entrou.

Questionada, a Polícia Civil afirma que as contenções realizadas pela empresa responsável pela obra do telhado não suportaram o volume da chuva. A instituição afirma que a empresa já foi notificada e o escoamento está sendo realizado.

Para o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do RS (Asdep), Guilherme Wondracek, isso significa que, na manhã desta segunda, o Palácio da Polícia esteve praticamente inoperante.

— Onde está funcionando, o atendimento é precário. É crônica de uma morte anunciada porque isso está assim desde o ano passado. A lentidão nas obras é impressionante — Wondracek afirma. 

Os alagamentos deixaram suspenso o atendimento das Delegacias do Idoso e Metropolitana, assim como o do Departamento de Polícia do Interior. Na rua, faixas de interdição foram colocadas em frente ao prédio para impedir o acesso das pessoas.

Além disso, o sistema Guardião, usado para escutar celulares grampeados com quebra de sigilo telefônico, está fora do ar por conta de goteiras na sala. Diversas outras salas têm lonas por cima de equipamentos para protegê-los da água. 

O que diz a Polícia Civil

Em decorrência da chuva do último final de semana, as contenções realizadas pela empresa responsável pela obra do telhado do Palácio da Polícia, destinadas a conter e escoar a água, não suportaram o volume precipitado. Em razão disso, houve acúmulo e extravasamento de água.

Nesta segunda-feira (22/09), está sendo realizado o escoamento, considerando que a cobertura do telhado foi retirada para a colocação da nova estrutura, ocasião em que a chuva se intensificou. Ainda hoje, a empresa responsável foi notificada para que adote medidas adicionais durante a execução da obra, e a Secretaria de Obras foi acionada para acompanhar o processo.

*Produção: Fernanda Axelrud

Brigada Militar investe no constante aprimoramento de PMs

São 19 cursos em setembro totalizando 2.275 horas/aula de formações

A Brigada Militar executa, anualmente, um calendário de cursos visando proporcionar o desenvolvimento das potencialidades e o aperfeiçoamento técnico profissional para o exercício das funções dos policiais militares. Somente neste mês, são 19 cursos totalizando 2.275 horas/aula em setembro.

A carga horária varia conforme a complexidade da formação. Temos por exemplo, em andamento, o Curso de Instrutor de Tiro que possui 530 horas. Já o Curso de Gerenciamento de Crises para o Bope requer 155 horas. Entretanto, há cursos com carga horária menor, como o de Contramedidas de Segurança do Sistema Correcional de 60 horas. 

Os PMs que atendem o 190, que são as chamadas de emergência, igualmente recebem qualificação por meio do curso de operador do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), com 120 horas. A adoção de novas tecnologias exige atualização constante, por exemplo com o Curso de Operações Policiais com Drone, de 90 horas.

Neste mês, o foco da formação sobre os temas ambientais, prementes na sociedade, reflete-se na 2ª edição do Curso Técnico de Fiscalização de Atividades Potencialmente Poluidoras de 80 horas. A cada mês, todas as especialidades dos policiais militares são contempladas em formações que visam manter a excelência do serviço prestado à sociedade gaúcha bem como a atualização necessária. É o caso do Curso de Especialização em Policiamento Rodoviário com 280 horas, da 8ª edição do Curso de Estágio Básico em Força Tática com 62 horas e da 10ª edição do Curso de Especialização em Cinotecnia com 500 horas.  

Excelência na formação

A Brigada Militar preza pela qualificação de seus servidores mantendo um calendário de cursos robusto e enriquecido anualmente. O calendário de Cursos 2025, e outras informações relevantes, estão disponíveis aqui.

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) celebrou, no início de setembro, a formatura de 25 agentes de segurança pública no Curso de Especialização em Conduta de Patrulha em Local de Alto Risco (Cecplar). Com 155 horas-aula, a capacitação reuniu policiais militares, policiais civis e membros da Força Aérea Brasileira e da Força da República do Uruguai. Este é um dos cursos mais estratégicos da instituição, criado em 2017 e inspirado em modelos nacionais de enfrentamento qualificado da criminalidade organizada e adaptado às realidades do Rio Grande do Sul. A edição de 2025 contemplou disciplinas como Gerenciamento de Crise, Técnicas e Táticas Policiais, Tiro Aplicado, Conduta de Patrulha, Combate em Ambientes Confinados (CQB), Planejamento Operacional, Abordagem Policial e Treinamento Físico Policial Militar (TFPM). O programa foi estruturado para preparar os formandos a atuarem com segurança, eficiência e qualificação em cenários de alto risco.

Destaca-se também formatura de 107 alunos que concluíram o Curso Básico de Atendimento Pré-Hospitalar em Combate (APH-C), com carga horária de 30 horas, realizado simultaneamente em Novo Hamburgo, Santa Maria, Erechim e Rio Grande. A formação reuniu policiais militares, policiais civis, policiais penais, policiais rodoviários federais e militares do Exército Brasileiro, promovendo integração entre diferentes forças de segurança em uma mesma capacitação.

A formatura simboliza não apenas a conquista individual do PMs, mas também o fortalecimento institucional da Brigada Militar. Os novos especialistas tornam-se multiplicadores da doutrina, reafirmando o compromisso da Corporação com a defesa da vida, a preservação da ordem pública e a promoção da paz social.

Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil da PM5, Sd PM Figueiredo do Bope

Fonte: Brigada Militar