PM de Caxias do Sul segue hospitalizado após explosão em Porto Alegre e precisa de doação de sangue

Soldado Kroth necessita de doação de sangue. Ele está internado há 27 dias e circunstâncias do fato ainda não foram divulgadas pela Defesa Civil estadual


Redação Leouve

Porto Alegre  Um policial da Brigada Militar de Caxias do Sul segue internado no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre após sofrer queimaduras graves durante um acidente ocorrido no dia 3 de abril, nas instalações do Departamento de Logística da Defesa Civil Estadual, na rua Joaquim Porto Vilanova, no bairro Bom Jesus, na zona leste da capital. Alberto Luiz Ghisleni Kroth (SD PM Kroth) atuava na Defesa Civil quando se feriu.

De acordo com nota oficial à época (confira abaixo), ele recebeu atendimento imediato e foi levado ao setor de queimados do hospital, onde permanece internado. Segundo informações apuradas pela reportagem do Portal Leouve, uma possível explosão de desodorantes vencidos teria causado o acidente, mas as autoridades não confirmaram essa informação oficialmente. A Defesa Civil, no dia seguinte ao incidente, havia dito que no momento do fato ocorria o descarte de material – mas não qual – e alega que as circunstâncias serão apuradas por meio de procedimento e, por isso, aguarda o desfecho. O agente teve queimaduras de terceiro grau.

Estado de saúde e apelo por doações

O estado de saúde do policial inspira cuidados e, neste momento, ele precisa com urgência de doações de sangue. Amigos, familiares e colegas de farda organizam mobilizações para incentivar a população a doar. A Associação da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (Abamf) regional, está organizando transporte para doação de sangue.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou, ainda, que acompanha de perto a situação e presta apoio ao militar e à família. A instituição também anunciou que abriu um processo interno para apurar o que causou o acidente.

Como ajudar

As doações de sangue devem ser realizadas no Hospital de Pronto Socorro – HPS de Porto Alegre. Documentos necessários: Nome completo, RG e Data de Nascimento.

Com ocorrências em queda, 31º BPM ganha prêmio de melhor resultado de indicadores da criminalidade

Premiação do Congresso dos Oficiais da Brigada Militar teve como critério a redução de cinco tipos de crime na área de atuação da unidade em 2024

Marcel Horowitz Correio do Povo

O Congresso dos Oficiais da Brigada Militar entregou ao 31º BPM, sob o comando do tenente-coronel Luciano Porto, o prêmio de melhor resultado de indicadores da criminalidade. A cerimônia foi realizada na noite de quarta-feira, na Federação das Indústrias do RS (Fiergs), em Porto Alegre.

A subcomandante do 31º BPM, major Isabele Bueno, e a soldado da Força Tática, Alessandra Ratnieks, receberam a honraria em nome da unidade. O critério da premiação foi a queda de cinco tipos de crime ao longo de 2024.

Conhecido como Batalhão Coronel Fernandes, o 31º BPM tem sede em Guaíba, mas também atua em Eldorado do Sul, Barra do Ribeiro, Mariana Pimentel e Sertão Santana. Atualmente, a região tem os melhores dados na segurança desde 2005.

De acordo com o Congresso dos Oficiais, o 31º BPM superou o índice geral-operacional da instituição e registrou queda acima da média das seguintes ocorrências: Crimes violentos letais intencionais (CVLI), Roubo a veículo, Roubo a pedestre, Roubo a residência e Roubo a estabelecimento comercial e de ensino.

O reconhecimento meritório do incansável trabalho da tropa ocorreu na presença do Secretário de Segurança Pública, Sandro Caron, do comando-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, e do comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo Centro-Sul (CRPO-CS), coronel André Eusébio.

Efetivo do 31º BPM recebe prêmio de melhor resultado dos indicadores criminais

 Efetivo do 31º BPM recebe prêmio de melhor resultado dos indicadores criminais | Foto: BM / CP

Guaíba entre as 10 cidades mais seguras do país

Nos municípios de atuação do 31º BPM, entre abril de 2023 e outubro do ano passado, houve uma redução de 88 % nos homicídios, 93,3 % em roubos a estabelecimentos, 93,6 % em roubos a pedestres e de quase 95 % nos roubos de veículos. Também foi registrado um aumento de 381% das abordagens e 521% nas fiscalizações a veículos.

O desempenho levou Guaíba a ser considerada, em levantamento do Centro de Liderança Pública, a 10ª cidade mais segura do Brasil entre populações acima de 80 mil habitantes, e o 2º município mais seguro do RS. É comum entre os moradores a percepção de um cenário inédito no município, que, há menos de cinco anos, era tido por muitos como um local inseguro e violento.

Relatório Operacional: ênfase na Gestão de Crise

As ações ostensivas e de prevenção são alguns dos pontos que explicam a queda de crimes na área do 31º BPM. O método foi detalhado no Relatório Operacional: ênfase na Gestão de Crise, obra que também documenta a superação da enchente nos municípios do Centro-Sul gaúcho.

Em fevereiro, o comandante da unidade esteve no Correio do Povo e detalhou a metodologia aplicada na região. Segundo o oficial, parte da redução dos crimes decorre do policiamento ostensivo, que resulta em mais visibilidade, e de ações junto aos moradores.

“Nós atuamos nos eixos e horários em que as pessoas estão em movimento, para que elas possam enxergar que de fato há policiamento e pontos de apoio. além disso, no momento em que a cidade para, também trabalhamos de forma contundente na prevenção e repressão qualificada de crimes”, disse na ocasião o tenente-coronel Luciano Porto.

Governos estaduais têm avaliação melhor do que o federal na área de segurança pública, aponta Quaest

36% consideram positiva atuação dos governadores contra o crime e a violência. Em relação ao governo federal, percentual é de 25%. Levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 27 e 31 de março; a margem de erro é de 2 pontos.

G1

Os governadores venceram a disputa contra o governo federal na discussão sobre segurança pública. Dados de pesquisa Quaest encomendada pela Genial Investimentos divulgados nesta quarta-feira (30) revelam que a atuação dos governos estaduais no enfrentamento ao crime organizado e a violência é mais bem avaliada do que a do governo federal.

Para 36% dos entrevistados, a atuação dos governadores é positiva, índice que cai para 25% quando se trata do governo federal.

É fato que a Constituição de 1988 deu mais responsabilidades aos governadores, mas o brasileiro se cansou da histórica omissão dos governos federais.

Para 70% dos entrevistados, a violência e o crime organizado são um problema nacional, e apenas 26% acreditam que sejam uma questão regional. O dado reforça a cobrança por uma ação mais efetiva da União.

🔎 Atualmente, o governo federal é responsável por ações de defesa nacional, enquanto a maior parte das atribuições de segurança cabe aos governos estaduais com suas polícias civis e militares.

Apesar do clamor para o governo federal atuar mais na segurança pública, a maioria dos brasileiros cansou de brigas e de jogo de empurra entre os Planalto e os governos estaduais. De acordo com o levantamento da Quaest, 85% querem uma ação conjunta entre o governo federal e os estaduais.

Neste ponto, a notícia é boa para o governo Lula, que recentemente apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) cujo pilar é o reforço da atuação federal no sistema de segurança, como coordenador de uma política nacional.

Os governadores, no entanto, são resistentes à ideia por medo de perderem poder na segurança pública.

O que a pesquisa mostra, segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, é que o problema da segurança não está no trabalho das policiais comandadas por governadores, mas na Justiça.

“O problema hoje é a sensação geral que a polícia prende, e a justiça solta. Esta é mais uma prova do amadurecimento do eleitor. Ele tem uma visão mais sofisticada sobre o problema. Para ele, a violência se profissionalizou, passou a demandar soluções de coordenação nacional. E a solução para ele depende de Brasília entregar leis mais rígidas”, afirma.

Nunes avalia que o a segurança pública tende a ser um dos principais temas das eleições gerais de 2026.

“Os candidatos serão cobrados por uma agenda mais dura.”

Os poderes Legislativo e Judiciário ficam numa situação ainda pior do que a do Executivo: 86% dos entrevistados concordam que a polícia prende bandido, mas a Justiça solta porque a legislação é fraca.

Desde a posse, tanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quando o do Senado, David Alcolumbre (União-AP) prometeram priorizar pautas que dizem respeito ao dia a dia do cidadão, mas o Congresso está paralisado para discutir um tema único: anistia aos réus por tentativa de golpe de estado.

Veja os números da pesquisa Quaest

O levantamento da Quaest, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 120 municípios brasileiros entre os dias 27 e 31 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Veja os números abaixo:

Avaliação da atuação dos governos federal e estadual na segurança pública

Atuação federal

  • Positiva: 25%;
  • Regular: 32%;
  • Negativa: 38%.
  • Não sabe/não respondeu: 5%.

Atuação estadual

  • Positiva: 36%;
  • Regular: 29%;
  • Negativa: 28%;
  • Não sabe/não respondeu: 7%.

A violência e o crime organizado são problemas nacionais ou regionais?

  • Nacionais: 70%;
  • Regionais: 26%;
  • Não sabe/não respondeu: 4%.

O combate ao crime organizado deve ser responsabilidade de quem?

  • Do governo estadual e do governo federal: 85%;
  • Apenas do governo estadual: 9%;
  • Não sabe/não respondeu: 6%.

Você concorda que a polícia prende bandido, mas a justiça solta porque a legislação é fraca?

  • Concorda: 86%,
  • Não concorda nem discorda: 1%;
  • Discorda: 11%;
  • Não sabe/não respondeu: 2%.
Um dos suspeitos detidos em operação contra facções criminosas em Macaíba — Foto: Divulgação/Polícia Civi

Um dos suspeitos detidos em operação contra facções criminosas em Macaíba — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Tailândia lança robô policial de inteligência artificial em festival

Ciborgue consegue detectar armas, reconhecer suspeitos por leitura facial, acionar drones e câmeras locais, segundo autoridades

Marcella Brasilda CNN*

A polícia real tailandesa lançou um robô policial com câmeras de inteligência artificial que detectam desde suspeitos até possíveis armas durante o festival do ano novo tailandês, o Songkran.

Junto da polícia real tailandesa, a polícia provincial e o município de Nakhon Pathom, lançaram o “AI Police Cyborg 1.0” (Ciborgue de inteligência artificial da polícia 1.0 em português), um robô policial com câmeras de IA ao redor do corpo.

O androide é capaz de acionar drones que sobrevoam o local e câmeras CFTV (sistema de segurança que monitora e grava atividades em um lugar específico) dentro e ao redor do evento, segundo a polícia real tailandesa.

O robô com formato humano também possui uma capacidade de “análise de vídeo”, que integra tudo no centro de comando e controle para gerenciamento de segurança do trabalho.

Segundo a polícia real tailandesa, o sistema de inteligência artificial usado no ciborgue possui os seguintes recursos:Play Video

  • Reconhecimento facial que alerta quando uma pessoa que possui um mandado de prisão é detectada
  • Rastreamento de criminosos ou pessoas suspeitas pelo rosto durante todo o evento
  • Sistema inteligente de busca avançada que busca pessoas suspeitas através de leitura facial, descrição física, vestimenta, formato do corpo e gênero
  • Detecta armas (com exceção de pistolas de água) como espadas, facas, objetos que possam criar algum tipo de perigo no evento
  • Verifica comportamentos que possam levar a incidentes violentos, como brigas, abusos físicos ou briga de gangues

O festival Songkran, também chamado de ano novo tailandês, é uma comemoração famosa no país que atrai diversas pessoas para fora de casa para celebrar jogando água umas nas outras.

Geralmente é comemorado de 13 a 15 de abril, mas algumas cidades podem estender as festividades por mais alguns dias.

*Sob supervisão de Malu Baccarin

SSP manda chefia da Polícia Civil apurar demora no atendimento a mulheres em plantão de delegacia especializada em Porto Alegre

Reportagem do Grupo de Investigação da RBS mostrou que vítimas chegam a esperar mais de oito horas para registrar ocorrência. Algumas até desistem. Problema já ocorria há um ano

Adriana Irion GZH

A Secretaria da Segurança Pública determinou que a chefia da Polícia Civil faça uma apuração sobre fatos revelados em reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI) sobre escassez de efetivo em delegacias especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) de Porto Alegre. O trabalho deve ser feito pela corregedoria da polícia.

A reportagem mostrou que no plantão da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam) chega a ocorrer demora de até oito horas para uma vítima registrar ocorrência no plantão da delegacia situada junto ao Palácio da Polícia. Também há casos de mulheres que desistem de fazer o relato do problema.

As dificuldades seguem mesmo em um cenário de agravamento de violência contra mulher. No feriadão de Páscoa, 10 feminicídios foram registrados no Estado. Apesar de anunciar medidas para conter os casos, a cúpula da Segurança não conseguiu resolver problemas básicos na principal porta de entrada das vítimas, que é o plantão da delegacia especializada no Palácio da Polícia.

Há um ano, o GDI já havia mostrado situação semelhante, com carência de estrutura e também, falta de efetivo. À época, houve promessa de incremento necessário para atender a demanda, mas isso não se concretizou. A gestão sustenta que as equipes plantonistas deviam ter de seis a oito policiais, mas seguem tendo quatro ou até três. O chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré, disse que não tem como manter efetivo para equipes com mais de cinco policiais.

A 2ª Delegacia de atendimento à Mulher, criada em agosto — com mais de um ano de atraso — para atender casos das zonas norte e leste da Capital, não tem nem plantão e só funciona em horário comercial, fechando, inclusive, no horário de almoço. Isso faz com que as vítimas destas regiões precisem ir ao Palácio da Polícia em busca de atendimento. Agora, a Secretaria da Segurança Pública quer saber por que a situação do plantão está assim, um ano depois de o reforço ter sido discutido e prometido.

Existe um processo administrativo aberto (PROA) em janeiro pela 1ª Deam com alerta sobre o excesso de demanda e efetivo insuficiente e com pedido de reforço. Mas, até o momento, não houve remanejo suficiente.

Como pedir ajuda

Brigada Militar – 190

  • Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.

Polícia Civil

  • Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
  • Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
  • As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.

Delegacia Online

  • É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.

Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180

  • Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.

Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556

  • Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).

Centros de Referência de Atendimento à Mulher

  • Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.

Ministério Público do Rio Grande do Sul

  • O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
  • Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações acesse: https://www.mprs.mp.br/atendimento/

Governo do RS nomeia 157 novos servidores para a Polícia Penal

Foi publicado no Diário Oficial do Estado o os nomes dos novos 128 agentes penitenciários, 20 agentes penitenciários administrativos e nove técnicos superiores penitenciários

GZH

O governo do Rio Grande do Sul chamou mais 157 profissionais para reforçar o quadro da Polícia Penal. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (29).

Desde 2019, já foram convocados 4.148 servidores para a Polícia Penal, sendo 2.654 agentes penitenciários, 902 agentes penitenciários administrativos e 592 técnicos superiores penitenciários. De acordo com a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo, o objetivo é garantir a reposição contínua de efetivo e qualificar o trabalho nas unidades prisionais.

Foram chamados nesta terça-feira:

  • 128 agentes penitenciários;
  • 20 agentes penitenciários administrativos;
  • 9 técnicos superiores penitenciários: 6 na área de Ciências Contábeis, 1 em Engenharia Ambiental e 2 em Pedagogia.

Os nomeados foram aprovados no concurso de 2022 e agora seguirão para a etapa de entrega de documentos. Após a posse, iniciarão o Curso de Formação Profissional, com duração de cerca de três meses, promovido pela Escola do Serviço Penitenciário.

Renovação

Para o secretário, Jorge Pozzobom, a nova convocação reforça o compromisso do governo com a valorização da segurança pública:

— Cada profissional traz consigo experiência, vontade de aprender e entusiasmo. Isso fortalece o trabalho já realizado e eleva a qualidade do sistema penitenciário.

O superintendente da Polícia Penal, Luciano Lindemann, destacou que o aumento no efetivo permitirá atender a demandas urgentes, como a abertura de novas unidades, entre elas a Cadeia Pública de Porto Alegre.

— Essa ampliação melhora a segurança e proporciona melhores condições de trabalho para os servidores — afirmou.

Escassez de efetivo em delegacias de atendimento à mulher causa espera de mais de oito horas no plantão e até desistências

Há um ano, o Grupo de Investigação da RBS (GDI) mostrou problemas semelhantes. Na ocasião cúpula da Segurança Pública do RS prometeu soluções

Adriana Irion GZH

Na mesma quinta-feira (24) em que a cúpula da Segurança Pública do Rio Grande do Sul anunciou novas medidas de proteção à mulher, problemas como falta de efetivo e demora no atendimento seguiam ocorrendo no plantão da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam), no Palácio da Polícia, em Porto Alegre.

Em um caso, a vítima chegou por volta das 18h e só teve o atendimento concluído na madrugada seguinte, às 2h30min, mais de oito horas depois. Até telentrega de comida ela pediu para suportar a espera. Pelo menos uma mulher que estava aguardando, entre a tarde e a noite de quinta-feira, desistiu e foi embora sem registrar ocorrência.

Há um ano, o Grupo de Investigação da RBS (GDI) mostrou situação semelhante. A reportagem mostrou o impacto da falta de efetivo, que fazia com que vítimas ficassem sem atendimento. Além disso, revelou problemas estruturais no prédio (como falta de acessibilidade e existência de apenas uma cela) e até escassez de papel higiênico e falta de água para o público.

À época, o secretário da Segurança Pública, Sandro Caron, e o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré, disseram ter sido surpreendidos com os problemas e anunciaram soluções, como reforço para as equipes de atendimento do plantão. Caron, que afirmou ter ficado profundamente indignado, disse:

— Se tiver que botar mais 10, 20, 30 policiais civis lá, para dar esse atendimento, nós vamos colocar.

As promessas, no entanto, não se concretizaram ao longo dos meses. O plantão da 1ª Deam, em muitos dias, conta com apenas três policiais. Na manhã desse domingo (27), havia dois plantonistas no local. Para compor com mais agentes as equipes, é preciso tentar atrair interessados com oferta de hora-extra, ou seja, não há plantonistas fixos em número suficiente.

— Chega muita ocorrência com pessoa presa (agressores pegos em flagrante) e vão colocando na nossa frente. Tem pouco policial para atender, só três de noite, mas a gente precisa, né? Voltar para casa sem fazer nada não dá, pois pode acontecer coisa pior. Ele (marido) está muito agressivo. Tinha gente esperando lá desde as 16h. Eu cheguei em casa 3h (da sexta-feira, 25) — contou a vítima de agressão que esperou mais de oito horas por atendimento.

Medidas de proteção

Na última quinta-feira (24), Caron, Sodré e o delegado Christian Nedel, diretor do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), ao qual as Delegacias da Mulher são subordinadas, anunciaram medidas para conter a violência doméstica, depois de o RS ter seis casos de feminicídio na Sexta-Feira Santa.

A principal delas é a possibilidade de as vítimas pedirem medida protetiva de urgência em ocorrências online, sem precisar comparecer a delegacias. 

Segundo as autoridades, essa ação é, justamente, para tornar mais ágil o atendimento. No entanto, o problema histórico de atendimento precário nas delegacias segue e interfere até mesmo nas novas medidas: os responsáveis por acessar e analisar os pedidos online das vítimas são os mesmos plantonistas que já atuam com déficit nas delegacias.

A novidade anunciada pela chefia de polícia sobre o pedido de medida protetiva online também esbarrou na falta de plantão da 2ª Deam: sem agentes atendendo 24 horas, não tem quem receba e analise os pedidos. Desta forma, os policiais foram orientados, às pressas, de que deveriam criar um sistema de sobreaviso para ficarem cuidando, depois das 18h, se chega alguma decisão judicial sobre as medidas solicitadas pelas vítimas. Se chegar, é preciso dar encaminhamento, ainda que não haja equipe de plantão naquele horário.

Em janeiro, um processo administrativo (PROA) foi aberto com alerta à direção do DPGV sobre excesso de demandas no plantão e carência de pessoal. Foi apontado que o plantão, por ser o único atendendo a casos de violência doméstica na Capital, deveria contar com equipes de seis ou oito policiais. O reforço não ocorreu.

Delegacia só em horário comercial

Na 2ª Deam, instalada em agosto do ano passado para atender casos das zonas norte e leste da Capital, a situação não é muito diferente. Criada para só funcionar em horário comercial —  fecha na hora do almoço e encerra o expediente às 18h —, a unidade não ajuda a desafogar o movimento do plantão e obriga vítimas a se deslocarem até o Palácio da Polícia, onde fica a 1ª Deam. Há relatos de queixas de policiais militares, que se dirigem para lá e não conseguem atendimento, além de mulheres que tentam fazer registro. Em um dia da semana passada, quando a delegacia já estava fechada, uma vítima bateu e chamou. Um policial que ainda estava no prédio informou que não havia atendimento e que ela deveria ir ao Palácio da Polícia. 

— Não esqueço a cena, ela virou as costas e disse: demoro tanto a ter coragem e chego aqui e está fechado — recorda o agente.

Contraponto

O que diz o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré:

“Não estou sabendo. Mandei colocar equipes de cinco policiais, mais que isso não tenho efetivo. Se tem problemas, vamos apurar. Não estou lembrado deste PROA, se despachei. Vou mandar verificar. Na 2ª Deam queremos ter plantão, mas só quando uma nova turma de policiais se formar.”  

O que diz o delegado Christian Nedel, diretor do DPGV:

“Abrimos um PROA (não é o mesmo citado na reportagem e na resposta do chefe da Polícia Civil) no final do ano passado, mas era tão somente para solicitar reforço por conta das férias e operação-verão dos agentes, e como estávamos com aumento de demanda no plantão, apenas para solicitar reforço do pagamento de horas-extras suplementares para policiais do departamento que poderiam auxiliar as equipes plantonistas, de forma que ficássemos com efetivo mínimo para atender as demandas ao longo desses meses e, principalmente, final de semana. Essa foi a razão de abertura desse PROA, reforço de policiais para período específico, de dezembro a março. Temos, atualmente, no plantão da Deam, 21 policiais: uma equipe com cinco e quatro equipes com quatro policiais, Eventualmente, por férias, licenças e outros afastamentos, podemos ficar com três policiais nas equipes, mas a lotação é de no mínimo quatro policiais.”

O que diz a secretaria da Segurança Pública:

“O governo do Estado vem recompondo os efetivos das forças de segurança e a Secretaria da Segurança Pública já havia determinado a imediata solução do problema.

Atualmente, o Estado possui o maior efetivo da Policia Civil nos últimos anos e disponibiliza servidores para atender em várias frentes. Em 2023, ingressaram 269 novos policiais enquanto em 2024 entraram mais 331.

Após os fatos mencionados no ano passado, o Secretário Sandro Caron determinou a resolução do problema e reforçou que não se repetisse. O combate à violência doméstica é prioridade nesta gestão.

Diante disto, foi solicitado à Chefia de Polícia a imediata apuração, via corregedoria, das circunstâncias apontadas na reportagem”.

Como pedir ajuda

Brigada Militar – 190

  • Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.

Polícia Civil

  • Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
  • Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
  • As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.

Delegacia Online

  • É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.

Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180

  • Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.

Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556

  • Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).

Centros de Referência de Atendimento à Mulher

  • Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.

Ministério Público do Rio Grande do Sul

  • O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
  • Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações acesse: https://www.mprs.mp.br/atendimento/

O “jargão do povo” e a “avaliação técnica” do Ministro da Justiça

Marco Antônio Moura dos Santos[1]

Em semanas próximas passadas, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, trouxe para debate público a afirmação de que a “polícia executa prisões de forma equivocada e, por isso, o Judiciário é obrigado a soltar os presos”; que “É um jargão que foi adotado pela população, que a polícia prende e o Judiciário solta.[*]

Essa posição do responsável pelo planejamento estratégico do Governo Federal, em estabelecer a Política Nacional de Segurança Pública, ao ser questionado e criticado por suas posições e as medidas apresentadas em particular com a Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública, 03/2025. 

Parece irreal entender que o Ministro aponte que as atividades policiais são realizadas de forma equivocadas, possivelmente levantando a ideia de que as ações policiais possam ser irregulares, indevidas, ilegais…; e, por isso, não tenham a guarida jurídica devida.

Com certeza, para poder contestar o imaginário popular, o senso comum, o conhecimento vulgar, o “jargão popular”, o “eminente jurista, digno Ministro do executivo, ex-integrante do Supremo Tribunal Federal”, deveria apontar ou quem sabe apresentar dados, informações, que consubstanciem a análise e interpretação com base cientifica.  Mas até o momento não foi trazido a luz da sociedade conhecimento científico produzido a partir da análise das distintas prisões efetuadas pelas polícias em todo o país, nas mais diversas instancias inclusive a federal, que é de sua responsabilidade direta.  Não há justificativas efetivas ou comprovações de que essas prisões foram ilegais.

Poderia o Ministro ter utilizado, por exemplo, e avaliado as prisões de 2.201 criminosos realizadas na 11ª etapa da “Operação Força Total”, realizadas pelos mais de 100 mil policiais militares nos 27 Estados e Distrito Federal, nos dias 23 e 24 de janeiro de 2025. Em quantas delas houve irregularidade ou ilegalidade? E as prisões efetivadas pelas polícias civis e federal, em sua maior parte são ilegais? Ou em alguma parte?

Logicamente que não, o “jargão do Ministro” é uma grande irresponsabilidade, pois coloca nas polícias a “culpa” pela concepção de impunidade que fica cristalizada para toda a sociedade quando as polícias prendem e o judiciário libera.

Ele poderia ser minimamente técnico, profissional, demonstrando conhecimento e qualificação dizendo que as solturas pelo poder judiciário não representam impunidade, mas são decorrentes do cumprimento da lei; ou seja, que o maior problema está no sistema penal, nas leis que são flexíveis, brandas, em um primeiro momento e até quem sabe, nas dificuldades e falta de estrutura em determinadas investigações, ou ainda, quem sabe, na superlotação carcerária.

Mas é mais fácil, mesmo sendo mais leviano, acusar as polícias de ineficientes e desqualificadas.

A avaliação do Ministro deveria avaliar, entre outros casos, se a liberação de criminosos presos não seria seletiva, ou seja, apenas alguns criminosos são liberados, enquanto outros não?  Por quais motivos alguns criminosos, traficantes de armas, de drogas, envolvidos na criminalidade organizada, identificados com facções ou quadrilhas são liberados, enquanto outros permanecem presos por muitos dias, meses, anos, sem ao menos serem processados e julgados!?  Não pelas polícias, mas pelo poder judiciário. 

O Ministro poderia utilizar os diversos casos de presos libertados de forma considerada “indevida ou no mínimo discutível” a partir das audiências de custódia, principalmente nos casos em que estão envolvidos suspeitos de crimes graves ou reincidentes.[2]​  

A partir desses casos teria como chegar a noções claras, como também demonstram os dados apresentados no estudo do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD)[3], que analisou 2,7 mil audiências em 13 cidades de nove estados brasileiros, revelou que apenas 2% das prisões foram relaxadas devido a ilegalidades explícitas no flagrante, como ausência de mandado ou falhas processuais. ​

Ou quem sabe se valer de suas próprias análises expressas em artigo sobre o tema da audiência de custódia e o direito de defesa, publicado em 2015[4].

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)[5] indicam que, em 10 anos de audiências de custódia, foram registrados mais de 130 mil relatos de maus-tratos ou tortura. No entanto, apenas uma pequena fração desses casos resultou em investigação formal, o que sugere que nem todos os relatos de violência policial levam ao reconhecimento da ilegalidade da prisão.

Portanto, embora existam casos de prisões ilegais identificadas e relaxadas nas audiências de custódia, eles representam uma minoria. A maioria das decisões envolve a manutenção da prisão preventiva ou a concessão de liberdade com medidas cautelares.​

Temos pessoas acusados por crimes violentos letais intencionais que estão sendo presos repetidas vezes e liberados repetidas vezes; enquanto outros, por exemplo, por crimes contra o estado democrático de direito, foram presos, com ordem judiciária, mas de discutível legalidade, não foram liberados.  Seria importante visualizar por quais motivos isso ocorreu.  Será que a responsabilidade é da polícia.

Mas o Ministro antes de valorizar e considerar os Organismos Policiais, considera que eles são os grandes responsáveis pela impunidade, pelo caos na segurança.

Ele deveria, antes de fazer narrativas e discursos impróprios para um agente político com a sua responsabilidade, ter avaliado como e por quais motivos o Poder Judiciário com sua ineficiência, falta de comprometimento e compromisso com o social; bem como pela inoperância, ineficácia e falta de gestão pública do seu Ministério favorecem a ampliação da criminalidade e violência no país.


[*] https://www.cnnbrasil.com.br/politica/a-policia-prende-mal-e-o-judiciario-e-obrigado-a-soltar-diz-lewandowski/.


[1] Coronel QOEM Reserva da Brigada Militar

[2] https://jc.uol.com.br/colunas/seguranca/2024/05/16/policia-prende-justica-solta-entenda-a-polemica-das-audiencias-de-custodia.html?utm_source=chatgpt.com

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/seguranca/secretarios-de-seguranca-publica-pedem-restricoes-na-

analise-de-prisoes-em-audiencias-de-custodia-1.3179969?utm_source=chatgpt.com

[3] Publicado em agosto de 2019, acessado em 12 de abril de 2025,

in https://iddd.org.br/wp-content/uploads/2020/09/ofimdaliberdade_completo-final.pdf

[4] https://www.stf.jus.br/arquivo/biblioteca/PastasMinistros/RicardoLewandowski/ArtigosJornais/1071754.pdf

[5] https://www.cnj.jus.br/audiencias-de-custodia-completam-10-anos-com-dados-ineditos/. Acessado em 12 de abril de 2025

Corpo de Bombeiros Militar do RS forma 106 alunos-soldados com a missão de salvar e proteger

Ao todo, 106 alunos-soldados, sendo 21 mulheres e 85 homens, concluíram com êxito a formação, e a partir de agora estão aptos a integrar o efetivo das Organizações de Bombeiro Militar no estado

Fernanda Bassôa Correio do Povo

Aconteceu nesta sexta-feira, no Complexo Esportivo da Ulbra, em Canoas, a formatura de mais uma turma do Curso Básico de Formação Bombeiro Militar 2024/2025. Ao todo, 106 alunos-soldados, sendo 21 mulheres e 85 homens, concluíram com êxito a formação, e a partir de agora estão aptos a integrar o efetivo das Organizações de Bombeiro Militar no estado, reforçando o compromisso do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) com a segurança e o bem-estar da população gaúcha.

Com uma carga horária total de 1.490 horas-aula, o curso teve duração de 12 meses e proporcionou aos alunos-soldados o desenvolvimento de competências essenciais para o exercício da atividade bombeiro militar. O comandante-geral do CBMRS, coronel Julimar Fortes Pinheiro, disse que é conhecedor das inúmeras dificuldades que se impuseram ao longo desta jornada qual se logrou se êxito durante o processo de ensino-aprendizagem. “Esses jovens bombeiros militares fizeram a melhor escolha de suas vidas ao ingressarem no Corpo de Bombeiros Militar. Eu tenho a convicção que eles já são motivo de orgulho ao assumirem a missão de salvar e proteger.”

O secretário da Segurança Pública do estado, Sandro Caron, lembrou que a formação desta turma tem um diferencial e destacou que ela é criação de um “teste de fogo” ao recordar que o curso teve que ser paralisado em razão das enchentes de 2024. “As atividades tiveram que ser interrompidas para que pudessem prestar apoio a toda população gaúcha nas enchentes de maio do ano passado, que foi a maior calamidade já enfrentada pelo nosso estado. Isso não prejudica de forma alguma a formação. Isso faz com que esta turma seja mais forte do que outras que não passaram por esta situação de dificuldade. Isso é uma grande prova de preparação.”

Por fim, o governador Eduardo Leite, destacou em sua fala que, ao longo dos últimos anos, o estado tem investido na estrutura da segurança pública em todas as suas frentes. O Corpo de Bombeiros Militar tem tido ao longo dos últimos anos a reposição do seu efetivo e incremento de forma responsável, bem como o maior volume de investimento de equipamentos de tecnologia. Nunca se comprou tanto caminhão e tantas aeronaves. O equipamento é importe, a tecnologia é fundamental. Fardamentos mais modernos, com melhores condições de trabalho e equipamentos de proteção também, mas, sobretudo, é fundamental a valorização do ser humano.”

A formatura simboliza o encerramento de um ciclo de intenso preparo técnico e físico e o início de uma nova jornada profissional, na qual os formandos estão comprometidos com a proteção da vida, da integridade física e do patrimônio dos gaúchos.

PE: Policial afastada por publicar vídeo criticando a PM é absolvida pela Justiça Militar

Mirella Virgínia foi afastada em 2023 e respondeu a processo criminal, com base no artigo 166 do Código Penal Militar. Decisão por absolvição da soldado foi unânime.

Por g1 Pernambuco

A soldado Mirella Virgínia Luiz da Silva, afastada da Polícia Militar em 2023 por gravar um vídeo criticando a corporação, foi absolvida pela Justiça Militar. A decisão pela absolvição foi unânime entre os cinco juízes que analisaram o caso. O relator da sentença, assinada em 11 de abril, foi o juiz militar Francisco de Assis Galindo.

A informação foi publicada pelo Jornal do Commercio e confirmada pelo g1. A policial respondia criminalmente com base no artigo 166 do Código Penal Militar.

O crime prevê pena de dois meses a um ano de detenção para “o militar ou assemelhado que publique ou critique publicamente ato de seus superiores ou resoluções do governo”.

O vídeo foi publicado na internet em 2021 (veja cronologia abaixo). Nele, segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), a servidora disse que a Polícia Militar é uma “instituição doente, com jogo de poderes muito grande, composta de pessoas que se superestimam por terem postos superiores”.

Dois anos depois, a então secretária estadual de Defesa Social, Carla Patrícia Cunha, assinou uma portaria determinando a expulsão da soldado.

Porém, em 2024, durante a tramitação do processo na Justiça Militar, Mirella Virgínia passou à condição de “agregada” na corporação, ficando vinculada ao 18º Batalhão da PM, sem desempenhar função administrativa ou operacional.

Na sentença de 11 de abril, o relator Francisco de Assis Galindo informa que o vídeo é “emocional e subjetivo, motivado por intenso sofrimento psicológico e esgotamento mental” e diz que “a acusada não individualiza qualquer autoridade ou superior hierárquico, tampouco revela ato ou documento oficial”.

Testemunhas ouvidas durante o processo confirmaram o adoecimento mental de Mirella, que apresentava sintomas de depressão e ideação suicida.

Ao g1, a Polícia Militar informou que a policial “foi oficialmente afastada do serviço ativo por incapacidade definitiva para o exercício da atividade policial militar.” Segundo a PM, um laudo da Junta Superior de Saúde da Corporação concluiu que “não há possibilidade de readaptação funcional”.

Procurada, Mirella Virgínia Luiz da Silva disse que a decisão representa “o fim de um ciclo de violência psicológica”. Ela informou, ainda, que vai ficar na reserva da PM e não pretende voltar à ativa.

“Não existe mais segurança para mim na corporação, não existe mais saúde mental para conviver. E foram os próprios militares que reconheceram que eu adoeci […]. Estou em tratamento, estou tentando estudar, seguir minha vida, tentando apagar isso mesmo sabendo que nunca vou esquecer”, declarou.

Veja, abaixo, a cronologia do caso:
  • Em 16 de setembro de 2021, Mirella Virgínia Luiz da Silva publicou vídeo no YouTube desabafando sobre as condições de trabalho na Polícia Militar de Pernambuco;
  • Em outubro de 2022, por causa do conteúdo e da divulgação do vídeo, Mirella foi acusada de crime militar, com base no artigo 166 do Código Penal Militar;
  • Em 1º de setembro de 2023, a Secretaria de Defesa Social (SDS) publicou uma portaria no Diário Oficial do Estado informando o afastamento da soldado. Na portaria, a SDS considera que o vídeo gerou repercussão negativa no “seio” da tropa da unidade militar onde a policial atuava;
  • Em 13 de dezembro de 2024, a PM passou à condição de agregada, ficando vinculada ao 18º Batalhão da PMPE, sem desempenhar função administrativa ou operacional;
  • Em abril de 2025, o processo criminal foi finalizado e Mirella absolvida. Para a decisão, a Justiça Militar entendeu que a soldado fez apenas um relato pessoal, sem críticas direcionadas à superiores ou ao princípio da disciplina militar.