Contribuição de Eduardo Leite seria reduzida caso mudanças no IPE Saúde sejam aprovadas

Proposta permitiria redução de R$ 700,00 na contribuição do governador. Servidores usam o caso como exemplo para apontar falhas

Governador Eduardo Leite é utilizado como exemplo do que os servidores classificam como injustiças no projeto | Foto: Mauricio Tonetto / Palácio Piratini / CP

Flavia Bemfica Correio do Povo

O caso do governador Eduardo Leite (PSDB) está sendo usado como exemplo por entidades representativas de servidores e integrantes de bancadas de oposição na Assembleia Legislativa para apontar o que consideram como um dos principais problemas na proposta de reestruturação que o Executivo apresentou para o IPE Saúde.

Leite completou 38 anos em março, não possui dependentes, recebe subsídio bruto de R$ 35,4 mil e atualmente desconta R$ 1.099,32 (alíquota de 3,1%) para o IPE Saúde. Os dados constam na folha de março de 2023 disponíveis no Portal da Transparência do governo.

Caso a proposta do governo – que inclui a cobrança dos titulares ou por faixa etária ou por percentual do bruto (3,6%), valendo o que for mais vantajoso para o segurado – venha a ser aprovada nos parâmetros sugeridos, a contribuição mensal do governador cairia para R$ 380,25, uma redução de R$ 719,07 por mês. Em 2024, quando Leite completar 39 anos, ele mudaria de faixa, conforme as tabelas apresentadas pelo Executivo. Passaria a descontar então R$ 435,75 ao mês.

Leite  recebe subsídio bruto de R$ 35,4 mil e atualmente desconta R$ 1.099,32 para o IPE Saúde | Foto: Reprodução / CP

O exemplo, que já havia começado a circular na terça-feira, gerou constrangimento na reunião do Conselho de Administração do IPE Saúde realizada na manhã de ontem. A reunião foi convocada de forma extraordinária, a partir de iniciativa de representantes de sindicatos com assento no colegiado, para debater as mudanças no IPE, após o governo detalhar sua proposta para deputados da base aliada na noite de segunda.

Na reunião do Conselho, representante do Cpers apresentou um comparativo entre as contribuições do governador e as de uma professora com carga horária de 20 horas, vencimento de R$ 2.620,21 neste vínculo e um cônjuge com 59 anos de idade incluído como dependente no IPE Saúde. Hoje a professora desconta para o sistema neste vínculo R$ 81,23 (alíquota de 3,1%) e o dependente é isento. Com a reestruturação proposta pelo Executivo, ela passaria a descontar R$ 94,32 (alíquota de 3,6%). Mas, para manter o dependente no sistema, teria que pagar uma mensalidade de R$ 501,90 para ele, totalizando um desconto de R$ 596,22 ao mês.

“Pela proposta do governo, o que acontecerá é que para uma grande parte dos servidores, os que têm os salários menores, apenas o titular continuará no IPE Saúde. Não vamos conseguir manter os dependentes. O que nos parece é que o objetivo da reestruturação é tornar o IPE atrativo apenas para os jovens e para os que recebem altos salários”, afirma Vera Lessês, uma das representantes do Cpers no Conselho.

O colegiado deixou agendada uma nova reunião extraordinária para a manhã de terça-feira, dia 25. O grupo é composto por 12 membros, sendo três do Executivo, um do Tribunal de Justiça, um da Assembleia Legislativa, um do Ministério Público, dois da União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública, dois da Federação Sindical de Servidores Públicos do RS e dois do Cpers.

O que muda para servidores e dependentes com a nova proposta do governo do RS para o IPE Saúde

Governador Eduardo Leite apresentou proposta de revisão do plano na segunda-feira

Apresentação da nova proposta ocorreu em reunião no Galpão Crioulo do Palácio Piratini Grégori Bertó / Secom/Divulgação

GZH

O governo do RS apresentou, na segunda-feira (17), uma proposta inicial para a reestruturação do IPE Saúde. Segundo o projeto apresentado pelo governador Eduardo Leite, a alíquota dos titulares do plano de saúde dos servidores estaduais aumentaria dos atuais 3,1% para 3,6%. 

O valor da contribuição poderá variar de acordo com a idade do titular, assim como o percentual que será cobrado dos dependentes. Já a coparticipação em exames e consultas passaria de 40% a 50%.

A regra determina que os valores cobrados dos segurados não poderiam exceder o que determina a Tabela de Referência de Mensalidade (TRM) do IPE Saúde, com preços que variam de R$ 219 a R$ 1.254,75. Ou seja, o segurado pagaria sempre o menor preço, seja o valor previsto na tabela ou o montante extraído do cálculo percentual com base no salário.

Aos dependentes, o Estado pretende estipular um percentual a partir do valor de referência do titular do plano, conforme a idade do dependente. Segundo Leite, o projeto de lei deve ser encaminhado à Assembleia Legislativa na primeira semana de maio.

Veja a tabela comparativa abaixo

Entrevista de Eduardo Leite na Rádio Gaúcha

Em entrevista nesta terça-feira (18) ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o governador Eduardo Leite falou mais sobre a proposta. Leite argumentou que, mesmo com as críticas à cobrança dos dependentes, que hoje são isentos, os valores propostos ainda serão mais vantajosos do que os praticados pelo mercado de planos de saúde. 

—A gente vai continuar oferecendo um benefício aos servidores para seus dependentes, com um plano de saúde substancialmente menor do que o mercado apresenta, mas ainda assim uma cobrança. Para aqueles dependentes que são jovens, até 23 anos, é uma cobrança que é menor de R$ 50, o equivalente a 15% do valor que se apura no mercado — sustenta.

O chefe do Executivo ainda enfatizou que o usuário majoritário do IPE tem alta sinistralidade, ou seja, é um paciente que usa bastante o sistema de saúde, fazendo com que o plano não dê conta no cenário atual.

— É uma idade média de 60 anos. 40% dos usuários do IPE Saúde têm mais de 54 anos. A gente tem um perfil de usuário mais envelhecido do que os planos de saúde privados. Os usuários mais idosos demandam mais em consultas e exames, e isso significa mais despesas para o plano. Não têm sido suficientes essas contribuições — salientou.

Confira a entrevista completa de Eduardo Leite:

Senado volta a discutir projeto sobre novas regras para posse de arma nesta quarta

Após ficar travado mais de uma vez, “PL das Armas” será tema de audiência pública, que ouvirá especialistas favoráveis e contrários

R7

Armas de fogo; para munições, texto permite compra de até cem cartuchos carregados por ano Foto: PIXABAY/REPRODUÇÃO/R7

O projeto de lei que propõe novas regras para registro, posse e comercialização de armas de fogo voltará a ser debatido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (19). O chamado “PL das Armas” será tema de uma audiência pública na Casa após ficar travado mais de uma vez.

Serão ouvidos dez especialistas da área da segurança pública, sendo cinco favoráveis e cinco contrários ao projeto. A expectativa é que os senadores votem a proposta na CCJ na primeira reunião deliberativa após o debate.

A medida chegou ao Congresso em 2019, apresentada pelos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Soraya Thronicke (União Brasil-MS), além de Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que está sem mandato, e de Major Olímpio, morto em março de 2021.

O texto original alterava diversos pontos do Estatuto do Desarmamento, como os limites da propriedade onde o cidadão pode manter a arma, que poderia ser exercida em toda a extensão da residência ou do local de trabalho, edificado ou não (e não somente dentro da casa ou do escritório), em área urbana ou rural.

Além disso, dispensava os órgãos de segurança pública de autorização do Comando do Exército para a adquirir armas de fogo de uso restrito, como pistola de alta repetição de tiros ou munição de maior impacto.

A medida cita que dez órgãos poderiam deliberar sobre o tema, como as polícias federal e rodoviária federal e as polícias estaduais, além da Força Nacional de Segurança Pública, as guardas municipais e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Na justificativa do projeto, os senadores alegavam que o Estado não tem condições mínimas de defender o cidadão.

Relator da matéria, o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) fez uma série de mudanças ao texto desde que assumiu o tema na CCJ, como o aumento de pena para qualquer tipo de modificação, alteração ou tentativa de descaracterização dos métodos de identificação e fiscalização de armas de fogo.

Munições

Para munições, o projeto permite que os proprietários de armamentos comprem até cem cartuchos carregados por ano, não valendo para munição esportiva e de caça. No entanto, um decreto editado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permite a metade do que é proposto, 50 cartuchos anualmente.

Outras mudanças na proposta pelo texto do relator é a suspensão do porte de arma nos casos de violência doméstica e o dispositivo que passa de três para seis o número de armas de fogo de uso permitido por pessoa, com exceção dos caçadores, atiradores desportivos ou colecionadores (CACs).

A proposta mantém a regra de que é necessário ter mais de 25 anos para adquirir arma de fogo, mas cria uma nova norma para moradores de zonas rurais, que poderão ter armas a partir dos 21 anos.

Governo apresenta proposta inicial para reequilibrar e qualificar atendimento do IPE Saúde

Leite e integrantes do primeiro escalão se reuniram com deputados para tratar da situação do IPE Saúde – Foto: Grégori Bertó/Secom

Com o objetivo de promover o reequilíbrio financeiro e a qualificação do serviço prestado pelo IPE Saúde, o governo apresentou nesta segunda-feira (17/4) uma proposta inicial de reestruturação do plano de saúde dos servidores. Em reunião realizada no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite expôs a deputados estaduais os quatro eixos que sustentam a proposição do Executivo. Os pilares da iniciativa são: auditoria e regulação, equalização do passivo, ajuste das despesas e revisão do modelo de financiamento do plano.

Em relação ao primeiro eixo, o Executivo pretende reforçar a capacidade do IPE Saúde de realizar auditorias, a partir da contratação de profissionais especializados, uso de tecnologia e redimensionamento da rede de credenciados, entre outras medidas. Para equalizar o passivo de R$ 250 milhões da instituição, montante em redução nos últimos anos, a proposta é de ampliar a negociação dos créditos a receber do IPE Saúde junto ao Estado.

No ponto de ajuste das despesas, o governo implantará novas tabelas de remuneração para os profissionais de saúde e instituições credenciadas, o que qualificará o atendimento aos segurados. Consultas médicas, visitas hospitalares e procedimentos médicos receberão reajuste.

Novo modelo de financiamento

O último e mais importante eixo da proposta inicial do governo envolve o financiamento do IPE Saúde. O modelo apresentado nesta segunda-feira tem como premissas não sobrecarregar os titulares do plano, a manutenção do princípio da paridade entre Estado e servidores estaduais – com aumento da contribuição patronal, havendo aumento do valor pago pelo segurado –, a contribuição de dependentes e a consideração da faixa etária dos segurados como elemento limitador para as mensalidades.

O governo entende que, a partir desses conceitos, em sintonia com a lógica de cobrança dos sistemas de assistência à saúde em outros Estados, o reajuste financeiro significará uma melhoria na qualidade de atendimento aos segurados.

“Essa é uma primeira proposta, que contempla o que é necessário para que possamos promover o equilíbrio financeiro do IPE-Saúde e qualificar o plano. A partir de agora, vamos receber sugestões dos deputados para que a proposta original possa ser melhorada e tenhamos condições de oferecer um plano de saúde moderno e sustentável para os nossos servidores e dependentes”, disse o governador.

A proposta inicial do Executivo ampliaria a alíquota dos titulares, hoje em 3,1%, para 3,6%, índice que era aplicado até o ano de 2004. A alíquota do Estado também aumentaria para o mesmo patamar. Os valores para os segurados não poderiam exceder o que determina a Tabela de Referência de Mensalidade (TRM) do IPE Saúde. Ou seja, o segurado pagaria sempre o que for menor: ou o valor previsto na tabela ou montante extraído do cálculo percentual com base no salário.

IPE tabela 1

Em relação à cobrança de dependentes, seria estipulado um percentual a partir do valor de referência do titular do plano, conforme a idade do dependente. Os valores cobrados ficariam abaixo da média praticada pelo mercado, conforme a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Confira:

IPE tabela 2

E a coparticipação em exames e consultas passaria de 40% a 50%.

Texto: Juliano Rodrigues/Secom
Edição: Vitor Necchi/Secom

IPE SAUDE É PROBLEMA DE ESTADO, MAS OS GOVERNANTES SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA CRISE

A partir do governo Sartori que recebeu o IPE Saúde com um Fundo de Reserva substancial e o deixou zerado, as seguintes administrações politicas e sem a necessária qualificação técnica, levaram o Instituto a esta situação crítica explanada pelo Governo e que já era denunciada há muito pelas entidades de classe.
É a verdadeira crônica da morte anunciada, pois desfila há anos diante da omissão dos governos que preferiram olhar para o lado e nada fazer.

O grande responsável por esta situação, além das administrações amadoras, é o congelamento salarial que supera 60% nos últimos oito anos, com apenas reposição inflacionária de 6%.

Ora o orçamento do IPE Saúde que é de cerca de 3,2 bilhões. Apenas com a correção inflacionária dos salários, os déficits apresentados pelo governo desapareceriam e ainda haveria folga para melhorar e acrescentar novos serviços.
O que não aceitamos é cobrar mais dos que ganham menos e de seus dependentes, para solucionar déficits simulados por gestões nomeadas pelos governos e que são as verdadeiras responsáveis pelo rombo.
Independentemente disso, a Fessergs e o Fórum Permanente em Defesa do IPE SAÚDE, apresentaram propostas ao IPE e ao Governo do Estado para enfrentamento da crise sem a necessidade de aumentar cobranças de servidores que não tem sequer respeitado o Reajuste Anual de salários previsto na Constituição Federal.

Estas propostas que passam pela correção das distorções existentes e propõem novas fontes de custeio, sequer foram respondidas. Ou debatidas com a profundidade que a situação requer.
Rejeitamos a solução simplista de aumentar contribuições de quem não tem aumento de salários, modelo Robin Wood invertido, que saqueia os mais pobres para beneficiar os mais ricos.

Há saída possível para esta crise, sem onerar mais ainda servidores sem reajuste há oito anos, Senhor Governador. Os segurados e suas entidades tem propostas.

Sérgio Arnoud – Presidente FESSERGS

Artigo publicado no Correio do Povo, página 2, 15/04/2023

Piratini avalia cobrar por dependentes e ampliar tarifa por idade com reforma do IPE Saúde

Segundo o governo do Estado, déficit no plano de saúde está diretamente relacionado ao perfil dos usuários e ao formato atual de cobrança

O governador Eduardo Leite afirmou que a isenção atual não encontra paralelo em outros planos de saúde Maurício Tonetto / Secom/Divulgação

GABRIEL JACOBSEN GZH

O governo do Estado apresentou, nesta quarta-feira (12), a deputados estaduais e integrantes da imprensa, um diagnóstico de déficit no IPE Saúde, indicando que o problema está diretamente relacionado ao perfil dos usuários do plano e ao formato atual de cobrança. Na próxima semana, o Piratini apresentará a sua proposta de reforma do IPE Saúde, prevendo aumento dos custos para parte dos servidores.

Em 2022, o déficit mensal do IPE Saúde ficou em cerca de R$ 36 milhões, segundo o governo estadual. O passivo atual junto aos prestadores (contas que excedem o prazo contratual de 60 dias) soma cerca de R$ 250 milhões.

Entre as mudanças avaliadas pelo Executivo está a cobrança do servidor público por dependentes cadastrados no plano. Ao tratar do tema, o governador Eduardo Leite afirmou que a isenção atual não encontra paralelo em outros planos de saúde.

— Temos um problema de sustentabilidade que, entre outros fatores, envolve termos 600 mil contribuintes e 300 mil pessoas que não contribuem. Se você olhar no mercado, a possibilidade de (incluir com isenção) dependentes não tem situação semelhante, em que tantas pessoas possam usar sem ter qualquer tipo de contribuição. Essa discussão vamos trazer semana que vem dentro dos caminhos que entendemos como pertinentes — disse.

Atualmente, o servidor gaúcho tem direito, sem custos extras, a estender o seu plano a filhos e enteados até 18 anos (ou até 24 anos se estiverem estudando). Também têm o direito cônjuges, companheiros e ex-cônjuges que recebam pensão alimentícia. Ao completarem a idade limite de dependentes, os familiares de servidores podem contratar um plano próprio específico para este grupo e seguir vinculados ao IPE. De acordo com o Piratini, dos 608 mil segurados do plano principal, 263 mil (43,2%) são dependentes que não pagam contribuição mensal. 

Para ter direito ao plano, servidores da ativa, aposentados e pensionistas têm desconto de 3,1% de seus salários. Na média, o valor mensal pago pelo servidor para ter direito ao IPE Saúde é de R$ 185,32. Um dos problemas desta forma de cobrança, na avaliação do Piratini, é que os servidores mais jovens — que em sua maioria demandam menos serviços do plano — desembolsam o mesmo que servidores de idade mais avançada.

— Aqui temos distorções: um servidor que não tenha dependente e de faixa etária mais baixa paga a mesma coisa, ou dependendo do salário (paga) até mais, do que um outro (servidor) que traga ao plano muito mais despesas por seu perfil etário e pelos dependentes que coloque. Isso gera distorções. Ou seja, o custo que um está apresentando ao plano é imensamente maior do que o custo do outro, e esse ajuste é o que temos que fazer — detalhou Leite.

A atual cobrança igualitária para diferentes perfis de usuários agrava o cenário, conforme o Piratini, pelo fato de que, no IPE Saúde, mais da metade dos titulares do plano principal é formada por pessoas acima de 59 anos. 

Em busca do alto escalão

Outro desafio do governo é tornar o plano de saúde atrativo para o alto escalão do funcionalismo público. Como a cobrança atual é feita com um percentual fixo para todos os servidores, parte dos funcionários públicos mais jovens e bem remunerados opta por não se vincular ao IPE Saúde e contratar um plano privado. Isso retira do plano estadual financiadores de peso.

“Pelo atual modelo de contribuição do IPE Saúde e por conta da ADI/2005, que retirou a obrigatoriedade de contribuição, os servidores públicos com maiores remunerações não permanecem no sistema. Ou seja, há uma fragilidade no sistema solidário, já que os salários mais altos não são atraídos”, diz trecho do material entregue pelo Piratini a deputados e à imprensa.

Na próxima semana, o Executivo deve convidar, outra vez, os parlamentares para nova conversa. A ideia é apresentar a proposta de reforma do IPE Saúde. A partir daí, o governo prevê uma série de encontros com setores diretamente afetados pelas mudanças (servidores, prestadores de serviços, hospitais e médicos). Passadas as negociações, o Piratini deve enviar o projeto à Assembleia Legislativa em maio.

Sobre o plano

  • O IPE Saúde tem, atualmente, 978 mil usuários. 
  • O orçamento anual é de R$ 3,2 bilhões. 
  • A rede credenciada tem 244 hospitais, 660 laboratórios, 55 prontos-socorros e 688 clínicas.
  •  Há 6466 médicos credenciados.

Paralisação de médicos do IPE Saúde vai até maio

Profissionais credenciados decidiram em assembleia ampliar mobilização até que projeto do governo seja votado

Governador projetou reestruturação | Foto: IPE Saúde / Divulgação CP

Correio do Povo

Os médicos credenciados ao Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do RS (IPE Saúde) vão continuar paralisados até o dia 2 de maio. A deliberação aconteceu em assembleia da categoria realizada no formato híbrido pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) na noite desta quarta-feira. A data limite se refere à expectativa dos profissionais quanto ao projeto de reestruturação da autarquia, que será levado à Assembleia Legislativa pelo governo do Estado nos próximos dias.

Antes da decisão, à tarde, o governador Eduardo Leite apresentou um panorama do instituto sem detalhar a proposta que deverá ser apresentado aos deputados.

A mobilização dos profissionais teve início na segunda-feira. Segundo o IPE, a maioria dos atendimentos eletivos que seriam prejudicados foi remarcada com antecedência. O órgão estimou que a ação resultou em 9% de consultas a menos em relação a dias normais.

Já o Simers aponta que, somente no Hospital Ernesto Dornelles, na Capital, mais de 200 consultas precisaram de novas datas. A entidade assegura que 60% dos médicos atuantes em Porto Alegre e Interior cruzaram os braços desde segunda-feira. O Ernesto Dornelles confirmou a adesão de alguns médicos conveniados e com atuação no ambulatório.

O IPE Saúde disse que “vem monitorando os atendimentos, que permanecem regulares”. Também salientou que “tem trabalhado, junto com o governo do Estado, na implantação de amplo projeto de reestruturação”. A principal crítica do Simers é referente a defasagem da tabela de remuneração de honorários dos médicos, que se mantém a mesma desde 2011

Governador Eduardo Leite diz que não vai transformar IPE Saúde em plano “de mercado”

Governador apresentou diagnóstico a deputados e imprensa; proposta do Executivo começa a ser discutida na segunda-feira

Flavia Bemfica Correio do Povo

Governador apresentou diagnóstico a deputados e imprensa nesta quarta-feira | Foto: Guilherme Almeida

Depois do diagnóstico apresentado nesta quarta-feira, o governo do Estado vai detalhar na próxima segunda aos deputados as propostas prévias de mudança no IPE Saúde. O objetivo é discutir antecipadamente, de forma a tentar diminuir os debates quando o projeto contendo as mudanças chegar ao Legislativo, provavelmente em maio.

O Executivo deve, na segunda-feira, finalmente esclarecer qual sua proposta. Nesta quarta, em diferentes momentos da apresentação, e na coletiva de imprensa que se seguiu a ela, o governador Eduardo Leite (PSDB) evitou admitir que sua gestão tenha uma proposta principal, apesar de ela, na verdade, existir.

Parlamentares de oposição e entidades representativas de servidores, e até mesmo deputados da base, já começaram a cobrar que o governo ‘abra’ de verdade os dados do IPE Saúde, e indique se pretende um sistema nos moldes do mercado ou não.

Nesta quarta-feira, Leite se adiantou a parte dos questionamentos. “Eu não acho que a gente deva trazer os custos do IPE Saúde aos valores de mercado. Não é correto, não é adequado e não estou defendendo isso. Estou fazendo comparações para entendermos a sustentabilidade de planos privados e do nosso plano de servidores.”

A justificativa do governador se deu ao final da apresentação do diagnóstico contendo uma série de comparações entre o IPE Saúde e planos privados.

A profusão de dados apresentados no diagnóstico nesta quarta aponta para três questões principais a serem equacionadas. Se todos os dependentes passarão a pagar mensalidade. Se é possível ter mecanismos que atraiam ao sistema servidores que o deixaram por considerarem seu custo/benefício pouco atraente. E se é possível fazer alguma alteração de alíquota conforme a faixa etária.

O governo, contudo, vai precisar explicar melhor os dados. Nos slides da apresentação, por exemplo, incluiu casos reais de titulares com nove dependentes. O resultado foi um burburinho generalizado na plateia, ao fim do qual um deputado perguntou qual a média de dependentes por titular.

O presidente do IPE Saúde, Bruno Jatene, respondeu que é inferior a um. Hoje, no sistema, filhos com 24 anos completos já pagam mensalidade.

Confira o diagnóstico disponibilizado pelo governo do Estado: 

Usuários do IPE Saúde são afetados por greve parcial de médicos; orientação é ligar para confirmar consultas

Segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, urgências e emergências não são afetadas

GZH

A paralisação parcial dos médicos do IPE Saúde, iniciada nesta segunda-feira (10), afeta usuários do plano que acolhe servidores gaúchos e seus dependentes. A mobilização deve ocorrer até a próxima quarta-feira (12). Estão restritas consultas com especialistas: de acordo com o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcos Rovinski, a marcação será reagendada no “que for possível”.

— A grande maioria dos médicos, que eu saiba, estão restringindo, e já avisaram seus pacientes agendados de que haveria essa parada de atendimento. O que for possível de ser reagendado, está sendo reagendado – afirmou o diretor da entidade, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.

O Simers garante que urgências e emergências não são afetadas nesta paralisação, e não há um balanço de pacientes atingidos e profissionais que aderiram ao movimento. Ao parar por três dias, a categoria alega uma defasagem de repasses e pede a paridade nos pagamentos a partir da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) vigente no último ano. 

A diferença nos ganhos é reconhecida pelo Governo do Estado. No entanto, o presidente do IPE Saúde, Bruno Jatene, afirma que o Piratini não deve concordar com o sindicato neste ponto.

— O pleito que é colocado hoje na mesa faz parte da negociação, mas muito provavelmente não adotaremos essa CBHPM de 2022. Estamos trabalhando em algo que seja mais equilibrado. Melhorar os honorários dentro do limite orçamentário que existe no IPE Saúde — comparou Jatene também em entrevista ao Gaúcha Atualidade.

Como exemplo da possibilidade de ganhos dos médicos, o diretor do plano de saúde suplementar citou o modelo de atendimento ambulatorial – outra reclamação do sindicato é que o valor de R$ 25 por paciente seria muito baixo, se levado em conta a especialização constante dos profissionais além do já despendido na graduação.

— O IPE paga R$ 25 por paciente visitado em hospital. Não é incomum um médico visitar 10, 15 a 20 pacientes naquele período em que ele está no hospital. E isso se multiplica pelo valor bruto que é pago por cada uma dessas visitas — contrapõe o presidente do IPE Saúde.

Atualmente, em torno de sete mil médicos atendem pelo sistema. Contudo, segundo o sindicato, há relatos de descredenciamento por parte dos insatisfeitos com os pagamentos, o que amplia a dificuldade em encontrar um especialista na área em que o paciente precisa.

— É uma decisão individual dos médicos (o descredenciamento do plano). Temos uma notícia de pelo menos 110 médicos descredenciados na semana retrasada. Não temos um número exato, mas existe sim um movimento de descredenciamento — revela Marcos Rovinski, do Simers.

Opcional, o plano é utilizado por cerca de 1 milhão de pessoas. É financiado pelo recolhimento de 3,1% do salário do trabalhador mais um complemento do mesmo percentual pago pelo governo do Estado. Anualmente, segundo o presidente do IPE Saúde, são recolhidos R$ 3,2 bilhões, porém há um déficit mensal de cerca de R$ 35 milhões. Uma mudança nas alíquotas não é descartada, em alternativas futuras debatidas:

— A alternativa que está sendo pensada também deve contemplar a possibilidade de permanência de pessoas com altos salários, reforçando um pouco mais a solidariedade que deve existir dentro do plano. É uma discussão que exige reflexão muito forte de todas as entidades.

Uma reunião com o Simers, o IPE Saúde e representantes do Governo do Estado está marcada para a próxima quarta-feira, último dia de restrição nos atendimentos.

STF começa a julgar norma que proíbe críticas de policiais e militares a superiores

Relator da ação movida pelo PSL, o ministro Dias Toffoli defendeu o trecho do Código Penal Militar busca evitar excessos que comprometam a hierarquia

Ministro foi o primeiro a se manifestar sobre o tema | Foto: Reprodução / CP

Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta semana uma ação do Partido Social Liberal (PSL) contra o trecho do Código Penal Militar que restringe manifestações públicas de membros das Forças Armadas sobre a carreira. A regra também vale para bombeiros e policiais militares.

O julgamento foi iniciado nesta sexta-feira, 31, no plenário virtual. Na modalidade, não há debate entre os ministros, eles apenas registram os votos no sistema online. O prazo para votação fica aberto até 12 de abril.

O Código Penal Militar foi editado em conjunto pelos ministros da Marinha, Exército e Aeronáutica em outubro de 1969, auge da ditadura. O trecho questionado proíbe críticas a superiores hierárquicos, resoluções de governo e a disciplina militar. A punição em caso de descumprimento é de até um ano de detenção.

O PSL afirma que a regra fere o direito à liberdade de expressão. O partido entrou com a ação em 2017, quando começaram a surgir ações judiciais contra postagens de policiais militares nas redes sociais.

“Por qual motivo poderia um médico falar sobre saúde, um engenheiro ambiental falar sobre meio ambiente e um policial não poder falar sobre segurança pública? Vê-se aí que os direitos à liberdade de expressão são garantidos de forma diferente aos profissionais da segurança pública, sendo os seus regulamentos ultrapassados”, argumentou o partido.

O relator da ação é o ministro Dias Toffoli. Ele abriu os votos e defendeu que o direito à liberdade de manifestação não é absoluto e, no caso, precisa ser equilibrado com as ‘especificidades’ do regime disciplinar das carreiras militares.

“Há que se atentar para a singularidade das carreiras militares, sejam elas policiais ou propriamente militares, eis que igualmente subservientes aos postulados da hierarquia e disciplina”, escreveu.

Toffoli defendeu ainda que o trecho do Código Penal Militar busca evitar ‘excessos’ que ‘comprometam a hierarquia e a disciplina internas, postulados esses indispensáveis às instituições militares’. “E, assim, em última análise, impedir que se coloquem em risco a segurança nacional e a ordem pública, bens jurídicos esses vitais para a vida em sociedade”, concluiu o ministro.

CORREIO DO POVO