Médicos dizem que não estão contemplados no projeto da reforma do IPE Saúde e decidem manter paralisação

Categoria tentará buscar incluir reajuste dos honorários médicos ao projeto através de emendas parlamentares

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Os médicos credenciados pelo IPE Saúde decidiram, mais uma vez, manter a paralisação das atividades. A definição ocorreu após assembleia na noite desta terça-feira (23). Os profissionais estão sem atender pelo convênio desde o dia 10 de abril. Além disso, é recomendado o pedido de licenciamento, que permita que os profissionais possam seguir atendendo nas consultas particulares sem estarem vinculados ao plano. A medida é válida por tempo indeterminado.

A principal reivindicação feita pela categoria, é o reajuste dos honorários médicos, o que, segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), não é feito há 12 anos. Antes da primeira versão do projeto de lei que prevê a reestruturação do instituto, havia uma expectativa de que a medida fosse incluída pelo governador Eduardo Leite, o que não foi feito.

A classe chegou a participar de discussões com o Poder Executivo. No entanto, após a apresentação do texto definitivo e o envio à Assembleia Legislativa, a avaliação é de que os médicos ainda não estão sendo contemplados na reforma.

— Não há nenhum indicativo nesse projeto de que haverá um reajuste. Vamos discutir com todos os deputados para que sejam incluídas emendas que atendam nossas demandas — afirma o presidente do Simers, Marcos Rovinski.

Além do aumento do valor dos honorários, a categoria pretende incluir outras mudanças no texto como a  participação dos médicos no conselho de administração do IPE Saúde, a criação de câmaras técnicas para auxiliar no controle de gastos da instituição, além da coparticipação por consultas.

Diferente das últimas reuniões, onde foi definida uma nova data para reavaliar a mobilização, não há prazo para que a paralisação seja encerrada.

— Assim que tivermos um fato novo significante, vamos nos reunir novamente e avaliar — complementa Rovinski.

Durante as conversas, o Piratini chegou a garantir aos médicos um valor de R$ 140 milhões de reais com o novo projeto, proveniente de uma arrecadação estimada em R$ 750 milhões. Após a apresentação do projeto definitivo, na última terça-feira, o governador Eduardo Leite afirmou ser necessário discutir a arrecadação antes de determinar os repasses.

— Não nos cabe abrir uma discussão sobre como será a utilização dos recursos a serem incrementados antes de garantir que eles existam. A gente precisa primeiro garantir que o plano de saúde tenha as receitas. Precisamos superar essa discussão, para depois ver como vamos estabelecer a revisão das remuneração das tabelas de honorários médicos — comentou Leite.

Impacto de 12% nas consultas

Em nota, o IPE Saúde afirmou que, apesar da paralisação, está funcionando normalmente. A entidade orienta os segurados a buscar alternativas de atendimento no Guia Médico Hospitalar, disponível no site do instituto. O serviço traz possibilidades de médicos, hospitais e demais tipos de prestadores credenciados no guia médico hospitalar.

Conforme a instituição, nas primeiras três semanas de Maio, houve, em média, uma redução de 12% nas consultas diárias, o que representa 1.320 atendimentos a menos por dia. Desde o início da paralisação, o impacto tem sido entre 15% e 10%, o que segundo o IPE está dentro do esperado.

Simulador do IPE Saúde: governo lança ferramenta para que usuário calcule quanto custará o plano se projeto for aprovado

No sistema, segurado terá acesso aos valores discriminados para cada membro do grupo familiar e ao valor total da contribuição, entre outros pontos

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O governo do Estado disponibilizou, nesta terça-feira (23), uma ferramenta para que os usuários calculem como ficaria a contribuição ao IPE Saúde com a aprovação da proposta de reestruturação do instituto — cujo texto foi enviado à Assembleia Legislativa. Trata-se do “Simulador de Contribuição do Plano Principal”.

Conforme o Piratini, a ferramenta — desenvolvida em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado (Procergs) — permitirá que o usuário conheça os novos valores de contribuição para o seu caso específico. O segurado terá acesso aos valores discriminados para cada membro do grupo familiar e ao valor total da contribuição.

site mostra, ainda, em qual alíquota ou faixa de contribuição o segurado se enquadra. Além disso, existe um comparativo entre a contribuição proposta e os valores de mercado para um plano de saúde equivalente.

Após a repercussão negativa da proposta inicial para a reestruturação do IPE Saúde, o governador Eduardo Leite apresentou uma segunda versão no último dia 16. O novo projeto mantém a cobrança por dependentes, mas prevê limite de contribuição para servidores e redução no valor cobrado por cada um.

Segundo Leite, na proposta inicial, o governo previa a arrecadação de até R$ 900 milhões. Com a revisão, esse valor foi reduzido para R$ 720 milhões.

Entre outros pontos, a nova proposta estabelece uma trava global que limita a contribuição dos servidores em 12% da remuneração, qualquer que seja o número de dependentes na família. O governo propõe, também, uma redução de 5% da contribuição de dependentes em relação à proposta inicial.

A proposta do Executivo amplia a alíquota dos titulares, hoje em 3,1%, para 3,6%, índice que era aplicado até o ano de 2004. A contribuição paritária do Estado também aumentaria para o mesmo patamar.

Representante de servidores da BM e bombeiros prevê “saída em massa” do IPE Saúde

Presidente da ASOFBM defende, assim como outras associações, um sistema próprio para os militares e espera emenda no projeto

Felipe Nabinger Correio do Povo

Brigadianos e bombeiros militares podem deixar IPE Saúde, na visão de presidente do sindicato | Foto: Alvaro Grohmann / Especial / CP

“Vamos sair em massa do IPE Saúde”, afirmou o coronel Marcos Paulo Beck, presidente da Associação dos Oficiais da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar (ASOFBM), caso o projeto do IPE Saúde seja aprovado, mesmo com as mudanças apresentadas pelo governo do Estado nesta terça-feira. O coronel Marcos Paulo afirma que as entidades ligadas às forças militares vão insistir com o Estado na criação de um sistema próprio, aos moldes do que ocorre com as Forças Armadas, projeto apresentado ao governo, mas que ficou fora do projeto do Executivo.

“Esperamos que o esse projeto possa ser discutido e não votado de ‘afogadilho’ e que algum deputado amigo da BM possa apresentar por emenda”, diz o coronel Marcos Paulo.

Nesta quarta-feira, representantes de sindicatos que representam militares do Estado, junto com entidades que representam a polícia penal, estiveram em reunião da subcomissão que trata da reestruturação do IPE Saúde, presidida pelo deputado Dr. Thiago Duarte (União Brasil), a fim de levar suas demandas. 

Conforme levantamento realizado pelas associações dos militares, somente os servidores ativos e inativos da Brigada Militar somam mais de 40 mil ativos e cerca de 13 mil pensionistas, com uma arrecadação média de R$ 20 milhões por mês, atualmente, com o desconto de 3,1%, que poderia ser ampliada em um plano próprio, com a alíquota em 3,5%. Para o coronel Marcos Paulo, a saída em massa do IPE Saúde é uma tendência natural não havendo mudança no projeto do Executivo e as próprias associações já procuram alternativas junto a planos privados.

Nova proposta para o IPE Saúde mantém cobrança por dependente, mas estabelece limite de 12% de contribuição por servidor

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Governador Eduardo Leite apresentou nova proposta na noite desta terça-feira (16) Guilherme Milman / Agencia RBS

Após a repercussão negativa da proposta inicial para a reestruturação do IPE Saúde, o governador Eduardo Leite apresentou uma segunda versão para os deputados da base aliada, na noite desta terça-feira (16). O novo projeto mantém a cobrança por dependentes, mas prevê limite de contribuição para servidores e redução no valor cobrado por cada um. O encontro ocorreu no Palácio Piratini. 

A nova proposta estabelece uma trava global que limita a contribuição dos servidores em 12% da remuneração, qualquer que seja o número de dependentes na família. O governo propõe, também, uma redução de 5% da contribuição de dependentes em relação à proposta inicial. 

O novo texto propõe a que o governador e o vice-governador sejam impedidos de aderir ao plano de saúde, que será restrito aos servidores públicos. Além disso, Leite anunciou que o Estado disponibilizará nos próximos dias um simulador de contribuição do plano principal, para facilitar a compreensão dos servidores sobre a proposta.  

A proposta do Executivo ampliaria a alíquota dos titulares, hoje em 3,1%, para 3,6%, índice que era aplicado até o ano de 2004. A contribuição paritária do Estado também aumentaria para o mesmo patamar.  

Os valores para os segurados não poderiam exceder o que determina a Tabela de Referência de Mensalidade (TRM) do IPE Saúde, com preços que valores de R$ 219 a R$ 1.254,75. Ou seja, o segurado pagaria sempre o que for menor: ou o valor previsto na tabela ou montante extraído do cálculo percentual com base no salário. A proposta deve ser encaminhada à Assembleia Legislativa até o fim desta semana. 

A tabela de contribuição para os dependentes teve redução, em relação à primeira proposta, em quase todas as faixas etárias. A faixa de cobrança para dependentes com menos de 24 anos, de R$ 49,28, foi mantida. 

Nas demais faixas etárias, em que os dependentes pagariam 40% do valor de referência para titulares, o percentual foi reduzido para 35%. Outra novidade é a colocação do dependente sob condição de invalidez na faixa de menor contribuição, de R$ 49,28, independentemente da idade.

Entidades propõem que IPE Saúde mantenha sistema atual inalterado e crie outro para novos servidores

Modelo que União Gaúcha apresenta nesta tarde no Conselho do instituto é semelhante ao que foi adotado para a reforma da previdência

Entidades propõem que IPE Saúde mantenha sistema atual inalterado | Foto: IPE / Divulgação / CP memória

A União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública, que reúne 26 entidades representativas de diferentes esferas do serviço público estadual, formulou uma proposta alternativa de reestruturação do IPE Saúde. O texto toma por base duas linhas: preservação do plano principal atual e segregação de massa em um novo plano, alternativo. A ideia lembra muito o modelo utilizado para a reforma da previdência. Um documento detalhado foi entregue na reunião extraordinária do Conselho de Administração do IPE Saúde, que ocorre desde às 13h desta segunda-feira.

Conforme a proposição idealizada pelas entidades, o plano atual não teria mudanças, sendo por isto mantidas as atuais alíquotas de contribuição e a ausência de cobrança dos dependentes que hoje não pagam (uma parte deles, na verdade, já contribui). Para cobrir o déficit do plano atual são sugeridas duas medidas. A primeira é a concessão de recomposição inflacionária em um índice a ser debatido com o governo, de forma a permitir crescimento nas receitas do sistema e, ao mesmo tempo, o cumprimento do chamado limite prudencial das contas. E a segunda é que o governo quite os valores referentes a três pontos: aos imóveis do IPE que foram transferidos; aos pagamentos de RPVs e precatórios; e às paritárias de pensionistas. As entidades argumentam que, juntas, as três situações totalizam um montante de R$ 1 bilhão em créditos ao sistema. A proposta rechaça projetos que resultem em redução nominal de salários, condicionando elevação de alíquotas, cobrança de dependentes e aumento em coparticipações a recomposições inflacionárias por meio de revisões gerais anuais em iguais proporções.

Para evitar novos déficits, a proposição prevê a criação de um novo plano, que considere parâmetros etários e de dependentes, destinado aos servidores que ingressarem no sistema a partir da aprovação das mudanças. As entidades deixam em aberto a possibilidade de este novo plano ser desenhado conforme a proposta inicial apresentada pelo governo (com aumento das alíquotas de contribuição de 3,1% para 3,6%, cobrança de todos os dependentes, de acordo com a faixa etária, e elevação da coparticipação em consultas e exames de 40% para 50%), ou de acordo com as negociações que acontecem com o Legislativo. Para o plano alternativo, além de servidores novos, também poderiam migrar, dentro de um prazo estabelecido, servidores antigos para os quais as regras sejam mais atraentes (caso, por exemplo, de jovens sem dependentes e com altos salários). As tabelas médicas não teriam diferenças entre os dois sistemas, de modo a manter a igualdade de tratamento na ponta aos usuários de ambos.

Questionado sobre a possibilidade de o sistema atual vir a apresentar novos déficits no futuro mesmo se o governo efetuar os pagamentos referentes a imóveis, precatórios, RPVs e paritárias de pensionistas, Filipe Leiria, um dos conselheiros da União Gaúcha envolvido na formulação da proposta, responde que sempre existe um custo de transição na mudança de um sistema, e lembra que os parâmetros que estão sendo usados na alternativa idealizada pelas entidades são os mesmos que foram adotados na reforma da previdência. “Na previdência, foi o custo de transição que barrou a capitalização total”, compara.

Segundo Leiria, para além da questão dos custos, há o que os servidores destacam como debate civilizatório. “Estamos tratando de dignidade humana. Se todos concordam que é preciso fazer mudanças para que o sistema continue a existir, a pergunta que precisa ser feita é: o governo vai abandonar as pessoas de baixa renda e com mais idade ou vai financiar o custo de transição? O governo, até aqui, tem tentado fazer um apagamento deste custo de transição, mas ignorá-lo vai gerar problemas em série, inclusive a possibilidade de ações judiciais futuras”, projeta.

As alternativas gestadas pela União Gaúcha são tornadas públicas um dia antes de o governo ter se comprometido a apresentar a aliados as mudanças efetuadas em sua proposta inicial. O Executivo se apressa para enviar um projeto de reestruturação do IPE Saúde à Assembleia Legislativa o quanto antes. O objetivo é evitar o risco de que, em função da burocracia da tramitação, a apreciação acabe ficando para o segundo semestre, devido ao recesso do meio do ano, mesmo que o texto seja enviado em regime de urgência.

Confira a proposta na íntegra


 

CORREIO DO POVO

Criada a Frente Parlamentar de Vereadores Policiais e Bombeiros Militares do RS

A Frente Parlamentar dos Vereadores Policiais e Bombeiros Militares do Rio Grande do Sul, é composta por 28 parlamentares das diversas Câmaras de Vereadores do Rio Grande do Sul e teve sua constituição no final do mês de abril, com a finalidade de defender os interesses dos militares estaduais.

Ilustração recebida da organização

A PRIMEIRA REUNIÃO

A primeira reunião ocorreu nesta quarta-feira (03) na Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, com parte dos integrantes presencialmente e outra de forma virtual. A reunião tratou sobre a situação do IPE Saúde e a proposta do Governo do Estado de aumentar a contribuição por parte do servidores estaduais.

Os integrantes criticaram o descumprimento reiterado dos percentuais de reposição inflacionária, onde as perdas superam 60%. Quanto ao IPE Saúde, alertam que o maior devedor é o próprio Governo do Estado, que deve mais de R$ 880 milhões ao Instituto.

A Frente Parlamentar formada mobilizará esforços através de encaminhamentos junto ao Ministério Público Estadual, ao Ministério Público de Contas e ao Tribunal de Contas do Estado e, ainda, à Assembleia Legislativa do Estado, solicitação de transparência da gestão do IPE. Nos próximos dias realizarão movimento em Porto Alegre.

1ª Reunião – Foto divulgação

Governo do RS pode enviar PL do IPE Saúde nesta semana à Assembleia

Casa Civil encerrará ciclo de encontros com bancadas e, após, sugestões serão discutidas com Leite, que dará o aval final

Governo do RS pode enviar PL do IPE Saúde nesta semana à Assembleia | Foto: Mauro Schaefer

Felipe Nabinger Correio do Povo

O governo do Rio Grande do Sul encerra nesta semana o ciclo de reuniões com as bancadas da Assembleia Legislativa antes do envio do projeto de reformulação do IPE Saúde. Nesta terça-feira, quatro bancadas serão recebidas pelo secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e pelo diretor-presidente do instituto, Bruno Jatene, a exemplo do que ocorreu na semana passada com outras siglas. Deputados do MDB, PSB, PSDB e União Brasil terão a possibilidade de apresentar sugestões e solicitar detalhes sobre o primeiro esboço da proposta do Executivo.

Na semana passada, nove legendas estiveram no Palácio Piratini, assim como representantes de sindicatos de servidores e associações médicas. “A gente avalia como positivo porque tivemos a condição de, primeiro, sentir quais são as posições das múltiplas frentes desde os servidores, que são usuários, passando pelos prestadores e pelos parlamentares, que representam a sociedade”, afirma Lemos, sobre a série de encontros.

Conforme o chefe da Casa Civil do Estado, houve vários perfis nas reuniões, sendo que alguns fizeram mais indagações e outros foram mais propositivos. Lemos exemplifica que os sindicatos, por exemplo, mais questionaram e ouviram e, por isso, terão novo encontro com Jatene na quarta-feira, a fim de apresentarem sugestões. “É complexo trabalhar por um denominador comum de um desafio onde se tem um IPE Saúde desequilibrado, onde a grande massa não está nos altos salários”, analisa Artur Lemos, que ressalta a dificuldade em buscar não penalizar em demasia o servidor, mas manter a sustentabilidade do plano.

Dependente é questão de impasse

Para o secretário, a volta da alíquota descontada dos titulares de 3,1% para 3,6%, a exemplo do que ocorria até 2004, foi compreendida, restando a questão dos dependentes como principal foco das discussões. “Há uma clareza que o grande desafio está na prestação para os dependentes.” Lemos defende que, mesmo com cobrança para os que hoje são isentos, os valores da Tabela de Referência de Mensalidades (TRM) apresentados ficam abaixo dos planos de mercado.

Das 14 bancadas do Legislativo, só a da federação que conta com PT e PCdoB não havia agendado ainda encontro com o governo do Estado. Com a conclusão das reuniões, chefe da Casa Civil não descarta a manutenção do protocolo do texto do projeto ainda nesta semana, mas salienta a necessidade de levar as ponderações dos encontros para o governador Eduardo Leite (PSDB), antes da redação definitiva. 

O que sugerem as bancadas

  • Novo – o projeto torna plano atrativo para servidores de maiores salários e menor sinistralidade. Sugeriu que tabela de dependentes leve em conta histórico de saúde.
  • PDT – sugeriu duas faixas com limitador de até 10% e 15% do valor dos menores salários do funcionalismo para dependentes e isenção de dependentes com deficiência física.
  • PL – conceito do projeto foi descrito como “relevante”. Bancada pediu os dados referentes a servidores com menores salários para entender os cálculos do governo e, se necessário, propor emendas.
  • Podemos – propôs que dependentes abaixo dos 18 anos passem de R$ 49,28, propostos pelo governo, para R$ 87,60, invertendo a lógica atual e reduzindo mensalidade dos mais velhos.
  • PP – propôs coparticipação de 50% da mensalidade dos menores de 18 anos e de 24 (estudantes) por parte do Estado e autonomia do Conselho de Administração em futuros reajustes.
  • PSD e PTB – Deputados participaram da rodada de encontros de forma remota.
  • PSol – contestou dívidas de Poderes e órgãos públicos estaduais com o plano, pediu detalhamento de questões referentes a cálculos e cobrou reajuste salarial para servidores. 
  • Republicanos – deputados entendem que o projeto vai na linha do que pensa a bancada e propostas foram quanto à fiscalização para coibir fraudes e ao excesso do uso de diárias de internações.

Médicos sugerem ao Piratini ampliar o valor da coparticipação de usuários do IPE Saúde 

Um eventual aumento no complemento, na visão do presidente do Simers, Marcos Rovinski, poderia aliviar o aumento de custo fixo mensal sobre os servidores

GABRIEL JACOBSEN GZH

Representantes dos médicos sugeriram, nesta quarta-feira (26), ao governo Eduardo Leite que a reforma do IPE Saúde permita que a categoria aumente os valores cobrados de coparticipação dos usuários do plano.

A ideia é que os médicos tenham liberdade para cobrar o valor que desejarem de coparticipação, até determinado limite de valor. Um eventual aumento na coparticipação, na visão do presidente do Simers, Marcos Rovinski, poderia aliviar o aumento de custo fixo mensal sobre os servidores.

— Seria uma forma de fazer um pouco mais de justiça nos honorários médicos, sem que impacte de maneira tão dura os usuários. De fazer o usuário pagar (mais na coparticipação) quando for usar (os serviços), e não colocar esse custo dentro da participação mensal — apontou o presidente do Simers.

Os representantes de médicos também sugeriram que a cobrança de coparticipação dos servidores, atualmente limitada a consultas e exames, também passe a existir para procedimentos e cirurgias. 

— Dois pontos são fulcrais pros médicos: a primeira é a ampliação da coparticipação. Hoje é de consultas e exames, que passaria também para internações, procedimentos e cirurgias. Que se dê a possibilidade de a defasagem (de pagamento aos médicos) ser corrigida com a coparticipação. E, em segundo lugar, a liberdade de o usuário do IPE poder escolher o médico, mesmo que ele não seja credenciado ao IPE. Para este médico poder operar o paciente e solicitar exames — destacou o deputado Dr. Thiago Duarte (União Brasil), que participou do encontro dos médicos com o governo do Estado.

As sugestões foram levadas ao governo durante reunião realizada entre Simers e Amrigs com o secretário chefe da Casa Civil do governo Leite, Artur Lemos. 

O pedido central dos representantes de médicos ao Piratini é que o governo do Estado garanta, na reforma do IPE Saúde, o reajuste nos honorários dos profissionais vinculados ao plano. 

Na proposta inicial de reformulação do IPE, o governo Leite sinalizou com a ampliação de cerca de R$ 200 milhões para R$ 340 milhões o orçamento anual para pagamento de honorários médicos. A sinalização é considerada positiva pela categoria.

— O tom da reunião foi harmônico. Eu sinto que há interesse (do governo) em modificar o status (dos honorários). Agora é questão de detalhes — avaliou o presidente do Simers, ao sair da reunião no Piratini.

O presidente do IPE, Bruno Jatene, reforçou o interesse do governo em melhorar os pagamentos aos médicos do plano:

— Esta reforma é muito mais do que alteração de contribuição. É importante que o IPE cubra o seu deficit, mas também avance para melhorar o serviço, e isso passa por reajustar os honorários médicos — disse Jatene.

O valor final que será destinado pelo governo Leite para ampliar os honorários dependerá de qual reforma do IPE será aprovada na Assembleia Legislativa. A atual previsão de aumento de R$ 140 milhões para honorários considera a proposta inicial do governo – que vem sendo criticada por parte dos aliados, em especial, pela ampliação de custos para os servidores com menores salários e com idade mais avançada.

—  A questão da cobrança sobre cônjuges e dependentes (de servidores) com menores salários precisa ser minorada. O governo precisa ter mais complacência com esses grupos — apontou o deputado Dr. Thiago Duarte (União Brasil), aliado do governo Leite. 

A proposta do governo Leite

Na última segunda-feira (17), o governador apresentou a proposta de reformulação da cobrança do IPE Saúde, com objetivo de reduzir o déficit mensal de R$ 36 milhões no plano. 

Para aumentar a arrecadação, o projeto atual do Piratini prevê o aumento da contribuição dos servidores de 3,1% para 3,6% para adesão ao IPE. Ao mesmo tempo, cria um teto que limita esse desconto salarial considerando a idade do titular: para os mais jovens, o desconto máximo mensal seria de R$ 219 e, para quem tem 59 anos ou mais, de R$ 1.254,75.

O projeto do Piratini também prevê que o IPE passe a cobrar do servidor pela inclusão de dependentes. O custo para adesão de cada familiar, pela proposta, oscilaria entre R$ 49,28 (dependente mais jovem) e R$ 501,90 (dependente com 59 anos ou mais). 

A proposta de reformulação do IPE deve ser enviada pelo governo à Assembleia no início de maio.

Entidades realizam ato contra a proposta de reformulação do IPE Saúde

Foto: Gabriel Noroefé

O Jornal Correio Brigadiano mobilizou toda sua equipe para a cobertura do ato conjunto de entidades e sindicatos dos servidores do Estado, contra a proposta de reformulação do IPE Saúde, apresentada na semana anterior pelo Governador Eduardo Leite.

Os Integrantes do Fórum de defesa do IPE Saúde são unânimes em afirmar que o governo está passando toda a conta da má gestão para os servidores pagar, que não estão vendo a contrapartida do estado na crise gerada por ele próprio. Estavam representadas a ASSTBM, Presidente Santellano, AOFERGS, Presidente Paulo Ricardo, ABAMF, Presidente Galvan, AESPPOM, Presidente Claudete Valau, CPERS, Presidente Helenir Aguiar, FESSERGS, Presidente Sergio Arnoud, ABERGS, Coordenador TC Ederson, Regional ASSTBM Passo Fundo, Diretor Zibetti, Livramento, Diretor Pereira e Lavras do Sul, Diretor Cabral.

Foto Gabriel Noroefé – JCB

Este ato marca uma união de esforços de toda a categoria de servidores contra o projeto, e pela reformulação do mesmo. Cada seguimento manterá contato com as lideranças políticas para os ajustes à proposta, que a torne no mínimo justa e equilibrada.

Confira abaixo as entrevistas realizadas pelo Correio Brigadiano e Rádio Studio 190 com as principais lideranças ( Reportagem Marco Rodrigues – Técnica Bernardo Haselein)

Manifestação Aparício Santellano –  Presidente ASSTBM

Manifestação Tem Paulo Ricardo –  Presidente AOFERGS

Manifestação Potiguara Galvan –  Presidente ABAMF

Manifestação Professora Helenir Aguiar –  Presidente CPERS

Manifestação Claudete Valau –  Presidente AESPPOM

Manifestação José Luiz Zibetti –  ASSTBM Passo Fundo

GALERIA DE FOTOS

 

 

Fotos: Gabriel Noroefé – Correio Brigadiano

Deputados têm novo reajuste nos subsídios em abril

Aumento escalonado é garantido pela automaticidade em relação ao Congresso aprovada por parlamentares estaduais no final de 2022 e válida para a atual Legislatura

Flavia Bemfica Correio do Povo

Deputados têm novo reajuste nos subsídios a partir de abril | Foto: Ricardo Giusti

Os deputados estaduais gaúchos passaram a receber, a partir de 1º de abril, subsídio mensal de R$ 31,2 mil. É a segunda elevação nos salários dos parlamentares desde o início de 2023. A primeira aconteceu a partir de fevereiro, quando o subsídio subiu dos antigos R$ 25,3 mil para R$ 29,4 mil. Eles também já têm aumentos garantidos em 2024 e 2025. Em 1º de fevereiro do próximo ano os salários serão elevados para R$ 33 mil. E, em 1º de fevereiro de 2025, para 34,7 mil.

Os aumentos escalonados foram garantidos antecipadamente em uma votação ocorrida no final de 2022, gerando assim menos visibilidade e, por consequência, menor desgaste junto à opinião pública. Eles se tornaram possíveis porque, em 20 de dezembro, os deputados aprovaram um projeto (o PL 253) que trouxe uma inovação em relação ao reajuste de seus próprios salários. A chamada automaticidade, válida somente para a atual Legislatura, em relação ao subsídio fixado para os membros do Congresso Nacional no mesmo período.

Com a proposta, os gaúchos fixaram o próprio salário em 75% do de federais e senadores, reforçando o estabelecimento do teto definido constitucionalmente. A Constituição prevê que recebam “no máximo” 75% do que é determinado, em espécie, para os federais. Mas, até a aprovação da mudança em dezembro, era praxe no Legislativo gaúcho definir os aumentos em valores, ao final de uma legislatura, fixando um total em reais dentro do limite constitucional, que valia para os quatro anos da legislatura seguinte.

A mudança feita aqui no apagar das luzes de 2022 aconteceu ‘em sintonia’ com tratativas que já caminhavam no Congresso. Lá, no mesmo dia 20 de dezembro, a Câmara dos Deputados e depois o Senado aprovaram um projeto de Decreto Legislativo (PDL) que igualou os subsídios de deputados federais e senadores aos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A isonomia está prevista na Constituição, mas, até então, não era aplicada. Na legislatura passada, antes do aumento, federais e senadores recebiam subsídio de R$ 33,7 mil. Com a aprovação do PDL, os salários dos congressistas saltaram para R$ 39,2 mil (o mesmo de um ministro do Supremo) em janeiro.

O PDL também garantiu novos aumentos, escalonados, além daquele de janeiro, na carona de um outro texto, apresentado em setembro de 2022, por iniciativa do STF, e que estabeleceu um aumento de 18% nos subsídios dos ministros a partir de 1º de abril de 2023. Os vencimentos dos ministros, que já eram de R$ 39, 2 mil em 2022, foram assim elevados para R$ 41,6 mil em abril. Passarão a R$ 44 mil a partir de 1º de fevereiro de 2024. E para R$ 46,3 mil em 1º de fevereiro de 2025. O projeto do aumento no STF (PL 2438/22) foi aprovado em 21 de dezembro.

Como igualaram seus salários aos dos ministros, os deputados federais e senadores tiveram um segundo aumento em abril e garantiram outros dois, os de 2024 e 2025. E os estaduais, ao aprovarem a automaticidade para a legislatura atual, fizeram o mesmo em relação aos congressistas, em uma espécie de efeito cascata. Assim, enquanto o reajuste total dos ministros será de 18%, o de senadores, federais e estaduais será de 37,32%. A última elevação para os ministros havia ocorrido em 2018. Já os últimos aumentos para senadores, federais e, por consequência, estaduais, tinham acontecido em 2014.

Evolução dos subsídios de senadores, deputados federais e estaduais

Em 2022

Senadores e Federais: R$ 33.763,00

Estaduais: R$ 25.322,25

A partir de 1º de janeiro de 2023 (aumento de 16,37%)

Senadores e Federais:  R$ 39.293,32

Estaduais: R$ 29.469,99*

A partir de 1º de abril de 2023 (aumento de 6%)

Senadores e Federais: R$ 41.650,92

Estaduais: R$ 31.238,19

A partir de 1º de fevereiro de 2024 (aumento de 5,6%)

Senadores e Federais: R$ 44.008,52

Estaduais: R$ 33.006,39

A partir de 1º de fevereiro de 2025 (aumento de 5,36%)

Senadores e Federais: R$ 46.366,19

Estaduais: R$ 34.774,64

*No caso dos deputados estaduais, o PL 253 se transformou na Lei 15.939, sancionada pelo governador Eduardo Leite em 2 de janeiro de 2023. Tanto o PL como a lei estadual fixaram que o primeiro reajuste passaria a valer a partir do início da atual Legislatura, ou seja, em 1º de fevereiro, ao invés de 1º de janeiro.

FONTES: Lei Estadual 15.939/2023 e Decreto Legislativo 172/2022, do Congresso Nacional.