Um assalto a carro-forte aconteceu no aeroporto de Caxias do Sul na noite desta quarta-feira (19). De acordo com o Batalhão do Choque da Brigada Militar, um grupo teria tentado roubar o veículo de transporte de valores utilizando viaturas falsas da PF. Houve troca de tiros, e um policial militar e um criminoso morreram no confronto.
Em nota, a Brigada Militar informou que o policial militar ficou ferido e foi encaminhado ao hospital, onde morreu. Criminosos conseguiram fugir para a mata.
O Comando de Policiamento de Choque, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Batalhão de Aviação da Brigada Militar já foram acionados e, com as equipes do 12°BPM, estão no aeroporto de Caxias do Sul e realizando o cerco policial.
Além da BM, Polícia Federal, Polícia Civil e Exército também atendem a ocorrência. Segundo o delegado da PF Noerci da Silva Melo, as equipes da PF foram ao local por volta de 20h.
Forças de segurança fazem bloqueio na Avenida Salgado Filho, que dá acesso ao aeroporto. Ambulâncias do Samu também foram acionadas.
O alinhamento de estratégias será apresentado para todo o Estado e estará em constante atualização
PAULA BRUNETTO PIONEIRO
Promotora de Justiça Alessandra Moura Bastian da Cunha, coordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento às Vítimas, esteve em Caxias do Sul no mês de março para apresentar a iniciativa aos policiais da BM.
MP – RS / Divulgação
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) e a Brigada Militar (BM) passam por um alinhamento de estratégias para qualificar as abordagens e evitar a nulidade dos processos na Justiça. O projeto chamado Fundadas Razões foi implementado em outubro de 2023 e agora está em fase de divulgação e ampliação por todo o Estado. A BM de Caxias do Sul já recebeu por duas vezes a equipe que o implementou, coordenada pela promotora de Justiça Alessandra Moura Bastian da Cunha, coordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento às Vítimas.
O comandante do 12º Batalhão da Brigada Militar (BPM) de Caxias do Sul, Ricardo de Moreira Vargas, explica que o projeto já está em execução no município e já qualificou na prática a forma de abordagem, incluindo um maior detalhamento das descrições nas ocorrências na delegacia.
— O policial foi atender a uma ocorrência de agressão doméstica. Chegando no local, encontrou drogas ou uma arma de fogo e prende o agressor/traficante. Ele apresenta a ocorrência na delegacia e conta como entrou na casa, por exemplo, pela porta da frente. Um tempo depois, quando a Civil investiga e o MP entra com o processo, a defesa do acusado se apega a detalhes para tentar anulá-lo. Já passou um tempo e o policial é ouvido na Justiça, mas não lembra como foi aquele fato com detalhes e diz que entrou por uma janela, ou pela porta dos fundos, e isso já descaracteriza a prova porque mudou a versão inicial descrita — exemplifica Vargas.
Essa descaracterização pode ser interpretada pela Justiça como um detalhe possível de anular aquele processo e liberar da prisão o autor do crime. Portanto, o Fundadas Razões é a reunião de orientações em um documento que vai aperfeiçoar o trabalho do policial que atende a ocorrência. De forma que possa dar segurança ao trabalho do Ministério Público na acusação.
Nesta semana, os policiais do 12º passam por uma das diversas especializações que fazem durante a carreira militar. Dentro deste curso interno, uma das disciplinas, segundo Vargas, é o alinhamento sugerido pelo MP. Os PMs fazem o curso dividido por equipes e estarão em constante atualização no projeto Fundadas Razões.
Segurança pública linear
A coordenadora do projeto, Alessandra da Cunha, explica que, ao longo dos processos judiciários, o Ministério Público notou que algumas atitudes tomadas na hora da abordagem policial ou descritas na ocorrência geram interpretações dúbias ao Poder Judiciário, anulando o processo. Por isso, o órgão sentiu a necessidade de alinhar os trabalhos de segurança pública, para que ambos, MP e BM, alcancem o mesmo resultado, que é a condenação justa do autor dos fatos.
— Então, o que a gente fez? A gente verificou as principais razões de nulidades declaradas, tanto aqui no Rio Grande do Sul como nos tribunais superiores. E a partir disso a gente fez um material que é levado às polícias, para alinhar as atuações, evitando essas causas de nulidade — salienta Alessandra.
Ela acrescenta que nestes encontros os policiais são ouvidos, para complementar o projeto. Também permite uma aproximação dos promotores da respectiva comarca com os policiais que trabalham ali. Depois, o material é disponibilizado aos comandos com as orientações, e constantemente é aprimorado e ampliado, conforme as demandas que surgirem nos encontros. Também serão atualizados conforme as leis federais forem sendo aprovadas nos casos que envolvem crimes.
Alessandra salienta que uma das atualizações já disponíveis é relacionada a essa situação da calamidade climática. Segundo ela, esta temática é voltada aos flagrantes ocorridos em abrigos, ou de furtos/roubos ocorridos nas cidades atingidas.
— O que nós estamos orientando é que os policiais sempre tomem o cuidado no momento do flagrante, das ocorrências desses casos, dessas prisões, que isso conste, expressamente, que aquele roubo, aquele furto aconteceu numa área evacuada, porque a gravidade disso é maior. Aquele indivíduo se aproveitou de uma situação de calamidade, de uma pessoa que não pode estar na sua residência para cometer um crime patrimonial Ou que aquele tráfico aconteceu na imediação de um alojamento, onde você já tem uma população extremamente vulnerabilizada — detalha a promotora.
Retornos positivos
O Fundadas Razões ainda é novo e foi apresentado em poucos municípios do RS. Mas já há um cronograma para que todas as cidades/comarcas sejam visitadas. Entretanto, já teve resultados positivos. De acordo com Alessandra, alguns casos já foram apresentados com as ocorrências mais detalhadas, e isso vai resultar em decisões que, na visão dela, serão mais afinadas com o que a sociedade precisa. Além de perceber que o relacionamento entre servidores do MP e da BM das cidades está mais próximo. Conforme a promotra, a avaliação quantitativa de resultados será possível no final deste ano, quando as métricas estabelecidas no projeto poderão ser avaliadas efetivamente.
Um homem foi preso durante operação nesta quarta-feira (22)
PIONEIRO
Quatro fuzis são apreendidos em Caxias do Sul.
Batalhão de Choque / Divulgação
Quatro fuzis foram apreendidos durante operação do 4º Batalhão da Polícia de Choque na tarde desta quarta-feira (22), em Caxias do Sul. Os policiais, em conjunto com o Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO/Serra), encontraram o local que era utilizado para guardar o armamento no bairro Primeiro de Maio.
Segundo a Polícia de Choque, os fuzis de calibre 556 eram usados por uma organização criminosa que atua no Estado. Uma pistola, carregadores e munições também foram apreendidos.
Na ação, os policiais também prenderam um suspeito. O homem tem antecedentes por tráfico de entorpecentes, receptação e porte ilegal de arma de fogo.
Batizada de Hammerfall, a ação cumpre 22 mandados de busca e apreensão e conta com 200 agentes; três pessoas foram presas
KATHLYN MOREIRA GZH
Investigação foi realizada pela 4ªDPHPP, com coordenação do delegado André Luiz Freitas.
Kathlyn Moreira / Agência RBS
Uma operação policial com cerca de 200 agentes aconteceu na manhã deste sábado (18) no bairro Restinga, em Porto Alegre. Três pessoas foram presas – duas com mandado de prisão preventiva e uma em flagrante. A ação da Polícia Civil e da Brigada Militar, conta com reforço de policiais de Santa Catarina e do Paraná, que estão no Rio Grande do Sul para atuar durante as enchentes. Batizada de Hammerfall, a operação também cumpriu 22 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidas duas armas de fogo e drogas.
Os alvos são dois criminosos que já eram investigados desde o dia 6 de março, quando entraram em confronto com outros dois homens de um grupo rival como retaliação e, na sequência, atiraram contra policiais militares que estavam na região.
A investigação foi realizada pela 4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (4ªDPHPP), com coordenação do delegado André Luiz Freitas.
— O objetivo é encontrar esses criminosos e combater este e grupos rivais que continuam praticando crimes em Porto Alegre, mesmo durante as enchentes — explicou o titular.
A escolha do fim de semana foi proposital para surpreender os suspeitos e garantir o sucesso da ação.
— É um dia atípico, eles não esperam uma ação policial. Já estávamos preparados para agir se fosse necessário — salientou o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Mario Souza.
A maior tragédia climática a atingir o Rio Grande do Sul, que deixa mais de uma centena de mortos e obriga pessoas a abandonarem suas casas, impacta também na violência. Reforços de fora do Estado e da Força Nacional vêm sendo recebidos
LETICIA MENDES GZH
Policiais precisam usar embarcações para resgates e para patrulhamento em áreas inundadas.
André Avila / Agencia Rbs
Em Porto Alegre, drones da Guarda Municipal são usados dia e noite para monitorar as áreas inundadas;
Além da Capital, municípios da Região Metropolitana recebem reforços de policiamento para prevenção contra saques;
Desde o início das cheias no Rio Grande do Sul, foram registados casos de estupro de crianças em abrigos;
Brigada Militar dá exemplo de fake news que fez o policiamento gastar tempo e energia que poderiam ser usados em apoio à população.
No bairro Mathias Velho, em Canoas, onde ruas se transformaram em canais profundos de água turva durante as inundações que atingem o Rio Grande do Sul, traficantes usaram uma embarcação para transportar 11 quilos de cocaína nesta semana. A droga, acondicionada numa caixa térmica e embalada, foi levada de barco até o bairro Mato Grande, também alagado. De lá, seria removida por outra parte do grupo até um apartamento, e mais tarde distribuída. A empreitada foi descoberta pela polícia, que apreendeu o carregamento, com valor estimado em R$ 350 mil.
Em meio à maior tragédia climática vivenciada no Estado, a criminalidade também se adapta e as forças de segurança enfrentam novos desafios. O policiamento embarcado, que se tornou uma das prioridades da Brigada Militar e da Polícia Civil, é uma das estratégias para tentar conter os crimes nas áreas mais atingidas. Foi assim que a equipe do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) realizou a apreensão das drogas. Da mesma forma, policiais militares localizaram cerca de 15 quilos de maconha e crack também em Canoas.
Até a manhã deste domingo (12), 54 pessoas tinham sido presas no Estado por crimes como saques, roubos, vandalismo e estupro. Desses, 11 casos aconteceram dentro dos abrigos. Pelo menos seis pessoas foram presas suspeitas de serem autoras de crimes sexuais em locais de abrigamento – a maior parte eram familiares das vítimas.
— A segurança pública tem dois focos: combate ao crime, que é coibir especialmente os saques, onde já houve uma redução, e a principal prioridade que é combater crimes dentro dos abrigos e garantir a segurança das pessoas que estão lá — afirma o secretário de segurança do Estado, Sandro Caron.
Áreas alagadas
Com moradores e comerciantes acuados pela chegada das águas, bairros da Capital, como o Centro Histórico, a Cidade Baixa e Menino Deus foram esvaziados. A cena se repetiu na zona norte, em áreas como Sarandi, São Geraldo, Vila Farrapos e Humaitá. A desocupação trouxe a preocupação com os saques, após se replicarem relatos de que criminosos estavam se aproveitando da situação. A avaliação é que esse tipo de crime arrefeceu, embora ainda cause preocupação.
Em Porto Alegre, cinco drones da Guarda Municipal são usados para monitorar as áreas inundadas, de dia e à noite. Os aparelhos possuem sensores térmicos, para detectar movimentos noturnos. Essas áreas também receberam o patrulhamento em embarcações com policiais, em rondas rotineiras.
— O desafio é termos um patrulhamento robusto nas áreas alagadas, inóspitas. Temos aumentado, à medida que as embarcações vão sendo alcançadas. Tínhamos uma frota de barcos na BM limitada, mas vêm se agregando botes de outras polícias militares — explica o comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli.
A Polícia Civil – que contava somente com dois botes para ações pontuais – também recebeu apoio com barcos de voluntários e de outras corporações. Além dos bairros da Capital, uma das preocupações é Canoas, especialmente no Mathias Velho, onde houve casos de roubos de barcos e criminosos armados intimidando moradores e voluntários. Policiais circulam nas embarcações para fazer a segurança dos resgates.
— Precisamos reprimir a criminalidade que porventura surja e passar para a sociedade uma sensação de segurança. Que as pessoas não entrem num processo de achar que as regras terminaram e não há controle social — diz o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré.
Região Metropolitana
Polícias fazem patrulhamento com uso de embarcações.Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Eldorado do Sul, que ficou quase totalmente submersa, foi uma das primeiras a ter relatos de saques. Foi necessário enviar a tropa de choque numa aeronave e embarcações. Na sexta-feira (10), a Polícia Federal realizou as últimas tentativas de resgates no município, e depois disso deve direcionar seus esforços para a prevenção de crimes. Outros municípios da Grande Porto Alegre, como Guaíba, São Leopoldo e Novo Hamburgo, também receberam reforços de policiamento nos últimos dias, após terem sido afetados pela enchente.
— Num primeiro momento, na Região Metropolitana observamos saques e roubos, colocamos força total de policiamento ostensivo e temos substancial redução de relatos e de problemas de segurança — garante o governador Eduardo Leite.
Há outros crimes que ensejam preocupação, como os golpes que vêm sendo aplicados por criminosos em meio à tragédia. Quando a água recuar, a preocupação é com a segurança dos moradores no momento de retorno e com o controle do chamado “turismo de tragédia”. Doutor em Políticas Públicas, consultor no BID e diretor-executivo do Instituto Cidade Segura, Alberto Kopittke ressalta que é necessário se preparar para novas catástrofes climáticas.
— É preciso fazer um profundo relatório de aprendizados. Precisamos aprender e aprender rápido. Talvez tenhamos semanas ou meses para lidar com a próxima. As telecomunicações, treinamentos, equipamentos, precisam ser repensados. É preciso um estudo de risco dos presídios, e elaborar um plano de risco total muito sério, de como serão as catástrofes e como as forças de segurança vão lidar com isso. O Estado vinha muito bem em indicadores. Mas temos que aprender com a lição que estamos tendo agora — avalia.
Desafios
GZH ouviu especialistas e autoridades da área para saber quais outros desafios devem ser enfrentados pelo Estado daqui para a frente. Confira:
Segurança nos abrigos
Abrigos são locais considerados prioritários neste momento para o policiamento.Brigada Militar / Divulgação
O RS conta, até a manhã deste domingo, com 722 abrigos espalhados pelo Estado – somente na Capital são cerca de 162, onde estão acolhidos 14,2 mil pessoas. Com bairros inteiros transferidos para espaços temporários, a preocupação é controlar crimes e conflitos nesses locais.
Na Ulbra, em Canoas, por exemplo, onde são atendidas ao menos 6 mil pessoas, foi montado posto policial, com cerca de 60 policiais, civis e militares. Outros pontos na Capital também contam com policiamento fixo no local. Nos demais, o esquema adotado é o de rondas para conferir a situação e orientar voluntários. Em Porto Alegre, a prefeitura decidiu contratar segurança privada para atuar nos locais.
Manter a segurança de crianças e mulheres abrigadas é uma das demandas que tem mobilizado instituições. Desde o início das cheias, ao menos cinco casos de estupro em abrigos foram registrados na Região Metropolitana. As vítimas são quatro crianças com idades entre seis e 10 anos e uma jovem – seis suspeitos foram presos. Em cinco casos, os autores eram familiares. Uma das apostas é a criação de espaços exclusivos para abrigar esses grupos vulneráveis.
Efetivo e equipamentos
Férias foram suspensas e servidores estão trabalhando em horas extras.Matheus Pé / Especial
A médio e longo prazos, uma das questões que deve ser enfrentada pela segurança pública é o efetivo policial. O governo decidiu suspender férias dos servidores e autorizou que policiais trabalhem em horas extras durante a operação montada. A mobilização para os resgates e atendimento à população ilhada levou à decisão de empregar praticamente todo o efetivo nas ruas. Somente na BM, cerca de 500 servidores também foram atingidos pelas enxurradas de forma direta – a maioria seguiu trabalhando da mesma forma.
Estados como Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo enviaram reforços. A Força Nacional encaminhou 117 bombeiros e mais cem policiais militares – outros 300 foram solicitados. Em paralelo o governo do Estado abriu edital para chamar 1 mil PMs da reserva para fazer o policiamento nos abrigos e deve chamar 260 policiais civis aposentados. Os policiais militares começam a atuar nos abrigos a partir desta segunda-feira (13). A necessidade de investir em embarcações, aeronaves e treinamentos também é apontada.
— Haverá aumento da miséria, do desemprego. Onde era pobre, vai ficar mais pobre. Muito mais vulnerável. Os grupos criminosos tendem a se aproveitar. Quando todo esse reforço, lá adiante, for embora, a gente vai ter outro Rio Grande do Sul. E as forças de segurança seguirão aqui. Isso requer um remodelamento, dos treinamentos e dos equipamentos. Talvez a BM tenha que aprender a andar muito mais de barco do que anda a cavalo, por exemplo — avalia Alberto Kopittke.
Desaparecidos
Um dos trabalhos realizados pelas polícias desde o início dos salvamentos é o auxílio na localização de familiares desaparecidos. Até a manhã deste domingo, 125 pessoas eram consideradas desaparecidas no Estado. Pela Polícia Civil, houve reforço na equipe da Delegacia de Investigação de Pessoas Desaparecidas (DPID). A delegacia agora conta com quatro equipes – cada uma coordenada por um delegado. O intuito é agilizar a localização de pessoas que tenham desaparecido durante as inundações. O telefone para contato é o 08006420121.
— Ao invés de ter uma DPID, vamos ter temporariamente quatro. Não temos casos de desaparecido que não esteja sendo investigado. Alguns desaparecimentos não foram registrados, não deu tempo, e já foram encontrados. No momento da tragédia, muitas pessoas foram resgatadas em barcos diferentes, mas estamos conseguindo encontrar. Estamos encontrando e unindo as famílias — afirma o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Mario Souza.
O Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil também vem auxiliando na busca por crianças e adolescentes.
— Na quinta-feira (9) localizamos 13 crianças que estavam separadas das famílias. Estavam abrigadas, mas cada uma em um lugar — explica o chefe da Polícia Civil, Fernando Sodré.
A Defesa Civil do Estado orienta as pessoas que verifiquem se seus nomes constam na lista de desaparecidos. Se estiverem, é necessário procurar a delegacia de Polícia Civil mais próxima.
Fake News
Um dos pontos que ainda preocupa as autoridades é a disseminação de notícias falsas. Desde os primeiros dias de resgates, foram divulgadas inúmeras fake news, especialmente pela internet. Em diversos casos, os policiais precisaram ser deslocados para atender as supostas ocorrências, que depois eram detectadas como falsas.
— Nesta semana, recebemos a informação de que teriam explodido em um banco em Canoas, na Mathias Velho. Deslocamos o efetivo de helicóptero e embarcado o mais rápido possível. Chegando lá, nada havia acontecido. Isso vai nos desfocando a energia, que deveria ser usada para o que realmente interessa que é a segurança das pessoas — afirma o comandante-geral da BM, Cláudio Feoli.
Na sexta-feira, a Brigada Militar fez nova postagem alertando para mais uma informação falsa. “Não acredite em fake news, não houve roubo de fardamento da Brigada Militar”, alerta o card. Após o arrombamento de uma loja de artigos militares na Capital, essa informação falsa passou a ser espalhada.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) chegou a divulgar alerta contra a disseminação desse tipo de notícia falsa. Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil. Os abrigos também vêm sendo alvos recorrentes de notícias falsas.
— É muito importante não passar a sensação de problema generalizado nos abrigos. Isso é criado por redes sociais, e potencializa de uma forma que é irreal — ressalta Sodré.
Em São Leopoldo, dois homens suspeitos de roubar barcos na manhã deste domingo (5) também foram capturados por policiais militares. Um dos veículos foi recuperado
ADRIANA IRION GZH
Em meio à rede de solidariedade formada para resgatar pessoas atingidas pela enchente em Canoas, criminosos aproveitam para praticar roubos. A Brigada Militar (BM) confirmou que na noite do sábado (4) um homem foi preso quando abordou embarcação na qual estavam policiais militares fardados. Além deste caso, a BM confirmou o furto de dois barcos no bairro Mathias Velho.
Desde o sábado, mensagens que circulam em redes sociais relatam casos de furtos e roubos na região, até mesmo que uma pessoa teria sido baleada. A BM recebeu pelo 190 um chamado para atender um caso de disparo de arma de fogo com ferido, mas a ocorrência não se confirmou até o final da manhã de domingo (5). Nenhuma pessoa ferida a tiro deu entrada em hospitais.
O comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, disse que a corporação está trabalhando com todas as forças disponíveis, inclusive, com férias canceladas por tempo indeterminado:
— Estamos trabalhando em regime de exceção, em um cenário de guerra, com esforços focados em salvar vidas.
Segundo o coronel, há policiamento reforçado no bairro Mathias Velho, onde criminosos estão agindo contra voluntários.
Feoli contou que no sábado à noite, durante um resgate em local com pouca iluminação, um criminoso chegou a abordar um barco que estava cheio de policiais militares fardados. Ele não estava armado e foi preso em flagrante.
Por volta das 11h deste domingo, em São Leopoldo, policiais militares prenderam dois homens pelo roubo de dois barcos, ocorrido próximo à ponte da Avenida Mauá, no bairro São José. Um dos barcos já foi recuperado. Um terceiro suspeito é procurado.
Caso aconteceu em São José do Herval, no norte do RS; militar foi encaminhado para atendimento médico, mas passa bem
GZH PASSO FUNDO
Sargento foi encontrado sem ferimentos.
Brigada Militar / Divulgação
Foi localizado na manhã deste domingo (5) o sargento da Brigada Militar (BM) que desapareceu após resgatar uma família ilhada em São José do Herval, no norte do RS. João Luis Ornel dos Santos foi encontrado próximo a trilha onde havia sido visto pela última vez na sexta-feira (3).
O militar integrava uma equipe de 10 pessoas que atuava no resgate de uma gestante de 38 semanas e do seu marido, que estavam ilhados há dois dias na localidade de São Sebastião, interior do município. Lotado no 38º batalhão de policia militar, em Carazinho, o sargento está bastante desidratado, mas sem ferimentos, como informou o tenente-coronel Marcelo Scapin Rovani, comandante do 3º RPMon.
Ao ser resgatado, o sargento informou a BM que não conseguiu caminhar pela trilha no sábado porque o terreno estava muito encharcado, com riscos de deslizamento. Ele foi conduzido ao hospital para uma avaliação médica, mas passa bem e já foi liberado.
Conhecido como Paulista, traficante seria um dos líderes do tráfico na região
Marcel Horowitz Correio do Povo
Brigada Militar e Polícia Civil impediram um ataque contra PMs, no Vale do Paranhana. De acordo com as forças de segurança, o atentado ocorreria nesta segunda-feira. Os alvos seriam dois soldados que participaram de uma ação em Taquara. O homem apontado como mentor do plano foi preso preventivamente.
A investigação aponta que a intenção dos criminosos seria vingar um comparsa, morto em uma troca de tiros com os militares na sexta-feira. O confronto ocorreu quando o bandido e um adolescente, que foi apreendido, tripulavam um veículo.
Na ocasião, a dupla fazia escolta de um terceiro criminoso, conhecido como Paulista, que guiava uma moto e conseguiu fugir. De acordo com o setor de Inteligência da BM, o trio foi abordado quando estava rumo a uma negociação de entorpecentes em Taquara.
Paulista, que é apontado como um dos líderes do tráfico na região cumpria pena em prisão domiciliar. Ele foi detido em Parobé, no domingo, e teve o benefício convertido em prisão preventiva. Seria dele o plano do atentado contra os policiais.
Morte ocorreu depois que o homem voltou a atirar contra policiais, que buscavam por ele após o primeiro crime, registrado cerca de uma hora antes em Balneário Pinhal
Guilherme Sperafico Correio do Povo
O homem suspeito de atirar contra um policial militar morreu após um segundo confronto com Brigada Militar (BM). Os dois casos foram registrados na tarde desta sexta-feira, com um intervalo de pouco mais de uma hora, em Balneário Pinhal, no Litoral Norte gaúcho.
Tudo teve início por volta das 16h10min, quando, durante patrulhamento, o policial foi surpreendido pelo indivíduo que atirou e o atingiu na perna, antes de fugir do local. O crime aconteceu a uma quadra da orla.
O soldado atingido pertence ao efetivo do 1º Batalhão de Polícia de Choque (1º BPChq), que está em reforço no Litoral para o trabalho de buscas aos envolvidos nos homicídios ocorridos durante a chacina Cidreira, na última quarta-feira.
Ele foi atingido na perna esquerda, na altura da coxa, e recebeu os primeiros atendimentos em Balneário Pinhal, antes de ser conduzido ao hospital de Tramandaí. Depois, um helicóptero do Batalhão de Aviação (BAV) aterrizou no campo de esporte do Clube Beira Mar, para transferir o policial para Porto Alegre. O local onde ele está internado não foi informado, mas seu quadro de saúde é estável.
De acordo com a BM, ele foi atingido durante ações policiais, pelo homem que se encontrava em atitude suspeita e que, após o disparo, evadiu-se do local. A guarnição socorreu o PM ferido e outras equipes foram acionadas para buscas ao autor do disparo.
Por volta das 17h20min, o indivíduo foi localizado e, conforme a BM, voltou a entrar em confronto com os policiais, que precisaram reagir e atingiram o suspeito com tiros. Ele chegou a ser sorrido e levado a uma unidade de saúde, mas teve morte confirmada às 17h28min.
O nome do suspeito não foi informado pelas autoridades. Conforme informações, ele teria antecedentes criminais por ameaça (Lei Maria da Penha) e furto de telefone celular. O caso deve ser investigado pela Polícia Civil e também não informações sobre uma eventual participação do sujeito nos crimes registrados em Cidreira.
Veículo foi socorrido pelos profissionais do norte do RS que reforçam o efetivo do Litoral Norte durante operação de Páscoa
ARTHUR RUSCHEL GZH
Policiais do 3º Batalhão de Polícia de Choque (3º BPChq) de Passo Fundo, no norte do Estado, que estão no Litoral Norte reforçando o efetivo para a operação de Páscoa, resgataram, na noite de sexta-feira (29), um carro atolado na praia de Tramandaí.
Conforme informações da Brigada Militar, a guarnição foi acionada por pessoas que viram um homem pedindo ajuda, pois o veículo em que ele estava acabou atolando às margens da faixa de areia.
O carro, um Fiat Uno, foi arrastado pelas ondas enquanto a maré subia. Imagens registradas o local mostram a dificuldade dos policiais em retirar o veículo da água. Pelo menos cinco pessoas participaram da ação que durou em torno de 15 minutos.
Ainda conforme a Brigada Militar, no local não existia sinalização que impedisse a circulação de veículos.