Governo do RS diz que vai manter escolas estaduais cívico-militares

Foto: EEEM Carlos Drummond de Andrade/Divulgação

No RS, há 18 escolas estaduais sob este modelo. Atuam nessas instituições policiais militares da reserva do estado. Fim do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim) foi decidido em conjunto pelos ministérios da Educação e Defesa e comunicado aos secretários de Educação dos estados.

O governo do Rio Grande do Sul informou, nesta quinta-feira (13), que pretende manter no mesmo regime e com recursos próprios as escolas cívico-militares administradas pelo estado. O RS possui um modelo próprio escolas cívico-militares, paralelo ao Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim).

No modelo estadual, fazem parte 18 escolas em todo o RS. Já referentes ao Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim), existem 25 escolas no estado. “Em relação a essas, do Pecin, o Estado seguirá o cronograma que for repassado por Brasília por se tratar de iniciativa do governo federal”, explicou a secretaria de Educação.

Sobre as escolas do programa estadual, o governo do RS diz que não haverá mudanças. “Atualmente, o Rio Grande do Sul possui 18 escolas estaduais que aderiram ao programa. O governo do Estado irá manter o que já está em andamento“, diz a Secretaria da Educação do RS em nota.

Na quarta (12), o Governo Federal anunciou o encerramento do programa implantado em 2019. O fim do Pecim foi decidido em conjunto pelos ministérios da Educação e Defesa e comunicado aos secretários de Educação de todos os estados.

  • Fim das escolas cívico-militares: decisão não acaba com militarização, dizem especialistas

Criado em 2019, o programa de escolas cívico-militares permitia a transformação de escolas públicas para o modelo cívico-militar. O formato propunha que educadores civis ficassem responsáveis pela parte pedagógica, enquanto a gestão administrativa passava para os militaresSaiba mais sobre o projeto extinto abaixo.

Na nota, o governo do RS ressalta que, no modelo gaúcho, a “adesão se dá por meio de consulta pública junto à comunidade escolar e utiliza policiais militares da reserva como monitores“. Ainda segundo o governo, “serão mantidos os militares estaduais” que atuam nas instituições.

As escolas cívico-militares administradas na esfera municipal terão a transição comandada pelo Governo Federal, de acordo com o governo do RS.

O governo do RS ainda avalia que, nas 18 escolas cívico-militares da esfera estadual, “a avaliação da comunidade escolar quanto ao funcionamento é positiva“.

O programa

Criado em setembro de 2019, o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares começou a ser posto em prática no ano seguinte. Foi proposto com o objetivo de diminuir a evasão escolar e inibir casos de violência escolar a partir da disciplina militar.

O formato estabelecia uma cooperação entre MEC e Ministério da Defesa para dar apoio às escolas que optassem pelo novo modelo, bem como na preparação das equipes civis e militares que atuariam nessas instituições.

O programa descrevia que a parte pedagógica da escola permaneceria com os educadores civis, mas a gestão administrativa da instituição seria feita por militares.

  • Dentro da sala de aula, as escolas têm autonomia no projeto pedagógico. As aulas são dadas pelos professores da rede pública, que são servidores civis.
  • Fora da sala de aula, militares da reserva atuam como monitores, disciplinando o comportamento dos alunos. Eles não têm permissão para interferir no que é trabalhado em aula ou ministrar materiais próprios.

Alto investimento para baixa escala

💵 Custo do programa: Apesar de representar uma parcela mínima das escolas públicas do país, em 2022, a verba prevista para o Pecim era de R$ 64 milhões. O valor é quase o dobro do montante listado para implantação do Novo Ensino Médio, que era de R$ 33 milhões.

De 2020 a 2022, a fatia do orçamento do MEC destinada ao programa mais do que triplicou. No primeiro ano de funcionamento, a verba era de R$ 18 milhões.

Especialistas ouvidos pelo g1 no fim do ano passado ressaltaram que faltam dados públicos que comprovassem a eficácia do programa. Não se sabe, por exemplo, detalhes sobre o desempenho dos alunos que frequentam essas escolas, o que permitiria traçar um paralelo com o período pré-militarização.

Desmobilização das Forças Armadas

De acordo com o ofício enviado aos secretários estaduais, haverá uma desmobilização do pessoal das Forças Armadas dos colégios, e, com isso, a adoção gradual de medidas que possibilitem o encerramento do ano letivo dentro da normalidade.

A decisão conjunta do Ministério da Educação e do Ministério da Defesa dá fim ao que era uma das prioridades do governo na gestão Bolsonaro.

Policiais da Brigada Militar de Rio Grande salvam homem na praia do Cassino

Nesta segunda-feira (10/7), na praia do Cassino, em Rio Grande, após solicitação de apoio ao Serviço de Antendimento Móvel de Urgência (Samu), dois policiais do 6° Batalhão de Polícia Militar (6°BPM), salvaram a vida de um homem que estava em surto e entrou no mar aberto.

Os PMs, mesmo com muita dificuldade e arriscando suas vidas, tiveram sucesso no salvamento, retirando o homem de dentro do mar revolto. A ação dos brigadianos foi acompanhada por familiares do indivíduo, que, momentos antes, havia fugido do atendimento médico. 

Os policiais ingeriram água e ficaram com hipotermia. Logo após o resgate, os militares foram levados de ambulância para atendimento de urgência, onde permaneceram em observação e, no final da noite do da segunda, foram liberados. Todos passam bem. 

Policiais militares adentram o mar para salvar homem – Foto: Reprodução/BM

Comunicação Social do CRPO Sul/Sd Taiara Cabreira

Fonte : Brigada Militar

Assembleia Legislativa homenageia Brigadianos que arriscaram a vida nos salvamentos do ciclone

PORTO ALEGRE – Reconhecimento pela bravura e coragem dos soldados Nicolas e Amaral, ao colocarem suas vidas em risco para realizarem ato de salvamento.

No dia 16 de junho, o nosso Estado foi atingido por fortes chuvas, decorrentes de um ciclone. Na cidade de São Leopoldo, o Arroio Kruse transbordou, ocasionando uma fenda no asfalto das redondezas.

Os Soldados entraram na água para realizarem um resgate, mesmo sem meios apropriados ou equipamentos necessários. Enfrentando uma forte correnteza, os policiais formaram uma corrente humana entre si, conseguindo alcançar uma das vítimas presas em um veículo e trazê-la em segurança até as margens da pista.

Agradeço a presença do Tenente Coronel Goi, Comandante do 25° batalhão da Brigada Militar, demais oficiais, familiares e amigos dos soldados e, mais uma vez, parabenizo por este ato heroico.

Em momentos de crise é que se revela a solidariedade. Centenas de pessoas, muitas delas anônimas, deram exemplo, e as forças de segurança foram fundamentais.

Elizandro Sabino – Deputado

Fotos – Gabinete Deputado Elizandro Sabino

Nos dois anos do incêndio no prédio da SSP, fotos inéditas mostram bastidores da operação de busca e resgate

Exposição “Ninguém fica para trás” reúne 30 imagens captadas pelo fotógrafo Rodrigo Ziebell 

JULIANA BUBLITZ GZH

Há dois anos, o antigo prédio da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), em Porto Alegre, era consumido pelas chamas, levando dois bombeiros à morte. Os bastidores do trabalho de busca e resgate – que se estendeu por uma semana, de forma ininterrupta e incansável – foram registrados em detalhes pelo fotógrafo Rodrigo Ziebell e deram origem à exposição “Ninguém fica para trás”.

Em 30 fotos impactantes e inéditas, Ziebell, que é soldado da Brigada Militar e, à época, atuava no setor de Comunicação da secretaria, junto do então secretário e vice-governador Ranolfo Vieira Jr, revela a obstinação das equipes do Corpo de Bombeiros em meio aos escombros. 

Ele foi testemunha ocular do esforço dos profissionais envolvidos na missão de encontrar os colegas desaparecidos – o sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós, 51 anos, e do tenente Deroci de Almeida da Costa, 46, que foram localizados e receberam as devidas homenagens.

— Não foi fácil. Passei os sete dias lá, registrando tudo. Foi uma das coberturas mais difíceis que já fiz — conta Ziebell, que hoje é fotógrafo do vice-governador, Gabriel Souza.

Com curadoria do jornalista Carlos Ismael Moreira, a mostra está em cartaz até o dia 20 de julho, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, no primeiro andar da nova sede da SSP (Av. Pernambuco, nº 649), no bairro Navegantes, em Porto Alegre. A entrada é franca.

As fotos da exposição fazem parte de um conjunto de centenas de imagens

As fotos da exposição fazem parte de um conjunto de centenas de imagens

Leo Fouchard / Divulgação

Ziebell trabalhava no prédio da SSP 

Ziebell trabalhava no prédio da SSP 

Paula Neiman / Divulgação

PMs leopoldenses são homenageados por atuação no ciclone que atingiu a cidade em junho

Soldados do 25º BPM, Nicolas Garcia e Ariadine Amaral realizaram salvamento no Arroio Kruze, no bairro Santo André

Por PRISCILA CARVALHO JORNAL NH

Dois soldados da Brigada Militar (BM) leopoldense foram homenageados na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e no Comando-Geral da BM, ambos com sede em Porto Alegre, por suas atuações durante a passagem do ciclone extratropical que atingiu a região em junho.

Na madrugada da sexta-feira, 16 de junho, os policiais do 25º Batalhão de Polícia Militar (25º BPM), soldado Nicolas Lucas Garcia, 38 anos, e soldado Ariadine de Oliveira do Amaral, 24, estavam de serviço no turno da noite, durante a tempestade que atingiu o município.

Eles contam que patrulhavam locais onde poderia ocorrer alagamentos e, no bairro Santo André, perceberam que o Arroio Kruze estava subindo rapidamente e já saía para fora de seu leito. Com as sirenes, efeitos luminosos da viatura e com a ajuda do megafone disponível no veículo, eles circularam pelo bairro para avisar os moradores e pedir que deixassem suas residências.

“Não pensamos muito. Foi no instinto”

Ao passarem pelo pontilhão sobre o arroio, notaram que o asfalto da via estava cedendo e, diante do perigo iminente, os dois balizavam o trânsito próximo para que os veículos não passassem. Um veículo, porém, deslocou para o local onde a enxurrada rompeu a via e a água acabou por arrastar o carro para dentro do arroio. Mesmo sem meios para tal, os soldados formaram uma corrente humana entre si, entraram na água e realizaram o salvamento de uma das vítimas, que já estava com o corpo submerso. Infelizmente, outro passageiro, irmão do que foi salvo, acabou não conseguindo sair do veículo.

Emocionados em lembrar da ocorrência, os soldados reforçam que não havia nada previsto ou premeditado. “Não pensamos muito. Foi no instinto da ocorrência, como vimos toda a situação desde o início, só pensamos que havia alguém dentro daquele carro e tentamos chegar o mais próximo possível do veículo. Não tínhamos nenhum mecanismo ou acessório pra salvamento”, contou Nicolas. “A correnteza era muito forte a água levava tudo. Soltou o asfalto e vinham blocos de asfalto do tamanho de um carro popular”, acrescentou.

Com a voz embargada, Nicolas lembra ainda que no momento do resgate, sem saber, a sua casa e da colega Amaral, estavam enchendo de água. “Na minha casa a água dava na altura da canela. Mas na casa da Amaral, que mora na Feitoria, foi pior, a água estava pela cintura e ela perdeu muitas coisas”.

Na Assembleia e no Comando-geral da BM

Na Assembleia, a homenagem foi proposta pelo deputado Elizandro Sabino, que parabenizou os soldados pela bravura e coragem em seu ato heroico ao colocar suas vidas em risco para realizar o salvamento.

Depois, os policiais e suas famílias participaram de ato no Comando-Geral da BM, onde foram recebidos e homenageados pelo comandante-geral, coronel Cláudio dos Santos Feoli, e subcomandante-geral, coronel Douglas da Rosa Soares. O comandante do 25º BPM, tenente-coronel Alexsandro Goi, e colegas da corporação leopoldense também acompanharam as ações.

“Essa homenagem e reconhecimento, tanto da Assembleia Legislativa quanto do Comando da Brigada Militar, materializando as ações dos policiais militares de São Leopoldo, além de prestigiar os bravos integrantes da unidade, também dão ampla notoriedade não só ao 25ºBPM, mas à própria Brigada Militar, que todos os dias cumpre um papel indelével na defesa e proteção da sociedade gaúcha”, disse o tenente-coronel Goi.

Momento único

À reportagem, os soldados falaram sobre o reconhecimento recebido e afirmaram estarem vivendo um momento único na carreira. “Sempre atuei na rua, onde passamos por muitas situações. E passar por uma situação onde fomos homenageados, onde nosso serviço foi elogiado, pra mim é um momento único. Estou muito feliz”, disse Nicolas, que tem 13 anos de corporação. Ele também destacou o fato de seus familiares, a esposa e os dois filhos, Samuel, 9 anos, e Martina, 4, poderem prestigiar o ato. “Nunca imaginei passar por isso, com meus pais vendo tudo. Isso é fruto da criação deles”.

“Com apenas dois anos e meio na corporação, nunca esperei passar por algo dessa magnitude”, colocou a soldado Ariadine Amaral. “Acredito que a farda pesa de formas diferentes para cada policial militar. Eu aguardei três anos para iniciar o curso de formação, depois que passei no concurso. Sei o quanto pesou pra mim essa escolha. Meu marido também é policial militar e estar lá comigo, vivendo isso, é algo de muito orgulho. Não tem como colocar palavras”, concluiu.

Governo Lula decide encerrar programa de escolas cívico-militares, implementado por Bolsonaro

As estratégias para reintegrar unidades de ensino à rede regular de ensino deverão ser implementadas até o final deste ano letivo

GZH

Em conjunto com o Ministério da Educação e o Ministério da Defesa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encerrar o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), implementado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. As escolas não serão fechadas, e as medidas para finalizar o programa e incorporar novamente os espaços à rede regular de ensino são de responsabilidade de cada Estado.

Segundo o documento, que foi encaminhado aos secretários de Educação do país, as mudanças deverão ser implementadas até o fim do ano letivo atual. Os ministérios ressaltam, também, a importância de que a transição seja feita gradualmente e com cuidado, garantindo que as escolas consigam manter a rotina e as conquistas mobilizadas pelo Programa, sem que os alunos sejam afetados.

O ofício, enviado nesta segunda-feira (10), permite o início do “processo de desmobilização do pessoal das Forças Armadas”. Ainda, o documento estabelece que “as definições estratégicas específicas de reintegração das Unidades Educacionais à rede regular de ensino” deverá ser definida, planejada e implementada por cada Estado, com base em regulamentação que ainda não foi divulgada. 

As escolas cívico-militares eram uma das bandeiras do ex-presidente Jair Bolsonaro. Instituído em 2019, pelo decreto nº 10.004, o objetivo estabelecido foi “promover a melhoria na qualidade da educação básica no Ensino Fundamental e no Ensino Médio”. Segundo o Ministério da Educação, são 216 unidades escolares com esse formato, que atendem mais de 192 mil alunos em todos os Estados. No Rio Grande do Sul, existem 43 escolas desse modelo — 25 cadastradas no Pecim e 18 em um programa estadual inspirado no nacional.

Uma nota técnica obtida pelo Estadão cita motivos para o fim do Pecim. Entre eles, estão o desvio de finalidade das Forças Armadas, um problema de execução orçamentária no programa, falta de coesão com o sistema educacional brasileiro e também com o modelo pedagógico adotado nas escolas.

A E.E.E. Médio Cívico-Militar Alexandre Zattera, em Caxias do Sul, é uma das 43 escolas desse modelo no Estado Neimar De Cesero / Agencia RBS

Como é o trabalho do Canil do Corpo de Bombeiros, que atua há 20 anos em buscas e salvamentos  

Quatro duplas formadas por cachorro e adestrador trabalham em operações no RS e outras seis estão em treinamento

LUIZ DIBE GZH

A conexão entre humano e cão é há muito conhecida, a ponto de o animal, muitas vezes, ser chamado de “melhor amigo do homem”. Nas atividades de busca e salvamento, esta ligação tem como designação a palavra binômio: como se cachorro e adestrador fossem um só.

No próximo sábado (15), o êxito desta parceria será celebrado com a passagem dos 20 anos do Canil da Companhia Especial de Busca e Salvamento (CEBS) do Corpo de Bombeiros. Atualmente, o grupamento, que tem sua sede no Cais Mauá, em Porto Alegre, mantém quatro binômios prontos para atuar em operações decorrentes de desastres naturais ou estruturais, além de seis outras duplas em treinamento.

— Havia no passado o entendimento de que se tratava de uma importante ferramenta, mas hoje temos uma visão mais significativa. Trata-se de uma comunhão, uma relação de confiança que se estabelece entre humano e animal sob o propósito especial de preservar e salvar vidas — define o comandante da CEBS, tenente-coronel Ricardo Mattei Santos.

O emprego dos binômios pelo grupamento dos bombeiros teve sua história constituída de uma forma um pouco casual. Em 2003, o sargento Gerson Meireles, que era soldado à época, imergiu no ambiente de criação de cães, motivado pela ideia de incorporar os talentos caninos ao trabalho dos bombeiros militares.

— Não tinha esta determinação oficialmente. Foi tudo por iniciativa de algumas pessoas que acreditavam nesta possibilidade. Eu mesmo fui atrás do primeiro candidato ao treinamento, em canis da Região Metropolitana — conta Meireles.

A primeira busca

Corpo de Bombeiros / Divulgação
Sargento Meireles com o cão Luck, o primeiro “herói” do grupo fundado em 2003, que atuou por 14 anos em salvamentosCorpo de Bombeiros / Divulgação

O escolhido tinha o destino traçado: nasceu num criadouro de labradores no dia 2 de julho, Dia do Bombeiro Brasileiro. Levou o nome de Luck, sorte na língua inglesa.

Nos primeiros meses de vida e treinamento, Luck viajava de ônibus, dentro de uma caixa de papelão ajeitada por seu tutor bombeiro. Chegavam ao quartel e dedicavam as horas livres a testes de habilidades e estudos para aprimoramento dos treinos.

— A vida melhorou um pouco e eu comprei um carrinho. Passamos a vir para o trabalho de Fusca. Depois de um certo tempo, já tínhamos treinado bastante. Havia um desenvolvimento perceptível, mas nunca havia sido colocado em prática — lembra o adestrador.

A oportunidade surgiu naquele mesmo ano. A Polícia Civil fazia buscas em um caso de desaparecimento, que, segundo investigação, tinha características de homicídio com ocultação do cadáver. O caso ocorreu no Morro da Cruz, na Capital.

— Fomos chamados pelo delegado do caso. Chegamos ao local das buscas e havia dezenas de policiais civis e militares trabalhando, veículos de imprensa e gente da comunidade. Quando vi todo aquele pessoal, congelei na viatura. Pensei: “Imagina se falharmos diante de todas estas pessoas. Vamos virar piada e o trabalho todo vai por água abaixo” — recorda o sargento Meireles.

Segundo ele, o responsável pela investigação se aproximou e disparou: 

— São vocês que vão encontrar o cadáver pra mim?

Luck entrou em ação ao lado de seu treinador.

— Ele andou no terreno e parou ao lado de uma cocheira. Começou a farejar com mais intensidade. Não tive nem sequer tempo de analisar a situação. Me perguntaram: “É aí? Podemos começar a cavar?” — lembra o bombeiro.

Timidamente, Meireles assentiu, sem falar:

— Sem convicção nenhuma. Mas o que eu poderia dizer?

Minutos se passaram. Os policiais impacientes se entreolhavam, enquanto cavavam o buraco.

— Lá pelas tantas, uma das pás ressonou um barulho diferente, seco, mais audível. Saiu o peso do mundo de cima dos meus ombros. O corpo tinha sido encontrado — diz, em tom que ainda é de comemoração.

No dia seguinte, o comandante da CEBS chamou Meireles e outros para uma reunião. Vieram duas revelações: a primeira era de que os participantes da iniciativa estavam sendo congratulados pelo êxito do trabalho. A segunda era de que a CEBS teria, dali por diante e oficialmente, a tarefa de treinar cães e homens para se tornarem os binômios que hoje prestam relevantes contribuições à sociedade gaúcha.

Para se ter uma ideia, entre 2018 e o primeiro semestre de 2023, as equipes atuaram em 258 ocorrências de busca, salvamento ou encontro de restos biológicos humanos.

Conforme o tenente-coronel Romeu Rodrigues da Cruz Neto, primeiro comandante do Canil da CEBS e atual chefe de Logística do Departamento de Comando e Controle Integrado da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado, a experiência da qual ele fez parte transformou uma cultura.

— A gente havia ficado impressionado com a utilização dos cães nos resgates após a tragédia do World Trade Center, em Nova York, e achou que poderia ser útil para os bombeiros gaúchos também. O tempo nos mostrou algo muito maior: a superação de preconceitos para a criação de uma nova cultura de efetividade no trabalho de segurança, de visão institucional e de reconhecimento pela sociedade. Em um aspecto ainda mais significativo para nós, uma mudança de visão de vida, relação com os animais e com o meio ambiente — define Cruz Neto.

Modelos de treinamento

De acordo com o sargento Alexandre Furtado, as definições técnicas de treinamento aplicadas ao trabalho de segurança pública estão organizadas em três modalidades principais. Entenda abaixo cada uma delas:

Resgate de pessoas vivas

O cão é treinado para encontrar pessoas perdidas em ambiente natural, mesmo sob condições climáticas e terrenos hostis, para localizar vítimas de desastres estruturais, como deslizamentos que atingem moradias ou acidentes em edificações.

Um exemplo desta aptidão é o labrador chocolate Bono. Brincalhão com sua bolinha de tênis sempre na boca, mesmo aos 10 anos e perto da aposentadoria, este inteligente cachorro atuou em diversas ações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, como no caso do escoteiro desaparecido no Cânion da Fortaleza, e integrou a força-tarefa nas buscas pelos sobreviventes da tragédia envolvendo a ruptura da Barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, em 2019. Trabalhou ao lado de seu adestrador, o sargento Gerson Meireles.

O treinamento consiste em registrar odores humanos em diferentes objetos para que o cachorro aprenda a identificar e rastrear o caminho percorrido pela pessoa perdida e determinar sua localização. São utilizados brinquedos e peças de roupa com cheiro deixado pela transpiração, contato com a pele e resíduos de saliva, que são frequentemente renovados para manter o odor vivo.

São utilizados percursos planejados, veículos de terra, água e ar, diferentes terrenos para que o animal jamais tenha objeção a investigar os potenciais cenários de um salvamento.

André Ávila / Agencia RBS
Labrador chocolate Bono, alegre e brincalhão, é o vovô da turma atualAndré Ávila / Agencia RBS

Resgate de restos biológicos humanos 

Os animais são ensinados, por meio de experiências pelo contato com odores e, sobretudo, gases provenientes da decomposição de tecidos humanos, a localizar e apontar a presença de material biológico sem vida.

A prática é realizada para encontro de cadáveres abandonados ou escondidos por criminosos e também para busca de pessoas falecidas em desastres.

Uma das integrantes da CEBS com tal qualificação é a Guria, uma simpática representante da raça pastor belga malinois. A bichinha é treinada pelo sargento Alexandre Furtado Silveira, que a selecionou em uma ninhada de pastores aos 45 dias de vida e acompanha diariamente seu desenvolvimento até hoje.

Para demonstrar atividades e expressar a relevância da atuação, o tutor da cachorrinha, que está com quatro anos, administra um perfil institucional na rede Instagram, chamado @guriabombeira, onde há fotos e relatos.

André Ávila / Agencia RBS
Guria, da raça pastor belga malinois, é herdeira do talento exercido por seus antecessoresAndré Ávila / Agencia RBS

Buscas por odor específico

A terceira modalidade de treinamento tático realizada na CEBS é a das buscas pelo odor específico de pessoas, definida quando o alvo da procura é uma pessoa em especial. Tal qualificação se assemelha às representações que são vistas em filmes e séries de ação policial, nas quais o treinador oferece uma peça de roupa da pessoa procurada e o cão parte em busca de sua localização.

Na unidade dos bombeiros da Capital, a pequena Melt, de apenas quatro meses de vida, está em treinamento para adquirir esta habilidade.

Conforme seu adestrador, soldado bombeiro Eugênio Goulart, o treino consiste em determinar um alvo, normalmente designado como “figurante” na ação, o qual geralmente é um outro adestrador que esteja disponível.

Esta pessoa deve se esconder em diferentes cenários, a diversas distâncias e relevos, utilizando artifícios como obstáculos físicos, obstrução do caminho ou do contato visual, para que Melt resolva o enigma e encontre o alvo.

O odor deste figurante é impregnado em algum objeto para ser reconhecido. Ao final, diante do sucesso no encontro do alvo, os bichinhos recebem recompensas, que podem ser carinhos, brinquedos ou guloseimas.

André Ávila / Agencia RBS
Melt, de apenas quatro meses, está em treinamento para reconhecer odores e localizar alvos específicosAndré Ávila / Agencia RBS

Tempo de trabalho e aposentadoria

De acordo com os treinadores da CEBS, cada animal tem seu tempo de atividade e reconhecimento ao descanso após atingir estágio avançado de maturidade, segundo as próprias características biológicas. Alguns trabalham por cerca de 10 anos, até chegarem a um perceptível declínio de seu vigor físico e sensorial. Após a jornada de serviço prestado à sociedade, invariavelmente os cães permanecem até o final da vida com seus tutores, estabelecendo o fechamento no elo de cumplicidade e amizade criado no início do treinamento.

É o caso do primeiro personagem apresentado na reportagem, precursor da atuação de cães junto aos bombeiros gaúchos, o labrador preto Luck. Quando faleceu, o herói de inúmeros resgates ao lado do sargento Meireles foi cremado.

— Suas cinzas estão em uma urna. Pedi aos meus familiares, pois ninguém vive para sempre, que ao final da vida eu seja cremado. Nossas cinzas sejam unidas e depositadas próximo à Pedra do Segredo, no Cânion da Fortaleza, em Cambará do Sul. Vamos fertilizar juntos nova vida na natureza — aponta o adestrador.

Futuro da Cebs é virar batalhão

Atual comandante do Canil da Companhia Especial de Busca e Salvamento, a capitã Cátia Cilene Gonçalves revela que há esforços para elevar a CEBS ao status de batalhão, o que definirá mais acesso a recursos humanos, animais, materiais e estruturais.

— Estamos prestes a nos tornarmos um batalhão, o que demonstra a importância desta atividade apaixonante à qual nos dedicamos aqui. Há muita alegria por parte de todos ao sabermos como os resultados trazem benefícios e reconhecimento da sociedade — analisa a capitã formada na primeira turma de oficiais do Corpo de Bombeiros Militares do Rio Grande do Sul.

Facção que atacou policiais civis e militares é alvo de operação na zona Sul de Porto Alegre

Três mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em condomínio residencial popular no bairro Chapéu do Sol

Correio do Povo

A facção, cujos integrantes atiraram contra policiais civis e militares, foi alvo ao amanhecer desta terça-feira da operação Sacrificius da Polícia Civil e da Brigada Militar na zona Sul de Porto Alegre. A organização criminosa, sediada no Vale do Rio dos Sinos, é responsável por abastecer com entorpecentes os bairros na região da Capital.

O titular da 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (4ªDPHPP), delegado Marcus Viafore, explicou que a investigação começou em 9 de junho passado, após agentes da segurança pública serem atacados a tiros, durante cinco minutos, ao apurarem uma execução em uma área de tráfico de drogas que havia ocorrido no dia anterior no bairro Chapéu do Sol. As viaturas foram atingidas. Logo após o ataque, quatro indivíduos foram presos em flagrante pelo crime de tentativa de homicídio. “Havia no local várias pessoas, as quais tiveram suas vidas expostas a risco”, recordou.

Nesta manhã foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e outros sete mandados de busca e apreensão por cerca de 120 policiais civis e militares em um condomínio residencial popular. Os três suspeitos investigados, todos com extensas fichas de antecedentes criminais, foram detidos na ação. Drogas, munição, rádios comunicadores e motocicleta foram recolhidos.

Dois helicópteros de ambas instituições participaram da mobilização, que contou ainda com a atuação do efetivo tático da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil.

O diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mario Souza, frisou que “a tentativa de homicídio de policiais, os quais estão a serviço da lei e da sociedade, é um ato gravíssimo realizado pelo crime organizado” e que “os executores, principalmente os líderes, serão investigados e punidos com prisão, lavagem de dinheiro, revista em presídio e transferências para presídios de segurança máxima por terem autorizado tal ato contra policiais civis e militares”.

Organização criminosa do Vale do Rio dos Sinos é responsável por abastecer com drogas a região | Foto: PC / Divulgação / CP

Localizado corpo do sargento da reserva na Usina Hidrelétrica Passo Fundo, em Trindade do Sul

Buscas eram realizadas após policial militar aposentado Sérgio Antônio Berti cair do barco há 11 dias

Correio do Povo

A Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul anunciaram na manhã desta terça-feira a localização do corpo do segundo sargento da reserva Sérgio Antônio Berti, 62 anos de idade, que havia desaparecido no lago da Usina Hidrelétrica Passo Fundo, entre os municípios de Trindade do Sul e Entre Rios do Sul.

A vítima havia caído nas águas quando conduzia um barco no dia 1º deste mês. Durante 11 dias, uma operação de busca foi montada na área pelos efetivos do 3º Batalhão Ambiental da Brigada Militar (3º BABM) e do 7° Batalhão de Bombeiros Militar (7º BBM), com apoio em terra do 13º BPM.

Toda a extensão do lago da barragem, ultrapassando os mais de nove mil metros quadrados de área, foi percorrida com as embarcações. Mergulhadores atuaram diariamente na tentativa de localizar o policial militar aposentado desde então.

Efetivos do 3º BABM, 7º BBM e 13º BPM estavam mobilizados na área | Foto: 3º BABM / Divulgação / CP

Lei orgânica PMs e BMs está na pauta da CSP do Senado para terça-feira(11)

Projeto lista 37 garantias como uso privativo dos uniformes e distintivos até porte de arma

A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado deve votar na terça-feira (11) o Projeto de Lei (PL) 3.045/2022, que estabelece normas gerais para organização das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares. O debate foi requerido pelos senadores Ivete da Silveira (MDB-SC) e Esperidião Amin (PP-SC) para discutir o impacto do texto na atuação de bombeiros civis voluntários.

O projeto foi proposto em 2001 pelo governo Fernando Henrique Cardoso para criar a chamada lei orgânica nacional da categoria, prevista pela Constituição Federal, mas até hoje inexistente. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2022 e é relatado no Senado por Fabiano Contarato (PT-ES), que rejeitou as oito emendas apresentadas, mantendo o texto como veio da Câmara.

Segundo Ivete da Silveira (MDB), o texto inviabiliza os grupos de bombeiros civis voluntários, que não poderão ser denominados “bombeiros” e terão o associativismo cidadão prejudicado.

“A iniciativa será um duro golpe nos cerca de quatro mil municípios brasileiros (80% do total) que ainda não contam com serviços próprios de atendimentos a emergências. Além de ser desastrosa para os mais de cem municípios que, por força de suas próprias comunidades, mantêm serviços de corpos de bombeiros voluntários”, argumenta a senadora em seu requerimento.

Direitos e deveres
O projeto em análise prevê a exigência de nível superior para todos os cargos, que valerá a partir de seis anos da publicação da lei. Outra regra prevista assegura o direito de expressão dos militares, desde que manifestem suas opiniões em caráter individual, sem usar símbolos, fardas ou patentes de suas corporações.
O projeto também lista 37 garantias para os profissionais das corporações, que incluem uso privativo dos uniformes e distintivos, porte de arma, seguro contra acidentes de trabalho e pensão para cônjuge ou dependente.

Fonte: FENEME