Cão policial Thor morre em Pelotas

Animal, da raça pastor suíço, estava aposentado desde o ano passado

Correio do Povo

Canil do 4° BPM manifestou luto | Foto: BM / Divulgação / CP

O Canil do 4° BPM está de luto pela morte, aos nove anos de vida, do cão policial Thor, que atuou nas ações da Brigada Militar em Pelotas. O animal, da raça pastor suíço, sabia ser dócil em apresentações sociais onde realizava transposição de obstáculos.

Thor participou de diversas ações, onde tinha como principal habilidade as ações sociais, atuando nas atividades na Brigada Militar em ações do Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência (Proerd) em escolas e eventos públicos.

O cão havia se aposentado no ano passado e desde então estava no Canil do 4° BPM com seu binômio, o soldado cinotécnico, Leonardo Cardoso Tavares, que o treinou desde sua chegada na corporação.

Policial militar morre ao capotar carro na freeway

O soldado Adriano Ricardo Bastian estava sozinho e foi lançado para fora do veículo

ADRIANA IRION GZH

Um policial militar morreu no começo da madrugada deste domingo (21) em um acidente na freeway, em Gravataí. O veículo — um Astra vermelho — capotou no km 68 da rodovia. 

Conforme informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o condutor, o soldado Adriano Ricardo Bastian, estava sozinho e foi lançado para fora do Astra, morrendo no local.  Inicialmente, não havia sinais de outro carro envolvido no acidente.

O veículo trafegava no sentido Litoral-Porto Alegre. O soldado Bastian, 34 anos, estava na Brigada Militar desde 2012. Ele atuava no 20º Batalhão de Polícia Militar, na Capital, era solteiro e não tinha filhos. 

 O velório tem previsão de começar às 18h, no Cemitério Jardim da Paz, na Capital. 

Assaltante tentar roubar carro de policial militar e acaba morto em Novo Hamburgo

Soldado do 3º BPM, de folga e à paisana, estava com o veículo no semáforo da avenida Victor Hugo Kunz com a rua Curitibanos, no bairro Canudos

Um revólver e um simulacro de pistola foram apreendidos | Foto: BM / Divulgação / CP

Correio do Povo

Um assaltante morreu ao tentar roubar o veículo de um policial militar de folga e à paisana na noite dessa quarta-feira em Novo Hamburgo, no Vale do Rio dos Sinos. Um revólver com munição e um simulacro de pistola foram apreendidos pela Brigada Militar.

O ladrão e um cúmplice aproximaram-se do Volkswagen Polo, dirigido por um soldado do 3º BPM, que estava parado no semáforo da avenida Victor Hugo Kunz com a rua Curitibanos, no bairro Canudos. Ao perceber a ação criminosa da dupla e temendo pela vida, o brigadiano impediu o roubo e efetuou os disparos com sua arma.

O bandido, de 26 anos, foi atingido e tombou sem vida no chão. Ele tinha antecedentes por tráfico de drogas, roubo a pedestre, furto de veículo e lesão corporal. O comparsa fugiu correndo e não foi mais encontrado apesar das buscas.

Acionado em apoio ao colega, o efetivo do 3º BPM compareceu no local, que foi isolado. Não é descartado que a dupla estava em um veículo de cor branca conduzido por um terceiro indivíduo. A ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil.

SP: Policial militar mata colegas de trabalho na base da PM em SaltoSP:

Atirador é um sargento, que trancou a base da polícia e atirou contra outro sargento e um capitão da corporação. Ele estava armado com um fuzil e se entregou. Motivação do crime é desconhecida.

Policial Militar matou dois colegas de trabalho na 3º CIA de Salto (SP) — Foto: V. Lenzi Jr./Jornal Taperá

Por g1 Sorocaba e Jundiaí

Um policial militar matou dois colegas de trabalho na manhã desta segunda-feira (15) em Salto (SP). O ataque ocorreu por volta das 9h. O atirador se entregou e foi detido.

De acordo com relato de testemunhas, um sargento, identificado como Gouveia, invadiu e trancou uma sala na 3ª Companhia da Polícia Militar de Salto e atirou contra as vítimas, o sargento Roberto da Silva e o capitão Josias Justi, comandante da PM na cidade.

Capitão Josias Justi (à esquerda) e sargento Roberto da Silva foram mortos a tiros por colega na base da Polícia Militar, em Salto (SP) — Foto: Reprodução

Capitão Josias Justi (à esquerda) e sargento Roberto da Silva foram mortos a tiros por colega na base da Polícia Militar, em Salto (SP) — Foto: Reprodução

Policial civil mata quatro colegas a tiros dentro de delegacia no Ceará

O ataque a tiros aconteceu na Delegacia Regional de Polícia Civil de Camocim

ESTADÃO CONTEÚDO Marcio Dolzan

Foto: Google Street View/Reprodução

Quatro policiais foram mortos a tiros dentro da Delegacia Regional da Polícia Civil de Camocim, município localizado no noroeste do Ceará, a 350 quilômetros de Fortaleza. O crime ocorreu na madrugada deste domingo (14). 

O autor dos disparos também é agente da Polícia Civil e foi preso. Ele ainda não teve o nome divulgado. 

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), as vítimas são os escrivães Antônio Cláudio dos Santos, Antônio José Rodrigues Miranda e Francisco dos Santos Pereira, além do inspetor Gabriel de Souza Ferreira. 

A motivação do crime ainda está sendo investigada e o suspeito não havia sido ouvido até a publicação deste texto. Na manhã deste domingo, a delegacia regional permanecia isolada para o trabalho de perícia.

O governo do Estado lamentou o ocorrido. “Neste momento de dor, a SSPDS-CE e todas as suas vinculadas, em especial a Polícia Civil do Ceará, se solidarizam com familiares e amigos das quatro vítimas e reforçam que todo o aparato das instituições encontra-se disponível”, informou a secretaria, em nota. “A SSPDS reconhece os relevantes serviços prestados à sociedade cearense pelos policiais civis que tanto contribuíram para o combate à criminalidade no Ceará.”

Perícia confirma que disparo que matou soldado partiu da arma de outro PM durante operação em Porto Alegre

Como foi um crime cometido em serviço, a atribuição para apuração é da Brigada Militar e o caso será julgado pela Justiça Militar

ADRIANA IRION GZH

O exame de comparação balística do Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que o soldado Roniclei Luciano Graef Cipolato, 46 anos, foi morto por um disparo feito por um colega de Brigada Militar (BM).

Conforme a perícia, o tiro de calibre 9mm partiu da pistola usada pelo policial militar que acompanhava Cipolato em uma operação em 26 de março no bairro Costa e Silva, na zona norte de Porto Alegre.

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Como foi um crime cometido em serviço, a atribuição para apuração é da Brigada Militar e o caso será julgado pela Justiça Militar. Por isso, o inquérito que tramitava na 3ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa será encerrado e enviado à Justiça. Uma cópia será remetida à Brigada Militar, que já tem em tramitação um Inquérito-Policial Militar sobre o caso.

O dois militares envolvidos na ação trabalhavam na Seção de Inteligência do 20º Batalhão de Polícia Militar (20º BPM). Eles estavam no local, segundo a BM, em uma operação discreta. A região é conhecida, segundo autoridades, pela intensa movimentação de traficantes e pelo alto índice de assassinatos.

A dupla teria avistado criminosos armados e dado início a uma perseguição. O soldado Cipolato subiu em um telhado, onde acabou baleado. Desde o dia do fato havia rumores na corporação sobre a morte ter ocorrido por um disparo acidental, feito pelo colega de Cipolato. Em depoimento à polícia, o PM, cujo nome não foi revelado pelas autoridades, disse acreditar que fosse o autor do disparo. O PM está afastado de funções operacionais, atuando apenas em serviço administrativo.

Cipolato foi atingido sobre o telhado. O tiro transfixou um dos braços e entrou pela lateral do corpo, atingindo a aorta. O soldado não usava colete à prova de balas. A investigação por parte da BM está sendo conduzida pelo tenente-coronel Fábio da Silva Schmitt. Conforme o comandante de Policiamento da Capital, coronel Luciano Moritz Bueno, o IPM já está em fase de conclusão.

Delegado que soltou dupla presa com sete armas em Porto Alegre é afastado temporariamente do plantão

Policial considerou que não foi configurado flagrante

Brigada Militar apreendeu, com os criminosos, sete armas, dois celulares, carregadores municiados e dinheiro Brigada Militar / Divulgação

CID MARTINS E EDUARDO PAGANELLA GZH

A Delegacia Regional de Porto Alegre decidiu afastar temporariamente do plantão da 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) o delegado José Marcos Falcão de Melo. Além disso, será adotado um procedimento interno, ainda não informado, para avaliar a conduta do policial. 

As medidas se devem à liberação de dois suspeitos de integrar uma facção criminosa na noite da última quinta-feira (4) no Campo da Tuca, Vila João Pessoa, zona leste da Capital. Os dois, com vários antecedentes criminais, foram abordados por brigadianos devido à atitude suspeita em um veículo. Quando foram revistados pelos policiais militares, tiveram vários materiais apreendidos. 

Segundo a Brigada Militar (BM), foram recolhidas sete armas, a maioria com numeração raspada e uma em situação de furto, além de 19 carregadores, 320 projéteis, cerca de R$ 180 em dinheiro, dois celulares e o automóvel em que os suspeitos estavam. Ao serem identificados, os PMs confirmaram que se tratava de integrantes de uma facção criminosa que atua na cidade. 

Os policiais militares do 1º e do 19º batalhões, que atenderam juntos à ocorrência, informaram que ambos os detidos têm 24 anos. Um deles tem os seguintes antecedentes criminais: quatro receptações, clonagem de veículos, furto simples e furto de veículo. O outro tem passagem pela polícia por quatro roubos a pedestres, receptação, roubo de veículo e a estabelecimento comercial, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. 

A dupla foi apresentada na noite de quinta-feira na 2ª DPPA, que fica no Palácio da Polícia, mas não foi lavrado o flagrante, apesar do armamento ter sido apreendido e ter sido instaurado um inquérito. Desta forma, os dois suspeitos foram soltos e responderão em liberdade. 

O fato causou indignação na tropa dos dois batalhões e também nos comandos. O caso chegou ao diretor da Delegacia Regional de Porto Alegre, delegado Cléber Lima. Segundo ele, o delegado Melo foi afastado temporariamente das funções no plantão, mas ainda não foi informado em que setor da polícia ele atuará enquanto a situação for apurada. O diretor ainda ressalta que um procedimento será adotado para apurar a conduta do profissional, mas não detalhou qual. 

 — O caso é considerado pela instituição como um fato isolado e que não condiz com o posicionamento da maioria dos delegados de polícia. Por enquanto, as medidas são o afastamento temporário e a verificação da conduta dele com uma medida a ser decidida  — revela Lima. 

O diretor da Regional informou que Melo não iria se pronunciar sobre o caso. GZH obteve, entretanto, o documento assinado por ele sobre os motivos que levaram à soltura dos dois suspeitos. 

Conforme o despacho de Melo, não havia provas suficientes da materialidade dos fatos que configurasse um flagrante, podendo incorrer em abuso de autoridade. Em um dos trechos, o policial destaca que, “considerando o contexto fático e os elementos informativos sumariamente apresentados, constata-se ausência de justa causa para lavratura da prisão em fragrante do conduzido. Isto porque, numa análise sumária, tem-se que o suspeito não foi flagrado em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 302, CPP (Código de Processo Penal), assim como não foram apresentados elementos suficientes de justa causa a apontar a materialidade delitiva”. 

Polícia Civil repudia decisão de delegado que soltou dupla capturada com sete armas na zona Leste de Porto Alegre

Delegado José Marcos Falcão de Melo afirma que decisão foi sustentada por dúvidas sobre materialidade do flagrante

Delegado Jose Marcos Falcão de Melo. Foto: Youtube / Reprodução

A Polícia Civil repudiou a soltura de dois criminosos, capturados pela Brigada Militar na noite desta quinta-feira, transportando seis pistolas e um revolver calibre 38 em um Chevrolet Prisma, no bairro Vila João Pessoa, na localidade do Campo da Tuca, zona Leste de Porto Alegre. Contatada por Rádio Guaíba, a corporação garantiu ainda que vai adotar medidas para evitar que decisões semelhantes se repitam.

“É uma decisão contrária ao pensamento de todos os delegados do Rio Grande do Sul. Estamos tomando providências, do ponto de vista administrativo, para que essas coisas não mais ocorram”, declarou o diretor da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre, delegado Cléber dos Santos Lima.

Conforme soldados do 1° Batalhão de Polícia Militar, a dupla foi solta na mesma noite da captura, por decisão do delegado José Marcos Falcão de Melo. O plantonista da 2ª Delegacia de Polícia da capital, alegam os militares, teria se recusado a lavrar o flagrante por entender que o armamento foi encontrado casualmente dentro do carro dos detidos – não ficando caracterizado o crime de porte ilegal de arma.

À reportagem, Falcão confirmou a soltura dos suspeitos, afirmando que a decisão foi tomada com base em dúvidas sobre a materialidade do flagrante. O policial também declarou que uma possível prisão dos homens poderia ser interpretada como abuso de autoridade.

“Minha prestação de contas é com a comunidade e com o Judiciário. A decisão é técnica e jurídica, não posso ser leviano de configurar um flagrante se não houver autoria e materialidade. Uma vez que havia dúvidas da materialidade, eu não poderia lavrar uma prisão dessa maneira, sob risco de incorrer em ao menos três crimes de abuso de autoridade”, enfatizou o delegado.

Quem são os criminosos soltos 

Conforme apuração de Rádio Guaíba, os homens beneficiados pela decisão de soltura são Bruno Ferreira dos Santos e Jeferson Flores Barboza. Ao serem capturados pela BM, a dupla transportava, além das sete armas, mais 19 carregadores e 320 munições.

Bruno utiliza uma tornozeleira eletrônica e tem antecedentes por roubo a estabelecimento comercial e a pedestres, além de responder por tráfico de drogas, receptação e porte ilegal de arma de fogo. Jeferson também possui registros por receptação, somado a crimes de furto e ameaças.

Ainda segundo informações da reportagem, ambos são integrantes de uma facção atuante na Tuca.

Foto: Brigada Militar / Reprodução

FONTE Marcel Horowitz / Rádio Guaíba

Quatro suspeitos são mortos e um PM fica ferido em perseguição com troca de tiros na zona sul de Porto Alegre

Situação chegou a provocar o bloqueio do trânsito, que precisou ser desviado pela Rua Cirino Prunes na noite desta quinta-feira

Policiais militares reunidos no atendimento à ocorrência Camila Hermes / Agencia RBS

GUILHERME MILMAN GZH

Confronto entre policiais militares e suspeitos terminou com quatro mortos e um ferido na zona sul de Porto Alegre na noite desta quinta-feira (4). O desfecho da ocorrência, por volta das 20h, foi no cruzamento da Avenida Juca Batista com ruas Cirino Prunes e Vereador Roberto Landel de Moura, no limite entre os bairros Espírito Santo e Ipanema.

A situação chegou a provocar o bloqueio do trânsito na Juca Batista, que precisou ser desviado pela Rua Cirino Prunes para atendimento da ocorrência.

Segundo a Brigada Militar, a perseguição teria iniciado na Juca Batista, nas proximidades da Estrada Cristiano Kraemer, quando os suspeitos, a bordo de um Chevrolet Meriva, passaram atirando. Foi no trajeto que houve a troca de tiros. Durante a fuga, o veículo dos suspeitos acabou derrapando na pista e parou sobre o passeio público, poucos metros depois da rótula com a Cirino, no sentido bairro-Centro. Foi neste momento em que a BM conseguiu abordar os suspeitos, que já estavam baleados.

— Os indivíduos ainda não foram identificados, mas é possível que eles tenham ligação com disputas pelo tráfico de drogas. As guarnições já vinham monitorando locais propícios para esse tipo de ataque. Foi assim que foram localizados os criminosos — disse o comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, major Márcio Luiz da Costa Limeira.

Segundo Limeira, havia cinco pessoas a bordo do veículo. Um dos suspeitos conseguiu fugir. Morreram uma mulher e três homens. Um PM ficou ferido levemente na cabeça.

Dos tiros efetuados no início da perseguição, segundo o major, não houve feridos. Com os suspeitos foram encontrados três pistolas e um revólver 38, além de munições e carregadores sobressalentes. Ainda não se sabe se o veículo era roubado. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) foi acionado para dar sequência ao atendimento da ocorrência.

Os suspeitos chegaram a ser levados para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). As mortes foram confirmadas por volta das 22h. O policial está fora de perigo.

Assalto à Proforte: 17 anos de saudades de um herói da Brigada Militar

Maria Cristina da Silveira Santos, viúva do capitão André Sebastião Santos dos Santos, que foi morto em combate em abril de 2006, revelou detalhes daquele momento doloroso; o filho do PM, pela primeira vez, concedeu entrevista

Sob forte comoção, familiares, amigos e colegas da BM participaram de enterro do policial em Santa Maria | Foto: Paulo Pires/A Razão

Por CRISTIANO SILVA Portal GAZ

Já era noite em 10 de abril de 2006. A policial militar Maria Cristina da Silveira Santos, de 38 anos, havia chegado em casa, no Bairro Perpétuo Socorro, em Santa Maria, depois da aula na Faculdade de Direito de Santa Maria (Fadisma). Preparava-se para dar mamadeira ao filho Guilherme, de 1 ano e 3 meses, quando a campainha tocou. Eram a irmã e o cunhado. Com cara de espanto, ambos disseram que havia acontecido algo com André. Inicialmente, Maria pensou que seria com o filho do casal que bateu à sua porta, pois tinha o mesmo nome. Depois deu-se conta de que se tratava do companheiro, o capitão da Brigada Militar (BM) André Sebastião Santos dos Santos, de 34 anos. Um assalto havia ocorrido a 140 quilômetros dali, em Santa Cruz do Sul, onde o marido trabalhava, e ele teria ficado ferido em confronto com bandidos.

André e Maria Cristina eram membros da Brigada Militar | Foto: Arquivo Pessoal

Rapidamente, a esposa do PM ligou para o 190 da Brigada de Santa Maria. Um sargento que estava de serviço lhe contou que André havia sido assassinado durante troca de tiros. A mulher, que trabalhava na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos (EsFAS) da BM, ficou em estado de choque. “Como policial, estamos acostumados a fornecer essas notícias traumáticas para outras pessoas, mas não estamos preparados para ouvi-las.” A nona reportagem da série Casos do Arquivo entrevistou a viúva do policial que dá nome ao batalhão de Santa Cruz. Pela primeira vez, em 17 anos, Maria Cristina revela detalhes de como acompanhou o doloroso momento. O filho do casal, hoje com 18 anos, também contou como o fato impactou sua vida.

A viagem mais longa da vida

Por volta de 22h30 de 10 de abril de 2006, o então criminoso mais procurado do Rio Grande do Sul realizou aquele que é considerado um dos assaltos mais ousados da crônica policial gaúcha. José Carlos dos Santos, o Seco, candelariense então com 26 anos, conhecido pelas ações envolvendo explosivos e armamento pesado, tinha como alvo preferido os carros-fortes.

Naquela noite, acompanhado de seu bando, ele arremessou um caminhão-guincho roubado do pátio da Santa Cruz Rodovias contra o prédio da Proforte, em Santa Cruz do Sul. O impacto abriu um buraco na parede. Os criminosos roubaram R$ 3,9 milhões, mas não sem antes aterrorizar os funcionários e abrir fogo contra os policiais que foram ao local. O capitão André Sebastião Santos dos Santos foi o primeiro a chegar na cena do crime. Tiros de bala traçante iluminaram a Rua Júlio de Castilhos, que parecia um campo de guerra. Um disparo de fuzil 762 acertou a cabeça do capitão Sebastião, que morreu na hora.

Capa da Gazeta do Sul de 11 de abril de 2006 estampou o aterrorizante assalto ocorrido na sede da Proforte, na Rua Júlio de Castilhos, em Santa Cruz do Sul

“Naquela segunda-feira, véspera de Páscoa, larguei ele de manhã na rodoviária. Nos despedimos sabendo que a semana seria curta por causa do feriado, que quarta-feira ele estaria de volta a Santa Maria. Jamais eu poderia imaginar, no pior dos meus pesadelos, que à noite eu estaria em Santa Cruz e retornaria para casa com ele dentro de um caixão”, disse Maria Cristina, hoje com 55 anos.

“A ida de Santa Maria a Santa Cruz foi a viagem mais longa da minha vida. Muito pela angústia, mas também pelo fato de que de trecho em trecho havia barreiras da Brigada que revistavam os carros, devido à possibilidade de os criminosos estarem trafegando pela rodovia”, afirmou a primeiro-tenente da reserva remunerada da BM.

Ela conta que quando chegou ao 23º BPM, a movimentação de pessoas era muito grande. “Quando desci do carro, foi um silêncio, e nesse momento caiu a ficha. Fiquei muito emocionada. Até hoje é difícil relembrar. Nesse momento meu chão se abriu, o mundo caiu e consegui aterrissar e ver a dimensão do que estava se passando.”

O assalto cinematográfico, aliado ao assassinato do PM, desencadeou a histórica Operação Lince, deflagrada em 13 de abril de 2006, quando Seco foi preso no Posto do Rosinha, à margem da BR-386, em Paverama, pela Delegacia de Capturas (Decap) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), de Porto Alegre.

Família nunca foi procurada pela Proforte

Natural de Passo Fundo, André Sebastião Santos dos Santos não estava escalado para o serviço na fatídica noite, mas mesmo assim foi atender a ocorrência na Proforte. Na época, estava na BM de Santa Cruz havia cerca de um ano. No decorrer de 16 anos de serviço, não cometeu nenhum ato que levasse a algum tipo de punição.

“Ele ia na segunda-feira para Santa Cruz e retornava no fim de semana a Santa Maria, ou eu e o nosso filho Guilherme íamos para Santa Cruz. Nossos planos, após eu me formar em Direito, eram de fixar residência em Santa Cruz”, comentou Cristina. “O André era um marido e pai amoroso, dedicado e preocupado em sempre proporcionar o melhor para a família. Não media esforços para que estivéssemos sempre bem.”

Fotos: Arquivo Pessoal

Morto em combate, em defesa da comunidade, durante um dos períodos mais sangrentos da história recente da segurança pública do Estado, André Sebastião Santos dos Santos foi promovido a major após a morte e recebeu uma das principais honrarias da Brigada Militar. No dia 29 de julho de 2020, ele foi homenageado oficialmente como patrono de um Batalhão de Polícia Militar (BPM), o 23º, sediado em Santa Cruz do Sul, para o qual prestava serviço.

O reconhecimento foi confirmado por meio do decreto 55.387, publicado no Diário Oficial do Estado. Segundo a BM, o nome do major Sebastião foi escolhido pelo fato de o policial ter tombado em combate, no exercício das funções. Dessa maneira, ele deixou um legado de admiração e respeito por parte dos policiais militares do 23º BPM e da comunidade santa-cruzense.

Decorrido o prazo legal de pelo menos dez anos desde a morte, em 2018 iniciou-se a tramitação da proposta de designação do policial como patrono. A partir daquele momento, seu nome passou a preencher os requisitos estabelecidos pela legislação para receber a honraria. “Foram várias as homenagens que o André recebeu em Santa Cruz, tanto da Brigada Militar quanto do Município. Ele também foi homenageado em outras cidades. De tempos em tempos, alguém lembra e presta algum tipo de homenagem.”

Ela revelou que não foi convidada pelo comando da BM para acompanhar o simulado de ataque a banco que ocorreu em 12 de setembro do ano passado, em Santa Cruz, junto às sedes do Banco do Brasil e da Protege Transporte de Valores (antiga Proforte), mas disse que teria comparecido, se tivesse sido chamada. Revelou ainda que nunca recebeu qualquer palavra dos proprietários e gerentes da empresa que foi alvo da ação criminosa em 2006. “Pela Proforte eu nunca fui procurada, nem para desejar pêsames ou alguma consideração pelo fato de o Sebastião ter dado a vida dele para defender a empresa.”

Filho seguirá carreira militar no Exército

Maria Cristina afirma que não houve justiça com a captura de Seco. “O bando está preso, foram condenados pelos crimes, mas eu ainda não sinto que a justiça foi feita. O Seco tem em torno de 300 anos de condenação pelos crimes cometidos, porém nossa legislação não permite mais de 30 anos preso. Do assassinato do Sebastião passaram-se 17 anos, então em 13 estará solto, livre para continuar cometendo crimes. Isso pra mim não é justiça.”

Maria Cristina acompanha os passos do filho Guilherme Santos | Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ela, a família ficou arrasada. “Nosso filho, que tinha 1 ano e 3 meses, me dava o suporte para seguir em frente. Os anos passaram, mas foi um período muito complicado pra mim. Meu filho sente a ausência do pai, por mais que sempre tivéssemos uma estrutura familiar boa.” Guilherme da Silveira Santos, de 18 anos, quer seguir a carreira militar no Exército. Está no Ensino Médio no Colégio Tiradentes da Brigada Militar e faz cursinho para ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx).

Pela primeira vez, ele concedeu entrevista e falou sobre o sentimento em relação ao pai. “Na minha infância, enfrentei grandes desafios pela falta de uma presença paterna. Alguém que me aconselhasse, de pai para filho, sair pra pescar, jogar uma bola. Não soube o que é isso”, disse o jovem. “Via a cena dos meus amigos brincando no Dia dos Pais e eu não tinha ninguém. Ficava me perguntando por que isso tinha acontecido comigo e o que eu tinha feito para merecer isso. Já chorei muito antes de dormir. Com o tempo, vamos amadurecendo. A dor e a saudade nunca passam, mas a imagem que fica é a do herói que meu pai foi. Me criei dentro da Brigada, na ponta da lança, e quero seguir os caminhos dele.”