Ligações ao telefone 190 em 19 cidades da Serra passarão a ser atendidas em Caxias, que vai centralizar despacho de viaturas

Implantação do Centro de Operações Regional (Copom Regional) da Brigada Militar concentra o atendimento de emergências e promete reduzir tempo de resposta na região

Pablo Ribeiro GZH

Quem ligar para o telefone 190 em municípios da Serra terá o atendimento feito por uma central em Caxias do Sul. A mudança começa a ser implementada pela Brigada Militar com a criação do Centro de Operações Regional (Copom Regional), que vai centralizar as chamadas de emergência de 19 municípios (confira abaixo) e, a partir disso, direcionar as viaturas locais para cada ocorrência.

Na prática, isso significa que o telefone de emergência deixa de ser atendido na sede da corporação na respectiva cidade e passa a funcionar como um call center regional. As ligações feitas nos municípios atendidos pelos batalhões da região (12º BPM, 36º BPM e 43º BPM) serão recebidas em Caxias, onde equipes farão a triagem e o despacho das guarnições.

— Com o Copom sendo regionalizado, a gente consegue garantir mais qualidade de atendimento. Quando alguém ligar para o 190 em qualquer um desses municípios, o call center de atendimento de emergência será aqui no Copom Regional, em Caxias. Depois, o despacho vai ser feito para a guarnição que está naquela cidade, que está mais próxima da população — explicou o comandante do Comando Regional de Polícia Militar da Serra (CRPM/Serra), coronel Ricardo Moreira de Vargas.

A implantação começou neste mês e deve avançar ao longo do primeiro semestre. A estrutura ficará junto ao Centro Integrado de Operações (Ciop), que já funciona com apoio da prefeitura e reúne diferentes forças de segurança.Play Video

Centralização para agilizar o atendimento

Segundo o comandante, o modelo segue uma estratégia da Brigada Militar de qualificar o atendimento ao cidadão em todo o Rio Grande do Sul, com a criação de Copoms regionais.

— A Brigada Militar, como um todo, está voltada ao aprimoramento do atendimento ao público. Nós já temos um Copom funcionando em Porto Alegre, o chamado Comando de Policiamento da Capital (CPC) e devemos ser um dos primeiros comandos regionais a implementar agora — afirmou.

Neimar De Cesero / Agencia RBS
Comandante promoveu a primeira reunião com o efetivo na manhã desta quinta-feira (9).Neimar De Cesero / Agencia RBS

A principal mudança está na forma de despacho das viaturas, que passa a ser mais integrada e baseada em tecnologia.

— O Copom é o grande coordenador da rede de rádio da polícia. Ele vai coordenar desde um cerco policial, com apoio de câmeras e cercamento eletrônico, até o contato direto com as guarnições na rua. A gente consegue otimizar recurso, e, através da viatura que está mais próxima, reduzir o tempo-resposta, que é o tempo entre a ligação e a chegada da viatura — disse Vargas.

O projeto envolve mudanças técnicas para redirecionar todas as chamadas do 190 para Caxias. Isso inclui ajustes na rede de telecomunicações e ampliação da estrutura física de atendimento.

— Hoje nós temos cinco posições de atendimento do 190 em Caxias. Nós vamos ampliar, quase dobrar essas posições para atender os 19 municípios. É uma questão técnica de tecnologia. O cabeamento do 190 desses municípios vai ser direcionado para cá. A partir disso, a gente passa a receber as ligações dos demais municípios — explicou o coronel.

Além do aumento de posições, deve haver reforço de efetivo e melhorias na estrutura, como um gerador extra para garantir que o sistema continue operando mesmo em caso de falta de energia.

Atendimento mais qualificado

A Brigada Militar também aposta na qualificação dos atendentes como um dos principais ganhos da centralização.

— A gente passa a ter um olhar maior para essas pessoas que trabalham no atendimento de emergência. Isso vai significar uma melhoria no atendimento para o cidadão. Muitas vezes, o próprio atendente resolve a situação na ligação, orienta a pessoa. Nem toda ligação vira ocorrência — disse Vargas.

Atualmente, segundo o comandante, são entre 360 e 370 chamadas por turno de seis horas, mas cerca de 80% resultam em deslocamento de viaturas.

— O telefone 190 acaba sendo usado também para orientação. Não é o objetivo, mas a população busca esse apoio, e o policial tem preparo para isso. Até um engasgo de uma criança, por exemplo, os policiais têm preparo para orientar os pais e salvar uma vida no serviço de emergência.

O coronel também destacou a importância do preparo dos atendentes para identificar situações de risco, especialmente envolvendo públicos vulneráveis.

— A gente fala muito do olhar, mas no atendimento é o ouvido. Não é só ouvir, é escutar o que está por trás daquela ligação. Em casos de violência contra a mulher, por exemplo, muitas vezes a informação vem por códigos. É preciso preparo para entender isso — disse.

Integração com municípios

Outro ponto destacado por Vargas é a possibilidade de integrar sistemas de monitoramento das prefeituras ao Copom Regional.

— Existe uma boa oportunidade de as prefeituras espelharem as câmeras para o Copom. Isso transforma o sistema em um grande centro regional de emergência — disse o comandante.

A estrutura utilizada em Caxias já conta com videomonitoramento e cercamento eletrônico, o que deve facilitar essa integração.

— É um grande centro de atendimento regional que a gente está fazendo aqui, com a possibilidade de ser um guardião da Serra — afirmou.

A Brigada Militar destacou ainda a parceria com o município na estrutura do Ciop.

— Foi muito importante essa estrutura que a prefeitura montou. Hoje ela tem capacidade de melhorar o atendimento não só de Caxias, mas de toda a Serra — disse Vargas.

Segundo ele, o espaço já reúne diferentes forças de segurança e permite maior integração das ações.

— Os nossos esforços são sempre em busca de mais tecnologia e melhoria no atendimento. Para nós, não é importante só aumentar o número de prisões, é importante que o crime não aconteça — afirmou.

Déficit na Polícia Civil: efetivo inferior a 5,5 mil agentes no Rio Grande do Sul

Sindicato aponta necessidade de dobrar efetivo; Polícia Civil garante aumento e recomposição de quadros

Marcel Horowitz Correio do Povo

A Polícia Civil tem pouco mais de 5,4 mil agentes em atuação no Rio Grande do Sul. O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadore s (Ugeirm) aponta que essa realidade é deficitária, estimando necessidade de aproximadamente 9,5 mil profissionais como garantia de segurança aos gaúchos, quase o dobro das equipes em atividade. Já a instituição, em nota, confirma o número do efetivo atual, mas enfatiza trabalhar na recomposição dos quadros e que suas fileiras permanecem em expansão desde 2019.

Para o vice-presidente do Ugeirm, Fábio Nunes Castro, as 360 vagas do concurso de janeiro são insuficientes, sendo o aumento de convocações uma forma de mitigar a falta de efetivo.

“Aumentar o número de convocados não geraria custo imediato ao Estado. Além disso, com um cadastro mais amplo de aprovados, facilitaria nomeações, aumentando a quantidade de policiais civis em serviço”, avalia Fábio Castro.

Castro adiciona que o déficit é agravado por vacância de 1,3 mil vagas na Polícia Civil, registrada entre 2019 e o ano passado. Tal êxodo seria consequência de aposentadorias e exonerações, impactando o trabalho investigativo em território gaúcho, segundo o vice-presidente do Ugeirm.

“Mais de 80 municípios no RS contam com apenas um servidor da Polícia Civil. São cidades onde a delegacia precisa ser fechada temporariamente quando o policial está em diligências. Isto interrompe o atendimento ao público e prejudica investigações”, lamenta Castro.

Ainda conforme o vice-presidente do Ugeirm, mais de 60% dos alunos no curso de formação da Polícia Civil não são nomeados aos cargos, por conta de desistências, reprovações e da migração de candidatos a outros estados. “As pessoas buscam concursos mais atrativos, como em Santa Catarina, onde há convocação de maior número de inscritos, ampliando a possibilidade de reposição de efetivo ao longo do certame”, pontua.

Castro também alerta que a falta de policiais civis dificulta o combate aos feminicídios. “Apenas 22 dos 497 municípios gaúchos possuem delegacias especializadas no atendimento às mulheres”, diz ele.

A Secretaria da Segurança Pública foi contatada na última sexta-feira, pelas 11h05min, quando informou que avaliaria o envio de comunicado sobre o assunto. O espaço permanece aberto para manifestações da pasta. Em nota, a Polícia Civil destacou que há previsão de mais 720 vagas de escrivão e inspetor, além de outras 30 para delegados, nos concursos em andamento.

O que diz a Polícia Civil

A Polícia Civil segue trabalhando para a permanente recomposição do efetivo. Em 2018 o efetivo era de 4.976 e em janeiro de 2026 era 5.450. Neste governo, desde o ano de 2019, houve o ingresso de 1.890 policiais, entre delegados e agentes. Ainda, estão em andamento concursos públicos, um com previsão de 720 vagas, inicialmente, para os cargos de escrivão e inspetor de polícia, e outro para o cargo de delegado de polícia, com 30 vagas imediatas, pelo menos.

Novo comandante-geral da BM dá início ao processo de alinhamento institucional

Primeira reunião entre o comando-geral e comandos regionais ocorreu na segunda-feira

Correio do Povo

Dando início ao processo de alinhamento institucional da nova gestão da Brigada Militar (BM), a manhã de segunda-feira marcou a primeira reunião entre o comando-geral e comandos regionais. O encontro foi o começo de um ciclo de ajustes das diretrizes estratégicas, voltadas ao fortalecimento da atuação operacional e administrativa da corporação.

Como parte desse processo, todos os comandantes regionais serão recebidos, em agendas específicas, para a apresentação do novo Caderno de Comando, visando o alinhamento das próximas prioridades.

De forma bilateral, além da exposição das novas diretrizes por parte do comando-geral, os encontros também constituem um espaço de escuta ativa, possibilitando que os comandantes regionais apresentem suas demandas e sugestões para o fortalecimento contínuo dos resultados da corporação.

As reuniões estão sendo conduzidas de forma descentralizada, com os primeiros encontros ocorrendo no Litoral Norte, na sede da 2ª Companhia de Polícia Ambiental, reforçando a proposta de integração direta com as estruturas operacionais.

As reuniões seguem nos próximos dias, dentro da rotina permanente de trabalho da Brigada Militar, mantendo a continuidade das atividades em todo o Estado.

Socorro silencioso da Brigada Militar salva até nove vidas por dia no RS

Mais de 3 mil pessoas foram salvas por PMs em 2025 em atendimentos de emergência e ações de salvamento

Crianças engasgadas, vítimas de afogamento, feridos graves e pessoas em risco iminente. Situações extremas fazem parte da rotina silenciosa dos policiais militares da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Muito além do policiamento ostensivo, a Corporação atua diariamente também em um papel decisivo para a preservação da vida.

Em média, de oito a nove pessoas são salvas por dia em ações de prestação de socorro e salvamento realizadas pela BM. Ao longo do ano de 2025, esse trabalho resulta em 3.060 vidas preservadas em todo o Estado.

Em muitas ocorrências, os policiais militares são os primeiros a chegar ao local, especialmente quando o tempo é determinante para a sobrevivência da vítima. Crianças engasgadas, pessoas em afogamento, feridos por arma branca ou de fogo e vítimas de acidentes recebem, ainda no local, os primeiros atendimentos de urgência. As ações são realizadas por policiais treinados em Atendimento Pré-Hospitalar (APH), sempre que necessário.

PMs aparecem durante o treino de atendimento a uma vítima ferida
Curso APH no Bope em 2025 – Foto: 2 BPChq

Vítimas amparadas

Essas ocorrências se repetem diariamente. Os números ajudam a dimensionar essa realidade: foram 2.570 atendimentos de prestação de socorro em emergências, somados a 490 salvamentos de pessoas, totalizando 3.060 atendimentos com preservação de vidas durante o ano de 2025. Isso representa uma média de 255 pessoas salvas por mês.

Em situações de desespero, a chegada da guarnição significa mais do que a presença do Estado, representa a chance concreta de sobrevivência, enfatiza o Comandante-Geral da Corporação, Coronel PM Cláudio dos Santos Feoli. Segundo ele, essa capacidade de resposta está diretamente ligada à formação contínua dos policiais militares. A Brigada Militar mantém, ao longo do ano, um amplo calendário de cursos voltados ao aperfeiçoamento técnico e profissional, destaca o comandante da instituição.

De forma imediata, os policiais iniciam procedimentos como a manobra de Heimlich, para desobstrução das vias aéreas, controle de hemorragias, estabilização de feridos e outras técnicas fundamentais, sempre que o cenário exigir tal ação. O atendimento segue até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a condução rápida ao hospital mais próximo, dependendo do caso.

Procedimentos decisivos

Um dos exemplos emblemáticos dessa atuação ocorreu durante uma ocorrência de violência doméstica, em Porto Alegre. Ao chegar ao local, uma guarnição do 1º Batalhão de Polícia Militar encontrou uma mulher caída ao solo, com múltiplos ferimentos causados por arma branca e intenso sangramento. A situação era crítica.

Enquanto o autor do crime era contido e preso em flagrante, os policiais iniciaram imediatamente o Atendimento Pré-Hospitalar. Foram aplicados torniquete no braço esquerdo, selo de tórax na região do peito, preenchimento com gaze hemostática na parte frontal e traseira do pescoço, além de sustentação com bandagem israelense.

Os procedimentos foram decisivos para conter as hemorragias e manter a vítima viva até a chegada do Samu. A mulher foi encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro em estado grave. O atendimento imediato fez a diferença.

Crianças em perigo

Casos assim não são exceção. Em outro atendimento que ilustra a rotina silenciosa de salvamentos, uma dupla de policiais militares, durante patrulhamento em Capão da Canoa, encontrou uma senhora em desespero, carregando uma criança de dois anos engasgada.

Sem hesitação, os policiais realizaram a manobra de Heimlich ainda na via pública. Após a desobstrução das vias aéreas, a menina foi encaminhada ao Hospital Santa Luzia, onde recebeu atendimento médico e retornou ao estado normal.

São apenas dois entre centenas de episódios que ajudam a explicar por que a Brigada Militar registra uma média diária de até nove vidas salvas. As ocorrências vão de engasgamentos e afogamentos a ferimentos graves. A maioria delas raramente ganha visibilidade, mas faz parte do cotidiano do policiamento.

Formação contínua

Um dos principais é o Curso de Atendimento Pré-Hospitalar em Combate (APH-C), organizado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). A capacitação segue protocolos internacionais de atendimento em cenários de alto risco (TCCC), com foco no controle de hemorragias, uso de torniquetes, curativos compressivos e atendimento em ambientes hostis a ser utilizados em Policiais Militares feridos, se o caso assim permitir, todavia, também aplicável em qualquer situação visando salvar vidas.

Curso APH-P
Simulação em Curso de APH – Foto: BM

A formação é contínua e descentralizada, alcançando batalhões em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, afirma o comandante-geral.

Além disso, os policiais que atuam no atendimento do 190 passam por qualificação específica no Curso de Operador do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). A Corporação também investe em atualização tecnológica e em cursos voltados a diversas áreas operacionais.

Em comum, todas essas formações reforçam um princípio que se materializa nas ruas e se traduz em números concretos: mais de 3 mil pessoas salvas em um ano, muitas delas nos primeiros minutos críticos, antes mesmo da chegada do atendimento especializado.

Em meio ao risco, à violência e à pressão constante, o policial militar do Rio Grande do Sul cumpre um papel que muitas vezes passa despercebido. Um trabalho silencioso, técnico e humano, que salva vidas todos os dias, conclui o Comandante-Geral da BM, Coronel PM Cláudio dos Santos Feoli.

Além do policiamento ostensivo:
Prestação de socorro e salvamento realizados pela BM
• 3.060 vidas preservadas no ano de 2025 no RS
• Média de 255 pessoas salvas por mês
• De 8 a 9 vidas salvas por dia
• 2.570 atendimentos de socorro em emergências
• 490 salvamentos diretos de pessoas
• Casos frequentes de crianças engasgadas e vítimas de afogamento
• Policiais treinados em Atendimento Pré-Hospitalar (APH)
• Cursos contínuos com protocolos internacionais (TCCC)
• Atendimento qualificado também no 190 (Copom)

Texto: jornalista Marcelo Miranda – SC PM5/Brigada Militar

Fonte:Brigada Militar

Brigada Militar terá troca de comando em 15 de fevereiro

Comandante Feoli completa 35 anos de serviço e vai para a reserva

Rosane de Oliveira GZH

Depois de 35 anos de serviço, os últimos quatro no comando da Brigada Militar, o coronel Cláudio Feoli vai para a reserva no dia 15 de fevereiro. Sai triste, porque gostaria de encerrar a carreira depois de ver esclarecidos os últimos episódios que mancharam a imagem da Brigada Militar.  

— Estamos atuando nas investigações a fim de responsabilizar desvios de conduta. A esmagadora maioria da tropa é vocacionada e alinhada com os valores da instituição. Nossa missão é primeiramente salvar vidas e, em segundo plano, aplicar a lei — disse Feoli à coluna, em tom de desabafo.  

O coronel teme que sua saída seja associada ao momento difícil em que vive a Brigada, com policiais que cometeram erros graves, mas lembra que é uma transição planejada. É praxe a transferência para a reserva quando o brigadiano completa 35 anos de serviço. 

Feoli não quer falar sobre as investigações em andamento. Prefere dar entrevista apenas quando estiver concluído o inquérito sobre o caso do agricultor morto em Pelotas, numa ação desastrada que envolveu 18 policiais militares. 

Além do comandante-geral, deve sair o subcomandante, coronel Douglas da Rosa Soares. 

O repórter Vitor Rosa, da RBS TV, apurou que o mais cotado para substituir Feoli é o coronel Luigi Gustavo Soares Pereira, atual chefe do Estado-maior da Brigada Militar. 

GZH faz parte do The Trust Project

Governador Eduardo Leite vai cobrar nova postura da Brigada Militar

Últimos incidentes incomodaram o governador, que marcou “reunião de alinhamento”

Rosane de Oliveira GZH

Para não lavar roupa suja em público, o governador Eduardo Leite vem economizando palavras para falar sobre os últimos incidentes envolvendo a Brigada Militar, mas está “irresignado” com o que considera equívocos na atuação. Fonte próxima do governador informa que nos próximos dias haverá um “encontro de alinhamento para retomar a condição anterior de bem prestar o serviço”.

Nos últimos anos, a segurança pública era a área mais celebrada do governo, pelos resultados concretos na queda dos índices de violência. No final de 2025 e início de 2026 acendeu-se o sinal de alerta, por conta de ações duvidosas ou francamente equivocadas da Brigada Militar. 

A sequência de problemas começou com a morte do jovem Herick Vargas, de 29 anos, por uma dupla de policiais militares que foram até a residência da família atendendo a um chamado da mãe. Herick estava em surto e foi morto no momento em que já tinha sido controlado. Caso semelhante ocorreu em Santa Maria, com um homem em surto, Paulo Chaves, de 35 anos, morto pelos brigadianos que foram atender a um chamado no bairro Tancredo Neves.

O caso de maior repercussão nessa sequência de ações polêmicas foi a morte do agricultor Marcos Nornberg, 48 anos, baleada numa ação em que tudo deu errado. 

Os 18 brigadianos que cercaram a propriedade onde Marcos morava com a família chegaram ao local levados por uma informação equivocada da polícia do Paraná de que, naquele endereço, se homiziava uma quadrilha que guardava armas e drogas. O plantador de morangos imaginou que eram assaltantes e pegou a arma que guardava em casa para se defender. Foi morto com uma saraivada de tiros.

Como se isso fosse pouco, a esposa do agricultor, Raquel Nornberg, foi humilhada pelos policiais, que a trataram como criminosa.

A reunião de alinhamento terá de tratar de outro tema crucial na segurança pública, que são os feminicídios consumados e as tentativas que deixam mulheres feridas física e psicologicamente. 

Trata-se de um crime de difícil combate, porque na maioria das vezes ocorre entre quatro paredes. São 10 neste mês de janeiro, número superior ao do mesmo período de 2025, que também foi trágico. Neste caso, o problema vai além da Secretaria da Segurança, responsável pelo monitoramento de agressores, pela investigação e pela prevenção. Precisa envolver todas as áreas do governo, especialmente as secretarias da Mulher, da Educação, do Trabalho, do Desenvolvimento Social e da Saúde.

Solenidade de juramento marca o ingresso de novos tenentes no oficialato da Brigada Militar

Honras militares, presença de familiares e autoridades celebraram conclusão do Curso Básico de Administração Policial Militar 2024/2025

Correio do Povo

Em uma cerimônia marcada por emoção, tradição e reconhecimento, a Brigada Militar (BM) realizou nesta sexta-feira a solenidade de juramento dos tenentes da Corporação que concluíram o Curso Básico de Administração Policial Militar (CBAPM) 2024/2025. O ato simbolizou oficialmente o ingresso dos novos formandos no oficialato da BM, reunindo autoridades civis e militares, além de familiares e convidados que acompanharam de perto esse momento decisivo na carreira dos PMs.

A solenidade foi realizada com honras militares e teve início com a execução do Toque do Veterano, em homenagem aos homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao serviço policial militar. A tropa em forma foi composta por 64 alunos-oficiais do Curso Superior de Polícia Militar (CSPM) e pela Banda de Música da Ajudância-Geral da Brigada Militar.

Durante a cerimônia, os tenentes receberam a espada, símbolo de honra, liderança e compromisso, que foi entregue pelas madrinhas e padrinhos. Também prestaram o juramento que marca o início de uma nova etapa profissional. As espadas foram abençoadas pelo capelão honorífico da Brigada Militar, padre Alexandre Chaves.

Exemplo e liderança

Ao se dirigir aos novos oficiais, o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, destacou a relevância do momento e a responsabilidade que passa a acompanhar o posto de tenente. “Estes homens e mulheres estão hoje ascendendo ao oficialato da Brigada Militar. São aqueles que vão servir de exemplo e de liderança nas ações e operações desencadeadas para proteger o povo gaúcho”, afirmou. Segundo ele, a presença de familiares, amigos e integrantes da Corporação reforça o reconhecimento à importância da missão que agora lhes é confiada, considerada essencial para a sociedade.

O coronel Douglas também ressaltou as reduções nos indicadores criminais no Estado e o cenário de maior tranquilidade vivenciado atualmente no Rio Grande do Sul. “Essa tranquilidade é um trabalho feito a várias mãos, entre várias instituições”, destacou. Em sua fala, reforçou ainda o papel da liderança justa e ética: “Liderem com sabedoria. Façam da sua gestão exemplo. Os homens e mulheres que os senhores e senhoras passarão a liderar querem líderes justos, justos consigo mesmos e, principalmente, com aqueles que caminham dentro da retidão”. Para ele, a partir desse momento, a responsabilidade pela preservação da segurança, do cumprimento das leis e do modo de vida da sociedade gaúcha passa a ser também compartilhada com cada um dos novos tenentes.

Orgulho pelas trajetórias

O secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, coronel Mário Yukio Ikeda, ressaltou que a formatura representa muito mais do que um ato protocolar. “Ela simboliza o início de uma nova e importante fase da carreira de oficial da Brigada Militar. A partir deste momento, os senhores assumem novas responsabilidades e o dever permanente de liderar pelo exemplo”, afirmou. Ikeda destacou ainda o orgulho pelas trajetórias construídas ao longo de mais de duas décadas de trabalho dos formandos e reconheceu em cada um deles “o potencial de liderança, coragem e compromisso necessários para enfrentar os desafios cada vez mais complexos da segurança pública”.

Segundo o secretário, a formação na Brigada Militar vai além do preparo técnico e operacional. “Ela é a forja do caráter, da disciplina e da compreensão do papel do policial militar como garantidor da ordem e da proteção da vida”, enfatizou. Ao encerrar sua manifestação, reforçou que a liderança se constrói com integridade, exemplo e respeito, consolidando a confiança da tropa e projetando a Brigada Militar para o futuro, parabenizando os novos tenentes pela conquista.

O Curso Básico de Administração Policial Militar, concluído pelos PMs, teve carga horária de 942 horas-aula, desenvolvidas nos anos de 2024 e 2025. A grade curricular incluiu disciplinas como Planejamento e Fiscalização Operacional, Tomada de Decisão e Liderança, Inteligência Policial, Gestão Financeira e de Pessoas, Sistema Informatizado, entre outras áreas fundamentais à atividade policial. Com a conclusão do curso, os novos tenentes estão aptos ao exercício de suas funções profissionais em defesa da sociedade gaúcha.

Estado autoriza chamamento de mil novos servidores para a Polícia Penal

Governo estadual também anunciou o lançamento de um novo concurso para a instituição

Correio do Povo

O governo do Estado anunciou, nesta terça-feira, 6, a autorização para o chamamento de cerca de mil novos servidores para a Polícia Penal, o maior da história da instituição. As nomeações devem ocorrer em breve, com publicação no Diário Oficial do Estado (DOE). A medida está prevista no novo Estatuto da Polícia Penal, aprovado pela Assembleia Legislativa em 16 de dezembro e sancionado pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no dia 24.

O governador também informou que já está prevista a realização de um novo concurso para a Polícia Penal, com edital a ser publicado em breve. Segundo Leite, o reforço no efetivo contribui para todo o sistema de segurança pública. “Com essas medidas, superamos uma realidade em que policiais militares precisavam atuar dentro das unidades prisionais. Até o final do nosso governo, cerca de mil policiais militares que estavam atuando nos presídios retornarão às ruas, reforçando o policiamento ostensivo e a segurança da população”, enfatizou Leite.

Estatuto da Polícia Penal

O novo Estatuto da Polícia Penal regulamentou a instituição e ampliou o número de vagas, com a criação de 6.938 cargos de policiais penais (antigos agentes penitenciários) e 50 de técnicos administrativos (antigos agentes penitenciários administrativos). Incluindo-se os analistas (antigos técnicos superiores penitenciários), a Polícia Penal chega a um quadro de 14.455 cargos, a ser preenchido ao longo dos anos a partir de concursos públicos em todas as áreas. Desde 2019, o governo do Estado já nomeou 4.352 servidores para a instituição.

Os policiais penais atuam na vigilância, custódia, guarda, escolta e assistência de pessoas privadas de liberdade, além de colaborar para a manutenção da ordem e da disciplina nas unidades prisionais, a reintegração social dos presos e o combate ao crime organizado no sistema penitenciário.

Conjunto de ações

A medida integra um conjunto de ações anunciadas recentemente pelo governo estadual na área da segurança pública. Na segunda-feira, 5, foram divulgadas 1.230 promoções na Polícia Civil, na Polícia Penal e no Instituto-Geral de Perícias (IGP). No fim de dezembro, também foram promovidos 2.172 servidores da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. Além disso, o governo sancionou a nova Lei de Organização Básica da Brigada Militar, voltada à modernização e à eficiência da corporação.

Governador Eduardo Leite anuncia promoção de 1,2 mil servidores da Segurança Pública do RS

Desta vez, foram contemplados agentes das polícias Civil e Penal e do Instituto-Geral de Perícias

Correio do Povo

O governador do Estado, Eduardo Leite, anunciou na noite desta segunda-feira, 5, a promoção de 1.230 servidores da Segurança Pública do Rio Grande do Sul. São 711 promoções na Polícia Civil, 497 na Polícia Penal e 22 no Instituto-Geral de Perícias (IGP), com impacto financeiro total de R$ 57 milhões em 2026. Em uma rede social, Leite escreveu que essa “é uma forma de reconhecer a jornada, a história e o trabalho diário dos homens e mulheres que atuam na linha de frente, garantindo mais justiça, dignidade profissional e fortalecimento das instituições”.

Na última quarta-feira, dia 31 de dezembro, o governo do Estado também já havia anunciado as promoções de servidores da Brigada Militar (BM) e do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS). A medida beneficiou 2.172 profissionais das duas corporações. Na BM, as promoções contemplaram 1.696 policiais militares dos quadros de oficiais do Estado-Maior, oficiais especialistas em saúde e praças de polícia ostensiva. O impacto financeiro estimado é de R$ 51,47 milhões em 2026. Já no CBMRS, foram promovidos 486 bombeiros, entre oficiais do Estado-Maior e praças, com investimento de R$ 17,27 milhões neste ano.

Outras ações

Ainda na área da segurança pública, em dezembro o governo Leite publicou a lei que regulamenta e cria o Estatuto da Polícia Penal do Rio Grande do Sul. A Lei Complementar 16.449/2025 define a estrutura básica, as atribuições, as carreiras, as novas vagas no quadro funcional e outros elementos que determinam a atuação da instituição responsável pela execução penal no Estado. Também em dezembro, Leite sancionou no fim do ano a Lei de Organização Básica (LOB) da Brigada Militar, aprovada pela Assembleia Legislativa recentemente. A nova legislação estabelece diretrizes para a estrutura e o funcionamento da BM, com foco na modernização e na eficiência institucional.

Governador Eduardo Leite sanciona Lei de Organização Básica da Brigada Militar (BM)

Norma atualiza competências da corporação, alinhando atuação da BM aos desafios contemporâneos da segurança pública

Correio do Povo

O governador Eduardo Leite sancionou, nesta quarta-feira (24/12), a Lei de Organização Básica (LOB) da Brigada Militar (BM), aprovada pela Assembleia Legislativa, no dia 16 de dezembro. A assinatura ocorreu no quartel do Comando Geral da BM, em Porto Alegre. A nova legislação estabelece diretrizes para a estrutura e o funcionamento da BM, com foco na modernização e na eficiência institucional.

No âmbito da organização da Brigada Militar, a Lei Complementar 497/2025 unifica a estrutura organizacional e fixa o efetivo, garantindo maior sistematicidade para decisões futuras. A partir da nova norma, a criação de qualquer novo Órgão de Polícia Militar (OPM) deverá, obrigatoriamente, contar com previsão de dotações orçamentárias, de pessoal e de material, além da apresentação de estudo técnico elaborado pela própria Brigada Militar.

A LOB também atualiza as competências da Instituição, alinhando a atuação da Brigada Militar aos desafios contemporâneos da segurança pública. Entre os avanços, a lei reconhece formalmente como competência institucional a atuação da BM na proteção ambiental, incluindo a prevenção de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e a lavratura de autos de infração ambiental.

O governador apontou que a modernização da legislação se soma aos esforços e investimentos empreendidos pelo Estado na qualificação da segurança pública.

“É uma atualização da estrutura da BM, adaptada aos novos tempos, e uma consolidação do nosso compromisso com a segurança. Tivemos a maior renovação da frota dos últimos governos, o maior investimento em equipamentos, tecnologias e armamentos e o maior ingresso de efetivos policiais nas últimas décadas na Brigada Militar. Vamos garantir a melhor estrutura para continuar enfrentando o crime e trazendo os melhores resultados para a segurança pública, como os que alcançamos em 2025, que está chegando ao fim como o ano mais seguro da série histórica no RS”, enfatizou o governador Eduardo Leite.

Novidade no ar

O comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, falou sobre algumas das modernizações. “É uma atualização das nossas estruturas que prevê, por exemplo, a criação da base aeropolicial de Santa Maria e a consequente criação do comando de aviação da Brigada Militar, para que possamos adequar as estruturas que estão vindo, como os cinco helicópteros que foram adquiridos e devem chegar ao longo de 2026 e 2027”, declarou.

Com a sanção da nova lei, o governo do Estado busca fortalecer a Brigada Militar, proporcionando bases legais mais claras para sua organização e atuação, além de ampliar a capacidade de resposta às demandas atuais da sociedade.