Um belo artigo de Fabricio Carpinejar sobre a Brigada Militar

Fabrício Carpinejar

FABRÍCIO CARPINEJAR

Você cumprimenta os homens e mulheres de farda da Brigada Militar quando passa por eles? Ou finge que eles são postes da lei?

Os brigadianos vivem uma insalubridade psíquica. Só são chamados ou notados no perigo, no desespero. Não são vistos no instante solar da gentileza e da cordialidade.

Não obtêm reconhecimento social apesar de colocar a sua própria vida em risco para nos proteger, muito menos têm compensações financeiras por lidar com um submundo perverso.

Eventuais desmandos e truculência abusiva não espelham o todo da corporação.

Os servidores na ativa são exigidos no cumprimento do dever. Parece que tudo o que fazem de bom e correto é obrigação. Não recebem nenhum gesto de gratidão de nossa parte.

Não têm direito a uma capacitação mais sensível e motivacional, com palestras e simpósios, com treinamento e amparo psicológico a familiares, o que poderia elevar o seu ânimo. Suas promoções na carreira apenas aumentam a responsabilidade e sua exposição pública.

Não são acolhidos em vários lugares, especialmente quando respondem a alguma ocorrência.

Têm os dias ocupados integralmente por tarefas inóspitas, antipáticas, de manutenção da ordem. Reviram a lata de lixo da humanidade em meio a gritos, ameaças, tiros e fugas de criminosos.

Não conhecem a paz de um emprego com uma janela, um computador e um porta-retratos. Atividades administrativas, quando surgem, são temporárias.

Como ser otimista enfrentando a violência ininterruptamente, convivendo com o fracasso, com a estupidez, com a transgressão sem trégua?

Não encontram respiro na realidade, intoxicados pelo pior que há no cotidiano.

É de se esperar que o ostracismo na loucura dos outros, longe da reverência e do aplauso, traga isolamento e depressão.

É de se esperar que o ostracismo na loucura dos outros, longe da reverência e do aplauso, traga isolamento e depressão.

Tanto que o suicídio foi a principal causa de mortes de brigadianos em quatro dos últimos cinco anos. O que é um alerta do quanto eles estão precisando do apoio, do conforto e do colo da população.

Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a deputada Luciana Genro (PSOL) desencavou essa verdade das sombras urbanas e instaurou a Frente Parlamentar em Defesa dos Brigadianos de Nível Médio.

Dados oficiais revelam que, entre o início de 2018 e o final de fevereiro de 2023, houve o registro de 45 suicídios dentro da corporação, o que representa mais da metade das 89 mortes de policiais militares no período. No mesmo espaço de tempo, quinze policiais militares tombaram em confrontos durante o serviço. Os brigadianos estão morrendo três vezes mais de solidão e desgosto do que em atividade.

Nesta quinta-feira, estarei distribuindo rosas brancas para todo brigadiano que encontrar na rua. Como um símbolo de agradecimento. Para mostrar que cada um deles tem raízes no meu mais profundo respeito.

Assim como já telefonamos tanto para o 190 e fomos prontamente socorridos, agora é a hora de atender a Brigada. O coração da Polícia Militar está nos chamando.

Governo não vê possibilidade de atender as pautas dos militares estaduais.

No início da noite da terça-feira (02) o Correio Brigadiano acompanhou a reunião que as entidades de classe tiveram com o Secretário-chefe da Casa Civil Artur Lemos, a Secretária de Planejamento, Governança e Gestão Daniele Calazans, o Secretário de Segurança Sandro Caron, o Diretor Presidente do IPE Saúde Bruno Jatene, além dos Comandantes-gerais da BM e CBM, Cel Feoli e Cel Estêvan.

Reunião da Casa Civil com as entidades

A pauta principal era o IPE Saúde, mas como as entidades tinham outras pautas represadas e sem respostas por parte do governo, seria de imaginar que também seriam levantadas, entre elas as promoções, e mudança na carreira no que se refere aos níveis de soldados e antecipação do ingresso com nível superior, o que as entidades entendem ser necessário para a busca de isonomia com as demais carreiras da Segurança Pública, além da sempre citada alíquotas previdenciárias, definidas pela lei de proteção social dos militares e não cumprida no Estado.

As respostas para essas demandas foi o que todos já esperavam, mas que precisavam ouvir a posição do governo.

Quanto as promoções, não há previsão para que aconteçam, pois o argumento alegado pelas entidades de que não acarretariam custos, foi rebatido pelo governo, afirmando que não é apenas isso, que há questões de legais impostas pelo regime de recuperação fiscal que impedem essa demanda, tudo depende do fluxo financeiro do Estado.

Mudanças na carreira, algo totalmente descartado pelo governo, o qual aprovou recentemente esta reestruturação e não pretende fazer nenhuma alteração, pois entende ser este o modelo ideal. Sobre a questão do nível superior, ressalta que não é algo que possibilite a isonomia de carreiras, não faria diferença, que o governo foi contra a situação, por ser fator limitador aos interessados por vocação para entrar nas fileiras da Brigada Militar e Bombeiros Militares.

Alíquotas previdenciárias, alteração totalmente descartada pelo governo, o qual entende que, além de ser sua competência essa definição e por isso ingressou com ação no STF, as alíquotas progressivas são necessárias e traz isonomia entre todos os servidores do estado.

Superadas as pautas represadas com a definição por parte do governo, entrou-se na questão do IPE saúde. As entidades em comum acordo, criaram uma proposta de sistema de saúde próprio, aos moldes das forças armadas (FUSEX), a qual tem previsão legal na lei de proteção social dos militares.

A Proposta foi descartada pelo governo, o qual afirma que dividir o sistema, criando outros mecanismos só agravaria a situação. Que o estado tem por obrigação constitucional ofertar um sistema de saúde aos seus servidores, e o IPE saúde é a única forma aceita.

O jornal Correio Brigadiano, após ouvir as alegações dos dois lados (governo e entidades) entende que a situação do IPE Saúde é uma balança que deve ser muito precisa para que se mantenha em equilíbrio, veja as comparações abaixo:

DESEQUILIBRIO I

Se a carga de desconto pesar muito aos mais jovens, os quais pouco ou quase na usam do plano, estes acabarão não vendo vantagem na permanência e acabariam saindo, fato que seria desastroso, pois em todo o sistema de saúde solidário, precisa-se de mais pagantes que não utilizam, para bancar o uso dos mais velhos que naturalmente precisam mais do sistema.

DESEQUILIBRIO II

Se a carga de desconto pesar muito aos mais velhos, ou aos salários medianos, que são os Sargentos e Tenentes, estes arcariam com um valor muito alto, que impactaria no seu orçamento, levando muitos a abandonarem o sistema e ingressar no já sobrecarregado SUS.

DESEQUILIBRIO III

Se a arrecadação não for o suficiente para pagar um valor razoável aos prestadores de serviço (médicos, laboratórios e hospitais) estes irão se descredenciar, o que já vem acontecendo em massa. E um plano em que não tenha profissionais disponível e a espera por atendimento se equipara a espera do SUS, não é viável para nenhuma das partes.

EQUILÍBRIO

Só teremos equilíbrio no sistema, se o valor for justo para todos, tanto para os segurados como o repasse aos profissionais e sistemas hospitalares.

Patrono Tiradentes: resistência e coragem pela cidadania

As regras que ditam a vida em comunidade existem, e somos nós, a polícia, a certeza de que elas sejam cumpridas

Por coronel Cláudio dos Santos Feoli, comandante-geral da Brigada Militar

Hoje, 21 de abril, é o dia dedicado a homenagear Tiradentes, patrono das polícias civis e militares. Em um mundo ideal, que fosse exemplo de civilidade, empatia, justiça e respeito, nós, policiais, seríamos completamente desnecessários. Os cidadãos desse mundo resolveriam seus conflitos pacificamente, não existiriam desigualdades sociais e o crime seria uma anomalia tão bizarra quanto rara.

Nesse dia, ao ver um policial, dedique a ele um sorriso, um aperto de mão, um abraço

Porém, infelizmente, esse mundo não existe, e o contexto humano de constantes mudanças (que não necessariamente são evolução) nos reitera todos os dias o quanto somos essenciais à manutenção do convívio social dentro de uma perspectiva de plenitude do exercício dos direitos e das garantias fundamentais, necessários a quaisquer comunidades. 

As regras que ditam a vida em comunidade existem, e somos nós, a polícia, a certeza de que elas sejam cumpridas e que permitam a cada pessoa o desenvolvimento de suas atividades. A educação, cujo sistema atravessa, após o luto, um momento de turbulências, também representa um importante pilar social no qual todos os órgãos públicos e a sociedade têm depositado sua esperança, trabalhando de forma integrada para permitir que as promessas de futuro, nossas crianças e jovens, possam florescer. 

Nesse 21 de abril, o meu reconhecimento é destinado a cada policial, mas, especialmente, aos brigadianos e policiais civis que integram essas resilientes instituições. Sejam eles movidos por orgulho, paixão, teimosia, brio, coragem ou fé, são eles a barreira que protege a comunidade. Nesse dia, lembre-se de que ele deixa a família dele para cuidar da sua, enfrenta adversidades para lhe estender a mão e é muitas vezes incompreendido em sua natureza humana de limitações por ter escolhido ostentar uma farda. Nesse dia, ao ver um policial, dedique a ele um sorriso, um aperto de mão, um abraço ou uma continência que possa expressar a gratidão por sua vida de dedicação e de abnegação a cada um de nós. Ele merece.

Tiradentes o Patrono das Polícias

Para falarmos do Patrono das Policias do Brasil em um contexto espacial devemos também mostrar o cenário da época. O caldo de cultura no Brasil foi se formando com as influências da Independência das 13 colônias que formariam os Estados Unidos (1776), Revolução Francesa com a Queda da Bastilha (1789) e Revolução Haitiana (início 1791) com a expulsão do o governo colonial francês. O reflexo se deu na colônia de Minas Gerais com a Inconfidência Mineira (1789-1792). O movimento pensado e planejado é considerado um dos precursores da independência do Brasil, pois ainda éramos colônia, fato que mudaria só em 1815 com o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves quando a família real se estabeleceu em terras brasileiras. O movimento chamado de “inconfidência Mineira” foi pensado sob os valores iluministas e republicanos, vieram a se revoltar contra a opressão e determinações da metrópole refletidos nos altos impostos de uma gerencia fiscal abusiva, da corrupção e desmandos de autoridades portuguesas.

No Brasil a Inconfidência Mineira foi o palco de conspiração contra a coroa que tinha como objetivo a independência da capitania de Minas Gerais. Foi entre os personagens desta revolta que surge o nome de Joaquim José da Silva Xavier, “Tiradentes”, um personagem que se tornaria o patrono das policias brasileiras bem como patrono da Nação. Não foi o planejamento de uma revolta nativista como os movimentos de revolta e insatisfação que a antecederam, pois foi construído como republicano separatista da capitania de Minas Gerais do domínio colonial e político de Portugal. 

O objetivo era um levante contra o sistema econômico e de governo adotado por Portugal. A capitania era a mais forte e influente devido a atividade mineradora de ouro que veio a trazer prosperidade, riqueza e grande desenvolvimento à região, sendo que em 1750, Vila Rica, cenário principal do evento da inconfidência já contava com 80 mil habitantes considerada uma das cidades mais populosas da América latina. Com os pesados impostos atribuídos à capitania, iniciou-se um processo de conspiração contra a metrópole através da elite socioeconômica. Neste meio houve uma exceção na liderança pois Joaquim José da Solva Xavier, o Tiradentes, republicano convicto e adepto dos ideais iluministas, não pertencia a elite econômica, mas era o militar que comandava e monitorava o “Caminho Novo”, estrada que ligava Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Sem data precisa do início dos planos, segundo historiadores, calcula-se ter começado na década de 1780 onde com a insatisfação os revoltosos entendiam que a capitania sendo rica e autossuficiente economicamente poderia ser uma república independente. Com mais de 10 anos de planejamentos o estopim da revolta se deu contra a gestão do Visconde de Barbacena, governador da capitania (1788) por ser um governo eivado de abuso de poder e corrupção. O Visconde assumiu o governo com a orientação da Coroa de alcançar a meta de arrecadação de cem arrobas de ouro. Caso necessário fosse, deveria realizar a “derrama”, isto é, uma cobrança obrigatória exorbitante para alcançar a meta na coleta dos impostos. Foi na iminência da decretação desta ação de derrama que os inconfidentes resolveram colocar os planos em ação estipulando o início da revolta em Vila Rica na data da proclamação desta com o objetivo de se estender a toda capitania numa guerra de desgaste com a Coroa que se veria obrigada a negociar com os insurgentes. Tal intento não veio a acontecer pois foi denunciado por fazendeiros tendo Joaquim Silvério dos Reis o principal delator e o governador suspendendo a “derrama”. Caso a revolta se consolidasse teriam os seguintes objetivos: proclamar a república aos moldes dos Estados unidos; realizar eleições anuais; diversificar a economia e instalar manufaturas, formar uma milícia nacional e perdoar as dívidas dos inconfidentes. Após a denúncia e a suspensão do ato de “derrama” iniciou-se as prisões em um processo que durou três anos e uma sentença com 18 horas de leitura. As penas foram variadas desde decredação para África, a prisão perpétua e morte por enforcamento. Tiradentes e outros foram condenados ao enforcamento, mas antes da execução da pena foi recebida uma carta da rainha D. Maria de Portugal dando o perdão real a todos condenados à forca com exceção de Tiradentes. Entre todos Tiradentes era o de menor posição social e econômica, mas de grande importância no levante por ser líder militar e propagandista das ideias republicanas e iluministas. Foi o único a não ser perdoado e em 21 abril de 1792 foi enforcado (no Largo da Lampadosa-RJ), esquartejado tendo seus membros expostos na estrada que ligava Rio de Janeiro a Minas Gerais e sua cabeça exposta no centro de Vila Rica, hoje Ouro Preto, onde tem sua estátua. No terceiro dia de exposição em um poste em praça pública a cabeça foi roubada e nunca mais encontrada. Assim a Inconfidência Mineira e seus objetivos não se realizaram, mas foram base de outros movimentos como a Conjuração Baiana (1798) ambas com mesmos ideais.Por todos fatos  Tiradentes ficou esquecido durante todo resto do período colonial e Imperial, principalmente pelo carácter republicado que a revolta defendia bem como os seus ideais. Soma-se a este incomodo o fato dos dois imperadores do Brasil serem descendentes da rainha D. Maria.

Com este histórico Tiradentes foi instituído como Patrono das Polícias Civis e Militares e Patrono da Nação Brasileira. No período colonial em que viveu, era conhecido por esta alcunha, pois era dentista por prática apesar de ser Alferes da Cavalaria dos Dragões Reais de Minas Gerais. Nasceu em na Vila de São João Del Rei em MG em 1746 e foi morto em 21 de abril de 1792 (46 anos). Os historiadores relatam que as últimas palavras antes do enforcamento foram: “Pois seja feita a vontade de Deus. Mil vidas eu tivesse mil vidas eu daria pela libertação da minha pátria”. Já no cadafalso teria dito ao executor: “seja rápido”.

Segundo o Decreto-lei 9.208 de 21 abril de 1946 foi instituído patrono da policiais civis e militares com os seguintes considerandos: “

“Considerando que entre os grandes da história pátria que se empenharam pela manutenção da ordem interna, a vulta a figura heróica de Alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) o qual, anteriormente aos acontecimentos que foram base de nossa Independência, prestara à segurança pública, quer na esfera militar quer na vida civil, patrióticos serviços assinalados em documentos do tempo e de indubitável autenticidade;

    Considerando que a ação do indômito protomártir da Independência, como o soldado da Lei e da Ordem, deve constituir um paradigma para os que hoje exercem funções de defesa da segurança pública, como sejam as polícias civis e militares, às quais incumbe a manutenção da ordem e resguardo das instituições.” (grafia da época)

Em 1965 é declarado Patrono da Nação Brasileira através da Lei 4.897, com os seguintes considerandos:

“Art. 1º Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é declarado patrono cívico da Nação Brasileira.

Art. 2º As Forças Armadas, os estabelecimentos de ensino, as repartições públicas e de economia mista, as sociedades anônimas em que o Poder Público for acionista e as empresas concessionárias de serviços públicos homenagearão, presentes os seus servidores na sede de seus serviços a excelsa memória desse patrono, nela inaugurando, com festividades, no próximo dia 21 de abril, efeméride comemorativa de seu holocausto, a efígie do glorioso republicano.

Parágrafo único. As festividades de que trata este artigo serão programadas anualmente.

Art. 3º Esta manifestação do povo e do Governo da República em homenagem ao Patrono da Nação Brasileira visa evidenciar que a sentença condenatória de Joaquim José da Silva Xavier não é labéu que lhe infame a memória, pois é reconhecida e proclamada oficialmente pelos seus concidadãos, como o mais alto título de glorificação do nosso maior compatriota de todos os tempos”.(grafia da época).

Enfim, tem-se em Tiradentes um símbolo de herói republicano por representar a liberdade de forma ampla. É elencado como o mártir da Inconfidência e várias representações surgem em filmes, livros e outras mídias. Na Brigada Militar temos vários relatos como o da Revista PINDORAMA (1927) com artigos sobre a vida e atuação de Tiradentes.

Jorge Luiz Agostini – Cel RR

Licenciado em História

FONTE HISTÓRICA

Artigo: Indefesos

Cabe aos adultos cuidar das crianças, os seres mais indefesos de nossa sociedade, tanto pela questão física, quanto pela sua mentalidade pura, onde não há a maldade dos adultos, que se corrompem à medida que crescem.

O ser humano é capaz de agredir, machucar e, inclusive, matar outro humano sem nenhum motivo, enquanto os animais matam quando ameaçados ou para sobreviverem, mas humanos são cruéis e podem até sentir prazer em matar.

As crianças nascem frágeis e se não tiverem os cuidados de seus pais ou responsáveis certamente não sobrevivem, porque não se alimentam sozinhos e nem conseguem se defender, sendo alvos fáceis de qualquer ataque, sendo impossível deixa-las sem um protetor.  

Os espaços escolares têm este aspecto de proteção, sob total confiança dos pais, que, devido à necessidade de trabalhar em tempo integral, entregam seus filhos para os cuidados das instituições.

Mas mesmo nestes locais há o risco de ataques de pessoas descontroladas e que podem colocar em risco as crianças e os profissionais responsáveis pelos cuidados, pois nada garante a plena proteção.

O mais recente ataque contra uma creche por um adulto, armado com um machado, mostra o extremo descontrole de uma pessoa, não sendo ainda possível entender a motivação dos assassinatos.

Quatro seres indefesos foram mutilados por um ser descontrolado, deixando outras crianças feridas e com sequelas, além de toda uma comunidade perplexa pela violência que abalou a todos.

Ataques contra crianças não podem ser normais, não há justificativa para a mutilação de seres indefesos, não há explicação, nem perdão para quem faz uma ação dessa natureza. Novas medidas de segurança passaram a ser adotadas, porém somente isso não será suficiente, é preciso um maior controle da divulgação de discursos de ódio nos meios digitais e também a punição exemplar dos culpados.

Artigo: Solidão

Ao observar um ambiente aberto ao público podemos notar que as pessoas não têm mais o hábito de conversar umas com as outras, há uma proximidade física, porém não existe a conexão, pois a maioria está num mundo virtual. 

O falar com o outro é uma dificuldade que assola a sociedade atual, sendo possível que duas pessoas fiquem lado a lado e conversem pelas telas de seus aparelhos, sem trocar olhares ou expressões. 

A tecnologia foi criada para facilitar o acesso às informações, possibilitando que se consiga encontrar muitos dados sobre qualquer assunto em segundos, sem nenhum tipo de filtro. 

Antes era preciso procurar uma biblioteca com milhares de livros, buscar o assunto, anotar os dados, ler muitos volumes para que se chegasse ao maior número de informações e levasse a novas conclusões.

As gerações anteriores tinham a necessidade de trocar impressões sobre o que ocorria ao redor, nas proximidades e também sobre lugares mais distantes, assim fluíam as conversas. 

Nos bares e restaurantes não havia o silêncio que observamos hoje, um burburinho alegre e muitas risadas que contagiavam todos os freqüentadores, levando a mais conversa e alegria. 

Porém com o advento da tecnologia, os computadores e seus acessos discados foram os primeiros momentos de uma nova vida, com uma nova possibilidade de isolamento, permitindo conversas em chats e trocas de mensagens. 

Pessoas passaram a consumir mais tecnologia, com notebooks, depois tablets e há poucos anos os celulares e suas múltiplas funções, que permitiram a substituição de uma infinidade de aparelhos por um pequeno objeto na palma da mão. 

As conversas deixaram de ser importantes, o convívio com os outros foi substituído pela troca de textos, fotos e vídeos por aparelhos, isolando cada vez mais os seres humanos.

Assim a humanidade vai caminhando para a solidão em mais intensidade, ainda mais com novas tecnologias surgindo, quem sabe até pequenos chips sob a pele, deixando celulares obsoletos. 

O legado do SD CIPOLATO

“Dez VIDAS eu tivesse, dez vidas eu daria” derradeiras palavras do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, Patrono das Polícias Militar e Civil, que tem ecoado através dos séculos em todos os POLICIAIS valorosos e obstinados que servem à Sociedade Brasileira. Soldado PM CIPOLATO, em ato humanitário de excelsa grandeza espiritual, ainda que extinta sua existência terrena no fiel cumprimento do dever, possibilitou sobrevida a outras 12 pessoas que há muito sofriam, mas agora carregarão dentro de si, uma parte do que foi em vida o amigo, colega, filho, irmão, esposo e pai, não o Alferes Tiradentes e sim o Brigadiano CIPOLATO do 20 BPM da Brigada Militar!!

Bayerlex, jCB

O fim de uma jornada e o recomeço de 12 vidas

Doação de órgãos

O significado do fim da vida é uma das perguntas que mais movimentam a existência humana. No caso do soldado Roniclei Luciano Graef Cipolato, que faleceu em serviço pela Brigada Militar na noite do sábado (25/3), o fim da sua jornada encontrou significado no recomeço de outras vidas. Por meio da doação de órgãos do policial, 12 pessoas que estavam na fila de espera foram contempladas e receberam a chance de seguir em frente.

O soldado Cipolato tinha 46 anos. Ele ingressou na Brigada Militar em 2004 e estava lotado na seção de Inteligência do 20º BPM, responsável pelo policiamento de parte da Zona Norte de Porto Alegre. Durante ação policial no bairro Costa e Silva, ele foi baleado. Foi socorrido, mas, infelizmente, não resistiu.

Ao ingressar na BM, o policial militar presta o juramento de dedicar-se inteiramente ao serviço e à segurança da comunidade, mesmo com risco à própria vida. Exemplar, o soldado Cipolato cumpriu as suas palavras até depois da morte. Que o seu exemplo e a sua memória permaneçam vivos não só nos 12 receptores dos órgãos doados, mas em cada um de nós.

Doação de órgãos

A doação de órgãos após a morte ocorre com qualquer pessoa em morte encefálica, vítima de dano cerebral irreversível. Para ser um doador não é preciso deixar nada por escrito nem registrado em documentos. A doação só acontece após a autorização familiar.

Doar órgão salva vidas e é o maior ato de amor e generosidade que você pode ter.

Saiba mais em https://saude.rs.gov.br/

FONTE: BRIGADA MILITAR

Os números e a dor seguem aumentando

Artigo ZH Por Marcos Paulo Beck, presidente da Associação dos Oficiais da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar

Cinco policiais militares do Rio Grande do Sul, desde o início deste ano, cometeram suicídio. O índice é o dobro de São Paulo e o triplo do Rio de Janeiro. Como entidade de classe dos oficiais militares estaduais da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, desde 2019, chamamos atenção dos governos e da sociedade sobre o grave problema que assola a tropa. Fomos a primeira instituição a revelar na mídia os dados alarmantes. O tema foi discutido na Assembleia Legislativa. Ampliamos na associação, através de convênios, o número de profissionais de saúde mental para prevenir e tratar diversos transtornos como depressão, ansiedade e outros que se desenvolvem  através das situações extremas que o policial vive diariamente.

Mas não basta investir em programas e demonstrar preocupação com a saúde mental da tropa. Os números e a dor seguem aumentando. Em 2021, tivemos 12 suicídios, em 2022, foram nove e em 2023, até agora, cinco. (Mas os números podem ser maiores).  E como tratar profissionais se seus direitos conquistados são suprimidos?

“A natureza da função exercida expõe o policial militar a situações que aumentam sua vulnerabilidade”

É preciso reconhecer que a atividade militar é de extrema importância para a segurança do Estado, motivo pelo qual a proteção social conferida aos militares diverge da ofertada aos servidores públicos civis e aos trabalhadores da iniciativa privada. A natureza da função exercida expõe o policial militar a situações que aumentam sua vulnerabilidade. Mas, no Rio Grande do Sul, esse reconhecimento não acontece. Citamos alguns exemplos financeiros. O Estado é o único do Brasil que não cumpre a Lei 13.954/19, que determina o desconto da alíquota de 10,5%. Há dois anos, as entidades que representam os militares estaduais vêm solicitando o encaminhamento de proposição de lei estadual de proteção social aos militares contemplando a alíquota unitária de 10,5%. Além de outras demandas como a reposição das perdas inflacionárias. Até leigo percebe a aflição dos militares estaduais do RS, mesmo sabendo que há investimentos em viaturas, armamentos, coletes e outros.

Que o suicídio policial está despertando preocupação no Rio Grande do Sul, isso não é novidade. Como também não é o número de atendimentos. No RS, chegam a 15 mil por ano. Então, o que está faltando?