Saúde e segurança lideram lista de principais problemas do país, aponta Datafolha

Levantamento mostra preocupação maior com sistema de saúde e violência. Economia e corrupção aparecem em terceiro lugar entre as respostas espontâneas.

Por Redação g1

Pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (10) aponta que saúde e segurança pública são os principais problemas do país, de acordo com os entrevistados. As respostas consideravam as áreas que são de responsabilidade do governo federal, como economia, educação e outros temas.

De acordo com o levantamento, 21% dos entrevistados citaram a saúde como o maior desafio nacional. Em seguida, aparece a violência, mencionada por 19% dos participantes.

A economia ocupa o terceiro lugar, com 11% das respostas, considerando preocupações relacionadas à inflação e ao aumento do preço da cesta básica. Educação e corrupção aparecem empatadas na sequência, com 9% cada.

Outros problemas mencionados foram desemprego, fome, pobreza e desigualdade social ou má distribuição de renda. As respostas foram únicas e espontâneas. Veja os resultados:

“Considerando as áreas que são de responsabilidade do governo federal, na sua opinião qual é o principal problema do país hoje?”:

  • Saúde: 21%;
  • Violência, segurança, polícia, criminalidade: 19%;
  • Economia, inflação, aumento do preço da cesta básica: 11%;
  • Educação: 9%;
  • Corrupção, desonestidade: 9%;
  • Desemprego: 4%;
  • Fome, miséria, pobreza: 3%;
  • Desigualdade social, má distribuição de renda: 3%;
  • Má administração: 2%;
  • Salário: 2%;
  • Política: 1%;
  • Impostos abusivos: 1%;
  • Habitação: 1%;
  • Infraestrutura: 1%;
  • Impunidade: 1%;
  • Presidente: 1%;
  • Outras: 7%;
  • Nenhum: 1%;
  • Não sabe: 6%.
O que brasileiros apontam como maior problema do país, segundo o Datafolha — Foto: Dhara Pereira - Arte/g1

O que brasileiros apontam como maior problema do país, segundo o Datafolha — Foto: Dhara Pereira – Arte/g1

Foram entrevistadas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios ao longo dos dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

PEC da Segurança é aprovada na Câmara dos Deputados em primeiro turno

Projeto foi votado sem trecho sobre maioridade penal

Zero Hora

Conhecida como PEC da Segurança Pública, a Proposta de Emenda à Constituição 18/25 foi aprovada nesta quarta-feira (4), em primeiro turno, pela Câmara dos Deputados. O texto segue agora para o Senado.

Inicialmente, a PEC seria votada pela manhã na Comissão Especial Sobre as Competências Federativas em Segurança Pública da Câmara dos Deputados – criada para analisar exclusivamente a matéria. Mas houve impasse envolvendo trecho sobre maioridade penal. 

O ponto não estava previsto no projeto original elaborado pelo governo, mas foi proposto no texto substitutivo apresentado pelo relator, Mendonça Filho (União-PE). O parlamentar quer alterar de 18 para 16 anos a idade em que jovens podem responder criminalmente.Play Video

Foi feito um acordo entre o governo e o relator do texto, deputado Mendonça Filho (União-PE) e o tema da redução da maioridade penal foi retirado do texto. Assim, o presidente da Câmara, Hugo Motta, levou a pauta ao plenário.

A proposta tem como objetivo reorganizar o sistema de segurança pública no Brasil e endurecer as regras de progressão de pena, entre outros temas. 

Entenda

A PEC 18/25 determina o estabelecimento de legislação infraconstitucional com medidas mais gravosas, tais como a restrição ou a vedação de progressão de regime, a suspensão de benefícios, o tratamento disciplinar diferenciado e a expropriação e o confisco ampliado dos bens de origem ilícita, entre outros.

O objetivo é impedir que lideranças continuem comandando as suas organizações de dentro dos estabelecimentos penais. 

— Essas medidas enfrentam a leniência e a impunidade que, historicamente, alimentou a expansão das facções — disse o relator, Mendonça Filho.

A modernização do sistema policial é outro tema de destaque no substitutivo, segundo o relator: 

— Com a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública, supera-se a fragmentação operacional que permitia que o crime transitasse entre unidades da Federação com mais facilidade do que o próprio Estado.

Mendonça Filho destacou que a coordenação nacional promoverá a cooperação sem centralização ou substituição do papel dos Estados e dos municípios. Segundo o relator, o texto final tomou um caminho inverso da proposta encaminhada pelo Poder Executivo.

Para o fortalecimento do Sistema de Políticas Penais e da gestão prisional, o texto de Mendonça Filho constitucionaliza o Regime Disciplinar Diferenciado, com a previsão de regimes de custódia mais severos para lideranças de organizações criminosas de alta periculosidade ou lesividade.

A proposta amplia o financiamento obrigatório da segurança pública ao prever a destinação gradual de parte das receitas do Fundo Social do pré-sal e da arrecadação proveniente das apostas das bets. Esses recursos serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional.

Hugo Motta avisa que votará PEC da Segurança na próxima semana. Vídeo

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), falou ao Metrópoles sobre agenda da Casa e sobre as eleições de 2026

Igor Gadelha Metrópoles

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), falou em, entrevista ao vivo ao Metrópoles, nesta quinta-feira (26/2), sobre seus planos para a PEC da Segurança, uma das prioridades do governo Lula.

Na entrevista, o presidente da Casa avisou que colocará a proposta na pauta do plenário da Casa na próxima semana. A PEC será votada na comissão especial, que discute o mérito do texto, na terça-feira (3/3) e irá ao plenário na quarta-feira (4/3).

“A PEC da Segurança, que é também uma medida estruturante, deverá estar indo a pauta na próxima semana. A comissão especial deve concluir a votação na terça e queremos na quarta levar oa plenário essa matéria que com certeza fará um enfrentamento do crime organizado no nosso país”, afirmou.

Veja a íntegra da entrevista:

Comissão pede piso nacional para PMs

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados criou uma agenda de diálogo permanente com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ministro Wellington César Lima e Silva esteve pela primeira vez na comissão, nesta terça-feira (24), acompanhado do secretário de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Velos, e do secretário de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia.

Ao fim da reunião, o ministro não quis dar entrevistas. O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, deputado Coronel Meira (PL-PE), falou sobre a parceria inédita.

“Para ter resultados, a gente entende que tem que ter apoio. A Câmara sozinha não tem poder. Então temos que ter apoio do governo federal, dos governos estaduais e dos governos municipais. Então a gente inicia com o ministro da Justiça, que, diga-se de passagem, é técnico, graças a Deus”, observou Meira.

O encontro teve a presença da maioria dos deputados da comissão. “Alinhamos uma pauta e vamos entregar o mais rápido possível o que se pode entregar hoje”, completou Meira.

Piso salarial e PEC da Segurança
Entre as propostas prioritárias para a Comissão de Segurança, segundo Meira, está a criação de um piso salarial para todas as polícias do Brasil. A proposta de emenda à Constituição que cria um piso salarial para policiais civis e militares e bombeiros militares (PEC 17/25) aguarda despacho do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para ter a análise iniciada.

Outras pautas acompanhadas de perto pela Comissão de Segurança Pública são a chamada PEC da Segurança Pública (PEC 18/25) e o projeto de lei antifacção (PL 5582/25).

A PEC da Segurança Pública aguarda votação na comissão especial, para então ir ao Plenário. Quanto ao projeto antifacção, depois de aprovado pela Câmara e sofrido modificações pelo Senado, retornou para nova análise pelo Plenário da Câmara.

Segundo o deputado Coronel Meira, toda semana o colegiado vai se reunir com representantes enviados pelo Ministério da Justiça sobre a pauta de votações.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Agência Câmara de Notícias

PE: Sargento da Polícia Militar é punido com três dias de detenção por tamanho do seu bigode

Defesa do policial que está há 35 anos na corporação afirma que ele desconhecia a regra, que foi alterada em 2020

Estadão Conteúdo

O segundo sargento da Polícia Militar Samuel de Araújo Lima, que está há 35 anos na corporação, foi punido com três dias de detenção por conta do tamanho do seu bigode. O militar ‘usava o bigode em desacordo com o previsto no SUNOR nº 068’, segundo nota de culpa da Polícia Militar de Pernambuco de 12 de janeiro.

O advogado Tiago Reis, que faz a defesa de Lima, explicou que o segundo sargento estava no Programa de Jornada de Segurança (PJES) – um serviço extra remunerado – quando a capitã responsável pela fiscalização percebeu que seu bigode estava passando a linha superior dos lábios e chegando à linha inferior.

Mesmo integrando a corporação desde 1991, Lima não conhecia a regra alterada em 26 de outubro de 2020 através do SUNOR nº 068, que estabelece padrões de apresentação pessoal para todos os militares estaduais em Pernambuco.

‘Ela não deu prazo para ele fazer a correção, que tem que se fazer a revista. Naquele exato momento ele estava no meio da rua, de serviço. Não dava para arrumar um barbeador ou gilete’, comentou o advogado, depois de explicar que o sargento usa o bigode desde que entrou na corporação.

Mesmo apresentando a sua defesa verbalmente ao comandante do primeiro batalhão, o sargento foi condenado a uma punição disciplinar em três dias de detenção. A defesa do PM busca mostrar o alto rigor da sentença, além de buscar um recurso após uma promoção por bravura ser negada ao segundo sargento um dia antes da punição por conta do bigode.

Lima esperava se tornar primeiro sargento por bravura, depois de prender um criminoso de alta periculosidade em 2024.

Confira a nota da Polícia Militar de Pernambuco na íntegra:

A Polícia Militar de Pernambuco informa que a punição disciplinar aplicada ao referido policial decorre do descumprimento de normas internas que regulamentam os padrões de apresentação pessoal dos militares estaduais. Antecedem o ato a reiteração de descumprimento, que no caso do graduado foi alvo de advertências verbais para adequação, sendo levado em consideração ainda os antecedentes do militar. Vale salientar que a foto que circula na imprensa não condiz com a apresentação que gerou a comunicação de descumprimento de norma interna, o que pode gerar uma falsa associação e estranheza pela punição aplicada. Ressaltamos também que a medida adotada não retira o militar do serviço, tratando-se de sanção administrativa prevista nos regulamentos internos da Instituição. O procedimento disciplinar observou os princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurando ao militar o pleno direito de defesa e acompanhamento do processo. A PMPE destaca que possui normas e regulamentos internos que visam a preservação da disciplina e da hierarquia, pilares essenciais para o adequado funcionamento da Corporação.

Governo Lula edita MP para dar aumento de até 24% a policiais do DF, RR, RO e AP

Reajuste será pago em duas parcelas, a primeira neste ano e a segunda em 2026

Estadão Conteúdo

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, disse que o governo enviará nesta segunda-feira, 1, ao Congresso uma medida provisória (MP) que formaliza o acordo do reajuste salarial para as forças de Segurança do Distrito Federal e das Polícias Militares do Amapá, de Rondônia e Roraima. A MP entra em vigor nesta data, de acordo com a ministra. A informação foi divulgada durante reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta tarde.

Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a MP prevê aumento de quase 24% às forças de segurança que têm seus gastos bancados pelo governo federal.

A ministra da Gestão, Esther Dweck, disse que o reajuste será pago em duas parcelas, a primeira neste ano e a segunda em 2026. Ela também afirmou que há diferenças entre as categorias, mas não apresentou detalhes.

Também será enviado ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência sobre as carreiras de servidores do Executivo. Gleisi disse que o projeto é resultado de negociações entre o governo e entidades dos servidores e tem 24 iniciativas sobre “reestruturação e ampliação de cargos, reajustes e gratificações e modernização de gestão”.

“Eu tenho certeza que o Congresso Nacional vai tratar com muito carinho essas iniciativas e nós vamos construir esse caminho conjuntamente, como já fizemos em várias matérias que são do interesse do povo brasileiro”, afirmou a ministra da SRI.

Dweck também explicou porque o projeto e a MP serão enviados separadamente. “A MP teve que ser nesta segunda, porque o prazo de vigência do acordo era a partir de 1º de dezembro, por isso precisou essa alteração orçamentária. Já o que está no PL, o prazo de vigência é abril de 26, independente da aprovação da lei orçamentária. Portanto, não poderia ir em uma medida provisória, porque a gente não tem nem a Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada, nem a lei orçamentária”, afirmou.

Durante a reunião, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou que a segurança é uma “prioridade absoluta” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que a medida provisória assinada nesta segunda-feira, 1º, com reajuste para policiais é uma prova disso.

“A segurança pública é uma prioridade absoluta para o nosso governo. Nós estamos trabalhando intensamente em várias frentes para alcançarmos esse objetivo, mas um dos aspectos desse combate à criminalidade e desse aprofundamento de nossas ações no plano da segurança pública é a valorização dos integrantes das forças de segurança. Valorizar não é apenas entregar armas, equipamentos, mas é cuidar de dar-lhes melhores condições de trabalho”, disse Lewandowski.

A declaração foi dada em cerimônia fechada realizada no Palácio do Planalto para assinatura da medida provisória e do projeto de lei. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou as gravações dos discursos.

STF volta a julgar nesta semana ações que contestam Reforma da Previdência de 2019

CONTRIBUIÇÃO DE APOSENTADOS ACIMA DO TETO ESTÁ NA PAUTA

Entre Vários ítens que serão julgados, um interessa diretamente os Aposentados e Pensionistas do Estado,

Contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas do setor público

A Reforma da Previdência de 2019 também permitiu a cobrança de contribuição de aposentados e pensionistas do funcionalismo que ganham entre o salário mínimo e o teto da Previdência (hoje de R$ 8.157,41). Antes, os inativos do funcionalismo só contribuíam sobre valores que excedessem esse limite.

Os aposentados e pensionistas do INSS, porém, não têm contribuição sobre seus proventos.

Até o momento, Supremo formou maioria para declarar a regra inconstitucional essa contribuição dos servidores inativos abaixo do teto do INSS. Os ministros argumentam que deve haver isonomia no tratamento tributário entre aposentados e pensionistas dos dois regimes — o geral (RGPS, leia-se INSS) e o próprio dos servidores (RPPS).

    Contribuição extraordinária

    Com a Reforma da Previdência, passou a ser permitida a criação de contribuições extraordinárias quando a alíquota cobrada de servidores inativos não for suficiente para cobrir o déficit previdenciário dos entes federativos (União, estados e municípios). Nesses casos, pode ser instituída uma cobrança adicional, calculada com base no déficit atuarial existente.

    Antes da reforma, não havia previsão legal para esse tipo de contribuição.

    Segundo especialistas, a posição atual do Supremo tende a reconhecer que há risco de excesso de tributação, e o Tribunal tem avaliado se os municípios e os estados estão extrapolando o limite do razoável ao criar ou propor essas cobranças adicionais.

    Câmara aprova PL Antifacção, entenda o que muda com a nova norma

    O presidente Hugo Motta impediu a apresentação dos destaques do Partido Liberal que incluíam no PL Antifacção a equiparação das facções aos grupos terroristas

    BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei (PL) Antifacção em sessão nesta terça-feira (18/11) diante de pressão do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) para acelerar a votação. A proposta, relatada pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), recebeu 370 votos diante de 110 contrários.

    Grande parte dos votos contrários à proposta partiram do PT e de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ainda que o PL Antifacção seja de autoria do governo Lula, o grupo rejeitou as modificações feitas por Guilherme Derrite em seu substitutivo. O relator até incorporou trechos da proposição original, mas propôs alterações que a base não aceitou.

    Uma delas é a divisão de bens e valores recolhidos em operações contra as facções entre os fundos da Segurança Pública — destinado à Polícia Federal (PF) — e dos estados. A avaliação do Planalto é que a divisão diminui o volume de recursos destinados à PF.

    Foram os partidos de oposição e de centro que patrocinaram a aprovação do PL Antifacção segundo o substitutivo de Guilherme Derrite. A oposição capitaneada pelo Partido Liberal até pretendia mudar o relatório. A intenção era acrescentar no PL Antifacção a equiparação das facções aos grupos terroristas para garantir que os criminosos recebessem o tratamento dado aos extremistas no âmbito da Lei Antiterrorismo.

    Quem barrou a mudança, antes que ela fosse sugerida no plenário, foi o próprio presidente Hugo Motta. Ele temia que a mudança tornasse o texto inconstitucional, permitindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) pudesse derrubá-lo.

    O único destaque aprovado pelos deputados após a aprovação do texto-base no plenário foi o apresentado pelo líder do Novo, Marcel Van Hattem (Novo-RS). Ele proíbe os presos de votar nas eleições, ainda que estejam detidos em caráter provisório.

    A oposição defendeu ativamente essa emenda, que, aprovada, agora passa a constar no PL Antifacção — e contempla todos os presos, sem restrições. O PT criticou o destaque, mas, votou a favor. O líder do partido, Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que a bancada votou pela aprovação mesmo sabendo que essa proibição é inconstitucional.

    O PL Antifacção segue para análise do Senado Federal. Ali, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), antecipou que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) assumirá como relator.

    O que é o PL Antifacção?

    Originalmente, o PL Antifacção previa mudanças na Lei das Organizações Criminosas. Desde o início, Derrite defendia que não era o suficiente, e que essa legislação não conseguia contemplar os crimes cometidos pelas facções. No primeiro relatório, ele equiparava as facções aos grupos terroristas, atendendo à principal reivindicação da oposição. Essa alteração previa uma mudança na Lei Antiterrorismo para garantir que as facções fossem tratadas no escopo dela. 

    A mudança de Derrite não deu certo e ele recuou após alegações de que isto comprometeria a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime. A última versão do parecer foi protocolada na Câmara após o início da sessão desta terça-feira. Nela, o relator propõe a criação do Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, nome que o próprio presidente da Câmara escolheu.

    Agora, Derrite não mexe mais nas leis existentes. Ele propõe a criação de uma lei nova, inteiramente dedicada às facções e às milícias. Mas o relator não chama as facções de “facções”. Ele as classifica como organizações criminosas ultraviolentas.

    No Marco Legal que propõe, Derrite define penas de prisão entre 20 e 40 anos para membros de facções e milícias que cometerem os crimes de domínio social listados nessa lei. Ele ainda aumenta penas para aqueles que usarem drones nas ações das facções.

    Os delitos contemplados nesse trecho são aqueles que acontecem, por exemplo, quando as facções e milícias dominam favelas impedindo a entrada das forças de segurança; ou quando cobram pela prestação de serviços ilegais — um exemplo é o gatonet.

    Esses crimes receberão, pelo projeto, tratamento semelhante àqueles considerados hediondos. Na prática, significa que quem for enquadrado pelo Marco Legal não terá direito à anistia, graça ou indulto. Também não poderá pagar fiança e nem ter direito ao livramento condicional.

    Em seu substitutivo, Derrite mantém pontos do PL Antifacção apresentado pelo Ministério da Justiça. O principal deles é o sufocamento financeiro das facções. Ele também aderiu à sugestão do governo de criar um banco nacional de membros de facções para permitir que os estados possam trocar informações sobre esses criminosos. 

    A última versão do relatório era costurada pelo relator desde quarta-feira (12/11), quando seu quarto substitutivo não alcançou o consenso necessário para ser votado no plenário da Câmara. A despeito de ter feito mudanças, Derrite ignorou a principal crítica — e reivindicação — da base. 

    Ele manteve a previsão de distribuição dos bens recolhidos em operações contra facções entre a PF e os fundos de segurança estaduais. O único ajuste feito pelo relator nesse ponto é a previsão de que os valores destinados à PF vão para o Fundo Nacional de Segurança Pública, e não mais para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol).

    Derrite, em crítica direta à base, afirmou no relatório que integrantes do governo Lula não o procuraram. “Tomei conhecimento pela mídia de alguns pontos que não agradavam”, expôs, acrescentando que acolheu o pedido da equipe do presidente da República sobre o perdimento de bens. 

    O relator incorporou no substitutivo ao PL Antifacção a previsão de perdimento automático de bens ainda durante o inquérito policial. Na prática, significa que a Justiça poderá impôr a perda imediata de bens e valores recolhidos de facções e milícias. A previsão é que esses itens passem imediatamente a pertencer ao Estado.

    O deputado também acata outras sugestões nesse último parecer. São ajustes técnicos, como: 

    • Mudança na lei de lavagem de capitais para prever que o produto ou proveito do crime seja revertido em favor do ente federativo responsável pela investigação; é nesse ponto que ele mantém a divisão dos bens apreendidos entre os fundos estaduais e o fundo de Segurança Pública.
    • Participação do Ministério Público através dos Procedimentos Investigatórios Criminais do MP quando houver força-tarefa para investigação de facções;

    Há, ainda, um ajuste que acolhe um pedido da base em relação à Receita Federal. O substitutivo de Derrite prevê que as medidas previstas no PL Antifacção não impedem retenção, apreensão e perdimentos de bens, valores e ativos previstos em normativos internos aplicados no âmbito do processo administrativo.

    “O que permite que Receita Federal, Banco Central e outros órgãos fiscalizadores possam continuar executando suas medidas de perdimento imediato de bens”, esclareceu no relatório.

    Pesquisa constata que segurança pública é a principal preocupação dos brasileiros

    No fim de 2024, a Quaest apontava que a economia liderava as preocupações da população. A pesquisa foi feita nove dias depois da operação das polícias do Rio nos complexos da Penha e do Alemão.

    Por Jornal Nacional

    Uma pesquisa constatou que o brasileiro nunca esteve tão preocupado com a segurança pública.

    Histórias não faltam.

    “Dois rapazes numa moto, um deles desceu, o garupa, apontou a arma para mim e para minha amiga, e levou nossos celulares”, diz Maria Gerusa, auxiliar de escritório e técnica de enfermagem.

    Cada um procura um jeito de tentar se proteger.

    “Celular na mão por nada desse mundo. Eu entro em algum lugar para abrir, para olhar… Mas isso não é Rio. São Paulo, da onde eu venho, está a mesma coisa”, comenta Simone Guedes, pedagoga.

    E logo surge alguém para dizer o que o medo ensinou.

    “Eu já fui assaltada na rua. Meu filho, na rua da minha casa. E o pub aqui onde a gente está no momento foi arrombado duas vezes em um mês. Durante a madrugada eu fico acordada, trabalhando e monitorando câmeras”, afirma Graziela Weber, moradora de Novo Hamburgo, RS.

    O que vem desses relatos se repete pelo país. A violência virou a maior preocupação do brasileiro – e, desde julho, só aumenta. No fim de 2024, era a economia que ocupava esse lugar. Agora, o alerta mudou. É o que aponta uma pesquisa da Quaest.

    “No auge da Lava Jato, os brasileiros diziam em pesquisa que a maior preocupação deles era com a corrupção. Em 2022, depois da pandemia, a preocupação dos brasileiros acabou sendo a saúde pública. No auge da eleição de 22 a gente viu a fome e a economia voltarem a aparecer relevantes na cabeça dos brasileiros. A gente está terminando 2025 e chegando em 2026 com nível de preocupação com violência que é histórico. Agora, depois da operação que a gente viu no Rio de Janeiro, esse tema ganhou espaço na opinião”, destaca Felipe Nunes, diretor da Quaest.

    A pesquisa — feita dias depois da operação das polícias do Rio nos Complexos da Penha e do Alemão –, também perguntou se as pessoas se sentem seguras ao andar pela própria cidade. Seis em cada dez brasileiros disseram que não, não se sentem seguros. Nas grandes cidades, o temor é ainda maior, mesmo quando não existe uma ameaça visível.

    O estudo também comparou as regiões. No Sudeste e no Nordeste a sensação de segurança é menor.

    “Um dos dados mais interessantes da pesquisa é a percepção de que o morador do Sudeste e o morador do Nordeste têm níveis parecidos de preocupação em andar na rua, em ser assaltado, em sofrer qualquer tipo de violência. O Sul do Brasil e o Centro-Oeste são uma exceção nesse caso, o que mostra que não é só o nível de renda que explica esse processo”, completa Felipe.

    Outro dado aproxima lugares muito diferentes: a porcentagem de quem conhece alguém que teve a casa ou o comércio roubados é a mesma nas cidades pequenas e nas metrópoles. 56% nos municípios com até 20 mil habitantes e os mesmos 56% naqueles com mais de 500 mil moradores.

    A psicóloga Taynan Araújo mora na pequena Ilha de Itamaracá, a 40 km do Recife.

    “Foram três vezes arrombada minha casa. São casos que mexem com toda a população, paralisa realmente toda uma população.”

    Hoje, uma grande tensão do brasileiro ao sair de casa tem nome e cabe no bolso: o celular. A pesquisa perguntou: “Você conhece alguém que teve o celular roubado na região onde mora?”. Mais da metade da população de cidades pequenas e médias respondeu sim. E nos grandes centros, a situação é ainda mais alarmante: 73%.

    A universitária Bruna Eckhardt trocou o interior do Rio pela capital há quatros anos. Saiu de Petrópolis para estudar Ciências Políticas. Nunca imaginou que, em tão pouco tempo, precisaria comprar tantos celulares. Foi furtada em 2022. Outra vez em 2023. E mais uma este ano.

    “Hoje o celular virou quase uma parte do nosso corpo. Então tem tudo, tem banco, tem foto, lembrança, memória. Eu fiz o boletim de ocorrência, mas não tive resposta”, conta Bruna.

    O crime na porta de casa. Três em cada quatro brasileiros dizem ver a presença do tráfico onde vivem. Quase um terço convive com milícias. Para a grande maioria da população o crime organizado cresceu. E 77% afirmam que é um problema nacional — porque atravessa regiões, governos, e exige ação integrada.

    “Nós não estamos aqui tratando de uma questão regional. A pesquisa mostra isso com muita clareza. Os brasileiros sabem que esse é um problema do Brasil e que vai ter que ser enfrentado no país inteiro”, diz Felipe Nunes.

    Na Câmara dos Deputados, em Brasília, ainda não houve acordo sobre o projeto de lei que trata do combate às facções criminosas. A proposta foi alterada quatro vezes em menos de uma semana. A votação está marcada para terça que vem. Mas o embate entre governo e oposição pode alterar essa data. Especialistas da área de segurança pública criticam a demora. O jurista Gustavo Sampaio Afirma que a polarização política não pode prejudicar a discussão desse tema que é urgente para a sociedade.

    “Nesse momento, a polarização significa um retrocesso, ela atrasa o processo legislativo, sobretudo porque a caminhada que nós temos que empreender é de uma união de esforços entre os estados-membros da federação, os 26, o Distrito Federal e a União Federal. Quanto mais demorar o processo legislativo, mais vai demorar a aplicação das políticas públicas de resolução do problema da segurança pública. Quanto mais tempo tardar, mais vidas poderão ser perdidas e maior o sentimento da insegurança em toda a sociedade brasileira.”

    Uma pesquisa constatou que o brasileiro nunca esteve tão preocupado com segurança — Foto: Reprodução/TV Globo

    Uma pesquisa constatou que o brasileiro nunca esteve tão preocupado com segurança — Foto: Reprodução/TV Globo

    STF pode mudar regras da reforma da Previdência para servidores públicos; veja quais

    A reforma da Previdência de 2019 poderá ser alterada por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que irão impactar as novas regras de aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e de servidores, além das contas públicas.

    Publicada em 13 de novembro de 2019, a emenda constitucional 103 instituiu idade mínima na aposentadoria, mudou o cálculo do benefício e da média salarial, alterou alíquotas de contribuição e criou regras de transição para quem já estava no mercado de trabalho.

    A corte analisa de forma conjunta 13 ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) contestando as mudanças e mais outras ações separadas sobre o tema.

    O ministro relator, Luís Roberto Barroso, ex-presidente do Supremo, votou a favor da reforma. O ministro Edson Fachin, atual presidente, divergiu. O julgamento foi paralisado após pedido do ministro Gilmar Mendes e aguarda ser pautado. A análise dos dois processos, no entanto, está marcada para 3 de dezembro.

    Dentre os principais pontos em discussão estão os que tratam da contribuição dos servidores públicos ativos e inativos; da idade mínima na aposentadoria das mulheres servidoras, limitação da aposentadoria especial, proibição da conversão de tempo especial em comum, cálculo da aposentadoria por incapacidade permanente e do tempo mínimo de contribuição para funcionárias públicas.

    Há maioria de votos para derrubar dois temas: alíquota de contribuição de servidores e tempo mínimo de contribuição das mulheres no serviço público. Hoje, seguradas do INSS precisam de 15 anos de pagamentos para pedir o benefício. No serviço público, a exigência é de 20 anos para mulheres. O STF entende que o tempo mínimo deve ser igual.

    No caso da contribuição de servidores, a reforma autorizou que entes públicos cobrem contribuições de aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo e criou alíquotas maiores de desconto para altos salários.

    Leonardo Rolim, consultor da Câmara dos Deputados na área de Previdência, afirma que a cobrança de contribuição sobre benefícios de segurados já aposentados, inclusive para quem ganha entre o salário mínimo e o teto da Previdência, é fundamental para reduzir o déficit financeiro e atuarial da Previdência.

    Segundo ele, caso essa contribuição seja derrubada, haverá forte impacto fiscal sobre estados e municípios. Um dos exemplos é São Paulo, que perderia cerca de R$ 1 bilhão em arrecadação por ano.

    Estudo feito por Rolim aponta que, até o final de 2024, 755 municípios realizaram suas reformas previdenciárias, endurecendo as regras e, mesmo assim, o déficit atuarial total dos RPPSs (Regimes Próprios de Previdência Social) dos municípios está em R$ 1,1 trilhão.

    “Se o STF mantiver essa tendência de revogar diversos itens da emenda constitucional 103, irá ampliar substancialmente esse déficit”, diz.

    Paulo Tafner, diretor-presidente do IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social) e pesquisador da Fipe, afirma que a derrubada do artigo que trata sobre a contribuição de servidores será uma “hecatombe fiscal”, já que, com a decisão, os governos poderiam ter de devolver os valores já cobrados.

    Tafner criticou o que vê como uma tentativa do STF de “fazer política pública” sem respaldo legislativo.