Na manhã desta segunda-feira (23), três criminosos morreram após um confronto com o 3º Batalhão de Polícia de Choque (3º BPChq) da Brigada Militar em Passo Fundo. O tiroteio ocorreu na rua Dalila Melo, trecho da Perimetral Sul, nas proximidades do Sest Senat.
Conforme informações apuradas, os indivíduos saíram do bairro Morada do Sol em um veículo Corsa com placas de Carazinho. Durante tentativa de abordagem, houve reação e confronto armado com os policiais. O carro foi alvejado com diversos disparos de fuzil calibre 5.56.
Cinco viaturas do 3º BPChq participaram da ação. A área foi isolada para o trabalho do Instituto-Geral de Perícias (IGP), e a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso.
As identidades dos mortos ainda não foram divulgadas oficialmente. Com eles, armas e outros materiais podem ter sido apreendidos — o que será confirmado com o avanço da investigação.
Policiais do 3º BPChq localizaram mais de sete toneladas de maconha e detiveram sete traficantes em Nonoai
Marcel Horowitz Correio do Povo
A Brigada Militar vai homenagear o efetivo do 3º Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), que realizou a maior apreensão de maconha na história da corporação. O evento acontecerá nesta quarta-feira, a partir das 14h, no Quartel do Comando-Geral, no Centro Histórico de Porto Alegre.
Os fatos que ensejaram a solenidade ocorreram na madrugada de 7 de junho, quando mais de sete toneladas de maconha foram apreendidas em Nonoai, no Norte gaúcho. Além disso, sete traficantes foram detidos na ação.
“Graças à persistência, tenacidade, resiliência e adequado senso de profissionalismo, foi possível realizar essa grande apreensão e as prisões. Toda a operação durou quase 24 horas, entre receber as informações, localizar a carreta, monitorar e abordagem, até a apresentação na Delegacia da Polícia Federal em Passo Fundo”, disse o comandante do 3º BPChq, tenente-coronel Rogério Navarro.
“Tal apreensão, histórica no Rio Grande do Sul, representa cada vez mais a importância e a missão incansável da BM em agir diuturnamente na árdua missão de prevenir a criminalidade em geral, principalmente no tocante a crimes que afetam negativamente a segurança pública e o controle dos homicídios. O tráfico de drogas está diretamente relacionado à grande maioria dos assassinatos, além de corroer famílias e destruir a sociedade”, enfatizou o tenente-coronel Navarro.
Relembre a ação em Nonoai
No dia 7 de junho, por volta da 1h, os policiais do Serviço de Inteligência da BM receberam denúncias sobre uma propriedade rural em Nonoai que servia para armazenar narcóticos. A informação era que os ilícitos seriam transportados em um caminhão, e o efetivo do 3° Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) foi deslocado antes que os criminosos iniciassem o trajeto.
As guarnições do Choque chegaram no local indicado, próximo às 3h, quando flagraram o bando enquanto descarregava a carga do caminhão, oculta entre sacos de grãos de milho.
Quatro adultos foram presos e três adolescentes, apreendidos. Um dos detidos tinha contra si um mandado de prisão em aberto. Foram confiscados o caminhão, um Mercedes-Benz Sprinter e um Volkswagen Gol.
Homem teria fugido após causar colisão no domingo. Delcio Schulbert Teixeira morreu no local
GZH
O suspeito de provocar o acidente que vitimou um policial militar na noite de domingo (8), em Vale Verde, no Vale do Rio Pardo, se entregou à polícia nesta terça-feira (10). O homem procurou uma delegacia, acompanhado de um advogado, e prestou depoimento. Depois, foi liberado. O nome dele não foi divulgado.
Este homem seria o motorista do carro que atingiu a moto em que estava o PM Delcio Schulbert Teixeira, 45 anos, na RS-244. Ele teria fugido após a colisão. O motociclista morreu no local.
À polícia na terça, o suspeito afirmou que invadiu a pista contrária, causando o acidente, porque viu um vulto na estrada. Ele ainda admitiu ter estado em uma festa, mas negou ter ingerido bebidas alcoólicas.
O caso segue sob investigação pela Polícia Civil. O delegado Luciano Menezes, da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Santa Cruz do Sul, diz duas testemunhas já interrogadas afirmaram ter visto o homem bebendo durante a festa. A Brigada Militar afirma que foi encontrada uma garrafa de cachaça dentro do carro, após o acidente. Se a investigação confirmar que o motorista estava alcoolizado, o caso pode ser enquadrado como homicídio.
De acordo com a Brigada Militar, Delcio Teixeira, natural de Tupanciretã, na Região Central, era soldado do 1º Regimento de Polícia Montada de Santa Maria, mas estava cedido para a Penitenciária Estadual do Jacuí, em Charqueadas. O soldado estaria em deslocamento para o trabalho quando sofreu o acidente.
Daniel Nardon está preso preventivamente por suspeita de lesar clientes em ações judiciais
Lucas Abati Guilherme Milman GZH
Um dos casos que mais chamou atenção na atuação do advogado Daniel Nardon, investigado por lesar clientes em supostas fraudes em ações judiciais no Estado, foi a abertura de mais de 130 processos no nome de apenas uma pessoa. O advogado está preso preventivamente desde o dia 15 de maio e teve a licença na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspensa.
O homem que teve o maior número de processos identificados até então é um policial militar aposentado, perfil que se encaixa na maioria dos clientes do advogado: servidores públicos aposentados e pensionistas. Em entrevista exclusiva à Zero Hora, o homem contou que passou a desconfiar de Nardon em janeiro deste ano, quando descobriu que não recebeu a totalidade do valor liberado em um alvará judicial.
— Eu descobri que ia sair R$ 28 mil. Aí eu questionei eles. Me disseram: “Nós vamos fazer o cálculo, e o financeiro vai te passar”. Demorou dois, três dias, e me passaram o valor: R$ 5 mil, que sobraram de R$ 28 mil — conta.
— Aí questionei de novo: “De R$ 28 mil, só me sobraram R$ 5 mil? E o restante?” Disseram: “Essa aí é uma parte que o banco fica, porque foi calculado assim, que os juros e a correção foram em valores menores, então nós temos que devolver para o banco” — diz o homem, que pediu para não ser identificado.
Não convencido com a resposta, o aposentado decidiu procurar outro advogado. Foi quando descobriu as centenas de ações movidas em seu nome, além de outros valores liberados em alvarás judiciais.
— Se eu tivesse conhecimento do valor de cada alvará que saiu, que foi pago para ele, o que sobraria para mim seria mais de R$ 100 mil, eu acredito — projeta.
Advocacia predatória
O caso do aposentado foi um dos que chegou ao conhecimento do Núcleo de Monitoramento do Perfil de Demandas, órgão ligado à Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), pela suspeita da chamada advocacia predatória, que acontece quando um profissional entra com ações em massa de forma infundada ou irregular visando o lucro.
— É uma lesão à Justiça, não só às pessoas, pelo custo em si de cada um desses processos, pela quantidade de juízes, pelas múltiplas ações — 50, 60, 80 —, quando se poderia fazer quatro ou cinco — avalia o advogado Diogo Teixeira, que agora representa o policial aposentado.
Advogado Diogo Teixeira diz que postura de Nardon prejudicou clientes e a própria Justiça.Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
A sequência de ações foi identificada pelo próprio Tribunal de Justiça em outros casos semelhantes, com uma notificação enviada para a OAB em janeiro do ano passado, pedindo informações para instruir processos administrativos contra o advogado Daniel Nardon. Conforme apurado por Zero Hora, juízes de primeiro grau perceberam, por mais de uma vez, a suspeita de advocacia predatória nos processos e negaram as ações.
Na última semana, Nardon foi alvo de uma segunda fase da Operação Malus Doctor, que investigou o possível envolvimento de uma financeira no esquema. Para a defesa do advogado, as acusações são uma retaliação dos bancos, principais alvos das mais de 100 mil ações conduzidas por ele, que questionavam o juro de empréstimos contraídos por servidores públicos e aposentados.
— Dessas 100 mil ações, ele alega claramente, e fortemente vai provar isso, que não ficou com dinheiro de ninguém. Ele sempre fez e prestou contas às pessoas daquilo que elas tinham direito dentro das (ações) revisionais — argumenta Ricardo Breier, um dos advogados de Nardon.
“Tinha um monte de papel no meu nome, que eu não assinei”
Com mais de 20 ações movidas em seu nome, um casal de policiais militares aposentados também desconfiou da atuação do escritório do advogado ao acessar o sistema de consultas públicas do Tribunal de Justiça e descobrir que tinha processos com alvarás liberados. Os policiais aposentados afirmam que nunca tiveram contato direto com Nardon, mas sempre foram atendidos por outro advogado do mesmo escritório.
— Eu tinha valores a receber, recebi o comunicado de um alvará, que dava em torno de R$ 3 mil, R$ 4 mil o outro. A gente foi lá saber como eles iriam fazer para pagar, que o alvará estava lá havia um tempão. Disseram que iriam mandar para o contador, e eu recebi só R$ 300 — diz a mulher.
Sem respostas sobre os valores a receber, decidiram registrar um boletim de ocorrência na 19ª Delegacia de Polícia e fazer reclamações diretamente no escritório. Mesmo após isso, novas ações foram abertas no nome do casal.
— Tinha um monte de papel no meu nome, que eu não assinei, e valores que estavam saindo com o Judiciário para pagar os alvarás. Não recebi nenhum valor — afirma a aposentada.
Com novas reclamações do casal de PMs, o advogado representante do escritório fez uma proposta para resolver a situação.
— Ele puxou de uma pasta preta um envelope pardo com valores ali dentro, me disse que tinha média de R$ 7 mil, R$ 8 mil. (Disse) Que, primeiro, o doutor Nardon viu que tinha erro nas ações, que o pessoal descontou o que não deveria e que ele estava ali para resolver a minha situação. Eu disse que não era esse valor, que eu tinha um dinheiro a mais. Ele disse: “Vamos resolver essa parte” — contou o homem.
Casal alega ter sido lesado por advogado.Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Operação Malus Doctor
A Polícia Civil deflagrou a Operação Malus Doctor em 8 de maio, cumprindo 74 mandados judiciais. A investigação apontou que o escritório havia movido cerca de 145 mil ações “potencialmente fraudulentas” — sendo 112 mil somente no RS e 30 mil em SP. O suposto esquema teria lesado cerca de 10 mil pessoas, com movimentações que somam R$ 50 milhões.
Além disso, foi revelado à época que Nardon foi responsável por 47% de todas as ações contra instituições financeiras no TJ‑RS, sendo o quinto maior litigante na Corte.
Daniel Nardon está preso preventivamente desde maio.Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Após a operação, o advogado teve sua licença suspensa de forma preventiva pela OAB, impedindo sua atuação profissional. O TJ-RS também orientou que magistrados suspendessem os processos e que os autores regularizassem suas representações.
No dia 3 de junho, a Polícia Civil realizou a segunda fase da operação, com o objetivo de investigar uma financeira responsável pela captação de clientes. A instituição, que em tese deveria fornecer empréstimos e financiamentos, era usada para encontrar e atrair clientes em potencial para o escritório de Nardon.
Inquérito principal
Além dos inquéritos abertos para apurar cada caso de forma individual — inclusive os novos — o inquérito principal foi concluído na última sexta-feira (6). No documento de 76 páginas, ao qual Zero Hora teve acesso, a polícia aponta todas as condutas que expõem o funcionamento do esquema.
Como resultado do inquérito, o advogado foi indiciado por sete crimes: apropriação indébita, estelionato contra pessoa idosa, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, patrocínio infiel e falsificação de documento particular.
Em nota, a defesa diz que se trata de “um desdobramento previsível, sobretudo em um contexto em que o rito formal da investigação tem sido, em grande medida, convertido em espetáculo midiático”.
Subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, esteve na cidade para tratar do protocolo baseado em estudo norte-americano
Camila Boff Pioneiro
Com os índices de homicídios estabilizados após uma escalada de violência no início de 2024, Caxias do Sul vive um novo momento no combate à criminalidade. Nesta semana, o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, esteve na cidade para apresentar a teoria por trás da estratégia já em curso: a dissuasão focada.
O modelo tem origem no estudo do criminólogo norte-americano David Kennedy e indica que não é possível resolver todos os crimes de uma só vez. A lógica, então, é priorizar o delito que mais provoca temor na população (no caso, o homicídio) e adotar protocolos que dificultem a repetição.
— Não temos como atacar tudo. Temos que escolher o crime que mais assombra a comunidade e agir diretamente nele — afirma o coronel.
A estratégia, implantada inicialmente na Região Metropolitana, tem como plano de fundo a principal ferramenta do RS Seguro. O programa de segurança pública, implementado em fevereiro de 2019 e que hoje abrange os 497 municípios gaúchos, adota a integração dos órgãos de segurança pública para reduzir a criminalidade.
Além da Brigada Militar e da Polícia Civil, participam do processo a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), a Polícia Penal, o Ministério Público, o Poder Judiciário, o Instituto-Geral de Perícias, o Corpo de Bombeiros e o Detran. Na dissuasão focada, cada instituição assume etapas específicas do protocolo, que vão desde a prevenção até a responsabilização dos criminosos.
— A dissuasão focada trabalha com integração. Cada passo do protocolo cabe a uma instituição diferente. É isso que permite que o resultado seja mais robusto — ressalta.
Acompanhado pelo diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Mario Souza, o subcomandante-geral veio a Caxias para conversar com integrantes da BM e da Polícia Civil, uma vez que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) decidiu “apresentar o conhecimento por trás do que já vem sendo feito”. A ideia é capacitar os operadores locais para que aprimorem os protocolos com base na experiência cotidiana.
— Duas cabeças pensam melhor do que uma. Ao entender a teoria, o operador pode propor inovações e usar tecnologias que fortaleçam a execução — afirma Douglas.
Uma das metas do RS Seguro é reduzir as taxas de homicídio para 100 mil habitantes nos municípios. Segundo o coronel, no Estado, o índice já foi de 30 mortes para cada 100 mil habitantes.
— Hoje nós trouxemos isso para a casa dos 14, 15, 16 para cada 100 mil em todo o Estado. Algumas localidades já têm um padrão europeu, abaixo de 10. Qual é a expectativa nos próximos anos? É que nós consigamos atingir a taxa em todo o Estado para 10 mortes para cada 100 mil habitantes.
Segundo o subcomandante, além de reduzir indicadores e combater a criminalidade, a proposta do RS Seguro é criar um ambiente protegido para a vida nas cidades.
— A ordem nas ruas atrai riquezas. A segurança, para qualquer empreendimento, é um quesito extremamente importante para que a gente não tenha um gasto desnecessário com algo que o Estado já deveria dar — defende o coronel.
Brigadiano aguardava parentes em compras no local quando viu a ação dos criminosos e decidiu intervir
Uma tentativa de assalto deixou um policial militar (PM) ferido, na noite desta segunda-feira (2), em frente a um supermercado, no bairro Estância Velha, em Canoas.
Segundo o 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o PM aguardava parentes em compras no local quando viu a abordagem de dois homens e decidiu intervir.
O brigadiano reagiu. Houve troca de tiros e o policial acabou atingido no joelho. Os assaltantes escaparam a pé até um veículo estacionado a metros de distância. Enquanto o PM era socorrido, a BM organizou rapidamente uma caçada policial em busca dos suspeitos do crime. Horas depois, já no meio da madrugada desta terça-feira (3), os três um homem e dois adolescentes – foram capturados. Um deles estava com um revólver, que foi apreendido. “Trabalhamos rápido visando um cerco policial que garantisse a captura dos suspeitos”, explica o comandante do 15º Batalhão de Canoas, Clóvis Ivan Alves. Conforme o tenente-coronel, o policial foi socorrido e encaminhado para o Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, onde se recupera. “Ele foi atingido no joelho durante a fuga dos criminosos, mas está fora de perigo e se recuperando”, afirma o comandante.
Um policial militar protagonizou um ato de heroísmo na noite do último domingo (1º), ao resgatar um idoso de 72 anos e seu neto de 16, após o carro em que estavam cair de uma das pontes do Pedroso, por volta das 18h.
Segundo informações, o veículo perdeu o controle enquanto atravessava a ponte e caiu de cabeça para baixo nas águas do rio. As vítimas ficaram presas no interior do carro, em situação crítica.
Testemunhas relataram que os familiares das vítimas seguiam logo atrás em outro automóvel e presenciaram todo o acidente, em estado de desespero.
O soldado Saidelles, da Brigada Militar (2º Regimento de Polícia Montada), que também estava próximo do local, não hesitou: parou o carro, pulou da ponte e nadou até o veículo, mesmo sofrendo uma lesão no pé e no joelho durante o salto. Ainda assim, conseguiu abrir a porta do carro, retirar primeiro o adolescente e, em seguida, o idoso, já desacordado.
A comunidade começou a se mobilizar e equipes da Brigada Militar, Corpo de Bombeiros e SAMU foram acionadas e prestaram atendimento no local. As três pessoas foram levadas à Santa Casa de Caridade de São Gabriel, onde receberam atendimento médico e foram liberadas no mesmo dia.
O caso repercutiu na cidade como exemplo de coragem e dedicação. O gesto do soldado Saidelles foi reconhecido por colegas de farda e por moradores como um verdadeiro ato de bravura.
Sandro Caron foi um dos convidados do evento Tá na Mesa, realizado pela Federasul nesta quarta-feira para debater o tema
Leticia Mendes GZH
A escassez de efetivo em Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams) e casos de demora no atendimento às vítimas de violência doméstica, como apontados pela reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI) no mês passado, estiveram entre os aspectos abordados durante o evento Tá na Mesa, promovido pela Federasul nesta quarta-feira (28), em Porto Alegre.
Em coletiva à imprensa — antes do início do debate sobre feminicídios —, o secretário de Segurança Pública do Estado, Sandro Caron, comprometeu-se a reforçar o efetivo policial nessa área, tanto na Polícia Civil, como na Brigada Militar.
— Hoje, a maior prioridade em respeito à segurança pública no RS é, obviamente, o combate à violência doméstica. Então, a gente vai dar uma atenção muito, muito, muito grande. A gente sabe que investimentos e equipamentos são importantes, mas também o incremento de pessoas para atuar nessa área, tanto na BM, como na Civil — disse o secretário.
No plantão da 1ª Delegacia da Mulher de Porto Alegre, onde, segundo a reportagem do GDI, entre fevereiro e abril 307 mulheres desistiram de registrar boletim de ocorrência, segundo a Polícia Civil houve reforço no efetivo.
Diretora do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis, a delegada Tatiana Bastos, que assumiu o cargo neste mês, afirmou na coletiva que houve aumento do número de policiais por equipe de atendimento:
— Dois dias antes de eu tomar posse, nós já colocamos um a mais em cada equipe, e até o final deste mês, colocaremos mais um. Então, ficarão seis policiais por equipe, o que, de acordo com as resenhas de plantão diárias que estou acompanhando, com seis servidores a gente conseguirá não só dar um bom atendimento, mas também garantir que o policial possa sair de férias, tirar folga, se alguém se afastar, não vai ter um prejuízo.
Um processo administrativo (PROA) que tramita desde janeiro, aberto pela direção da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), aponta que as equipes de plantão na 1ª Deam precisam ter oito policiais.
Segundo Caron, a expectativa é de que com a formação de 720 agentes num concurso em andamento pela Polícia Civil será possível fazer incremento nesta área.
Com os concursos que estão em andamento, vamos ter que fazer incremento de pessoas para atuar nessa área. Temos duas turmas em formação na BM, até dezembro, e já, ano que vem, entram turmas do concurso em andamento. Em relação à PC, temos concurso em andamento, quase publicando editais. A perspectiva é de que, no início do ano que vem, eles façam a formação e em poucos meses já estejam integrando as estruturas.
SANDRO CARON
Secretário de Segurança Pública do RS
Foco nos agressores
Na Brigada Militar, conforme Caron, um dos intuitos é expandir a atuação das Patrulhas Maria da Penha, atualmente presentes em 114 municípios. Nessa linha, uma estratégia que a secretaria pretende consolidar é a de ter um trabalho mais voltado aos agressores, e não somente à fiscalização do cumprimento das medidas com visitas às vítimas.
— A gente avaliou, com o olhar policial operacional, que o agressor também tem que entender que está sendo acompanhado pela Brigada e pela Polícia Civil. Desde março, as Patrulhas Maria da Penha, que faziam regularmente visitas às vítimas, passaram a fazer visitas ao agressor. Claro que, para isso, precisa de mais efetivo. Tenho que acolher e proteger as vítimas, mas também tenho que punir severamente o agressor — afirmou o secretário.
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações acesse: https://www.mprs.mp.br/atendimento/
De acordo com a BM, com a ajuda de câmeras, em Porto Alegre, o número de veículos roubados por dia caiu de 40, em 2016, para 1,8, em abril de 2025
Correio A Brigada Militar tem intensificado o uso de tecnologia para reforçar a segurança pública. Câmeras corporais, videomonitoramento inteligente, drones operacionais e testes com reconhecimento facial estão entre os recursos que já mostram resultados: em Porto Alegre, o número de veículos roubados por dia caiu de 40, em 2016, para 1,8, em abril de 2025.
Segundo o tenente-coronel Cristiano Moraes, do Centro Integrado de Operações (Copom), a inteligência artificial já auxilia diretamente em prisões. Com cerca de 2,7 mil câmeras e mil câmeras corporais em operação, o sistema detecta automaticamente situações suspeitas e envia alertas em tempo real às viaturas.
As câmeras corporais, com GPS e gravação de áudio e vídeo, geraram quase um milhão de registros em oito meses, contribuindo para a transparência das ações policiais. Drones também são usados em eventos e ações táticas, com transmissão ao vivo para o Copom.
O cercamento eletrônico tem sido decisivo na recuperação de cerca de 60% dos veículos roubados na capital. Toda a comunicação entre os agentes e a central é protegida por criptografia e passou a ser registrada digitalmente após um investimento de R$ 1 milhão.do Povo
Equipamentos foram apresentados nesta sexta-feira junto dos mais de 250 veículos e uma aeronave recém-adquiridos pelo governo do Rio Grande do Sul
Gabriel Jacobsen GZH
A Polícia Penal gaúcha passou a contar, nesta sexta-feira (23), com as suas primeiras armas antidrone para tentar frear a remessa de celulares, armas e outros materiais ilícitos para dentro de presídios. Os equipamentos foram apresentados no começo da tarde junto dos mais de 250 veículos e uma aeronave recém-adquiridos pelo governo do Rio Grande do Sul.
As três armas serão utilizadas nas cadeias gaúchas onde há mais relatos de aproximação de drones. Segundo dados de dezembro de 2024, o Estado conta com 84 presídios e penitenciárias de regime fechado e outras 17 de regime semiaberto.
— O kit antidrone possui tecnologia militar que neutraliza essas ações criminosas. Possui todos os níveis de contramedida. É um equipamento utilizado inclusive pela Otan na Guerra da Ucrânia — explicou Gustavo Stupp, chefe da Seção de Material Bélico da Polícia Penal gaúcha.
Como funciona o equipamento
Segundo Stupp, o que a arma faz é, utilizando a emissão de frequências específicas, interferir no contato entre o operador do drone e o dispositivo que está voando. Assim, com o uso do kit, os policiais penais poderão fazer o drone pousar imediatamente ou retornar ao ponto de decolagem.
— O kit antidrone tem a capacidade de neutralizar o drone, e o operador (da arma antidrone) pode fazer o drone retornar a sua origem para a gente possa localizar tanto o material ilícito quanto o piloto do drone — acrescentou Stupp.
Cada um dos kits antidrone custou ao Rio Grande do Sul R$ 1,4 milhão. O equipamento já é usado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e por agentes de segurança de SP e MG.
O equipamento comprado pelo governo gaúcho é o DroneGun Tactical, da empresa Droneshield. Em seu site, a empresa promete que o dispositivo “oferece uma contramedida segura contra uma ampla gama de ameaças de sistemas aéreos não tripulados (por exemplo, drones), sem causar danos (…) ao ambiente circundante”. O kit ainda inclui bloqueador de sinal portátil que pode neutralizar aeronaves em ambientes críticos.
Equipamento intercepta sinal entre drone e o operador da aeronave não tripulada.Gabriel Jacobsen / Agência RBS
Novo helicóptero e viaturas
Nesta sexta, além desses equipamentos, foram entregues às forças de segurança pública do Estado um helicóptero e 242 viaturas para a Brigada Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e o Instituto-Geral de Perícias. Também foram entregues 29 viaturas-cela semiblindadas, oito ônibus, um guincho para a Polícia Penal.
Dos cerca de R$ 140 milhões investidos nesses equipamentos, R$ 49 milhões vieram do Fundo do Plano Rio Grande — dinheiro destinado à reconstrução do Estado após as enchentes.