No primeiro concurso da BM com cotas para trans, quatro candidatos seguem na disputa; veja os detalhes

Brigada Militar reservou 12 vagas exclusivas para transexuais. A próxima etapa será de avaliação psicológica. O cargo oferecido é de soldado primeira classe, com salário inicial de R$ 5.944,85 mais benefícios

Gabriel Jacobsen GZH

Seis meses depois de ser lançado, o primeiro concurso da Brigada Militar (BM) com reserva de vagas para transexuais conta com quatro pessoas desse grupo ainda na disputa pelos cargos. Os dados foram obtidos por Zero Hora junto ao Departamento Administrativo da BM.

O concurso, aberto em março deste ano, contou com a inscrição de 50 pessoas transexuais. Das 1,2 mil vagas previstas no edital, 1% é exclusiva para pessoas trans (12 vagas).

Desde então, os candidatos e candidatas passaram por três fases distintas: exame intelectual; exame de saúde; e exame de capacitação física. Foram aprovados nas três etapas e, portanto, seguem na disputa três homens transexuais e uma mulher transexual.

Assim, até esta etapa, restam quatro candidatos trans para as 12 vagas reservadas. Quando sobram vagas destinadas a cotistas, esses espaços são preenchidos por candidatos que disputaram a ampla concorrência.

O diretor do Departamento Administrativo da BM, coronel Cléber Rodrigues dos Santos, destaca que os resultados, ainda que parciais, mostram que para conquistar a vaga, é preciso obter resultados satisfatórios nas diversas etapas do concurso.

— A vaga não é automática. É um concurso público. O candidato tem que passar pelas fases. Por exemplo, a fase de conhecimentos, e ali tem que ter o mínimo de acertos – pontua o diretor.

Avaliação psicológica

Todos os candidatos — cotistas e não cotistas — ainda passarão pela última fase: avaliação psicológica. Esta etapa tem testes que buscam avaliar atenção, memória, controle emocional, empatia, ética, entre outros pontos.

Além das fases do concurso, ao longo da seleção todos os candidatos passam pela chamada “investigação social da vida pregressa”, que também pode levar à eliminação. Esta análise considera “aspectos éticos e morais” e a “compatibilidade da conduta com o exercício da função policial”.

Segundo o edital, manifestar-se em redes sociais de forma contrária aos direitos humanos é uma das práticas incompatíveis com a conduta exigida de um policial-militar. “São consideradas ações e/ou práticas incompatíveis com a conduta policial-militar: (…) divulgação, publicação e promoção em redes sociais, que envolvam conteúdo discriminatório de caráter homofóbico, racista ou de qualquer natureza em desacordo com os Direitos Humanos e/ou contrarie, desrespeite ou viole a Constituição Federal”, diz trecho do edital.

Ao longo de toda a seleção, os candidatos são separados conforme identidade de gênero, por autodeclaração, e não pela sexo biológico indicado na certidão de nascimento. A checagem das informações de gênero prestadas pelos candidatos é feita por uma comissão especial de heteroidentificação.

Bruno Todeschini / Agencia RBS
BM está com outros dois concursos em andamento, ambos com cotas para pessoas trans.Bruno Todeschini / Agencia RBS

Do total de vagas deste concurso, 984 são destinadas para ampla concorrência, 192 para pessoas negras, 12 para pessoas indígenas e 12 para pessoas trans. O concurso permite o acesso ao Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM). O cargo oferecido é de soldado primeira classe, com salário inicial de R$ 5.944,85 mais benefícios. A previsão da corporação é de concluir a seleção no final de novembro, homologando o resultado dos aprovados.

Trans também disputam vagas para oficiais da saúde da BM

A BM está com outros dois concursos em andamento, ambos com cotas para pessoas trans: para capitão (Curso Superior de Polícia Militar) e para oficial de saúde (Curso Básico de Oficiais de Saúde).

No certame para capitães, não houve inscrições de pessoas trans. Já na seleção para oficiais da saúde houve cinco pessoas transexuais inscritas, das quais duas seguem na disputa.

O diretor do Departamento Administrativo da BM acrescenta que, mesmo que as cotas trans sejam uma novidade, a corporação já conta com diversidade sexual e de gênero.

Nós já temos, por exemplo, dentro da instituição, pessoas trans, policiais militares que são trans.

CORONEL CLÉBER RODRIGUES DOS SANTOS

Diretor do Departamento Administrativo da BM

Decreto das cotas trans foi editado por Leite em 2021

Nesta semana, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre promulgou a lei que cria as cotas para pessoas transexuais em concursos públicos municipais. A legislação da Capital prevê a reserva de 1% de vagas para esta população.

No Estado, já existe, desde 2021, a previsão de que os concursos públicos tenham cotas para pessoas transexuais. A política pública foi regulamentada por meio do decreto nº 56.229/2021 editado pelo governador Eduardo Leite.

O decreto prevê que, no RS, do total de vagas dos concursos, 10% são destinadas a pessoas com deficiência; 16% para pessoas negras (pretas e pardas); 1% para “as mulheres trans, as travestis e os homens trans”; e 1% aos integrantes dos povos indígenas.

No caso das cotas trans, a norma prevê que ao menos uma vaga para cotistas trans seja disponibilizada quando houver ao menos oito pessoas sendo contratadas para o cargo relacionado.

Governador entrega 264 viaturas e equipamentos para forças de segurança e Defesa Civil do RS

Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Instituto-Geral de Perícias e Defesa Civil serão beneficiados

Correio do Povo

O governador Eduardo Leite entregou 264 veículos e equipamentos robustos para Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Instituto-Geral de Perícias e Defesa Civil. O ato goi realizado em frente ao Palácio Piratini na tarde de quinta-feira (18)

Conforme o governo do Estado, o investimento é de mais de R$ 87 milhões, com recursos do Plano de Investimento, Fundo a Fundo (FAF), Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg), Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp) e do Convênio Festa da Uva.

Durante a cerimônia, Leite afirmou que a entrega representa o compromisso do governo com a segurança. “Esse investimento amplia de forma decisiva a capacidade do Estado de enfrentar o crime, proteger as nossas comunidades e agir com rapidez diante das emergências climáticas. Em quase sete anos, intensificamos o aparelhamento da segurança pública e fortalecemos também as estruturas da Defesa Civil, porque segurança não é promessa, é ação concreta que transforma a realidade e devolve à população o direito de viver com tranquilidade”, afirmou.

Brigada Militar (BM), Polícia Civil (PC), Corpo de Bombeiros Militar (CBM), Instituto-Geral de Perícias (IGP) e Defesa Civil receberam viaturas tipo SUV, camionetes, caminhão-baú, guinchos, motocicletas, embarcações, kits de análise papiloscópica e equipamentos de radiocomunicação. As 264 viaturas e os equipamentos vão beneficiar a segurança pública de 68 municípios e qualificar as dez coordenadorias regionais e departamentos da Defesa Civil.

Corpo de Bombeiros Militar do RS abre inscrições para 544 vagas de Soldado Temporário

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) abriu inscrições para o processo seletivo que vai selecionar 544 Soldados Bombeiros Militares Temporários (nível médio), com remuneração inicial de R$ 4.572,96. As inscrições estão abertas de 4 de setembro a 4 de outubro de 2025, exclusivamente pelo site da Fundatec, responsável pela execução do certame. A taxa de inscrição é de R$ 118,79.

Os aprovados atuarão em atividades administrativas, de segurança, prevenção, combate a incêndios, salvamentos, defesa civil, além de funções específicas como bombeiro de aeródromo e guarda-vidas. A jornada de trabalho é de 40 horas semanais e a contratação é temporária, com duração inicial de 2 anos, podendo ser renovada bienalmente até o limite de 8 anos. 

O processo seletivo terá quatro fases: prova intelectual, exame de saúde, teste de aptidão física e avaliação psicológica. Podem se inscrever brasileiros com até 25 anos de idade, ensino médio completo e idoneidade comprovada. Os Bombeiros Militares Estaduais Temporários ocupam função isolada, não passível de ascensão na carreira, e não adquirem estabilidade. Os candidatos selecionados e incluídos na função de Soldado Bombeiro Militar Temporário serão regidos pelo Regime Jurídico aplicável aos Militares Estaduais, no que couber.

O edital também prevê reserva de vagas para pessoas negras (16%), pessoas trans (1%) e integrantes de povos indígenas (1%), conforme legislação estadual. Mais informações e o edital completo estão disponíveis no site do CBMRS e da Fundatec.

CBMRS

Segurança Pública do RS é a terceira melhor do país no Ranking de Competitividade dos Estados

Estado permanece em posições de destaque, refletindo políticas consistentes de combate à criminalidade

A Segurança Pública do Rio Grande do Sul manteve a terceira colocação no Ranking de Competitividade dos Estados de 2025, divulgado nesta quarta-feira (27/8), em Brasília. Desenvolvido pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o levantamento avaliou as 27 unidades da Federação. A segurança pública manteve a posição em relação ao ano anterior. Além disso, a cidade de Porto Alegre está na terceira posição entre as capitais do país. No ranking geral, o Rio Grande do Sul continua sendo o quinto Estado mais competitivo do Brasil e o primeiro em eficiência da máquina pública.

Dentro dos indicadores avaliados, a segurança pública recebeu o maior peso (12,6%) entre os 10 pilares temáticos do Ranking de Competitividade dos Estados. Em relação à edição passada, o Estado subiu uma posição nos indicadores de segurança pessoal, segurança patrimonial, mortalidade no trânsito, violência sexual e atuação do sistema de justiça criminal. No apanhado geral, o RS está atrás apenas de Santa Catarina e do Distrito Federal.

“Os resultados são reflexo do investimento do governo do Estado no chamamento de novos servidores, na compra de equipamentos e na valorização dos profissionais da segurança. Além disso, continuamos reduzindo os índices de criminalidade no Rio Grande do Sul e aumentando a sensação de segurança da população gaúcha”, destacou o secretário da Segurança Pública, Sandro Caron.

Reconhecimento nacional

O Rio Grande do Sul apresentou reduções expressivas nos índices de criminalidade em 2024. De acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o RS teve a maior queda em roubos a pedestre no ano passado, com retração de 45,9%. Estado teve ainda a menor taxa de roubo de celulares do Brasil, com 27,9 casos a cada 100 mil habitantes, representando uma queda de 14,2% em relação ao ano anterior.

Outro dado relevante é a diminuição no número de mortes violentas intencionais, que englobam homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Com 15 casos por 100 mil habitantes, o Rio Grande do Sul ocupa a 4ª colocação entre os Estados com menores taxas nesse tipo de crime.

Tendência de um 2025 mais seguro

O Estado projeta melhorar ainda mais o desempenho no pilar da segurança pública em razão da queda dos indicadores criminais. O Rio Grande do Sul fechou os primeiros sete meses de 2025 com queda de 17% no índice de mortes violentas, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os homicídios dolosos diminuíram 22% e as ocorrências de latrocínio retrocederam 27%.

Nos crimes contra o patrimônio, as ocorrências bancárias despencaram 67%. Também diminuíram os casos de roubo a pedestre (-18%) e roubo de veículos (-9%). Os incidentes em transportes coletivos tiveram retração de 22%. Já no campo, as ocorrências de abigeato caíram 10%.

 Foto: Ascom/SSP

Texto: Leonardo Fister/Ascom SSP-RS
Edição: Júlio Amaral/Ascom SSP-RS

Polícia Penal recebe o reforço de mais 139 servidores para fortalecer a segurança pública

Após a conclusão do curso de formação, eles assumem suas funções nas regiões penitenciárias do Estado

Correio do Povo

Polícia Penal recebeu, na tarde desta quarta-feira, 20, o reforço de 139 servidores penitenciários. A formatura dos 123 agentes penitenciários (APs), 15 agentes penitenciários administrativos (APAs) e um técnico superior penitenciário (TSP) ocorreu no Salão de Eventos da Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (Sogipa). A cerimônia contemplou as turmas da 4ª edição dos Cursos de Formação Profissional de APs e APAs e a 5ª edição do Curso de Formação Profissional de TSPs.

O secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, celebrou o reforço no quadro de servidores da Polícia Penal. “A construção de novos presídios, a aquisição de antidrones e de novos veículos para a nossa Polícia Penal são fundamentais sem sombra de dúvidas, mas o que é mais importante são os nossos servidores; por isso, estamos formando 139 hoje e no total de 2025, 593”, destacou.

Desde 2019, foram chamados 4.281 aprovados em concurso público para a instituição, convocações que seguem a política de reposição e qualificação dos quadros das forças de segurança. Em 2025, foram formados 593 novos servidores penitenciários.

O superintendente da Polícia Penal, Sergio Dalcol, afirmou que a formatura não é apenas uma conquista pessoal para eles, mas também um compromisso com toda a sociedade gaúcha. “É com grande satisfação que celebramos hoje a formatura desta nova turma de servidores da Polícia Penal. Cada um de vocês chega para somar forças à nossa instituição. Nos últimos anos, a Polícia Penal avançou em investimentos, estrutura e reconhecimento, mas nenhum recurso é mais valioso do que as pessoas que a compõem. Vocês representam a renovação e o futuro de uma força que cresce e se fortalece a cada dia”, ressaltou.

Etapas de seleção dos profissionais

Os atuais formandos, aprovados no concurso público realizado em março de 2022, passaram pelo processo seletivo composto por quatro etapas: prova objetiva, prova dissertativa, avaliação psicológica e investigação social e funcional do candidato, além de teste de aptidão física para os APs e APAs.

Sobre o Curso de Formação Profissional

O Curso de Formação Profissional, organizado pela Escola do Serviço Penitenciário (ESP), pelo qual os novos servidores passaram, teve início em 26 de maio de 2025. A programação contou com 550 horas-aula para APs, 360 horas-aula para APAs e 380 horas-aula para TSPs, na modalidade híbrida. O corpo docente foi composto por cerca de 150 professores, servidores da Polícia Penal, do Corpo de Bombeiros Militar e do Instituto-Geral de Perícias.

Entre as disciplinas ministradas na formação dos agentes e técnicos para atuar no sistema prisional, estão: procedimentos e rotinas operacionais, atendimento pré-hospitalar, gerenciamento de crise, cinotecnia, detecção de armamentos, munições e narcóticos, busca e captura.

O diretor da ESP, Felipe Schuster, celebrou a formatura de mais uma turma da Polícia Penal. “Esse é um marco que demonstra o quanto nossa instituição cresce e se fortalece a cada dia. Cada conquista é fruto de muito esforço e dedicação, e todas elas merecem ser celebradas. Seguiremos firmes, em constante evolução, para que a sociedade reconheça cada vez mais o papel essencial do sistema prisional na segurança pública”, afirmou.

Os novos servidores serão lotados nas Delegacias Penitenciárias das 1ª, 4ª, 6ª, 7ª, 8ª e 9ª Regiões, nas unidades especiais e no Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP).

TJRS suspende liminar que determinava retificação de editais de concursos da Brigada Militar

Os certames são para os cargos de soldado, oficial do Estado-Maior e oficial da Saúde

Correio do Povo

O desembargador Eduardo Delgado, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), suspendeu a liminar deferida em primeira instância que determinava a retificação dos editais de concursos públicos da Brigada Militar do RS para garantir a reserva de vagas a pessoas com deficiência. Os certames em questão são para os cargos de soldado (edital n.º SD-P01/2025); oficial do Estado-Maior (edital n.º CSPM 01-2025); e oficial da Saúde (edital CBOS 01/25).

A decisão foi proferida no julgamento do recurso (agravo de instrumento) interposto pelo Estado do Rio Grande do Sul contra liminar concedida em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público. De acordo com o relator, não há inconstitucionalidade nos editais em questão. Para justificar a decisão, o magistrado citou jurisprudências do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, de outros Estados da Federação e, também, do próprio TJRS.

Em relação à organização da Brigada Militar, a decisão considerou a Lei Estadual nº 10.991/97, que determina as competências da instituição, entre elas: executar a polícia ostensiva, a fim de assegurar o cumprimento da lei, a manutenção da ordem pública e o exercício dos poderes constituídos; atuar preventivamente e repressivamente em caso de perturbação da ordem pública e no gerenciamento técnico de situações de alto risco; e realizar os serviços de busca e resgate aéreo, aquático e terrestre no Estado.

O magistrado mencionou o pressuposto da aptidão física, psicológica e intelectual para o exercício das atividades típicas destes cargos “notadamente com vistas à execução das operações inerentes às áreas de segurança pública, como o policiamento ostensivo, a preservação da ordem pública, assim como o Comando e Chefia dos órgãos de média e alta complexidade da estrutura organizacional da Brigada Militar”.

A decisão citou, por fim, a ineficácia na suspensão do certame em andamento, tendo em vista as oportunidades antes do início das inscrições, e a quebra flagrante da isonomia com eventuais interessados nos concursos.

Regulamentação da Polícia Penal é alvo de debate na Assembleia do RS

Secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom compareceu a comissão para debater projeto que tramita no Legislativo

Correio do Povo

O projeto do governo do Rio Grande do Sul que regulamenta a Polícia Penal e tramita na Assembleia Legislativa foi alvo de discussões na Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização Administrativa durante esta quinta-feira. Na ocasião, os deputados receberam o secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom (PSDB), para prestar informações a respeito do Projeto de Lei Complementar (PLC) 244/2025.

Pozzobom forneceu informações a respeito de obras iniciadas em penitenciárias que ampliam vagas em Rio Grande, Passo Fundo, São Borja e Caxias do Sul. Serão em torno de mais 8,4 mil novas vagas no sistema, sendo que 1,8 mil serão inauguradas em breve no Presídio Central, o que reduzirá o déficit de 11 mil para 3 mil apenados.

Disse o secretário que, pela primeira vez, o RS ultrapassou 80 mil vagas no sistema prisional. Com os novos presídios, acredita que será possível reduzir o déficit atual.

Também discorreu sobre obras em Osório, Viamão, e Santa Cruz do Sul, e ainda o presídio de Guaíba, que está em período embrionário. Explicou também sobre problemas ocorridos em obras no presídio de Erechim.

O deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), que solicitou a presença do secretário, adiantou os dois principais apontamentos que fará constar no parecer ao projeto, que é de sua relatoria. Para ele, há, nos artigos 2 e 28 do projeto, “vícios indefensáveis”. Afirmou que, quando da criação da Polícia Penal, o projeto do Executivo restringia a esta denominação apenas os agentes penitenciários, sendo as demais funções consideradas “carreiras de apoio”.

“À época, fizemos o debate com a categoria e acordamos que todos os aprovados no concurso deveriam ser considerados policiais penais, o que constou na Emenda Constitucional 82, anexada ao texto que foi aprovado. Não temos como concordar com um texto que fere o que nós deputados colocamos na Constituição”, frisou.

Outra questão apontada por Jefferson é em relação ao texto da proposta, que afirma que a Polícia Penal está calcada “na hierarquia e na disciplina”. O deputado afirma que não haveria erro se houvesse menção à hierarquia somente, mas o viés disciplinar tem o sentido de obediência, que só é possível em Polícias Militares. “Nenhum PL de regulamentação da Polícia Penal de outro estado se baseia nestes quesitos juntos. Isso fere as Constituições Estadual e Federal. São dois elementos que tornam a proposta insustentável”, criticou.

Presidente da comissão, o deputado Leonel Radde (PT) questionou a respeito da defasagem de vagas para servidores no sistema penal, tendo em vista a superlotação das penitenciárias.

Pozzobom falou sobre a retirada dos brigadianos da atuação em presídios e novos chamamentos de servidores, além de realização de concursos e as promoções internas, e detalhou dificuldades estruturais internas do sistema. Disse ainda que está sendo preparado um concurso para o próximo ano.

Mofo, goteiras e falta de estrutura: com delegacias em situação precária, policiais do RS trabalham de forma improvisada

Agentes relatam dificuldades até para acessar a internet


Vitor Rosa GZH

A precariedade das instalações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul tem afetado diretamente o trabalho de agentes em Porto Alegre. Delegacias com infiltrações, salas interditadas e até departamentos sem sede revelam a realidade enfrentada pelos profissionais da segurança pública.

Na 14ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, na zona norte da Capital, o mofo tomou conta da sala de investigações. A umidade descasca a tinta do teto e compromete móveis.

Depoimentos são colhidos em salas improvisadas, sem conforto ou privacidade. Policiais relatam dificuldades até para acessar a internet.

Delegacias em situação crítica

Na 16ª Delegacia de Porto Alegre, no bairro Restinga, as portas foram roídas por cupins, e as paredes apresentam rachaduras. A pintura, que parece recente, foi feita pelos policiais, com recursos próprios.

— Para não ficar um ambiente tão insalubre, tão deprimente, os próprios policiais se cotizaram e pintaram as paredes da delegacia — afirmou Guilherme Wondracek, presidente da Associação dos Delegados de Polícia.

O Palácio da Polícia, sede histórica da administração da corporação, também enfrenta problemas. O terceiro andar está interditado há mais de um ano, com móveis amontoados e telhado coberto por lona.

O gabinete da chefia foi esvaziado em abril e permanece fechado.

O Departamento de Investigações Criminais (Deic), responsável por apurações contra o crime organizado, está sem endereço fixo desde o ano passado. A sede original foi alagada durante uma enchente, e a provisória, destruída por um incêndio em dezembro.

Promessas de reforma

O chefe de Polícia do RS, delegado Heraldo Chaves Guerreiro, reconheceu que algumas delegacias de Porto Alegre possuem problemas, especialmente a 14ª, a 15ª e a 16ª. Segundo ele, os processos de reforma da 14ª e 15ª estão em fase de contratação. Sobre a 16ª, o delegado não comentou sobre possíveis reparos.  

— A Polícia tem olhado para essas estruturas e procurado junto ao governo as melhorias necessárias — diz.

Sobre o Deic e o Palácio da Polícia, Guerreiro prometeu soluções em breve.

— Estamos em tratativas e nos próximos dias teremos boas notícias. O Palácio da Polícia está em reforma e a previsão é que esteja pronto até maio de 2026 — declarou.

Improvisos em operações

A falta de estrutura já impactou operações importantes. Durante um caso de sequestro em Gravataí, os policiais não tinham sala para atuar e usaram a sede da Associação dos Delegados como base improvisada.

— Eles passaram a madrugada lá, não tinham onde ficar — relata Wondracek.

Melo anuncia nomeação de cem novos agentes em evento que oficializou mudanças na Guarda Municipal

Prefeitura de Porto Alegre sancionou a lei que cria novo plano de carreira dos servidores e amplia atuação do órgão

Gabriela Plentz GZH

Os servidores nomeados já estão aprovados em concurso, mas ainda precisarão passar por cursos de formação, que duram cerca de cinco meses. A estimativa é que eles possam começar a trabalhar na rua no início do ano que vem.

A lei foi aprovada no início de julho na Câmara dos Vereados após uma tramitação com resistências da categoria. Atualmente, a corporação tem cerca de 380 guardas ativos. 

No novo plano de carreira, estão previstas 2.070 vagas, sendo 1,2 mil no início da trajetória e o restante distribuído em outras sete classes, em sistema de pirâmide. Entretanto, ainda não há previsão para preenchimento total destes postos.

— Nós sabemos das dificuldades de todos os governos do Rio Grande do Sul nos últimos 30 anos, que não tem a metade da tropa que deveria ter Estado. É claro que isso atinge Porto Alegre. Então, nós também temos que avançar com a nossa guarda. Agora, o nosso orçamento é limitado. Se eu nomear mil guardas, como é que fica a saúde, como é que fica a educação, como é que ficam os outros serviços. É uma decisão dentro do limite orçamentário, com responsabilidade fiscal — avaliou o prefeito Sebastião Melo. 

O projeto determina salário inicial de R$ 4.188,09, podendo chegar a R$ 11.391,58 no topo da carreira. A reserva de 12% das vagas para mulheres foi garantida por meio de emendas, assim como gratificação noturna.

— Todos os colegas estão na expectativa de como que vão ficar elencados dentro do sistema hierárquico. Todas as suas questões funcionais e financeiras também serão tratadas nesse sistema. Nós realmente fizemos um projeto muito redondo para que ninguém tenha perdas e que a gente garanta que todos tenham a possibilidade de avançar conforme os seus méritos para que a gente possa fazer mais pela nossa cidade — avaliou o Comandante Geral da Guarda Municipal, Marcelo do Nascimento Silva.

O novo órgão se inspira em modelo das guardas de São Paulo e Rio de Janeiro, para que os agentes também atuem no policiamento da cidade, de forma integrada com a Brigada Militar. Passam a estar no guarda-chuva da Guarda Civil Metropolitana funções como a segurança escolar, fiscalização e apoio a grandes eventos.

Cachoeirinha: PMs são inocentados após passarem metade da carreira respondendo por um crime que não cometeram

Era para ser uma ocorrência de rotina no dia 12 de março de 2017, quando a guarnição composta pelo soldado Timóteo Jeremias Cappa Bravo e pelo soldado Eduardo Garcia da Silva foi despachada pela Sala de Operações da Brigada Militar de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, para intervir realizando patrulhamento no bairro Vila da Paz, onde havia denúncias de toque de recolher imposto por criminosos ligados a uma facção criminosa.

Tratava-se de ordens da facção “Os Bala na Cara”, que, entre suas determinações, proibia a entrada da polícia na localidade.

Durante o patrulhamento, a guarnição dos soldados Bravo e Eduardo, do 26º BPM, foi recebida a tiros por integrantes da facção, sendo obrigada a revidar. Na troca de tiros, um dos indivíduos foi morto e outro ficou ferido — este último já possuía condenações por tráfico e roubo, totalizando mais de 38 anos de pena.

A partir da ocorrência, os dois militares passaram a ser indiciados e a responder a ação penal, sendo um acusado de homicídio qualificado e o outro de homicídio simples.

O período entre a ocorrência e o julgamento ultrapassou nove anos. Segundo os militares, foi um tempo de muitas incertezas, inseguranças e perdas. Ambos constituíram advogados na tentativa de comprovar o exercício regular das funções e reverter a grave acusação que recaía sobre os agentes de segurança.


Absolvição pelo Tribunal do Júri

No dia 16 de julho de 2025, sob a presidência do juiz de Direito Dr. Marco Luciano Wachter, tendo como promotor o Dr. Caio Isola Aro e atuando nas defesas os advogados Dr. Márcio de Matos Barcelos, Dr. Nei Juarez Afonso Colombo, Dr. Giliar Hermann Pires e Dra. Ana Carolina Filippon Stein, ocorreu a sessão do Tribunal do Júri da Comarca de Cachoeirinha, sendo proclamada a absolvição dos soldados Timóteo Cappa Bravo e Eduardo Garcia da Silva, com o reconhecimento da legítima defesa — pedido também feito pelo Ministério Público.

Atualmente residindo em Alegrete, pai de dois filhos e atuando na 3ª Cia do 1º Batalhão de Policiamento de Área de Fronteira (1º BPAF), o soldado Cappa Bravo relatou os momentos difíceis vividos até a absolvição, mesmo tendo a certeza de que agiram em defesa da sociedade:

— A todo instante presenciamos ocorrências semelhantes a essa, em que muitos colegas são condenados, perdem a função pública e, mesmo sem antecedentes, acabam presos, deixando esposa e filhos desamparados.
— Na época, fomos “massacrados” pela opinião pública, com muitas publicações que não refletiam a verdade. É muito complicada nossa função — relatou Bravo.
— Felizmente, no nosso caso, a justiça foi feita.

O soldado Cappa Bravo concluiu o Curso Técnico em Segurança Pública (CTSP) entre 16/12/2024 e 04/07/2025, e aguarda os atos de promoção para iniciar uma nova fase em sua carreira na Brigada Militar.

O soldado Eduardo, pai de um filho, reside em Cachoeirinha e conta com 20 anos de serviço prestado à Brigada Militar.

Ambos passaram metade da carreira aguardando o julgamento de um crime que se comprovou não terem cometido.

A incerteza quanto ao desfecho de uma ocorrência traz enorme tensão aos agentes da segurança pública, pois, além das decisões que precisam ser tomadas em frações de segundo, muitas vezes enfrentam o sensacionalismo de setores da imprensa, da classe política e da própria opinião pública.

Mesmo com a absolvição, em muitos casos as perdas são irreparáveis — e se estendem para além da vida do policial, atingindo diretamente suas famílias. Em alguns processos, os policiais ficam impedidos de progredir na carreira durante o período, sendo vetados em seleções internas ou concursos.

Ao final, resta apenas comemorar: a liberdade.