Júri de dois réus por assassinar PM em Porto Alegre é cancelado por “constrangimento aos jurados”

Soldado Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior, 26 anos, foi morto ao tentar abordar veículo roubado na zona sul da Capital. Crime ocorreu em julho de 2019 

LETICIA MENDES GZH

Sessão ocorria na 2ª Vara do Júri no Fórum Central e foi cancelada por magistrada. Letícia Mendes / Agencia RBS

Um imbróglio levou ao fim, na manhã desta segunda-feira (27), o julgamento dos dois homens acusados pelo assassinato do policial militar Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior, 26 anos, ocorrido em julho de 2019, na zona sul da Capital, após o roubo de um veículo. Durante o júri, logo após a formação do Conselho de Sentença, um dos advogados de defesa se aproximou dos jurados e questionou o nome de cada um. A Justiça decidiu encerrar a sessão e marcar nova data para 5 de fevereiro. 

O júri estava previsto para iniciar às 9h30min, no salão da 2ª Vara do Júri, no Fórum Central. Seriam julgados Dejair Quadros de Almeida e Luis Vinícius Alves Azeredo — os dois estão presos pela morte do soldado Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior, 26 anos. Chegou a ser realizado o sorteio dos nomes dos jurados, sendo que cinco mulheres e três homens formaram o Conselho de Sentença. Logo depois disso,  enquanto eram fornecidos atestados às pessoas que não tiveram nomes sorteados para o júri, o advogado Leandro Soares, da defesa de Almeida, andou até a mesa dos jurados. 

— Questionei somente “qual seu nome?” e anotei no papel. Fiz isso na frente do oficial de justiça — disse o advogado. 

O promotor de Justiça Júlio Melo, responsável pela acusação, visualizou a cena e entendeu que isso causaria constrangimento aos jurados. A acusação alertou a juíza Ângela Roberta Paps Dumerque, do 1º Juizado da 2ª Vara do Júri, que presidia a sessão. A magistrada então se dirigiu aos jurados e questionou se algum deles tinha se sentido constrangido com a ação da defesa. Duas juradas responderam afirmativamente. 

— O padrão é ser feito o sorteio, o nome de todos os jurados é registrado em ata, então as defesas, as partes têm acesso aos nomes. E os jurados ficam incomunicáveis, então esse ato de ir e se dirigir a eles representa uma quebra de incomunicabilidade — explicou a juíza. 

Em razão disso, a magistrada decidiu dissolver o Conselho de Sentença, liberando aqueles jurados, e marcar uma nova data para o julgamento. Para esta nova sessão, serão sorteados outros possíveis jurados. 

— Esse proceder (de contato com os jurados) então será evitado — disse a juíza sobre o novo júri. 

Letícia Mendes / Agencia RBS
Juíza Ângela Roberta Paps Dumerque e promotor Júlio Melo após encerramento de júri nesta manhã.Letícia Mendes / Agencia RBS

Possível nulidade

No entendimento do promotor do Ministério Público, a ação do advogado poderia ser entendida futuramente como um motivo para pedir a nulidade do julgamento. 

— Isso quebra a incomunicabilidade dos jurados, que não podem nem mesmo conversar entre eles sobre o processo. Essa conduta não é permitida. Portanto, levou ao adiamento da sessão. Foi marcada nova data e nós do MP mais uma vez estaremos prontos para promover a justiça na sessão agora agendada. O conjunto probatório é bastante consistente, no sentido de apontar responsabilidade de ambos réus, que seriam julgados hoje, e serão julgados no dia 5 de fevereiro, pela prática de todos os delitos descritos na denúncia — disse Melo. 

Já a defesa do réu Dejair argumentou que a conduta não é vedada, e que o intuito com a ação era somente poder se dirigir aos jurados nominalmente durante a fase dos debates. 

— A defesa em nenhum momento se insurgiu ou quis constranger as juradas. O MP é que insurgiu contra esse requerimento de nada mais que o nome. Inclusive, isso foi feito na frente do próprio oficial de justiça esse questionamento para cada jurado e cada jurada. Não há nenhuma insurgência, nenhuma manipulação da defesa ou de querer constranger algum jurado ou alguma jurada — alegou Soares. 

— Não existe vedação legal. Essa prática é uma medida de prestígios aos jurados, que são os juízes naturais da causa. Não é a magistrada, ela apenas preside os trabalhos. Quem julga são os jurados. O conhecimento do nome é uma forma de prestígio para se referir no momento dos debates — complementou a advogada Eduarda Garcia, que também representa o réu.

Indignação 

A Defensoria Pública, responsável por atuar em nome de Azeredo, se manifestou após o encerramento da sessão, indignada com o desfecho. A defesa pediu à Justiça que seja concedida liberdade provisória ao réu. 

— Nós estávamos preparados, o réu está preso, tão somente por esse processo, não tem antecedentes, tem esquizofrenia, precisa de medicação, de tratamento. Nós estávamos prontos para fazer. Ele vai ser julgado só em fevereiro. Vai passar o Natal e o Ano-Novo recolhido, se não concederem a liberdade provisória. A Defensoria Pública não participou de chicana (argumento falacioso para dificultar andamento de processo) nenhuma para que o júri não saísse. Estamos indignados pelo fato de ter sido adiado — disse a defensora pública Tatiana Kosby Boeira. 

Os crimes

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Crime ocorreu em julho de 2019, nas proximidades da Praça Guia Lopes.Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Na madrugada de 10 de julho de 2019, o policial militar Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior, 26 anos, circulava de viatura com um colega na zona sul de Porto Alegre. O PM, que havia ingressado na corporação três anos antes e era casado, estava na carona, ao lado do motorista. Os dois avistaram um veículo, que havia sido roubado pouco antes. Durante a tentativa de abordagem, os criminosos reagiram e atiraram contra os PMs. O soldado foi alvejado, chegou a ser socorrido, mas não resistiu. 

Os criminosos fugiram do local abandonando o veículo, armas e uma mulher, que teria sido sequestrada por eles, momentos antes. Eles pretendiam, com o sequestro, segundo a acusação, que ela fornecesse o paradeiro de seu ex-companheiro, pertencente a uma facção rival. Os dois réus são acusados do assassinato do policial, de tentativa de homicídio contra o outro PM, de roubo de veículo, cárcere privado e sequestro (contra a mulher), posse de arma de uso restrito e corrupção de menores. 

Contrapontos

Antes do início do júri, as defesas dos dois réus se manifestaram afirmando que buscariam comprovar durante a sessão a inocência dos réus. 

O que diz a defesa de Dejair Quadros de Almeida 

Os advogados Eduarda Garcia e Leandro Soares alegam que o réu está preso há mais de três anos de forma preventiva e entendem que não há provas da participção dele. 

— A defesa lamenta a morte de um policial, lamenta que um servidor público tenha morrido nesse tiroteio. A defesa quer mostrar que naquele momento o Dejair não estava no local dos fatos. Ele estava com a família — afirmou o advogado Leandro Soares. 

O que diz a defesa de Luis Vinícius Alves Azeredo 

A Defensoria Pública se manifestou informando que tem convicção da inocência do réu e que pretende demonstrar isso aos jurados. 

— O fato é grave, não se discute isso. Se lamenta a morte de um policial militar, mas a participação dele nesse evento é que temos convicção de que não aconteceu. Ele não estava nem no carro, nem disparou contra o policial. Ele foi preso em flagrante, vendendo bergamotas no dia seguinte na esquina da Rua Silva Só com a Avenida Ipiranga. Isso não é postura de quem acabara de assassinar um policial militar — afirmou a defensora pública Tatiana Kosby Boeira. 

Atuam também  na defesa do réu os defensores Alessandra dos Santos Pereira e João  Bosco. 

Desembargador concede habeas corpus a 65 presos em ofensiva contra facção no litoral do RS e SC

Sandro Luz Portal sustenta que houve excesso de prazo para oferecimento da denúncia

Marcel Horowitz Correio do Povo

Operação Turrim teve como alvo organização criminosa liderada por irmãos | Foto: Polícia Civil / CP

O desembargador Sandro Luz Portal, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, concedeu habeas corpus às 65 pessoas investigadas por envolvimento com uma organização criminosa, atuante no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O grupo estava preso preventivamente há quase três meses, quando o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) deflagrou a Operação Turrim. De acordo com a ordem judicial, a soltura dos presos ocorreu por conta de ‘excesso de prazo para o oferecimento da denúncia’.  

“Impõe-se reconhecer, na espécie, flagrante excesso de prazo para o oferecimento da denúncia, por fatores não imputáveis à defesa, e que já fazem a custódia pessoal perdurar além do razoável”, destaca a um trecho da decisão.

A ofensiva foi desencadeada no dia 29 de agosto e cumpriu 132 ordens judiciais, resultando , além das prisões, na apreensão de 43 armas, quatro veículos de luxo e no bloqueio de 24 contas bancárias. Segundo a Polícia Civil, a facção investigada era liderada por dois irmãos, empresários do ramo imobiliário e de gastronomia, em Torres. A dupla teria ordenado execuções de desafetos e de traficantes rivais, com o intuito de monopolizar a venda de entorpecentes no litoral Norte gaúcho e no litoral Sul de Santa Catarina.

Na data, a ação contou com o apoio do Ministério Público do RS, Brigada Militar e da Polícia Civil catarinense. As diligências foram cumpridas em Porto Alegre, Cachoeirinha, Alvorada, Viamão, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Lajeado, Campo Bom, Estância Velha, Capão da Canoa, Morrinhos do Sul, Torres, Três Cachoeiras, Mampituba, e nos municípios catarinenses de Praia Grande, Passo de Torres, Araranguá e São João do Sul. 

Contatado pelo Correio do Povo, o MPRS enviou uma nota destacando que uma denúncia não foi apresentada pois ‘a dimensão do fato demandou maior tempo para análise do inquérito policial’, destacando que essa foi a maior operação policial realizada no estado gaúcho desde o início do ano. A manifestação também sustenta que a decisão judicial acolhe a pedidos de soltura feitos pelas defesas dos acusados. Por fim, o comunicado ressalta que alguns dos investigados permanecem presos, por conta de outros crimes. 

O diretor de Investigações do Denarc, delegado Alencar Carraro, afirmou que o inquérito policial foi concluído antes do fim do prazo legal, mesmo diante da complexidade da investigação. “Quando deflagramos as operações, o relatório final já está praticamente produzido”, sintetizou. 

O Tribunal de Justiça do RS declarou à reportagem que não se manifesta a respeito de questões jurisdicionais e nem decisões em processos. O processo tramita em segredo de Justiça, adicionou a instituição. 

Leia a nota completa do MPRS

O Ministério Público tem conhecimento da complexidade do caso que resultou na maior operação policial realizada este ano no Estado.

A dimensão do fato demandou maior tempo para análise do inquérito policial.  Ao fazê-lo, baseado na análise de dados decorrentes da operação, o promotor de Justiça de Torres, Diogo Hendges, entendeu que o crime cometido é de organização criminosa, cujo processamento e julgamento competem exclusivamente à Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Porto Alegre, postulando ao juízo de Torres que fosse declinada a competência para referida Vara da Capital, o que foi acatado pelo Juízo.

Nesse ínterim, as defesas dos acusados ingressaram com habeas corpus pedindo a soltura dos investigados, o que foi deferido pelo Tribunal de Justiça, mesmo com parecer contrário do Ministério Público assinado pelo procurador de Justiça Airton Aloisio Michels, que destacou a gravidade dos fatos cometidos.

Mas é importante ressaltar que alguns dos acusados continuam presos por força de outros processos pelos quais respondem na comarca de Torres. Evidentemente, a liberação dos investigados não significa que os mesmos não venham a ser responsabilizados criminalmente pelos atos praticados.

Acusados de matar Policial Militar na zona sul da Capital irão a júri na próxima segunda-feira

Dois homens acusados de matar o Policial Militar Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior durante uma abordagem, em julho de 2019, serão julgados na próxima segunda-feira (27/11/23), a partir das 9h30min,  no plenário da 2ª Vara do Júri de Porto Alegre, no 5º andar do Foro Central I. O julgamento será presidido pela Juíza de Direito Ângela Roberta Paps Dumerque, do 1º Juizado da 2ª Vara do Júri.

Os réus respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio (triplamente qualificado), porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, roubo duplamente qualificado, sequestro e cárcere privado e corrupção de menores.

Na madrugada de 10/07/23, na zona sul da Capital, Gustavo e um colega, que atuavam no 1º Batalhão da Polícia Militar, estavam de serviço em uma viatura quando avistaram um veículo que apresentava alerta de roubo. Ao serem abordados pelos brigadianos, os réus, que estavam dentro do carro, reagiram e houve troca de tiros. Gustavo foi atingido, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Os acusados fugiram do local abandonando o veículo, armas e uma mulher, que teria sido sequestrada por eles, momentos antes. Eles pretendiam, com o sequestro, que ela fornecesse o paradeiro de seu ex-companheiro, pertencente a uma facção rival.

Texto: Janine Souza
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Quadrilha acusada de matar o turista sargento Aloir é presa no Uruguai

Sapiranga – Em uma operação nesta segunda-feira, dia 13, foram presos os bandidos acusados de assassinar o sargento Paulo Aloir da Luz, de 56 anos. O crime aconteceu no dia 21 de outubro, em Rivera, no Uruguai, e as prisões foram efetuadas no início da noite desta segunda.

São cinco presos e todos moradores do Uruguai. A investigação ocorreu em conjunto com policiais uruguaios e brasileiros (de Santana do Livramento).

Aloir estava na companhia de mais três pessoas (duas delas moradoras de Sapiranga) em uma van quando o veículo foi interceptado por três criminosos em um Gol. A ação foi flagrada por câmeras de segurança. Mesmo sem reagir, um dos bandidos atirou contra o sargento, que morreu no hospital. Outro morador de Sapiranga foi baleado, mas sobreviveu. O trio estava com um grupo de turistas no Uruguai.

Os criminosos fugiram com uma grande quantia em dinheiro.

Aloir integrava o Comando Rodoviário da Brigada Militar de Sapiranga há mais de 15 anos.

Foto: Joel Proença/JR
Texto: Jornal Repercursão

Justiça gaúcha libera mais um TRAFICANTE sob a justificativa da abordagem sem JUSTA CAUSA

Juíza manda soltar homem preso com cinco quilos de maconha em São Jerônimo; MP recorre e aguarda decisão

Tese da defesa, de que a abordagem policial aconteceu sem justa causa, foi acolhida pelo Judiciário

LUIZ DIBE GZH

O Ministério Público informou nesta segunda-feira (13) que aguarda decisão sobre recurso acerca da liberação de um homem flagrado e detido com um pacote contendo cinco quilos de maconha, na semana passada, em São Jerônimo, na região Carbonífera. Conduzido até o plantão da Polícia Civil, em Charqueadas, Denis de Lima Medeiros, 23 anos, foi alvo da lavratura de um flagrante com indiciamento por tráfico de drogas em 6 de novembro. Entretanto, um dia e meio depois da detenção, em audiência de custódia no dia 8, acabou sendo liberado.

Na decisão, a juíza Michele Scherer Becker acolheu a tese da defesa de que a abordagem policial aconteceu sem justa causa. “Com relação à alegação da defesa em razão da ausência de justa causa para abordagem, neste caso específico, entendo que é de ser acolhida, tendo em vista que os policiais narraram que estavam em patrulhamento de rotina e avistaram um indivíduo em atitude suspeita, sem esclarecer o que seria essa atitude suspeita”, descreveu a magistrada em sua decisão.

A juíza ainda ponderou que “não há descrição de qualquer conduta, como comercialização de drogas, ainda que fosse o uso em local público e nem da dispensa de substância entorpecente. Assim, neste caso concreto, entendo cabível o acolhimento da tese defensiva e relaxamento da prisão pelas circunstâncias descritas”, pontuou.

Fato aconteceu em via pública

O caso aconteceu em área periférica do município de São Jerônimo. Eram cerca de 18h15min quando Medeiros foi abordado por um policial militar, que estaria à paisana naquele momento, segundo informou o advogado do homem detido, Celomar Cruz Cardozo.

De acordo com o registro da ocorrência, Medeiros andava pela Rua Francisco Almeida Prates, bairro Cidade Alta, carregando um saco plástico com um volume aparente. Tal conduta teria chamado a atenção do policial, que interpelou o homem considerado suspeito.

Ao averiguar o conteúdo do pacote, o policial identificou que se tratavam de oito tijolos de uma substância a qual aparentemente seria maconha. Medeiros recebeu ordem de prisão e foi conduzido para o plantão da Delegacia de Polícia de Charqueadas, onde o material foi examinado.

Conforme Celomar Cruz Cardozo, a forma como ocorreu a abordagem policial estaria em desacordo com a legislação.

— As forças de segurança pública não podem atuar sob a simples lógica da subjetividade e, ao olhar para quem quer que seja, torná-lo um suspeito de crimes. No fato narrado, não há a descrição do flagrante de um delito. Apenas a amostragem aleatória. Se este método for considerado legal, as polícias poderão realizar uma verdadeira roleta-russa nas periferias do Rio Grande do Sul, parando todos que carregarem uma sacola ou uma caixa até que achem aquilo que desejam — argumentou Cardozo.

Outros itens foram apreendidos

A apuração realizada pelas autoridades policiais presentes na delegacia, denominada Exame de Constatação da Natureza, apontou a presença de cerca de cinco quilos da substância cannabis sativa (maconha). Além do entorpecente, foram apreendidos um facão e um telefone celular.

Na tomada de depoimento, Medeiros silenciou. Porém, na audiência de custódia ele reconheceu ser usuário de drogas, mencionando ser consumidor de maconha e de crack. Contudo, negou ser proprietário do pacote contendo os cinco quilos de droga.

A Polícia Civil e o Poder Judiciário foram acionados pela reportagem de GZH para entrevistas e manifestação de posicionamentos acerca do caso, mas até a publicação desta reportagem ainda não haviam respondido aos pedidos.

Líder do tráfico entra no radar da Segurança Pública após regressar ao RS

André da Silva Dutra, o ‘Gordo Dé, retorna um ano depois de ter sido enviado ao Presídio Federal de Campo Grande

Marcel Horowitz Correio do Povo

Gordo Dé está na galeria B da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) | Foto: Susepe / Facebook / CP

O retorno de um traficante à galeria B da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) tem sido monitorado pelas forças policiais. Desde setembro do ano passado, o detento estava no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para onde fora transferido durante a Operação Império da Lei. 

Em outubro, porém, conforme apurou o Correio do Povo, ele voltou ao estado gaúcho para cumprir o restante dos seus mais de 40 anos de condenações.

André da Silva Dutra, o ‘Gordo Dé’, é apontado como líder de uma facção com base no Loteamento Timbaúva, no bairro Mario Quintana, mas que também criou ramificações em outras áreas da zona Norte, como na Cohab Rubem Berta. Ele responde por 15 homicídios, além de lavagem de dinheiro, ameaça, porte ilegal de armas e roubo.

Acumulando passagens em casas prisionais, o traficante foi capturado pela última vez em Bombinhas, no litoral de Santa Catarina, em novembro de 2020. Na ocasião, ele estava foragido há dois anos, quando rompeu uma tornozeleira eletrônica apenas 39 minutos após ter recebido o benefício. 

A permanência de Gordo Dé no sistema prisional, no entanto, não impediu que ele seguisse liderando o tráfico, motivo pelo qual foi enviado para outro estado.

O retorno do traficante é observado com atenção por agentes da Segurança Pública, que não descartam a participação dele em disputas do crime organizado. “Estamos atentos, acompanhando todos os movimentos”, afirmou o chefe de Polícia, delegado Fernando Sodré. 

Preso em galeria de facção do Vale do Sinos

Desde que voltou ao RS, Gordo Dé já participou de audiências online da Justiça e tem se comportado de maneira discreta dentro da Pasc. “Nem parece ele”, descreveu um servidor.

No entanto, apesar da aparente discrição, a Polícia Penal reforçou à reportagem que monitora o traficante. 

Na galeria B, o criminoso está preso junto a outras lideranças, essas ligadas a uma facção que atua no Vale do Sinos. A interação dele com esses líderes também é alvo de monitoramento. 


André da Silva Dutra, o ‘Gordo Dé’ | Foto: Record TV

Cisão entre traficantes do Loteamento Timbaúva

A volta de Gordo André ocorre em meio a divergências na facção do Timbaúva. O rompimento teria sido causado por dois dos homens de confiança dele, sendo esses Daniel Araújo Antunes, o ‘Patinho’, e Luís Guilherme Dias da Silva, o ‘LG’.

A reportagem apurou que a rixa teve início quando Patinho foi transferido para o Sistema Penitenciário Federal, com LG assumindo o domínio dos pontos de tráfico. Inconformado com a perda das ‘biqueiras’, Patinho teria ordenado o assassinato de um irmão do antigo comparsa, que acabou acontecendo, solidificando assim a cisão do grupo. 

Mesmo após a briga, LG, que está foragido, permanece ocupando posição de destaque na organização criminosa. Para tanto, ele teria o apoio de Gordo Dé.

Acidente com viatura da Polícia Civil deixa quatro feridos em Passo Fundo 

As vítimas tiveram ferimentos leves e foram encaminhadas para atendimento hospitalar

MATEUS LEAL GZH

Um acidente envolvendo uma viatura da Polícia Civil e um veículo Gol deixou quatro feridos e bloqueou a Avenida Brasil no início da tarde desta terça-feira (7), em Passo Fundo. A colisão aconteceu no cruzamento da Avenida Brasil com a Rua Verdi de Cesaro, no bairro Petrópolis.

Segundo a Brigada Militar, o condutor do Gol cortou a frente da viatura. Com a colisão, os três policiais que estavam no veículo e o motorista do Gol tiveram ferimentos leves e foram encaminhados para atendimento hospitalar. Nenhum corre risco de morte. 

O trânsito sentido Petrópolis- São José ficou bloqueado para a remoção dos veículos, mas já está liberado. 

VÍDEO: policial civil é baleado pelas costas em tentativa de roubo em São Leopoldo

Segundo a polícia, o homem de 50 anos estava de folga quando foi surpreendido por dupla armada que atirou pelo menos quatro vezes contra a vítima

MARIA REGINA EICHENBERG GZH

Policial civil é baleado em tentativa de roubo de carro no Vale do Sinos Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil

Um policial civil de 50 anos foi baleado pelas costas durante tentativa de roubo na noite de sábado (4) em São Leopoldo, no Vale do Sinos. De acordo com a Polícia Civil, a vítima estava de folga e tinha saído do veículo que estava estacionado na Rua Albino Kempf, no bairro Rio dos Sinos, e logo após foi surpreendida por uma dupla armada, por volta das 20h30min.

Os suspeitos estavam a pé e o policial teria sido atingido por quatro disparos de arma de fogo. A polícia teve acesso a imagens de uma câmera de monitoramento que flagrou a ação. No vídeo, é possível identificar que os suspeitos descem a escada que liga o dique do Rio dos Sinos à Rua Albino Kempf e atiram contra a vítima, que é atingida pelas costas e cai no chão.

Os suspeitos chegam a entrar no veículo, mas o policial consegue reagir e atirar contra eles. A dupla fugiu do local sem levar nada e o homem foi encaminhado em estado estável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Centenário. 

A investigação do caso ficará sob responsabilidade do delegado André Serrão, titular da 2ª Delegacia de Polícia. Os suspeitos não foram localizados.

Surgimento de nova facção isola líder do tráfico na Pasc e deixa Segurança Pública em alerta

Traficantes Nego Jackson e Peixe romperam com Nego André durante formação da ‘Família do Sul’

Marcel Horowitz Correio do Povo

Organização criminosa chamada Família do Sul é comandada por traficantes na Pasc | Foto: Ascom Susepe

As forças policiais estão em alerta com as possíveis consequências do rompimento entre três das principais lideranças do crime organizado em Porto Alegre. O motivo da desavença seria a união de traficantes em torno de uma facção emergente chamada ‘Família do Sul’. Dois dos chefes do narcotráfico, um que controla a venda de drogas no bairro Glória e outro, na Vila Jardim, concordam com a unificação. No entanto, a proposta enfrenta oposição de um terceiro criminoso, esse líder de uma facção com base na Vila 27, na região da Vila Cruzeiro do Sul. 

Conforme a apuração do Correio do Povo, a discordância sobre essa união colocou em risco a vida de André Vilmar Azevedo de Souza, o ‘Nego André’. Por essa razão, ele acabou sendo transferido para uma cela na ala de isolamento da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), onde cumpre mais de 34 anos de pena.

Antes do início das divergências, o criminoso da Vila Cruzeiro era bem quisto nas galerias 3 e 4 do pavilhão B, onde estão seus ex-aliados, sendo um deles Jackson Peixoto Rodrigues, o ‘Nego Jackson’. Acumulando mais de 37 anos de condenações, o traficante do bairro Vila Jardim, na zona Norte, é apontado como o principal articulador da Família do Sul. Outro antigo comparsa de André alojado nesse pavilhão é Leonardo Ramos de Souza, o ‘Peixe’, que, além do bairro Glória, também domina o tráfico no bairro Cascata, na zona Sul.

Peixe e Nego Jackson chegaram a cumprir pena na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, para onde foram enviados em 2017. Três anos depois, quando retornaram para a Pasc, teriam começado a formar as bases da nova organização criminosa.

A coalizão formaliza uma aliança que já existia e que, até então, ainda contava com o apoio de Nego André. Essa junção ocorria desde 2016, quando os criminosos decidiram se unir e fazer frente ao poder bélico de um quarto grupo, esse com origem no bairro Bom Jesus, na zona Leste. 

De acordo com relatórios da Segurança Pública, a dupla se voltou contra Nego André pelo fato dele não aceitar a participação de um antigo rival na Família do Sul. O pivô do desentendimento seria Maicon Donizete Pires dos Santos, o ‘Red’, que está foragido. Inimigo histórico de Nego André, ele tomou conta do tráfico no bairro Mário Quintana, após romper com a facção da Bom Jesus, sendo também protagonista de uma guerra na zona Norte. 

Uma mensagem atribuída à Família do Sul nas redes sociais, divulgada no final de setembro, sugere um convite para que inimigos abandonem divergências. “O muro está baixo. Quem quiser fechar [se unir], pula [para o nosso lado] enquanto tem tempo. Estamos abraçando os amigos. Vem que vai ser tudo no respeito, humildade e disciplina”, diz a postagem. O recado ainda destaca que Red é um desses rivais que passara a se tornar aliado.

Mesmo que ainda não tenha tomado as galerias, a organização criminosa emergente tem se movimentado nas casas prisionais. O fato foi confirmado pelo major Glenio Daison Argemi Filho, diretor da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), que não quis dar mais detalhes.  “Posso dizer que espaço em galerias prisionais significa mais dinheiro e recursos para as facções. Por isso que os criminosos encaram as cadeias com tanta prioridade”, sintetizou. 

A união dos traficantes também ocorre fora dos presídios, nas zonas Sul e extremo-Sul da Capital. De acordo com o major Fabiano Henrique Dorneles, comandante do 21º BPM, a nova facção está sendo monitorada pelos soldados em policiamento ostensivo. 

“O monitoramento das organizações criminosas é constante, pois os traficantes estão mais voláteis, não permanecendo mais tanto tempo em uma mesma facção”, afirmou o major. “A união de uma facção com outra faz com que aliados se tornem inimigos, e vice-versa. Essas lutas internas resultam no aumento de mortes e dos crimes em geral”, concluiu.

Procurado pela reportagem, o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Antônio Sodré, informou que a corporação está atenta e acompanhando, já há algum tempo, os desdobramentos dos fatos narrados. Sodré também afirmou que as investigações de todas as questões apontadas continuam em andamento e que operações baseadas nessas investigações já foram deflagradas, sempre em conjunto e coordenadas com a Brigada Militar.

“Mandados de prisão preventiva já foram decretados pelo Poder Judiciário”, enfatizou o chefe de Polícia. “Todas as investigações visam responsabilizar os envolvidos em fatos criminais relacionados ao conflito desses grupos criminosos, bem como buscam a imputação criminal pelos ilícitos praticados”, destacou o delegado.

A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) evitou comentar o assunto. 

CICLONE EXTRATROPICAL: Viatura da Brigada Militar é arrastada pela força da água em enchente no RS

Imagens mostram o veículo sendo levado pela corretenza em Barra do Rio Azul na manhã desta sexta-feira

JORNAL NH

Viatura da Brigada Militar é arrastada pela força da água em enchente na cidade de Barra do Rio Azul Foto: Redes sociais

Vídeo mostra quando um viatura da Brigada Militar (BM) é arrastada pela força da água durante enchente em Barra do Rio Azul na manhã desta sexta-feira (3).

A chuva intensa que atinge especialmente a região Norte do RS, próximo à divisa com Santa Catarina, é causada por um ciclone extratropical, que atinge o pico hoje, de acordo com a MetSul Meteorologia.

Nas imagens que circulam pelas redes sociais, moradores assistem incrédulos aos estragos da enchente. Além da forte correnteza, casas e lojas aparecem alagadas no vídeo.

A BM explica que, por causa da previsão de cheia, a viatura havia sido estacionada em uma área mais alta exatamente para evitar que ela fosse atingida pela enchente.

Até as 11h30, o veículo não havia sido encontrado e era procurado com a ajuda de um drone. Apesar do susto, nenhum policial militar se feriu.