Campanha da Polícia Civil mobiliza policiais em dia de doação de sangue em Porto Alegre

Iniciativa envolve escrivães e inspetores em formação, além de agentes que já atuam na instituição

LETICIA MENDES GZH

No início da manhã desta terça-feira (7), escrivães e inspetores em formação, além de agentes que já atuam na profissão, começaram a se reunir na Academia de Polícia Civil (Acadepol), no bairro Agronomia, na zona leste de Porto Alegre. Assim como nas operações de combate ao crime, a primeira etapa foi reunir todos para o habitual briefing, com as orientações sobre os passos seguintes. Dali, embarcaram nos veículos em direção a dois destinos, o Hemocentro do RS e o Hospital de Clínicas. Desta vez, a empreitada policial tem outro foco: a doação de sangue.

A iniciativa faz parte da campanha “E se fosse você?”, lançada pela Polícia Civil como forma de incentivar as pessoas a se tornarem doadoras de sangue. Por isso, a instituição decidiu mobilizar os próprios servidores a participarem.

Para instigar a adesão, também foram criados cards para  serem compartilhados pela internet, levando as pessoas a refletirem sobre a importância de doar. “E se fosse o seu bebê? Uma pequena doação de sangue pode salvar quem ainda tem uma vida inteira pela frente”, está escrito num deles. 

Períodos de festividades e férias, tanto de inverno, como de verão, como os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, além de feriados prolongados costumam impactar no estoque dos bancos de sangue. Em razão disso, esse período de pós Carnaval, considerado preocupante, foi escolhido pela instituição para fazer a mobilização. Ao todo, são cerca de 70 pessoas participando da doação.

Segundo a diretora da Acadepol, delegada Elisângela Reghelin, a intenção com a ação, no caso dos alunos, é enfatizar um valor trabalhado durante o curso, que é a doação da vida. 

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Instituição decidiu mobilizar os próprios servidores a participaremRonaldo Bernardi / Agencia RBS

— Os alunos logo vão fazer um juramento e a ideia deles começarem através da doação de sangue a dar a vida pelo outro em breve se converte num juramento que eles vão exercer ao longo de toda uma vida profissional. Policial civil é isso. Uma grande família, gera esse sentimento de pertencimento e também de solidariedade com a sociedade gaúcha — afirma.

A campanha também tem objetivo de mobilizar mais pessoas sobre a importância da doação ser realizada de forma regular.

— A ideia é divulgar para que mais pessoas,  não só os policiais, mas a sociedade se estimule a ter esse ato de empatia com o próximo, que é a doação — diz a delegada Eliana Parahyba Lopes, da Divisão de Comunicação Social, aos policiais que estão em formação.

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Inspetora Manuella apoiou a açãoRonaldo Bernardi / Agencia RBS

Entre os policiais que decidiram fazer a doação, a inspetora Manuella Schneider, 30 anos, que atua no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) conta que já foi doadora e, com a campanha, decidiu voltar a doar.

— É um gesto simples que pode ajudar muitas pessoas — disse.

O inspetor Waldeck Costa Lima, 42, da Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, também decidiu se integrar à iniciativa.

— Já sou doador. Eu acho muito importante a abrangência das pessoas que podemos auxiliar com esse ato — disse, enquanto fazia a doação.

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Inspetor Waldeck já é doador e participou também nesta terçaRonaldo Bernardi / Agencia RBS

Entre os alunos em formação, Renan Michel Paliga, 33, foi um dos doadores. De Erechim, ele está em Porto Alegre no curso de inspetor de polícia.

— Sempre que pude doei. Acho importante porque alguém vai precisar — afirmou.

Jordana Camargo, 34, em curso para escrivã, também já é doadora e decidiu contribuir mais uma vez:

— Acredito que temos que pensar no próximo. Se podemos doar um pouco da gente para salvar a vida de alguém é importante — diz.

Faltam doadores 

Um dos locais que recebe as doações é o Hemocentro do RS, localizado na Avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon. Para lá, foram enviadas cerca de 50 potenciais doadores de sangue.

Todos que chegam para doar precisam passar pelo processo que envolve cadastro, ou conferência dos dados, se já for doador, além de verificação de peso e de sinais vitais, como batimentos, pressão e temperatura. Logo depois, é realizada entrevista e preenchido questionário. Na sequência, se dá a coleta de 450ml de sangue, que normalmente leva em torno de cinco minutos. Todo o procedimento, que inclui alguns minutos para hidratação e um lanche, costuma ser concluído em cerca de meia hora.

— O ideal é que tenhamos uma média de 120 candidatos a doação por dia, mas tem dias em que não se conseguir chegar nem na metade. Ações como essa são bem importantes. É essencial que todos os campos de atividade estejam engajados, para que se consiga manter os estoques em níveis adequados — afirma a assistente social Gesiane Ferreira Almansa, responsável pelo Setor de Captação do Hemocentro do RS.

Por mês, o ideal é que o local colete 1,6 mil bolsas de sangue — em fevereiro foram 1,3 mil, o que é considerado como regular. Neste início de março, no entanto, a equipe vem percebendo uma baixa oferta de candidatos. Nesta segunda-feira (6), por exemplo, havia poucos atendimentos agendados ao longo do dia.

— Em fevereiro, com a campanha de Carnaval, se conseguiu sensibilizar um número bem importante de doares. Queremos agradecer a essas pessoas que ouviram nossos apelos. Embora não tenhamos alcançado o ideal, muitas pessoas se colocaram à disposição  e auxiliaram. Muitas pessoas desconhecem a importância de doar regularmente. Uma das frases que ouvimos com frequência é que “sempre que tem alguém precisando eu doo”, mas sempre tem alguém precisando — alerta Gesiane.

Embora a necessidade seja de receber todos os tipos sanguíneos, há maior incentivo de doações regulares para aquelas pessoas que são O negativo. No Brasil, estima-se que somente 9% da população tenha esse tipo sanguíneo.

— Esse tipo é o que doa para todos os outros e que só pode receber o O negativo. E os bebês só podem usar esse tipo nessa fase — explica.

Assim como realizado pela Polícia Civil, outras instituições interessadas em mobilizar pessoas para fazer a doação também podem se engajar. É o caso, por exemplo, de empresas, que desejem promover esse tipo de iniciativa entre seus funcionários. O Hemocentro disponibiliza até mesmo transporte para buscar e levar os doadores, nesses casos de atendimentos de grupos.

— É um apelo que fazemos aos empresários, que possam ofertar aos seus empregados, numa iniciativa de responsabilidade social,  de vir realizar a doação no Hemocentro — enfatiza a assistente social.

Principais receios 

Não são apenas pessoas em situação de emergência, como vítimas de acidentes, que necessitam da doação. Há pacientes que realizam tratamentos, que também dependem das doações para manter as transfusões, ou mesmo no caso do transplante de órgãos. São inúmeras situações nas quais o sangue doado é essencial para salvar vidas. No Hospital de Clínicas, atualmente, as doações estão numa faixa considerada média, embora ainda longe do ideal.

— Precisamos da entrada diária de sangue, de determinados grupos. Para suprir a necessidade de um hospital de alta complexidade, necessitamos de aproximadamente 80 doações. Mas, em média, estamos recebendo hoje 50 doações. E ainda temos que contar com o percentual de inaptidão. Estamos sempre trabalhando para manter os estoques. É muito grave faltar sangue num hospital desse porte — explica a a bióloga Patrícia Seltenreich, coordenadora de captação do banco de sangue do Hospital de Clínicas.

Cerca de 20% dos candidatos que passam na triagem clínica são considerados inaptos a doar. São pessoas que não se enquadram nas regras definidas pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Um dos pontos que costuma deixar as pessoas receosas quanto à doação são as etapas percorridas durante o processo. Uma delas é o questionário a ser respondido ainda na primeira fase. O intuito é compreender o perfil  do doador e identificar potenciais riscos de transmissão de infecções pelo sangue, como é o caso de pessoas que tenham múltiplos parceiros sexuais, por exemplo.

— Depois dessa fase, quando chega na doação em si,  vem a expectativa quanto à agulha, se não vai ficar tonto, se vai passar mal. Esses medos têm que ser desmistificados. Se a pessoa estiver bem hidratada, tranquila, é algo muito rápido. Quando a pessoa vem, disposta a fazer esse ato, ela fideliza — incentiva Patrícia.

O que precisa para doar 

  • Não estar em jejum e evitar alimentos gordurosos.
  • Não consumir álcool (até 12h) ou fumar (até 2h) antes da doação.
  • Ter dormido pelo menos seis horas no dia.
  • Não ter tomado vacina contra a covid-19 nos últimos sete dias, com exceção da Coronavac, cujo limite é dois dias.
  • Não estar com gripe, febre ou ter tido covid-19 nos últimos 10 dias.
  • Pesar no mínimo 50 quilos e ter entre 16 e 69 anos.
  • Não ter doença de chagas ou hepatite aos 11 anos de idade.
  • Não usar drogas injetáveis ou ser portador dos vírus HIV (aids), HCV (hepatite C), HBC (hepatite B) ou HTLV.
  • Não ter tido relações sexuais com múltiplos parceiros casuais no último ano.

De quanto em quanto tempo

  • Mulheres podem fazer até três doações no ano (tempo mínimo de 90 dias entre uma e outra) 
  • Homens podem fazer até quatro doações no ano (tempo mínimo de 60 dias entre uma e outra)

Cuidados após a doação

  • Não fumar por no mínimo duas horas.
  • Nas 12 horas após a doação, não praticar exercícios físicos e atividades perigosas, como subir em locais altos ou dirigir caminhão, ônibus em rodovias, etc.
  • Permanecer no serviço hemoterápico após a doação por 15 minutos.
  • Não carregar peso ou dobrar o braço em que foi realizada a punção no dia da doação, para evitar sangramentos e hematomas.
  • Retirar o curativo 4 horas após a doação.

Onde doar sangue em Porto Alegre?

Hemocentro

  • É possível agendar doação pelo WhatsApp (51) 98405-4260 ou neste site.
  • Endereço: Avenida Bento Gonçalves, 3.722
  • Telefone: (51) 3336-6755
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.

Santa Casa de Misericórdia

  • É possível agendar uma doação neste site.
  • Endereço: Avenida Independência, 75 (em frente ao Hospital São Francisco).
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 7h30min às 17h30min, e sábados, das 7h30min às 12h
  • Mais informações neste site.

Hospital de Clínicas

  • É possível agendar a doação neste site
  • Endereço: Unidade Básica de Saúde Santa Cecília – 2º andar (entrada pela Rua São Manoel, 543).
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, preferencialmente para moradores da Capital e Região Metropolitana. Aos sábados, das 8h às 12h.
  • Mais informações neste site.

São Lucas da PUCRS

  • É possível agendar uma doação pelo telefone: (51) 3320 3455 ou WhatsApp: (51) 98503-9958.
  • Endereço: Avenida Ipiranga, 6+690.
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta das 7h30min às 16h ou aos sábados das 7h30min às 12h30.
  • Mais informações neste site.

Hospital Conceição

  • É possível agendar uma doação pelo WhatsApp: (51) 3357-2072.
  • Endereço: segundo andar do Hospital Conceição, na Av. Francisco Trein, 596.
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 7h30min às 17h, e aos sábados (exceto feriados), das 7h30min às 12h
  • Mais informações neste site.

Hospital Moinhos de Vento

  • É possível agendar uma doação pelo Telefone (51) 3314-3072 ou WhatsApp: (51) 99235-6964.
  • Endereço: o acesso externo deve ser feito pela Rua Tiradentes, ao lado do estacionamento do Hospital Moinhos de Vento.
  • Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 7h30min às 16h e sábado das 7h30min às 12h.
  • Mais informações neste site.

Disciplina e muito mais: saiba como é a rotina dos alunos na escola da Brigada Militar em Caxias do Sul

Número de estudantes do Colégio Tiradentes mais do que dobrou no segundo ano de funcionamento

Colégio Tiradentes atende alunos do Ensino Médio, com idades entre 14 e 16 anosBruno Todeschini / Agencia RBS

PIONEIRO

Após 10 anos apenas no papel, o Colégio Militar Tiradentes tornou-se uma realidade em Caxias do Sul no final de 2021, com as primeiras atividades com alunos do Ensino Médio em maio de 2022. Na retomada, que marca o segundo ano de funcionamento, a instituição da Brigada Militar (BM) traz outra boa notícia: o número de estudantes mais do que dobrou. São 141 jovens matriculados — no ano passado, eram 63. 

O colégio atende adolescentes entre 14 e 16 anos, distribuídos em três turmas de 1º ano e duas de 2º ano. O número reduzido em relação a outras escolas mostra o quanto é concorrido o ingresso na instituição, o que desperta a curiosidade sobre a rotina em que o foco também é a disciplina militar e a educação complementar das turmas. Nesta sexta-feira (3), inclusive, haverá uma aula inaugural na Câmara de Vereadores (leia mais abaixo).

Um dos pontos que chama a atenção é o envolvimento da BM, o que leva muitas famílias a sonhar em ver os filhos na escola em razão da disciplina e da credibilidade da corporação, que mantém outras unidades do Colégio Tiradentes pelo Estado. Ao contrário do que muita gente pensa, a maioria dos matriculados são de famílias da comunidade em geral e uma parte pequena são filhos de pais brigadianos. 

O major Juliano do Amaral, diretor da escola em Caxias, explica essa participação da BM no dia a dia dos estudantes. 

— Não seria o foco da BM ter uma escola militar, mas na constituição da polícia militar está que temos que trabalhar no policiamento primário, preventivo. E temos esse segmento para trabalharmos a prevenção. Quantos aqui vão ser lideranças comunitárias? A gente começa a ter envolvimento com a comunidade, mostrar um pouco mais o trabalho da BM, o qual não é só atender ocorrência e andar de viatura, mas trabalhar na raiz do problema. 

Seleção concorrida

O ingresso no Tiradentes é por meio de concurso, cujo edital é aberto em setembro. Os alunos que concluem o Ensino Fundamental podem se inscrever e fazer a prova teórica em novembro. Quem atinge uma média de pontos, passa para os exames médicos. Na sequência, os aprovados vão para as provas físicas. No processo de seleção, os alunos participam de corridas, fazem flexões e permanecem 20 segundo suspensos em uma barra de ferro, por exemplo. A relação dos aprovados para o ano letivo seguinte geralmente é divulgada até 10 de dezembro de cada ano. Mas a exigência não fica restrita à seleção. O desempenho em sala de aula possui regras claras.

— Do ano passado para este, oito alunos reprovaram. Eles podem fazer a rematrícula uma única vez, independentemente de ser no 1°, 2° ou 3° ano. Se repetir uma segunda vez, ele não pode fazer uma segunda rematrícula — comenta o vice-diretor, o tenente Diego Monteiro.

A rematrícula, por sua vez, é automática. Basta a entrega e a atualização da documentação para as turmas de segundo e terceiro anos.

A parte pedagógica é gerida pela 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE) e a administração é comandada por 11 policiais da BM caxiense. O trabalho de gestão é coordenado pela supervisora pedagógica da 4ª CRE, Paula Cagliari. Os 18 professores são os mesmos da rede de ensino normal, dois deles com carga horária de 40 horas e os demais com cargas menores. A escola tem falta de três professores para completar o quadro.

— Os objetivos dos alunos é ter uma maior preparação para concursos e vestibulares nas carreiras que eles pretendem seguir. Não é obrigatório seguir carreira militar. A disciplina é o nosso foco, dentro e fora da escola — conta a soldado Aline Paim, uma das policiais que administra a escola.


Estrutura

A estrutura do Colégio Tiradentes consiste em cinco salas de aula, um laboratório de informática, um refeitório, banheiros com chuveiro e vestiário, uma quadra de esportes e outras salas para administrativo e reuniões. Os computadores da sala de informática foram doados pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O major Juliano destaca que, como o ensino é de tempo integral, ou seja, os estudantes permanecem 11 horas na instituição. Para isso, é necessário oferecer conforto. Neste ano, em parceria com a comunidade, serão colocadas novas mesas no refeitório, sendo que um segundo espaço foi aberto para ampliar o atendimento nas refeições. Além disso, o prédio ganhará uma nova identidade visual.

Os soldados que atuam no Tiradentes passaram por um processo de seleção, mas não precisam ter formação específica anteriormente. No caso, eles buscam por vontade própria a formação na área pedagógica ou administrativa de ensino. 

Rotina militar no dia a dia dos estudantes
Bruno Todeschini / Agencia RBS
Rotina militar no dia a dia dos estudantes
Bruno Todeschini / Agencia RBS
Rotina militar no dia a dia dos estudantes
Bruno Todeschini / Agencia RBS

Uniforme e comportamento precisam ser impecáveis 

Neste ano, no dia 16 de fevereiro, foi iniciada a “Semana Zero”, uma semana de adaptação das rotinas militares e organizacional. No dia 23, os estudantes foram inseridos na parte pedagógica. O ano letivo termina no dia 14 de dezembro, seguindo calendários das demais escolas públicas.

— No meio do ano temos previsto duas semanas de férias (15 dias). Talvez essa seja um pouco diferente das demais escolas. Temos, por conta disso, uma carga horaria maior em relação a todas atividades extras no colégio — explica o major.

A chegada dos alunos ocorre às 7h. Na entrada, os estudantes são recebidos pelos administradores do colégio, fazem um cumprimento de “bom dia”, que é similar à continência. Os celulares são colocados em uma caixa, que fica na administração, e os alunos não têm acesso aos aparelhos ao longo dos estudos.

Os estudantes preferencialmente devem chegar uniformizados. Porém, como o fardamento deve estar passado e limpo, podem também chegar mais cedo na escola e se vestir ali. Para os alunos do 1º ano, o uniforme consiste em calça, camiseta e jaqueta de moletom (azul marinho e detalhes em vermelho). A partir do 2º ano, os meninos devem usar fardamento, o que inclui sapato preto, calça, cinta, camisa social com camiseta branca por baixo e boina, tudo na cor azul claro. 

As meninas, por sua vez,  usam uma bermuda ou saia no comprimento dos joelhos. Elas têm a obrigação de ir com o cabelo em coque ou em tranças. Curiosidade: o estilo do cabelo é determinado e repassado em um informe no final do dia, em que são apontadas as diretrizes para o próximo dia de aula. Os meninos usam corte de cabelo no estilo militar e devem ter a barba sempre aparada. Esses detalhes são conferidos diariamente, na chegada das turmas. Caso o aluno não esteja de acordo com as regras, tem um período para se arrumar e voltar. 

Por volta das 7h10min, todos os estudantes ficam em formação na quadra da escola para o hasteamento das bandeiras de Caxias do Sul, do Rio Grande do Sul e do Brasil, além do momento de execução do Hino Nacional. Ao final do dia, às 18h, ocorre o descerramento das bandeiras. 

Os alunos ficam em formação divididos em pelotão, que são comandados pelos alunos que tiveram as três melhores pontuações no concurso, inicialmente. E o aluno 01, do primeiro concurso, comanda toda a companhia (nome dado à soma dos pelotões). Seis alunos tocam instrumentos musicais. A cada 15 dias, há uma solenidade de formatura e se troca o comando, para que todos os estudantes passem pela experiência de comando. 

Em caso de formação desalinhada, por exemplo, ou outra situação fora de contexto militar durante o hino e o hasteamento da bandeira, os alunos são obrigados a fazer flexão ao comando de um policial militar. Meninos e meninas recebem o mesmo tratamento, porém, algumas atividades físicas, como no caso da flexão, as estudantes têm a possibilidade de colocar o joelho ao chão. Nas corridas, a intensidade também é menor para elas.

Às 7h25min, as turmas passam pelos armários e pegam os materiais escolares, entrando nas salas de aula. Cinco minutos depois, as professoras ingressam no local. Um aluno é responsável por apresentar o grupo para a professora e informa se naquele dia houve colegas faltantes. As faltas são justificadas apenas em caso de doença, mediante apresentação de atestado médico, assim como numa escola de ensino comum.

A grade curricular dos alunos do 2º ano tem 25 disciplinas. No caso do 1º ano, são 15. Todos possuem atividades extracurriculares da metade para o final da tarde. Nesse caso, essas atividades ocorrem por meio de parcerias com empresas e entidades.

Os alunos recebem três refeições: café, almoço e lanche da tarde. Toda a alimentação é preparada na escola por três profissionais, que seguem o cardápio da Secretaria Estadual de Educação .

Formação em quadra
Bruno Todeschini / Agencia RBS
Hasteamento da bandeira e execução do hino nacional são rotina diária
Bruno Todeschini / Agencia RBS

Esporte e noções de primeiros socorros

A soldado Cristiani Zampieri, que auxilia na organização das atividades extracurriculares, explica que os alunos têm acesso a esportes olímpicos, artes marciais como jiu-jitsu e projetos sociais da Cruz Vermelha, como noções de primeiros socorros, além de beach tennis e finanças. Na maioria das atividades extras, os alunos vão até a instituição parceira e, após, são liberados para retornar para casa. 

— São 11 atividades extras. Eles se inscrevem em algumas para não interferir no desempenho.

Os alunos participam de campeonatos  com outras escolas públicas da rede estadual e também na rede Tiradentes no Estado. Nesse ano, os jogos escolares dos colégios da BM vão ocorrer em Ijuí. 

Quando há alunos com dificuldades em matérias teóricas, os professores retiram um período de aula extracurricular e reforçam o estudo naquela disciplina.

Uma das últimas parcerias fechadas pelo Colégio Tiradentes foi com o ex-jogador de futebol profissional, Manoel Silva Ferreira, o Ferreirinha, que passou por times do Japão e da Bélgica , por exemplo, além de equipes brasileiras como Santos e Cascavel — se aposentou em 1992 no Juventude. Ele vai ministrar aulas de futebol aos alunos no Campo Municipal de Caxias. As aulas, de forma voluntária, serão às segundas e sextas-feiras à tarde. 

— Na área profissional de educação física, tenho 33 anos. Estou muito feliz por ajudar a equipe da escola. Em 2013, ganhei o título de cidadão caxiense por trabalhos prestados à comunidade e não podemos parar, temos que valorizar este título.

Coordenadora do CPM, Graziela Severo apresenta o treinador de futebol Ferreirinha para os alunos
Rodrigo Alves / Divulgação
Ferreirinha, segundo da direita para a esquerda, conversa com líderes da escola Tiradentes
Rodrigo Alves / Divulgação

O papel dos pais 

A mãe da aluna Mariana Ritzel, da turma 202, é a cabeleireira Graziela Severo, presidente do Conselho de Pais e Mestres (CPM) do Colégio Tiradentes. Segundo Graziela, nos primeiros dias já é possível ver a mudança nos alunos que ingressam na instituição. Na visão dela, os jovens vivem em uma era de desvalorização do ambiente escolar. 

— Chegando aqui no colégio, ela (Mariana) compreendeu que precisaria ter um posicionamento diferente, ela precisaria olhar para o futuro e que isso depende do que ela está fazendo agora.

No Tiradentes, segundo a profissional do segmento de estética, os alunos seguem o lema de  um por todos e todos por um. Eles têm consciência que, para ter sucesso no futuro, precisam de disciplina em todos os momento da vida, na avaliação de Graziela. Do tratamento ao profissional que prepara a alimentação deles na escola à limpeza nos ambientes no colégio e em casa. 

O interesse dela em participar do CPM surgiu após inúmeras reuniões de pais em outras escolas que a filha estudou, sem resoluções aos problemas. 

— Se eu tenho uma reclamação acompanhada de uma sugestão eu falo, senão eu me calo. Eu me prontifiquei a participar do CPM, prestando um serviço a eles, então porque eu não devolver um pouco.

Bruno Todeschini / Agencia RBS
Mãe e filha presentes na rotina do TiradentesBruno Todeschini / Agencia RBS

Saiba mais

:: Antigamente sede da Escola Dante Marcucci, o Colégio Tiradentes começou a sair do papel quando oito militares da BM começaram colocar o projeto em andamento. Em meados de abril de 2022, o Conselho Estadual de Educação permitiu o inicio do ano letivo. A própria Brigada fez a divulgação em escolas e na comunidade caxiense do modelo de ensino e da abertura do edital. O intuito na época era abrir 60 vagas, para alunos do 1º ano, filhos e dependentes de militares (policiais e bombeiros) e comunidade em geral. No total, 63 inscrições passaram pelo processo seletivo e foram acolhidas em 2022

:: Neste ano, o Colégio Tiradentes conta com 141 alunos. São três turmas de primeiro ano e duas turmas para os 54 alunos do 2º ano. Os adolescentes têm, em média, entre 14 e 16 anos. Cinco alunos frequentaram uma escola normal no 1º ano do Ensino Médio em 2022 mas, para poder ter acesso à escola da BM, fizeram o concurso e repetem o 1º ano em 2023. Para serem aprovados, assim como nas escolas estaduais de ensino comum, os alunos devem atingir média intelectual 7. 

:: Dos 141 alunos atuais, 20 alunos são filhos ou dependentes de integrantes da BM ou do Corpo de Bombeiros. O restante (121 adolescentes) é de famílias da comunidade em geral. A maioria é residente em Caxias do Sul, Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Flores da Cunha e Vacaria. Boa parte se mudou para Caxias. Os demais pegam transporte e retornam para as cidades todos os dias.

Aula simbólica na Câmara de Vereadores 

Na manhã desta sexta-feira (3) ocorrerá uma aula inaugural, na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul. A solenidade se inicia às 9h na frente da Câmara, os alunos irão hastear a bandeira nacional com a presença da banda do 3º GAAAE. Após, às 9h30min, no Plenário do Legislativo haverá palestras com o procurador do Estado Rafael Cândido Orozco e com a coordenadora regional da 4ª CRE, Viviani Vanessa Devalle. A ação é organizada pelos representantes do Tiradentes e do gabinete do vereador Alexandre Bortoluz. 

Curso Preparatório ao Concurso de Capitão da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar (CSPM/CSBM)

 VISÃO GERAL

O curso preparatório ao Concurso de Capitão da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar da ESBM é destinado a todos aqueles que desejam realizar a preparação para ingressar nessas importantes carreiras jurídicas do estado do Rio Grande do Sul. O Curso da ESBM realizado em parceria com Andresan Cursos & Concursos e com a Unypública reúne os dois principais vetores aptos a promover a melhor preparação e a aprovação de nossos alunos: professores militares com experiência em concursos da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar aprovados no CSPM e CSBM e professores civis renomados e com larga expertise em preparação para os mais exigentes concursos públicos do país. O Preparatório da ESBM é certificado como Curso de Pós-graduação “lato sensu”, Especialização em Ciências Policiais e Segurança Pública, área do conhecimento reconhecida pela Ministério da Educação (MEC) nos termos do Parecer CNE/CES nº.945/2019, publicado no Diário Oficial da União de 06 de junho de 2020.

CONFIRA AS VANTAGENS DO PREPARATÓRIO DA ESBM

1. Curso preparatório único no Brasil certificado como Pós-graduação garantindo pontuação extra aos nossos alunos na prova de títulos dos concursos de capitão da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar; 

2. Sistema de ensino híbrido com aulas presenciais ,e, em EAD, disponibilizadas na exclusiva plataforma de streaming educacional NETJUS da ESBM, que transformam a sua rotina de estudos em uma jornada lúdica leve e prazerosa (possibilidade do aluno fazer todo o curso em EAD caso prefira);

3. Aulas com professores e oficiais militares que realmente conhecem a rotina da caserna e o sistema de ingresso no oficialato da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar; 

4. Nossos alunos não são clientes, SÃO ASSOCIADOS: a ESBM é uma instituição de ensino sem fins lucrativos, nosso único compromisso é com a aprovação de nossos alunos;

5. Ao adquirir o curso preparatório para os concursos de capitão da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar e se tornar um ASSOCIADO ESBM, você passa a garantir uma série de benefícios, como descontos exclusivos em outros cursos oferecidos pela ESBM bem como acesso privilegiado ao nosso conteúdo da plataforma de streaming educacional NETJUS;

CONFIRA AINDA NOSSOS BENEFÍCIOS EXCLUSIVOS

1. Acesso as provas anteriores do concurso CSPM, corrigidas por nossos professores; 

2. Material de apoio preparado por quem realmente conhece o e sabe o que é o CSPM – um curso feito por militares para militares; 

3. Acesso aos exclusivos mnemônicos ESBM que auxiliam sua rotina de estudos facilitando a memorização do conteúdo;

4. Mentoria exclusiva com o Professor Andresan Machado e grupo de estudos com oficiais da Brigada Militar;

 INSTRUTORES

Instrutores Oficiais da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar com ampla experiência acadêmica e prática profissional e professores civis especialistas nos mais exigentes concursos públicos do Brasil.

 DIPLOMA

Certificado de Pós-graduação “Lato sensu” em Ciências Policiais e Segurança Pública.

 FREQUÊNCIA

Todos os alunos que cumprirem os requisitos básicos de frequência receberão o Diploma de pós-graduação, sendo facultado ao aluno escolher em apresentar ou não trabalho de conclusão de curso. Aqueles que optarem por confeccionar o TCC poderão submeter o artigo produzido para publicação na revista científica da ESBM  “Pro Lege Vigilanda”.


ATENÇÃO FUTURO CAPITÃO!!!! ATENDENDO A PEDIDOS PRORROGAMOS ATÉ HOJE A MEIA-NOITE NOSSA PROMOÇÃO DE LANÇAMENTO!! A ESBM não deixa ninguém para trás, a procura foi muito grande. Por isso prorrogamos até a meia-noite de hoje nosso desconto de 10% com o VOUCHER: cap10.
Não percam essa última oportunidade!!

PMs que salvaram criança que se afogou em piscina são homenageados no litoral

PMs que salvaram criança que se afogou em piscina são homenageados no litoral

O Comando do 2º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (2º BPAT), na manhã desta segunda-feira (27/02), no encerramento da 53ª Operação Golfinho, em Capão da Canoa, prestou homenagem ao soldado Mees, do 17º BPM, e ao soldado Marques, do 33º BPM, que atuaram na praia de Capão Novo.

Os policiais militares atenderam uma ocorrência de afogamento em piscina de uma criança de dois anos de idade, no dia 13 de fevereiro.

Os PMs se dirigiram para a residência onde uma família passava férias e no local o pai da criança, em aparente nervosismo, falou para a guarnição que o menino havia caído na piscina da casa.

De imediato, os PMs iniciaram a manobra de reanimação na criança e o procedimento foi decisivo para mantê-la viva.

Em seguida, o menino foi levado ao hospital de Capão da Canoa e de lá removido para um hospital em Canoas, onde ficou internado.

Recuperado, ele recebeu alta no último sábado (25/02), está com a família em casa e passa bem.

LITORALMANIA

UMERGS retoma parceria histórica com o Correio Brigadiano

Na manhã desta sexta-feira, a direção do Jornal Correio Brigadiano retomou a parceria que vigia a muitos anos com a União dos Militares Evangélicos do RS – UMERGS.

Da esquerda Sub Oficial Adelmo Souza, Cel Salomão e Gilson Noroefé

Em reunião realizada na sede da Rede ABC da Segurança Pública com a presença do Diretor Geral Gilson Noroefé e Dirigentes da UMERGS, Coronel RR. Da BM Salomão Fortes e Suboficial da Marinha Adelmo Souza foi aberto uma agenda na grade de programação, tanto da Rádio Studio 190, como nas edições impressas e online do Jornal Correio Brigadiano, de forma que seja levado apoio espiritual aos militares sejam das forças policiais como das forças armadas e corpo de bombeiros militares.

No dia 1º de março inicia o programa da Rádio Studio 190 denominado SOLDADOS DE CRISTO.

Suboficial da Marinha Adelmo Souza – Apresentador do novo programa

O programa terá uma hora de duração todas as quartas feiras e poderá ser ouvido diretamente na página do Correio Brigadiano e quando transmitidos em live através do faceboock das 12 as 13:hs.

Além de programa musical, será levada a palavra de Deus através do apresentador Capelão Adelmo Souza, bem como com convidados da UMERGS de todo o estado do RS.

O Coronel RR. Salomão Fortes, ao dirigir-se ao diretor do Jornal afirmou não ter dúvida que esta parceria faz parte de uma obra de Deus.

Gilson Noroefé, ao agradecer a parceria, deixou claro que este novo programa atende a prestação de um serviço aos ouvintes e seguidores.

– Temos muitas pessoas, sejam militares ou não com problemas muito difíceis, que muitas vezes não são doenças físicas mas da alma e algumas levadas ao ato extremo do suicídio.

– Isso nos dá a certeza que este caminho de esperança pode ajudar muito a quem precise encontrar o seu rumo na fé e na esperança em Cristo, finalizou Gilson Noroefé.

Pacientes denunciam cobranças por cirurgias que deveriam ser cobertas pelo IPE Saúde

Em um dos casos, médico teria pedido R$ 12 mil em espécie para realizar cirurgia cardíaca. Delegado esclarece que exigir o pagamento fora da coparticipação prevista caracteriza vantagem financeira indevida e crime de concussão. IPE Saúde garante que denúncias serão enviadas ao MP.

Por GIovani Grizotti, RBS TV

Após as denúncias de cobranças indevidas por consultas via IPE Saúde, pacientes relatam que foram cobrados por cirurgias que deveriam ser cobertas pelo plano de saúde dos servidores do Rio Grande do Sul. De maio de 2022 até janeiro deste ano, o Instituto recebeu, por meio do canal de ouvidoria, 138 relatos. Quinze médicos foram suspensos, mas nenhum caso foi encaminhado para a polícia ou o Ministério Público.

Em Porto Alegre, a mulher de um servidor aposentado deu entrada em um hospital para colocar três pontes de safena. O procedimento deveria ser pago pelo IPE Saúde, mas, dias antes da operação, o cirurgião teria se queixado dos valores que recebe do plano e pedido R$ 12 mil. O pagamento seria em dinheiro vivo.

– Não, tem que ser em dinheiro vivo e não tem recibo, não tem nada – diz a secretária.
– Tá, mas como? Eu preciso de um recibo – responde o homem.
– Se tu quiser um recibo sem CNPJ eu te dou, mas é 30% mais caro.

O homem chegou a gravar a conversa que teve com outro médico, que cuidava da mulher dele no quarto do hospital. Ele confirmou a cobrança do valor pelo colega. Para justificar, alegou que os cirurgiões cardíacos do RS se descredenciaram do IPE.

Na verdade, o plano conta com 19 cirurgiões cardíacos credenciados em Porto Alegre. O médico que faria a cirurgia da mulher do servidor aposentado está no cadastro.

Para custear o procedimento, o marido da paciente tomou um empréstimo de R$ 5 mil. Antes de fazer o pagamento, ele ligou para a ouvidoria do IPE, que o alertou sobre a ilegalidade da cobrança. O homem conseguiu outro hospital, e a cirurgia foi realizada. Um procedimento administrativo foi aberto para apurar o caso.

“Apurando isso, verificando ao final que nós temos uma situação, de fato, de irregularidade, como nos parece que é esta situação, nós encaminhamos este procedimento, notificamos isso por meio de uma denúncia à promotoria criminal. Eventualmente esse médico possa vir a ser suspenso ou até mesmo descredenciado”, afirma o presidente do IPE Saúde, Bruno Jatene.

Sede do IPE Saúde, em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV

Sede do IPE Saúde, em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV

Outros relatos

O esquema de cobranças por fora do Ipe tem se repetido em outros municípios. Um policial militar aposentado teve que contrair um empréstimo no valor de R$ 2.800 para ser operado da vesícula, via plano, em Bagé, na Fronteira Oeste do estado. Na região de Erechim, no Norte do RS, uma mulher pagou por consultas, exames e até mesmo uma cesariana.

”A gente trabalha de dia para comer de noite. O salário da gente já tá defasado. Daí tem que fazer um empréstimo para pagar um valor indevido?”, desabafa um paciente.

A atual gestão do IPE Saúde, empossada há um ano, ressalta que em maio criou a ouvidoria e que até o momento vinha estruturando o setor. A administração do instituto garante que a partir de agora as denúncias começarão a ser enviadas ao Ministério Público.

“Entendemos que é o caso de começar a aproximar de maneira mais célere esse processo junto às promotorias criminais”, afirma Jatene.

A Delegacia de Combate à Corrupção colocou um telefone para receber denúncias de irregularidades. Basta ligar para o número 0800-518-518.

”Se um profissional da saúde vem a exigir o pagamento de um dinheiro fora da coparticipação do IPE Saúde, essa cobrança pode caracterizar uma vantagem financeira indevida e estaríamos à frente de um crime de concussão”, explica o delegado Max Otto Ritter.

A pena prevista para esses casos é de 2 a 12 anos.

Médico examina paciente no RS — Foto: Reprodução/RBS TV

Médico examina paciente no RS — Foto: Reprodução/RBS TV

Bombeiro de Caxias do Sul participa de missão humanitária no Chile

Apaixonado pela profissão, Rodrigo Piccoli relata suas motivações e atuação como militar na Serra Gaúcha

(Foto: Arquivo pessoal)

Alice Corrêa Portal Leouve

Na última semana, a Força Nacional de Segurança Pública brasileira reuniu cerca de 36 militares de distintos estados para uma missão humanitária em apoio aos Bombeiros do Chile, país vizinho na América do Sul. Um dos integrantes dessa importante missão é Rodrigo Piccoli, de 40 anos, 2º Sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio Grande do Sul, com atuação há aproximadamente 16 anos, lotado em Caxias do Sul, que está atualmente Mobilizado na Força Nacional de Segurança que atua em diversos estados do Brasil afora.

Natural do município de Barracão, Piccoli veio para a Serra Gaúcha ainda criança. Com 22 anos dedicados ao Serviço Militar, seis foram atuando no Exército Brasileiro em Caxias do Sul. Ele conta sobre suas inspirações para entrar no Serviço Militar e atuar como bombeiro militar, na missão de salvar e proteger.

“O que me motivou a entrar para o Corpo de Bombeiros foi a afinidade com a profissão, que visualizei no momento em que atuei no Exército. Isso me motivou a prestar concurso na época, para a Brigada Militar, e depois, houve a separação em 2018, quando se tornou Corpo de Bombeiros militar do Estado do Rio Grande do Sul (CBMRS). Essa motivação me deu no dia a dia de conhecer a profissão, de verificar e admirar muito os profissionais, a corporação, saber o quão grande é esse tipo de trabalho e querer fazer esse tipo de trabalho para sua vida. A partir daí, me preparei para todas as etapas do concurso até o curso de formação. Isso foi cada vez mais me fazendo crescer a chama e o amor de ser bombeiro. Isso a gente escolhe para a vida da gente, em fazer parte daquela instituição, como uma família. É uma dedicação exclusiva, em trabalhar para salvar vidas e ajudar o próximo”.

Os 36 militares brasileiros se deslocam via terrestre com a Força Nacional de Segurança Pública, visando realizar a ajuda humanitária aos colegas de profissão do Chile. Com eles há equipamentos e materiais para auxiliar tanto bombeiros como outros órgãos que atuam no país. Piccoli relatou que a seleção de militares ocorre por competências e habilidades desenvolvidas ao longo da carreira, além disso, a experiência de cada um, conta bastante para missões desse nível.

Sobre a missão humanitária, Rodrigo pontua suas motivações para continuar. “A carreira do militar é edificada por experiências e procuro sempre estar pronto para qualquer missão, para nós é um orgulho e a realização de um sonho em fazer parte de uma missão internacional, todo trabalho como bombeiro é muito gratificante, ficamos muito emocionados. Atuei em muitas missões sempre motivado para continuar fazendo o trabalho melhor possível, sempre cada vez mais ajudar o próximo”.

Brigada Militar realiza instrução de atendimento pré-hospitalar em Vacaria

Foram abordados aspectos básicos dos primeiros socorros

Foto: Sargento Jean

Por Rafaela Grandi Portal Leouve

A Brigada Militar realizou na manhã desta quarta-feira (15), uma instrução de atendimento pré-hospitalar policial, em Vacaria. A capacitação foi ministrada pelo Soldado Reis do Corpo de Bombeiros de Vacaria e pelos integrantes da equipe de Força Tática do 10° Batalhão de Polícia Militar.

Ao longo da manhã os participantes foram preparados para atendimento em situações de emergência. Foram abordados aspectos básicos dos primeiros socorros, sendo realizado em sala de aula uma apresentação teórica do material e logo após foi realizada uma aula prática com simulação de um evento de urgência.

No total 37 policiais aprenderam a executar manobras e procedimentos de emergência necessários à minimização do trauma e seus efeitos fisiopatológicos, objetivando o socorro próprio ou do colega em treinamentos ou situações de confronto em locais de difícil acesso que inviabilizam o socorro por equipes especializadas, prestando o primeiro atendimento estabilizando a vítima, ou sendo necessário, a evacuação para o suporte médico adequado.

Soldado da BM realiza curso de formação de mentores em Sykesville, Maryland nos EUA

 

curso

No domingo (13/02), em Sykesville, Maryland, nos Estados Unidos, a Soldado Jordana Rauber Sanches atualmente está lotada no 3º Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (3º BPAT),  iniciou o curso de formação de mentores (Mentor Officer Training – MOT), coordenado pelo D.A.R.E. América, com facilitação do Coordenador Rafael Morales e orientação pedagógica da Dra Ashley Fazier.

O curso tem duração de  cinco dias e visa preparar o policial Proerd para trabalhar na capacitação de novos instrutores durante os cursos de formação de instrutores Proerd.

Participam também policiais da Carolina do Norte, Maryland, Illinois, Connecticut, Baltimore, Canadá e Hawaii.

FONTE: BRIGADA MILITAR

“Motivo de orgulho”, diz delegado Fernando Sodré sobre ser o primeiro negro a ocupar chefia da Polícia Civil gaúcha

Novo Chefe de Polícia toma posse em solenidade no final da tarde desta terça-feira

Delegado Fernando Sodré, novo chefe da Polícia Civil | Foto: Marcel Horowitz / Rádio Guaíba

“É motivo de muito orgulho”, foi o que afirmou o novo Chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, delegado Fernando Sodré, ao ser questionado sobre ser o primeiro negro a ocupar o cargo máximo nos 181 anos de história da instituição. A declaração fez parte de um conjunto de perguntas que o policial respondeu durante atendimento a imprensa na manhã desta terça-feira.

Conforme o delegado, que reside e atua há 40 anos em território gaúcho, o Rio Grande do Sul tem muito a ensinar para o Brasil com relação a diversidade e as oportunidades. “É difícil até de falar porque a gente se emociona. Quem vive em uma sociedade racionalmente estruturada como a nossa, se a pessoa está preparada para viver isso, ela consegue enxergar que este é um momento muito relevante, nesse caso, não só para mim, mas também para um grupo de pessoas que precisam de representatividade e vistas em condições de que os cargos são para todos. Eu acho que isso (a nomeação para o cargo) representa uma sensibilidade do Estado, em especial do governador Eduardo Leite e do Secretário da Segurança Pública, Sandro Caron. E não é por que a gente chega nas funções por conta da condições racial, nós chegamos nas funções pelo que a gente desenvolve nas carreiras. Que a questão racial não seja um elemento limitador para que você não possa ocupar estes cargos”, explicou Sodré, que é doutorando na área de Direitos Humanos e revelou ter intenção de fortalecer a Delegacia de Combate à Intolerância, para ampliar ações com objetivo de investigar e conter os crimes discriminatórios. Na parte operacional, o delegado destacou que pretende ampliar o combate contra o crime organizado, além de fortalecer a ação policial no interior gaúcho.

“Nós temos perspectivas importantes, entre elas está o combate ao crime organizado, que é uma das preocupações não só no RS mas também do Brasil. Contudo, nós entendemos que estas ações não devem se ater apenas as regiões mais conflituosas do estado. Mesmo estando alinhado com a Secretaria Estadual da Segurança Pública, por meio do RS Seguro (programa do governo estadual que atua em áreas com indicadores de maior criminalidade), a Polícia Civil fará esforço para interiorizar nossas estruturas de combate a essas organizações. Como fiz a carreira toda no interior do estado, acho importante nós atuarmos nesta área da repressão à criminalidade através da investigação qualificada nestes locais do interior para que não aja uma migração muito forte da criminalidade das regiões mais conflagradas para as áreas mais tranquilas do RS”, avaliou o delegado, que ocupava o cargo de titular da 13° Delegacia Regional do Interior, que fica em Santo Ângelo.

Durante entrevista, o novo Chefe de Polícia também salientou medidas para reduzir o número de feminícidios e também sobre a transferência lideranças de quadrilhas para penitenciária federais fora do estado. Segundo ele, esta medida, que faz parte de um trabalho meticuloso da inteligência, pode desestabilizar as organizações criminosas.

O delegado Fernando Sodré toma posso como novo Chefe de Polícia Civil em solenidade, realizada às 18h desta terça-feira, no Palácio da Polícia. Na ocasião, o Subchefe de Polícia, delegado Heraldo Guerrero também será conduzido ao novo cargo.

FONTE Everton Calbar/Rádio Guaíba