Governador Eduardo Leite é convidado para a CPI do Crime Organizado por RS ser considerado um dos Estados “mais seguros”

Comissão Parlamentar de Inquérito foi instalada nesta terça-feira (4) no Senado Federal. Secretário da Segurança também foi chamado

Agência Brasil

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi convidado para participar da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado (CPI), instalada nesta terça-feira (4) no Senado, por ser o chefe do Executivo de um dos Estados considerados “mais seguros” do Brasil. O secretário de Segurança do RS, coronel Mario Ikeda, também deve ser convidado.

No total, 11 governadores foram chamados. Dos considerados mais seguros, foram convidados os representantes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal.

Dos Estados considerados “menos seguros”, foram convidados os governadores e secretários de Segurança do Amapá, Bahia, Pernambuco, Ceará e Alagoas. 

Os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo entram na lista não por serem mais violentos ou mais seguros, “mas porque são base original das principais facções criminosas do Brasil”, explicou o relator Alessandro Vieira (MDB-SE).

— Requeiro que sejam convidados a comparecer a esta comissão, a fim de, em conjunto com a sua equipe técnica das áreas de inteligência, investigação e sistema prisional, apresentar sua visão sobre o crime organizado no Brasil e a sua experiência própria — argumentou Vieira.

A comissão tem 120 dias para produzir um diagnóstico sobre o crime organizado no Brasil e propor medidas para combater facções e milícias. Foi aprovado ainda requerimento que pede urgência na tramitação na Câmara dos Deputados de propostas legislativas sobre segurança pública aprovadas no Senado.

Especialistas

A CPI do Crime Organizado ainda aprovou um requerimento apresentado pelo relator para ouvir especialistas em segurança pública ou pessoas com “notória experiência” em atuação na área.

Entre eles, está o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo Lincoln Gakiya, “pela larga experiência na questão relacionada ao PCC”; Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; e os professores e pesquisadores Joana da Costa Martins Monteiro e Leandro Piquet Carneiro.

O relator da CPI também pediu para ouvir profissionais que atuam na comunicação “relacionada a crimes — jornalistas investigativos, comentaristas e consultores”.

A CPI também aprovou requerimento com pedidos de informações para aos ministérios da Segurança Pública e da Defesa referente ao controle de armas, e relatórios de inteligência produzidos sobre facções criminosas ou milícias.

— Nós falamos aqui várias vezes, ao longo dos últimos sete anos, da dificuldade que nós temos para identificar e rastrear armas de fogo e munições no Brasil — disse o relator, ao justificar os pedidos de informações.

Quem são os policiais mortos da operação no Rio de Janeiro

Entre os 13 agentes de Segurança Pública feridos está um delegado que teve perna amputada após ser atingido por bala de fuzil

Humberto Trezzi GZH

A mais mortífera operação policial da história brasileira, que resultou em 121 mortos na terça-feira (28), foi também letal para policiais envolvidos nela. Dois agentes da Polícia Civil e dois PMs do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram mortos durante a ação de ocupação de dezenas de favelas dos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, ocupadas pelo Comando Vermelho.

Outros 13 policiais foram baleados.

Os mortos

Policiais civis

Marcus Vinícius Cardoso, o Máskara, 51 anos: era inspetor e foi promovido a comissário na véspera da operação contra o Comando Vermelho. Ele ingressou na corporação em 1999, na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), onde ganhou o apelido por lembrar o personagem do filme estrelado por Jim Carrey. Entre seus feitos mais notórios está o de investigar e ajudar a prender Elias Maluco, líder do CV que torturou e matou o jornalista Tim Lopes.

Marcus trabalhou também na 18ª DP (Praça da Bandeira) e chefiava, atualmente, o Setor de Investigações da 53ª DP (Mesquita).

Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos: inspetor da 39ª DP (Pavuna), estava na Polícia Civil havia menos de dois meses. Ele era lotado numa das regiões mais violentas da Zona Norte, responsável por investigações nos complexos do Chapadão e da Pedreira. Deixa esposa e uma filha pequena. Nas redes sociais, a esposa de Rodrigo prestou homenagem ao marido: 

“Hoje, a dor da sua ausência é imensurável e nos rasga a alma, mas preciso encontrar forças para te dizer adeus e honrar a memória de quem você foi: um herói em sua profissão e um gigante em nossa vida… Sua dedicação como policial civil era a prova do seu coração corajoso. Você partiu cumprindo sua missão de proteger a sociedade, e isso é um legado de bravura que jamais será esquecido. Você era um homem de princípios, de fibra e de uma coragem que inspirava a todos.”

De acordo com a Polícia Civil, Máskara e Cabral foram atingidos logo após a entrada das equipes ao Complexo da Penha, quando traficantes do Comando Vermelho reagiram a tiros e montaram barricadas em chamas. Eles chegaram a ser levados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiram.

Policiais militares

Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos: era terceiro sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e ingressou na corporação em 2008. Deixa esposa e uma filha.

Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos: também terceiro sargento do Bope, ele deixa esposa, dois filhos e um enteado. 

Os dois PMs foram baleados com intervalo de minutos, em confrontos na Vila Cruzeiro, também durante o avanço das tropas pela comunidade. Foram socorridos e encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas, mas morreram por causa dos ferimentos.

Os feridos

Dos 13 servidores da Segurança Pública atingidos, nove são policiais militares. Eles foram encaminhados ao Hospital Central da PM (HCPM), no bairro do Estácio. De acordo com informações da corporação, dois permanecem em estado grave e outros seguem estáveis, mas em observação. Os nomes e patentes não foram divulgados.

Os outros quatro feridos são da Polícia Civil. O caso mais delicado é o do delegado Bernardo Leal Annes Dias, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Ele foi baleado na veia femoral, perdeu muito sangue e precisou passar por cirurgia de emergência no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca. Durante o procedimento, os médicos amputaram uma perna para salvar tentar sua vida.

A notícia causou forte comoção entre colegas. Nas redes sociais, policiais prestaram solidariedade ao delegado e destacaram sua dedicação no combate ao tráfico. Familiares organizam vigílias em frente aos hospitais, pedindo orações pela recuperação de todos os feridos.

Governo do RS oferece apoio das forças da segurança gaúchas ao RJ

Eduardo Leite ligou para o governador fluminense, Cláudio Castro, nesta quarta-feira (29)

Gabriel Jacobsen GZH

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, repetiu na manhã desta quarta-feira (29) o gesto de outros governadores do país e ofereceu ao Rio de Janeiro apoio de forças de segurança pública gaúchas. A ajuda foi ofertada em uma ligação do líder do Executivo gaúcho para o governador fluminense, Cláudio Castro.

A comunicação ocorreu um dia após uma megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha que se revelou a mais letal da história do Estado do Rio. Segundo a Defensoria Pública fluminense, foram mais de 130 mortos.

Um grupo de governadores de direita que tenta participar do debate nacional sobre segurança pública realizou uma reunião virtual na manhã desta quarta. Por estar em outro compromisso de governo, Leite não integrou o encontro realizado a distância, mas fez questão de falar diretamente com Castro.

O líder do Executivo de Santa Catarina, Jorginho Mello, articula a realização de uma reunião presencial dos governadores do Sul e Sudeste nesta quinta-feira (30) à tarde no Rio de Janeiro. Caso a reunião se confirme, há possibilidade de o governador gaúcho alterar a agenda e participar da atividade.

Além de Mello e Leite, buscam participar politicamente do debate nacional sobre segurança pública o governador de Goiás, Ronaldo Caiado; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Plano contra violência policial na BA prevê até prêmio em dinheiro para reduzir mortes por PMs

No ano passado, 1.556 pessoas morreram durante operações policiais no território baiano

Estadão Conteúdo

O governo da Bahia, Estado com a polícia mais letal do País, elaborou um plano com metas e ações para reduzir em pelo menos 10% por semestre os índices de pessoas mortas em decorrência de ações das forças de segurança.

A violência é um dos principais gargalos de quase duas décadas de gestões petistas (Jaques Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues), com a ascensão de facções criminosas e falhas na resposta do poder público ao problema, com a intensificação de confrontos sangrentos.

Há dois anos, a alta da letalidade na Bahia fez o governo Luiz Inácio Lula da Silva acelerar o lançamento de um pacote anticrime – a segurança pública é uma das principais insatisfações do eleitor em relação ao poder público federal.

No ano passado, 1.556 pessoas morreram durante operações policiais na Bahia – quatro óbitos por dia, segundo o anuário do Fórum de Segurança Pública. O número supera, sozinho, as mortes em intervenções policiais registradas em dois populosos Estados brasileiros: São Paulo e o Rio de Janeiro, que registraram 1.516 mortes, também conforme o anuário.

As novas diretrizes foram elaboradas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) em parceria com outras pastas estaduais e instituições que integraram o programa “Bahia pela Paz”. Procurada pela reportagem para comentar a iniciativa, a pasta não se manifestou.

O documento, que é público, é guiado por três eixos. O primeiro prevê aperfeiçoar regras e protocolos de atuação, com a padronização de procedimentos operacionais que assegurem o uso proporcional da força e priorizem a preservação da vida.

O segundo eixo revê práticas operacionais em locais e horários sensíveis – como áreas próximas a escolas, hospitais e outros equipamentos públicos. Em 161 dos 200 dias letivos de 2023, alunos assistiram a aulas, em Salvador, cercados por tiroteios nas imediações, segundo o Instituto Fogo Cruzado.

Os policiais que contribuírem para a redução das mortes em operações serão remunerados pelo prêmio por desempenho policial, benefício que já existe. Hoje, esses óbitos não são considerados no cálculo do bônus quando se mede a violência de uma região. O valor atual dos prêmios varia de R$ 371 a R$ 2.476, segundo o Portal do Servidor do governo da Bahia.

Plano prevê mais capacitação, apoio e câmeras corporais

Pela primeira vez, o governo da Bahia reconhece oficialmente, em documento público, o “uso recorrente da força letal” por agentes de segurança, fenômeno que o próprio texto descreve como reflexo da “cultura de confronto”. Segundo o diagnóstico, essa prática alimenta ciclos de violência, desconfiança e hostilidade entre policiais e comunidades.

O plano tem duração até 2027, e fixa metas específicas para cada período. Para este ano, já estão previstas a instituição de protocolo que baseie as ações policiais em critérios técnicos, a inclusão das mortes por agentes do Estado no programa de bônus e a intensificação de operações balizadas pelo setor de inteligência. Mais de 40% dos confrontos armados em 2023 foram em rondas de rotina, calcula a Coordenação de Gestão Estratégica (CogER).

Entre as medidas propostas para 2026, estão capacitar 30% do efetivo em protocolos de prevenção ao uso excessivo da força, ampliar em 30% os registros por câmeras corporais e aumentar a taxa de resolutividade dos Inquéritos Policiais instaurados para 50%. Em 2027, estima o plano, essa resolutividade deve subir para 70%.

Isso representaria elevação de produtividade de quase 50%, em comparação a 2024, quando só 295 dos 1.251 inquéritos para investigar mortes em confrontos foram concluídos.

Entre os principais desafios para cumprir as novas metas, o governo destaca não só dificuldades internas, mas o avanço das facções criminosas em cidades pequenas e zonas rurais. Contra isso, o plano cita a intensificação de investigações que possam estrangular o quebra-cabeça econômico dessas organizações criminosas e melhorias das investigações relacionadas a crimes violentos letais e intencionais e mortes em intervenções legais.

Proposta exige boa gestão, diz pesquisador

A proposta de um plano para reduzir a letalidade policial na Bahia apareceu no radar, publicamente, em outubro de 2023. Naquele mês, o Ministério Público, durante audiência pública, propôs criar um plano para redução de mortes decorrentes de intervenção policial na Bahia, que contasse com a participação da sociedade e de entidades e organizações não governamentais.

“Reconhecer que o problema existe é importante. O que acho, agora, é que se deve ter atenção na implementação e no acompanhamento do plano”, avalia Sandro Cabral, professor de Estratégia e Gestão Pública no Insper e licenciado da Escola de Administração da UFBA.

Autor de pesquisas sobre gestão de desempenho no setor público, Cabral destaca a possível ambiguidade da inclusão da redução das mortes por intervenção policial no programa de premiações, que ele vê com bons olhos.

“Por que é importante? Tem um incentivo para evitar mortes evitáveis. É um argumento econômico. Se ‘dói no bolso’, pode ser objeto de escrutínio da tropa. Isso, somado aos protocolos anunciados, traz situação melhor”, diz.

“Mas isso precisa ser cumprido”, continua o pesquisador, “e quem trabalha com os indicadores precisa de inteligência para saber, por exemplo, se um policial não vai evitar confrontos necessários para bater metas. Com boa gestão, e acompanhando outros indicadores de esforço, como número de apreensão de armas, isso pode ser verificado e coibido.”

Governo federal anuncia R$ 170 milhões para programa que visa fortalecer guardas municipais

Lançamento da iniciativa foi feita nesta quarta-feira pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski

Agência Brasil

O Ministério da Justiça anunciou mais de R$ 170 milhões em recursos para o Programa Município Mais Seguro, criado para fortalecer a segurança pública nos municípios por meio da valorização de suas guardas municipais enquanto parte integrante do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O programa foi detalhado nesta quarta-feira (22), em Brasília, pelo ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça.

Estão previstos mais de R$ 170 milhões em recursos relacionados ao programa apenas na primeira etapa. A maior parte deles (R$ 100 milhões) terá como destino o Projeto Nacional de Qualificação do Uso da Força, para a disponibilização de “instrumentos de menor potencial ofensivo” como espingardas e armas de incapacitação neuromuscular (que dão choque em seus alvos), espargidores (líquidos como spray de pimenta) e coletes à prova de bala.

Cerca de R$ 65 milhões irão para o Projeto Nacional de Polícia Comunitária. Os recursos serão voltados ao aprimoramento da gestão da segurança pública municipal e ao fortalecimento das guardas municipais ou metropolitanas. Para a capacitação dessas guardas serão investidos cerca de R$ 5,7 milhões.

Atuação global

Durante a cerimônia de lançamento do programa, no Ministério da Justiça, Lewandowski disse que as organizações criminosas estão atuando de forma global, e que isso torna necessário, às forças de segurança, uma atuação “holística, estruturante e inteligente” de abrangência local, nacional e internacional.

Ao mesmo tempo, a atuação dessas forças tem de ir além da força bruta, disse o ministro: 

— A tarefa de atacar o crime é complexa e fica ainda mais complicada quando executada simplesmente mediante a força bruta e mediante ações policiais, ainda que estas sejam claramente necessárias. (…) É preciso aplicar a inteligência a esse combate. É preciso fugir das soluções simples e pontuais, muitas vezes de caráter legislativo, como aumento de penas e endurecimento de regimes prisionais — acrescentou.

Na avaliação do ministro, o programa vem em boa hora, após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter dado uma nova função para as guardas municipais, deixando de ser uma guarda meramente patrimonial, passando a exercer o policiamento urbano e comunitário. 

— Com esse programa, vamos avançar bastante a sensação de segurança para os cidadãos — enfatizou.

Capacitação

Para capacitar os profissionais das guardas estão previstos cursos de formação integrados visando a prevenção da violência e o uso qualificado e diferenciado da força.

Um deles é o de operador de polícia comunitária aplicada, voltado especialmente à atuação preventiva e comunitária em territórios vulneráveis. Um outro curso será o de atuação nas Patrulhas Maria da Penha, voltado a um atendimento mais “capacitado, humanizado e articulado” a mulheres em situação de violência.

Está também previsto um curso nacional para uso diferenciado da força, visando a padronização de práticas operacionais, “conforme diretrizes éticas e legais nacionais e internacionais”.

Editais

Uma chamada pública será feita pelo Ministério da Justiça visando a seleção de projetos municipais. Para tanto, estão previstos dois editais: um para apoiar a estruturação da gestão da segurança pública municipal (R$ 15 milhões); e outro para o fortalecimento das guardas municipais (R$ 50 milhões). Os recursos são do Fundo Nacional de Segurança Pública.

“Os investimentos contemplam projetos nas áreas de gestão, governança, equipamentos, tecnologia, capacitação e valorização profissional”, informou, em nota, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). 

Por fim, está prevista a divulgação de uma pesquisa nacional que servirá de diagnóstico das guardas municipais – uma parceria entre Senasp, Universidade Federal de Viçosa e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com base em mais de 1,2 mil guardas civis.

“Os resultados subsidiarão a formulação de políticas públicas e o fortalecimento da governança e da gestão municipal em segurança pública, fomentando a cooperação entre União, estados e municípios”, informou o Ministério da Justiça.

Câmara aprova pacote de segurança que eleva pena de homicídio contra policiais e pune ‘novo cangaço’

Propostas elevam punições para crimes contra agentes públicos e criam tipo penal específico para o ‘novo cangaço’

Agência o Globo

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira um pacote de três projetos de segurança pública que amplia o rigor da legislação penal e reforça o combate ao crime organizado. As propostas tratam do endurecimento das penas para homicídios de policiais, da criação do crime de “domínio de cidades” – prática conhecida como “novo cangaço” – e do aumento da repressão a facções e organizações criminosas.

A votação faz parte da pauta positiva conduzida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que busca priorizar temas de consenso entre base e oposição. As medidas foram aprovadas por unanimidade e seguem agora para o Senado Federal.

Entre os textos, está o projeto que cria o crime de “domínio de cidades”, de autoria do deputado Coronel Assis (União-MT) e relatado por Capitão Alberto Neto (PL-AM). O novo tipo penal prevê pena de até 30 anos de prisão e define como crime a ação de quadrilhas armadas que bloqueiam vias, cercam municípios, usam explosivos e armas de grosso calibre e atacam agências bancárias, prédios públicos ou forças de segurança.

Hoje, esses ataques são enquadrados em roubo qualificado e porte ilegal de armas, com penas que raramente ultrapassam 12 anos. Com a mudança, o crime passa a ser considerado hediondo, o que impede anistia, graça, indulto e restringe a progressão de regime.

— Não se trata apenas de conter o crime, mas de restabelecer a capacidade constitucional do país. Nenhuma organização criminosa pode se sobrepor à lei — afirmou o relator, Capitão Alberto Neto.

O texto foi motivado por ataques como os registrados em Criciúma (SC), Araçatuba (SP) e Confresa (MT), em que grupos fortemente armados sitiaram cidades e atacaram bancos e forças policiais.


Na mesma sessão, os deputados aprovaram um projeto de autoria do deputado Coronel Ulsses (União-AC), que aumenta as penas para homicídios e agressões cometidos contra policiais, agentes penitenciários, magistrados e membros do Ministério Público. O texto inclui essas condutas na lista de hediondos e eleva a punição para homicídio contra agentes do Estado de 20 a 40 anos de reclusão.


A proposta também amplia as penas para lesão corporal contra esses servidores – que podem variar de 2 a 20 anos, conforme a gravidade -e abrange aposentados e familiares quando o crime estiver relacionado ao exercício da função pública.

Segundo o autor, a medida busca “reconhecer o risco inerente à atividade policial e reforçar a proteção aos profissionais que defendem a sociedade”. Ele citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que registraram 173 policiais assassinados em 2022, a maioria fora do horário de serviço.


O terceiro eixo do pacote é de autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF) e relatoria do Coronel Ulysses, que altera a legislação para aumentar a repressão aos crimes praticados por organizações criminosas. A proposta fortalece a Lei das Organizações Criminosas e busca atacar as estruturas de financiamento e comando das facções, ampliando a responsabilização penal de seus integrantes e apoiadores.

Com esses três projetos, o pacote de segurança aprovado pela Câmara forma um bloco articulado de endurecimento penal e valorização das forças de segurança, usado por Hugo Motta como vitrine de uma agenda de resultados e baixo custo político.

Caso as propostas sejam aprovadas pelo Senado Federal, seguirão para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais fé, menos política: pesquisa Genial/Quaest mostra como os brasileiros confiam nas instituições

A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostra que há larga diferença na confiança que o brasileiro deposita em instituições como a igreja e polícias militares

Por Felipe Nunes |  CEO da Quaest

A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostra que há larga diferença na confiança que o brasileiro deposita em instituições como a igreja e polícias militares, de um lado, e partidos políticos, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, de outro. Enquanto que 73% da população diz confiar na Igreja católica, por exemplo, apenas 36% confia em partidos, uma diferença de 37 pontos percentuais.

Por si só, este dado mostra uma hierarquia de credibilidade: enquanto instituições ligadas à fé e à força mantêm números mais altos de confiança, aquelas que estruturam a democracia têm a confiança de parcela diminuta da população.

Conforme a pesquisa Genial/Quaest também mostra, outro fenômeno importante é o crescente desgaste de confiança nos últimos 4 anos em praticamente todas as instituições que analisamos.

A erosão da confiança

Entre 2022 e 2025, a desconfiança se espalhou praticamente por todas as instituições. Calculamos um saldo simples de mudança para contabilizar essa queda: subtraímos o percentual de pessoas que dizem confiar em uma instituição do percentual de pessoas que desconfiam dela. Com este indicador, o percentual de brasileiros que não confiam na Polícia Militar e nas Forças Armadas subiu 10 pontos. O mesmo movimento ocorreu com o Congresso Nacional, enquanto os partidos políticos acumularam um aumento de 9 pontos de desconfiança. Até mesmo o STF e a imprensa, instituições fundamentais para a democracia, viram esse sentimento crescer, respectivamente 7 e 6 pontos.

A queda generalizada não é um fenômeno isolado: ela acompanha a trajetória recente do país, marcada por polarização, crises políticas e disputas de narrativas.

Quando a confiança depende do voto

Os dados mostram que a confiança institucional não é distribuída de forma uniforme. Ela é fortemente influenciada pelo voto e pelo posicionamento político dos cidadãos.

Entre os eleitores de Lula, por exemplo, a confiança nas igrejas evangélicas caiu, sobretudo após 2024, já durante o atual governo. No campo oposto, os eleitores de Bolsonaro passaram a demonstrar desconfiança nas Forças Armadas, especialmente entre 2022 e 2024, um indício de que a frustração com a ausência de um “golpe” tenha impactado a percepção desse grupo.

STF também ilustra bem essa mudança de rota: até 2023, era alvo de críticas principalmente entre lulistas. Mas, desde 2024, a desconfiança passou a crescer entre bolsonaristas e até entre eleitores que se abstiveram no segundo turno de 2022.

Imprensa e o Congresso no meio do caminho

Se em 2023 os eleitores de Bolsonaro ainda se dividiam sobre a imprensa, em 2025 quase 60% já a veem com desconfiança. Do outro lado, 67% dos eleitores de Lula afirmam confiar no trabalho jornalístico. O resultado é uma mídia que, para boa parte do país, virou mais um campo de disputa ideológica.

Já o Congresso Nacional conseguiu algo raro: perder confiança em todos os grupos. Lulistas, bolsonaristas e até os que se abstiveram em 2022 aumentaram o nível de desconfiança no Legislativo. A instituição aparece, assim, como um denominador comum no desgaste político.

Polarização e desconfiança

O retrato final da pesquisa é o de uma cada vez menor confiança em instituições, além de polarização. Para a direita, instituições como igrejas evangélicas, redes sociais e a Polícia Militar são as mais confiáveis. Já para a esquerda, o pilar da confiança se apoia em imprensa, STF e Presidência da República. A confiança deixou de ser apenas um indicador de credibilidade, portanto, para se transformar em reflexo da polarização.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 12.150 pessoas entre os dias 13 e 17 de agosto de 2025. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos.

Capitão Augusto: Um Verdadeiro Representante dos Militares Estaduais no Congresso Nacional

Apoio das Entidades Nacionais de Segurança Pública

Nesta semana, as Entidades Nacionais e suas associadas em todo o Brasil — que juntas representam mais de meio milhão de profissionais da segurança pública — manifestaram apoio ao Deputado Federal Capitão Augusto (PL-SP).
O reconhecimento se deve à sua atuação firme na Câmara dos Deputados contra pautas que prejudicam policiais e bombeiros, além da constante defesa dos direitos e garantias de todos os militares estaduais, independentemente de posto ou graduação.

Um Parlamentar de Todos os Militares

A atuação do Capitão Augusto é amplamente reconhecida por todas as corporações militares, do Soldado ao Coronel. Ele nunca restringiu sua defesa a uma categoria específica, colocando-se sempre como fiel escudeiro das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros de todo o Brasil.

Ao longo de sua trajetória, o deputado apresentou dezenas de proposições em favor da segurança pública. A seguir, alguns marcos importantes dessa caminhada.


Defesa dos Militares na Reforma da Previdência (2017)

Em 2017, quando o governo Michel Temer encaminhou ao Congresso o primeiro projeto de reforma previdenciária, os militares estaduais seriam incluídos na “vala comum” do serviço público, perdendo o direito ao tempo de serviço reduzido, à paridade e à integralidade salarial.

A atuação firme e decisiva do Deputado Capitão Augusto foi fundamental para barrar, já na fase inicial, medidas que representariam uma verdadeira derrocada para os militares estaduais. Felizmente, a greve dos caminhoneiros daquele ano impediu o avanço da proposta, reforçando a importância de sua mobilização parlamentar.


Garantia de Direitos no Sistema de Proteção Social (2019)

Em 2019, mais uma batalha importante: a inclusão dos militares estaduais na Lei nº 13.954/2019, que instituiu o Sistema de Proteção Social dos Militares.

Não fosse a atuação de Capitão Augusto, juntamente com o Deputado Fraga e o saudoso Senador Major Olímpio, os militares estaduais teriam ficado de fora da nova legislação. À época, os comandantes das Forças Armadas do governo Bolsonaro — que pouco fizeram em favor dos policiais — resistiam em incluir os militares estaduais.

Graças à postura firme e estratégica do deputado e da bancada da segurança pública, que ameaçaram obstruir a votação, os generais acabaram cedendo, e os direitos dos militares estaduais foram garantidos.


Aprovação da Lei Orgânica Nacional (2023)

Em 2023, o Capitão Augusto alcançou talvez seu maior feito político: a aprovação da Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares.

Mesmo sendo deputado da oposição, demonstrou inteligência, coerência e capacidade de articulação, conquistando apoio até mesmo da base governista. Esse foi um marco histórico, que consolidou direitos e modernizou a estrutura das instituições militares estaduais.


A Luta Contra a PEC 18/2025 — A “PEC do Caos”

Agora, em 2025, mais uma vez a segurança pública está sob ataque. O governo Lula, historicamente sem apreço por projetos que valorizem os profissionais da área, apresentou a PEC 18/2025, conhecida como “PEC do Caos”.

Em vez de promover integração e harmonização no sistema de segurança, a proposta tem gerado conflitos internos e externos entre instituições, justamente quando o país enfrenta o crime organizado transnacional, que avança sobre o território nacional e ameaça a soberania do Estado.

Capitão Augusto, ao lado dos Deputados Alberto Fraga, Cabo Gilberto, Coronel Assis, Coronel Ulysses, Da Vitória, Alberto Neto, Marcelo Freitas, Delegado Palumbo, Delegado Matheus Laiola, Delegado Fábio Costa, Delegada Katarina, Delegado Caveira, Delegado Bruno Lima e Delegado Alexandre Ramagem, tem sido voz firme na defesa do aperfeiçoamento da proposta, buscando preservar a hierarquia, a disciplina e a harmonia entre as forças de segurança.


Exemplo de Representatividade e Inspiração para 2026

Este é apenas um breve relato do trabalho do Capitão Augusto, exemplo de como um representante pode atuar com lealdade e comprometimento em defesa dos policiais e bombeiros do Brasil, sem distinção de posto ou graduação.

Há um ano das eleições de 2026, que o Capitão Augusto sirva de inspiração aos possíveis candidatos brigadianos e bombeiros que almejam representar suas categorias.

É hora de a tropa — muitas vezes desunida e ainda presa à polarização política nacional — compreender que o que realmente afeta suas vidas está na política local e nas decisões que impactam diretamente o seu dia a dia.

STF define altura mínima para ingresso em concursos policiais de todo o país: entenda as mudanças

Decisão do Supremo Tribunal Federal estabelece padrão nacional de altura para candidatos a cargos policiais, obrigando estados e municípios a adequarem seus editais às novas regras.

por Anna Munhoz Revista Sociedade Militar

Atenção concurseiros! Uma decisão importante e de impacto nacional acaba de ser estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A partir de agora todos os concursos públicos na área da segurança pública deverão seguir o mesmo padrão de exigência de altura mínima para ingresso.

A decisão obriga que estados e municípios adotem os mesmos parâmetros já usados pelo Exército Brasileiro, ou seja, 1,60 metro para candidatos do sexo masculino e 1,55 metro para candidatas do sexo feminino.

Nesse caso, os novos concursos para Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Civil e Corpo de Bombeiros deverão estar alinhados a nova regra.

O marco legal que padroniza a altura mínima para os concursos policiais foi tomada sob repercussão geral (Tema 1.424), mas motivada por um caso recente, onde uma candidata ao concurso da Polícia Militar de Alagoas foi eliminada por não atingir a altura mínima de 1,65m.

O STF considerou a regra estadual desproporcional, especialmente porque considera que nenhum requisito pode ser superior ao que é exigido para ingresso no Exército, uma das instituições mais criteriosas em suas seleções.

Segundo o entendimento do STF, é inconstitucional a exigência de altura mínima para cargos da segurança pública superior às exigidas pelo Exército.

Agora, leis estaduais ou municipais que exijam alturas acima desses patamares fixados, ou que deixem de definir qualquer parâmetro legal, estão vedadas. Essa uniformização visa coibir abusos de editais que impunham requisitos desproporcionais sem respaldo legal.

O que muda para os concursos estaduais e municipais

Até então, muitos estados estabeleciam alturas maiores do que as definidas agora pelo STF. Por exemplo, havia exigências de 1,65 m para homens e 1,60 m para mulheres em diversos certames.

A nova tese impede que editais adotem padrões superiores ao que foi estabelecido, sob pena de serem declarados inconstitucionais ou anulados judicialmente.

Já para os casos em que a exigência estiver abaixo do mínimo, ou mesmo ausente, isso poderá gerar questionamento se o edital não atender às normas. De todo modo, a jurisprudência do STF requer que qualquer exigência de altura esteja devidamente normatizada em lei e claramente indicada no edital.

Impacto para candidatos e para o sistema de segurança pública

A decisão do STF representa uma mudança significativa no panorama dos concursos de segurança pública no Brasil. Estabelecer um padrão nacional significa:

  • Maior previsibilidade para candidatos, que poderão saber, com base no entendimento do STF, qual será o requisito mínimo de altura independentemente do estado onde vai prestar concurso.
  • Inclusão de candidatos que antes eram eliminados por não atingir critérios mais elevados sem justificativa legal.
  • Potencial redução de litigiosidade, pois editais com parâmetros acima do permitido poderão ser contestados judicialmente e invalidados.

Situação prática: editais vigentes e orientações

Embora a decisão seja recente, ela se aplica imediatamente aos concursos que serão publicados, tanto a nível estadual, quanto municipal. Os novos editais, portanto, já deverão ajustar seus editais aos valores nacionalmente fixados (1,60m para homens e 1,55m para mulheres).

Candidatos interessados em concursos policiais devem:

  • Ler atentamente o edital para verificar se há exigência de altura e se está bem fundamentada em lei.
  • Verificar decisões ou notícias estaduais, às vezes normativas locais podem precisar ser revisadas após esta decisão do STF.
  • Em caso de exigência extraordinária (altura maior), consultar se há possibilidade de questionamento judicial ou administrativo.

Comparativo internacional

Em muitos países, critérios físicos para ingresso em forças policiais sempre existiram, incluindo altura. Em vários casos, porém, existe flexibilidade ou alternativa para candidatos abaixo do requisito físico, desde que comprovem outras competências. O argumento jurídico usado no STF também invocou o princípio da razoabilidade: ou seja, o requisito físico não pode ser arbitrário ou discriminatório e deve estar em consonância com a finalidade do cargo público.

Além disso, a medição da altura é tradicionalmente usada para demonstrar aptidão física mínima para a função policial, visto que atividades como uso de equipamento, presença em operações externas, perseguições ou resgate podem supor certa robustez física. Porém, esses fatores devem sempre estar balanceados com os direitos individuais e com o objetivo constitucional de igualdade de oportunidades.

Greve da PMES: quase 2 mil militares acusados de motim em 2017 são absolvidos em julgamento no ES

Conselho de Justiça Militar decidiu mudar as acusações contra os policiais de motim para desobediência. Com isso, foi declarada a prescrição. Segundo o Código Penal Militar, isso significa absolvição. Ministério Público do Espírito Santo vai recorrer.

Por g1 ES

Os quase dois mil policiais militares, acusados de motim por participarem da greve da corporação, em fevereiro de 2017, foram absolvidos pela Justiça nesta sexta-feira (12). A greve da Polícia Militar aconteceu entre os dias 3 e 25 fevereiro de 2017, deixando o estado sem policiamento. A paralisação resultou em uma onda de violência e 219 homicídios.

O Conselho de Justiça Militar, formado por juízes de direito e juízes militares, decidiu mudar as acusações contra os policiais, que passaram de motim para desobediência.

A mudança fez o crime ser prescrito e, os militares, absolvidos. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) disse que vai recorrer por ter provas contundentes do motim. A decisão começou a ser lida por volta das 14h, no Fórum Criminal de Vitória.

Em fevereiro de 2017, policiais de diversas patentes descumpriram ordens do comando da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) para retomar as atividades e mantiveram a paralisação. Enquanto isso, protestos de familiares dos policiais bloqueavam as portas dos batalhões.

Ministério Público disse que vai recorrer

Diante do resultado, o MPES afirmou que vai recorrer por ter provas contundentes quanto à prática do crime de motim.

“Ao longo de todo o processo, o MPES atuou de forma firme e responsável para a preservação da ordem jurídica, com respeito às instituições e às carreiras militares, reafirmando o compromisso de evitar que episódios semelhantes, como o de 2017, voltem a ocorrer no Espírito Santo”, afirmou o órgão em nota.

Já a defesa dos militares recebeu a decisão com satisfação. “A defesa tem convicção que o crime está prescrito. Estava literalmente claro em todo processo a ausência de vontade livre e consciente de praticar o crime de motim”, disse o advogado Pedro Lozer Pacheco.

- Militares do Exército Brasileiro intervém durante protesto de manifestantes em frente a quartel da Polícia Militar na Avenida Maruípe — Foto: Guilherme Ferrari/Arquivo Rede Gazeta

– Militares do Exército Brasileiro intervém durante protesto de manifestantes em frente a quartel da Polícia Militar na Avenida Maruípe — Foto: Guilherme Ferrari/Arquivo Rede Gazeta

PM não pode fazer greve

Pela Constituição Federal, a PM não pode fazer greve porque a lei veda a sindicalização e o direito de greve aos militares.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público cita alguns pontos sobre o que teria ocorrido naqueles dias de greve dos policiais:

  1. Participação na greve: “Os denunciados aderiram ao movimento grevista, cada um ao seu modo em local, dia e horário diferentes, mas todos interrompendo a prestação do serviço de policiamento, bem como realizando conduta vedada ao policial militar.”
  2. Ordem para cessar movimento: Relata que no dia 7 de fevereiro de 2017 um ofício do comandante determinou “a imediata cessação do movimento grevista” e que fossem para as ruas com viaturas ou em policiamento a pé;
  3. Descumprimento de ordem: É dito que as ordens não foram cumpridas: “Inúmeros policiais militares deixaram de cumprir seu dever em exercer policiamento e aderiram ao movimento grevista em flagrante desrespeito aos princípios da hierarquia e disciplina, bem como a vedação constitucional do direito de greve.”

Caso já havia sido julgado na Justiça comum

O caso chega a julgamento na Justiça Militar após o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) anular, em agosto deste ano, condenações proferidas pela Justiça comum, em 2019, contra policiais e familiares que participaram da greve.

A decisão foi baseada na Lei 13.491/2017, que transferiu à Justiça Militar a competência para analisar crimes militares cometidos por integrantes das Forças Armadas e das polícias.