Polícia apreende roteador de internet por satélite em cela de presídio

Aparelho Starlink permite transmissão em alta velocidade para vários celulares, de forma simultânea. A central portátil foi encontrada em Charqueadas

Humberto Trezzi GZH

Em operação realizada pela delegacia de Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), em 27 de novembro, policiais civis realizaram buscas em presídio de Charqueadas e encontraram um aparelho de conexão via satélite Starlink. Ele é um roteador que propicia internet em alta velocidade, sem necessidade de antena de telefonia. É da empresa Space X, do bilionário Elon Musk e foi feito para funcionar em áreas sem sinal de telefonia.

O equipamento foi encontrado na cela de Lucas Muniz Sartori, preso na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas. O Starlink funciona como uma espécie de central telefônica. Fornece internet banda larga, capaz de veicular vídeos em alta velocidade, para vários celulares, de forma simultânea. Custa de R$ 800 a 3,5 mil no mercado legalizado, mas dentro das cadeias deve custar muito mais.

Sartori está indiciado como traficante e idealizador de falsas rifas. É coproprietário de uma pequena empresa de transporte de Canoas, apontada pela Polícia Civil como responsável por trazer caminhões com cargas de drogas desde o Paraguai até a Região Metropolitana de Porto Alegre. Os entorpecentes eram comprados por facções rivais, em sistema de consórcio. Está também indiciado por rifas de carros de alto valor para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico de drogas. Sorteou um Camaro em 2024, com números a R$ 5,99.

Nas redes sociais, segundo a investigação, Sartori costumava ostentar o dinheiro que obtinha com a suposta venda de drogas: aparecia com maços de dinheiro, em viagens de barco com mulheres, e até em festas em casas noturnas, bancadas com o dinheiro do tráfico, onde painéis de LED exibiam seu nome.

Na cela de Sartori foram encontrados, além da antena Starlink, quatro celulares e porções de maconha.

O secretário estadual do Sistema Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, lamenta que esse tipo de equipamento tenha ingressado no sistema penitenciário e acredita que isso ocorreu por meio de drones, a nova tática usada pelos bandidos. Até para isso, a Polícia Penal adquiriu aparelhos antidrone para uso em 15 unidades prisionais. São similares aos usados na guerra da Ucrânia, mandam sinais que interceptam e derrubam o robô voador.

– Localizamos mais de 8 mil celulares direcionados para o sistema prisional gaúcho, desde que assumimos. Desses, 2 mil foram pegos antes de ingressar nos presídios, na área próxima – contabiliza Pozzobom.

Não é a primeira vez. Em junho de 2022, antes da gestão de Pozzobom, um aparelho semelhante foi apreendido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), considerada a mais segura do Rio Grande do Sul. Na descrição sobre características do equipamento, vendedores listam, por exemplo, que ele é seguro (“Impossível de ser rastreado, grampeado, quando a ligação é entre telefones da mesma marca”), robusto (“Possui proteção contra poeira e jatos de água”), durável (“Bateria dura até 5:30 horas de conversa ou 15:30 horas em standby”), permite uso por grupo (“Ideal para pequenos grupos. Comporta no máximo cinco pessoas”) e tem botão de pânico (“Ative o botão e emita SMS e e-mail para até 5 pessoas contendo sua localização”)

Pozzobom admite que a instalação do sistema de bloqueador na Penitenciária Modulada de Charqueadas está atrasada e diz que isso está sendo cobrado da empresa que firmou o contrato com o governo estadual.

Em nota, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo informa que o contrato firmado com a empresa responsável pelos bloqueadores prevê bloqueio “de todas as frequências utilizadas pelo Wi-Fi e suas variações”. Ou seja, o sistema contratado precisa ser capaz de neutralizar tanto sinais de telefonia quanto redes Wi-Fi que possam ser utilizadas de forma ilegal.

No caso específico da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, os bloqueadores ainda não estão ativos, justamente em razão de atrasos na entrega e pendências técnicas que seguem sendo cobradas de forma rigorosa pelo Estado. Enquanto o sistema não é instalado e aprovado em conformidade com o contrato, a unidade permanece em fase de fiscalização e reforço operacional.

A secretaria ressalta que desde 2019 foram investidos R$ 1,4 bilhão no sistema prisional gaúcho, sobretudo em novas penitenciárias, que resultaram em 12 mil vagas criadas. Outros R$ 210 milhões foram aplicados para modernizar equipamentos de segurança da Polícia Penal. Isso inclui  scanners corporais e três kits completos de tecnologia antidrone, que colocam o RS entre os estados pioneiros no país no uso do dispositivo, armamentos, coletes, uniformes e viaturas.

Policial militar morre após acidente de trânsito em Gravataí

Matheus Teixeira de Oliveira, de 30 anos, era soldado do 17º BPM

Um soldado da Brigada Militar morreu, na noite deste domingo (7), após um acidente de trânsito na RS-118, em Gravataí, na Região Metropolitana. 

A vítima foi identificada como Matheus Teixeira de Oliveira, de 30 anos, que voltava do trabalho para casa quando o Chevrolet Cobalt que dirigia colidiu contra a pilastra do viaduto sob a Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira, no km 19 da rodovia.

O acidente ocorreu por volta das 19h e provocou bloqueio parcial e lentidão no trecho. Matheus foi socorrido e levado ao Hospital Dom João Becker, mas não resistiu. 

Ele era integrante do 17º Batalhão de Polícia Militar, onde atuava no policiamento da zona norte de Porto Alegre. O soldado ingressou na corporação em 2018. As circunstâncias da colisão ainda estão sendo apuradas.

Em nota, a Brigada Miltitar disse que “se solidariza com familiares, amigos e irmãos de farda, consternados neste momento de dor.”

Nota oficial da Brigada Militar

A Brigada Militar comunica, com profundo pesar, o falecimento do Soldado Matheus Teixeira de Oliveira, ocorrido na noite deste domingo (07/12), em acidente de trânsito enquanto voltava do trabalho para a casa.
O Soldado tinha 30 anos de idade, ingressou na corporação no ano 2018, e estava lotado no 17º Batalhão de Polícia Militar.
O horário e local dos atos fúnebres serão informados posteriormente.
A Brigada Militar se solidariza com familiares, amigos e irmãos de farda, consternados neste momento de d
or.”

Brigada Militar retira das ruas 33,9 toneladas de drogas e mais de mil armas de fogo em dez meses de 2025

O combate ao tráfico de drogas inclui as apreensões que impactam financeiramente as organizações criminosas

A Brigada Militar (BM) apreendeu 33,9 mil toneladas (33.937,53 quilos) de maconha, cocaína e crack entre janeiro e outubro de 2025. Este resultado foi obtido por meio do policiamento ostensivo, da atuação dos comandos especializados e da realização de operações da Corporação, sustentados pelo serviço de inteligência e pelo uso das novas tecnologias, sob o fundamento da ética e do respeito aos direitos humanos. A maior apreensão ocorreu na região Norte do Rio Grande do Sul, o total de 13 toneladas (13.565,53 quilos.) A segunda maior apreensão superou 12,5 toneladas (12.510,93 quilos) e ocorreu na região Leste do Estado. Já nas regiões Sul e Oeste, as apreensões foram de 4,9 toneladas (4.918,67 quilos) e 2,9 toneladas (2.942,41 quilos), respectivamente.  

Destaca-se que a maconha é a droga mais frequente nas apreensões em todas as regiões, o que representa 96% do total, ou seja, 32,8 toneladas. As apreensões de cocaína representam 2,4% e, as de crack, 0,7%.

Armas de fogo

Ao passo que a Brigada Militar retira drogas das ruas combatendo as organizações criminosas do tráfico, combate a violência ao apreender as armas dos suspeitos. Entre janeiro e outubro deste ano, foram apreendidas o total de 4.325 armas de fogo, tendo sido a maior quantidade apreendida na região Leste, 2.093 unidades. Na região Oeste apreendeu-se 1.096 armas, na Norte 659 e, na região Sul, 477 unidades.

O serviço de excelência que a Brigada Militar presta à sociedade gaúcha é garantido por meio do constante aperfeiçoamento técnico oferecido aos Policiais Militares, bem como aos investimentos feitos em equipamentos e tecnologias.


Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM

FONTE: BRIGADA MILITAR

Estado é condenado a indenizar em R$ 100 mil mulher de policial morto durante operação no RS: “Vidas importam”, diz viúva

Também agente da Polícia Civil, viúva atuava na mesma ação em que Rodrigo Wilsen da Silveira foi baleado na cabeça em 2017

Pedro Trindade Madu Brito GZH

A Justiça condenou o Estado do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 100 mil a mulher de um policial civil morto durante uma operação realizada em Gravataí, na Região Metropolitana, em 2017. O escrivão Rodrigo Wilsen da Silveira, 39 anos, foi atingido por um tiro no rosto enquanto cumpria um mandado de busca e apreensão em um condomínio popular.

Também policial civil, a esposa de Rodrigo, Raquel Biscaglia, integrava a equipe e presenciou a morte do companheiro. A agente afirmou à Justiça que estava grávida e que o trauma também resultou na perda do bebê.

Em juízo, Raquel atribuiu ao Estado a responsabilidade pela falta de condições mínimas de segurança e apoio durante a operação policial. Já os representantes do Estado sustentaram à Justiça que a servidora não comprovou as alegações apresentadas no processo.

“Essa decisão judicial é uma afirmação de que vidas importam, que servidores públicos não são descartáveis, e que a segurança de quem protege deve ser prioridade”, disse a viúva em texto enviado à reportagem (leia, mais abaixo, a íntegra da mensagem).

A sentença que concedeu a indenização é assinada pelo juiz Frederico Ribeiro de Freitas Mendes, da 1ª Vara Cível da Comarca de São Gabriel. Cabe recurso da decisão.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou que “vai avaliar as medidas judiciais cabíveis” quando for intimada da decisão.

Segundo Raquel, “mais do que buscar uma reparação que jamais poderá preencher o vazio deixado pela perda do Rodrigo que tombou em serviço, essa ação representa um grito por responsabilidade”.

Entenda a decisão

No entendimento do juiz, o Estado falhou ao não adotar medidas preventivas para preparar os agentes para situações de risco, além de não fornecer equipamentos essenciais à segurança dos profissionais.

O magistrado ainda citou o dano moral por ricochete, que ocorre quando familiares sofrem abalo em razão do dano à vítima direta.

“A dimensão do abalo emocional causado pelo evento morte foi de tal ordem que resultou na subsequente e trágica perda gestacional, configurando uma dupla lesão à dignidade da pessoa humana e ao seu projeto de vida familiar”, concluiu o juiz Frederico Ribeiro de Freitas Mendes.

Relembre o caso

O crime aconteceu em junho de 2017. Policiais civis realizavam uma operação para desarticular uma quadrilha especializada em tráfico de drogas em Gravataí.

Em um determinado momento da ação, no interior de um apartamento, o então escrivão e chefe da investigação da 2ª Delegacia de Polícia, Rodrigo Wilsen da Silveira, foi baleado na cabeça. Ele chegou a ser conduzido ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Após o disparo, os agentes revidaram e houve troca de tiros. O escrivão estava com mais seis colegas, entre eles a esposa. Ele tinha filhos de sete e 10 anos à época.

Em 2022, um homem foi condenado a 80 anos e cinco meses de prisão pela morte do policial. Outros quatro réus foram sentenciados a penas entre 19 e 21 anos de reclusão.

O que diz a viúva do policial:

“VIDAS IMPORTAM.

Essa vitória não é apenas sobre leis. É sobre memória, dignidade e justiça.

Mais do que buscar uma reparação que jamais poderá preencher o vazio deixado pela perda do Rodrigo que tombou em serviço, essa ação representa um grito por responsabilidade. O Estado, que deveria ser o guardião da segurança de todos, tem também o dever inegociável de proteger aqueles que se dedicam diariamente a garantir essa segurança — nós policiais.

O que se travou nessa batalha judicial foi a demonstração clara de que a sobrecarga de trabalho, somada à ausência de condições mínimas — como efetivo suficiente e materiais adequados — não apenas dificultam o exercício da função, mas colocam vidas em risco. Essa negligência culmina em tragédias anunciadas.

A sentença reconheceu aquilo que tantas vezes é silenciado: que o risco da profissão não pode servir de escudo para a omissão do Estado. Que há uma linha tênue entre o dever e o abandono, e que essa linha foi ultrapassada. Essa decisão judicial é uma afirmação de que vidas importam, que servidores públicos não são descartáveis, e que a segurança de quem protege deve ser prioridade.

Essa vitória é também um alerta. Porque o que aconteceu com ele se repete, silenciosamente, todos os dias. E enquanto houver silêncio, haverá luta.”

Presos incendeiam colchões, quebram porta e ferem policial penal na Cadeia Pública de Porto Alegre

Servidora teve lesão no braço após tumulto no antigo Presídio Central

Marcel Horowitz Correio do Povo

Um princípio de incêndio atingiu a Cadeia Pública de Porto Alegre, o antigo Presídio Central, na noite desse domingo. O fogo foi provocado por detentos, que também quebraram a porta de uma das celas. Uma policial penal ficou ferida.

O caso ocorreu por volta das 22h, no módulo 3, que é reservado à facção V7. De acordo com agentes penais, os presos atearam fogo em roupas e pedaços de colchão. Depois, através de janelas, arremessaram as peças em chamas no pátio externo do local.

Atritos precederam o tumulto. Ainda segundo os servidores, no turno das visitas, o veto de potes com comida gerou indignação entre apenados. Somado a isso, uma revista geral havia acontecido dias antes, o que também foi motivo de revolta na galeria.

A equipe da unidade conseguiu controlar o fogo. Houve presidiários que tentaram agarrar as mangueiras na ação e que, por isso, foram alvejados com munição antimotim. Um deles chegou a dar um puxão no cabo e acabou lesionando o braço de uma policial penal. Ela passa bem.

Os presos ainda conseguiram arrancar a porta de uma cela. Alguns receberam atendimento médico, mas foram liberados. Mesmo após o fim da confusão, eles insistiram em batucar nas grades e fazer barulho ao longo da madrugada.

A reportagem contatou o diretor da CPPA, Renato Penna de Moraes, mas ele não havia dado retorno até o momento desta publicação. O espaço permanece aberto.

Em nota, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) disse que ninguém inalou fumaça. Também garantiu que os trabalhos na CPPA seguem em andamento, com rigor e disciplina.

Leia a nota da SSPS e Polícia Penal

A Polícia Penal informa que, no fim do último domingo (19/10), presos de uma das galerias da Cadeia Pública de Porto Alegre colocaram fogo em alguns colchões ocasionando um princípio de incêndio no lado externo das celas, próximo às janelas, que foi rapidamente controlado pelos servidores em serviço na unidade prisional.

Salienta-se ainda que, apesar do princípio de tumulto, os próprios servidores da unidade controlaram a situação. Após o fato, o Grupo de Ações Especiais foi acionado e uma revista geral foi realizada na unidade.

Internos foram levados para atendimento médico e já foram liberados. Não foi constatado nenhum atingido pela inalação da fumaça.

O Estado garante o funcionamento nova Cadeia Pública de Porto Alegre, com rigor e disciplina no cumprimento da pena.

Presos abriram cadeados na CPPA

No início deste mês, detentos retiraram os cadeados das celas em outro módulo da CPPA. De acordo com a SSPS, o episódio somou 109 apenados, e não 228, conforme havia sido estimado por agentes penais. A pasta negou que o espaço tenha sido “tomado de assalto” por apenados.

O fato ocorreu no dia 1º de outubro, na galeria 4, onde estão os presos da facção Os Manos. Ali, enquanto panelas eram recolhidas ao final da refeição, eles subiram na portinhola das celas e destrancaram as travas na parte superior das portas. Isso levou cerca de 45 minutos, tempo em que a área ficou sem vigilância.

Além disso, os cadeados tinham sido posicionados em trancas inferiores e não estavam completamente selados, o que facilitou a ação. Como se não bastasse, o ato passou batido no monitoramento das câmeras.

Os presidiários ficaram soltos no recinto, só não atravessaram o último portão de acesso. Eles ainda colocaram os cadeados dentro de uma fronha, que teria sido entregue aos agentes junto a uma lista de reivindicações. A SSPS garantiu que nenhuma demanda foi atendida.

Após o descuido, o supervisor do dia foi afastado. Porém, na visão de parte da categoria, houve falta de orientações técnicas e a medida isentou a gestão da cadeia de assumir possíveis responsabilidades. A reportagem contatou o diretor Renato Penna de Moraes, que novamente não quis fazer comentários.

Conforme a SSPS, o retorno dos presos às celas aconteceu sem uso de força. Ainda segundo a versão oficial, tudo começou a partir da insistência de alguns detentos em permanecerem no corredor da galeria após a refeição.

Presos escapam de celas e tomam galeria após falha na Cadeia Pública de Porto Alegre

Detentos retiraram cadeados; Polícia Penal nega ter cedido às exigências dos apenados

Marcel Horowitz Correio do Povo

Uma galeria foi tomada por detentos na Cadeia Pública de Porto Alegre. Eles conseguiram destrancar cadeados e provocaram tumulto dentro da unidade após falhas de segurança no início do mês. Agentes penais estimaram 228 detentos, mas a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) afirma que foram 109 apenados.

O caso ocorreu em 1º de outubro, na galeria 4, no módulo da facção Os Manos. Ali, enquanto panelas eram recolhidas ao final da refeição, presos subiram na portinhola das celas e destrancaram as travas na parte superior das portas. Isso levou cerca de 45 minutos, tempo em que a área ficou sem vigilância.

Além disso, os cadeados tinham sido posicionados em trancas inferiores e não estavam completamente selados, o que facilitou a ação. Como se já não bastasse, tudo passou batido no monitoramento das câmeras.

Os presidiários acabaram ficando soltos no recinto. Eles só não atravessaram o último portão de acesso. Segundo o relato de agentes penais, os apenados ganharam a regalia de manter “facilitadores” na galeria, ou seja, detentos que podem atuar como intermediários da autoridade penitenciária com a massa prisional. A SSPS nega a concessão de benefícios aos presos.

O supervisor do dia foi afastado de suas funções. Porém, na visão de parte da categoria, houve falta de orientações técnicas aos servidores e a medida isentou a gestão da cadeia de assumir possíveis responsabilidades.

A reportagem contatou o diretor da CPPA, Renato Penna de Moraes, mas ele não quis fazer comentários. Por meio de nota, a SSPS e a Polícia Penal explicaram o fato:

“A Polícia Penal informa que o funcionamento da nova Cadeia Pública de Porto Alegre segue normalmente, com a ocupação gradual das suas galerias e com os procedimentos e protocolos previstos sendo adotados, primando pela segurança dos servidores e pela dignidade no cumprimento da pena.

Em relação ao episódio ocorrido em 1º de outubro, é importante esclarecer que não houve rebelião, fuga ou tomada de galeria. O fato é que, no começo da manhã daquele dia, durante a refeição, presos permaneceram no corredor da galeria, recusando-se a retornarem às celas. Após intervenção, todos retornaram naturalmente para as celas, e o ambiente foi controlado sem necessidade do uso da força. Não houve qualquer concessões aos presos.

Cumpre informar que toda tentativa de subversão da ordem é repelida imediatamente, garantindo o efetivo controle do Estado no sistema prisional. Por fim, salientamos que todos os fatos ocorridos no sistema prisional são passíveis de apuração pela Corregedoria-Geral do Sistema Penitenciário.

O Estado tem aplicado um volume histórico de recursos no sistema prisional. De 2019 até o final deste governo, em 2026, o investimento ultrapassará R$ 1,4 bilhão, com a construção de novas penitenciárias, possibilitando a geração de mais de 12 mil vagas criadas e requalificadas, e a compra de equipamentos.”

Com prisão determinada pela Justiça, traficante é levado a penitenciária, mas tem acesso negado e acaba solto por delegado

Homem, suspeito de reincidir no crime pelo qual já tinha condenação, havia sido detido em flagrante em Taquari e agora está foragido

Carlos Rollsing GZH

Uma divergência administrativa entre Brigada Militar e Polícia Civil levou um delegado de Lajeado a determinar a libertação de um homem que tinha contra si mandado judicial de prisão preventiva vigente devido à reincidência no tráfico de drogas.

  • O caso inusitado começou com a detenção em flagrante do indivíduo, em Taquari, no Vale do Taquari, em 15 de setembro. Horas depois, o flagrante seria convertido em prisão preventiva pela Justiça. 
  • O desentendimento entre os agentes de segurança, motivado pela recusa de um policial militar em receber o suspeito na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, ocorreu no dia seguinte (16). 
  • Desde então, o homem está foragido. 

O boletim de ocorrência narra que ele declarou ser integrante de uma facção, além de ter antecedentes criminais por narcotráfico. O mandado judicial de prisão preventiva segue pendente de cumprimento, conforme consta no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os fatos narrados acima constam em despacho judicial e em duas ocorrências policiais. O delegado que determinou a soltura do homem é Marcelo Hartz, titular da Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) de Lajeado. Segundo registro do próprio Hartz em ocorrência de fato atípico, quem teria se recusado a receber o preso foi o sargento Jorge Luis Pimentel Filho, da Brigada Militar, apontado como o responsável pela gestão da PEJ naquela ocasião. Ele teria alegado que o detido não passou por audiência de custódia, que consiste na apresentação de pessoa a um juiz para a verificação da regularidade do flagrante e da prisão.

A Brigada Militar, em nota, afirmou que a conduta do sargento seguiu o protocolo estabelecido para o recebimento de detentos na PEJ. A Polícia Civil destacou que o mandado judicial de prisão dispensava “expressamente” a realização da audiência de custódia (leia os contrapontos ao final).

O caso começou quando uma equipe da Brigada Militar fazia patrulha a pé em um bairro de Taquari no dia 15, diz o boletim de ocorrência da prisão em flagrante. Um indivíduo foi avistado ao deixar um imóvel que seria usado por criminosos para a distribuição de drogas, portando um “volume na cintura”. Após a revista, foram encontrados com Bruno de Mello da Rosa 76 porções de cocaína. Ele também carregava pouco menos de R$ 1 mil em dinheiro e um celular.

Preso em flagrante por volta das 17h30min do dia 15, Rosa foi conduzido para a DPPA de Lajeado. O fato foi registrado às 20h44min. O suspeito permaneceu na carceragem da delegacia até que, na manhã de 16 de setembro, a 2ª Vara Judicial de Taquari acatou parecer do Ministério Público e converteu o flagrante em prisão preventiva. O magistrado mencionou a reincidência do homem, apontando a existência de uma condenação com trânsito em julgado por tráfico, e justificou que a medida era necessária para manter a ordem pública. Foi dispensada a realização de audiência de custódia. 

Após o despacho judicial, a DPPA de Lajeado solicitou à Polícia Penal a indicação de vaga em casa prisional pelo sistema informatizado. A resposta veio às 14h: o homem deveria ser conduzido à PEJ, estabelecimento sob gestão e guarda da Brigada Militar. Dois policiais civis chegaram à PEJ conduzindo o preso às 16h30min e, conforme os registros oficiais do caso, apresentaram a indicação de vaga da Polícia Penal e o mandado de prisão preventiva.

Contudo, a ocorrência de fato atípico registrada pelo delegado Hartz narra que o sargento Pimentel Filho teria se negado a receber o preso na PEJ. O sargento teria alegado que o suspeito não passara por audiência de custódia. Hartz afirma que “monitorou o impasse” e “realizou inúmeros contatos” com a Polícia Penal e a Brigada Militar. A negativa em receber o preso foi mantida. 

“Diante da situação, por volta das 18h, o delegado Marcelo (Hartz) determinou a liberação do preso e o retorno dos policiais civis à base”, diz a comunicação do titular da DPPA de Lajeado.

A ocorrência de fato atípico não diz onde ocorreu a soltura, mas ela teria sido feita na rodoviária de Charqueadas. O juiz Felipe Almeida Sant’Anna, da 2ª Vara Judicial de Taquari, manteve a vigência do mandado de prisão preventiva em 18 de setembro, dois dias após a libertação do suspeito. O magistrado, nessa decisão, rejeitou um pedido da defesa de Rosa de revogação da medida.

“A não realização de audiência de custódia, por si só, não invalida a prisão preventiva decretada com base em elementos concretos, notadamente a reincidência específica do investigado em crime de tráfico de drogas”, despachou Sant’Anna.

O magistrado expediu ofícios para as corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal requerendo apuração sobre a conduta dos agentes públicos: “A situação irregular ocorrida na condução do flagrante será devidamente apurada pelos órgãos competentes, conforme determinado nesta decisão, sem prejuízo da manutenção da custódia cautelar, que se mostra necessária para a garantia da ordem pública”.

A decisão não menciona nenhum pedido de exame de conduta de servidor público à Corregedoria da Brigada Militar.

O Ministério Público se manifestou em nota, em que afirmou que, no dia 18, após a libertação do suspeito, apresentou novo parecer nos autos do inquérito “reiterando a legalidade e necessidade da prisão preventiva, destacando urgência no cumprimento do mandado.”

Embora permaneça foragido, a Polícia Civil finalizou, no dia 22 de setembro, o inquérito relacionado ao flagrante em Taquari, com o indiciamento de Rosa por tráfico de drogas.

Contrapontos 

O que dizem a Brigada Militar e o sargento Jorge Luis Pimentel Filho

A Brigada Militar esclarece que, no dia 16 de setembro de 2025, a Penitenciária Estadual do Jacuí informou formalmente ao Departamento de Segurança Prisional que poderia receber o apenado oriundo de Taquari somente após a realização da audiência de custódia, conforme registrado em mensagem expressa de e-mail. Como o preso não havia sido submetido à audiência de custódia, o ingresso não pôde ser autorizado.

O procedimento de recebimento na unidade segue protocolos definidos entre o Departamento de Segurança Prisional e a Vara de Execuções Criminais, assegurando triagem prévia e o cumprimento dos requisitos legais. As solturas são realizadas exclusivamente mediante decisão judicial, após conferência do setor de Alvarás da Polícia Penal.

O que diz a Polícia Civil, por meio da delegada Shana Luft, titular da Delegacia de Polícia Regional de Lajeado

Sobre as circunstâncias que levaram à liberação do autuado Bruno de Mello da Rosa, informo que os presos das cidades de Taquari e Tabaí, pertencentes à nossa região policial, não são aceitos nos presídios da região do Vale do Taquari devido à competência das VECs (varas de execuções criminais). Diferentemente do que ocorre com os presos das demais cidades do Vale do Taquari, os presos de Taquari e Tabaí somente ingressam nos estabelecimentos penais mediante prévia solicitação e autorização de vaga deferida pela Susepe (Polícia Penal). Enquanto não há autorização de vaga expedida pela Susepe, os presos permanecem sob custódia da DPPA de Lajeado. O preso permaneceu na DPPA entre 21hs do dia 15/09 até às 15hs do dia 16/09, horário em que sobreveio o comunicado de vaga na PEJ. Ao chegar no presídio indicado pela Susepe, houve a recusa no recebimento do preso sob o argumento de que não havia sido realizada audiência de custódia, embora no mandado de prisão constasse expressamente a dispensa de sua realização.

Após 1h30min sem a resolução do problema, havendo a necessidade de retorno dos policiais para a DPPA, que estava com um movimento intenso (considerando o deslocamento, a equipe ficou afastada mais de 5hs da sede policial), sendo que nesse intervalo ingressaram mais dois presos em flagrante (um deles novamente de Taquari, aguardando a definição de uma vaga prisional), visando prestar melhor atendimento ao público e considerando a necessidade de preservação dos direitos do preso, optou-se pela sua liberação.

A DPPA de Lajeado funciona em estrutura adaptada em outra DP da cidade, uma vez que o prédio onde funcionava foi fortemente atingido pela enchente de maio de 2024, sendo necessária a troca de local de atendimento. Na sede provisória, há apenas uma cela para todos os presos aguardarem o encaminhamento adequado após a decretação da prisão. Em breve, inauguraremos o novo local de funcionamento desta delegacia.

O que diz o delegado Marcelo Hartz

Contatado pela reportagem, disse que não se manifestaria sobre o caso.

O que diz Bruno de Mello da Rosa

O advogado Diego Lopes dos Santos afirmou que “a defesa não irá se manifestar”.

Incêndio criminoso destrói viaturas e embarcações no Batalhão Ambiental da BM em Capão da Canoa

Câmeras de segurança registraram ação de suspeito

Marcel Horowitz Correio do Povo

Um incêndio criminoso foi registrado na madrugada desta sexta-feira na sede da Patrulha Ambiental (Patram) do 1º Batalhão Ambiental de Capão da Canoa, no Litoral Norte. De acordo com a Brigada Militar, um suspeito teria invadido a unidade e ateado fogo na garagem. Ninguém havia sido preso até o momento desta publicação.

O caso ocorreu por volta das 3h, com o início do fogo na parte dos fundos da estrutura, que fica na rua Luiz Alves Pereira, no bairro Louro. Foram atingidos duas lanchas, duas motos aquáticas, quatro viaturas, dois reboques e duas motocicletas. A parte externa do prédio também ficou danificada.

Um sargento estava no local e acionou o Corpo de Bombeiros, que controlou as chamas por meio de um caminhão auto bomba tanque (ATP). Ele não teve ferimentos. Conforme o relato dele, o fogo teve início em pontos separados, indicando se tratar de um incêndio proposital e doloso

Além disso, as câmeras de monitoramento da unidade gravaram a ação de um suspeito. O registro mostra que, às 2h49min, um homem com vestes escuras pulou o muro lateral da unidade e foi em direção à garagem. Acontece que, por conta da baixa qualidade das imagens, ele ainda não pôde ser identificado.

Policial da Brigada Militar salva bebê de engasgamento

Agente conseguiu recuperar os sinais vitais da criança

Gil Martins Rádio Acústica FM

Na noite de quarta-feira, 10 de setembro de 2025, a Brigada Militar realizou um resgate crucial em Charqueadas, na Região Carbonífera do Rio Grande do Sul. Uma bebê de apenas 16 dias, chamada Malu, sofreu um engasgamento em casa, levando seus familiares a buscarem ajuda imediata.

Policial da Brigada Militar conseguiu realizar manobra de Heimlich

O soldado Machado, da guarnição de serviço, atendeu ao chamado e aplicou a manobra de Heimlich adaptada para recém-nascidos, desobstruindo as vias respiratórias da criança.

Após o procedimento, Malu recuperou os sinais vitais e foi levada ao Hospital de Charqueadas para avaliação médica, onde foi constatado que ela estava bem.

A família, emocionada, expressou gratidão pela rápida intervenção dos policiais, destacando que a ação foi essencial para salvar a vida da bebê.

A Brigada Militar enfatiza a importância do conhecimento em primeiros socorros, especialmente em casos de engasgamento, que requerem ação imediata e precisa até a chegada de profissionais de saúde.

Por que a Polícia Penal derrubou drone da BM em Porto Alegre

Equipamento custa R$ 50 mil e foi abatido na região do Centro Administrativo

Jocimar Farina GZH

Agentes da Polícia Penal derrubaram um drone da Brigada Militar no domingo (7) na região do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho. O equipamento, que custa R$ 50 mil, sobrevoava a região que está recebendo o Acampamento Farroupilha.

Os policiais militares também faziam um sobrevoo para acompanhar a segurança do desfile de Sete de Setembro, que ocorria na Orla. Depois de perder o sinal do equipamento, ele foi localizado em cima de um prédio localizado na Rua Demétrio Ribeiro.

A queda fez com que o drone, que tem visão noturna, câmera termal e é usado em prisões e operações, ficasse inutilizado. A corporação informa que não foi comunicada a respeito de qualquer proibição de sobrevoar a região.

Segundo a assessoria da Secretaria Estadual de Sistemas Penal e Socioeducativo, a Polícia Penal realizava um monitoramento estratégico no parque e, por motivos de segurança, não detalhará o trabalho executado no local.

— Inclusive aconteceu uma situação inusitada, que agora no desfile de 7 de Setembro, tinha um drone sobrevoando ali onde vai ter o evento da Red Bull. Era um drone da Brigada Militar. O nosso antidrone acabou interceptando ele e acabou dando um prejuízo — reconheceu o secretário Jorge Pozzobom, em entrevista na quinta-feira ao Gaúcha Atualidade.

Além disso, no sábado (6), diversos drones também foram derrubados e recuperados na Escola Técnica Estadual Parobé, ao lado do Centro Administrativo Fernando Ferrari. Seus proprietários relataram aos servidores da instituição de ensino que seus equipamentos eram atingidos quando tentavam captar imagens da pista de skate.

Segundo Pozzobom, não há informação de que o antidrone da Polícia Penal tenha sido utilizado na região também no sábado. De acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública, um procedimento investigatório interno foi aberto para avaliar melhor as circunstâncias do acidente.

Com relação ao evento da pista de skate no Centro Administrativo, um termo de cooperação firmado entre a Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) e a Red Bull foi assinado. O documento foi obtido pelo repórter Paulo Egídio. 

Nele, não há qualquer menção de proibição de captação de imagens do público externo. No entanto, a empresa e suas parceiras terão exclusividade na produção de imagens do evento.

O que falta explicar

  1. Por qual motivo a Polícia Penal usou seu equipamento antidrone numa região sem presídios?
  2. Por que a Brigada Militar não foi informada sobre a impossibilidade de sobrevoar a região onde ocorriam eventos públicos sensíveis à segurança?
  3. Quem derrubou os drones no sábado?
  4. Por que equipamentos que se aproximavam da pista de skate do Centro Administrativo também foram derrubados?