STF volta a julgar nesta semana ações que contestam Reforma da Previdência de 2019

CONTRIBUIÇÃO DE APOSENTADOS ACIMA DO TETO ESTÁ NA PAUTA

Entre Vários ítens que serão julgados, um interessa diretamente os Aposentados e Pensionistas do Estado,

Contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas do setor público

A Reforma da Previdência de 2019 também permitiu a cobrança de contribuição de aposentados e pensionistas do funcionalismo que ganham entre o salário mínimo e o teto da Previdência (hoje de R$ 8.157,41). Antes, os inativos do funcionalismo só contribuíam sobre valores que excedessem esse limite.

Os aposentados e pensionistas do INSS, porém, não têm contribuição sobre seus proventos.

Até o momento, Supremo formou maioria para declarar a regra inconstitucional essa contribuição dos servidores inativos abaixo do teto do INSS. Os ministros argumentam que deve haver isonomia no tratamento tributário entre aposentados e pensionistas dos dois regimes — o geral (RGPS, leia-se INSS) e o próprio dos servidores (RPPS).

    Contribuição extraordinária

    Com a Reforma da Previdência, passou a ser permitida a criação de contribuições extraordinárias quando a alíquota cobrada de servidores inativos não for suficiente para cobrir o déficit previdenciário dos entes federativos (União, estados e municípios). Nesses casos, pode ser instituída uma cobrança adicional, calculada com base no déficit atuarial existente.

    Antes da reforma, não havia previsão legal para esse tipo de contribuição.

    Segundo especialistas, a posição atual do Supremo tende a reconhecer que há risco de excesso de tributação, e o Tribunal tem avaliado se os municípios e os estados estão extrapolando o limite do razoável ao criar ou propor essas cobranças adicionais.

    Brigada Militar retira das ruas 33,9 toneladas de drogas e mais de mil armas de fogo em dez meses de 2025

    O combate ao tráfico de drogas inclui as apreensões que impactam financeiramente as organizações criminosas

    A Brigada Militar (BM) apreendeu 33,9 mil toneladas (33.937,53 quilos) de maconha, cocaína e crack entre janeiro e outubro de 2025. Este resultado foi obtido por meio do policiamento ostensivo, da atuação dos comandos especializados e da realização de operações da Corporação, sustentados pelo serviço de inteligência e pelo uso das novas tecnologias, sob o fundamento da ética e do respeito aos direitos humanos. A maior apreensão ocorreu na região Norte do Rio Grande do Sul, o total de 13 toneladas (13.565,53 quilos.) A segunda maior apreensão superou 12,5 toneladas (12.510,93 quilos) e ocorreu na região Leste do Estado. Já nas regiões Sul e Oeste, as apreensões foram de 4,9 toneladas (4.918,67 quilos) e 2,9 toneladas (2.942,41 quilos), respectivamente.  

    Destaca-se que a maconha é a droga mais frequente nas apreensões em todas as regiões, o que representa 96% do total, ou seja, 32,8 toneladas. As apreensões de cocaína representam 2,4% e, as de crack, 0,7%.

    Armas de fogo

    Ao passo que a Brigada Militar retira drogas das ruas combatendo as organizações criminosas do tráfico, combate a violência ao apreender as armas dos suspeitos. Entre janeiro e outubro deste ano, foram apreendidas o total de 4.325 armas de fogo, tendo sido a maior quantidade apreendida na região Leste, 2.093 unidades. Na região Oeste apreendeu-se 1.096 armas, na Norte 659 e, na região Sul, 477 unidades.

    O serviço de excelência que a Brigada Militar presta à sociedade gaúcha é garantido por meio do constante aperfeiçoamento técnico oferecido aos Policiais Militares, bem como aos investimentos feitos em equipamentos e tecnologias.


    Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM

    FONTE: BRIGADA MILITAR

    66º Festival Hípico Noturno

    Na noite de 20 de novembro/25 o 4º Regimento de Polícia Militar de Porto Alegre sediou pela 66ª vez o Festival Hípico Noturno.

    O evento é realizado anualmente na sede do 4º Regimento de Polícia Montada em Porto Alegre e neste ano também integra as comemorações de 188 anos da Brigada Militar. O festival criado em 1960 foi uma idéia do então Coronel Atílio Cavalheiro Escobar, se transformando em um festival mais antigo do Brasil.

    O policiamento montado que já foi Guarda Presidencial, hoje realiza a polícia ostensiva em eventos como jogos de futebol, movimentos sociais, reintegrações de posse e policiamento em parques, além de manter a Guarda do Palácio Piratini.

    O Festival Hípico Noturno, também é um momento de homenagear personalidades da sociedade gaúcha além de Oficiais e Praças. As delegações de competidores se deslocam de vários estados da federação para participarem deste badalado festival que conta com a participação de muitos cavaleiros e amazonas, civis e militares.

    O 66º Festival Hípico Noturno contou com a abertura oficial e pronunciamento do Sr. Comandante Geral da Brigada Militar Coronel Claudio dos Santos Feoli, Secretária Adjunta da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Del. Adriana Regina da Costa e oTenente Coronel Luiz Felipe Medeiros comandante do 4º RPMon, com a presença de vários comandantes de unidades operacionais e de apoio e sociedade em geral. O Comandante-Geral Cel. Claudio Feoli em sua manifestação ao agradecer os organizadores do evento destacou que o festival é grandioso pelo nível da competição, mas tem uma simbologia muito mais ampla pelo significado que tem o cavalo na historia do estado e da instituição Brigada Militar.

    Ressaltando os valores da Cavalaria o Comandante do Regimento Ten. Cel.Luiz Felipe Medeiros apresentou as várias fontes de recursos necessários para a realização do festival, do empenho voluntário de várias pessoas organizações e empresas, mas que ao final o momento é coroado de uma grandeza reconhecida no Brasil inteiro.

    Assista entrevista do Comandante.

    O festival, além da competição conta com uma extensa programação cultural que pode ser acompanhada pelo endereço: www.festivalhipiconoturno.com.br

    A IBCM além de ser uma parceira histórica do Festival Hípico Noturno, entregou a Premiação e foi homenageada pelos organizadores.

    Seu presidente Daniel Lopes dos Santos fez a entrega de premiações e seu Vice-Presidente Alceu Bosi recebeu medalha de reconhecimento.

    GALEERIA DE FOTOS

    Solenidade de 188 anos da Brigada Militar.

    A corporação criada em 1837 para manter a ordem pública na então Província de São Pedro, se mantém sólida sendo patrimônio e orgulho do povo gaúcho.

     Na manhã desta terça-feira, 18/11, as 10 horas, ocorreu na Academia de polícia Militar a formatura comemorativa aos 188 anos da Brigada Militar.

      A Solenidade contou com a presença de diversas autoridades, civis e militares, dentre elas o Governador Eduardo Leite, o Secretário de Segurança Pública Mario Iukio Ikeda, o Comandante da Brigada Militar Coronel Claudio dos Santos Feoli e o Comandante do Corpo de Bombeiros Militar Coronel Julimar Fortes Pinheiro.

      A atividade comemorativa contou com a entrega de 216 viaturas á Brigada Militar, sendo 25 Toyota Corolla Cross, 178 Toyota Hilux. 8 Sw4, além de 02 Caminhões Mercedes Benz com plataforma e três caminhões guincho.

     A entrega também contemplou o Corpo de Bombeiros Militar com  120 viaturas L200.

      As chaves foram entregues pelo Governador do Estado aos Comandantes das duas corporações, proporcionando a partir de agora um incremento ainda maior na operacionalidade das ações policiais e de bombeiros.

      Durante a cerimônia o Capelão Honorífico da Brigada Militar, Padre Alexandre Chaves, prestou as bênção ao efetivo da corporação.

     Junto a solenidade ocorreram homenagens  à civis e militares, sendo  realizada a entrega de medalhas.

     O Presidente da Rede ABC da Segurança Pública Gilson Noroefé foi agraciado com a medalha Legionário de Honra, quando atribuiu parte do reconhecimento a equipe de voluntários do Correio Brigadiano.

      Os discursos do Sr Governador do Estado, Secretário de Segurança Pública e Comandante Geral da BM ao apresentarem a Brigada Militar em seus feitos históricos, seguiram a linha de demonstração dos excelentes resultados de programas como o RS Seguro, o alcance de patamares históricos  no combate a criminalidade, a formação e aperfeiçoamento do efetivo e principalmente da qualificação dos homens e mulheres da Brigada Militar permitindo se aproximar de 200 anos.

    As comemorações de 188 anos iniciaram no dia 15 de novembro e se encerram no dia 23 de novembro.

    CONFIRA ENTREVISTAS CMT GERAL E EQUI CORREIO BRIGADIANO

    Tradição e resultados: 188 anos da Brigada Militar a serviço do Rio Grande do Sul

    Por CLÁUDIO FEOLI, comandante-geral da Brigada Militar

    O que separa 1837 de 2025? Em 1837, começava o reinado da Rainha Vitória, cuja linhagem levaria, gerações depois, ao atual rei Charles III. Era também o ano em que o telégrafo nascia e que hoje repousa em museus, superado por satélites, celulares e Internet. Quase dois séculos depois, o tempo transformou tecnologias e costumes, mas não mudou algo essencial: a necessidade humana por ordem, segurança e qualidade de vida. E, acima de tudo, a confiança em uma força pública capaz de garanti-las.

    Desde sua fundação, em meio à efervescência farroupilha, a Brigada Militar tem estado ao lado dos gaúchos nos grandes capítulos da história. Na Revolução Federalista de 1893, na de 1923, em 1930 e 1932, a Instituição foi protagonista da defesa da legalidade e da estabilidade social. São episódios que forjaram a identidade brigadiana, pautada pela coragem, pelo espírito público e por um compromisso inegociável com a sociedade gaúcha.

    Essa tradição, construída por heróis como Massot e Olmira e perpetuada por milhares de homens e mulheres ao longo das gerações, atravessou os séculos. A Brigada evoluiu do paradigma bélico para o moderno policiamento comunitário, sempre movida pelo mesmo propósito: proteger vidas e garantir a paz social.

    Hoje, cerca de 19 mil policiais militares servem em todos os rincões do Estado. São profissionais vocacionados, treinados e equipados para agir com técnica, empatia e respeito à lei. Alinhados às políticas de segurança que valorizam integração, investimento e autonomia técnica, têm proporcionado resultados expressivos: o Rio Grande do Sul caminha para encerrar 2025 como um dos anos mais seguros de sua história recente.

    E é curioso notar: mesmo aqueles que, por desconhecimento ou preconceito, criticam a Brigada Militar ou a atividade policial, são os primeiros a clamar por nossos policiais quando o perigo se aproxima. Na hora do medo, é à Brigada que todos recorrem, porque sabem que, em qualquer circunstância, estaremos lá.

    O tempo, que transformou o telégrafo em satélite e o cavalo em viatura, mantém viva a Brigada Militar. Viva pela tradição, pela técnica e, sobretudo, pelo espírito de servir. Ao completar 188 anos, reafirmamos o pertencimento que nos une ao povo gaúcho: somos parte da mesma história, da mesma terra e do mesmo ideal de justiça e paz.

    Dessa aliança entre tradição e inovação, nasce o futuro que desejamos: um Rio Grande do Sul cada vez mais seguro, mais solidário e mais consciente do valor da sua Brigada Militar.

    Artigo publicado no Correio do Povo

    STF pode mudar regras da reforma da Previdência para servidores públicos; veja quais

    A reforma da Previdência de 2019 poderá ser alterada por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que irão impactar as novas regras de aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e de servidores, além das contas públicas.

    Publicada em 13 de novembro de 2019, a emenda constitucional 103 instituiu idade mínima na aposentadoria, mudou o cálculo do benefício e da média salarial, alterou alíquotas de contribuição e criou regras de transição para quem já estava no mercado de trabalho.

    A corte analisa de forma conjunta 13 ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) contestando as mudanças e mais outras ações separadas sobre o tema.

    O ministro relator, Luís Roberto Barroso, ex-presidente do Supremo, votou a favor da reforma. O ministro Edson Fachin, atual presidente, divergiu. O julgamento foi paralisado após pedido do ministro Gilmar Mendes e aguarda ser pautado. A análise dos dois processos, no entanto, está marcada para 3 de dezembro.

    Dentre os principais pontos em discussão estão os que tratam da contribuição dos servidores públicos ativos e inativos; da idade mínima na aposentadoria das mulheres servidoras, limitação da aposentadoria especial, proibição da conversão de tempo especial em comum, cálculo da aposentadoria por incapacidade permanente e do tempo mínimo de contribuição para funcionárias públicas.

    Há maioria de votos para derrubar dois temas: alíquota de contribuição de servidores e tempo mínimo de contribuição das mulheres no serviço público. Hoje, seguradas do INSS precisam de 15 anos de pagamentos para pedir o benefício. No serviço público, a exigência é de 20 anos para mulheres. O STF entende que o tempo mínimo deve ser igual.

    No caso da contribuição de servidores, a reforma autorizou que entes públicos cobrem contribuições de aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo e criou alíquotas maiores de desconto para altos salários.

    Leonardo Rolim, consultor da Câmara dos Deputados na área de Previdência, afirma que a cobrança de contribuição sobre benefícios de segurados já aposentados, inclusive para quem ganha entre o salário mínimo e o teto da Previdência, é fundamental para reduzir o déficit financeiro e atuarial da Previdência.

    Segundo ele, caso essa contribuição seja derrubada, haverá forte impacto fiscal sobre estados e municípios. Um dos exemplos é São Paulo, que perderia cerca de R$ 1 bilhão em arrecadação por ano.

    Estudo feito por Rolim aponta que, até o final de 2024, 755 municípios realizaram suas reformas previdenciárias, endurecendo as regras e, mesmo assim, o déficit atuarial total dos RPPSs (Regimes Próprios de Previdência Social) dos municípios está em R$ 1,1 trilhão.

    “Se o STF mantiver essa tendência de revogar diversos itens da emenda constitucional 103, irá ampliar substancialmente esse déficit”, diz.

    Paulo Tafner, diretor-presidente do IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social) e pesquisador da Fipe, afirma que a derrubada do artigo que trata sobre a contribuição de servidores será uma “hecatombe fiscal”, já que, com a decisão, os governos poderiam ter de devolver os valores já cobrados.

    Tafner criticou o que vê como uma tentativa do STF de “fazer política pública” sem respaldo legislativo.

    RS paga novo valor do vale-refeição no dia 19 de novembro

    Benefício será de R$ 426,92 e contempla todos os servidores ativos do Executivo

    Correio do Povo

    O governo do Rio Grande do Sul anunciou nesta sexta-feira que a data para o pagamento do vale-refeição será na próxima quarta-feira, dia 19 de novembro. O benefício passa a ser de R$ 426,92, e inclui a reposição da inflação de 6,73% referente ao período entre maio de 2024 e setembro de 2025. O reajuste é retroativo a outubro, e a diferença será paga junto à folha mensal de novembro.

    A instituição do auxílio-refeição para todos os servidores estaduais e o reajuste dos valores foram conquistas das categorias a partir da aprovação na Assembleia Legislativa, em novembro de 2023, do projeto de lei 467/2023 do Poder Executivo.

    Anteriormente, o valor do auxílio era de R$ 268,84, com uma coparticipação de 6% e existia diferença entre os valores pagos a servidores civis e militares. Hoje, 113.914 servidores ativos da Administração Direta e Indireta são contemplados pelo benefício.

    O governado Eduardo Leite também prevê uma nova correção inflacionária para o auxílio, que passará a R$ 445,19 a partir de outubro de 2026, uma elevação de aproximadamente 200% em comparação, por exemplo, com um professor que chegava a receber R$ 149,82. A estimativa é que o impacto financeiro da medida seja de R$ 55,9 milhões até o final do próximo ano.

    Reforma no IPE Saúde reduz usuários e mantém reclamações

    Mais de 44 mil usuários deixaram o plano em 2024

    Flávia Simões Correio do Povo

    “O IPE não atendia mais as minhas necessidades”, resumiu o delegado aposentado, Guilherme Wondracek, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep). Usuário do IPE Saúde desde antes de entrar no Estado, em 1992, Wondracek integra a lista dos 44 mil usuários que deixaram o plano em 2024.

    A sua principal queixa é a dificuldade para conseguir marcar consultas. A mesma reclamação é compartilhada por outros usuários, como Ana Lúcia Touguinha, servidora aposentada da secretaria de Turismo. Ela conta que quase todos os seus médicos deixaram de atender pelo plano nos últimos anos.

    Foram esses relatos que chegaram na Assembleia Legislativa e devem embasar a audiência pública, nesta quinta-feira, na Comissão de Serviços Públicos. “A reclamação é quase que unânime na minha Região Sul, e em diversas outras regiões do Estado também: a ausência de médicos para atender, a dificuldade de agendamento com médicos que existem, algumas situações de cobranças não previstas no plano”, disse o deputado Halley Lino (PT), proponente da audiência.

    Prevista para às 11h, a reunião deve reunir representantes do IPE Saúde, da Casa Civil e de sete sindicatos ligados às duas áreas com maior número de servidores: educação e segurança.

    E foi justamente o sindicato dos professores gaúchos, CPERS, que realizou um protesto nesta terça-feira cobrando melhores condições para o Instituto. Os manifestantes se reuniram em frente à sede do IPE Saúde, na Borges de Medeiros, e seguiram até a Praça da Matriz, onde se concentram os poderes Executivo e Legislativo.

    O que mostram os números

    A dificuldade em conseguir consultas está, em parte, explícita nos números: em 2022, o IPE contava com 6.358 médicos credenciados. No ano seguinte, em 2023, passou para 5.501, uma queda de aproximadamente 15%. E, em 2024, o quadro profissional também reduziu, fechando em 5.305.

    Os dados são do balanço anual de 2024, o primeiro desde que o Instituto passou por uma reforma na qual alterou uma série de questões no seu funcionamento, como a cobrança para dependentes, o aumento nas alíquotas de contribuição e o acréscimo nas porcentagens de coparticipação.

    As informações do anuário apontam também para uma redução no número de usuários – o que já era esperado, até mesmo pela direção. A maior queda foi entre os de dependentes – um dos principais pontos alterados na reforma. Em 2023, eram 302 mil. Em 2024, o saldo fechou em 276 mil, uma redução de 8,77%. Entre os contribuintes também houve uma baixa, passando de 821 mil, em 2023, para 784 mil em 2024. Uma redução de 37 mil vínculos (4,54%).

    Com isso, o saldo fechou no negativo em todos os aspectos, incluindo o número de usuários total. Em 2024, foram 857 mil pessoas utilizando o plano; em 2023, eram 902 mil. A reportagem entrou em contato com o IPE Saúde solicitando os dados de 2025, tanto de usuários quanto de colaboradores, mas os números ainda não foram consolidados e, por isso, não foram disponibilizados.

    Apesar dos percentuais não revelarem uma evasão expressiva, as queixas dos servidores se mantêm as mesmas. Além da dificuldade em conseguir consultas, relatos também apontam para uma ausência de cobertura de procedimentos de média complexidade, no interior, que se estende até para algumas consultas especializadas, visto a enxuta rede credenciada.

    Fatores que, somados ao aumento da alíquota e as novas cobranças, tornam o serviço ainda menos atrativo. “Não valia a pena seguir pagando por um plano que eu não utilizava”, contou o delegado aposentado. Segundo ele, entre os delegados filiados na Asdep, menos da metade segue usufruindo do plano.

    Diferente de Wondracek, Ana Lúcia ainda se mantém credenciada e paga, ainda, o Plano Complementar (PAC) para suas duas filhas, de 35 e 42 anos. Mas ela se recorda de momentos cruciais em que o plano a deixou sem assistência.

    Seu marido, também servidor e contribuinte do IPE, precisou fazer um exame de grande relevância durante o tratamento de câncer e teve a cobertura negada – mais de uma vez. Dada a urgência, a família acabou pagando pelo serviço na rede privada. Para ela, o Instituto funciona no quesito atendimento de emergência – principalmente na Capital – mas ainda falha no especializado.

    Um ano de reformas

    Em 2023, o IPE Saúde enfrentava uma realidade amarga: com um déficit no caixa, via a debandada de médicos e o aumento crescente nas reclamações dos usuários. Com esse cenário, o governo do Estado propôs uma reforma que foi aprovada pela Assembleia Legislativa em julho daquele ano.

    As novas normas, que incluíam, principalmente, um aumento no que era cobrado dos contribuintes, começaram a valer em outubro. Segundo o Executivo, as alterações foram necessárias para reestabelecer o equilíbrio financeiro e a qualificação do serviço prestado. Com isso, o ano de 2024 foi de reformas e adaptações.

    Katia Terraciano, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas (Sinapers), integrou o conselho administrativo do IPE até o final de 2024 e elenca três elementos que, segundo ela, teriam levado à crise.

    São eles: a falta de contribuição paritária de órgãos do Executivo, quando secretarias e autarquias dos Estados pararam de contribuir com percentual que deve ser pago aos servidores pensionistas. A venda imóveis (avaliados em quantias abaixo do mercado) pelo governo do Estado e que pertenciam ao IPE Saúde, sem que o valor das vendas retornassem ao caixa do IPE; e o não repasse dos percentuais recolhidos durante o pagamento de precatórios que eram destinados ao IPE.

    Além do reajuste médico elevado, que aumentou o valor cobrado tanto pelos profissionais quanto por procedimentos e medicamentos. “Não existiria déficit no IPE se ele não tivesse sido vítima de um calote (do Estado) e de uma defasagem salarial de 10 anos”, finalizou Katia.

    Pouco antes da reforma, a direção, à época comandada por Paulo Oppermann, iniciou um processo de cobrança dessas dívidas. Só daquilo que era devido decorrente do pagamento de precatórios, foi quase R$ 1 bilhão que entrou no caixa do Instituto. Atualmente, esses repasses foram regularizados.

    Mas o governo do Estado ainda está em déficit com o IPE. São R$ 123 milhões devidos decorrentes das contribuições paritárias e quase R$ 12 milhões a serem recebidos oriundos da venda dos imóveis – R$ 32 milhões já foram pagos. Segundo a assessoria do Instituto, as tratativas para repasse do restante do valor devido ainda estão em andamento.

    Os recursos ajudaram no processo de equilibrar o caixa, mas outros movimentos ainda eram necessários. Além de cobrar os débitos, a administração também decidiu rever os valores que eram repassados aos médicos e hospitais e instituiu novas normativas para os repasses.

    As entidades hospitalares, algumas para quem o IPE devia, questionaram a medida e ameaçaram suspender o atendimento pelo plano do governo do Estado, o que deixaria os quase mil usuários sem assistência hospitalar. Nesse processo, a União Gaúcha entrou com uma liminar na Justiça que obrigou os hospitais a manterem os atendimentos.

    Para Katia Terraciano, presidente do Sinapers, a liminar permitiu que o Instituto partisse para as negociações com os hospitais em uma posição mais confortável. As tratativas terminaram no final de maio deste ano e o resultado foi um acordo com 15 instituições hospitalares, após 58 sessões de mediação conduzidas pelo Judiciário gaúcho, de repactuação das taxas pagas pelo IPE e o reconhecimento das normativas que alteraram os pagamento pelos serviços de saúde.

    Com esse imbróglio em curso no administrativo, na ponta, os usuários do IPE aguardavam a melhora prometida pelo governo do Estado quando se justificou o aumento dos valores cobrados pelo serviço.

    Assim, o IPE idealizou uma proposta para atrair mais credenciados. Intitulado “Programa Mais Assistência”, o objetivo era ampliar a rede credenciada no Estado e os primeiros editais estão previstos para novembro, segundo o governador Eduardo Leite (PSD). Para tal, o plano já equiparou os valores pagos aos médicos aqueles praticados em mercado (R$ 108 por consulta para Pessoa Jurídica e R$ 74 para Pessoas Físicas), e aumentou os valores repassados em alguns procedimentos.

    E quem deverá comandar esse novo processo é Paulo Rogério Silva dos Santos, nomeado diretor-presidente do Instituto na última sexta-feira. No mesmo dia, Paulo Oppermann, que presidia o IPE desde 2023, foi exonerado.

    O que diz o IPE Saúde:

    Em nota, o Instituto afirma que a perda de usuários e contribuintes era prevista, devido ao aumento das alíquotas, e os números estão dentro daquilo esperado – assim como a baixa nos médicos que prestam serviço pelo plano. “Se deve a uma expectativa natural de profissionais que se aposentam, faleceram ou que optam por deixar o plano”.

    Mas ressalta que o plano está se preparando para iniciar novos credenciamentos, o que deve ocorrer por meio de chamamento público.

    Confira a nota na íntegra:

    De acordo com o Relatório de Gestão da Instituição, no ano de 2023 o IPE Saúde tinha 902.449 usuário. Em 2024 esse número era de 857.934. Redução de menos de 5% (4.93%). Um quantitativo esperado diante do aumento da alíquota e da cobrança que se estendeu aos dependentes, durante o processo de reestruturação financeira da autarquia.

    Ainda de acordo com o Relatório de Gestão, no ano de 2023 o IPE Saúde contabilizava 7.676 prestadores. No ano seguinte, eram 7.480. 196 a menos. O que se deve à uma expectativa natural de profissionais que se aposentam, falecem ou que optam por deixar o plano. Mas, primordialmente, à interrupção de novos credenciamentos, em razão das diretrizes da Lei Federal nº 14.133/2021 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos), em especial os artigos n.º79 e 80, seção . A norma estabelece que o credenciamento só pode ocorrer após um chamamento público. Com a vigência do Decreto Estadual nº 57.915/2024, que regulamenta essa lei no âmbito do IPE Saúde, e a publicação da Instrução Normativa nº 24/2024, que estabelece as regras específicas para o credenciamento, o IPE Saúde se prepara para dar início aos credenciamentos de forma estruturada e padronizada. Isso inclui prestadores atuais, extensão de credenciamentos existentes e a habilitação de novos profissionais e empresas para prestação de serviços médicos, hospitalares e laboratoriais. A publicação dos primeiros editais está prevista ainda para 2025. A expectativa é que, com a implementação das novas normas, o processo se torne mais transparente e eficiente, beneficiando tanto os prestadores quanto os segurados do IPE Saúde.

    PEC da Segurança avança e passa por mudanças após debate entre governo e Congresso

    Após a megaoperação que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro, integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva intensificaram a campanha em prol da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como uma das principais ações para combater o avanço das facções criminosas no país. Desde que foi formulada pela gestão do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, há mais de 18 meses, a PEC superou divergências dentro do próprio governo e hoje é alvo de críticas de parlamentares e governadores da oposição.

    Enviada em abril ao Congresso Nacional, a proposta está nas mãos do relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), que minimizou a cobrança por celeridade após a operação mais letal do Rio. Segundo o parlamentar, a medida “não tem capacidade de mudar o status quo” do estado e precisa ainda passar por uma “discussão aprofundada”.

    O que prevê a PEC da Segurança?

    A essência da PEC é ampliar o papel do governo federal para formular políticas da área e dar mais instrumentos para que o consiga coordená-las. Para isso, o texto altera artigos da Constituição que definem a competência de cada poder na segurança pública.

    Além disso, também inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que vigora por meio de uma lei ordinária desde 2018, na Constituição, a exemplo do que acontece com o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Nacional de Educação.

    Na visão de Lewandowski, isso vai dar mais força para que as forças policiais atuem de forma integrada com uma base de dados e procedimentos padronizados — o que não ocorre hoje.

    Não interferência nos Estados

    Diante de críticas de governadores e da oposição que a PEC usurpava poderes de estados, o Ministério da Justiça acrescentou um parágrafo para reforçar que a União não pretende invadir prerrogativas que hoje são dos governos estaduais. O texto diz que a PEC “não exclui” as “competências comuns e concorrentes dos demais entes federativos relativas à segurança pública e à defesa social, nem restringem a subordinação das polícias militares, civis e penais e dos corpos de bombeiros militares aos governadores dos Estados e do Distrito Federal”.

    Um sistema criado para unir, mas que segue fragmentado

    O Susp foi criado em 2018, durante o governo de Michel Temer, com a Lei nº 13.675/2018. A intenção era simples na teoria e ambiciosa na prática: unificar políticas e operações entre as forças federais, estaduais e municipais, com base em troca de dados, planejamento conjunto e coordenação centralizada pelo governo federal. No entanto, sete anos depois, o sistema ainda enfrenta entraves operacionais. Faltam padronização nos fluxos de informação, integração de bancos de dados e planejamento conjunto de ações entre polícias, Ministério Público, Judiciário e guardas municipais. Muitos Estados sequer estruturaram seus conselhos e planos estaduais de segurança, o que compromete a execução integrada das políticas. O jurista Eduardo Pazinato complementa que, na prática, o Susp vem sendo implementado de forma gradual, a partir de induções do governo federal. O que ocorre é uma adesão voluntária. A União lança programas e exige contrapartidas, como planos municipais de segurança, para que Estados e prefeituras recebam recursos, observa.

    O desafio de tornar o Susp constitucional

    O desafio de tornar o Susp constitucional Diante das dificuldades, o governo federal decidiu reforçar o Susp pela via constitucional. A PEC da Segurança Pública, enviada ao Congresso em abril, propõe incluir o sistema na Constituição Federal, garantindo continuidade das políticas, obrigatoriedade da cooperação federativa e segurança jurídica nas atribuições de cada ente. O objetivo é criar uma base sólida para que haja coordenação de esforços, compartilhamento de dados e continuidade das políticas, independentemente de mudanças de governo. Além de constitucionalizar o Susp, a proposta também atualiza as competências da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal e inclui no texto constitucional o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional. Para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a medida é essencial para enfrentar o crime organizado, que atua de forma interestadual e transnacional.

    Brigada Militar recebe 356 novos soldados em Porto Alegre e Osório

    Grupo é composto por 304 homens e 52 mulheres

    Marcel Horowitz Correio do Povo

    A Brigada Militar formou 356 novos soldados nesta sexta-feira. O grupo é composto por 304 homens e 52 mulheres que concluíram o no Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM). A ocasião contou com duas solenidades, em Porto Alegre e Osório.

    Durante a cerimônia na Capital, o governador Eduardo Leite destacou que, com a participação da Brigada Militar, o Rio Grande do Sul atingiu superior a 60 % de homicídios, 80% de roubos à pedestres e mais de 90 % de roubos de veículos. Também ressaltou a compra de novos armamentos e viaturas para uso das forças policiais e o incremento no efetivo.

    “Foram milhões em investimento nos aparatos da segurança. O armamento de toda nossa polícia foi renovado e padronizado. Em outros tempos, caso um policial estivesse em uma ação e por ventura faltasse munição, ele não poderia usar a do colega, porque eventualmente poderia ser uma arma diferente da dele. Esse problema foi resolvido. Além disso, investimos em viaturas e incorporamos ainda mais policiais ao efetivo, sempre pagando os salários em dia”, afirmou Eduardo Leite.

    Em julho deste ano, a Brigada Militar ganhou o reforço de 539 novos soldados, sendo 466 homens e 66 mulheres. Além disso, de 2019 para cá, o número de policiais que compõem as fileiras da corporação subiu de 15.951 para 17.163. O acréscimo fortalece os compromissos do governo do Estado de manter a reposição contínua do efetivo e garantir a segurança da população gaúcha.

    Também em 2025, o governo gaúcho já destinou quase R$ 310 milhões em bens e tecnologia para as forças de segurança. No caso da Brigada Militar, Leite atendeu à demanda de renovação da frota aérea, que agora conta com cinco helicópteros e quatro aviões. Há também mais quatro helicópteros que estão em processo de aquisição. Além disso, o número de embarcações saltou de uma para 19 unidades. Em 2025, a Brigada recebeu também 306 viaturas, 39 motos, 31 micro-ônibus e 17 jet skis.

    Ainda em seu pronunciamento, Leite reconheceu o trabalho dos PMs em nome da sociedade gaúcha. “Quem escolhe ser servidor, escolhe uma missão de serviço à sociedade. No caso da Segurança Pública, especialmente em uma instituição que se recorre ao policiamento ostensivo e, em casos muito particulares, ao uso de força do Estado, ainda há fatores de risco da própria vida. Por isso minha palavra, em nome de todo o povo gaúcho, é de gratidão”, disse.