Insatisfeito com salário e carreira, contente com equipamentos de trabalho: censo revela sentimento da tropa da Brigada Militar

Levantamento foi realizado pelo comando da instituição, ouviu mais de 18 mil brigadianos e teve os resultados divulgados recentemente. Contingente está mais jovem e escolarizado

Carlos Rollsing GZH

O 2º Censo da Brigada Militar (BM), realizado pelo comando da instituição para ampliar o conhecimento sobre a tropa, revelou dois eixos de sensação dos policiais gaúchos, um de insatisfação e outro de satisfação. As entrevistas foram feitas em outubro de 2023 com 18,2 mil integrantes da corporação, mas os resultados foram divulgados recentemente pelo comando.

Os brigadianos estão, em maioria, descontentes com o salário: essa foi a posição de 73,35%. Já o descrédito quanto ao plano de carreira alcançou 85,23%. No mesmo flanco, 61,82% afirmaram não se sentirem valorizados na BM e 38,2% manifestaram pretensão de deixar a corporação para empreender ou buscar outro concurso público.

O lado da satisfação é dominado pela percepção quanto aos instrumentos de trabalho e carga horária. A maioria se declarou contente com o fardamento (67,37%), colete à prova de balas (80,2%), outros equipamentos de proteção individual (67,16%), armamento (87,27%), viaturas (63,4%) e jornada de trabalho (60,07%).

O 2º Censo ainda revelou que a tropa é jovem. Quase metade do efetivo tem entre 28 e 37 anos. Ao mesmo tempo, melhorou a escolaridade, com 46,94% dos membros da BM tendo Ensino Superior completo. A juventude e o melhor nível educacional são apontados como qualificadoras da prestação de serviço.

Outra descoberta foi que 59,94% dos brigadianos fizeram ou fazem tratamento psiquiátrico e psicológico. Entre os 24,88% que afirmaram tomar remédio diariamente, a maior parte disse que é medicação contínua para fins psicológicos e psiquiátricos. Essa detecção do Censo divide opiniões entre membros da corporação ouvidos pela reportagem: parte entende que é sinal positivo porque o policial está cuidando mais da saúde mental, enquanto outra parcela avalia que é reflexo da insatisfação e do estresse do brigadiano de baixa patente, endividado e instado a lidar com o risco à vida.

O 2º Censo foi realizado pelo Departamento Administrativo da BM. A primeira edição teve coleta de dados entre setembro e outubro de 2020.

Questão salarial e promoções são dominantes para carreiras de nível médio

O levantamento revelou que, em outubro de 2023, 41,42% dos servidores da BM tinham remuneração entre
R$ 4,9 mil e R$ 7,1 mil. Isso corresponde aos soldados, que, junto com duas classes de sargentos e 1º tenente, formam o quadro de nível médio. Eles também são conhecidos como praças. As reclamações são relacionadas à distância ante os oficiais, cujo primeiro posto, o de capitão, tem atualmente subsídio de  R$ 21,5 mil.

— De 2019 para cá, os brigadianos tiveram mais de 60% de perdas inflacionárias. E temos um sistema que propicia morosidade na promoção dos praças. Há casos de pessoas que entram na BM como soldados e vão à reserva (aposentadoria) como soldados — diz Maico Volz, presidente da Abamf, entidade que agrega agentes de nível médio.

Um dado do Censo reforça o problema financeiro dos brigadianos: 77,94% declararam ter empréstimo consignado. Volz afirma que a maioria dos que buscam auxílio jurídico da Abamf está superendividada e deseja mediação judicial com os credores.

— A remuneração é baixa entre servidores de nível médio. Eles ainda se obrigam a ir para o bico. Estamos com elevado índice de pessoal em tratamento psicológico. O policial estressado está sujeito a cometer falhas — afirma Ricardo Agra, diretor de relações institucionais da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da BM (Asstbm).

Para Volz, os níveis de insatisfação com o salário e a carreira foram determinantes para mais de 6,6 mil policiais terem manifestado a pretensão de deixar a BM.

— O curso para a formação de um soldado dura, em média, 11 meses. É caro para a sociedade fazer o investimento e ele permanecer por pouco tempo. Precisamos de valorização — avalia Volz.

André Ávila / Agencia RBS
Quase metade dos servidores tem Ensino Superior completo.André Ávila / Agencia RBS

Para a Brigada, melhorias recentes devem reduzir insatisfação

O coronel Cléber Rodrigues dos Santos, diretor do Departamento Administrativo da BM, pondera que o resultado do 2º Censo mostra uma radiografia de outubro de 2023, quando a pesquisa foi realizada. Desde 2019 até a aplicação do questionário, os brigadianos haviam recebido apenas uma reposição inflacionária de 6% em 2022, estendida a todo o funcionalismo.

Ele destaca o cenário da época, quando algumas reformas retiraram benefícios. O coronel opina que o período de austeridade permitiu melhorias recentes. Santos cita o aumento do vale-refeição e o reajuste salarial de 12,49% para a segurança pública, com três parcelas incorporadas ao contracheque em janeiro e outubro de 2025 e outubro de 2026. A mesma legislação reduziu as classes de soldados de três para duas, o que garante valorização no piso.

— O salário inicial do soldado vai passar de R$ 4.970 (valor de dezembro de 2024) para R$ 6.429, em outubro de 2026. Um aumento de quase 30%. Acreditamos que, para o próximo Censo, vamos diminuir a insatisfação — diz Santos.

O diretor do Departamento Administrativo da BM também destaca a decisão da polícia de converter 5,2 mil cargos de 3º sargento, em extinção e que estavam vagos, em postos de 2º sargento, 1º sargento e 1º tenente. São funções para as quais os soldados podem ascender, em uma tentativa de atender os anseios por progressão na carreira entre as mais baixas patentes.

O coronel refuta a hipótese de que a elevada insatisfação prejudique a prestação do serviço à comunidade. Para demonstrar isso, menciona que os índices de criminalidade foram reduzidos ao menor patamar da série histórica em 2024. Santos também rebate a crítica de que o cenário revelado possa impulsionar erros ou excesso de força policial.

— Insatisfações e busca por melhor remuneração são naturais do ser humano. A BM atende milhares de ocorrências diariamente. Algum erro que eventualmente ocorra é exceção. A Corregedoria é firme para apurar a verdade e responsabilizar o policial que pode ter atuado equivocadamente — afirma.

Satisfação com equipamentos

Os contentamentos dos brigadianos apurados pelo Censo se referem à jornada de trabalho e aos itens para a atuação cotidiana de segurança pública. Os principais destaques são para o armamento e o colete, ambos com mais de 80% de satisfação.

— Quanto a isso, não há o que reclamar. Sinto melhora depois da aprovação do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg ) — diz Agra, da Asstbm.

A política citada permite que empresas destinem uma parcela de até 5% do ICMS devido para o investimento em segurança pública.

— A satisfação é reflexo do suporte que o comando tem dado para a melhoria das condições de trabalho. Hoje, toda a viatura adquirida para a atividade operacional possui a semiblindagem. O objetivo é proteger quem protege a sociedade — diz o coronel Santos.

O diretor do Departamento Administrativo da BM afirma desconhecer a realização de um Censo por outras polícias militares do Brasil. O oficial definiu o levantamento como “imprescindível para as políticas de recursos humanos”.

O 2º censo da BM entrevistou 18.226 membros da corporação em outubro de 2023. Confira alguns dados:

Gênero

  • 81,69% dos servidores são homens
  • 18,31% são mulheres (aumento de 2,3 pontos em relação ao Censo 2020)

Faixa etária

  • 24,65% têm entre 28 anos e 32 anos
  • 21,31% dos integrantes têm entre 33 anos e 37 anos
  • 21,23% dos membros têm entre 38 anos e 42 anos
  • 24,43% têm mais de 43 anos
  • 8,36% dos servidores têm até 27 anos

Renda bruta mensal

  • 41,42% dos servidores têm renda entre R$ 4.970,61 e R$ 7.102,66
  • 21,03% têm renda entre R$ 7.102,66 e R$ 9.766,16
  • 15,28% têm renda entre R$ 9.766,16 e R$ 13.317,51
  • 11,69% têm renda inferior a R$ 4.970,61
  • 6,43% têm renda entre R$ 13.317,51 e R$ 20.686,00
  • 4,15% têm renda superior a
    R$ 20.686,00

Escolaridade

  • 46,94% dos servidores têm ensino superior completo (índice era de 25,33% no Censo 2020)
  • 30,50% têm ensino médio completo
  • 19,67% têm ensino superior incompleto
  • 1,82% têm nível técnico
  • 1,08% outros

Usa medicamento diariamente

  • 24,88% sim
  • 75,12% não

O maior contingente, de 1.631 entrevistados, afirmou usar medicação contínua para tratamento psiquiátrico e psicológico. Depois, 1.276 informaram tomar remédio para pressão alta.

Fez ou faz tratamento psiquiátrico e psicológico?

  • 40,06% não
  • 26,71% sim, particular
  • 24,95% sim, na BM
  • 8,28% sim, particular e BM

No total, 59,94% dos integrantes da corporação já fizeram ou fazem tratamento psiquiátrico ou psicológico.

Já se envolveram em conflito armado?

  • 50,89% sim
  • 49,11% não

Já sofreram algum ferimento no atendimento de ocorrência?

  • 57,64% não
  • 42,36% sim

Você se sente valorizado na Brigada Militar?

  • 61,82% não. Essa foi a resposta de 10.687 entrevistados
  • 38,18% sim

Pretende deixar a BM para empreender negócio próprio ou outro concurso público?

  • 38,2% sim. Essa foi a resposta de 6.604 entrevistados
  • 61,8% não

Em relação ao plano de carreira

  • 46,69% muito insatisfeito
  • 38,54% insatisfeito
  • 9,55% satisfeito
  • 3,79% indiferente
  • 1,43% muito satisfeito

Os indicadores de insatisfação com o plano de carreira, somados, alcançam 85,23%.

Em relação ao salário

  • 52,01% insatisfeito
  • 21,34% muito insatisfeito
  • 19,83% satisfeito (no Censo 2020, a satisfação tinha sido de 54,20%)
  • 5,56% indiferente
  • 1,23% muito satisfeito
  • 0,02% não respondeu

Os indicadores de insatisfação, somados, alcançam 73,35% com a remuneração.

Em relação ao fardamento operacional

56,38% satisfeito e 10,99% muito satisfeito

Em relação ao colete

67,24% satisfeito e 12,96% muito satisfeito

Em relação aos demais EPIs

61,47% satisfeito e 5,69% muito satisfeito

Em relação ao armamento

68,72% satisfeito e 18,55% muito satisfeito

Em relação às viaturas

52,27% satisfeito e 11,13% muito satisfeito

Em relação à jornada de trabalho

57,48% satisfeito e 2,59% muito satisfeito

Segurança Pública em Destaque – Passo Fundo

CONFIRA A REPORTAGEM EM VÍDEO NO FINAL DA MATÉRIA

Localizada na região norte do Estado, Passo Fundo sempre foi conhecida como uma área sensível à atuação da criminalidade, especialmente por ser uma rota de fuga acessível para várias regiões do Estado e para Santa Catarina.

Nos últimos anos, a cidade — com mais de 215 mil habitantes — tem intensificado as ações de combate ao crime graças à gestão integrada da Prefeitura Municipal com as forças de segurança, como a Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, entre outros órgãos. As ações ocorrem em diversos espaços públicos.

Além das abordagens e fiscalizações, a Prefeitura realizou investimentos significativos em tecnologia, com destaque para o videomonitoramento e o cercamento eletrônico.

São mais de 1.300 equipamentos em operação, somando os utilizados pela Prefeitura Municipal e pela Brigada Militar.

O vice-prefeito da cidade, Coronel Volnei Ceolim — que atuou por mais de 30 anos na Brigada Militar — afirmou em entrevista à Rede ABC da Segurança Pública – Correio Brigadiano que diversas ações de gestões anteriores possibilitaram à administração do Prefeito Pedro Almeida intensificar ainda mais o combate à criminalidade.

— Todos sabemos que uma das piores situações para o criminoso é a sua identificação. Na medida em que ele corre risco de ser identificado e, consequentemente, preso, passa a atuar em outro local.

— Passo Fundo hoje apresenta um ambiente de difícil atuação criminosa, pois são mais de mil câmeras instaladas. Isso se deve ao fato de que a atual administração elegeu a segurança pública como uma de suas principais prioridades — afirmou o vice-prefeito.

Somente no Parque Linear da Avenida Brasil foram instaladas 38 câmeras, cujas imagens são transmitidas simultaneamente ao Centro de Operações do Município.

O Secretário de Segurança Pública, Tadeu Trindade — que também atuou por mais de 30 anos como sargento da Brigada Militar — acrescentou que a administração municipal entende a segurança como resultado de diversos fatores: presença física do agente, operações contínuas, educação, repressão, e, sobretudo, uso de tecnologias.

— Passo Fundo, há alguns anos, vem tratando a segurança pública de forma muito particular, e os resultados positivos estão se confirmando. Dificilmente crimes e ilicitudes são cometidos sem que os autores sejam identificados.

— Nas escolas municipais, por exemplo, temos no mínimo duas câmeras de monitoramento da DGT-Tecnologia, conectadas à nossa central de operações, todas com botão de pânico para pronto atendimento quando acionado por alguém em risco — sejam alunos, professores ou outros membros da comunidade escolar — acrescentou Trindade.

— Nos acessos à zona rural, no interior do município, as câmeras reforçam o cerco juntamente com as entradas principais, dificultando a fuga de criminosos. Parte dessas câmeras conta com sistema OCR, que permite a identificação de veículos envolvidos em ocorrências ou que circulam de forma irregular — explicou.

Além dos investimentos do município, a Brigada Militar, por meio do 3º RPMon, conta com uma central de monitoramento própria, que gerencia suas câmeras e recebe o espelhamento das demais imagens do município, promovendo total integração no compartilhamento de imagens e informações entre os agentes.

O Comandante do 3º RPMon, Tenente-Coronel Marcelo Scapin Rovani, relembra que as primeiras câmeras de monitoramento foram instaladas em 2004.

Segundo ele, a tecnologia tem sido uma grande aliada da segurança pública, facilitando especialmente o trabalho da inteligência policial. O reconhecimento facial, a identificação veicular e outros recursos não só contribuem para a prisão dos criminosos, como também servem como prova em processos judiciais.

CONFIRA NOSSA REPORTAGEM

BM compra mais quatro helicópteros e frota do governo do RS chegará a 16 aeronaves

Ainda este ano, Brigada Militar recebe um Esquilo e um Bell 429. Em 2027, duas aeronaves maiores, modelo AW169, serão recebidas pela força policial

Gabriel Jacobsen GZH

O governo do Estado adquiriu mais quatro helicópteros para a Brigada Militar (BM), dois dos quais recebidos e em operação ainda este ano. As aeronaves se somarão a uma frota de outros 12 helicópteros e aviões que estão à disposição da BM, Polícia Civil e Bombeiros.

As novas aquisições para a Brigada — dois helicópteros novos e outros dois semi-novos — custaram R$ 260 milhões. De acordo com a BM, a ideia é ampliar a capacidade da corporação em operações policiais e resgates.

O comandante-geral da BM, coronel Cláudio dos Santos Feoli, confirmou que a primeira das quatro aeronaves já está, na França, em processo de entrega técnica, momento no qual uma equipe da polícia checa o equipamento que foi adquirido. Trata-se de um helicóptero seminovo modelo H125, conhecido como Esquilo — único dos quatro adquirido com recursos do Fundo de Recuperação de Bens Lesados, gerido pelo Ministério Público.

O custo da aeronave, que chegará ao Rio Grande do Sul até o fim do ano, é de R$ 25,9 milhões. O helicóptero será trazido ao Brasil de navio e, antes de ser incorporado à frota, receberá pintura e equipamentos operacionais.

Além dele, a BM aguarda a chegada de um Bell 429, helicóptero biturbina com capacidade para voar à noite, recurso ausente nas aeronaves atuais. Segundo o comandante da BM, a aeronave foi adquirida com recursos do Estado, ao custo de R$ 58 milhões, e também será entregue em 2025.

Entregas em 2027

Outras duas aeronaves modelo AW169, da fabricante Leonardo, devem ser entregues em 2027. São dois helicópteros novos e mais robustos que os demais, com capacidade para transportar até 10 passageiros, além de piloto e copiloto.

De acordo com o coronel Feoli, cada um deles custará ao Estado cerca de R$ 90 milhões. Essas duas aeronaves também são biturbina e preparadas para voos noturnos.

— Esses helicópteros têm pouca limitação de voo, principalmente para resgates, se eventualmente nós tivermos situações extremas como as que nós tivemos nos últimos dois anos — disse Feoli.

Atualmente, a frota da BM conta com três helicópteros Esquilo, dois helicópteros Koala e duas aeronaves de asa fixa: um Grand Caravan e um King Air.

Com a ampliação da frota, a BM projeta a abertura de uma nova base aeropolicial em Santa Maria, somando-se às já existentes em Porto Alegre, Caxias do Sul e Capão da Canoa.

Leite anunciou compra de avião a jato, mas voltou atrás

A compra de um avião a jato também estava nos planos do governo, com uso de recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), previsto para a reconstrução do Estado após a enchente. A aeronave a jato custaria ao Estado cerca de R$ 95 milhões, conforme antecipado por Zero Hora, em 26 de março.

O plano gerou repercussão negativa para o governador Eduardo Leite. Adversários políticos alegaram que o governador estava tentando comprar o avião a jato para ser utilizado para atividades políticas.

Leite frequentemente se desloca para agendas no Interior com uso de aeronaves do governo do Estado. Em resposta à reportagem de Zero Hora, o governador afirmou que, do total de horas de uso das duas aeronaves atuais, menos de um quinto é destinado a deslocamentos do próprio chefe do Executivo.

Em 2 de abril, Leite anunciou que estava desistindo da compra do avião, uma vez que o debate, segundo o governador, estava ocorrendo a partir de “argumentos viciados e equivocados que foram trazidos na política e na imprensa”.

Lista de aeronaves do governo do Estado:

Aeronaves atuais da BM

  • 3 helicópteros Esquilo
  • 2 helicópteros Koala
  • 1 avião Grand Caravan
  • 1 avião King Air

Aeronaves atuais da Polícia Civil

  • 2 helicópteros Esquilo B3
  • 2 aviões bimotores Baron 58

Aeronave atual dos Bombeiros

  • 1 helicópteros Koala

Aeronaves compradas para a BM

  • 1 helicóptero Esquilo
  • 1 helicóptero Bell 429
  • 2 helicópteros AW169

* Informações da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP).

Falta de efetivo pode fechar plantão noturno dos Bombeiros em Flores da Cunha

Se o cenário não mudar, a população de Flores da Cunha enfrentará riscos maiores em incêndios, acidentes de trânsito e outras ocorrências que exigem resposta rápida.

Portal Leouve

Flores da Cunha – A partir de agosto, o quartel do Corpo de Bombeiros de Flores da Cunha pode fechar durante a noite. Das 20h às 8h, a cidade e toda a região ficariam sem atendimento local e passariam a depender exclusivamente da base de Caxias do Sul. O deslocamento mais longo comprometeria o tempo de resposta em emergências.

A medida extrema surgiu por falta de efetivo. O Governo do Estado ainda não enviou reforços para garantir a cobertura em regime integral. Sem os novos bombeiros, o comando local afirma não ter como manter a escala noturna.

Na manhã desta terça-feira (29) o prefeito César Ulian se reuniu com o vice-prefeito Marcio Rech, o secretário de Segurança Pública, Itamar Brusamarello, e o sargento Luis Henrique Silveira da Silva, responsável pelo 3º Pelotão em Flores da Cunha. O encontro discutiu alternativas para evitar o fechamento noturno do quartel.

“Estamos preocupados com o impacto que essa medida pode trazer para a segurança da nossa comunidade”, afirmou Ulian. “Seguimos mobilizados em busca de soluções junto ao Estado. Ainda há esperança de que o efetivo necessário seja encaminhado.”

Brigada Militar divulga previsão de convocações para o Curso Técnico em Segurança Pública

Brigada Militar divulga previsão de convocações para o Curso Técnico em Segurança Pública – Foto: Sd Morsh PM5

O Departamento de Ensino da Brigada Militar divulgou, nesta quarta-feira (16/7), a previsão de chamamentos para as novas turmas do Curso Técnico em Segurança Pública (CTSP). Ao todo, estão previstas quatro convocações, totalizando 807 candidatos aprovados em concurso interno.

A primeira chamada ocorrerá na próxima segunda, 21 de julho, com o ingresso de 200 alunos na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos (EsFAS), em Santa Maria.

Devem ocorrer outras convocações no decorrer deste semestre, conforme a evolução das etapas de formação.
Acompanhe as informações atinentes na aba Concursos 2025 do site da Brigada Militar, através do link: https://www.brigadamilitar.rs.gov.br/concursos-2025

As datas poderão sofrer ajustes conforme a necessidade administrativa e o andamento dos trâmites legais.

A ampliação das turmas e a distribuição entre unidades de ensino têm como objetivo fortalecer o efetivo da Corporação e atender à demanda por segurança pública em todas as regiões do Estado.

FONTE: BRIGADA MILITAR

Integração de dados e uso de tecnologia permitem avanços na segurança pública do RS

Câmeras corporais, centros integrados, análise de dados e inteligência artificial passaram a fazer parte da rotina de policiais militares em Porto Alegre

Por Rodrigo Thiel Correio do Povo

Uso de imagens de câmeras em tempo real, análise preditiva com dados atualizados, centralização da demanda. Ao ver policiais militares fazendo ronda nas ruas de Porto Alegre, muitas vezes as pessoas não conseguem identificar as camadas de tecnologia no dia a dia da segurança pública. Desde zerar a fila de espera em chamados de urgência até maior agilidade no tempo de atendimento de ocorrências, passando pela tomada de decisões estratégicas, integração de dados e uso de ferramentas inovadoras contribuíram para a ampliação da capacidade operacional da Brigada Militar (BM) e a redução de índices de criminalidade.

Segundo a BM, o uso da integração e da tecnologia permitiu a redução do tempo de resposta em 70% no Comando de Policiamento da Capital (CPC), onde as ferramentas foram inicialmente implementadas. Em vários momentos, a fila de espera de um chamado via telefone 190 é zero. O primeiro dia de emprego de parte das tecnologias, como as câmeras corporais, foi em 30 de setembro de 2024, inicialmente pelo 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

Pouco depois, os demais batalhões da Capital também passaram a utilizar o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). É nesta estrutura física que chegam as ligações via 190 e que, logo em seguida, são encaminhadas para ilhas responsáveis por cada um dos batalhões de polícia, que despacham as guarnições para as ocorrências. Além disso, no Copom, é possível monitorar e acessar com detalhes as imagens das cerca de 2,7 mil câmeras da Prefeitura de Porto Alegre e das 900 corporais utilizadas em patrulhamento.

Resultados já são registrados

A integração destas tecnologias, aliadas a outras ferramentas de gestão, refletiu em números. Um levantamento dos órgãos de segurança aponta que, em abril de 2025, o número de veículos roubados na Capital caiu para 1,8 por dia. Em 2016, o índice para este tipo de crime chegou a 40 registros diários. Além disso, o cercamento eletrônico através das câmeras e a maior praticidade no recebimento e despacho de ocorrências faz com que a recuperação de veículos roubados chegue a cerca de 60%, com um número expressivo de prisões relacionadas ao crime.

“Uma série de transformações foram promovidas. Até alguns anos, o registro da ocorrência era no papel. Hoje, o policial militar faz desde o registro até a consulta de placas e situação das pessoas no próprio celular, através de um aplicativo que a BM criou”, afirmou o comandante-geral da Brigada Militar, o coronel Cláudio dos Santos Feoli.

Feoli destaca ainda que novos avanços estão perto de ocorrer, como a possibilidade de conectar as imagens das câmeras corporais a bancos de foragidos. Atualmente, as imagens geradas são capazes de identificar apenas pessoas com registro de desaparecimento. Ele também prevê a expansão gradual, do Copom para outras cidades do RS, iniciando pelas regiões com maior população. Além de Porto Alegre, Caxias do Sul e Lajeado também possuem estruturas de centro de operações.

Integração de dados e tecnologia permitem avanços na capacidade operacional da BM
Central 190

Integração de dados e tecnologia permitem avanços na capacidade operacional da BM Central 190 | Foto: Ricardo Giusti

“Após essa experiência na Capital, pretendemos replicar o Copom em 21 comandos regionais, trazendo as demais forças de segurança e seus entes parceiros para dentro desse hub de solução de problemas do cidadão. É aquilo que ele se propõe, ser um centro integrado para que nós consigamos com rapidez atender uma ocorrência. A nossa ideia é que a chamada vá para um comando regional, que despacha uma viatura para aquele município próximo”, completou.

Outra ferramenta destacada pelo comandante-geral da BM é o sistema GESeg, que acompanha os dados em tempo real do combate à criminalidade e realiza análise com cenários para próximos dias e meses, auxiliando na tomada de decisões. A ferramenta ainda não utiliza inteligência artificial, mas um mecanismo de análise da série histórica e que realiza a interpretação destes dados.

“São dados científicos que ajudam na tomada de decisões e que têm nos ajudado muito. Eles indicam horários e locais de maior incidência. É uma gestão por resultado que nos leva a fazer reforços no policiamento e traçar estratégias. Por isso, a importância do registro da ocorrência”, ressaltou o coronel Feoli.

Este tipo de análise e interpretação ajudou a BM no aumento de 166% na apreensão de drogas até o final de junho de 2025 no RS, se comparado com o mesmo período em 2024. Até o momento, foram 18,5 toneladas apreendidas, volume que é 2,6 vezes maior do que toda a apreensão no ano anterior. “A melhor forma de sermos mais efetivos no atendimento da população e enfrentamento da criminalidade é agregando tecnologia”, concluiu o comandante-geral.

Policiais destacam uma maior praticidade

Atual comandante do CPC, o coronel Fábio da Silva Schmitt foi também o comandante do 9º BPM durante a implantação do uso de câmeras corporais nos policiais militares de Porto Alegre. Ele avalia como positiva a utilização da ferramenta e cita que os equipamentos já se tornaram um instrumento de serviço essencial para o policial, assim como o armamento. Além delas, ele destaca o uso de drones em patrulhamento em batalhões da Capital, cujas imagens já serviram como provas em processos judiciais.

“O uso das câmeras dá maior respaldo para o profissional, garante a integridade física e moral do policial e os direitos individuais dos cidadãos, em especial pelo efeito apaziguador que tem. A câmera reforça a transparência e legitimidade das ações policiais, otimizando a percepção de segurança da população, e consolida uma cultura legalista nas intervenções feitas pela BM. Ela é importante também por fomentar processos de inovação e modernização da instituição”, avalia.

Além das câmeras corporais e drones, o tenente-coronel Cristiano Moraes, comandante do Copom de Porto Alegre, aponta que a BM está desenvolvendo uma ferramenta com uso de inteligência artificial para identificar padrões comportamentais anômalos a partir do acompanhamento das imagens das câmeras de monitoramento, alertando para possíveis ocorrências. “O que conseguimos hoje não seria possível sem a tecnologia. Claro, temos o empenho das equipes nas ruas, mas precisamos de mais tecnologia. É isso que tem nos permitido reduzir crimes violentos, roubos a pedestres, veículos e estabelecimentos comerciais. Mas isso tudo sem o policial na rua não funciona”, aponta Moraes.

Integração de dados e tecnologia permitem avanços na capacidade operacional da BM
Copom

Integração de dados e tecnologia permitem avanços na capacidade operacional da BM Copom | Foto: Ricardo Giusti

Mais agilidade

Na ponta da segurança pública, o incremento feito com o uso da tecnologia é visto com bons olhos, principalmente por agilizar e dar mais praticidade para o atendimento da ocorrência. Policiais do 9º BPM, os soldados Douglas Madruga e Layon Sudati já consideram as ferramentas como parte da rotina. “A câmera corporal trouxe uma segurança a mais tanto para o policial como para a pessoa que está sendo atendida na ocorrência, por conta da gravação das imagens servir como prova. Além disso, caso precise, o pessoal aqui no Copom tem acesso ao vivo. Além da câmera, também utilizamos os aplicativos no celular, que nos ajudam a gerenciar a ocorrência de forma mais rápida. É notável que, depois da aplicação destas melhorias, o tempo desde a chegada da ocorrência até o despacho e o atendimento dela caiu muito. Isso ajudou bastante”, explica Madruga.

Uma das ferramentas que eles destacam como facilitadoras para o trabalho policial é um aplicativo desenvolvido que auxilia no despacho para a ocorrência. O sistema emite um alerta sonoro quando chega uma demanda. “Às vezes, o próprio rádio comunicador demora, enquanto no celular está ali, de forma mais rápida. Com isso, ligamos a câmera e vamos para a ocorrência. Ele também apresenta um mapa, que ajuda muito indicando tempo e a rota mais rápida para deslocar. Agora está tudo muito mais ágil”, conclui Sudati.

Recursos já empregados no Estado

  • Análise preditiva: através de um sistema interno na segurança pública, é feita uma análise baseada em dados que estimam cenários relacionados à criminalidade. Isso auxilia os gestores na tomada de decisões sobre contingente e táticas de policiamento.
  • Copom: o Centro Integrado agiliza o atendimento de ocorrências e realiza monitoramento de imagens em tempo real, tornando mais eficiente o combate à criminalidade nas cidades onde tem estrutura, como Porto Alegre, Caxias do Sul e Lajeado.
  • Câmeras corporais: atualmente, são 900 câmeras à disposição do efetivo da Capital. Esses equipamentos são de uso diário de policiais militares em Porto Alegre. Contam com dois modos de operação, sendo o principal o modo de transmissão de imagem e áudio em tempo real durante o atendimento de uma ocorrência.
  • Cercamento eletrônico: as câmeras de monitoramento são espalhadas pela cidade para registrar entrada e saída de veículos, auxiliando no atendimento e acompanhamento de ocorrências, como crimes de roubo de veículos.
  • Drones: os equipamentos são utilizados em grandes eventos, operações táticas e situações de risco, com transmissão ao vivo das imagens para o Copom. Isso auxilia a na tomada de decisão de maneira mais rápida e eficiente.
  • Vídeo em nuvem: a utilização de imagens geradas por câmeras integradas ao sistema do Copom geraram a captação de 986 mil vídeos armazenados em nuvem nos primeiros oito meses de aplicação da tecnologia, com uma média de 4 mil gravações por dia, que poderão ser utilizados como prova.
  • Aplicativos: a BM também tem investido no desenvolvimento de aplicativos para uso diário dos policiais militares, que auxiliam na elaboração do boletim de ocorrência, emitem avisos sonoros para despacho de guarnições e apresentam rotas para deslocamento no trânsito, entre outras funcionalidades.

Previsão de novidades

  • Inteligência artificial na análise de imagens permitirá o monitoramento contínuo para identificar padrões comportamentais, alertando para aqueles que podem se configurar como uma ocorrência policial. Atualmente, a IA é utilizada na identificação de pessoas em situação de desaparecimento.
  • Aplicativo para a população deve permitir o acionamento de atendimento policial, servindo como um braço operacional do telefone 190, além de outras funcionalidades.
  • A expectativa da BM é expandir a estrutura do Copom para 21 comandos regionais no Estado, iniciando pelas cidades e regiões com maior população no RS.

BM vai ampliar uso de câmeras corporais para quatro cidades da Região Metropolitana nos próximos meses

Novas 250 câmeras devem contemplar agentes de Gravataí, Viamão, Alvorada e Cachoeirinha

Renê Almeida GZH

A Brigada Militar (BM) planeja ampliar o uso de câmeras corporais nas fardas dos policiais para quatro cidades da Região Metropolitana até o começo do próximo ano. Um aditivo de 25% no contrato atual dos equipamentos, que estão em uso em Porto Alegre, vai permitir a aquisição de mais 250 câmeras. Serão beneficiadas as cidades de Gravataí, Viamão, Alvorada e Cachoeirinha.

De acordo com o subdiretor de tecnologia da informação e comunicação (DTIC) da BM, tenente-coronel Moacir Almeida Simões Júnior, o contrato com a empresa que fornece as câmeras foi assinado no início de julho. Agora, há um prazo de seis meses para adequação dos quartéis.

— Para colocar as câmeras em operação, o quartel tem que ter uma estrutura de energia elétrica permanente, a rede de dados, que a própria empresa fornece, e o treinamento — afirma.

Após esses passos, um cronograma deve ser enviado pela empresa para implementação gradual das câmeras. De acordo com o tenente-coronel Simões, os 250 equipamentos são suficientes para todo o efetivo das quatro cidades da Região Metropolitana. Em casos excepcionais, no mínimo um policial por equipe deve estar usando a câmera.

Recursos nacionais

Outro caminho para a ampliação das câmeras no Estado é um edital Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em que o RS foi selecionado, já enviou a documentação e aguarda a assinatura do convênio para que o recurso de R$ 23,6 milhões seja repassado. Não há prazo para que isso aconteça.

O aporte será destinado à compra de 1.745 equipamentos para cidades gaúchas com mais de 100 mil habitantes. Seriam beneficiadas Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Santa Maria, Passo Fundo, Erechim, Pelotas, Rio Grande, Bagé, Uruguaiana.

O investimento será de R$ 24,1 milhões, sendo R$ 500 mil aportados como contrapartida do governo estadual. Neste valor, estão incluídas as câmeras, equipamentos acessórios e softwares para a gestão das gravações.

Com a ampliação do contrato na Região Metropolitana, mais este edital federal, a quantidade de câmeras corporais em uso por policiais no Rio Grande do Sul subiria de mil para cerca de 3 mil.

Câmeras em operação

Atualmente, há mil câmeras em uso pela Brigada Militar, todas em Porto Alegre. São 910 distribuídas pelos batalhões da Capital e outras 90 usadas pelo Departamento de Ensino da Brigada e pelo 4º Regimento de Polícia Montada.

O sistema é gerenciado por três departamentos dentro da BM. O DTIC faz a gestão do contrato e do sistema como um todo, sendo responsável pelo suporte técnico. A Corregedoria da BM tem acesso às imagens gravadas. Já o Centro de Operações de Polícia Militar, monitora em tempo real as câmeras nas ocorrências que demandem apoio ao policial em atendimento.

Polícia Penal forma 383 novos servidores penitenciários no RS

Cerimônia de formatura foi realizada nesta terça-feira na PUCRS, em Porto Alegre

Correio do Povo

O governo do Estado realizou nesta terça-feira (27) a formatura de 383 novos servidores, que vão integrar o quadro da Polícia Penal. A solenidade ocorreu no Salão de Atos da Pontifícia Universidade Católica ica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.

Entre os novos servidores, ingressam no quadro da Polícia Penal 321 agentes penitenciários, 51 agentes penitenciários administrativos e 11 técnicos superiores penitenciários. Todos foram aprovados no concurso realizado em 2022 e empossados neste ano. Eles passaram pelo Curso de Formação Profissional, organizado pela Escola do Serviço Penitenciário (ESP) e com duração de aproximadamente três meses.

Presente na solenidade, o governador Eduardo Leite, destacou a importância do papel dos servidores penitenciários.

“Seguiremos investindo na Polícia Penal, tanto em equipamento como em fortalecimento do efetivo, com a convicção de que segurança se faz com estrutura, mas também com dignidade para quem está na linha de frente”, afirmou Leite.”

Para o secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, a chegada de novos servidores faz parte do processo de fortalecimento do sistema penal gaúcho. “O Estado investe em estruturas e equipamentos, mas também naqueles que vestem a farda e assumem o dever público com coragem e compromisso. Com inteligência, investimento e integração, hoje nós estamos entregando para a Polícia Penal esses jovens servidores. Mais do que garantir a ordem, esses profissionais são fundamentais para transformar realidades, e valorizar quem atua no sistema é garantir um serviço público mais eficiente e humano”, disse Pozzobom.

Em abril deste ano o estado realizou a formatura de outros 41 agentes penitenciários e de uma agente penitenciária administrativa. Segundo o governo do Estado, desde 2019 foram chamados mais de 4 mil aprovados em concursos públicos para o quadro da instituição.

Brigada Militar recebe 159 viaturas e reforça policiamento em 52 cidades

Renovação da frota e equipamentos qualificam atuação dos policiais

Deslocamentos mais rápidos, operações mais eficazes e melhor proteção tanto para os agentes quanto para os cidadãos. Estas são algumas das melhorias que proporcionam as novas 159 viaturas entregues na manhã desta sexta-feira (23/5) pelo Governo do Estado à Brigada Militar.

A solenidade contou com as presenças do governador Eduardo Leite, do secretário da Segurança Pública, Sandro Caron, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel PM Cláudio dos Santos Feoli, do secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, entre outras autoridades. A entrega ocorreu na Avenida Padre Cacique, 1.365, Porto Alegre.


Com esse investimento, o governo do Estado reafirma seu compromisso com a valorização das instituições de segurança e o fortalecimento do policiamento ostensivo, aproximando as forças de segurança das necessidades reais das comunidades gaúchas, afirma o governador Eduardo Leite. A renovação da frota e a incorporação de equipamentos modernos visam qualificar a atuação das forças policiais, melhorando a capacidade de resposta e o patrulhamento ostensivo, enfatiza o comandante coronel PM Feoli.

Mais instituições

Ao todo, além de helicópero para a Polícia Civil, foram entregues 280 viaturas, armamentos e equipamentos beneficiando todas as instituições de segurança do Estado, em um investimento total de cerca de R$ 140 milhões. Para a Secretaria de Segurança Pública (SSP), estão sendo destinadas 242 viaturas: 190 para a Brigada Militar, 39 para o Corpo de Bombeiros Militar (CBM), nove para o Instituto Geral de Perícias (IGP), três para a Polícia Civil e uma para o órgão central da SSP.
Os novos veículos irão contemplar as forças de segurança em 62 municípios. Além disso, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Instituto Geral de Perícia e Brigada Militar estão sendo contemplados ainda com equipamentos como armamentos, escudos balísticos, botes, roupas neoprene, luvas de combate à incêndio e outros itens que totalizam mais de 4,2 mil unidades. Já a Polícia Penal, vinculada à Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo, está recebendo 29 viaturas-cela semiblindadas, oito ônibus, um guincho e três kits de tecnologia anti-drone.


Texto: jornalista Marcelo Miranda – servidor civil/PM5/Brigada Militar

 Foto: PM5

Brigada Militar recebe 159 viaturas e
 reforça policiamento em 52 cidades
Brigada Militar recebe 159 viaturas e
 reforça policiamento em 52 cidades

Justiça suspende concurso público para o quadro de Oficiais da Brigada Militar

Edital previa o ingresso direto no posto de Capital, o que não é permitido pela lei federal

Correio do Povo

Está suspenso temporariamente o concurso público destinado ao ingresso no Curso Superior de Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Sul, que dá acesso à carreira de militares estaduais de nível superior da Brigada Militar, no quadro de Oficiais.

A decisão liminar, desta segunda-feira, é da Juíza de Direito Marina Fernandes de Carvalho, da 7ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, que considerou a presença dos requisitos para concessão da medida – a probabilidade do direito invocado e o perigo de dano ou o risco ao resultado do processo.

Trata-se de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), com pedido de tutela de urgência, para suspensão de concurso público. O autor da ação sustenta, em síntese, que o edital violaria a Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, especialmente ao prever o ingresso direto no posto de Capitão, contrariando a exigência legal de ingresso inicial como cadete, seguida de progressão hierárquica na forma estabelecida pelo novo diploma federal.

A Juíza destacou que seria atribuição da União legislar sobre normas gerais das polícias militares estaduais. Afirmou que a nova lei federal, revogou as normas estaduais incompatíveis, “ao estabelecer de forma clara e vinculante que o ingresso no QOEM deve se dar pela condição de cadete, com progressão na carreira mediante critérios de antiguidade e merecimento”.

“Importa observar, ainda, que a Lei Federal nº 14.751/2023 não prevê qualquer norma de transição ou ressalva aplicável a novos concursos, o que reforça a necessidade de imediata adequação das seleções públicas aos novos parâmetros nacionais”, frisou.

“Assim, reconhece-se que há fortes indícios de que o art. 3º da Lei Complementar Estadual nº 10.992/1997, ao prever o ingresso direto no posto de Capitão, foi tacitamente revogado pela superveniência da Lei Federal nº 14.751/2023, norma geral federal editada no exercício da competência privativa da União”, explicou.

A magistrada citou ainda jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal, que assentou que cabe aos Estados apenas editar normas suplementares e organizar suas corporações em consonância com as diretrizes e princípios estabelecidos pela legislação federal, sendo inconstitucional qualquer extrapolação desse limite, sob pena de insegurança jurídica e afronta ao pacto federativo.

Já no que se refere ao perigo de dano, a Juíza considerou que encontra-se caracterizado pela iminência de realização do certame e possível nomeação de candidatos ao cargo em desconformidade com a legislação federal vigente, o que pode acarretar nulidade dos atos administrativos subsequentes, além de risco à moralidade administrativa e ao erário, dada a previsão de remuneração incompatível com o posto legalmente admissível (cadete).

“O periculum in mora se acentua diante do estágio atual do certame, ainda na fase de inscrições, o que recomenda a intervenção judicial imediata, a fim de evitar prejuízos mais amplos à Administração e aos próprios candidatos”, asseverou.

A magistrada determinou que o Estado do Rio Grande do Sul proceda à comunicação ao Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo, responsável pela execução do certame.