Governador Eduardo Leite anuncia promoções de servidores da Segurança Pública e do Sistema Penal

Avanço na carreira para cerca de 3 mil servidores será publicado no Diário Oficial do Estado nos próximos dias

O governador Eduardo Leite anunciou neste sábado (28) que autorizou a publicação de promoções para servidores das instituições das secretarias da Segurança Pública (SSP) e de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) do Rio Grande do Sul. Entre profissionais da Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias e Corpo de Bombeiros Militar, vinculadas da SSP, e da Polícia Penal, da SSPS, serão cerca de 3 mil promovidos.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Leite destacou o reconhecimento aos profissionais por todo o esforço na proteção e resgate de milhares de gaúchos durante as enchentes de maio. O governador ressaltou, ainda, o empenho das forças de segurança no trabalho integrado de combate à criminalidade, garantindo a redução contínua dos indicadores.

Conforme o governador, os trâmites para formalização das promoções estão encaminhados nas instâncias do Estado que efetivam o processo e seguirão, entre os últimos dias de dezembro e os primeiros dias de janeiro de 2025, para publicação no Diário Oficial do Estado (DOE), que trará a lista definitiva com números e nomes dos promovidos.

sul21

PL 366/2024 que altera a lei do programa mais efetivo está na pauta de votação da ALRS

Na última semana antes do recesso parlamentar, o plenário da Assembleia Legislativa deve concluir a apreciação do pacote de projetos do Poder Executivo. Estão previstas duas sessões deliberativas na terça-feira (17): uma extraordinária, a partir das 10h, e a ordinária, a partir das 14h.

Ainda restam dez proposições do governo para serem deliberadas e todas elas trancam a pauta de votações por terem sido encaminhadas em regime de urgência. Na última terça-feira (10), também em duas sessões deliberativas, os parlamentares aprovaram 24 projetos do pacote: na sessão extraordinária da manhã, foram 13 matérias aprovadas e, na sessão ordinária da tarde, outras 11. O projeto que trata do reajuste do piso regional, que também fazia parte do pacote, já havia sido aprovado na sessão de 3 de dezembro.

Um dos projeto é o PL 366/2024 Altera a Lei nº 15.108, de 11 de janeiro de 2018, que dispõe sobre o Programa “Mais Efetivo” e dá outras providências.

CONFIRA AQUI AS ALTERAÇÕES PROPOSTAS

Saiba quando governo do RS vai quitar 13º salário do funcionalismo

Primeira metade do benefício foi antecipada em junho por causa da enchente

Rosane de Oliveira GZH

Os servidores públicos que por muitos anos sofreram com o atraso no pagamento dos salários e com o pagamento do 13º salário por meio de empréstimo do Banrisul ainda conservam o cacoete de perguntar aos veículos de comunicação quando será quitado o benefício deste ano. A resposta da Secretaria da Fazenda é “na próxima sexta-feira, dia 20”. Foi essa a data anunciada em junho, quando os funcionários públicos receberam metade do 13º como uma espécie de socorro diante da enchente que afetou o Rio Grande do Sul.

Este será o terceiro ano em que a folha da chamada gratificação natalina será paga com algum tipo de antecipação. Em 28 de outubro de 2021 o governo quitou três parcelas do décimo-terceiro do ano anterior, que estavam pendentes no parcelamento. Já o décimo-terceiro de 2021 foi pago em duas parcelas (29 de novembro e 20 de dezembro). Foi a primeira vez que os valores foram pagos em dia desde 2015.

Em 2022, o 13º foi pago em duas parcelas e antecipado, sendo 50% em 30 de outubro e 50% em 30 de novembro. No ano passado, o governo pagou 90% do valor em 1º de novembro e 50% no dia 30 do mesmo mês. 

R$ 2 bilhões na economia gaúcha

Segundo o Tesouro do Estado, considerando os R$ 930 milhões pagos em junho e os cerca de R$ 1,1 bilhão desta segunda parcela, o 13º de 2024 representará uma injeção de R$ 2 bilhões na economia do Estado. A antecipação de junho, somada a outras medidas, foi um dos motivos que auxiliaram o Estado a alavancar a economia e a recuperar a arrecadação gaúcha. 

Para Eduardo Lacher, subsecretário do Tesouro do Estado, apesar de haver recursos para antecipar metade da folha este ano, surgiu uma nova dificuldade, que foi a indisponibilidade dos sistemas em função das chuvas:

— Para começar a pagar o décimo terceiro em junho, foi preciso um grande esforço de diversos servidores que conseguiram gerar a folha, assim como foi possível pagar os salários de maio e os novos valores de auxílio-refeição.

A secretária da Fazenda, Pricilla Santana, diz que o pagamento em dia das obrigações do Estado deveria ter sido sempre parte da normalidade da gestão, mas, por todos os históricos desafios financeiros, essa regularização, em 2020, demandou muita determinação do governo e dos gaúchos:

— Regularizar os pagamentos foi um avanço enorme, com reformas, privatizações, contenção de gastos a adesão ao regime de recuperação fiscal. Essa é uma conquista muito cara e que precisa ser preservada, com responsabilidade fiscal, controle de gastos e recuperação econômica. 

Mesmo com a normalização dos pagamentos de curto prazo, o Rio Grande do Sul segue com enormes passivos, com precatórios e dívida com a União, que passa de R$ 100 bilhões.

Governo do RS anuncia investimento de R$ 1,12 bilhão na segurança pública

Governador Eduardo Leite também apresentou indicadores que demonstram redução da criminalidade

Guilherme Sperafico Correio do Povo

As forças de segurança do Estado receberão nos próximos meses um investimento de R$ 1,12 bilhão, para aquisições de equipamentos, armamentos, embarcações, viaturas e aeronaves. O anúncio foi feito pelo governador Eduardo Leite, durante evento em que também apresentou indicadores criminais.

Segundo Leite, serão empregados R$ 930 milhões em recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), enquanto R$ 196 milhões são oriundos do Tesouro do Estado. “É importante lembrar que esse investimento sozinho não resolve o problema. São as pessoas que estão na ponta, nossos recursos humanos, que constroem estes resultados”, enfatizou.

Entre os destaques anunciados estão as aquisições de quatro helicópteros com capacidade de operação noturna, suprindo uma necessidade enfrentada durante as enchentes, assim como a de um avião a jato. “O jato estará disponível para várias missões, incluindo o transporte de órgãos. Estamos no extremo Sul do país e perdemos vários transplantes pela incapacidade logística”, explicou.

Para o sistema penitenciário, entre os principais anúncios está o investimento de R$ 40 milhões em um sistema de proteção anti-drone, que inclui o telamento de 25 unidades prisionais, além de outros R$ 60 milhões em bloqueadores de celulares. Segundo Leite, já havia previsão de investimentos, porém, após o homicídio ocorrido no Complexo Prisional de Canoas, a medida também surge como uma resposta. “Aquele que vai cumprir uma pena tem que encontrar no presídio, efetivamente, a restrição da liberdade. E se o presídio permite a comunicação com a área externa, para que se opere o crime lá de dentro, não há carácter punitivo e restrição da liberdade”, afirmou.

Entre os indicadores apresentados pelo governo do Estado, uma projeção indica queda de 23% no nos crimes violentos letais intencionais em relação ao ano passado. Em 2023 o RS havia registrado pouco mais de 2 mil casos, enquanto a expectativa é de que 2024 encerre com números na casa dos 1,5 mil. Desde 2017, a redução chega a 52%.

Lewandowski quer concluir nos próximos dias norma com regras mais rígidas para abordagens policiais

As diretrizes não serão impositivas, mas os estados que não aderirem não receberão recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional para a aquisição de armas não-letais.

Em meio à crise em São Paulo com as abordagens da PM, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, quer fechar nos próximos dias a normativa que trata das regras para as abordagens policiais no país.

Um Grupo de Trabalho coordenado pela Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), com participação de representantes das secretarias de Segurança Pública e comandantes das polícias.

A normativa vai atualizar uma portaria de 2010 que trata do mesmo tema. O ministro deve decidir se o tema precisa ser tratado em um decreto – que exige análise da Casa Civil e do presidente Lula – ou se basta uma nova portaria do próprio ministério, o que tornaria a publicação mais rápida.

1 – Norma regula o uso da força pelas polícias

O texto dá diretrizes para os procedimentos, como uso de armas de fogo, busca pessoal e domiciliar — conhecidas como “enquadro” ou “baculejo” — e o uso de algemas. (leia mais)

Nas diretrizes da norma, também há uma proposta para a criação de um órgão responsável pela produção de índices de letalidade policial no país.

✔️Pontos mantidos ou com alteração pequena

  • Quando atirar

Como deve ficar: “O emprego de arma de fogo constitui medida de último recurso.”

Como é hoje: “Os agentes de segurança pública não deverão disparar armas de fogo contra pessoas, exceto em casos de legítima defesa própria ou de terceiro contra perigo iminente de morte ou lesão grave.”

  • Pessoa em fuga

Como deve ficar: Os policiais “não deverão utilizar arma de fogo contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou que não represente risco imediato de morte ou de lesão aos profissionais de segurança pública ou a terceiros”.

Como é hoje: “Não é legítimo o uso de armas de fogo contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou que, mesmo na posse de algum tipo de arma, não represente risco imediato de morte ou de lesão grave aos agentes de segurança pública ou terceiros.”

  • Carro que fura bloqueio

Como deve ficar: Os policiais “não deverão utilizar arma de fogo contra veículo que desrespeite ordem de parada ou bloqueio policial em via pública, exceto quando o ato represente risco de morte ou lesão a terceiros ou aos próprios profissionais de segurança pública”.

Como é hoje: “Não é legítimo o uso de armas de fogo contra veículo que desrespeite bloqueio policial em via pública, a não ser que o ato represente um risco imediato de morte ou lesão grave aos agentes de segurança pública ou terceiros.”

  • Abordagem

Como deve ficar: Os policiais “não deverão apontar arma de fogo em direção a pessoas durante os procedimentos de abordagem como prática rotineira e indiscriminada”.

Como é hoje: “O ato de apontar arma de fogo contra pessoas durante os procedimentos de abordagem não deverá ser uma prática rotineira e indiscriminada”.

✖️Pontos alterados

  • Presídios

Como deve ficar: “O emprego de arma de fogo em ambientes prisionais deve ser restrito a situações de grave e iminente ameaça à vida, não sendo recomendado durante as rotinas de movimentação dos presos.”

Como é hoje: Não há restrição para uso de armas em presídios.

Objetivo da mudança: Segundo especialistas, parte das rebeliões em unidades prisionais começa quando os presos conseguem tomar as armas dos policiais penais, o que pode ser evitado diminuindo a circulação dessas armas.

2. Gerenciamento de crise

Esse tópico foi incluído nas diretrizes de uso da força para cumprir uma sentença de 2017 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o Brasil por violência policial no caso das chacinas registradas na favela Nova Brasil, no Rio, em 1994 e 1995.

  • Grandes operações

Como deve ficar:

Os órgãos de segurança pública deverão “planejar estrategicamente as operações”, “utilizar equipamentos de gravação audiovisual nas operações, sempre que possível”, e “documentar e justificar as ações e as decisões tomadas durante as operações”.

Como é hoje: Não há diretrizes na portaria de 2010.

3. Busca pessoal e domiciliar

As diretrizes relativas a esse tema foram elaboradas para adaptar a prática policial a decisões recentes da Justiça, como a de um habeas corpus julgado em 2022 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O tribunal decidiu que é ilegal a busca pessoal ou veicular, sem mandado judicial, motivada somente pela impressão do policial sobre a aparência ou a atitude do alvo.

Para ser legal, a busca — conhecida como “enquadro” ou “baculejo” — precisa ter uma “fundada suspeita”.

  • ‘Baculejo’

Como deve ficar:

Nesses casos, o policial deve:

➡️”informar à pessoa submetida à busca as razões para a revista e seus direitos”;

➡️”limitar ao mínimo necessário o escalonamento da força durante a busca, de forma proporcional à resistência apresentada pela pessoa”; e

➡️”registrar a identidade da pessoa, as razões para a realização da busca pessoal e o nível de força empregada”.

Como é hoje: Não há diretrizes na portaria de 2010.

  • ‘Fundada suspeita’

Como deve ficar: “A fundada suspeita é uma situação caracterizada por indícios especificamente relacionados a: posse de armas e posse de outros objetos que possam constituir corpo de delito.”

O texto diz também que “não são considerados como elementos suficientes para caracterizar fundada suspeita parâmetros unicamente subjetivos ou não demonstráveis de maneira clara”.

Como é hoje: Não há diretrizes na portaria de 2010.

4. Uso de algemas

As diretrizes sobre algemas, que não existiam na portaria de 2010, foram criadas para ajustar a norma a leis e decretos recentes e também a uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF).

Como deve ficar: O uso de algemas deve ser “excepcional” e apenas em casos em que haja “resistência à ordem legal”, “fundado receio de fuga do preso” e “perigo à integridade física própria ou alheia”.

Como é hoje: Não há diretrizes na portaria de 2010.

5. Lesão ou morte decorrente do uso da força

Nesse tópico, os principais pontos da portaria de 2010 devem ser mantidos, como a preservação do local da morte e a prestação de socorro às pessoas feridas por ação da polícia.

Uma novidade é a necessidade de avisar imediatamente o Ministério Público, que tem a atribuição de fiscalizar a polícia.

  • Aviso ao MP

Como deve ficar:

Quando houver morte por ação policial, o órgão de segurança deverá “enviar imediatamente comunicação ao Ministério Público acompanhada de cópia do relatório individual preenchido pelo profissional de segurança pública que efetuou o disparo”.

Como é hoje: Não há essa diretriz na portaria de 2010.

6. Criação do Comitê de Monitoramento do Uso da Força

Uma das principais novidades do texto levado ao ministro Lewandowski é a criação de um Comitê de Monitoramento do Uso da Força, para “produzir relatórios contendo análises e orientações” sobre letalidade policial, mortes de policiais e casos em que as diretrizes de uso da força não estão sendo seguidas.

Fazenda e Defesa fecham proposta para ajuste em previdência dos militares, com aumento de idade para a reserva

NOTA JCB: A proposta abrange os Militares Federais, mas como sabemos, tudo que não seja em benefício, acaba sendo proposto aos miliares estaduais.

O Ministério da Fazenda e o Ministério da Defesa fecharam uma proposta para o ajuste na previdência dos militares.

A medida faz parte da busca do governo por corte de gastos e, assim, evitar romper o limite do déficit fiscal.

Os militares resistiam às mudanças. O texto fechado contempla os seguintes principais pontos:

Acabar com a morte Ficta

Familiares perdem o direito à pensão de militares expulsos

Reserva Remunerada:

Estabelecer, de forma progressiva, a idade mínima de 55 anos para a transferência para a reserva remunerada. Hoje essa idade era de 50.

Pensão

Uma vez concedida para beneficiários da 1ª ordem (cônjuge, companheiro e filhos), não será mais permitida para os beneficiários das 2ª e 3ª ordens (pais e irmãos)

Fundo de saúde

Fixar em 3,5% da remuneração até janeiro de 2026.

Governador anuncia concursos para 2,8 mil novos servidores na segurança

Chamamentos estão previstos para ocorrer entre outubro de 2025 e abril de 2026, com reforços no efetivo de Brigada Militar (BM), Polícia Civil (PC), Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS) e Instituto-Geral de Perícias (IGP)

GZH

Governador Eduardo Leite confirmou na tarde desta terça-feira (5) a abertura de novos concursos para a segurança pública. Serão selecionados novos servidores para Brigada Militar (BM), Polícia Civil (PC), Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS) e Instituto-Geral de Perícias (IGP). No total, devem ser 2.774 contratados até abril de 2026.

— Estamos honrando o nosso compromisso de garantir as condições para fazer a reposição programada de efetivo, depois de tanto tempo em que governos deixaram a defasagem aumentar, assegurando também a responsabilidade com as contas públicas — afirmou Leite, ao anunciar os novos concursos.

Vagas nos novos concursos

  • Brigada Militar: 1.200 soldados e 150 oficiais
  • Corpo de Bombeiros Militar: 400 soldados
  • Polícia Civil: 720 agentes (escrivães e inspetores) e 30 delegados
  • Instituto-Geral de Perícias: 274 servidores (peritos criminais e legistas, técnicos em perícias e papiloscopistas)

Os editais, com regramentos específicos para concorrência às vagas de cada corporação, bem como as datas e etapas dos processos seletivos serão divulgados em breve, de acordo com o avanço do processo de preparação dos certames.

O investimento previsto nos novos concursos é de R$ 280,5 milhões. Segundo o governo, quando forem concluídos os chamamentos, o Rio Grande do Sul alcançará o maior efetivo das forças de segurança em 10 anos, atingido a ocupação de 72% das vagas do quadro da Segurança Pública, ante os 61% registrados no início de 2019, primeiro ano do governo Leite.

Lula se reúne com governadores para discutir mudanças na Segurança Pública

Presidente da República quer enviar ao Congresso uma PEC que amplie a responsabilidade da União sobre o tema

Zero Hora

Com a ideia de enviar ao Congresso uma proposta da emenda à Constituição (PEC) para ampliar a atuação da União na área da Segurança, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quinta-feira (31) com governadores, representantes do Congresso e do Judiciário para discutir mudanças nas políticas de segurança pública no país. As informações são do g1.

A intenção de Lula é que o governo federal participe mais da formulação e implementação das políticas públicas sobre o tema. Também está nos planos a integração das Polícias e reforço do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Atualmente, a maior parte das atribuições de segurança cabe aos governos estaduais com suas polícias civis e militares.

Além disso, quer criar uma nova polícia comandada pelo governo federal com mais poderes de policiamento ostensivo a partir da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Se aprovada, a proposta mudará bastante o sistema de segurança pública no Brasil. O governo federal passará a ter mais poder e mais responsabilidade no combate ao crime, atuando em conjunto com estados e municípios.

Lula planejava há meses a reunião desta quinta para ouvir opiniões dos governadores e identificar alterações na legislação com apoio majoritário.

O presidente entende que é preciso reformular políticas a fim de, por exemplo, reforçar o combate ao crime organizado, que atua em diferentes estados e países.

Em julho, Lula declarou que os “Estados não dão conta sozinhos” da segurança pública e defendeu maior participação da Polícia Federal nas operações.

— Eu acho que os Estados sozinhos não dão conta. O que nós queremos é fazer uma proposta de aprovar uma PEC que defina o papel de cada um, mas que a gente dê ao povo a certeza de que a gente vai ter mais segurança pública neste país — disse Lula na ocasião.

Pontos da PEC

  • Coloca na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP): O sistema foi criado em 2018 por uma lei ordinária. O governo acredita que, inserido na Constituição, terá mais força.
  • Dá poder à União para definir normas gerais para as forças de segurança: Inclui medidas como o uso de câmeras corporais, além das diretrizes para uma política nacional de segurança pública, que abrange o sistema penitenciário. 
  • As políticas serão definidas após consulta a um Conselho Nacional, composto por representantes dos estados, municípios e do governo federal.
  • Amplia as atribuições da Polícia Federal: Especifica de forma mais clara no texto constitucional que é dever da PF combater crimes ambientais, bem como crimes cometidos por organizações criminosas e milícias privadas.
  • Reformula a Polícia Rodoviária Federal: A PRF terá atuação ampliada, incluindo cuidados com hidrovias e ferrovias, com atuação ostensiva no combate ao crime, além das questões rodoviárias.
  • Unifica o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Penitenciário: Estabelece a proibição de bloqueio de recursos desses fundos.

BM forma quase 400 soldados em Porto Alegre e Osório

Formatura marcou o ingresso do efetivo nas fileiras da corporação

Marcel Horowitz Correio do Povo

BM forma 399 novos soldados | Foto: Brigada Militar / CP

A Brigada Militar promove, nesta quinta-feira, a graduação de 399 novos soldados do Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM). No turno da manhã, na Academia de Polícia Militar (APM), em Porto Alegre, uma cerimônia de formatura marcou o ingresso do efetivo nas fileiras da corporação. Os eventos acontecem na Academia de Polícia Militar (APM). Outra solenidade ocorrerá com formandos em Osório, no Ginásio Esportivo Rutílio Kestering (Cirão).

Na Capital, a cerimônia formou 235 alunos, sendo 211 homens e 24 mulheres. Já no litoral Norte, serão formados 164 soldados, 143 homens e 21 mulheres. Do total dos 399, 73 são provenientes de 18 estados e do Distrito Federal.

Os novos soldados foram aprovados no concurso 01/2021/2022 – Soldado Nível III, que previu 4 mil vagas. Os formandos ingressaram na BM como alunos em dezembro de 2023, e passaram por formação com carga horária de 1.630 horas de aula divididas em três módulos. Entre as disciplinas, estiveram Armamento, Munição e Tiro, Fundamentos Jurídicos da Atividade Policial, Técnicas Policiais, Direitos Humanos, Uso Diferenciado da Força e Diversidade Étnico-Racial.

Ao todo, nos últimos dois anos, a BM formou mais de 600 praças. A corporação ainda conta com turmas em andamento, sendo que a última delas começou no último dia 31 de outubro, com 386 alunos-soldados.

De acordo com a BM, a previsão é de que o Rio Grande do Sul alcance o maior efetivo de policiais militares na ativa dos últimos anos. Até abril de 2026, os quadros da instituição devem ter ocupação de 76%, ante 64% em 2019.

Número de brigadianos feridos e ameaçados cresceu 395% entre 2022 e 2024 no RS 

Dado leva em conta número de policiais que procuraram programa que oferece acolhimento e proteção aos PMs que sofreram algum tipo de ataque e seus familiares

Jean Peixoto GZH

Na noite de 22 de outubro, os policiais militares Éverton Kirsch Júnior e Rodrigo Weber Volz, ambos de 31 anos, receberam um chamado para atender ocorrência de briga familiar. Eles se deslocaram até o endereço indicado, no bairro Ouro Branco, em Novo Hamburgo. Enquanto os PMs conversavam com Cleris Crippa, 70 anos, e Eugênio Crippa, 74, foram surpreendidos pelo filho do casal, Edson, 45, que disparou contra os brigadianos e familiares.

Os dois brigadianos foram atingidos pelos tiros. Kirsch morreu no local. Volz chegou a receber atendimento e ser encaminhado ao hospital, mas não resistiu. 

Além deles, os agentes Joseane Muller, 38 anos, atingida no braço e João Paulo Farias Oliveira, 26, ferido na cabeça, precisaram ser hospitalizados. Os PMs Eduardo de Brida Geiger, 32, Leonardo Valadão Alves, 26, e Felipe Costa Santos Rocha também receberam atendimento médico após serem atingidos de raspão, mas foram liberados na sequência. 

Ainda que tenha se destacado pela gravidade, o caso ilustra o aumento da violência contra policiais no RS. De janeiro a outubro de 2024, 638 PMs procuraram o programa PM Vítima, da Brigada Militar, relatando ter sido alvo de algum tipo de violência e ameaça. Nos primeiros 10 meses de 2022 — ano em que o levantamento teve início — haviam sido 129, o que representa aumento de 395%.

O número de PMs mortos passou de quatro de janeiro a outubro de 2022, para cinco no período em 2023, mesmo número registrado em 2024. 

— Toda morte de policial enseja um estudo de caso e a verificação dos nossos protocolos. Estamos estudando possíveis melhorias. Mas o que houve em Novo Hamburgo foi algo completamente atípico. Ele (o atirador) tinha uma visão privilegiada e utilizou do elemento surpresa para abater dois dos nossos policiais — sublinha o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio dos Santos Feoli.

Os indicadores contabilizados pela PM são divididos da seguinte forma:

  • PMs mortos
  • PMs feridos em serviço:  agregam os policiais que foram atingidos por pedradas, pauladas, arma branca ou algum outro tipo de agressão
  • PMs baleados: são aqueles que foram alvo de disparos de arma de fogo
  • PMs Vítimas: reflete as denúncias de policiais sobre as violências e ameaças sofridas, sejam agressões físicas, psicológicas ou ameaças por parte de grupos criminosos. 

É a partir desse último indicador que a Brigada Militar toma medidas de acolhimento e amparo aos agentes agredidos em serviço e repressão aos criminosos (veja gráfico abaixo)

Violência contra policiais militares

Crimes aconteceram no RS entre janeiro e outubro de 2022, ano em que dados passaram a ser contabilizados, a 2024

O corregedor-geral da BM, coronel Vladimir Luís Silva da Rosa, pontua que no início do programa PM Vítima houve maior resistência por parte dos agentes para se declararem como alvo de violência, o que explica a diferença observada. 

Redes Sociais/ Montagem / Arquivo Pessoal
Policiais militares Rodrigo Weber Volz (E) e Éverton Kirsch Júnior (D) foram mortos em serviço.Redes Sociais/ Montagem / Arquivo Pessoal

Programa de acolhimento

Com o objetivo de oferecer acolhimento e proteção aos brigadianos vítimas de violência, em 2022 foi implementado o Programa de Valorização e Proteção Institucional PM Vítima. 

Dados da Corregedoria-Geral da Brigada Militar, que é responsável pelo programa, apontam aumento expressivo nos casos de violência contra policiais militares. A BM passou a estimular que os PMs que foram alvo de algum tipo de violência ou ameaças efetuassem o registro do fato. 

O corregedor-geral da BM pontua que o ingresso no programa é voluntário. Essa participação inclui a denúncia da agressão, amparo médico, psicológico, psiquiátrico e proteção em casos de ameaças. A exceção existe quando se trata de uma situação grave — como a chacina de Novo Hamburgo — em que os policiais são incluídos compulsoriamente no programa. 

O atendimento também é estendido às famílias dos PMs. O programa no RS foi instituído a partir do trabalho desenvolvido pela Polícia Militar de São Paulo, que foi pioneira no tema. 

— A proposta foi apresentada pela corregedoria e acolhida pelo Comando-Geral e o Conselho Superior da Brigada Militar. Quando o criamos, o programa tinha apenas uma página com 16 artigos e, agora, já são 20 páginas. O sistema convencional da BM precisa ter a mão forte, mas também precisa acolher os seus agentes — destaca o coronel Vladimir Luís Silva da Rosa.

O comandante Feoli acrescenta que os agentes também recebem apoio dos Batalhões de Operações Especiais e de Choque, que reforçam o policiamento das regiões em que os criminosos atuam, com o objetivo de neutralizar ameaças aos PMs.

Armamento e tráfico de drogas

Outro indicador que demonstra o avanço da violência contra policiais é o número de confrontos armados com a BM que aumentou 35% nos últimos três anos, passando de 411 nos primeiros 10 meses de 2022 para 556 no mesmo período de 2024. O comandante da BM avalia que o aumento é puxado pela ação do crime organizado.

Segundo o comandante, até outubro, foram apreendidas pela Brigada 4.065 armas em todo o RS. Destas, 43 são fuzis.

— Esse quantitativo é crescente e demonstra o quanto a nossa atividade é de risco e trabalha nos extremos da segurança. Invariavelmente, essas armas apreendidas estão nas mãos de traficantes, principalmente na Região Metropolitana, no Vale do Sinos e na Serra — sublinha Feoli.

O comandante também pondera que a proliferação de discursos que descredibilizam a atuação da Brigada Militar pode incitar a violência contra os policiais. 

Esperamos da sociedade o reconhecimento para esses trabalhadores que dão a própria vida para defender pessoas que eles nem mesmo conhecem. Ser da Brigada não é uma profissão, e sim uma vocação.

CORONEL CLÁUDIO DOS SANTOS FEOLI

Comandante-geral da Brigada Militar

Câmeras corporais

Em 30 de setembro, agentes da Brigada Militar de Porto Alegre passaram a usar câmeras corporais acopladas em seus uniformes. Os dispositivos registram imagens em alta resolução que podem ficar armazenadas por até um ano. O uso dos equipamentos oferece mais segurança para a comunidade e também aos policiais, que têm o registro das abordagens na íntegra.

Para o comandante-geral da BM, embora a câmera possa auxiliar na compreensão da dinâmica do fato criminoso, em situações de violência extrema, como o ataque no Vale do Sinos, o dispositivo não teria impacto significativo.

— Nesses casos recentes, não vejo a câmera como uma forma de proteção. Acredito que não faria diferença — comenta Feoli.