Policial militar que morreu em tiroteio em Novo Hamburgo é sepultado nesta quinta-feira

Envolto em uma bandeira do Rio Grande do Sul, o caixão contendo o corpo do soldado Éverton Kirsch Júnior, 31 anos, foi conduzido por colegas da segurança pública

Júlia Ozorio GZH

Familiares, amigos, colegas de farda e autoridades em cortejo. Jefferson Botega / Agencia RBS

Conduzido por colegas profissionais da segurança pública e familiares, o caixão contendo o corpo de Éverton Kirsch Júnior, 31 anos, morto no tiroteio em Novo Hamburgo, deixou a Capela Ecumênica do Crematório e Cemitério Parque Jardim da Memória, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, por volta das 11h30min desta quinta-feira (24). 

O anúncio da saída do féretro de dentro da capela se deu por sirenes de três viaturas do 1° Batalhão de Choque da Brigada Militar (BM) de Porto Alegre. Por cerca de um minuto, as sirenes tocaram ao mesmo passo que familiares, amigos, colegas e desconhecidos — que compareceram à despedida após se sensibilizarem com a morte do soldado — se aglomeravam ao lado do caixão. 

Envolto em uma bandeira do Rio Grande do Sul, o caixão foi conduzido por cerca de um quilômetro até o local destinado para o sepultamento. Um carro da força tática da Brigada Militar seguia na frente mostrando o caminho.

Reunidos, entes queridos e afetos do soldado Kirsch observavam a guarda fúnebre realizar o tradicional cortejo de guerra, que homenageia profissionais da segurança pública mortos em serviço.

Jefferson Botega / Agencia RBS
Cerca de 300 pessoas estiveram presentes na solenidade nesta manhã.Jefferson Botega / Agencia RBS

Seguido de um toque de trombeta, oito policiais militares, que portavam um fuzil cada, dispararam no solo uma sequência de três tiros cada. Um novo toque de trombeta anunciou o momento de silêncio, que seguiu de uma oração e um cântico religioso. 

Entes queridos e afetos de Kirsch disseram palavras em memória do soldado, acompanhadas de lágrimas e abraços de apoio. Na sequência, ocorreu o sepultamento. Uma forte chuva, vinda com um céu negro e rajadas de vento, tomou o ambiente da cerimônia momentos após o caixão tocar o solo. 

Mesmo com o repentino temporal, um grupo de pessoas continuava a observar o caixão. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes na solenidade nesta manhã. Os atos fúnebres tiveram início às 23h de quarta-feira (23).

Jefferson Botega / Agencia RBS
Uma forte chuva, vinda com um céu carregado e rajadas de vento, tomou o ambiente da cerimônia momentos após o caixão tocar o solo.Jefferson Botega / Agencia RBS

Também compareceram ao funeral autoridades como o governador Eduardo Leite, o comandante da BM, Cláudio Santos Feoli, o secretário estadual da Segurança Pública, Sandro Caron, e o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré.

Gustavo Oliveira / Arquivo pessoal
Éverton deixa amigos, esposa e um filho de 45 dias.Gustavo Oliveira / Arquivo pessoal

Morre segundo PM baleado por atirador de Novo Hamburgo

Novo óbito é de soldado que foi baleado três vezes durante o ataque

Correio do Povo

Rodrigo Volz, 31 anos, foi baleado por atirador de Novo Hamburgo Foto: Arquivo pessoal

Aumentou para quatro o número de vítimas mortas pelo atirador em Novo Hamburgo. O novo óbito é do soldado Rodrigo Weber Voltz, de 31 anos, que foi baleado três vezes durante o ataque.

Ele estava internado no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. Foi apurado nessa quarta-feira que ele passava por protocolo de verificação de possível morte cerebral. A confirmação ou não do óbito nestes casos dura 24h.

Além do soldado Rodrigo Weber Voltz, também morreram o soldado Everton Kirsch Júnior, de 31 anos; o pai do atirador, Eugênio Crippa, de 74 anos; e o irmão do atirador, Everton Crippa, de 49 anos. O autor dos disparos, identificado como Edson Fernando Crippa, de 45 anos, também foi encontrado sem vida. Além dos óbitos, oito pessoas ficaram feridas.

O caso

O relato dava conta que Eugênio Crippa ligou para o 190 informando que o filho o impedia de sair de casa e também o havia agredido. Próximo às 22h40min, a primeira guarnição chegou ao local e entrou no imóvel, onde encontrou o idoso e a esposa, Cleris, de 70 anos. Também estavam ali um dos filhos do casal, Everton Krippa, e a companheira Prescila de Castro Martins, de 41.

Ali, o soldado Everton Kirsch Júnior morreu após ser atingido por um disparo na cabeça. O pai do atirador também foi morto no local. Na sequência, o suspeito teria alvejado o irmão, que estava caído na calçada, e depois retornado para o interior do imóvel.

A ocorrência foi encerrada por volta das 8h30min, quando um terceiro drone adentrou na casa e localizou o corpo do suspeito. Ele morreu após ter sido alvejado durante o tiroteio.

De acordo com a Polícia Civil, o atirador e o pai sofriam de esquizofrenia. O suspeito somava quatro internações psiquiátricas e, apesar disso, ainda mantinha ativo o registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). Ele também havia completado diversos cursos de atirador, conforme a irmã dele informou aos policiais.

Dois PMs baleados por atirador em Novo Hamburgo seguem em estado grave na UTI

Outra policial militar, um guarda municipal e a mãe e a cunhada do homem também continuam internados em hospitais; todos foram feridos pelos disparos feitos por Edson Fernando Crippa, 45 anos

Guilherme Milman GZH

Continuam internados em estado grave dois dos policiais militares feridos no tiroteio em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, ocorrido entre a noite de terça (22) e a madrugada de quarta-feira (24). Ambos estão no Hospital Municipal da cidade.

Conforme boletim divulgado às 8h pela Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH), o PM Rodrigo Weber Volz, 31 anos, encontra-se em estado gravíssimo na UTI da casa de saúde. Já o estado de saúde de João Paulo Farias Oliveira, 26, é considerado grave.

A mãe do atirador, Cleris Crippa, 70, e a cunhada dele, Priscilla Martins, 41, estão internadas no Hospital Centenário, em São Leopoldo. Ambas — que passaram por operações nas regiões do tórax e do abdômen — seguem em estado grave, mas estáveis.

A policial militar Joseane Muller, 38, que foi transferida para o Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre com ferimento de tiro em um dos braços, não corre risco de vida. Ainda não há nova atualização sobre o estado de saúde do guarda municipal Volmir de Souza, 54, que está no Hospital da Unimed — na tarde passada, o quadro de saúde dele era considerado estável.

Ataque em NH

Edson Fernando Crippa, 45 anos, morava com os pais no bairro Ouro Branco, em Novo Hamburgo. Na noite de terça, o irmão dele, Everton Luciano Crippa, e a esposa foram até a casa onde os três moravam. Vizinhos comentam que a próxima sexta-feira (25) é a data de aniversário da matriarca e que esse seria o motivo da reunião familiar.

Após um desentendimento, o pai, Eugênio Crippa, 74, chamou a Brigada Militar por volta de 22h. Ele e a mulher relataram ter sofrido maus-tratos do filho.

Ao ver os policiais na casa, por volta de 23h, Edson efetuou cerca de 300 disparos de pistola calibre 9mm e 380. Os tiros atingiram pelo menos nove pessoas, entre familiares, agentes da BM e da Guarda Municipal.

A troca de tiros com os agentes se estendeu durante a madrugada. Houve pelo menos dois momentos de confronto. Ele permaneceu dentro de casa por cerca de nove horas sob cerco da polícia.

Por volta de 8h30min de quarta-feira, os policiais militares entraram na casa e constataram a morte do atirador. Segundo a polícia, não há sinais de que ele tenha tirado a própria vida. Ainda não se sabe em que momento exatamente ocorreu a morte.

As vítimas

Morreram no tiroteio o policial militar Éverton Kirsch Júnior, 31 anos; o pai do atirador, Eugênio Crippa, 74; e o irmão, Everton Crippa, 49, que chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu.

“Acima de tudo um herói”: Leite lamenta morte de soldado e outras vítimas de atirador em Novo Hamburgo

Cerco a local dos crimes durou dez horas na cidade

Correio do Povo

O governador Eduardo Leite lamentou nesta terça-feira as mortes ocorridas em Novo Hamburgo, após um homem ter efetuado disparos e matado três pessoas na cidade. O atirador, identificado como Édson Fernando Crippa, de 45 anos, também foi encontrado sem vida. As autoridades fizeram um cerco no local dos crimes que durou dez horas.

Em publicação nas redes sociais, o chefe do Executivo Estadual declara seguir em contato com o secretário de Segurança, Sandro Caron, acompanhando os desdobramentos do caso.

Um dos mortos pelos disparos é o soldado Everton Kirsch Júnior. “O soldado Everton, com apenas 31 anos, deu sua vida para proteger a sociedade gaúcha. Ele era esposo, pai de um bebê de 45 dias e, acima de tudo, um herói. Que sua coragem e dedicação nunca sejam esquecidas. Meus sentimentos à família e o desejo de rápida recuperação aos feridos”, destacou o governador.

A ocorrência teve início ainda na noite dessa terça-feira, chegando ao fim nesta manhã, próximo às 8h30min. De acordo com a Brigada Militar, uma guarnição foi despachada para a rua Adolfo Jaeger, por volta das 22h40min, após Eugênio Crippa, de 74 anos, ligar para o 190 informando que o filho Edson mantinha ele e a esposa reféns. Os policiais foram recebidos a tiros pelo suspeito, que depois correu para o interior do imóvel.

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) esteve no local e, após negociação, decidiu entrar no imóvel, onde encontrou o atirador já sem vida. Ele era caminhoneiro e já havia passado por diversos cursos de tiro, segundo familiares. Durante a ocorrência, ele estava armado com duas pistolas, um rifle e uma espingarda.

Policial morto por atirador em Novo Hamburgo tinha filho de 45 dias

Soldado Everton Kirsch Júnior, de 31 anos, está entre as vítimas fatais; ao todo, quatro pessoas morreram

Bruno Laforéda CNNJulia Fariasda CNN

Policial militar Everson Kirsch Júnior, de 31 anos, foi morto por atirador em Novo Hamburgo Foto: Arquivo pessoal

O governador Eduardo Leite (PSDB) se manifestou, na manhã desta quarta-feira (23) e lamentou a morte do policial militar morto durante a ocorrência do atirador de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre. O policial era casado e pai de um bebê de 45 dias.

Everton Kirsch Júnior, de 31 anos. “Ele era acima de tudo, um herói”, disse o governador.

Leite também destacou que outros seis militares foram feridos. Veja a nota na íntegra:

Em última atualização, quatro pessoas morreram, incluindo o suspeito, e nove ficaram feridas. Saiba o estado de saúde das vítimas envolvidas na ocorrência.

Até o momento, quatro pessoas morreram e nove ficaram feridas após um homem atirar contra diversas pessoas do interior de sua residência em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, na noite desta terça-feira (22).

As vítimas fatais seriam o policial militar Everton Raniere Kirsch Junior, de 31 anos, o pai, identificado como Eugenio Crippa, de 74 anos e o irmão do suspeito, Everton Luciano Crippa, de 49 anos, e que, inicialmente, estava em estado grave, mas não resistiu.

Após pouco mais de nove horas de cerco policial, os agentes de segurança do Rio Grande do Sul afirmaram que o atirador foi encontrado morto dentro do imóvel de onde vinham os disparos, totalizando os quatro óbitos na ocorrência até o momento.

A mãe do autor, identificada como Cleris Crippa, de 70 anos, foi atingida por seis tiros, sendo três no tórax, dois no abdômen e um na mão e está em estado grave.

A cunhada do suspeito, Priscilla de Castro Martins, de 41 anos, também está em estado grave e foi atingida por um disparo no abdômen.

Um comandante da equipe policial também foi ferido com estilhaços na cabeça, mas não precisou de atendimento.

Até o início desta manhã, entre os feridos, sete foram encaminhados ao Hospital Municipal de Novo Hamburgo, dos quais dois estão em estado grave:

  • João Paulo Farias, de 26 anos, policial militar ferido com tiro na cabeça
  • Rodrigo Weber Volz, 31 anos, policial militar

O Guarda Municipal Volmir de Souza, de 54 anos, está estabilizado após ser atingido por três disparos.

Além deles, três vítimas estão fora de risco:

  • Eduardo de Brida Geiger, de 32 anos, policial militar ferido com tiro no tornozelo
  • Joseane Muller, 38 anos, policial militar ferida com tiro no ombro
  • Leonardo Valadão Alves, de 26 anos, ferido com tiro de raspão no supercílio

O irmão do suspeito também foi levado a este hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade.

Atirador de Novo Hamburgo (RS)

Na noite desta terça-feira (22), um homem atirou contra diversas pessoas do interior de sua residência em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre. A Brigada Militar foi acionada para a ocorrência por volta das 23h. Ao ser acionado para apoiar à ocorrência, um agente baleado chegou a suplicar por socorro.

Informações preliminares divulgadas pelas autoridades indicam que um desentendimento familiar ocasionou a confusão.

O local chegou a ser isolado por segurança. Vizinhos foram retirados da área, pois o homem seguia no interior da casa efetuando novos disparos.

Após pouco mais de nove horas de cerco policial, os agentes de segurança do Rio Grande do Sul afirmaram que o atirador foi encontrado morto dentro do imóvel de onde vinham os disparos, totalizando os quatro óbitos na ocorrência até o momento.

*Sob supervisão de Bruno Laforé

Identificado policial militar de Farroupilha que se afogou na Praia do Rosa, em Santa Catarina

Buscas pelo brigadiano continuam

Pablo Ribeiro GZH

Acidente aconteceu no canto sul da Praia do Rosa. Corpo de Bombeiros de Santa Catarina / Divulgação

Equipes do Corpo de Bombeiros de Imbituba, no litoral catarinense, continuam atuando nas buscas por um agente da Brigada Militar lotado na Serra gaúcha que sofreu um afogamento e está desaparecido. Joarles Wildelany dos Santos Silva, de 27 anos, é natural de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, e atua no 36º Batalhão da Polícia Militar de Farroupilha (36º BPM).

Ele estava de férias quando o acidente aconteceu. A vítima foi vista pela última vez por volta de 16h30min deste domingo (20), no Costão Sul, uma área rochosa da Praia do Rosa. Ele estava com a namorada na beira do mar quando foi arrastado para dentro.

Conforme o major Marcos Leandro Marques, do Corpo de Bombeiros de Imbituba, banhistas que estavam na praia acionaram a equipe. Os relatos iniciais indicaram que um casal estava se afogando. Ao chegar no local, a mulher já havia sido resgatada por um surfista. Contudo, o homem não havia retornado da água.

Dois bombeiros utilizaram uma moto aquática para varrer a região em que o acidente aconteceu. Segundo o major Marques, o local onde Joarles desapareceu possui uma corrente de retorno: um fluxo de água muito intensa e forte, que acaba fluindo em direção ao oceano. As correntes de retorno são frequentemente encontradas em áreas de costões, como essa em que ocorreu o desaparecimento.

O major confirmou que a procura por Joarles deve seguir por 14 dias ou até ele ser encontrado.

Uma vaquinha foi aberta nesta segunda-feira (21), com o objetivo de arrecadar recursos para a família de Joarles, que vive na Bahia, e para transportar os pertences particulares para sua cidade.

O que se sabe sobre o desaparecimento do brigadiano que atua em Farroupilha e se afogou no litoral catarinense

Acidente aconteceu na Praia do Rosa. Homem de 27 anos teria sido visto, pela última vez, nadando próximo a uma área rochosa, onde teria submergido, não voltando mais à superfície. Bombeiros catarinenses atuam nas buscas desde o último domingo (20) 

Tamires Piccoli GZH

Afogamento foi registrado na Praia do Rosa, em Imbituba, no domingo (21) – Foto: Reprodução/Google Maps/ND

Pelo segundo dia consecutivo equipes do Corpo de Bombeiros de Imbituba, no litoral catarinense, atuam nas buscas por um agente da brigada militar lotado na Serra gaúcha e que está desaparecido. 

O homem de 27 anos, é natural do Distrito Federal e atua no 36º Batalhão da Polícia Militar de Farroupilha.

Ele estava de férias quando o acidente aconteceu. A vítima foi vista pela última vez no domingo (20), no Costão Sul, uma área rochosa da Praia do Rosa. O homem estava nadando no local com a namorada quando submergiu na água e não foi mais visto.

Conforme o major Marcos Leandro Marques do Corpo de Bombeiros da cidade, populares que estavam na praia acionaram a equipe por volta das 13h30min do domingo. Os relatos iniciais indicaram que um casal estava se afogando.

Ao chegar no local, a mulher já havia sido resgatada por um surfista. Ela estava tossindo e teria recusado atendimento médico. Contudo, o homem não havia retornado da água.

— Populares contaram que um surfista chegou até o homem e tentou resgatá-lo com a prancha. Mas o relato é de que ele já estava sem forças. O surfista tentou sair com a vítima pelas pedras, mas o homem passou mal e não conseguiu segurar a prancha. Depois disso, há vários relatos de banhistas que viram ele submergindo — detalha o major.

Dois bombeiros utilizaram uma moto aquática para varrer a região em que o acidente aconteceu. Segundo o major Marques o local onde homem desapareceu possui uma corrente de retorno: um fluxo de água muito intensa e forte, que acaba fluindo em direção ao oceano. As correntes de retorno são frequentemente encontradas em áreas de costões, como essa em que ocorreu o desaparecimento.

Nessa segunda (21), dois mergulhadores e uma embarcação foram acionados para dar continuidade às buscas. No entanto o homem segue desaparecido. 

O major confirmou que a procura pelo homem deve seguir por 14 dias ou até ele ser encontrado.

Normativa sobre uso de maconha nas penitenciárias gera polêmica no RS

Medida seria válida para até 40 gramas, ou até seis unidades de plantas-fêmeas; Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo afirmou que recomendação não está em vigor

Marcel Horowitz Correio do Povo

Corregedoria-Geral do Sistema Penitenciário orientou descriminalização de porte de até 40 gramas de maconha | Foto: Susepe / Reprodução / CP

Policiais penais foram orientados a não responsabilizar detentos por consumo recreativo de maconha. A medida seria válida para até 40 gramas, ou até seis unidades de plantas-fêmeas. Conforme a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), a orientação não está em vigor.

A determinação consta em documento da Corregedoria-Geral do Sistema Penitenciário, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre descriminalização do porte da droga. O entendimento seria não instaurar processo administrativo disciplinar (pad) contra presidiários flagrados com quantidade “recreativa” de maconha, sob justificativa que a competência de criminalizar o porte ou não seria do juizado especializado, e não da Polícia Penal.

O corregedor-geral da instituição Rafael Schwengber Gierme assina o texto. A recomendação dele é que o procedimento disciplinar deveria ser instaurado para reprimir detentos somente quando o porte de maconha fosse além do consumo recreativo, ou em caso de tráfico, também segundo o parâmetro do STF. Ele ainda alerta para que os agentes considerem as implicações da lei de abuso de autoridade no momento de uma apreensão.

O Sindicato da Polícia Penal (Sindppen) aponta que a aplicação da medida geraria risco aos servidores. De acordo com a entidade, permitir uso recreativo de maconha a detentos serviria de incentivo para que eles também descumprissem outras regras no interior das casas prisionais.

“Normalmente, o preso que é flagrado com drogas sofre uma sansão. Independente da quantidade de narcóticos na posse dele, a punição deve ser a restrição de visitas ou até o isolamento preventivo por dez dias. Permitir o uso recreativo de drogas acabaria com a disciplina dentro das unidades, servindo ainda como incentivo para que apenados desrespeitem os servidores. É uma orientação temerária”, ponderou o presidente do Sindppen, Cláudio Dessbesell.

Conforme a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), a recomendação não está em vigor e o documento ainda precisa ser analisado pela Procuradoria Setorial da SSPS, que tomará as providências cabíveis com base na legislação vigente. A pasta também alega que, em razão da complexidade da orientação produzida pela Corregedoria-Geral do Sistema Penitenciário, a Polícia Penal emitirá nota informativa, a partir da instrução da Procuradoria Setorial da SSPS.

A orientação vigente, diz a SSPS, é a de que os policiais penais sigam adotando os mesmos procedimentos para instauração de processos disciplinares para averiguação da conduta de porte de substâncias ilícitas nos estabelecimentos prisionais, independente da quantidade apreendida.

Benefícios judiciais concedidos a 15 lideranças de quadrilhas alarmam policiais em meio a onda de homicídios no RS

Conhecidos integrantes de facções saíram detrás das grades em pouco mais de um ano,  por questões humanitárias ou medidas alternativas à prisão. Desses, sete não foram mais localizados pelas autoridades e o receio é de que, foragidos, alimentem a recente alta dos homicídios

HUMBERTO TREZZI LUCAS ABATI GZH

A recente onda de homicídios no Rio Grande do Sul — foram pelo menos cinco chacinas em um mês — acendeu um alerta entre policiais. E um dos fatores que podem contribuir para aumentar ainda mais o número de assassinatos, acreditam as autoridades, é que pelo menos 15 integrantes de facções criminosas saíram detrás das grades em pouco mais de um ano, beneficiados por razões humanitárias e/ou medidas alternativas à prisão.

Desses, sete estão foragidos, conforme levantamento feito pelo Grupo de Investigação da RBS (GDI). É o caso de Tiago Benhur Flores Pereira, que idealizou um túnel para fuga de dezenas de apenados do Presídio Central de Porto Alegre e que tem 153 anos de pena por cumprir.

O GDI pesquisou dois bancos de dados federais e ouviu policiais e membros do Ministério Público, envolvidos em investigações que propiciem o retorno dos fugitivos a penitenciárias. Na última semana, a Brigada Militar capturou 62 foragidos. Já a Polícia Civil realizou 28 capturas de pessoas condenadas por crimes como homicídios e latrocínios (roubos com morte).  

— Infelizmente, por conta de benefícios indevidos, muitas lideranças têm sido postas na rua mediante uso de tornozeleira ou prisão domiciliar. O grande número de rupturas do dispositivo e fugas deixam evidente o desacerto da medida. E essa conta quem paga é a polícia e a Segurança Pública, que têm de dispender energia e dinheiro público pra recapturar esses criminosos — reclama a diretora do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegada Vanessa Pitrez, cujas atribuições incluem procurar foragidos.

É dominante a sensação de que progressões de regime concedidas a chefes ou gerentes do crime acabam facilitando acertos de contas no submundo, como ocorreu nas cinco chacinas ocorridas em um mês no Estado. Só investigações detalhadas poderão comprovar se o recente aumento de homicídios tem relação com a volta desses quadrilheiros às ruas. 

Um exemplo é o de Liomar Antônio da Silva, condenado a 84 anos de prisão, líder de facção de Canoas e procurado pela Justiça gaúcha. Ele acabou morto em agosto no Paraguai, onde estava escondido, por seus inimigos no crime. O caso ilustra como as desavenças são resolvidas após a fuga de criminosos de alto potencial ofensivo.

A promotora de Justiça Lucia Callegari, que atua em júris de homicídio, critica as liberações de chefes de quadrilha com motivações humanitárias.

— A própria Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários, atual Polícia Penal) tem estrutura de hospitais conveniados, de escolta e na própria casa prisional, para atendimento. Tem atendimento médico e essas solturas humanitárias certamente têm papel nessas mortes que a gente está presenciando, nas chacinas no Interior. Estamos incendiando locais que não tinham problema — opina.

A Polícia Penal informa que, somente na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), responsável por  encarcerar os presos mais perigosos do Rio Grande do Sul, 11 detentos saíram em prisão domiciliar humanitária desde o final de 2022. A Polícia Penal aponta que a maioria por alegar problemas de hérnia de disco e lombalgia.

Procurado, o secretário estadual da Segurança Pública, Sandro Caron, não quis fazer comentários.

Já a titular da 1ª Vara de Execuções Criminais (VEC), responsável por avaliar progressão de regime e pedidos de prisão domiciliar, juíza Sonáli da Cruz Zluhan, defende que as medidas são adotadas pela insuficiência do sistema prisional.

— A gente recorre à prisão domiciliar humanitária, em caso de doença, depois que a gente tentou de tudo dentro do presídio. Não é a primeira opção para nenhum magistrado. Ele (preso) comprova que está doente e a gente pede o tratamento. Aí vem o laudo dizendo que precisa de especialista, e especialista não tem em nenhum presídio. A gente pede que o preso seja levado para consulta mediante escolta e, não são poucas vezes, a Susepe (Polícia Penal) não leva, e eles perdem a consulta — explica a magistrada.

A juíza assegura que as decisões são baseadas na Lei de Execuções Penais, voltada a direitos e deveres dos presos. Segundo a magistrada, se a lei fosse cumprida à risca, poucos presídios estariam abertos.

— Eu descumpro essa lei diariamente, porque cada presídio novo que é construído não está nem minimamente dentro das regras da execução penal — cita Sonáli.

A Polícia Penal divulgou nota em que afirma “que não procede a falta de atendimento médico para os apenados (as)  seja dentro das unidades prisionais ou fora delas”. (leia a íntegra ao final da matéria)

A seguir, alguns presos que receberam permissão para sair dos presídios e a situação atual deles:

Foragidos

Tiago Benhur Flores Pereira (facção Os Manos)

Reprodução / Arquivo Pessoal
Tiago Benhur Flores Pereira está foragido desde julho.Reprodução / Arquivo Pessoal

É um dos expoentes do crime no Rio Grande do Sul. Foi condenado, entre outros motivos, pela construção de um túnel que se destinaria à fuga de centenas de detentos do Presídio Central de Porto Alegre. A pena a cumprir soma 153 anos. Foi solto em 22 de julho, mediante prisão domiciliar humanitária, para realizar cirurgia. Fugiu três dias depois. Tem dois mandados de prisão decretados.

A juíza Sonáli da Cruz justifica que este preso foi solto por não receber tratamento pós-cirúrgico na cadeia.

— Ele foi para o Hospital Mãe de Deus, ficou escoltado lá depois da cirurgia, voltou para o presídio e não foi levado para nenhum outro atendimento. A cirurgia dele era de coluna e ele teve um problema sério, regrediu porque não foi levado para nenhum lugar. Tem vários laudos no processo dizendo que ele precisava de nova cirurgia, nas mesmas circunstâncias de antes — diz.

Letier Ademir Silva Lopes (facção Bala na Cara)

Divulgação / Polícia Civil
Letier Ademir Silva Lopes está foragido desde setembro.Divulgação / Polícia Civil

Ao longo da última década, foi apontado pela polícia como articulador de pelo menos 27 homicídios consumados ou tentados, a maioria em Canoas e Cachoeirinha. Ganhou progressão de regime antecipado, do regime fechado para um instituto penal (semiaberto, em Charqueadas), em 10 de setembro. Fugiu dois dias depois. Está com prisão decretada, como foragido.

Tiago Soares da Silva (facção Bala na Cara)

Conhecido como Pequeno, é apontado como líder dessa facção em Cachoeirinha e Gravataí. Tem pouco mais de um ano de pena por cumprir, mas é investigado por envolvimento em 11 homicídios (com prisão preventiva decretada) e também assalto a uma empresa de valores. Recebeu progressão de regime antecipada em 24 de março e foi colocado no Banco de Procurados em 19 de setembro. Está foragido.

Alexandre Moraes da Silveira (facção Os Manos)

Conhecido como “Beiço”, é apontado como um dos maiores distribuidores de cocaína e crack nas regiões do Vale do Sinos e centro-sul do Estado. Tem 25 anos de prisão por cumprir e possui quatro mandados de prisão em aberto (por tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa). Ganhou progressão de regime com uso de tornozeleira em 1º de julho de 2016 e fugiu dia 30 de julho de 2024. Está incluído como foragido na Difusão Vermelha da Interpol, por suspeita de que tenha fugido para o Exterior.

Fabio Rosa Carvalho (facção Os Manos)

Conhecido como “Fábio Noia”, já cumpriu pena por tráfico de drogas, roubo a banco e homicídios. Responde a processos por lavagem de dinheiro do tráfico. Recebeu permissão para uso de tornozeleira em outubro de 2022. Foi considerado foragido em fevereiro de 2023.

Rafael Bianchi Batista (facção Bala na Cara)

Conhecido como Rafinha, traficante de drogas em Cachoeirinha, já cumpriu pena por homicídio e esteve escondido na fronteira entre Brasil e Paraguai. Ganhou prisão domiciliar em 4 de agosto de 2024 e fugiu. Teve mandado de prisão decretada, como foragido, em 23 de setembro.

Willian Ramos Silveira (facção Bala na Cara)

Responde a processo por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo, junto de Rafael Bianchi Batista. Tem cinco anos e seis meses de prisão por cumprir. Recebeu direito a tornozeleira em 5 de agosto e está foragido desde 19 de setembro.

Recapturados após fuga

Rodrigo Afonso Bandeira dos Santos (facção Os Manos)

Conhecido como “Rodrigo das Correntes”, o porto-alegrense tem antecedentes por tráfico, homicídio e porte ilegal de arma de fogo. É considerado um dos principais controladores de pontos de prostituição na Capital e distribuidor de drogas em Eldorado do Sul. Tem 25 anos e 10 meses de prisão por cumprir. Voltou à prisão recentemente, por descumprir decisão judicial.

Christian Vieira da Silva (facção Bala na Cara)

Divulgação / Polícia Civil
Christian Vieira da Silva, o DVD, responsabilizado por diversos homicídios, fugiu e foi recapturado.Divulgação / Polícia Civil

Conhecido como DVD, é apontado como matador da facção. Tem 33 anos e três meses de pena por cumprir, por homicídios. Recebeu prisão humanitária domiciliar por doença, em 26 de julho. Fugiu em 9 de agosto e foi recapturado.

Luís Natanael Nunes Paz (facção Os Manos)

Condenado a 33 anos de prisão por homicídios, ganhou direito a prisão domiciliar humanitária em setembro de 2023, para tratamento de hérnia e exames de tumores. Foi preso em agosto de 2024, por violar as condições impostas pela Justiça. Está encarcerado na Penitenciária de Canoas.

Monitorados para evitar fuga

Pelo menos outros cinco criminosos, cujas penas somadas alcançam mais de 75 anos de prisão, são monitorados constantemente pelas autoridades. Ligados às facções Os Manos, Bala na Cara e Os Abertos, eles receberam benefícios que os tiraram detrás das grades. Alguns estão no regime semiaberto, outros em prisão domiciliar humanitária. A reportagem não publica os nomes deles porque não fugiram.

O que diz a Polícia Penal

“A Polícia Penal informa que não procede a falta de atendimento médico para os apenados (as)  seja dentro das unidades prisionais ou fora delas, por conta da falta de equipes médicas ou de escoltas. As pessoas privadas de liberdade no Rio Grande do Sul recebem atendimento médico dentro das próprias casas prisionais e também são realizadas inúmeras escoltas para consultas e atendimentos hospitalares diariamente, inclusive de apenados considerados de alta periculosidade. 

Referente às prisões humanitárias abordadas, percebe-se tal situação principalmente em Porto Alegre e Charqueadas e na maioria dos casos se tratam de patologias como hérnias ou lombalgias. 

Entretanto, cabe reforçar mais uma vez, que sempre se garante atendimento médico nas unidades prisionais pelas próprias equipes de saúde ou permissão do acesso de médicos particulares para atendimento no local. Além da efetivação de escoltas para consultas em ambientes externos aos prisionais. 

Existem atualmente 55 Unidades Básicas de Saúde Prisionais nos estabelecimentos do Estado. Ao todo, são 63 equipes de saúde que contam com médico clínico geral, psiquiatra, enfermeiro, técnico de enfermagem, dentista, auxiliar de dentista, psicóloga e assistente social. Nas unidades sem a presença de UBS, há atendimento de saúde interno.

Nos demais casos, os presos  acessam, diretamente, a rede de saúde pública, sempre mediante  escolta dos policiais penais. Somente em 2024, foram efetivadas 2.968 consultas médicas fora das unidades prisionais do Estado.”

Policial é esfaqueado por cadeirante durante abordagem em Porto Alegre

Agente, que estava à paisana, foi atingido pelas costas, no fim da manhã desta sexta-feira

GZH

Imagens do ataque circulam nas redes sociais Redes sociais / Reprodução

Um policial civil foi atingido com um golpe de faca, pelas costas, durante uma abordagem na região da Rua Voluntários da Pátria, no Centro Histórico de Porto Alegre. O fato aconteceu no fim da manhã desta sexta-feira (27).

Imagens que circulam nas redes sociais mostram que o agente, à paisana, está revistando um suspeito quando um homem em uma cadeira de rodas se aproxima e o esfaqueia.

Não há informações sobre o estado de saúde do policial. A Polícia Civil dá uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta para divulgar detalhes do caso.